Romanos · 45 de 66 · Novo Testamento
Romanos — Capítulo 11
Título do capítulo: A raiz santa e o mistério da misericórdia
Gênero literário: Epístola — argumentação doutrinária (o fecho de Romanos 9–11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba): perguntas e respostas no estilo da diatribe, o remanescente de Elias, citações de Deuteronômio, de Isaías e dos Salmos, a alegoria da oliveira com a advertência aos gentios, o mistério do endurecimento parcial e da salvação de Israel e uma doxologia em forma de hino)
Número de versículos: 36
Nota de precisão: este estudo segue a numeração das Bíblias em português. A apresentação da carta inteira está no estudo de Romanos 1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), e o argumento de Rm 9–11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) começa nos estudos dos capítulos 9 e 10. As citações do Antigo Testamento (1Rs 19.10-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Dt 29.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Is 29.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Sl 69.22-23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Is 59.20-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Is 27.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Is 40.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Jó 41.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) são resumidas, nunca transcritas, em acordo com os estudos desses capítulos no acervo. Dois pontos de texto são tratados no lugar próprio: a frase mais longa que muitos manuscritos trazem no v. 6 e o segundo agora do v. 31. A frase de Paulo sobre a salvação de Israel no v. 26 é apresentada com as suas várias leituras, sem que nenhuma seja imposta.
🏛️ 1. Contexto Histórico e Cultural
O fecho de um argumento
Romanos 11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) fecha um argumento que começou com lágrimas (Rm 9.1-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e termina em adoração (Rm 11.33-36 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A pergunta de fundo é a fidelidade de Deus: se a maior parte de Israel não reconheceu Jesus como o Messias, Deus teria faltado à promessa? O capítulo 9 respondeu pela liberdade de Deus, que sempre conduziu a promessa pela misericórdia e guardou um remanescente; o capítulo 10, pela responsabilidade humana, com um Deus de mãos estendidas a um povo que resiste (Rm 10.21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O capítulo 11 olha para a frente: a recusa de parte de Israel é real, mas não é total nem definitiva, serve ao plano de Deus para as nações e termina em misericórdia para todos.
Os gentios de Roma e a tentação do orgulho
A carta foi escrita de Corinto, por volta de 56–58 (At 20.2-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), a uma igreja que Paulo não fundou, de cristãos de origem judaica e gentia (Rm 16.3-16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), como se diz no estudo de Romanos 1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba). Muitos estudiosos supõem, com cautela, que o edito de Cláudio, por volta de 49, tenha deixado as comunidades da capital por algum tempo quase só com gentios, e que a volta dos judeus, depois de 54, tenha trazido tensões. O capítulo confirma ao menos isto: a partir do v. 13, Paulo se dirige aos gentios de Roma e teme neles um orgulho perigoso diante dos ramos naturais.
A oliveira no mundo mediterrâneo
A imagem central do capítulo vem da paisagem. A oliveira era a árvore da terra de Israel e de todo o Mediterrâneo: vive séculos, renova-se a partir da raiz e dá o azeite da mesa, da lâmpada e da unção. Os profetas a usaram para falar do povo de Deus: Jeremias lembra que Deus chamara Judá de oliveira verde e bela antes de anunciar o fogo que lhe quebraria os galhos (Jr 11.16-17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e Oseias promete a Israel restaurado a beleza da oliveira (Os 14.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Paulo não cita esses textos, mas, como observa o estudo de Jeremias 11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), a imagem e a lógica são as mesmas, com uma diferença: além do fogo, Paulo vê o enxerto e a esperança.
O enxerto era prática comum, mas o normal era enxertar um ramo cultivado num tronco bravo, para que desse bom fruto. O tratado de agricultura de Columela, do século I, menciona também o ramo bravo enxertado em árvore velha para revigorá-la, e alguns estudiosos lembram esse uso. Paulo, porém, diz que o enxerto dos gentios foi feito contra a natureza (v. 24): o que sustenta a imagem não é a horticultura, é a graça.
Uma história que pesa
Este capítulo precisa ser lido sabendo o que a história fez com ele, e com o seu silêncio. Desde o século II, muitos autores cristãos passaram a apresentar a igreja como o novo e verdadeiro Israel, que teria tomado o lugar do antigo, rejeitado por Deus. Um sermão de Páscoa de Melitão de Sardes, no século II, já acusava Israel da morte do Senhor; em Antioquia, em 386–387, João Crisóstomo pregou uma série de sermões violentos contra os judeus; Agostinho ensinou que os judeus deviam ser preservados como testemunhas, mas numa condição rebaixada; e Lutero, em 1543, escreveu contra eles um tratado que igrejas luteranas, séculos depois, repudiaram. Em nome de Cristo houve leis humilhantes, expulsões, como as da Inglaterra em 1290 e da Espanha em 1492, massacres e guetos; e a longa tradição do desprezo preparou o terreno em que cresceu o antissemitismo moderno que culminou no extermínio de milhões de judeus na Shoah, no século XX. Nada disso é passado distante, e nada disso tem apoio em Romanos 11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), que diz o contrário.
A partir de meados do século XX, as igrejas começaram a corrigir o rumo. Em 1948, a primeira assembleia do Conselho Mundial de Igrejas declarou o antissemitismo pecado contra Deus e contra o ser humano. Em 1965, o Concílio Vaticano II, na declaração Nostra Aetate (n. 4), lembrou que os judeus continuam amados por causa dos pais, porque Deus não se arrepende dos seus dons nem do seu chamado, citando este capítulo; afirmou que eles não devem ser apresentados como rejeitados ou amaldiçoados por Deus; e deplorou todas as manifestações de antissemitismo. Igrejas protestantes fizeram declarações semelhantes, como o sínodo da Igreja Evangélica da Renânia, em 1980, e a Igreja Evangélica Luterana na América, que em 1994 repudiou os escritos de Lutero contra os judeus. Os detalhes desses documentos variam, e nem todas as igrejas tiram deles as mesmas consequências teológicas; o que eles têm em comum é a recusa do desprezo. Este estudo os acompanha.
