Salmos · 19 de 66 · Antigo Testamento
Salmos — Capítulo 150
Título do capítulo: O aleluia de tudo o que respira
Gênero literário: Poesia/Salmo (hino de louvor em estado puro: dez ordens de louvar a Deus, que dizem onde, por que e com que instrumentos ele deve ser louvado, e terminam entregando o louvor a todo ser que respira; último dos cinco salmos de aleluia, do Salmo 146 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) ao Salmo 150 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), doxologia final do Quinto Livro e de todo o Saltério)
Número de versículos: 6
Nota de precisão: a numeração segue a tradição das Bíblias em português. O salmo não tem inscrição, e os números dos versículos coincidem com os do hebraico impresso; na antiga tradução grega, que a partir do Salmo 148 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) volta a coincidir com a contagem hebraica, ele também é o salmo cento e cinquenta. Essa tradução acrescenta depois dele um salmo curto, declarado fora da contagem, sobre o jovem Davi, e um dos rolos de Qumran traz uma forma hebraica desse texto; ele não faz parte do Saltério hebraico nem das Bíblias protestantes, e não é estudado aqui. Os nomes dos instrumentos do v. 3 ao v. 5 são traduzidos de modos diferentes, porque não se sabe com exatidão como eram alguns deles; o estudo indica o que é seguro e o que é provável.
🏛️ 1. Contexto Histórico e Cultural
O livro dos Salmos chega ao fim sem uma palavra de explicação. Não há resumo, não há conclusão doutrinária, não há uma última oração por socorro. Há um salmo de seis versículos em que quase todas as linhas começam pela mesma ordem, louvar, e que termina chamando ao louvor tudo o que tem fôlego. Depois de cento e quarenta e nove salmos de súplica, queixa, confissão, sabedoria, memória e ação de graças, o Saltério fecha com uma única palavra repetida, como uma orquestra que, depois de tocar todos os temas, sustenta o acorde final.
O Saltério está dividido em cinco livros, e cada um termina com uma doxologia, uma breve fórmula de bênção ao Senhor: no fim do Salmo 41 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) (Sl 41.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), do Salmo 72 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) (Sl 72.18-19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), do Salmo 89 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) (Sl 89.52 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e do Salmo 106 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) (Sl 106.48 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Quinto Livro, que vai do Salmo 107 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) ao Salmo 150 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), não termina com uma fórmula de uma linha, mas com cinco salmos inteiros de aleluia, e o último deles é inteiramente doxologia. Muitos estudiosos entendem que o Salmo 150 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) tem dupla função: fecha o Quinto Livro, como as outras doxologias fecham os seus, e fecha o Saltério como um todo. O Salmo 145 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) já anunciara esse desfecho ao terminar com a promessa de que todos os viventes darão bênção ao nome santo do Senhor (Sl 145.21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); os Salmos 146 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) a 150 cumprem o anúncio, e o 150 o leva ao limite.
Como todos os salmos do grupo final, este não tem autor declarado nem ocasião conhecida. A menção ao santuário e aos instrumentos usados no culto sugere o templo de Jerusalém, e a maioria dos estudiosos o situa no período depois do exílio, quando a coleção dos Salmos recebia a sua forma final. Mas a data importa pouco aqui. O Salmo 150 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) parece ter sido composto, ou ao menos posto neste lugar, justamente para servir de conclusão, e é como conclusão que deve ser lido.
O salmo também supõe uma prática concreta do culto de Israel. Os livros das Crônicas descrevem a organização da música no templo: os levitas cantores com liras, harpas e címbalos, os sacerdotes com as trombetas, e o canto coral de ação de graças (1Cr 15.16-24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 16.4-6; 25.1-7; 2Cr 5.12-13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Salmo 150 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) lista instrumentos que pertencem a esse mundo, mas acrescenta outros, como o tamborim e a dança, que vêm das festas populares, das vitórias e dos casamentos. Muitos comentaristas notam que, assim, o salmo convoca os três grupos do povo reunido: os sacerdotes, que tocavam o shofar; os levitas, com as cordas e os címbalos; e o povo, com o tamborim, a dança e a flauta. Ninguém fica de fora da orquestra, e o v. 6 alarga ainda mais o círculo.
Na liturgia, o salmo teve vida longa. Na tradição judaica, faz parte dos salmos recitados todas as manhãs, do Salmo 145 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) ao Salmo 150 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba). Na tradição cristã do Ocidente, foi cantado diariamente na oração da manhã com os Salmos 148 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e 149, e desse grupo de louvores vem o nome do ofício, as Laudes. E foi musicado incontáveis vezes, das igrejas antigas à música coral moderna, como se cada geração quisesse cumprir à letra o pedido do salmo.
📜 2. Resumo Narrativo / Conteúdo do Capítulo
O salmo abre com o aleluia e diz onde Deus deve ser louvado: no seu santuário e no firmamento que manifesta o seu poder (v. 1). Diz em seguida por que ele deve ser louvado: pelos seus feitos de poder e na medida da imensidão da sua grandeza (v. 2).
