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Salmos · 19 de 66 · Antigo Testamento

Salmos — Capítulo 111

Infográfico de “Salmos 111 — Capítulo a capítulo”, gerado automaticamente a partir do estudo publicado, com 5 partes: O louvor no meio dos retos; Obras grandes, estudadas e lembradas; O sustento, a aliança e a herança; Preceitos firmes e redenção enviada; O temor que abre a sabedoria.

Título do capítulo: As obras que ensinam a temer
Gênero literário: Poesia/Salmo (hino de louvor e ação de graças em forma de acróstico alfabético, com fecho sapiencial: as obras de Deus na história de Israel, a memória das suas maravilhas, a aliança lembrada e a redenção enviada, coroadas pela afirmação de que o temor do Senhor é o ponto de partida da sabedoria; forma par com o Salmo 112 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))
Número de versículos: 10

Nota de precisão: a numeração segue a tradição das Bíblias em português. O salmo não tem inscrição de autoria; abre com o grito de louvor halelu-yah, que no hebraico faz parte do primeiro versículo, de modo que os números coincidem com os do texto hebraico impresso. Na antiga tradução grega, que junta os Salmos 9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e 10, este é o salmo cento e dez. O acróstico conta vinte e duas linhas, e não dez versículos: a divisão em versículos é posterior e não acompanha a das letras, como se explica adiante.


🏛️ 1. Contexto Histórico e Cultural

O Salmo 111 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) está no quinto e último livro do Saltério (Sl 107–150 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), logo depois do Salmo 110 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), em que o Senhor entroniza o rei à sua direita e o declara sacerdote para sempre. Em seguida vem um pequeno grupo de salmos que começam ou terminam com o halelu-yah, o convite a louvar o Senhor. O 111 e o 112 abrem esse grupo e foram compostos claramente como um par. Os dois são acrósticos alfabéticos perfeitos, cada um com vinte e duas linhas curtas, e cada linha começa com uma letra do alfabeto hebraico, da primeira à última, sem faltar nenhuma. Nos dois, os oito primeiros versículos têm duas linhas cada, e os dois últimos têm três. As vinte e duas letras ficam, assim, distribuídas da mesma maneira em ambos.

O parentesco não para na forma. O 111 fala de Deus e das suas obras; o 112 fala do homem que teme a Deus. E o segundo repete de propósito expressões do primeiro, transferindo para o fiel aquilo que foi dito do Senhor. A justiça de Deus permanece para sempre (Sl 111.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); a justiça do homem que o teme também permanece (Sl 112.3, 9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Senhor é clemente e compassivo (Sl 111.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); o justo é descrito com as mesmas palavras (Sl 112.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O 111 termina pondo o temor do Senhor na raiz da sabedoria (Sl 111.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); o 112 começa declarando feliz quem teme o Senhor (Sl 112.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Quem lê os dois em sequência percebe a tese implícita: o ser humano que teme a Deus passa a refletir, na medida de uma criatura, o caráter do Deus que ele teme.

A Bíblia hebraica conhece outros poemas alfabéticos: os Salmos 9–10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), 25, 34, 37, 119 e 145, o elogio da mulher virtuosa em Provérbios (Pv 31.10-31 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e os quatro primeiros capítulos de Lamentações. O recurso tinha várias funções. Ajudava a memorizar, num tempo em que a maioria aprendia ouvindo e repetindo. Dava ao poema um senso de inteireza, como quem diz que vai falar do assunto de ponta a ponta, do álefe ao tau. E impunha disciplina ao poeta, que precisava escolher cada palavra também pela letra inicial. O resultado, no Salmo 111 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), é um texto de frases curtas e densas, quase lapidares, em que cada linha pode ser lida sozinha, como uma pequena confissão de fé.

Não há inscrição de autoria nem indicação de ocasião. A forma acróstica, certos traços da linguagem e a afinidade com a literatura sapiencial levaram muitos estudiosos a situar o salmo depois do exílio, num tempo em que Israel, já sem rei, se reunia em torno da Lei e do templo reconstruído e relia a sua história para aprender dela. A datação é provável, não certa. O salmo mesmo, porém, mostra o seu ambiente: o louvor se faz no meio dos retos e na assembleia (v. 1), e o conteúdo é a memória das grandes obras de Deus, do Êxodo à posse da terra, recitada no culto como instrução para quem ouve.

