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2 Reis · 12 de 66 · Antigo Testamento

2 Reis — Bloco 9: Manassés e Josias: Do Abismo da Idolatria à Reforma da Palavra

Capítulos principais

Capítulos e versículos: 2 Reis 21:1–23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba):30.

Tema central do bloco

Este bloco coloca lado a lado os dois extremos da história de Judá.

Manassés, o abismo. Filho de Ezequias, ele reina cinquenta e cinco anos, o reinado mais longo da história de Judá, e é, segundo o narrador, o pior de todos os reis:

  • reconstrói os altos que o pai havia destruído;
  • ergue altares a Baal e aos astros dentro do próprio templo;
  • sacrifica o filho pelo fogo e pratica adivinhação e necromancia;
  • enche Jerusalém de sangue inocente, de uma extremidade à outra.

Pior ainda, leva o povo a fazer mais mal do que as nações que o Senhor havia expulsado de Canaã (21:9). Por causa dele, Deus anuncia que tratará Jerusalém como tratou Samaria.

Josias, a reforma. Neto de Manassés, sobe ao trono com oito anos e, no décimo oitavo ano do seu reinado, durante uma reforma do templo, acontece algo decisivo: o sacerdote Hilquias encontra o livro da Lei. Quando o texto é lido diante do rei, Josias rasga as vestes, consulta a profetisa Hulda, reúne todo o povo, lê publicamente o livro, renova a aliança e promove a reforma religiosa mais profunda de toda a história de Israel e de Judá:

  • do templo a Betel, dos altos de Salomão aos altares de Manassés, tudo é destruído;
  • a Páscoa é celebrada como nunca desde os tempos dos juízes;
  • o narrador diz que não houve rei como ele, que se voltasse para o Senhor de todo o coração, de toda a alma e com toda a força, segundo toda a Lei de Moisés (23:25).

E, no entanto, o bloco termina com uma frase desconcertante. Apesar de tudo, o Senhor não desistiu do furor da sua grande ira contra Judá, por causa das provocações de Manassés (23:26). A reforma de Josias foi sincera e profunda, mas não revogou o juízo. E o próprio Josias morre em Megido, num confronto com o faraó Neco, aos trinta e nove anos.

O bloco ensina quatro verdades:

  • O mal de uma geração pode ter consequências que atravessam gerações, mesmo quando é perdoado.
  • A Palavra de Deus esquecida pode ser redescoberta, e quando ela é ouvida com coração quebrantado produz arrependimento e reforma.
  • A fidelidade a Deus não é um negócio: Josias foi fiel mesmo sabendo que o juízo estava decretado.
  • Nem a melhor reforma humana pode, sozinha, desviar o juízo que o pecado acumulado merece. Esse limite aponta para a necessidade de uma nova aliança, anunciada por um profeta que começou seu ministério justamente nos dias de Josias: Jeremias.

Versículos-chave do Livro estudado

Versículos relacionados em outros capítulos ou Livros da Bíblia

Explicação teológica e bíblica

O bloco se desenvolve em oito subtemas:

  • o reinado de Manassés;
  • o seu arrependimento segundo Crônicas;
  • a breve passagem de Amom;
  • o livro encontrado no templo;
  • o oráculo de Hulda;
  • a aliança e a reforma de Josias;
  • a Páscoa e o elogio incomparável;
  • o juízo irrevogável e a morte em Megido.

Manassés: o reinado mais longo e mais sombrio (2Rs 21:1-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

Manassés tem doze anos quando começa a reinar e reina cinquenta e cinco anos (21:1), provavelmente de 697 a 642 a.C., contando uma corregência com Ezequias nos últimos anos do pai. O nome da mãe, Hefzibá, significa "o meu prazer está nela", o mesmo nome que Isaías usará para a Jerusalém restaurada (Is 62:4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O contraste entre o nome da mãe e a vida do filho é amargo.

O narrador compõe a avaliação mais longa e mais severa de todo o livro, e ela é construída como uma inversão deliberada da obra de Ezequias:

  • Reconstrução dos altos que o pai havia destruído (21:3). Em uma geração, o que levou anos para ser purificado é restaurado.
  • Retorno ao modelo de Acabe: ergue altares a Baal e faz um poste-ídolo de Aserá, como fizera Acabe, rei de Israel (21:3). O narrador aproxima Manassés do rei mais infame do Norte.
  • Culto aos astros: adora e serve todo o exército dos céus, os astros, prática típica da religião assíria e babilônica (21:3).
  • Profanação do templo: constrói altares dentro da casa do Senhor e altares aos astros nos dois pátios do templo (21:4-5), no próprio lugar do qual Deus dissera que ali poria o seu nome.
  • Sacrifício de criança e ocultismo: faz passar o filho pelo fogo e pratica agouros, adivinhação, necromancia e espiritismo (21:6), tudo o que Deuteronômio proíbe expressamente (Dt 18:9-14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
  • A imagem no santuário: coloca a imagem esculpida de Aserá no templo (21:7). É o ponto culminante da profanação. O narrador lembra a promessa de Deus a Davi e Salomão de que ali poria o seu nome para sempre, e de que Israel não seria removido da terra se guardasse a Lei (21:7-8). Manassés instalou a deusa no lugar do Nome.

