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Salmos · 19 de 66 · Antigo Testamento

Salmos — Capítulo 105

Infográfico de “Salmos 105 — Capítulo a capítulo”, gerado automaticamente a partir do estudo publicado, com 8 partes: O convite a lembrar e a anunciar; A aliança que Deus não esquece; Peregrinos guardados entre os reis; José: das correntes ao governo; O povo que cresce e os servos enviados; Os sinais na terra de Cam; Saída, nuvem, pão e água; A promessa lembrada e o propósito da terra.

Título do capítulo: A aliança que Deus nunca esquece
Gênero literário: Poesia/Salmo (hino de louvor com recital histórico: a fidelidade de Deus à aliança com Abraão contada desde os patriarcas peregrinos, passando por José, pela opressão e pelas pragas do Egito, até o êxodo, o deserto e a posse da terra; salmo histórico, irmão dos Salmos 78 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), 106, 135 e 136, e um dos três que fecham o quarto livro do Saltério)
Número de versículos: 45

Nota de precisão: o salmo não tem inscrição, de modo que a numeração das Bíblias em português coincide com a do hebraico impresso; na antiga tradução grega, que junta os Salmos 9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e 10, ele é o salmo cento e quatro, e os aleluias aparecem ali distribuídos de outro modo. Os vv. 1-15 reaparecem, com pequenas diferenças, no cântico que o livro de Crônicas associa à chegada da arca a Jerusalém (1Cr 16.8-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Há passagens discutidas no v. 18, no v. 22 e no v. 28, tratadas no lugar próprio; nenhuma delas muda o movimento do salmo.


🏛️ 1. Contexto Histórico e Cultural

O Saltério fecha cada um dos seus cinco livros com uma doxologia, e o quarto deles (Sl 90–106 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) termina com três salmos que formam um pequeno tríptico. O Salmo 104 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) canta o Criador e termina com o primeiro aleluia do livro (Sl 104.35 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Salmo 105 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) conta a história da salvação, de Abraão à entrada na terra, só pelo lado de Deus: não há nele uma palavra sobre os pecados de Israel. O Salmo 106 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) conta a mesma história pelo lado do povo, e a lista de quedas é longa. Os três terminam com aleluia, e o último fecha com a bênção que encerra o livro (Sl 106.48 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O salmo não tem autor indicado. O dado mais concreto que temos é a ligação com 1 Crônicas 16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba). Ali, depois que Davi leva a arca para Jerusalém, o cronista registra um cântico de ação de graças entregue a Asafe e seus irmãos (1Cr 16.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), composto de três salmos: os quinze primeiros versículos deste (1Cr 16.8-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), o Salmo 96 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) quase inteiro (1Cr 16.23-33 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e o começo e o fim do Salmo 106 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) (1Cr 16.34-36 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A maioria dos estudiosos entende que o cronista juntou salmos que já circulavam; outros pensam que o salmo ampliou um hino antigo. As diferenças são reveladoras. Onde o salmo diz que Deus se lembrou da sua aliança (v. 8), Crônicas convida o povo a lembrar-se dela (1Cr 16.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); onde o salmo fala dos patriarcas na terceira pessoa (v. 12), Crônicas fala aos ouvintes, como se eles mesmos tivessem sido os poucos e estrangeiros (1Cr 16.19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Muitos estudiosos entendem que o salmo, na forma em que o temos, ganhou o seu lugar no Saltério no tempo do exílio ou da restauração, e essa leitura ilumina muita coisa. Para um povo que perdeu a terra, o templo e o trono, o salmo volta a uma aliança mais antiga que todos eles: a aliança com Abraão, jurada a Isaque e confirmada a Jacó, que dava Canaã como herança perpétua (vv. 9-11). E lembra que os patriarcas também foram poucos e estrangeiros (vv. 12-13), e que Deus os guardou. Isaías fala no mesmo tom aos que esperavam a volta, convidando-os a considerar Abraão, chamado quando estava sozinho e depois cercado de uma descendência numerosa (Is 51.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O enredo do salmo segue de perto um texto de Gênesis. Na noite da aliança entre os animais partidos, Deus anunciou a Abraão que a sua descendência seria estrangeira numa terra alheia, seria escravizada e oprimida, e depois sairia com grandes bens, quando Deus julgasse a nação opressora (Gn 15.13-14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); no mesmo dia, prometeu-lhe a terra (Gn 15.18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Salmo 105 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) é a história desse anúncio cumprido: a peregrinação, a descida ao Egito, a opressão, o juízo sobre o opressor, a saída com prata e ouro (v. 37) e a posse da terra (v. 44).


📜 2. Resumo Narrativo / Conteúdo do Capítulo

O salmo abre com uma série de convites: render graças ao Senhor e tornar conhecidos entre as nações os seus feitos (v. 1), cantar as suas maravilhas (v. 2), gloriar-se no seu nome (v. 3), buscar a sua força e a sua face sem cessar (v. 4) e lembrar os seus sinais e juízos (v. 5). Os chamados são a descendência de Abraão e os filhos de Jacó, escolhidos de Deus (v. 6).

Vem a confissão central: o Senhor é o nosso Deus, com juízos em toda a terra (v. 7), e se lembra para sempre da aliança feita com Abraão, jurada a Isaque e confirmada a Jacó como aliança eterna (vv. 8-10), com a promessa de Canaã como herança (v. 11).

Os patriarcas eram pouquíssimos e estrangeiros, andando de nação em nação (vv. 12-13), mas Deus repreendeu reis por causa deles e proibiu que tocassem nos seus ungidos ou maltratassem os seus profetas (vv. 14-15). Deus chamou a fome sobre a terra (v. 16), mas antes enviara José, vendido como escravo (v. 17), posto a ferros (v. 18) e provado pela palavra do Senhor até o tempo do cumprimento (v. 19). O rei o soltou e o fez senhor da sua casa, com poder sobre os príncipes e a tarefa de ensinar sabedoria aos anciãos (vv. 20-22).