Há ainda um detalhe curioso da história da recepção. O v. 2, que diz que as obras do Senhor são grandes e investigadas por todos os que nelas se comprazem, foi gravado em latim nas portas do antigo Laboratório Cavendish, em Cambridge, inaugurado no século XIX; segundo a tradição do próprio laboratório, a escolha foi sugerida pelo físico James Clerk Maxwell. Muitos cientistas cristãos viram no versículo uma vocação: estudar a criação é uma forma de investigar as obras de Deus com gosto. O salmo pensa primeiro nas obras de Deus na história de Israel, mas a leitura não é estranha a ele, pois o mesmo Saltério celebra as obras do Criador na natureza (Sl 104.24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).


📜 2. Resumo Narrativo / Conteúdo do Capítulo

O salmo se abre com o convite comunitário ao louvor e logo passa à primeira pessoa: o salmista se compromete a agradecer ao Senhor sem reservas, tanto na roda íntima dos que andam com retidão quanto diante do povo reunido (v. 1).

O assunto vem em seguida: as obras do Senhor, que ele declara grandiosas e dignas de ser pesquisadas por quem nelas encontra alegria (v. 2). O que Deus faz tem o brilho de um rei, e a sua justiça não se desgasta com o tempo (v. 3). Ele mesmo cuidou para que os seus feitos admiráveis não caíssem no esquecimento, e o seu caráter é de graça e de compaixão (v. 4).

O poema desce então à história. Deus alimentou os que viviam na reverência diante dele e não perde de vista a aliança que firmou (v. 5). Deu ao seu povo uma prova do seu poder quando lhe entregou a terra que antes pertencia a outras nações (v. 6).

Tudo o que as mãos de Deus realizam é fiel e justo, e as suas ordens merecem toda confiança (v. 7). Elas têm apoio que não cede, porque nasceram da fidelidade e da retidão (v. 8). Ele mandou ao seu povo o resgate, deu à aliança validade perpétua, e o seu nome inspira ao mesmo tempo santidade e reverência (v. 9).

O fecho tem o tom dos sábios de Israel: a reverência diante do Senhor está na raiz da sabedoria, e quem pratica o que ele ordena mostra discernimento. E o louvor que lhe é devido não terá fim (v. 10).


🔍 3. Análise por Seções (Perícopes)

Versículo 1 — O louvor no meio dos retos
O halelu-yah que abre o salmo fica fora do acróstico: é o convite comunitário, a moldura litúrgica. O acróstico começa logo depois, com a palavra 'odeh, darei graças, que começa com a primeira letra do alfabeto. O verbo yadah é o da confissão agradecida: reconhecer em público o que Deus fez. O salmista se compromete a fazê-lo bekhol-levav, com todo o coração, expressão que no Antigo Testamento indica uma devoção sem divisão (Dt 6.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Sl 9.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Não se trata de entusiasmo emocional, mas de inteireza: o coração, na antropologia hebraica, é o centro das decisões, da memória e do entendimento.

O lugar desse louvor é descrito com duas palavras. Sod é o conselho, o círculo de confiança, o grupo pequeno de quem conversa de perto; 'edah é a assembleia maior, a congregação reunida. O louvor de Israel acontece nas duas esferas, na roda dos amigos fiéis e no ajuntamento de todo o povo. A palavra yesharim, os retos, já antecipa o fim do salmo e o Salmo 112 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), em que a geração dos retos será abençoada (Sl 112.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O salmista não louva sozinho, e o que ele vai dizer não é uma experiência privada; é a memória comum de um povo.

Versículos 2-4 — Obras grandes, estudadas e lembradas
O v. 2 dá o assunto do salmo: ma'ase YHWH, as obras do Senhor. São gedolim, grandes, e derushim, buscadas, investigadas. O verbo darash é o de quem procura com empenho, consulta, examina; no período pós-exílico, ele passou a ser usado para o estudo atento da Lei (Ed 7.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A frase final diz que essas obras são investigadas por todos os que têm prazer nelas, e a palavra ḥefets, prazer, deleite, reaparecerá no Salmo 112 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) para descrever quem se compraz nos mandamentos de Deus (Sl 112.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Há aqui uma pequena teologia do estudo: as obras de Deus não se deixam conhecer por quem as olha de passagem, mas por quem se alegra nelas e por isso volta a elas.