📜 2. Resumo Narrativo / Conteúdo do Capítulo
Paulo pergunta se Deus teria repudiado o seu povo e responde com o seu mē genoito, de modo nenhum. Ele mesmo é prova: israelita, descendente de Abraão, da tribo de Benjamim. Basta lembrar Elias, que se queixou a Deus de ter ficado sozinho depois que os profetas foram mortos e os altares derrubados; Deus lhe respondeu que guardara para si sete mil que não tinham prestado culto a Baal. Assim também agora existe um remanescente, escolhido pela graça, e a graça que dependesse de obras perderia o nome (vv. 1-6).
A maior parte de Israel não chegou ao que procurava; chegaram os que a graça escolheu, e sobre os outros veio o endurecimento. As Escrituras o descrevem: Deus lhes deu um espírito de torpor, olhos e ouvidos que não cumprem a sua função, até hoje (Dt 29.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Is 29.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); e Davi fala da mesa que se torna armadilha, dos olhos que escurecem e das costas sempre curvadas (Sl 69.22-23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) (vv. 7-10).
Mas o tropeço não foi para uma queda sem volta. Pelo passo em falso de Israel, a salvação chegou aos gentios, para despertar em Israel um ciúme que o traga de volta. Se a falha deles enriqueceu o mundo, o que não fará a sua plenitude! Paulo, apóstolo das nações, honra o seu ministério também na esperança de despertar os da sua carne e salvar alguns. Se o afastamento deles significou a reconciliação do mundo, o seu acolhimento será vida dentre os mortos. As primícias da massa e a raiz são santas, e assim também o todo e os ramos (vv. 11-16).
Alguns ramos foram quebrados, e o gentio, ramo de oliveira brava, foi enxertado entre os que ficaram, participando da seiva da raiz. Que não se gabe diante dos ramos: não é ele que carrega a raiz, é a raiz que o carrega. Os ramos foram quebrados pela incredulidade, e ele está de pé pela fé, que não combina com altivez, e sim com temor: o mesmo Deus que cortou ramos nativos pode cortar o enxertado. A bondade e a severidade de Deus caminham juntas. E Deus tem poder para enxertar de novo os ramos naturais, se não permanecerem na incredulidade: se o ramo bravo foi enxertado contra a natureza na oliveira boa, quanto mais os naturais na sua própria árvore (vv. 17-24).
Paulo revela então um mistério, para que os gentios não se julguem sábios: um endurecimento atingiu parte de Israel até que entre a plenitude dos gentios, e é por esse caminho que a salvação chegará a Israel como um todo, segundo as Escrituras que anunciam o Libertador saído de Sião para remover de Jacó a impiedade, numa aliança selada com o perdão dos pecados (Is 59.20-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 27.9). Adversários quanto ao evangelho, em benefício dos gentios, continuam amados quanto à escolha de Deus, por causa dos patriarcas, porque Deus não volta atrás nos dons que concede nem no chamado que faz. A desobediência de Israel foi ocasião de misericórdia para os gentios, e a misericórdia dada aos gentios será ocasião de misericórdia para Israel. Deus pôs judeus e gentios no mesmo cárcere da desobediência, para que a misericórdia alcançasse a todos (vv. 25-32).
O capítulo termina num hino diante do abismo de riqueza, sabedoria e conhecimento que há em Deus: decisões que não se sondam, caminhos cujas pegadas não se seguem. Ninguém tem acesso aos pensamentos do Senhor para aconselhá-lo (Is 40.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e ninguém lhe adiantou coisa alguma para cobrar a devolução (Jó 41.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Tudo vem dele, passa por ele e vai para ele; a ele a glória para sempre, amēn (vv. 33-36).
🔍 3. Análise por Seções (Perícopes)
Versículos 1-6 — Paulo, Elias e os sete mil
A pergunta do v. 1 retoma a imagem com que o capítulo 10 terminou. Se Deus estendeu as mãos o dia inteiro e o povo resistiu, mē apōsato ho theos ton laon autou, teria Deus repudiado o seu povo? A forma grega da pergunta já espera um não, e Paulo o dá com a fórmula que usa para afastar conclusões absurdas: mē genoito, de modo nenhum. A pergunta ecoa promessas do Antigo Testamento de que Deus não abandonaria o seu povo (1Sm 12.22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Sl 94.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e Paulo a responde com elas.
A primeira prova é ele mesmo. Paulo é Israēlitēs, ek spermatos Abraam, da semente de Abraão, phylēs Beniamin, da tribo de Benjamim (Fp 3.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 2Co 11.22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Um judeu que crê em Jesus é a demonstração viva de que Deus não fechou a porta ao seu povo. O apóstolo das nações não deixou de ser israelita; escreve como membro do povo de que fala.
O v. 2 é a resposta direta: Deus não repudiou o povo hon proegnō, que conheceu de antemão. O verbo é o mesmo de Rm 8.29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), onde se diz que Deus conheceu de antemão os que destinou a ser conformes à imagem do Filho. Conhecer de antemão, na Bíblia, é escolher e amar antes (Am 3.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); o povo assim conhecido não é descartado.
A segunda prova vem da Escritura, en Ēlia, na passagem sobre Elias, modo antigo de citar um trecho pelo seu assunto (Mc 12.26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Elias entynchanei, apela a Deus contra Israel (vv. 2-3): os profetas foram mortos, os altares derrubados, ele ficou só e procuram tirar-lhe a vida (1Rs 19.10, 14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O estudo de 1 Reis 19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) mostra que a queixa tinha verdade, mas também exagero e esquecimento: a solidão e o cansaço distorcem a visão. O chrēmatismos, a resposta divina (v. 4), corrige o profeta: Deus guardou para si sete mil que não tinham prestado culto a Baal (1Rs 19.18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Paulo usa o artigo feminino com o nome de Baal, como algumas passagens da antiga tradução grega; muitos explicam que os leitores substituíam o nome do ídolo pela palavra vergonha, que é feminina em grego. O número sete mil fala de plenitude conhecida por Deus, não de um censo. E o essencial está no sujeito do verbo: foi Deus quem os guardou. O remanescente é obra dele, não de Elias.