Israel entrou no Egito (v. 23); Deus o multiplicou (v. 24) e mudou o coração dos egípcios para que o odiassem (v. 25). Enviou Moisés e Arão (v. 26), que realizaram os seus sinais (v. 27): as trevas (v. 28), as águas em sangue (v. 29), as rãs (v. 30), os enxames e os mosquitos (v. 31), o granizo e o fogo sobre as plantações (vv. 32-33), os gafanhotos (vv. 34-35) e a morte dos primogênitos (v. 36).

Deus tirou o seu povo com prata e ouro, sem que ninguém tropeçasse, enquanto o Egito se alegrava com a partida (vv. 37-38). No deserto, deu-lhe uma nuvem como cobertura e fogo para a noite (v. 39), codornizes e alimento vindo do céu (v. 40) e água que correu da rocha como rio (v. 41). Tudo porque se lembrou da sua santa palavra a Abraão (v. 42): tirou os escolhidos com júbilo (v. 43) e lhes deu as terras das nações (v. 44), para que guardassem os seus decretos. O salmo termina com aleluia (v. 45).


🔍 3. Análise por Seções (Perícopes)

Versículos 1-6 — O convite a lembrar e a anunciar
A abertura é uma cascata de imperativos, dez em seis versos. Hodu, rendam graças, é a palavra que aparece logo no início também dos Salmos 106 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), 107, 118 e 136: o reconhecimento público de quem Deus é e do que fez. Qir'u bishmo, invoquem o seu nome, tem um eco precioso: em Gênesis, é o que Abraão e Isaque faziam quando levantavam altares nas terras por onde peregrinavam (Gn 12.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gn 13.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gn 26.25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Antes de contar a história dos patriarcas, o salmo põe na boca do povo o gesto deles.

O terceiro imperativo abre o horizonte: hodi'u ba'ammim 'alilotav, façam conhecer entre os povos os seus feitos. A história é de Israel, mas o anúncio é para as nações. Essa dimensão vem da promessa a Abraão, por meio de quem a bênção alcançaria os povos da terra (Gn 12.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

No v. 2, o povo é chamado a siḥu, palavra que pode significar meditar e também conversar: quem medita nas maravilhas de Deus acaba falando delas. O v. 3 convida a hithallelu, gloriar-se, encontrar no nome santo de Deus, e não em si mesmo, o motivo de orgulho. O v. 4 insiste no buscar com dois verbos, dirshu e baqqeshu, e três objetos: o Senhor, a sua força e a sua face, sempre. A força, 'uzzo, pode ter um matiz especial, porque outros salmos chamam a arca de força de Deus (Sl 78.61 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Sl 132.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e o cântico de Crônicas está ligado justamente à chegada da arca.

O v. 5 introduz o verbo que costura o salmo inteiro: zikhru, lembrem. As maravilhas, os prodígios e os juízos da boca de Deus são as decisões dele na história, especialmente as que executou sobre o Egito. E o v. 6 diz quem deve lembrar: a semente de Abraão, seu servo, os filhos de Jacó, seus escolhidos. Crônicas diz semente de Israel (1Cr 16.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); o salmo prefere o nome de Abraão, que será o eixo de toda a história.

Versículos 7-11 — A aliança que Deus não esquece
O v. 7 une o particular e o universal: o Senhor é o nosso Deus, e os seus juízos estão em toda a terra.

O v. 8 dá o grande passo. O povo foi chamado a lembrar (v. 5); agora se diz que Deus mesmo se lembra, zakhar le'olam berito, para sempre, da sua aliança. Lembrar, na Bíblia, não é recuperar algo esquecido; é agir em favor de alguém por causa de um compromisso. Quando Deus ouviu o gemido de Israel no Egito, lembrou-se da aliança com Abraão, Isaque e Jacó (Ex 2.24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e a lembrança virou libertação. A palavra dada a mil gerações ecoa Deuteronômio, onde a fidelidade de Deus se estende por mil gerações dos que o amam (Dt 7.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)): é um compromisso sem prazo.

Os vv. 9-10 seguem a aliança na sucessão dos patriarcas: feita com Abraão (Gn 15.18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gn 17.7-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), jurada a Isaque (Gn 26.3-4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), confirmada a Jacó (Gn 28.13-15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gn 35.11-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O texto acumula termos jurídicos, berit, aliança, shevu'ah, juramento, ḥoq, decreto, e berit 'olam, aliança eterna, como quem fecha todas as portas à dúvida.

O v. 11 traz a promessa em discurso direto: Canaã como porção da herança. Ḥevel é a corda, depois a corda de medir, depois a porção medida com ela; é o agrimensor que demarca o lote de cada família. Os comentaristas notam ainda que a promessa começa com um pronome no singular e termina com um possessivo no plural: dita a um homem, tornou-se a herança de um povo. Para leitores que já não tinham a terra, a lembrança era dolorosa e cheia de esperança: se a aliança é eterna, a perda da terra não pode ser a última palavra.

Versículos 12-15 — Peregrinos guardados entre os reis
O v. 12 lembra o tempo em que a promessa parecia impossível. Os herdeiros de Canaã eram metei mispar, gente que se podia contar, kim'at, pouquíssimos, e garim, estrangeiros sem direitos na terra prometida. Jacó usou a mesma expressão, poucos em número, quando temeu a vingança dos cananeus (Gn 34.30 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e Deuteronômio lembra que Israel foi escolhido não por ser numeroso, pois era o menor dos povos, mas por amor e por fidelidade ao juramento feito aos pais (Dt 7.7-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Abraão se apresentou aos hititas como estrangeiro para comprar uma sepultura (Gn 23.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)): o único pedaço da terra prometida que possuiu foi um túmulo.