O v. 3 usa um par de palavras que o Saltério reserva à realeza: hod-wehadar, esplendor e majestade (Sl 96.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Sl 104.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A ação de Deus, po'al, tem a beleza de um rei. E a segunda linha introduz uma das frases-chave do par de salmos: a tsedaqah de Deus, a sua justiça, 'omedet la'ad, permanece de pé para sempre. Justiça, aqui, não é só a aplicação de uma norma; é a fidelidade de Deus em fazer o que é certo, em honrar os compromissos, em pôr as coisas no lugar. Ela não se gasta com o tempo, como se gastam as obras dos homens.

O v. 4 é dos mais ricos do salmo. A primeira linha diz que Deus fez um zeker, uma memória, um memorial, para as suas nifle'ot, as suas maravilhas. Pode-se entender de dois modos complementares. As maravilhas são tão grandes que ficam gravadas na memória de quem as viu. Mas também, e mais propriamente, Deus mesmo providenciou que fossem lembradas: instituiu meios de memória. A palavra lembra a instituição da Páscoa, que Deus deu a Israel como dia de memória, zikkaron, a ser celebrado de geração em geração (Ex 12.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e as pedras tiradas do Jordão para que os filhos perguntassem por elas (Js 4.6-7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A fé de Israel não vivia de experiências soltas; vivia de memória celebrada, e o próprio Deus deu forma a essa memória.

A segunda linha do v. 4 cita, quase como fórmula, a revelação do nome divino a Moisés no Sinai, quando o Senhor passou diante dele e se declarou compassivo e clemente, lento para a ira e rico em amor leal e fidelidade (Ex 34.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O salmo inverte a ordem habitual dos dois adjetivos, ḥannun weraḥum, clemente e compassivo, provavelmente por causa do acróstico, pois a linha precisa começar com a oitava letra. O efeito teológico é claro: as maravilhas da história revelam um caráter. Deus não é apenas poderoso; é misericordioso. E o Salmo 112 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) aplicará os mesmos dois adjetivos ao justo (Sl 112.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Versículos 5-6 — O sustento, a aliança e a herança
Com o v. 5 o salmo entra na história do Êxodo e do deserto, sem nomear os episódios, mas deixando-os claros para quem conhece a narrativa. Deus deu teref aos que o temem. A palavra é surpreendente: costuma designar a presa de um animal, o alimento arrancado pela fera (Gn 49.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Na 2.12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Aqui ela foi escolhida em parte pela letra do acróstico, mas também traz uma nuance: é alimento obtido no meio do deserto, onde não haveria nada a comer. O leitor pensa no maná e nas codornizes (Ex 16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Nm 11.31-32 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A menção aos que vivem no temor de Deus antecipa o v. 10: o sustento vem aos que vivem na reverência diante dele.

A segunda linha diz que Deus se lembra le'olam, para sempre, da sua berit, a aliança. A memória volta, agora do lado de Deus. Israel lembra as maravilhas porque Deus se lembra da aliança. No Êxodo, foi exatamente assim que tudo começou: Deus ouviu o gemido do povo no Egito e se lembrou da aliança com Abraão, Isaque e Jacó (Ex 2.24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O verbo zakhar na Bíblia não indica apenas recordar um dado, mas agir por causa do que se recorda.

O v. 6 lembra a conquista da terra. Deus anunciou ao seu povo o koaḥ, a força, das suas obras, ao lhe dar a naḥalah, a herança, das nações. A herança é a terra de Canaã, entregue a Israel não por mérito militar, mas por dom de Deus, como Deuteronômio insiste (Dt 9.4-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O salmo resume em duas linhas a trajetória de Êxodo a Josué: libertação, sustento no deserto, aliança no Sinai, entrada na terra. E chama tudo isso de obras.

Versículos 7-9 — Preceitos firmes e redenção enviada
O v. 7 faz uma passagem importante: das obras de Deus aos piqqudim, os seus preceitos. As obras das mãos dele são 'emet umishpat, verdade e justiça; e os preceitos são ne'emanim, confiáveis, firmes, da mesma raiz de 'emet e de 'amen. O salmo coloca no mesmo plano o que Deus fez e o que Deus mandou. A Lei não é um corpo estranho à história da salvação; é parte das obras de Deus, tão fidedigna quanto a abertura do mar. O Salmo 19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) faz a mesma ligação, passando da glória de Deus nos céus à perfeição da sua instrução (Sl 19.1-7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O v. 8 insiste na firmeza. Os preceitos são semukhim, apoiados, sustentados, para sempre e eternamente, e feitos be'emet weyashar, em verdade e retidão. A palavra samukh voltará no Salmo 112 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) para descrever o coração do justo, firme e sem medo (Sl 112.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Aquilo que é firme em Deus torna firme quem confia nele.