O v. 5 aplica ao presente: também agora há um leimma, um resto, kat' eklogēn charitos, segundo a escolha da graça. O remanescente do tempo de Paulo são os judeus que creram em Jesus, desde os doze, os que se reuniram em Jerusalém no Pentecostes e os milhares de que Atos fala (At 2.41 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 21.20), até ele mesmo; e em todas as gerações houve judeus que reconheceram em Jesus o Messias de Israel. O resto não é sinal de derrota, mas a semente pela qual Deus mantém viva a promessa (Rm 9.27-29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
O v. 6 tira a consequência: se é pela graça, não é pelas obras, porque a graça que dependesse de obras perderia o nome. O princípio que governou Rm 3–4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) governa também a história de Israel: Deus não guarda o resto porque o resto é melhor, mas porque é misericordioso. Muitos manuscritos posteriores acrescentam aqui a frase inversa, de que, se fosse pelas obras, a obra deixaria de ser obra; a maioria dos mais antigos não a traz, e ela parece uma explicação acrescentada para completar a simetria.
Versículos 7-10 — Olhos que não veem
O v. 7 resume: o que Israel buscava, a justiça diante de Deus (Rm 9.31 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 10.3), ouk epetychen, não alcançou; hē eklogē, os escolhidos, chegaram lá; e sobre hoi loipoi, os demais, veio o endurecimento, epōrōthēsan. Pōroō vem de pōros, uma pedra dura, e era usado para o calo que se forma sobre um osso: o coração perde a sensibilidade. A voz passiva sugere que Deus é o agente, como no endurecimento do faraó, que o estudo de Romanos 9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) apresenta com cuidado; mas o capítulo 10 acabou de mostrar a resistência do povo (Rm 10.16, 21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Na Escritura, o endurecimento divino é muitas vezes o juízo que confirma o caminho que o próprio coração escolheu. E, como se verá, não é a última palavra.
O v. 8 junta Dt 29.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e Is 29.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba). Do primeiro vem a constatação de que Deus ainda não dera ao povo a capacidade de entender o que via e ouvia, e a expressão até o dia de hoje; do segundo, o pneuma katanyxeōs, um espírito de torpor, de entorpecimento. Os estudos de Deuteronômio 29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e de Isaías 29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) lembram que, nos dois profetas, o problema é o coração que não entende o que Deus faz, e que o mesmo Deus prometia dar o coração novo que faltava (Dt 30.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Is 29.18, 24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Jesus usou palavras semelhantes para as multidões que ouviam as parábolas (Mt 13.13-15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e Paulo dirá que o véu que cobre a leitura da antiga aliança só se retira quando alguém se volta para o Senhor (2Co 3.14-16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Os vv. 9-10 trazem o Sl 69.22-23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), atribuído a Davi: a mesa que se torna laço e armadilha, ocasião de queda e retribuição; os olhos escurecidos; as costas curvadas como as de quem carrega um fardo. A mesa pode ser a comunhão e os privilégios religiosos de Israel, que, recebidos sem fé, se tornam tropeço. A expressão final, dia pantos, pode significar sempre, mas também continuamente, enquanto dura a situação, e o v. 11 mostra que Paulo não pensa numa condição sem fim. Como insiste o estudo do Salmo 69 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), Paulo não cita o salmo como desejo de ruína, mas como explicação de um mistério que termina em misericórdia; e o orante do salmo é o justo perseguido em cuja voz os evangelistas ouviram a de Jesus (Jo 2.17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 15.25; Rm 15.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Versículos 11-16 — Um tropeço que não é queda
O v. 11 é a virada do capítulo. Mē eptaisan hina pesōsin? Será que o tropeço foi para uma queda definitiva? Mē genoito. A diferença entre os verbos importa: ptaiō é tropeçar, perder o passo; piptō, aqui, é cair sem se levantar. Pelo paraptōma deles, o passo em falso, hē sōtēria tois ethnesin, a salvação chegou aos gentios, eis to parazēlōsai autous, para despertar o seu ciúme. É o Dt 32.21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) citado em Rm 10.19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), agora explicado. O ciúme que Deus provoca não é inveja destrutiva: é o desejo de voltar ao que é seu ao ver outros desfrutando da bênção que lhe pertencia. Atos mostra o caminho histórico: a recusa em várias sinagogas levou Paulo aos gentios (At 13.46 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 18.6; 28.28), mas ele nunca deixou de voltar às sinagogas.
O v. 12 raciocina do menor para o maior. Se o passo em falso deles é riqueza para o mundo, e o seu hēttēma, a sua perda ou diminuição, é riqueza para os gentios, quanto mais o seu plērōma, a sua plenitude. A palavra plenitude voltará no v. 25 para os gentios. O futuro de Israel não é apresentado como um apêndice nostálgico, mas como bênção ainda maior para o mundo.
Nos vv. 13-14, Paulo se volta expressamente aos leitores gentios. Sendo ethnōn apostolos, apóstolo das nações (Gl 2.7-9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), ele honra, doxazō, o seu ministério; e honra-o também por causa de Israel, na esperança de despertar o ciúme dos da sua carne, os seus parentes, e sōsō tinas ex autōn, salvar alguns deles. A missão aos gentios não é uma fuga de Israel; é, nas mãos de Deus, um caminho de volta para Israel. O alguns é modesto, como em 1Co 9.22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba): Paulo sabe que o seu trabalho é parte de algo que só Deus completa.