Os vv. 14-15 dizem como essa família frágil sobreviveu. O salmo pensa nos episódios em que um rei tomou ou ameaçou tomar a mulher do patriarca: o faraó, ferido com pragas por causa de Sara (Gn 12.17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); Abimeleque, advertido em sonho de que morreria (Gn 20.3-7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); e o outro Abimeleque, que proibiu ao seu povo, sob pena de morte, mexer com Isaque e Rebeca (Gn 26.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Em todos, o perigo vinha em parte da falta dos próprios patriarcas, e Deus os protegeu assim mesmo.

A advertência do v. 15 é posta como palavra direta de Deus aos reis: que não toquem nos seus ungidos nem façam mal aos seus profetas. Poucos versos da Bíblia foram tão mal usados. Os ungidos, meshiḥay, são os patriarcas, e o paralelo os chama de profetas, nevi'ay. Os patriarcas nunca foram ungidos com óleo; a palavra designa pessoas separadas por Deus e postas sob a sua proteção. E Abraão é chamado de profeta justamente no episódio de Abimeleque, quando Deus diz ao rei que o estrangeiro intercederá por ele (Gn 20.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Tocar tem o sentido de agredir, como no decreto de Abimeleque (Gn 26.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Usá-lo para proibir que um líder religioso seja questionado ou corrigido é inverter o seu sentido: no salmo, os protegidos são os fracos, e os advertidos são os que têm poder. A Escritura nunca isenta os líderes de prestar contas: Natã confrontou Davi, ungido de verdade (2Sm 12.1-7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); Paulo repreendeu Pedro publicamente (Gl 2.11-14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); a acusação contra um presbítero deve ser examinada com testemunhas (1Tm 5.19-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); os bereanos conferiam nas Escrituras o ensino do próprio Paulo (At 17.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Mesmo a recusa de Davi em levantar a mão contra Saul (1Sm 24.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) dizia respeito a não matar o rei, não a calar diante dele (1Sm 24.9-15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Se o v. 15 tem aplicação hoje, ela vai contra o abuso: Deus se põe ao lado dos pequenos e pedirá contas de quem os oprime, inclusive dos pastores que maltratam o rebanho (Ez 34.2-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Versículos 16-22 — José: das correntes ao governo
A história salta para a geração dos filhos de Jacó, contada a partir de Deus. É ele quem chama, qara', a fome, como quem convoca um servo, e quebra o matteh-leḥem, o bastão do pão (Lv 26.26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Ez 4.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)): o pão é o cajado em que a vida se apoia. A fome (Gn 41.54-57 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) não é castigo aqui, mas o caminho pelo qual a família de Jacó será preservada.

O v. 17 é decisivo: antes da fome, Deus já tinha enviado um homem à frente deles. O verbo shalaḥ, enviar, pontua o salmo: Deus envia José (v. 17), o rei envia para soltá-lo (v. 20), Deus envia Moisés (v. 26) e as trevas (v. 28). O próprio José, ao se revelar aos irmãos, atribuiu a Deus, e não a eles, a sua ida ao Egito, e disse que fora enviado para conservar vidas (Gn 45.5-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Mas a segunda linha diz como o envio aconteceu: José foi vendido como escravo, le'eved nimkar, pelos irmãos, por vinte peças de prata (Gn 37.28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O salmo põe lado a lado o propósito de Deus e o crime dos homens, sem diluir nenhum dos dois, como José fará no fim de Gênesis, ao dizer que Deus converteu em bem o plano maldoso dos irmãos, e que muita gente sobreviveu por isso (Gn 50.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O v. 18 acrescenta um detalhe que Gênesis não registra assim: afligiram os pés dele com o kevel, o grilhão, e barzel ba'ah nafsho. Nefesh pode ser alma, vida, e também pescoço; o sentido mais provável é que uma argola de ferro lhe foi posta ao pescoço, ou que a sua pessoa inteira foi metida em ferros. Uma leitura antiga, que se tornou proverbial, entendeu que o ferro lhe penetrou a alma; a imagem é bela, mas o hebraico parece mais concreto. Gênesis fala do cárcere dos presos do rei (Gn 39.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); o salmo mostra o que isso significava no corpo.

O v. 19 é o mais denso da seção: isso durou até o tempo em que a palavra dele se cumpriu, e a palavra do Senhor o provou. A primeira palavra, devaro, é ambígua. Pode ser a palavra de José, a interpretação dos sonhos do copeiro e do padeiro (Gn 40.20-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), ou os sonhos da juventude, em que os irmãos se curvavam diante dele (Gn 37.5-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); pode ser a palavra de Deus, que se cumpre no seu tempo. A segunda linha é clara: imrat YHWH tseraftehu, a palavra do Senhor o refinou, com o verbo do ourives que derrete o metal para separar a escória (Sl 12.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Sl 66.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A promessa recebida em sonho foi o fogo que o provou: tudo à sua volta a negava. Entre os dezessete anos em que foi vendido (Gn 37.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e os trinta em que se apresentou ao faraó (Gn 41.46 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), passaram-se cerca de treze anos, dois deles de puro esquecimento depois de ajudar o copeiro (Gn 41.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O salmo não explica a demora; diz que ela teve fim marcado e que, enquanto durou, Deus trabalhava no próprio José.

Os vv. 20-22 narram a virada. O rei mandou soltá-lo (Gn 41.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), chamado aqui de moshel 'ammim, soberano de povos. José foi feito adon, senhor, da casa do faraó, e moshel, governador, dos seus bens (Gn 41.40-44 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O v. 22 guarda uma ironia fina: aquele que tivera o nefesh metido em ferros (v. 18) agora prende, le'sor, os príncipes do Egito pelo seu próprio nefesh, isto é, segundo o seu arbítrio. O preso se tornou quem prende. A antiga tradução grega leu um verbo parecido, instruir; mas o hebraico faz sentido e guarda o jogo com o v. 18. Por fim, José ensina sabedoria aos anciãos: o Egito, famoso pelos seus sábios, aprendeu com um estrangeiro em quem o faraó reconheceu o espírito de Deus (Gn 41.38-39 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Versículos 23-27 — O povo que cresce e os servos enviados
Israel entrou no Egito, e Jacó foi peregrino na terra de Cam. Cam é o antepassado dos egípcios na lista das nações (Gn 10.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e o nome serve aos salmos históricos como designação poética do Egito (Sl 78.51 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Sl 106.22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O verbo peregrinar, gur, é o mesmo dos patriarcas no v. 12: o povo continua estrangeiro.