O v. 9 tem três linhas e é o ponto alto teológico do hino. A primeira diz que Deus enviou pedut ao seu povo. Padah é o verbo do resgate, do preço pago para libertar alguém, e é o verbo usado para o Êxodo: o Senhor resgatou Israel da casa da escravidão (Dt 7.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Dt 15.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O salmo diz que ele enviou esse resgate, como quem despacha um mensageiro. A segunda linha volta à aliança: Deus a ordenou para sempre. E a terceira proclama o nome: qadosh wenora' shemo, santo e temível é o seu nome. O nome de Deus, isto é, o próprio Deus tal como se revelou, é ao mesmo tempo separado de tudo o que é comum e digno de reverência. A palavra nora', temível, vem do mesmo verbo de yir'ah, temor, e prepara o versículo seguinte.

Versículo 10 — O temor que abre a sabedoria
O salmo termina com uma frase que pertence ao coração da literatura de sabedoria de Israel. Re'shit ḥokhmah yir'at YHWH: palavra por palavra, começo de sabedoria, temor do Senhor. A mesma ideia aparece em Provérbios, na abertura do livro e na conclusão da sua primeira parte (Pv 1.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Pv 9.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e no fim do poema de Jó sobre a sabedoria escondida (Jó 28.28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A palavra re'shit pode significar começo, ponto de partida, mas também a parte principal, as primícias, o melhor de algo. O temor do Senhor é, ao mesmo tempo, a porta de entrada e o centro da sabedoria. Não se deixa para trás depois de entrar.

Há uma beleza formal nesta linha: ela começa com resh, a vigésima letra, e por isso o poeta precisava de uma palavra com essa inicial. Escolheu re'shit, começo, justamente quando o alfabeto está chegando ao fim. Perto da última letra, o salmo fala do princípio. O que parecia um exercício de forma vira uma afirmação: tudo o que foi dito sobre as obras de Deus conduz a esse ponto, que é por onde a vida sábia começa.

O temor do Senhor, yir'at YHWH, não é pavor servil. É a reverência de quem reconhece que Deus é Deus: santo, grande, digno de confiança e de obediência. O salmo acabou de mostrar de onde nasce esse temor: das obras. Quem contempla o que Deus fez, a libertação, o sustento, a aliança, a redenção, aprende a temê-lo com o temor do amor. A segunda linha liga esse temor à prática: sekhel tov, bom entendimento, têm todos os que os praticam. O pronome no plural se refere, ao que tudo indica, aos preceitos do v. 7. A sabedoria bíblica não é especulação; é entendimento que se mostra na obediência.

A terceira linha, a última do acróstico, começa com tav: tehillato 'omedet la'ad, o seu louvor permanece para sempre. É a mesma expressão usada para a justiça de Deus no v. 3. O salmo começou com o louvor de um homem no meio dos retos e termina com um louvor que não acaba. A moldura se fecha: a justiça de Deus está de pé para sempre, e o louvor que ela provoca também.

Visto no conjunto, o salmo tem um movimento simples. Abre com o propósito de louvar (v. 1), contempla as obras e o caráter de Deus (vv. 2-4), percorre a história do sustento e da herança (vv. 5-6), passa da história aos preceitos e à redenção (vv. 7-9) e conclui com a sabedoria que nasce de tudo isso (v. 10). O acróstico impede que o poema se perca em narrativa; cada linha é uma pedra polida, mas as pedras formam um caminho que vai do louvor à sabedoria e de volta ao louvor.


✨ 4. Versículos-Chave

Sl 111.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — As obras de Deus, grandiosas e estudadas com gosto. O versículo faz da contemplação um dever alegre: Deus não deseja ser apenas admirado de longe, mas estudado com prazer. Na tradição cristã, ele inspirou cientistas a ver o estudo da natureza como forma de culto, e pregadores a ver o estudo da história da salvação como escola de fé. Para o leitor do Novo Testamento, a obra maior de Deus tem nome. O cântico de Moisés e do Cordeiro, no Apocalipse, retoma a linguagem dos salmos ao celebrar as obras grandes e admiráveis do Senhor, agora consumadas pelo Cordeiro (Ap 15.3-4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Sl 111.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — A memória das maravilhas e o caráter de quem as fez. O versículo une a liturgia e o caráter de Deus. A Páscoa foi o grande memorial de Israel (Ex 12.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); na noite em que foi entregue, durante a refeição pascal, Jesus deu aos discípulos um novo memorial, o pão e o cálice, para que o fizessem em memória dele (Lc 22.19-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 1Co 11.24-26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A maravilha central da fé cristã, a morte e a ressurreição de Cristo, também foi dada à Igreja para ser lembrada, celebrada e anunciada até que ele venha.