A frase mais grave vem em seguida. O povo não ouviu, e Manassés o levou a fazer mais mal do que as nações que o Senhor destruíra diante dos israelitas (21:9). O povo que fora colocado em Canaã para substituir as nações idólatras tornou-se pior que elas. A lógica da conquista se inverteu.

Deus responde por meio dos seus servos, os profetas (21:10). O oráculo é um dos mais duros do livro (21:11-15):

  • A culpa: Manassés praticou abominações piores que as dos amorreus e fez Judá pecar com os seus ídolos.
  • A desgraça: Deus trará sobre Jerusalém e Judá uma desgraça tal que faria zumbir os ouvidos de todos os que a ouvissem.
  • O prumo: Deus estenderá sobre Jerusalém o mesmo cordel de medir usado em Samaria e o mesmo prumo usado para a casa de Acabe. A imagem vem da construção civil: o mesmo padrão que condenou o Norte será aplicado ao Sul.
  • A tigela: Deus limpará Jerusalém como quem limpa uma tigela e a vira de boca para baixo, deixando-a completamente vazia.
  • O abandono: Deus abandonará o restante da sua herança e o entregará aos inimigos.
  • A razão: o povo provoca o Senhor desde o dia em que os seus pais saíram do Egito.

É neste oráculo que o exílio de Judá passa de possibilidade a sentença.

O narrador acrescenta uma acusação à parte: Manassés derramou muitíssimo sangue inocente, até encher Jerusalém de uma extremidade à outra (21:16). O texto não detalha as vítimas, mas é provável que incluíssem os fiéis ao Senhor e os profetas que o denunciavam. Uma tradição judaica antiga, preservada no escrito apócrifo Ascensão de Isaías e no Talmude, afirma que o profeta Isaías foi serrado ao meio por ordem de Manassés. Muitos intérpretes veem uma alusão a essa tradição quando Hebreus menciona os que foram serrados (Hb 11:37 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Trata-se de tradição, não de afirmação do texto de 2 Reis.

Os documentos assírios confirmam que Manassés viveu como vassalo leal da Assíria. O prisma do rei Esar-Hadom lista "Manassés, rei de Judá" entre os reis que forneceram materiais para as construções do império, e ele aparece também nos registros de Assurbanipal. Sua longa estabilidade política foi comprada com submissão ao império e à sua religião.

Manassés morre e é sepultado no jardim do seu palácio, o jardim de Uzá (21:18), e não nos túmulos dos reis na cidade de Davi, um detalhe que pode indicar desonra.

O arrependimento de Manassés segundo Crônicas: graça e consequências

2 Reis não registra nenhum arrependimento de Manassés. 2 Crônicas registra, e é um dos relatos mais surpreendentes da Bíblia (2Cr 33:10-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)):

  • Deus falou a Manassés e ao povo, mas eles não deram ouvidos;
  • os comandantes do exército assírio o capturaram, prenderam-no com ganchos e correntes de bronze e o levaram para Babilônia;
  • na angústia, ele buscou o favor do Senhor e se humilhou profundamente diante do Deus de seus pais;
  • ele orou, e Deus se deixou comover, ouviu a sua súplica e o trouxe de volta a Jerusalém, ao seu reino;
  • então Manassés reconheceu que o Senhor é Deus, removeu os deuses estranhos e a imagem do templo, restaurou o altar do Senhor e ordenou que Judá servisse ao Senhor.

Uma oração atribuída a ele, a Oração de Manassés, foi preservada entre os escritos apócrifos e integra algumas tradições bíblicas.

Como conciliar os dois relatos? As duas perspectivas se completam:

  • 2 Crônicas quer mostrar que não há pecador tão grande que não possa ser alcançado pela misericórdia de Deus, se se humilhar e buscar a Deus.
  • 2 Reis quer mostrar que o dano causado por Manassés ao povo e à terra foi tão profundo que as consequências permaneceram mesmo depois do seu arrependimento. É por isso que o narrador atribui o exílio aos pecados de Manassés (23:26; 24:3-4), e Jeremias faz o mesmo (Jr 15:4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A reforma tardia de Manassés não conseguiu desfazer meio século de corrupção, e seu próprio filho, Amom, voltou à idolatria. O perdão pessoal é real; as consequências históricas também.