O v. 24 registra a multiplicação que abre o livro do Êxodo (Ex 1.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O v. 25 é o mais difícil do salmo: Deus hafakh, virou, o coração dos egípcios para odiarem o seu povo e para lehitnakkel, agirem com astúcia, contra os seus servos. O Êxodo conta que o novo rei propôs ao seu povo agir com esperteza contra os hebreus (Ex 1.9-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Não que Deus tenha criado ódio em corações inocentes: o ódio era dos egípcios, e o faraó é tratado como plenamente responsável. O salmo afirma que nem a hostilidade dos inimigos escapa ao governo de Deus, que a usa para os seus propósitos, como no endurecimento do faraó (Ex 4.21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Ex 9.12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A Escritura mantém juntas a soberania de Deus e a responsabilidade humana sem resolver a tensão numa fórmula; o salmo quer apenas que o povo saiba que nem no pior momento da opressão a história saiu das mãos de Deus.

O v. 26 apresenta os libertadores: Moisés, 'avdo, seu servo (Nm 12.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e Arão, a quem Deus escolheu, como a vara florida confirmaria (Nm 17.5, 8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O vocabulário liga a seção ao começo: Abraão é servo (v. 6), José foi vendido como escravo (v. 17), Israel é chamado de servos de Deus (v. 25), Moisés é servo (v. 26). Os instrumentos de Deus são servos, e as falhas deles, que o Salmo 106 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) lembrará (Sl 106.16, 32-33 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), aqui não aparecem. O v. 27 diz literalmente que eles puseram entre os egípcios as palavras dos seus sinais, divrei ototav: atos de Deus que falam, que dizem quem ele é, como o Êxodo repete (Ex 7.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Ex 9.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Versículos 28-36 — Os sinais na terra de Cam
O salmo reconta as pragas com liberdade. Das dez do Êxodo (Ex 7–12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), menciona oito, em ordem própria: as trevas (v. 28; Ex 10.21-23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), o sangue (v. 29; Ex 7.17-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), as rãs (v. 30; Ex 8.1-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), os enxames e os mosquitos (v. 31; Ex 8.16-24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), o granizo (vv. 32-33; Ex 9.22-25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), os gafanhotos (vv. 34-35; Ex 10.12-15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e a morte dos primogênitos (v. 36; Ex 12.29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ficam de fora a peste do gado e as úlceras. O Salmo 78 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) também escolhe e reordena as pragas (Sl 78.44-51 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)): os poetas de Israel não queriam fazer a crônica do Êxodo, mas proclamar o seu sentido.

A posição das trevas, a nona praga no Êxodo, chama a atenção, e nenhuma explicação se impõe. Alguns veem nelas uma espécie de título da série: o Egito inteiro mergulhado na escuridão do juízo. Outros lembram que a primeira obra da criação foi separar a luz das trevas (Gn 1.3-4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e leem as pragas como uma criação desfeita, com a ordem do mundo voltada contra o opressor.

O fim do v. 28 tem uma dificuldade de texto. O hebraico diz que eles não se rebelaram contra as palavras de Deus. Talvez Moisés e Arão, que obedeceram a cada ordem, ao contrário do que fariam em Meribá (Nm 20.24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); talvez os próprios elementos, a escuridão e as águas, que cumpriram a palavra recebida. A antiga tradução grega lê sem a negação: os egípcios se rebelaram. A leitura do hebraico combina com o tom do salmo, em que tudo obedece à palavra de Deus.

Os vv. 29-30 descrevem a água em sangue, os peixes mortos e as rãs que fervilham até nos aposentos dos reis: o juízo alcança o centro do poder. O v. 31 começa com uma fórmula que voltará no v. 34, ele falou, e veio, que lembra o Deus que fala e as coisas existem (Sl 33.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Vieram o 'arov, um enxame de moscas ou de insetos variados, e os kinnim, mosquitos ou piolhos. Os vv. 32-33 falam do granizo em lugar da chuva e dos raios que corriam pela terra (Ex 9.23-24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), destruindo videiras e figueiras. Os vv. 34-35 multiplicam palavras para os gafanhotos, arbeh e yeleq, e dizem que comeram toda a erva e todo o fruto do solo. Na terra onde Deus garantira pão à família de Jacó (vv. 16-21), agora não sobra nada.

O v. 36 fecha a série com a praga decisiva: Deus feriu todo primogênito, re'shit lekhol-onam, as primícias de todo o seu vigor. A expressão, que Jacó usou para Rúben (Gn 49.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e que o Salmo 78 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) também aplica a esta praga (Sl 78.51 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), mostra que era o futuro do Egito que caía. O Êxodo preparara esse momento quando Deus chamou Israel de seu filho primogênito e avisou que, se o faraó não o deixasse ir, perderia o seu (Ex 4.22-23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O salmo não descreve a Páscoa, mas o leitor sabe que, naquela noite, os primogênitos de Israel foram poupados pelo sangue do cordeiro (Ex 12.12-13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O retrato é terrível, mas não é cântico de vingança. É o testemunho de que o Deus que protegeu os patriarcas contra os reis (vv. 14-15) não abandonou os seus descendentes sob o reino mais poderoso do seu tempo: o juízo sobre o opressor foi a forma concreta da sua fidelidade ao fraco. São estes os juízos que o v. 5 mandava lembrar.