Sl 111.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — O resgate enviado, a aliança firmada e o nome santo. O versículo resume o Êxodo e, ao mesmo tempo, abre uma janela para o futuro. No Benedictus, Zacarias, cheio do Espírito, louva o Deus de Israel por ter vindo libertar o seu povo e por não se esquecer da aliança (Lc 1.68, 72 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), com o vocabulário deste salmo. O resgate enviado tem agora um rosto: Deus mandou o próprio Filho para libertar os que viviam sob a Lei (Gl 4.4-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Sl 111.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — A reverência diante do Senhor como ponto de partida da sabedoria. É uma das frases mais citadas do Antigo Testamento e faz do Salmo 111 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) uma ponte entre o louvor e a sabedoria. A tradição cristã sempre a leu como afirmação de que não há conhecimento verdadeiro que comece fora de Deus. O Novo Testamento acrescenta que Deus guardou em Cristo toda a riqueza da sabedoria e do conhecimento (Cl 2.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e que o deu aos crentes como a sabedoria que vem dele (1Co 1.30 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).


⛪ 5. Temas Teológicos Centrais

As obras de Deus como lugar da revelação. O salmo fala de Deus quase só pelo que ele fez. São obras grandes (v. 2), esplêndidas (v. 3), maravilhosas (v. 4), poderosas (v. 6), verdadeiras e justas (v. 7). A fé de Israel não começava por especulação sobre a natureza divina, mas pela memória dos atos de Deus na história: a saída do Egito, o deserto, o Sinai, a terra. É o que os estudiosos chamam de teologia da história, e o Salmo 111 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) a condensa em vinte e duas linhas. O Novo Testamento seguirá o mesmo caminho: o evangelho é, antes de tudo, a narrativa do que Deus fez em Cristo, e só depois a exposição do que isso significa (1Co 15.3-4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A memória como culto. O v. 4 diz que Deus fez memória das suas maravilhas, e o v. 5, que ele se lembra da sua aliança. Há uma memória de mão dupla: Deus lembra o seu compromisso, e o povo lembra as obras de Deus. O culto de Israel era em grande medida um exercício de memória: festas, recitações, pedras de testemunho, instrução dos filhos (Dt 6.20-25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O esquecimento era o grande perigo, como Deuteronômio adverte repetidas vezes (Dt 8.11-14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A Igreja herdou essa lógica. A Ceia é memorial; a pregação é recordação do evangelho; o batismo é sinal da obra de Cristo aplicada. Uma fé sem memória se torna uma fé sem conteúdo.

O caráter de Deus revelado na aliança. O salmo cita a fórmula do Sinai (Ex 34.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) para dizer que as obras de Deus revelam um caráter clemente e compassivo. Também afirma que a justiça de Deus permanece, que os seus preceitos são firmes, que a sua aliança é para sempre e que o seu nome é santo e temível. O retrato é equilibrado: o Deus de Israel é ao mesmo tempo terno e santo, próximo e temível. As duas coisas não se anulam. É justamente porque ele é santo que a sua compaixão é tão admirável, e é porque ele é compassivo que a sua santidade não esmaga o povo.

O temor do Senhor e a sabedoria prática. O fecho do salmo mostra que a contemplação das obras de Deus não termina em admiração estética, mas em sabedoria. E a sabedoria, por sua vez, começa e se sustenta no temor do Senhor e se manifesta na prática dos seus preceitos. O Salmo 112 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) desenvolverá o retrato de quem vive assim. No horizonte do Novo Testamento, esse temor não desaparece, mas é transformado: os cristãos são chamados a viver com reverência diante do Pai que julga com imparcialidade, sabendo que o preço do seu resgate não foi pago com metais que se gastam, mas com a vida entregue de Cristo, o cordeiro sem mancha (1Pe 1.17-19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O temor cristão é o de quem sabe quanto custou a sua redenção.