O v. 15 repete o raciocínio com palavras mais fortes. Se a apobolē deles, o seu afastamento, trouxe katallagē kosmou, a reconciliação do mundo, o que será a sua proslēmpsis, o seu acolhimento, senão zōē ek nekrōn, vida dentre os mortos? Apobolē não é o verbo do v. 1, em que Paulo negou que Deus tenha repudiado o seu povo; é um afastamento parcial e temporário. A vida dentre os mortos é lida por muitos como a ressurreição final, a que a volta de Israel estaria ligada; por outros, como uma bênção tão grande para o mundo que só a ressurreição lhe serve de comparação. Nas duas leituras, a volta de Israel é alegria para todos.
O v. 16 traz duas imagens. A primeira vem da Lei: a aparchē, as primícias da massa, a primeira porção do pão que se oferecia a Deus (Nm 15.17-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), consagrava a massa inteira. A segunda prepara a oliveira: se a rhiza, a raiz, é santa, também os ramos o são. Quem são as primícias e a raiz? A maioria entende que são os patriarcas, Abraão, Isaque e Jacó, a quem a promessa foi feita, o que combina com o v. 28 (amados por causa dos pais); outros veem nas primícias o remanescente judeu que creu, e alguns veem Cristo como a raiz. Seja como for, a santidade aqui não é a salvação automática de cada israelita; é a consagração: Israel continua pertencendo a Deus por causa da promessa.
Versículos 17-24 — A oliveira, os ramos e a raiz
Esta é a parte do capítulo que mais deveria ter protegido a igreja do orgulho, e a que mais foi esquecida. Alguns, tines, dos ramos foram quebrados (v. 17): Paulo diz alguns, não todos. E o leitor gentio, agrielaios, oliveira brava, foi enxertado en autois, entre os ramos que ficaram, e se tornou synkoinōnos, coparticipante, da raiz e da seiva da oliveira. O gentio que crê em Cristo não é plantado numa árvore nova. É enxertado na oliveira de Israel, e a seiva que o alimenta vem da raiz da promessa feita aos pais.
Daí a ordem do v. 18: mē katakauchō tōn kladōn, não se gabe diante dos ramos. E, se ainda assim se gabar, lembre que o ramo enxertado não carrega a raiz; é carregado por ela. É uma frase que deveria estar escrita na porta de toda igreja. A fé cristã depende de Israel: das Escrituras, das alianças, das promessas e, acima de tudo, do Messias, que segundo a carne vem de Israel (Rm 9.4-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Desprezar o povo judeu é serrar o galho em que se está sentado.
O gentio poderia argumentar que os ramos foram quebrados para que ele fosse enxertado (v. 19). Paulo concede o fato e corrige a conclusão (v. 20): eles foram quebrados tē apistia, pela incredulidade, e ele está de pé tē pistei, pela fé. Não há mérito de um lado nem demérito de nascença do outro; há fé e incredulidade, e a fé não é motivo de orgulho, porque é a mão que recebe. Por isso, mē hypsēla phronei alla phobou: nada de pensamentos altivos; antes, temor. O v. 21 dá a razão: se nem os ramos nativos escaparam do corte, o enxertado não tem por que se julgar a salvo caso caia na mesma incredulidade.
O v. 22 pede um olhar demorado para duas coisas juntas: a chrēstotēs, a bondade, e a apotomia, a severidade, de Deus. Apotomia vem de cortar rente, e lembra a faca do podador. Severidade para os que caíram; bondade para o enxertado, enquanto ele permanecer nessa bondade; do contrário, também ele será cortado. As tradições cristãs leem a advertência à luz das suas doutrinas sobre a perseverança: para a tradição reformada, ela é um dos meios pelos quais Deus guarda os seus e se dirige sobretudo aos gentios como grupo; para as tradições arminiana, wesleyana, católica e ortodoxa, mostra que é possível afastar-se da graça recebida. Todas concordam no que importa aqui: a igreja não pode tratar a sua posição como propriedade garantida e menos ainda usá-la contra Israel.
Os vv. 23-24 fecham com esperança. Também os ramos quebrados, se não permanecerem na incredulidade, serão enxertados, porque dynatos estin ho theos, Deus tem poder para enxertá-los de novo. E o argumento é do mais difícil para o mais fácil: se o ramo bravo foi enxertado para physin, contra a natureza, na oliveira cultivada, muito mais facilmente os ramos naturais serão enxertados na árvore que é deles. A oliveira continua sendo de Israel. Os gentios entram nela; Israel volta a ela. Nunca se fala de duas árvores, nem de uma árvore que substitui a outra.
Versículos 25-32 — O mistério e a misericórdia para todos
Paulo chama a atenção dos irmãos para um mystērion (v. 25). Em Paulo, mistério não é enigma sem solução, mas um aspecto do plano de Deus antes escondido e agora revelado (Rm 16.25-26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 1Co 15.51 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Ef 3.3-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E diz por que o revela: para que os gentios não sejam par' heautois phronimoi, não se tenham por sábios, eco de Pv 3.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba). O mistério tem três partes. Uma pōrōsis, um endurecimento, atingiu Israel apo merous, em parte, o que pode significar uma parte do povo ou um endurecimento parcial, e as duas coisas são verdadeiras. Esse endurecimento dura achri hou, até que, a plērōma tōn ethnōn, a plenitude dos gentios, eiselthē, entre. Entrar é o verbo com que Jesus fala de entrar no Reino (Mt 7.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Mc 9.47 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Jesus mesmo falou de um tempo dos gentios (Lc 21.24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e de um dia em que Jerusalém o saudaria como o que vem em nome do Senhor (Mt 23.39 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
E então vem a frase mais discutida de Rm 9–11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) (v. 26): kai houtōs pas Israēl sōthēsetai. Houtōs quer dizer assim, desse modo; refere-se sobretudo à maneira, o caminho que passa pela entrada dos gentios e pelo ciúme de Israel, embora alguns defendam que tenha também um sentido de sequência, e então. Três leituras principais disputam o sentido de pas Israēl, Israel inteiro.