Versículos 37-41 — Saída, nuvem, pão e água
A saída é contada em tom de festa. Deus os tirou com prata e ouro, os objetos que os egípcios lhes deram (Ex 12.35-36 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), cumprindo a palavra a Abraão sobre os grandes bens da saída (Gn 15.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Nas tribos não havia koshel, quem tropeçasse: um povo de escravos saiu como um exército descansado. E o Egito que os odiava (v. 25) os viu partir com alívio, porque o pavor de Israel caíra sobre ele (v. 38; Ex 12.33 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O v. 39 resume o deserto em duas imagens. Deus estendeu uma nuvem lemasakh, como cobertura, e fogo para iluminar a noite. No Êxodo, a coluna guia o povo (Ex 13.21-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e se põe entre Israel e os egípcios para protegê-lo (Ex 14.19-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); o salmo realça a função de abrigo, como um toldo estendido sobre os viajantes. Isaías retomará a imagem para o futuro de Sião, que Deus abrigará com nuvem e fogo como sob uma tenda (Is 4.5-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O v. 40 fala do alimento: o povo pediu, e Deus trouxe codornizes e os saciou com o maná (Ex 16.4, 13-15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O contraste com os Salmos 78 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e 106 é impressionante. Lá, o pedido de carne é cobiça, e as codornizes vêm com juízo (Sl 78.18-31 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Sl 106.14-15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Nm 11.31-34 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Aqui, o pedido é atendido, e o verbo final é saciar. O salmo deixa ao seguinte a outra metade da história.

O v. 41 fecha com a água: Deus abriu a rocha, e as águas correram como rio pelos lugares secos. O salmo pode pensar em Refidim (Ex 17.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), em Cades (Nm 20.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) ou nos dois. Isaías usará o milagre como promessa aos exilados que voltariam da Babilônia, lembrando que, na travessia do deserto, Deus fez a rocha verter água e o povo não sofreu sede (Is 48.21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Versículos 42-45 — A promessa lembrada e o propósito da terra
O v. 42 dá a chave do salmo com a partícula ki, porque: tudo isso aconteceu porque Deus se lembrou da sua santa palavra a Abraão, seu servo. O verbo lembrar volta pela terceira vez em posição forte (vv. 5, 8, 42), e Abraão, servo, volta do v. 6, fechando um grande círculo.

O v. 43 descreve a saída com sason, alegria, e rinnah, o grito de júbilo. É a alegria que os profetas prometeriam para a volta do exílio, quando o povo resgatado entraria em Sião com cânticos (Is 35.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Is 51.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O v. 44 descreve a posse da terra: Deus lhes deu as terras das nações, e eles herdaram o 'amal, o fruto do trabalho dos povos. É a linguagem de Deuteronômio, que fala de cidades, casas abastecidas, poços e plantações recebidos prontos (Dt 6.10-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e de Josué, que lembra ao povo que a terra lhe foi entregue sem o suor do seu próprio trabalho (Js 24.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Tudo foi dádiva.

O v. 45 revela o propósito: para que guardassem os seus decretos e observassem as suas leis. É a única menção da Lei no salmo, e vem no fim. Deus escolheu, prometeu, guardou, libertou e deu a terra antes de pedir obediência. A obediência não é a condição para receber a graça; é a resposta para a qual a graça foi dada, como Deuteronômio ensina ao mandar que os pais expliquem aos filhos os mandamentos contando-lhes a saída do Egito (Dt 6.20-25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E o salmo termina com hallelu-Yah, palavra que abre o salmo seguinte (Sl 106.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

No conjunto, a estrutura é a de um recital emoldurado pela memória: o povo deve lembrar (v. 5) porque Deus se lembra (vv. 8, 42). Dentro da moldura, a história avança pelos patriarcas, por José, pelo Egito, pelas pragas e pelo deserto, e em todos os movimentos o sujeito dos verbos principais é Deus: ele repreende, chama a fome, envia, multiplica, muda corações, fala, fere, tira, estende, sacia, abre, dá. Ao povo cabe receber e, no fim, guardar e louvar.


✨ 4. Versículos-Chave

Sl 105.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — A fidelidade que não tem prazo. Deus se lembra da sua aliança para sempre, da palavra dada a mil gerações; o v. 42 repete a afirmação na conclusão. No Novo Testamento, ela aparece no cântico de Zacarias, pai de João Batista, que bendiz a Deus porque a misericórdia prometida aos antepassados chegou e porque ele se mostrou fiel à aliança santa e ao que tinha jurado a Abraão (Lc 1.72-73 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Sl 105.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Deus ao lado dos pequenos. A proibição de tocar nos ungidos protege os patriarcas, estrangeiros e sem defesa, contra reis poderosos. O verso revela um Deus que toma como ofensa a si o mal feito aos seus. Quando Saulo perseguia os discípulos, o Senhor ressuscitado lhe perguntou por que o perseguia, identificando-se com eles (At 9.4-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Sl 105.19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — A palavra que prova. Até que a palavra se cumprisse, a palavra do Senhor provou José. A promessa recebida pode ser, por um tempo, o fogo que purifica, quando tudo parece negá-la. José não foi poupado da prisão; foi formado nela. O verso ilumina também o caminho de Cristo, que, sendo Filho, conheceu no sofrimento o que é obedecer (Hb 5.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e só entrou na glória depois de padecer (Lc 24.26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Sl 105.45 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — A graça que gera obediência. Tudo o que Deus fez, de Abraão à terra, foi para que o povo guardasse os seus decretos. A Lei vem depois da graça, como resposta a ela. Paulo ensinará o mesmo aos efésios: a salvação é presente recebido pela fé, e não salário de obras, e quem a recebeu foi refeito em Cristo para uma vida de obras boas que Deus mesmo já tinha preparado (Ef 2.8-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).