Amom e a coroação de um menino (2Rs 21:19-26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

Amom, filho de Manassés, reina apenas dois anos (c. 642–640 a.C.). Faz o que é mau como o pai, serve aos ídolos que o pai servira e abandona o Senhor (21:20-22). Seus servos conspiram e o matam dentro do palácio (21:23). O motivo não é dado. Pode ter sido disputa interna da corte ou resistência à política pró-assíria.

O "povo da terra", os cidadãos proprietários de Judá leais à dinastia davídica que já apareceram na coroação de Joás (11:14, 20), intervém. Mata os conspiradores e coloca no trono Josias, o filho de oito anos de Amom (21:24). Mais uma vez, a lâmpada de Davi é preservada por meio de um menino.

O livro achado no templo (2Rs 22:1-13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

Josias reina trinta e um anos (c. 640–609 a.C.). O narrador o apresenta com o elogio mais completo possível: fez o que era reto aos olhos do Senhor e andou em todo o caminho de Davi, seu pai, sem se desviar nem para a direita nem para a esquerda (22:2). A expressão ecoa a lei do rei em Deuteronômio (Dt 17:20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e a ordem dada a Josué (Js 1:7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Josias é o rei deuteronômico por excelência. O cronista acrescenta que ele começou a buscar o Deus de Davi com dezesseis anos, no oitavo ano do reinado, e iniciou a purificação de Judá aos vinte, no décimo segundo ano (2Cr 34:3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O contexto internacional favorece a reforma. Por volta de 631–627 a.C., morre Assurbanipal, o último grande rei assírio, e o império entra em colapso. Em 612 a.C., Nínive cai diante de babilônios e medos, como o profeta Naum anunciara. Com o enfraquecimento da Assíria, Judá ganha espaço para remover os cultos associados à vassalagem e até para estender sua influência ao antigo território do Norte.

No décimo oitavo ano do reinado, em 622 a.C., Josias envia o escrivão Safã ao templo para providenciar a reforma do edifício (22:3-7). As instruções repetem o modelo de Joás (12:9-15): o dinheiro recolhido deve ser entregue aos encarregados da obra para pagar carpinteiros, construtores e pedreiros e comprar madeira e pedra, sem prestação de contas, porque eles agem com fidelidade (22:7). A continuidade é significativa: Josias retoma o que havia de melhor na tradição dos reis fiéis.

É durante essa obra que o sumo sacerdote Hilquias anuncia a Safã que encontrou o livro da Lei na casa do Senhor (22:8). A frase é carregada de ironia trágica: o livro da Lei de Deus estava perdido dentro da própria casa de Deus. Durante os cinquenta e cinco anos de Manassés e os dois de Amom, o templo teve altares a Baal, imagens de Aserá e cultos aos astros, e a Palavra de Deus foi esquecida em algum depósito. O povo manteve um templo e perdeu o livro.

A identidade do livro é debatida. Desde a Antiguidade, a opinião majoritária é que se tratava de Deuteronômio ou do seu núcleo central, e já alguns Pais da Igreja, como Jerônimo, fizeram essa identificação. Os indícios são fortes:

Deuteronômio também prescrevia que o livro da Lei fosse guardado ao lado da arca, como testemunho (Dt 31:24-26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), o que torna natural que ele fosse achado no templo.

Há duas leituras principais sobre a origem do livro. Muitos estudiosos críticos, desde a tese de W. M. L. de Wette (1805), sustentam que o livro teria sido composto ou editado pouco antes e apresentado como achado para legitimar a reforma. A leitura tradicional entende que se tratava de uma cópia antiga da Lei mosaica, perdida durante os anos de apostasia e genuinamente redescoberta. O texto bíblico apresenta o episódio como uma descoberta, e a reação do rei, marcada pelo temor e não pelo triunfo, não parece a de quem encenou algo.

Safã lê o livro e depois o lê diante do rei (22:10). A reação de Josias é imediata: rasga as vestes (22:11). É o gesto de luto e arrependimento de quem entende que as palavras lidas não são uma curiosidade antiga, mas uma sentença sobre o presente. Josias envia uma delegação de alto nível para consultar o Senhor em favor dele, do povo e de todo Judá (22:12-13). A delegação é formada pelo sumo sacerdote Hilquias, por Aicão, filho de Safã, por Acbor, pelo escrivão Safã e por Asaías, servo do rei. O rei entende a situação com clareza: é grande a ira do Senhor, porque os pais não obedeceram às palavras daquele livro.