A primeira, hoje a da maioria dos comentaristas, entende o povo judeu como um todo, não necessariamente cada indivíduo, que no fim da história, ou perto da volta de Cristo, se voltará em grande número para Jesus, o Messias. Ela se apoia em que Israel, em todo o capítulo, designa o povo judeu, distinto dos gentios (vv. 7, 11, 25), e em que o v. 25 fala de uma situação que muda depois de um tempo. Agostinho já lia nesse sentido a esperança de uma conversão dos judeus no fim; muitos modernos, como Cranfield, Moo, Fitzmyer e Schreiner, a defendem.
A segunda entende que pas Israēl é o povo de Deus formado por judeus e gentios que creem, o Israel de Deus (Gl 6.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e que Paulo descreve o modo como esse povo inteiro, judeus e gentios enxertados na mesma árvore, chega à salvação. Calvino a defendeu, e N. T. Wright, entre outros, a sustenta hoje. A objeção principal é que Paulo acabou de usar Israel, no v. 25, para o povo distinto dos gentios.
A terceira entende o conjunto dos judeus escolhidos ao longo de toda a história, o remanescente somado geração após geração, até a plenitude dos gentios; foi defendida na tradição reformada por William Hendriksen, entre outros. A objeção é que ela dá pouco espaço à novidade que a palavra mistério parece anunciar.
Nenhuma dessas leituras autoriza o desprezo. Uma quarta posição merece menção à parte: alguns estudiosos, como Lloyd Gaston e John Gager, propuseram que Israel seria salvo por um caminho próprio, pela aliança do Sinai, sem a fé em Jesus, a chamada teoria das duas alianças; Krister Stendahl chamou a atenção para o fato de que o nome de Cristo não aparece de Rm 10.18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) ao fim do capítulo 11. A maioria das igrejas e dos intérpretes, com respeito, não segue essa proposta: para Paulo, judeus e gregos têm o mesmo Senhor, generoso com quem o invoca (Rm 10.12-13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e o Libertador do v. 26 é Jesus, a quem ele chama, com o mesmo verbo, aquele que nos livra (1Ts 1.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Um documento da Comissão do Vaticano para as Relações Religiosas com o Judaísmo, de 2015, cujo título retoma as palavras de Rm 11.29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), expressa o equilíbrio de muitas igrejas: não há dois caminhos de salvação, porque Cristo é o Salvador de todos, e o modo como Deus conduz Israel à salvação permanece um mistério insondável. A esperança de Rm 11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) também não deve ser confundida com posições políticas sobre o Estado de Israel, sobre as quais os cristãos divergem: o texto fala da misericórdia de Deus, não de geopolítica.
As citações dos vv. 26-27 juntam Is 59.20-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e Is 27.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), com um eco da nova aliança de Jr 31.33-34 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba). Como explica o estudo de Isaías 59 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), Paulo diz que o Rhyomenos, o Libertador, virá de Sião, onde o hebraico diz que viria para Sião; talvez sob a influência de salmos que falam da salvação que sai de Sião (Sl 14.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O seu trabalho é remover de Jacó a impiedade, e a aliança de Deus com o povo se sela no perdão, quando os pecados forem tirados, frase que o estudo de Isaías 27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) liga à antiga tradução grega de Is 27.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba). A salvação de Israel não é recompensa de mérito nem privilégio étnico: é perdão, obra do Libertador.
Os vv. 28-29 resumem a tensão com dois lados de uma mesma moeda. Kata men to euangelion, no que toca ao evangelho, são echthroi, adversários, e isso di' hymas, em benefício dos gentios, porque a recusa deles abriu a porta. Kata de tēn eklogēn, no que toca à escolha de Deus, são agapētoi, amados, dia tous pateras, por causa dos patriarcas. O presente é importante: são amados, agora, mesmo enquanto resistem ao evangelho. E a razão é uma das frases mais citadas do capítulo: os charismata, os dons, e a klēsis, o chamado, de Deus são ametamelēta, coisas de que Deus não se arrepende e que não retira. A mesma palavra aparece em 2Co 7.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) para um arrependimento de que não há o que lamentar. Os dons são os de Rm 9.4-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); o chamado é a vocação de Israel como povo de Deus. Foi este versículo que a Nostra Aetate citou, e o Catecismo da Igreja Católica (n. 121) afirma, na mesma linha, que a antiga aliança nunca foi revogada.
Os vv. 30-31 mostram a simetria da misericórdia. Os gentios viviam longe de Deus e foram alcançados pela misericórdia enquanto Israel resistia; com Israel, o movimento é o inverso: a sua resistência de agora está a caminho da misericórdia, por meio da que os gentios receberam. Os manuscritos se dividem sobre um segundo nyn, agora, no v. 31: alguns dos mais antigos o trazem, outros não, e alguns trazem depois. Com ele, a misericórdia para Israel não é só futura; está disponível desde já.
O v. 32 é o resumo de Rm 1–11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba): synekleisen gar ho theos tous pantas eis apeitheian, Deus fechou todos, judeus e gentios, no mesmo cárcere da desobediência, hina tous pantas eleēsē, para abrir a todos a mesma porta da misericórdia. O verbo é o de Gl 3.22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), onde a Escritura encerra tudo debaixo do pecado. O versículo não ensina que cada ser humano será salvo independentemente da fé; o capítulo inteiro falou de fé, de incredulidade e de ramos cortados. Alguns leitores, desde a Antiguidade, viram aqui uma salvação universal; a grande tradição da igreja não os seguiu. Mas o versículo ensina algo que nenhuma leitura pode diminuir: os todos são judeus e gentios, sem exceção de grupo; ninguém chega a Deus por outra porta que não a misericórdia; e o propósito de Deus ao permitir a desobediência é a misericórdia, não a ruína.