Então vem a orquestra. O louvor deve soar com o toque do shofar, com a harpa e a lira (v. 3), com o tamborim e a dança, com as cordas e a flauta (v. 4), com címbalos de som claro e com címbalos de estrondo (v. 5).
Por fim, o salmo diz quem deve louvar: todo ser que respira. A última palavra é a mesma da primeira, o aleluia (v. 6).
🔍 3. Análise por Seções (Perícopes)
O Salmo 150 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) tem uma estrutura de rara simplicidade, quase uma lista de respostas às perguntas que se podem fazer sobre o louvor: onde (v. 1), por que (v. 2), com quê (vv. 3-5) e quem (v. 6). O imperativo halelu, louvai, no plural, dirigido a uma assembleia, aparece dez vezes entre o começo do v. 1 e o fim do v. 5, sem contar os dois aleluias da moldura e o verbo do v. 6. Alguns intérpretes judeus antigos associaram esse número às dez palavras com que, segundo uma tradição rabínica, o mundo foi criado; a associação é sugestiva, mas não está no texto, e não é preciso apoiar nela a leitura. O que salta aos olhos é a insistência: o salmo não argumenta, repete. A forma poética é a do paralelismo sinonímico mais simples, linha a linha, como numa ladainha, e a repetição produz um efeito de crescendo, que culmina na linha final, mais curta e mais ampla do que todas.
Versículo 1 — Do santuário ao firmamento
Depois do haleluyah inicial, a primeira ordem é louvar a El, Deus, beqodsho, no seu santuário. A palavra qodesh significa santidade e, por extensão, o lugar santo; a expressão pode, portanto, ser entendida como no seu santuário ou na sua santidade. O paralelo da segunda linha decide o sentido mais provável: louvá-lo birqia' 'uzzo, no firmamento do seu poder. O raqia' é a abóbada celeste da criação, a extensão que Deus estendeu no segundo dia para separar as águas (Gn 1.6-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Se a segunda linha fala do céu, a primeira fala provavelmente do templo na terra, ou, segundo outros intérpretes, do santuário celeste, de que o templo era cópia (Sl 11.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Hb 8.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Em qualquer das leituras, o verso junta os dois planos. O louvor começa no lugar onde Israel se reunia para o culto e se estende até onde o olhar alcança. O Salmo 19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) mostra o céu anunciando, sem palavras, a glória de Deus (Sl 19.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); aqui, o céu não é apenas o pregador, é também a nave de uma catedral sem paredes. Isaías ouviu os serafins no templo proclamarem que a glória do Senhor enche a terra de ponta a ponta (Is 6.1-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); o Salmo 150 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) pede que a terra e o céu respondam.
Versículo 2 — Os feitos de poder e a grandeza sem medida
O segundo verso dá os motivos, e o faz de modo surpreendentemente breve. Deus é louvado bigvurotav, pelos seus feitos de poder. A palavra gevurot é o plural de gevurah, força, valentia, e designa as grandes obras de Deus: a criação, o Êxodo, a conquista, as libertações, tudo o que os salmos anteriores narraram em detalhe (Sl 106.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 145.4, 12). O Salmo 150 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) não precisa repetir a lista; ele a pressupõe. Quem chegou até aqui lendo o Saltério sabe quais são esses feitos.
A segunda linha acrescenta um motivo de outra natureza: Deus deve ser louvado kerov gudlo, segundo a abundância, a multidão, da sua grandeza. A preposição ke, segundo, conforme, propõe uma medida para o louvor: ele deve ser proporcional à grandeza de Deus. É uma medida impossível de cumprir, e por isso mesmo é a medida certa. O Salmo 145 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) tinha dito que a grandeza do Senhor é insondável (Sl 145.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O louvor que corresponde a ela nunca termina, e o salmo que fecha o Saltério deixa exatamente essa impressão: não é o fim do louvor, é o começo de um louvor sem fim.
Os dois motivos se completam. Os gevurot são o que Deus fez; a gudlo é o que ele é. O louvor bíblico nasce dos atos de Deus na história e sobe até a pessoa de Deus, que é maior do que todos os seus atos.
Versículos 3-5 — A orquestra inteira
Os três versos seguintes respondem à pergunta sobre o com quê. São oito meios de louvor, dispostos em pares, e o conjunto parece abarcar toda a música conhecida em Israel: sopro, cordas e percussão, além da dança.
O primeiro é o teqa' shofar, o toque do shofar, a trombeta feita de chifre de carneiro. O shofar era menos um instrumento musical do que um instrumento de sinal: anunciava a presença de Deus no Sinai (Ex 19.16, 19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), abria o ano do jubileu (Lv 25.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), acompanhava a arca (2Sm 6.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), soava diante das muralhas de Jericó (Js 6.4-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e marcava as festas (Sl 81.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Salmo 47 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) descreve Deus subindo ao seu trono entre aclamações e o som do shofar (Sl 47.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e o Salmo 98 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) associa as trombetas e o shofar à aclamação do Senhor como Rei (Sl 98.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Começar a orquestra pelo shofar é começar pelo anúncio de um Rei.