⛪ 5. Temas Teológicos Centrais

A fidelidade de Deus à aliança. O salmo inteiro demonstra que Deus cumpre o que promete. Paulo dirá que todas as promessas de Deus têm em Cristo a sua confirmação (2Co 1.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e a carta aos Hebreus lembra que Deus, querendo mostrar aos herdeiros da promessa que o seu propósito não muda, acrescentou o juramento a Abraão, e assim a esperança cristã ficou presa a um ponto que não se move (Hb 6.13-19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A providência que governa a história. Do coração dos reis aos insetos do Egito, nada está fora do governo de Deus, nem a maldade humana. Isso não faz de Deus autor do mal; faz dele o Senhor que o converte em instrumento do bem, como José reconheceu diante dos irmãos (Gn 50.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Novo Testamento aplicará essa lógica à cruz: Jesus foi entregue conforme o plano que Deus traçara e, ao mesmo tempo, morto por homens que agiram contra toda a lei (At 2.23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); At 4.27-28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A providência não elimina a responsabilidade humana, mas garante que ela não terá a última palavra.

A memória como fé e como missão. O salmo começa mandando lembrar e anunciar. Em Israel, lembrar era ato de culto (Dt 26.5-9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e a memória tinha destino: as nações (v. 1). Na Igreja, essa memória se concentra na ceia, que proclama a morte do Senhor enquanto se espera a sua volta (1Co 11.26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E o anúncio se volta para todos os povos (Mt 28.19-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), porque a Igreja, como Israel no v. 1, existe para tornar conhecidos os feitos admiráveis do Deus que a tirou da escuridão (1Pe 2.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A graça que precede a obediência. O salmo só fala da Lei no último versículo, na mesma ordem do Sinai, onde os mandamentos são precedidos pela lembrança de que Deus tirou o povo do Egito, onde eram escravos (Ex 20.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A obediência não comprou a terra; a terra foi dada para que houvesse obediência. O povo falhou nessa resposta, mas os profetas anunciaram uma nova aliança, com a lei de Deus escrita no coração (Jr 31.33 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Ez 36.27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), inaugurada no sangue de Cristo (Lc 22.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), que forma para si um povo resgatado e purificado, ardoroso em fazer o bem (Tt 2.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).


✝️ 6. Visão Cristocêntrica — Cristo neste Capítulo

6.1 — A Grande Narrativa: onde este capítulo se encontra no arco redentor?

O Salmo 105 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) é um resumo da Redenção em andamento, do chamado de Abraão (Gn 12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) à posse da terra (Js 24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Não fala diretamente da Criação nem da Queda, mas o salmo anterior canta a criação (Sl 104 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e o seguinte confessa o pecado do povo (Sl 106 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A história que ele conta é a resposta de Deus à Queda: diante de um mundo dispersado em Babel (Gn 11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), Deus escolhe um homem e promete fazer dele o caminho da bênção para os povos (Gn 12.1-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A Redenção consumada é o momento em que essa aliança se cumpre em Cristo, o descendente de Abraão por quem a bênção chega às nações (Gl 3.8, 14, 16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E a Nova Criação é a herança definitiva. Canaã, a porção da herança (v. 11), era penhor de algo maior: Paulo diz que a promessa a Abraão era a de herdar o mundo (Rm 4.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e Jesus inclui a terra na herança dos mansos (Mt 5.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). No fim, o povo de Deus, vindo de todas as nações, habitará a nova terra onde Deus mesmo estará com ele (Ap 21.1-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

6.2 — José, o rejeitado que sobe ao trono (tipologia)

A história de José, resumida nos vv. 16-22, é uma das figuras mais ricas de Cristo no Antigo Testamento. É preciso dizer o que se faz aqui: o Novo Testamento não aplica o Salmo 105 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) a Jesus nem chama José de tipo de Cristo com todas as letras. Mas a leitura tem fundamento. No discurso de Estêvão, José aparece dentro de um padrão: os patriarcas, por inveja, o venderam, mas Deus estava com ele e o fez governador do Egito (At 7.9-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); depois o povo rejeitou Moisés, enviado como libertador (At 7.35 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); por fim, os ouvintes de Estêvão entregaram e mataram o Justo anunciado pelos profetas (At 7.51-52 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A tipologia de José está dentro desse padrão de libertadores rejeitados que culmina em Jesus.

Os pontos de contato estão em parte no próprio salmo. José foi enviado por Deus à frente dos irmãos para preservar a vida deles (v. 17; Gn 45.5-7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); o Filho foi enviado pelo Pai ao mundo numa missão de salvação, e não de condenação (Jo 3.17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). José foi vendido pelos irmãos por peças de prata (Gn 37.28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); Jesus foi entregue por um dos seus discípulos por trinta moedas (Mt 26.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). José foi provado pela palavra até o tempo marcado (v. 19); Jesus caminhou para a sua hora, que o Evangelho de João anuncia como ainda não chegada (Jo 2.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Jo 7.30 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) até que ela chega (Jo 12.23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Jo 17.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). José foi tirado da prisão e feito senhor da casa do rei (vv. 20-21); Jesus foi tirado da morte e elevado por Deus à posição mais alta, com o nome diante do qual toda a criação há de se dobrar e reconhecer o seu senhorio (Fp 2.9-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). José ensinou sabedoria aos anciãos do Egito (v. 22); Paulo diz que Deus guardou em Cristo, como num cofre, as riquezas inteiras do saber e do entendimento (Cl 2.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Há também um ponto teológico. O salmo põe juntos o crime dos irmãos e o envio de Deus (v. 17), e a cruz é o lugar em que essa estrutura chega ao extremo. Pedro diz que Jesus foi entregue segundo o plano e o conhecimento prévio de Deus e que, apesar disso, os que o pregaram na cruz eram culpados do que fizeram (At 2.23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Foi mal verdadeiro, e Deus o transformou na salvação do mundo.

A tipologia tem limites. José não morreu pelos irmãos, e a sua exaltação não foi ressurreição; ele salvou a vida física de uma família durante uma fome, e Cristo salva para a vida eterna. Mas é assim que a tipologia funciona: o tipo é sombra verdadeira, e o antítipo o ultrapassa infinitamente.