Versículos 33-36 — O abismo da riqueza de Deus
Depois de três capítulos de argumentos, Paulo não conclui com um resumo, mas com um hino. Ō bathos (v. 33) é o grito de quem se debruça sobre um abismo: o da riqueza, da sabedoria e do conhecimento que há em Deus. Muitos leem três realidades coordenadas, a riqueza da graça (Rm 2.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 10.12), a sabedoria do plano e o conhecimento que escolhe de antemão; outros, a riqueza que consiste em sabedoria e conhecimento. Os krimata, as decisões de Deus, são anexeraunēta, impossíveis de sondar; os seus caminhos, anexichniastoi, sem pegadas que se possam seguir, palavra que a antiga tradução grega usa em Jó 5.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e 9.10 para as obras de Deus que ninguém mede.
As perguntas dos vv. 34-35 vêm da Escritura. A primeira, de Is 40.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), pergunta quem teria penetrado o nous Kyriou, a mente do Senhor, para lhe dar conselho; como no estudo de Isaías 40 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), o Deus de Israel não precisa de conselho para conduzir a história. A segunda, próxima de Jó 41.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), pergunta quem teria adiantado algo a Deus para cobrar dele a devolução; a forma de Paulo não segue a antiga tradução grega de Jó, e o estudo de Jó 41 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) lembra que a pergunta desfaz a teologia da contabilidade. Se ninguém deu primeiro a Deus, nem Israel nem a igreja, ninguém pode reclamar nem se gabar: tudo é misericórdia.
O v. 36 diz a última palavra: ex autou kai di' autou kai eis auton ta panta, tudo vem dele, passa por ele e vai para ele. Fórmulas parecidas circulavam na filosofia estoica para falar da natureza; Paulo as enche com o Deus de Abraão, que conduz a história. Em outras cartas, a mesma linguagem é aplicada a Cristo, por meio de quem e para quem tudo foi criado (1Co 8.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Cl 1.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A ele a glória pelos séculos, amēn. O argumento mais difícil da carta termina de joelhos.
✨ 4. Versículos-Chave
Rm 11.1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Deus não repudiou o povo que conheceu de antemão. A pergunta e a resposta são a tese do capítulo, e Paulo, israelita da tribo de Benjamim, é a prova viva. Todo uso de Romanos para dizer que Deus rejeitou o povo judeu esbarra nestes dois versículos.
Rm 11.17-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Os gentios enxertados na oliveira de Israel, participantes da seiva da raiz, proibidos de se gabar diante dos ramos, porque é a raiz que os carrega. É o texto do Novo Testamento que mais claramente impede a igreja de se pensar como uma árvore nova que substituiu a antiga.
Rm 11.25-26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — O endurecimento parcial de Israel, até a entrada da plenitude dos gentios, e a salvação de Israel inteiro pelo Libertador que vem de Sião. Lido de modos diferentes nas tradições cristãs, o texto afirma, em todas as leituras, que a história de Israel com Deus não terminou e que a sua salvação é obra do perdão.
Rm 11.29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Deus não se arrepende dos dons que concede nem do chamado que faz. Citado pela Nostra Aetate, o versículo é o fundamento da recusa cristã a toda teologia do desprezo, e, para cada crente, uma garantia da fidelidade de Deus.
⛪ 5. Temas Teológicos Centrais
A fidelidade de Deus ao seu povo. O capítulo responde à pergunta de Rm 9.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) com uma afirmação que atravessa todos os versículos: Deus não abandona o que prometeu. Ele guarda um remanescente, usa até o tropeço de Israel para abençoar as nações, mantém Israel amado por causa dos pais e não retira os seus dons. Se Deus pudesse romper com Israel, que segurança teria a igreja (Rm 8.38-39 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))?
A graça que não admite orgulho. O remanescente existe pela escolha da graça (vv. 5-6); os gentios estão de pé pela fé (v. 20); ninguém deu primeiro a Deus (v. 35). Cada parte do capítulo fecha uma porta ao orgulho: do israelita que confiasse na sua posição e, com mais força, do gentio que se julgasse superior aos ramos naturais. A bondade e a severidade de Deus (v. 22) mantêm juntos a gratidão e o temor.
Israel e as nações num só plano. O tropeço de Israel abre a porta aos gentios; a entrada dos gentios desperta o ciúme de Israel; a volta de Israel será riqueza ainda maior para o mundo (vv. 11-15). A história da salvação não é uma troca de povos, mas um movimento em que cada parte serve à outra, numa só oliveira, debaixo da mesma misericórdia (v. 32).
O mistério que termina em adoração. Paulo não resolve todos os enigmas da eleição e do endurecimento; revela o que Deus lhe mostrou e se curva diante do resto (vv. 33-36). A teologia, em Romanos, não acaba em sistema fechado, mas em doxologia.
✝️ 6. Visão Cristocêntrica — Cristo neste Capítulo
6.1 — A Grande Narrativa: onde este capítulo se encontra no arco redentor?
Romanos 11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) abarca quase todo o arco. Olha para trás, para a promessa feita aos pais, a raiz santa (vv. 16, 28), e para a história de Israel, com Elias e os profetas. Está no centro da Redenção consumada, porque o Libertador já veio e a salvação já chegou às nações. E olha para a frente, para a Nova Criação: a plenitude dos gentios, a salvação de Israel, a vida dentre os mortos (vv. 15, 25-26). O capítulo mostra que a história da salvação não está encerrada; Deus ainda conduz judeus e gentios para o mesmo fim, a misericórdia, e o último versículo devolve tudo à origem: dele, por ele e para ele.
Na sequência modelar de Romanos (1–4, a justificação pela fé em Cristo; 5–8, a vida em Cristo pelo Espírito; 9–11, a fidelidade de Deus e Israel; 12–16, a vida como culto em resposta à graça), o capítulo fecha a terceira parte e prepara a quarta. Rm 12.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) começa com as misericórdias de Deus, as que o v. 32 acabou de anunciar; e a advertência contra o orgulho (vv. 18-25) antecipa Rm 12.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e a acolhida mútua de judeus e gentios em Rm 15.7-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba).