Hulda: a palavra que confirma o juízo e honra o coração quebrantado (2Rs 22:14-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

A delegação vai à profetisa Hulda, mulher de Salum, o encarregado do guarda-roupa, que morava em Jerusalém, no segundo bairro (22:14), a parte nova da cidade. É notável que, numa época em que Jeremias e Sofonias já profetizavam (Jr 1:2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Sf 1:1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), a delegação real tenha buscado Hulda. O texto não explica a escolha, mas deixa claro que ela era reconhecida como profetisa autêntica e que sua palavra foi recebida com toda a autoridade. Ela está na linhagem de mulheres profetisas de Israel, como Miriã (Êx 15:20) e Débora (Jz 4:4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O oráculo de Hulda tem duas partes, dirigidas a dois destinatários.

  • Sobre Jerusalém e o povo (22:15-17): a palavra é de confirmação do juízo. O Senhor trará sobre aquele lugar e sobre os seus habitantes todas as desgraças descritas no livro que o rei leu, porque o abandonaram, queimaram incenso a outros deuses e o provocaram com as obras das suas mãos. A ira de Deus se acenderá e não se apagará. O livro não era uma ameaça abstrata: descrevia o que estava para acontecer.
  • Sobre o rei (22:18-20): a palavra é de misericórdia. Como o coração de Josias se enterneceu (rakh, "tenro", "sensível") e ele se humilhou diante do Senhor ao ouvir o que Deus falara contra aquele lugar, rasgou as vestes e chorou, o Senhor o ouviu. Josias será recolhido aos seus pais e sepultado em paz, e os seus olhos não verão a desgraça que virá sobre aquele lugar.

A promessa de que Josias seria sepultado "em paz" levanta uma questão, porque ele morrerá em batalha (23:29). Os intérpretes entendem que a paz prometida se refere à morte antes da catástrofe: Josias não viu o cerco, a destruição do templo nem o exílio. Foi sepultado no seu túmulo, em Jerusalém, com honra e lamentação (23:30; 2Cr 35:24-25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), enquanto seus filhos e netos morreram cativos no Egito e em Babilônia.

O oráculo de Hulda estabelece o tom de toda a reforma. Josias sabe desde o início que o juízo está decretado e que a reforma não o revogará. Mesmo assim, ele age. Sua fidelidade não é um negócio com Deus, uma troca de obediência por livramento. É a resposta de um coração quebrantado à Palavra.

A aliança renovada e a reforma mais profunda (2Rs 23:1-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

A primeira ação de Josias após o oráculo não é destruir ídolos, mas ler a Palavra ao povo. Ele reúne os anciãos de Judá e de Jerusalém e sobe ao templo com todos os homens de Judá, todos os moradores de Jerusalém, os sacerdotes, os profetas e todo o povo, do menor ao maior. E lê aos ouvidos de todos as palavras do livro da aliança encontrado no templo (23:1-2). A Palavra que o rei ouviu com temor é agora ouvida por todos.

Então o rei, de pé junto à coluna, como Joás na sua coroação (11:14), faz aliança diante do Senhor (23:3). O conteúdo da aliança é:

  • seguir o Senhor e guardar os seus mandamentos, testemunhos e estatutos de todo o coração e de toda a alma;
  • confirmar as palavras da aliança escritas naquele livro.

Todo o povo adere à aliança. É a terceira grande renovação da aliança em 2 Reis, depois da aliança de Joiada (11:17), e a mais completa, porque se baseia no texto escrito da Lei lido publicamente.

Segue-se a reforma religiosa mais extensa e detalhada de toda a Bíblia. O narrador a descreve por locais, como quem percorre o território destruindo cada foco de idolatria:

  • No templo (23:4-7). Os objetos feitos para Baal, para Aserá e para os astros são retirados e queimados nos campos do vale do Cedrom, e as cinzas são levadas a Betel. O gesto é duplamente simbólico: a impureza volta para o centro original da idolatria do Norte. Os sacerdotes idólatras (kemarim), instituídos pelos reis de Judá para queimar incenso nos altos, a Baal, ao sol, à lua, às constelações e aos astros, são depostos. A imagem de Aserá é retirada do templo, queimada, reduzida a pó, e o pó é lançado sobre as sepulturas do povo comum. As casas de prostituição cultual, que funcionavam dentro da área do templo, são derrubadas.
  • Em todo Judá (23:8-9). Os sacerdotes das cidades de Judá são trazidos a Jerusalém, e os altos são profanados de Geba, no norte, a Berseba, no sul, isto é, em todo o território. Os altos junto às portas da cidade também são derrubados. Os sacerdotes que haviam servido nos altos não sobem ao altar de Jerusalém, mas comem pão sem fermento entre os seus irmãos. Recebem sustento, mas perdem a função no altar.
  • No vale de Ben-Hinom (23:10). Josias profana Tofete, o lugar onde crianças eram queimadas em sacrifício a Moloque, para que ninguém mais fizesse passar filho ou filha pelo fogo. O nome grego desse vale, Geena, se tornará, no Novo Testamento, a designação do lugar do juízo final.
  • No culto solar (23:11-12). Josias remove os cavalos que os reis de Judá haviam dedicado ao sol, à entrada do templo, e queima os carros do sol. Destrói os altares que Acaz construíra no terraço do seu quarto superior e os que Manassés fizera nos dois pátios do templo, e lança o pó no Cedrom.
  • Nos altos de Salomão (23:13-14). Josias profana os altos que Salomão havia construído, a leste de Jerusalém, para Astarote, deusa dos sidônios, para Quemós, deus de Moabe, e para Milcom, deus dos amonitas (1Rs 11:7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Esses santuários estavam de pé havia cerca de três séculos. O narrador chama o lugar de monte da Destruição, um trocadilho depreciativo com o monte das Oliveiras. Josias quebra as colunas, corta os postes-ídolos e enche os lugares de ossos humanos, tornando-os permanentemente impuros.
  • Em Betel (23:15-18). Josias vai além das fronteiras de Judá e destrói o altar e o alto que Jeroboão havia construído em Betel, a raiz do pecado do Reino do Norte (17:21-22). Queima o alto e o reduz a pó, e queima também o poste-ídolo. Então vê os túmulos que havia no monte, manda tirar os ossos e os queima sobre o altar, profanando-o (23:16).

O episódio de Betel é o cumprimento de uma profecia pronunciada cerca de três séculos antes. No dia da inauguração do altar de Jeroboão, um homem de Deus vindo de Judá anunciou, diante do próprio Jeroboão, que um filho da casa de Davi chamado Josias sacrificaria sobre aquele altar os sacerdotes dos altos e queimaria sobre ele ossos humanos (1Rs 13:1-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A palavra esperou três séculos e se cumpriu literalmente, com o nome do rei que a cumpriria.

Josias vê um monumento e pergunta de quem é. Os homens da cidade respondem que é o túmulo do homem de Deus que veio de Judá e anunciou exatamente aquilo. Josias manda deixar em paz os seus ossos, e também os do profeta de Samaria sepultado com ele (23:17-18; 1Rs 13:30-32 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O zelo reformador distingue entre o que deve ser destruído e o que deve ser honrado.

Josias remove ainda todos os altos das cidades de Samaria, construídos pelos reis de Israel, e executa os sacerdotes dos altos sobre os próprios altares (23:19-20). O enfraquecimento da Assíria havia aberto espaço para essa ação no antigo território do Norte.

A Páscoa e o elogio incomparável (2Rs 23:21-25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

Terminada a purificação, Josias ordena ao povo que celebre a Páscoa ao Senhor, conforme está escrito no livro da aliança (23:21). O narrador afirma que não se celebrara uma Páscoa como aquela desde os dias dos juízes, nem durante todo o tempo dos reis de Israel e de Judá (23:22). A novidade provavelmente estava na forma: uma celebração nacional e centralizada em Jerusalém, conforme Deuteronômio 16:1-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), e não em cada casa ou santuário local. O cronista descreve a festa em detalhe (2Cr 35:1-19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A Páscoa, memorial da libertação do Egito, marca o ponto alto da reforma: o povo que havia esquecido o Deus do Êxodo volta a celebrar o Êxodo.

A reforma inclui também a religião doméstica. Josias elimina os médiuns, os espíritas, os ídolos do lar (terafim), os ídolos e todas as abominações vistas em Judá e em Jerusalém, para cumprir as palavras da Lei escritas no livro achado por Hilquias (23:24). A reforma alcançou não só o culto oficial, mas também a vida privada.

Então vem o elogio máximo do livro. Antes dele, não houve rei que se voltasse para o Senhor de todo o coração, de toda a alma e com toda a força, segundo toda a Lei de Moisés, e depois dele nunca se levantou outro igual (23:25). A frase reproduz literalmente o Shemá, o mandamento central da fé de Israel (Dt 6:5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Josias é o único rei de quem a Bíblia diz que cumpriu o grande mandamento. Ezequias foi o rei da confiança (18:5); Josias, o rei do amor integral à Lei.

O juízo que não se revoga e a morte em Megido (2Rs 23:26-30 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

Depois do elogio, vem uma das frases mais pesadas do livro. Mesmo assim, o Senhor não se desviou do ardor da sua grande ira contra Judá, por causa de todas as provocações de Manassés (23:26). Deus declara que removerá também Judá da sua presença, como removera Israel, e rejeitará Jerusalém e o templo do qual dissera que ali estaria o seu nome (23:27).