6.3 — A aliança lembrada: de Abraão a Zacarias

O centro do salmo é a afirmação de que Deus se lembra da sua aliança com Abraão (vv. 8-10, 42). Ela teve um cumprimento histórico parcial na posse da terra no tempo de Josué, que o v. 44 celebra. Mas o salmo, cantado por um povo que voltara a perder a terra, mostra que esse cumprimento não esgotou a promessa: a aliança é eterna (v. 10), e a sua plenitude ainda estava por vir.

O Evangelho de Lucas diz onde ela chegou. Abre com dois cânticos que retomam a linguagem do Salmo 105 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba). Maria louva a Deus porque ele veio em socorro de Israel, o seu servo, sem esquecer a misericórdia prometida a Abraão e aos seus descendentes, para sempre (Lc 1.54-55 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Zacarias bendiz o Deus que veio ao encontro do seu povo para o resgatar, fazendo surgir da casa de Davi um salvador poderoso, em fidelidade à aliança santa e ao que jurara a Abraão (Lc 1.68-73 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E Zacarias acrescenta o propósito: um povo liberto, que já não precisa temer, dedicado a Deus em santidade e retidão (Lc 1.74-75 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). É o v. 45 transposto para a nova aliança.

Pedro, no templo, lembra aos judeus que são herdeiros da aliança feita com os pais, cuja promessa era levar a bênção a todos os povos por meio da descendência de Abraão, e anuncia que Deus ressuscitou o seu Servo e o mandou primeiro a eles, para os abençoar e os desviar do mal (At 3.25-26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Paulo observa que as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente, no singular, e identifica esse descendente com Cristo (Gl 3.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); quem é de Cristo entra nessa descendência e recebe a herança prometida (Gl 3.29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Há ainda a dimensão escatológica. Hebreus diz que os patriarcas viveram como estrangeiros na terra prometida (Hb 11.9, 13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), como o v. 12 os descreve, e que ansiavam por uma pátria superior, no céu; por isso Deus aceita de bom grado ser conhecido como o Deus deles e tem uma cidade preparada para eles (Hb 11.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O cumprimento pleno da promessa da terra é a nova criação, que a Igreja ainda espera.

6.4 — Os ungidos, a rocha e o pão: Cristo no caminho do êxodo

O Ungido entregue aos reis. O v. 15 mostra Deus proibindo aos reis que toquem nos seus ungidos. Mas há um Ungido a quem Deus permitiu que os reis tocassem. A igreja de Jerusalém, depois da primeira perseguição, leu o Salmo 2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), sobre a conspiração dos poderosos contra o Senhor e o seu Ungido, e o aplicou a Herodes e a Pôncio Pilatos, aliados contra Jesus, o Servo santo que Deus ungiu; e reconheceu que, ao fazê-lo, eles executaram apenas o que Deus já tinha decidido (At 4.25-28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os ungidos de Gênesis escaparam porque Deus repreendeu os reis; o Ungido de Deus não escapou, porque o Pai não o poupou, mas o deu em nosso favor (Rm 8.32 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E nele os crentes são agora ungidos e selados pelo Espírito (2Co 1.21-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 1Jo 2.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O cuidado do v. 15, que protegia uma família de peregrinos, cobre agora todo o povo de Cristo, até o menor deles.

O êxodo de Jesus. No monte da transfiguração, Moisés e Elias conversaram com Jesus sobre a partida que ele cumpriria em Jerusalém, e a palavra de Lucas é êxodo (Lc 9.31 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Novo Testamento lê a morte e a ressurreição de Jesus como o grande êxodo que as pragas e a saída do Egito prefiguravam, e Paulo identifica Cristo com o cordeiro da Páscoa, sacrificado em favor do seu povo (1Co 5.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Na noite em que o Egito perdeu os seus primogênitos (v. 36), Israel foi poupado pelo sangue do cordeiro; na cruz, o próprio Filho de Deus foi entregue para que os filhos de Deus fossem poupados. O povo saiu do Egito com júbilo (v. 43); o Apocalipse mostra os vencedores, diante de Deus, entoando o hino que leva o nome de Moisés e do Cordeiro (Ap 15.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O pão e a água no deserto. Depois da multiplicação dos pães, a multidão lembrou a Jesus o maná que os pais comeram no deserto, o alimento vindo do céu de que fala também o v. 40. Jesus corrigiu a lembrança: o doador do maná não fora Moisés, e o Pai é quem agora oferece o alimento verdadeiro, que é o próprio Jesus, o pão da vida, capaz de saciar para sempre quem se achega a ele (Jo 6.31-35 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Sobre a rocha, Paulo é explícito: identifica com o próprio Cristo a rocha espiritual que acompanhava Israel e da qual todos beberam (1Co 10.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E Jesus, na festa das Tendas, chamou para junto de si os sedentos e prometeu que de quem crê correria água viva em abundância (Jo 7.37-39 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Paulo acrescenta o que o Salmo 105 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) calou: muitos dos que comeram e beberam caíram no deserto, e isso foi escrito para nos advertir (1Co 10.5-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A graça não é licença para a incredulidade.

A face de Deus. O v. 4 manda buscar sempre a face de Deus. Paulo diz que é no rosto de Cristo que a glória de Deus se deixa conhecer (2Co 4.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)): para o cristão, buscar a face de Deus é buscar Cristo.

6.5 — O Evangelho no capítulo

Pregar o Salmo 105 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) cristocentricamente é contar a história da fidelidade de Deus até o seu ponto culminante. E deixa uma pergunta: se Deus se lembrou da aliança com Abraão durante séculos de peregrinação, fome, prisão e escravidão, onde essa lembrança chegou ao fim? O Novo Testamento responde que foi em Jesus. Nele, Deus mostrou que não tinha esquecido a aliança santa (Lc 1.72-73 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O evangelho aparece no salmo em forma de sombra: no José vendido e exaltado, que salva os irmãos que o traíram; no povo poupado na noite do juízo; na rocha aberta e no maná, que apontam para aquele que se deu como alimento e fonte de vida.