6.2 — Cristo, a raiz e os ramos
O nome de Cristo não aparece no capítulo, mas tudo nele depende de Cristo. O remanescente é o dos judeus que creram nele; os ramos foram quebrados pela incredulidade e serão enxertados de novo pela fé, isto é, pela fé nele (vv. 20, 23); o Libertador que vem de Sião é, para Paulo, Jesus (1Ts 1.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); e a misericórdia para todos tem a forma da cruz (Rm 3.24-26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 5.8).
A imagem da raiz também tem um eco cristológico. Isaías anunciara o rebento do tronco de Jessé e a raiz de Jessé erguida como sinal para os povos (Is 11.1, 10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e Paulo citará esse texto no fim da carta para dizer que as nações porão nele a esperança (Rm 15.12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); o Apocalipse chama Jesus de raiz de Davi (Ap 5.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 22.16). Embora a maioria leia a raiz de Rm 11.16-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) como os patriarcas, não há oposição: a promessa feita aos pais tem em Cristo o seu sim (2Co 1.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e é por ele que a seiva da raiz chega aos ramos. Jesus é o israelita perfeito, o fruto mais alto da oliveira e, ao mesmo tempo, aquele por quem os gentios são enxertados nela.
6.3 — As promessas de Isaías e de Jeremias: já, ainda não
As citações dos vv. 26-27 pedem a distinção que a leitura dos profetas exige. No sentido original, Is 59.20-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) anunciava Deus como Redentor que vem a Sião, e Is 27.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), a expiação da culpa de Jacó; Jr 31.31-34 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) prometia uma nova aliança com o perdão dos pecados. Houve um cumprimento parcial na volta do exílio. O cumprimento pleno em Cristo começou na sua morte e ressurreição: na última ceia, ele chamou o cálice de nova aliança no seu sangue (Lc 22.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e Hebreus aplica a ele a promessa de Jeremias (Hb 8.8-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E há um cumprimento escatológico futuro: Paulo lê as mesmas promessas como ainda abertas para Israel (vv. 26-27), em acordo com os estudos de Isaías 59 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e de Jeremias 31 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba).
6.4 — O rejeitado que reconcilia
O v. 15 diz que o afastamento de Israel trouxe a reconciliação do mundo. A frase tem um centro que Paulo não precisa explicar a quem leu o resto da carta: a reconciliação do mundo aconteceu pela morte de um israelita rejeitado (Rm 5.10-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 2Co 5.18-19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Jesus, o Messias de Israel, foi entregue e recusado, e a sua rejeição se tornou a salvação das nações. O que o capítulo diz de Israel, um afastamento que se torna caminho de bênção para outros, cumpre-se antes de tudo em Cristo, a pedra rejeitada (Rm 9.33 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Sl 118.22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E a vida dentre os mortos que a volta de Israel trará tem a forma da ressurreição dele. Ler Rm 11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) a partir de Cristo é perceber que a história de Israel, com o seu tropeço e a sua esperança, está entrelaçada com a do seu Messias, que levou sobre si o pecado e a desobediência de todos para que todos encontrassem misericórdia.
6.5 — O Evangelho no capítulo
Pregar Romanos 11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) é anunciar que Deus é fiel. Ele não descarta quem escolheu, não se cansa de quem tropeçou e não volta atrás nos seus dons. É anunciar que ninguém está de pé por mérito: o remanescente, os gentios enxertados e a igreja inteira vivem da misericórdia. É advertir os que se julgam seguros a que não se gabem, e lembrar os que se sentem caídos que Deus tem poder para enxertar de novo. E é terminar como Paulo, não com a última palavra sobre os outros, mas com a adoração.
Este capítulo exige uma palavra final sem rodeios. A teologia que ensina que Deus rejeitou o povo judeu e o substituiu pela igreja, na sua forma de desprezo, contradiz frontalmente Romanos 11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba): o capítulo nega que Deus tenha repudiado o seu povo, chama os judeus de amados, diz que os ramos naturais pertencem à árvore e proíbe os gentios de se gabarem. Todo uso destes capítulos para humilhar, acusar ou perseguir judeus é traição do texto e do Messias judeu que a igreja confessa. A igreja aprendeu isso tarde, com a vergonha de uma história trágica, e deve guardá-lo.
🔗 7. Conexões Bíblicas (Teologia Bíblica Canônica)
- 1Sm 12.22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Sl 94.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Jr 31.35-37 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Deus não abandona o seu povo; a fidelidade inscrita na criação, em acordo com o estudo de Jeremias 31 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba).
- 1Rs 19.10-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Is 10.20-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Rm 9.27-29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — o remanescente, de Elias a Paulo, em acordo com o estudo de 1 Reis 19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba).
- Dt 29.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Is 29.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Sl 69.22-23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Mt 13.13-15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 2Co 3.14-16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — o torpor, os olhos que não veem e o véu que Cristo retira, em acordo com os estudos de Deuteronômio 29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), Isaías 29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e Salmo 69 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba).
- Dt 32.21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Rm 10.19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — o ciúme que Deus desperta para trazer o povo de volta, em acordo com o estudo de Deuteronômio 32 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba).
- Jr 11.16-17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Os 14.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Sl 52.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — a oliveira como imagem do povo de Deus, em acordo com os estudos de Jeremias 11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e de Oseias 14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba).
- Ef 2.11-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gl 3.28-29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — os gentios aproximados, um só povo em Cristo, sem que Israel seja apagado.
- Is 59.20-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Is 27.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Jr 31.31-34 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Lc 22.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Hb 8.8-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — o Libertador, o perdão dos pecados e a nova aliança, em acordo com os estudos de Isaías 59 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), Isaías 27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e Jeremias 31 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba).
- Lc 21.24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Mt 23.39 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); At 3.19-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — os tempos dos gentios e a esperança para Jerusalém.
- Is 40.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Jó 41.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Jó 5.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 1Co 2.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 1Co 8.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Cl 1.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — a sabedoria insondável de Deus e a criação por meio de Cristo, em acordo com os estudos de Isaías 40 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e de Jó 41 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba).