A tensão é real e deve ser mantida. Por que a reforma de Josias não mudou o destino de Judá? O próprio contexto bíblico oferece duas respostas:

  • A profundidade do mal acumulado. Meio século de corrupção sob Manassés não foi apenas uma sequência de atos. Foi a formação de uma cultura, de gerações inteiras educadas na idolatria, no ocultismo e na violência.
  • O limite de uma reforma imposta de cima. Jeremias, que profetizou durante o reinado de Josias, registra uma avaliação reveladora: nos dias do rei Josias, Judá voltou para Deus não de todo o coração, mas fingidamente (Jr 3:6-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O rei mudou de coração; o povo mudou de práticas. Pouco depois da morte de Josias, seus filhos e o povo voltaram aos mesmos pecados (23:32, 37; 24:9, 19).

A reforma foi real, mas não transformou o coração da nação.

O fim de Josias é trágico e inesperado (23:29-30). Em 609 a.C., o faraó Neco II sobe com o exército rumo ao rio Eufrates. A preposição hebraica pode significar "contra" ou "em direção a", e as Crônicas Babilônicas mostram que o Egito estava, na verdade, indo em auxílio dos restos do exército assírio, que lutavam contra Babilônia em Harã. Josias sai ao encontro de Neco em Megido, talvez para impedir a aliança entre o Egito e a Assíria, e Neco o mata no primeiro confronto. Seus servos levam o corpo num carro de Megido a Jerusalém e o sepultam no seu túmulo. O povo da terra unge seu filho Jeoacaz como rei.

O cronista acrescenta detalhes significativos (2Cr 35:20-25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)):

  • Neco advertiu Josias de que não tinha nada contra ele e de que Deus o havia mandado apressar-se;
  • Josias não deu ouvidos às palavras de Neco, que vinham da boca de Deus, disfarçou-se e entrou na batalha;
  • os flecheiros o atingiram, e ele morreu;
  • todo Judá e Jerusalém prantearam Josias, e Jeremias compôs lamentações por ele, que os cantores continuaram a entoar por muito tempo.

O rei que ouviu a Palavra de Deus no livro não reconheceu a voz de Deus vinda da boca de um estrangeiro.

A contribuição do bloco ao livro e à Bíblia

Este bloco é o ápice teológico de 2 Reis e prepara o desfecho do livro:

  • Manassés mostra até onde pode chegar a corrupção de um povo e de um líder e explica, na perspectiva do narrador, por que o exílio se tornou inevitável.
  • Josias mostra o que a Palavra de Deus pode fazer quando é redescoberta e ouvida com um coração sensível.
  • O juízo mantido mostra o limite de toda reforma humana: nem o melhor rei, com a melhor reforma, pôde desfazer o peso do pecado acumulado.

É por isso que Jeremias, que viveu todo esse processo, anunciará algo novo. Não bastaria renovar a antiga aliança, escrita em tábuas e livros, lida pelos reis e aceita formalmente pelo povo. Deus faria uma nova aliança, e nela escreveria a sua Lei no coração do seu povo (Jr 31:31-34 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O fracasso da mais bela reforma do Antigo Testamento é a preparação para a promessa da nova aliança.

Visão cristocêntrica

Conexão direta e explícita: da aliança de Josias à nova aliança. A aliança de Josias foi a tentativa mais completa de reconduzir o povo à fidelidade. O rei leu a Lei, o povo aderiu, os ídolos foram destruídos, a Páscoa foi celebrada. Mas Jeremias registra que o retorno de Judá nos dias de Josias foi fingido (Jr 3:10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e o juízo não foi revogado (23:26). Foi nesse contexto que Deus prometeu, por meio de Jeremias, uma nova aliança, em que a Lei seria escrita no coração, todos conheceriam o Senhor e os pecados seriam perdoados e esquecidos (Jr 31:31-34 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O Novo Testamento declara que essa promessa se cumpre em Cristo:

O que a reforma de Josias não conseguiu, mudar o coração do povo, Cristo realiza pelo Espírito.

Conexão direta: a Páscoa restaurada e o Cordeiro pascal. A Páscoa de Josias foi o ponto alto da reforma, a celebração da libertação do Egito como não se via desde os juízes (23:21-23). A Páscoa encontra seu cumprimento pleno em Cristo. Jesus escolheu a Páscoa para instituir a ceia da nova aliança (Lc 22:15-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e Paulo declara que Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi sacrificado (1Co 5:7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A libertação celebrada por Josias era a libertação da escravidão no Egito; a de Cristo é a libertação da escravidão do pecado e da morte.