✝️ 6. Visão Cristocêntrica — Cristo neste Capítulo

6.1 — A Grande Narrativa: onde este capítulo se encontra no arco redentor?

O Salmo 111 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) é uma recapitulação poética da Redenção em andamento no Antigo Testamento. Ele percorre os grandes atos de Deus na história de Israel: o resgate do Egito, o sustento no deserto, a aliança do Sinai, a entrega da terra. A Criação aparece ao fundo, na grandeza das obras e no esplendor da ação divina; a Queda está implícita na necessidade de resgate, pois só se resgata quem está cativo. O salmo louva a obra de Deus como já realizada e, ao mesmo tempo, como algo que se estende para sempre: a aliança é eterna, a justiça permanece, o louvor não acaba. Essa eternidade aponta para a Redenção consumada em Cristo, quando Deus enviou o resgate definitivo, não para tirar um povo de um império, mas para tirar a humanidade da escravidão do pecado e da morte. E o louvor que permanece para sempre é o louvor da Nova Criação, onde os resgatados cantarão o cântico de Moisés e do Cordeiro diante do trono (Ap 15.3-4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

6.2 — O memorial das maravilhas: da Páscoa à Ceia

O v. 4 diz que Deus estabeleceu uma memória para as suas maravilhas. Em Israel, a principal forma dessa memória era a Páscoa, celebrada todos os anos como lembrança viva da noite em que o Senhor passou pelo Egito e poupou as casas marcadas pelo sangue do cordeiro (Ex 12.13-14, 26-27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Não era uma simples recordação histórica: cada geração era chamada a se ver como participante da saída do Egito (Ex 13.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Os Evangelhos situam a última ceia de Jesus no contexto da Páscoa. Ali, tomando o pão e o cálice, ele deu aos discípulos um novo memorial, ligado à sua própria morte, e lhes mandou que o fizessem em memória dele (Lc 22.19-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Paulo entende a Ceia como uma proclamação da morte do Senhor até que ele venha (1Co 11.26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e chama Cristo de nosso cordeiro pascal, já sacrificado (1Co 5.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Esta é uma leitura tipológica, e o próprio Novo Testamento a autoriza: a Páscoa de Israel era sombra, e a realidade é Cristo (Cl 2.16-17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Deus que fez memória das suas maravilhas no Egito fez memória da sua maior maravilha no Calvário. A Igreja, quando se reúne à mesa, faz o que o salmo descreve: lembra, dá graças com todo o coração e proclama que o Senhor é clemente e compassivo.

6.3 — A redenção enviada e a aliança lembrada

O v. 9 diz que Deus enviou redenção ao seu povo. No contexto original, a referência é ao Êxodo: Deus enviou Moisés, enviou as pragas, enviou a sua mão poderosa, e o povo foi resgatado. Mas a linguagem de enviar resgate abre uma porta que o Novo Testamento atravessa.

O primeiro a atravessá-la é Zacarias, pai de João Batista. O seu cântico, no início do Evangelho de Lucas, é tecido com linguagem dos salmos: ele bendiz o Deus de Israel porque veio ao encontro do seu povo para libertá-lo, fez surgir na casa de Davi uma força de salvação e não se esqueceu da aliança nem do juramento feito a Abraão (Lc 1.68-73 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). As duas ideias centrais do Salmo 111 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), a redenção enviada e a aliança lembrada (vv. 5, 9), estão ali, agora ligadas ao nascimento do Messias. Não é preciso supor que Zacarias citava este salmo especificamente; ele fala com o vocabulário que o Saltério ensinou a Israel, e o aplica ao que Deus está fazendo em Jesus.

Paulo dirá o mesmo de modo direto: no tempo que Deus havia marcado, ele mandou o seu Filho, nascido de uma mulher e sujeito à Lei, para libertar os que viviam debaixo dela (Gl 4.4-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E Jesus, falando da própria missão, disse que viera para servir e para entregar a própria vida como preço da libertação de muitos (Mc 10.45 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O resgate do Êxodo custou o sangue dos cordeiros; o resgate definitivo custou o sangue do Filho, que entrou no santuário uma vez por todas e obteve uma redenção eterna (Hb 9.12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A aliança que o salmo diz estar ordenada para sempre encontra em Cristo o seu mediador e a sua forma nova, selada no seu sangue (Lc 22.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Hb 9.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

6.4 — O Filho que realiza as obras do Pai e é a Sabedoria de Deus

O salmo é todo sobre as obras de Deus. No Evangelho de João, Jesus apresenta a sua missão como a realização das obras do Pai. Ele diz que o Pai não deixou de agir e que ele age junto com o Pai (Jo 5.17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); que as obras que o Pai lhe deu para realizar dão testemunho de que foi enviado (Jo 5.36 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); e, na oração final, que glorificou o Pai na terra, levando a termo a obra que recebera (Jo 17.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). As grandes obras que Israel estudava com prazer encontram nele a sua expressão mais alta: curas, sinais, o pão no deserto, a vitória sobre a morte.