E o salmo termina com o propósito: Deus não salvou o seu povo para que vivesse como quisesse, mas para que guardasse os seus caminhos (v. 45). O evangelho é perdão e é o começo de uma vida nova, em que a obediência brota da gratidão. A última palavra é aleluia, e o primeiro verso pede que esse louvor seja levado aos povos. Para a Igreja, isso significa contar ao mundo a história que culmina em Cristo.


🔗 7. Conexões Bíblicas (Teologia Bíblica Canônica)


🌍 8. Aplicação Prática Contemporânea com Fundamento Cristológico

Lembre-se do que Deus fez. O salmo abre mandando lembrar, e a falta de memória é um mal do nosso tempo. Quem esquece as provas da fidelidade de Deus fica sem recursos quando a crise chega. Conte de novo, para si e para os seus, o que Deus fez, e ponha no centro dessa memória a cruz e a ressurreição de Cristo, que a ceia nos chama a recordar até que ele volte.

Espere com José. A palavra do Senhor provou José até que se cumprisse (v. 19). Há quem viva anos em que tudo parece desmentir a promessa recebida: uma doença que não passa, uma injustiça que não se desfaz. O salmo não oferece explicação fácil para a espera, mas mostra que ela tem fim marcado e que Deus não está ausente enquanto ela dura. Cristo, que caminhou para a sua hora sem pressa e sem atraso, é companhia e garantia para quem ainda está na prisão de José.

Não faça da Bíblia um escudo. O v. 15 foi transformado, em muitos lugares, numa proibição de questionar líderes religiosos, quando diz o contrário: Deus protege os fracos contra os poderosos. Se você é líder, não se esconda atrás deste versículo; ele não o isenta de prestar contas. Se você foi ferido por quem deveria cuidar de você, saiba que o Deus do Salmo 105 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) se põe do lado dos pequenos e que, em Cristo, toma como feito a ele o que se faz contra os seus.

Obedeça como quem foi salvo. O salmo só fala da Lei no fim, depois de contar tudo o que Deus fez. A obediência cristã não conquista o favor de Deus; responde a ele. A gratidão é a força mais duradoura de uma vida santa.


🤔 9. Perguntas para Reflexão e Estudo

  1. O salmo conta a história de Israel sem mencionar nenhum pecado do povo, enquanto o Salmo 106 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) a conta destacando as suas falhas. Por que os dois foram postos lado a lado? O que se perde quando se lê só um deles?
  2. O v. 8 diz que Deus se lembra da aliança para sempre, e o v. 5 manda o povo lembrar. Qual é a relação entre a memória de Deus e a nossa? Como os cânticos de Maria e de Zacarias (Lc 1.54-55, 72-73 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) mostram essa memória cumprida em Cristo?
  3. Releia o v. 15 à luz de Gênesis (Gn 12.10-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gn 20.1-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gn 26.1-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Quem são os ungidos, e de quem Deus os protege? Que consequências isso tem para o modo como o versículo costuma ser usado?
  4. O v. 19 diz que a palavra do Senhor provou José. Você já viveu um tempo em que uma promessa de Deus parecia desmentida pelos fatos? O que o caminho de José, e o de Cristo, ensinam sobre esse tempo?
  5. Compare a história de José (vv. 16-22) com a de Jesus. Onde a semelhança é mais clara, e onde Cristo ultrapassa o que José prefigurou (At 2.23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Fp 2.9-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))?
  6. Para meditação e oração: escreva, à maneira do salmo, um breve recital das obras de Deus na sua vida, começando pelo que Cristo fez por você. Termine com um aleluia e com o pedido de um coração disposto a guardar os caminhos de Deus.

📚 10. Para Aprofundamento

Cristocêntrica / Teologia Bíblica:

  • Sidney Greidanus — Preaching Christ from the Old Testament (Eerdmans, 1999)
  • Sidney Greidanus — Preaching Christ from Genesis (Eerdmans, 2007), com o tratamento da história de José
  • Christopher J. H. Wright — Conhecendo Jesus através do Antigo Testamento (Ultimato) / Knowing Jesus Through the Old Testament (IVP, 1992)
  • Dietrich Bonhoeffer — Das Gebetbuch der Bibel (1940), sobre os salmos como oração de Cristo com a Igreja
  • Gerald H. Wilson — The Editing of the Hebrew Psalter (Scholars Press, 1985), sobre a organização do Saltério em cinco livros

Comentários dos Salmos:

  • Derek Kidner — Salmos 73–150 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba): introdução e comentário (Vida Nova, série Cultura Bíblica)
  • Leslie C. Allen — Psalms 101–150 (Word Biblical Commentary)
  • Nancy deClaissé-Walford, Rolf A. Jacobson e Beth LaNeel Tanner — The Book of Psalms (NICOT, Eerdmans, 2014)
  • Frank-Lothar Hossfeld e Erich Zenger — Psalms 3: A Commentary on Psalms 101–150 (Hermeneia, Fortress)
  • James L. Mays — Psalms (Interpretation, John Knox, 1994)
  • João Calvino — comentário ao livro dos Salmos
  • Agostinho — Comentário aos Salmos (Paulus, coleção Patrística)

Sabedoria para o Cotidiano
O Deus do Salmo 105 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) se lembrou de uma promessa durante séculos de peregrinação, fome, prisão e escravidão, e a cumpriu; ele não esquece a palavra que deu a você em Cristo. Quando a espera parecer longa como os anos de José na prisão, conte de novo o que Deus já fez e deixe que a promessa o refine em vez de o amargar. E viva como quem foi tirado do Egito com alegria: lembrando, agradecendo, obedecendo por gratidão e contando aos outros a história que termina em Jesus.

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