Conexão direta: o grande mandamento. Josias é o único rei de quem a Escritura diz que se voltou para o Senhor de todo o coração, de toda a alma e com toda a força (23:25), a linguagem exata do Shemá (Dt 6:5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Jesus declarou que esse é o primeiro e grande mandamento (Mt 22:37-38 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Mas o mesmo capítulo mostra que o amor de Josias não pôde desviar a ira que o pecado do povo havia acumulado (23:26). Só um cumpriu plenamente esse mandamento e, ao mesmo tempo, suportou a ira que o pecado merecia: Cristo, que não veio abolir a Lei, mas cumpri-la (Mt 5:17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O que a Lei não podia fazer, por causa da fraqueza humana, Deus fez enviando o seu próprio Filho (Rm 8:3-4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Conexão direta: Manassés na genealogia de Jesus. O pior rei da história de Judá está na genealogia de Jesus (Mt 1:10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), ao lado de Amom e de Josias. A linhagem do Messias passa pelo rei que encheu Jerusalém de sangue inocente. É uma demonstração eloquente de que Cristo não veio de uma linhagem de santos, mas de pecadores, e de que veio justamente para salvá-los. Se Crônicas registra que Manassés se humilhou e foi restaurado, sua história ilustra o que Paulo diria de si mesmo: sendo o principal dos pecadores, alcançou misericórdia para servir de exemplo aos que haveriam de crer (1Tm 1:15-16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Conexão temática e textual: o pranto em Megido e o traspassado. O profeta Zacarias, depois do exílio, anuncia um dia em que o povo olhará para aquele a quem traspassaram e o prantearão como quem chora por um filho único. Esse pranto será tão grande quanto o pranto de Hadade-Rimom no vale de Megido (Zc 12:10-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Muitos intérpretes, desde a tradição judaica antiga, associam esse pranto em Megido à morte de Josias, o rei justo cuja morte foi lamentada por todo o povo e pelas lamentações de Jeremias (2Cr 35:24-25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Evangelho de João aplica a Jesus crucificado a primeira parte dessa profecia: olharão para aquele a quem traspassaram (Jo 19:37 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A associação entre Josias e o traspassado é uma leitura temática, não uma afirmação explícita do Novo Testamento. Ainda assim, ela é iluminadora: o lamento pelo rei justo morto em Megido tornou-se, na profecia, a imagem do lamento pelo Messias traspassado. E Megido reaparece no Apocalipse como o Armagedom, o lugar simbólico da batalha final em que o Cordeiro vence (Ap 16:16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 19:11-21).

Conexão temática: a Palavra redescoberta e Cristo como centro das Escrituras. A reforma de Josias começou quando o livro da Lei foi encontrado e lido. Séculos depois, na sinagoga de Nazaré, Jesus abre o rolo de Isaías, lê diante de todos e declara que aquela Escritura se cumpria diante deles naquele dia (Lc 4:16-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Depois da ressurreição, explica aos discípulos o que todas as Escrituras diziam a seu respeito, e o coração deles arde enquanto ele abre as Escrituras (Lc 24:27, 32 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Jesus afirma que as Escrituras dão testemunho dele (Jo 5:39 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A redescoberta da Palavra nos dias de Josias antecipa a redescoberta mais profunda que Cristo proporciona: não apenas o livro, mas aquele de quem o livro fala.

Conexão temática: a profecia com nome. O cumprimento da profecia de 1 Reis 13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) em Betel, pronunciada cerca de três séculos antes e anunciando o nome de Josias, é um dos exemplos mais notáveis de profecia cumprida no Antigo Testamento. Ele mostra que a palavra de Deus não falha, ainda que espere séculos. O Novo Testamento vê em Cristo o cumprimento de todas as promessas de Deus, que nele são "sim" (2Co 1:20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Aplicações espirituais e práticas

1. O mal pode desfazer em uma geração o que levou décadas para construir. Ezequias levou anos para purificar Judá, e Manassés desfez tudo e foi além. A fé, os valores e as boas práticas não se transmitem automaticamente de pais para filhos, nem de fundadores para sucessores. Famílias, igrejas e empresas precisam investir com intencionalidade na formação da geração seguinte, porque o que não é transmitido com convicção pode ser perdido rapidamente.

2. Líderes corrompidos arrastam o povo consigo. O narrador diz que Manassés levou o povo a fazer mais mal do que as nações (21:9). A influência de quem lidera é enorme, para o bem e para o mal. Tiago adverte que os que ensinam serão julgados com mais rigor (Tg 3:1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Quem ocupa posições de autoridade, na família, na empresa, na igreja ou na política, deve ter consciência de que os seus exemplos formam a cultura dos que o seguem.

3. O perdão é real, mas as consequências também. Se 2 Crônicas mostra que Deus perdoou o pior dos reis quando ele se humilhou, 2 Reis mostra que o dano causado ao povo permaneceu. As duas verdades precisam ser mantidas juntas. Ninguém está longe demais para o perdão de Deus, e a parábola do filho pródigo o confirma (Lc 15:20-24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Mas o perdão não apaga automaticamente os efeitos do pecado sobre outras pessoas, sobre a família ou sobre a sociedade (Gl 6:7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A graça restaura a relação com Deus; a reparação dos danos exige tempo, humildade e, às vezes, a aceitação de consequências que não podem ser desfeitas.