O v. 5 fala do alimento dado aos que temem a Deus, eco do maná. O próprio Jesus fez essa ligação quando a multidão lhe lembrou o pão do céu dado aos pais no deserto: respondeu que o verdadeiro pão do céu é dado pelo Pai e que ele mesmo é o pão da vida, que sacia de modo definitivo (Jo 6.31-35 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O salmo louva o Deus que sustentou o seu povo no deserto; o Evangelho mostra que esse sustento era figura de outro alimento, que é o próprio Filho.

E o v. 10 põe o temor do Senhor na entrada da sabedoria. O profeta Isaías anunciou que sobre o broto que nasceria do tronco de Jessé, o rei futuro da casa de Davi, repousaria o Espírito do Senhor com os seus dons, entre eles a sabedoria e a reverência diante de Deus, e que esse rei teria prazer em temer o Senhor (Is 11.1-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Messias seria, ele mesmo, o homem perfeitamente sábio porque perfeitamente reverente diante de Deus. Hebreus lembra a oração angustiada de Jesus nos dias da sua vida terrena, feita em gritos e em pranto, e diz que ela foi atendida por causa da sua submissão reverente ao Pai (Hb 5.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Aquele que viveu o temor do Senhor sem falha é também aquele em quem Deus guardou toda a riqueza da sabedoria (Cl 2.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), a sabedoria de Deus em pessoa (1Co 1.24, 30 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O caminho do salmo, das obras de Deus ao temor e do temor à sabedoria, termina em Cristo.

6.5 — O Evangelho no capítulo

Pregar o Salmo 111 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) cristocentricamente é seguir o próprio movimento do salmo e levá-lo até o fim. O salmo convida a olhar para as obras de Deus. A maior delas não é a abertura do mar nem a entrega da terra, mas a cruz e o túmulo vazio. Ali se vê, como em nenhum outro lugar, que o Senhor é clemente e compassivo (v. 4), que a sua justiça permanece (v. 3), que ele não se esquece da aliança (v. 5) e que enviou redenção ao seu povo (v. 9).

O ouvinte é chamado, primeiro, a lembrar. A fé não nasce de uma ideia, mas de uma notícia: Deus agiu na história, no Egito e em Jerusalém, e a Ceia guarda essa memória até que Cristo volte. Depois, é chamado a temer, não com medo de castigo, mas com a reverência de quem descobriu o preço do resgate. E, por fim, é chamado à sabedoria: viver de acordo com os preceitos de um Deus que se mostrou digno de confiança. Quem foi resgatado pelo Cordeiro aprende a temer o Senhor, e quem o teme começa a ser sábio.


🔗 7. Conexões Bíblicas (Teologia Bíblica Canônica)


🌍 8. Aplicação Prática Contemporânea com Fundamento Cristológico

Estude as obras de Deus com prazer. O v. 2 descreve uma relação com Deus que vai além da emoção: é investigação alegre. Muitos crentes leem a Bíblia por obrigação, depressa, sem perguntar nada ao texto. O salmo propõe o contrário: voltar às obras de Deus como quem volta a uma paisagem amada, para ver o que ainda não tinha visto. Isso vale para a Escritura e vale para a criação. O cristão que estuda biologia, astronomia ou história pode fazê-lo como forma de culto, sabendo que a criação inteira existe por meio de Cristo e tem nele o seu destino (Cl 1.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Cultive a memória. O esquecimento é um dos grandes inimigos da fé. Esquecemos o que Deus fez ontem e caímos na ansiedade de hoje. O salmo convida a construir memoriais: guardar registro das respostas de Deus, contar aos filhos e aos netos as suas obras, participar da Ceia com atenção ao que ela significa. Cada vez que a Igreja parte o pão, ela se lembra de que o maior resgate já foi pago. Uma vida espiritual saudável é uma vida que lembra.