- Na história da Igreja — o capítulo foi decisivo na reflexão sobre Israel desde os Padres; Karl Barth releu Rm 9–11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) na Dogmática Eclesiástica (II/2, 1942) como a eleição da única comunidade de Deus em duas formas, Israel e a igreja; e a Nostra Aetate (1965) fez de Rm 11.28-29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) a base da nova relação da Igreja Católica com o povo judeu.
🌍 8. Aplicação Prática Contemporânea com Fundamento Cristológico
Recusar o desprezo pelo povo judeu. O cristão que lê Romanos 11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) não pode tolerar o antissemitismo, nem o grosseiro nem o disfarçado: piadas, estereótipos sobre dinheiro e poder, acusações coletivas, a ideia de que os judeus são um povo amaldiçoado. A raiz carrega o ramo. Honrar o povo de Jesus é parte da fidelidade a Jesus, e isso inclui conhecer a fé judaica com respeito e aprender com ela.
Viver de pé pela fé, não pela pose. O v. 20 vale para cada crente e para cada igreja. Tradições, números, influência e ortodoxia não são raiz; são, no máximo, ramos. Quem se gaba da própria posição espiritual esqueceu de onde vem a seiva. O temor do v. 20 não é medo servil, mas a humildade de quem sabe que está de pé pela graça de Cristo.
Não dar ninguém por perdido. Elias se achava sozinho, e Deus tinha sete mil. Os ramos quebrados podem ser enxertados de novo. Pais que esperam por filhos, igrejas que se sentem pequenas, pessoas que acham que Deus desistiu delas encontram aqui uma palavra firme: Deus tem poder para enxertar de novo, e não se arrepende do chamado que faz. A misericórdia que alcançou Paulo, o perseguidor, alcança mais longe do que imaginamos.
Orar pela salvação de Israel com amor e respeito. O desejo de Paulo continua sendo o da igreja (Rm 10.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). As igrejas divergem sobre a forma do testemunho cristão diante do povo judeu, mas nenhuma forma pode ser pressão, manipulação ou desprezo. O caminho de Paulo é o do amor que ora, honra e espera, e que deixa a Deus o que só Deus faz.
Terminar a teologia em adoração. Diante das perguntas que não conseguimos responder sobre eleição, sofrimento e história, Paulo não fingiu saber tudo nem desistiu de crer: adorou. O crente pode estudar com seriedade e, quando chega ao limite, descansar no Deus de quem, por quem e para quem são todas as coisas.
🤔 9. Perguntas para Reflexão e Estudo
- Paulo usa a si mesmo e os sete mil de Elias como provas de que Deus não repudiou o seu povo (vv. 1-5). O que essas provas ensinam sobre a maneira como Deus age quando tudo parece perdido?
- Na imagem da oliveira (vv. 17-24), quem é enxertado em quê? Por que é importante que os gentios sejam enxertados na árvore de Israel, e não plantados numa árvore nova?
- Compare as três leituras principais de pas Israēl no v. 26. O que todas elas afirmam em comum sobre a fidelidade de Deus?
- Como a história do antijudaísmo cristão deveria mudar a maneira como a igreja lê e prega os capítulos 9 a 11 de Romanos?
- De que modo Cristo, o israelita rejeitado por quem o mundo foi reconciliado (v. 15), ilumina o mistério que Paulo descreve?
- Para meditação e oração: leia devagar os vv. 33-36 e pense em algo da sua vida que você não entende. Entregue isso a Deus, de quem, por quem e para quem são todas as coisas, e ore pelo povo judeu e pela igreja, ramos da mesma oliveira.
📚 10. Para Aprofundamento
Cristocêntrica / Teologia Bíblica:
- G. K. Beale e D. A. Carson (orgs.) — Comentário do uso do Antigo Testamento no Novo Testamento (Vida Nova), sobre Rm 11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)
- J. Ross Wagner — Heralds of the Good News: Isaiah and Paul "in Concert" in the Letter to the Romans (Brill, 2002)
- Karl Barth — Dogmática Eclesiástica II/2 (1942), sobre a eleição e Israel
Comentários de Romanos:
- John Stott — A mensagem de Romanos (ABU Editora, série A Bíblia Fala Hoje)
- F. F. Bruce — Romanos: introdução e comentário (Vida Nova, série Cultura Bíblica)
- Douglas J. Moo — The Epistle to the Romans (NICNT, Eerdmans, 1996; 2ª ed., 2018)
- C. E. B. Cranfield — A Critical and Exegetical Commentary on the Epistle to the Romans (2 vols., T&T Clark, 1975–1979)
- James D. G. Dunn — Romans 9–16 (Word Biblical Commentary, 1988)
- Joseph A. Fitzmyer — Romans (Anchor Bible, Doubleday, 1993)
- N. T. Wright — comentário a Romanos em The New Interpreter's Bible, vol. X (Abingdon, 2002)
Sobre Israel e a igreja:
- Krister Stendahl — Paul Among Jews and Gentiles (Fortress, 1976)
- Concílio Vaticano II — declaração Nostra Aetate (1965), n. 4
- Comissão para as Relações Religiosas com o Judaísmo — documento de 10 de dezembro de 2015, por ocasião dos cinquenta anos da Nostra Aetate
Sobre o texto dos manuscritos:
- Bruce M. Metzger — A Textual Commentary on the Greek New Testament (Sociedades Bíblicas Unidas, 2ª ed., 1994)
Sabedoria para o Cotidiano
Romanos 11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) lembra que você está de pé numa árvore que não plantou, alimentado por uma raiz que não escolheu, e que tudo isso é misericórdia. Por isso não há lugar para o orgulho, nem diante do povo judeu, de quem veio o Messias, nem diante de quem parece ter caído: o Deus que guardou sete mil quando Elias se achava só tem poder para enxertar de novo, e não se arrepende do que dá. Quando as perguntas forem maiores que as respostas, faça como Paulo: pare de argumentar e adore, porque tudo vem de Deus, passa por ele e volta para ele.
Ficou com alguma dúvida sobre este capítulo?
Pergunte ao Farol