4. Buscar a Deus desde cedo. Josias começou a buscar a Deus aos dezesseis anos (2Cr 34:3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), numa família marcada pela idolatria do avô e do pai. A juventude não é tempo de espera para a fé, mas uma oportunidade decisiva (Ec 12:1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 1Tm 4:12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Josias também mostra que ninguém está preso ao passado da família: um jovem criado num ambiente de corrupção espiritual pode escolher outro caminho.

5. Redescobrir a Palavra esquecida dentro da casa de Deus. O livro da Lei foi encontrado no templo durante uma obra de manutenção. O povo tinha templo, sacerdotes, rituais e dinheiro para reformas, e havia perdido a Palavra. O risco se repete hoje. É possível manter igrejas ativas, programações intensas e estruturas em funcionamento enquanto a Escritura se torna um livro fechado, citado por hábito e pouco lido, estudado e obedecido. Na vida pessoal, é possível ter uma Bíblia na estante e ter perdido a Palavra. A reforma de Josias começou com a leitura, e toda renovação verdadeira também começa aí (Sl 119:105 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 2Tm 3:16-17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

6. Um coração que se deixa ferir pela Palavra. Josias rasgou as vestes quando ouviu o livro. Não o tratou como documento histórico nem como tema de debate, mas como palavra dirigida a ele. Deus honrou esse coração sensível (22:19). Isaías registra que Deus olha para o humilde, contrito de espírito, que treme diante da sua palavra (Is 66:2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Tiago lembra que não basta ouvir, é preciso praticar (Tg 1:22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A pergunta prática é como recebemos a Palavra quando ela nos confronta: com defesa, indiferença ou quebrantamento.

7. Reconhecer a voz de Deus por meio de quem Ele escolher. A delegação do rei buscou Hulda, uma mulher profetisa, num tempo em que havia também profetas homens conhecidos. Mais adiante, Josias morre por não reconhecer a advertência de Deus vinda de um faraó estrangeiro (2Cr 35:22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os dois episódios mostram que Deus pode falar por meio de quem Ele quiser, e que a sabedoria está em discernir a autenticidade da mensagem, e não em rejeitá-la pela origem do mensageiro.

8. Fidelidade que não é negócio. Josias sabia, pelo oráculo de Hulda, que o juízo sobre Judá estava decretado e que sua reforma não o revogaria. Mesmo assim, fez a mais profunda reforma da história do povo. Sua obediência não foi uma tentativa de comprar livramento, mas a resposta natural de um coração que amava a Deus. É a mesma atitude dos três jovens diante de Nabucodonosor: Deus pode nos livrar, e, se não livrar, ainda assim não serviremos a outros deuses (Dn 3:17-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A fé madura não serve a Deus apenas quando há garantia de recompensa.

9. Mesmo os melhores líderes precisam de discernimento fora da sua área. Josias, o rei incomparável, morreu numa batalha que não precisava lutar, depois de ignorar uma advertência (2Cr 35:20-24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O zelo e a fidelidade não dispensam a prudência. Líderes que acertam no essencial podem errar ao se envolver em disputas que não são suas (Pv 26:17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A lição vale para gestores, pais e líderes espirituais: nem toda batalha é nossa, e a humildade para ouvir conselhos, mesmo de fontes inesperadas, pode ser decisiva.

Mensagem de reflexão (Sabedoria para o Cotidiano)

Sabedoria para o Cotidiano
Manassés mostrou até onde pode descer um coração que se afasta de Deus, e quanto tempo o mal que se planta pode durar depois que o plantador se arrepende. Josias mostrou o que acontece quando a Palavra esquecida é encontrada e ouvida com um coração que se deixa ferir: arrependimento, aliança, ídolos derrubados e uma Páscoa como não se via havia séculos. Abra hoje a Palavra que talvez esteja esquecida em algum canto da sua casa ou da sua rotina, e deixe que ela o confronte antes de consolá-lo. E sirva a Deus como Josias, não para comprar livramento, mas porque Ele é digno de todo o coração, de toda a alma e de toda a força. Em Cristo, o Cordeiro pascal e mediador da nova aliança, está o que nenhuma reforma humana alcançou: a Lei escrita no coração e a ira do pecado suportada por Ele em nosso lugar.

Interpretação e comentários da Bíblia, sob direção editorial de José Carlos Fortes. Conteúdo elaborado com apoio de inteligência artificial, sob curadoria e revisão editorial. Esta página não reproduz texto bíblico protegido: traz referência, interpretação e comentário.