Deixe que as obras de Deus gerem temor. Há uma forma de cristianismo que fala muito do amor de Deus e quase nada da sua santidade. O salmo junta as duas coisas: o Senhor é clemente e compassivo (v. 4), e o seu nome é santo e temível (v. 9). A cruz é o lugar onde as duas aparecem juntas: ali se vê quanto Deus nos ama e quanto o pecado lhe é intolerável. Quem olha para a cruz aprende a temer a Deus sem fugir dele.

Comece pela reverência. Num tempo que valoriza a informação, o salmo lembra que a sabedoria não começa pela acumulação de dados, mas pela postura diante de Deus. Pais que educam filhos, professores, profissionais que tomam decisões difíceis: todos precisam de sabedoria, e o salmo indica onde ela começa. Antes de perguntar o que fazer, pergunte diante de quem você está. Em Cristo, a Sabedoria de Deus tem rosto, e quem anda com ele aprende a viver com discernimento.

Pratique o que entende. O v. 10 diz que têm bom entendimento os que praticam os preceitos. A sabedoria bíblica não termina no estudo; termina na obediência. A graça de Cristo não dispensa a obediência; ela a torna possível e alegre, porque quem foi resgatado deseja viver para quem o resgatou.


🤔 9. Perguntas para Reflexão e Estudo

  1. O salmo é um acróstico perfeito, com vinte e duas linhas. Que efeito essa forma produz no leitor? Por que um poeta escolheria falar das obras de Deus de ponta a ponta do alfabeto?
  2. O v. 4 diz que Deus fez memória das suas maravilhas. Que memoriais você reconhece na vida da Igreja e na sua própria vida? Como a Ceia do Senhor (Lc 22.19-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 1Co 11.24-26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) funciona como memória das obras de Deus?
  3. O salmo associa a ternura de Deus (v. 4) à sua santidade temível (v. 9). Qual dessas duas verdades você tende a esquecer? Como a cruz de Cristo mantém as duas juntas?
  4. Compare o v. 9 com o cântico de Zacarias (Lc 1.68-73 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Que palavras e ideias são comuns? O que muda quando a redenção enviada passa a ter o nome de Jesus?
  5. Por que a sabedoria começa pelo temor do Senhor (v. 10)? Como esse temor se diferencia do medo? Como ele se manifesta na prática?
  6. Para meditação e oração: escolha uma obra de Deus na sua história pessoal e uma obra de Deus na história da salvação, e dê graças por ambas, com todo o coração, como o salmista no v. 1.

📚 10. Para Aprofundamento

Cristocêntrica / Teologia Bíblica:

  • Sidney Greidanus — Preaching Christ from the Old Testament (Eerdmans, 1999)
  • Christopher J. H. Wright — Conhecendo Jesus através do Antigo Testamento (Ultimato) / Knowing Jesus Through the Old Testament (IVP, 1992)
  • Dietrich Bonhoeffer — Das Gebetbuch der Bibel (1940), sobre os salmos como oração de Cristo com a Igreja
  • Graeme Goldsworthy — According to Plan (IVP, 1991), sobre a teologia bíblica como história das obras de Deus

Comentários dos Salmos:

  • Derek Kidner — Salmos 73–150 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba): introdução e comentário (Vida Nova, série Cultura Bíblica)
  • Leslie C. Allen — Psalms 101–150 (Word Biblical Commentary)
  • Frank-Lothar Hossfeld e Erich Zenger — Psalms 3: A Commentary on Psalms 101–150 (Hermeneia, Fortress, 2011)
  • Nancy deClaissé-Walford, Rolf A. Jacobson e Beth LaNeel Tanner — The Book of Psalms (NICOT, Eerdmans, 2014)
  • James L. Mays — Psalms (Interpretation, John Knox, 1994)
  • Agostinho — Comentário aos Salmos (Paulus, coleção Patrística)

Sabedoria para o Cotidiano
As obras de Deus não foram feitas para serem esquecidas, mas lembradas, estudadas com prazer e contadas de geração em geração; quem olha para elas com atenção descobre um Deus clemente e santo ao mesmo tempo. Antes de buscar respostas para as decisões de hoje, lembre-se de quem ele é e do que já fez, e deixe que essa memória produza reverência. Em Cristo, o resgate foi enviado e a aliança foi selada para sempre: começar o dia diante dele, com temor e gratidão, é o primeiro passo de toda sabedoria.

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