Vêm depois o nevel e o kinnor, dois instrumentos de cordas. O kinnor é a lira, o instrumento que Davi tocava diante de Saul (1Sm 16.23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e o primeiro instrumento nomeado na Bíblia, quando Gênesis apresenta Jubal como o antepassado dos músicos de lira e de flauta (Gn 4.21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O nevel era provavelmente uma lira maior ou uma espécie de harpa; a forma exata é discutida. Ambos eram instrumentos dos levitas no templo (1Cr 15.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 25.1).
O v. 4 traz o tof, o tamborim tocado à mão, e o maḥol, a dança de roda. São os mesmos que o Salmo 149 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) tinha pedido (Sl 149.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e lembram Miriã e as mulheres que celebraram a travessia do mar (Ex 15.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Pertencem às festas populares mais do que à liturgia formal do templo. A segunda linha acrescenta os minnim, palavra rara que parece designar instrumentos de cordas em geral (talvez o mesmo termo esteja em Sl 45.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e o 'ugav, provavelmente uma flauta ou um instrumento de sopro de cana, também mencionado no texto de Jubal (Gn 4.21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e em Jó (Jó 21.12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 30.31). Há aqui uma pequena volta às origens: os dois instrumentos que Gênesis associa à primeira música humana reaparecem na última página do Saltério.
O v. 5 termina com dois tipos de tseltselim, címbalos: os tseltselei-shama', címbalos de som, isto é, de som claro, audível, e os tseltselei teru'ah, címbalos de aclamação, de estrondo. A teru'ah é o grito de alegria ou de guerra com que se aclamava um rei ou se iniciava uma batalha. Não se sabe ao certo se o salmo distingue dois instrumentos diferentes, talvez címbalos pequenos e grandes, ou se apenas repete a mesma ideia com intensidade crescente. Os címbalos eram tocados pelos levitas cantores, como Asafe (1Cr 15.19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 16.5). O fato é que a orquestra termina no ponto mais sonoro, o estrondo do metal, antes que tudo dê lugar à respiração do v. 6.
Há uma intenção teológica nessa lista. O salmo não escolhe um instrumento sagrado e exclui os profanos; põe lado a lado o shofar dos sacerdotes, as cordas dos levitas e o tamborim das festas do povo. Toda a capacidade humana de fazer música é chamada ao serviço de Deus. Os instrumentos, que podem servir à festa sem Deus (Is 5.12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Am 6.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), são aqui devolvidos ao seu Criador.
Versículo 6 — Tudo o que respira
O último verso responde à pergunta sobre quem deve louvar, e a resposta é a mais ampla possível: kol hanneshamah, todo ser que tem fôlego, tudo o que respira. A forma verbal muda: em vez do imperativo plural, halelu, que se dirige a uma assembleia, aparece o jussivo singular, tehallel, que se dirige a cada um e a todos ao mesmo tempo, como um desejo e uma ordem. E o objeto do louvor volta a ser Yah, a forma breve do nome do Senhor que ressoa em cada aleluia.
A palavra neshamah tem uma história bíblica densa. É o sopro de vida que Deus pôs no primeiro homem, feito do pó, e que o fez viver (Gn 2.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). É o fôlego que se extinguiu no dilúvio em tudo o que vivia sobre a terra seca (Gn 7.22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Isaías a usa ao falar do Deus que põe o fôlego em cada habitante da terra (Is 42.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e Eliú lembra que, se Deus recolhesse para si o seu sopro, todos os viventes morreriam juntos (Jó 34.14-15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O fôlego é dom de Deus, e por isso volta a ele no louvor. Há ainda um contraste que impressiona: a mesma expressão, ou quase, designa nos relatos da conquista tudo o que respirava e foi destruído na guerra (Dt 20.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Js 10.40 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). No último verso do Saltério, tudo o que respira não é destinado à morte, é convocado ao louvor.
Discute-se se o verso inclui apenas os seres humanos, como é o uso mais comum de neshamah, ou também os animais, como no relato do dilúvio. O Salmo 148 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), que pouco antes chamara ao louvor os animais selvagens e domésticos, os répteis e as aves (Sl 148.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), favorece a leitura mais ampla. Em qualquer caso, o verso ultrapassa Israel: começou com a assembleia no santuário, termina com tudo o que vive. O aleluia final, que fecha o salmo como o abriu, é a última palavra do livro.
Nada há de lamento neste salmo, e isso não é descuido. O Saltério não esconde o sofrimento; dedicou a ele dezenas de salmos. Mas a sua palavra final é o louvor, e a disposição do livro sugere que o lamento caminha para lá. O último salmo não diz que o sofrimento não existiu; diz que não terá a última palavra.
✨ 4. Versículos-Chave
Sl 150.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — O louvor que une o templo e o céu. O verso estende o culto do santuário até o firmamento e sugere que o lugar de Israel adorar é uma pequena porção de uma adoração que enche o universo. No Novo Testamento, o lugar do encontro com Deus deixa de ser um edifício: Jesus se apresenta como o templo que seria destruído e levantado em três dias (Jo 2.19-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), anuncia uma adoração que nasce do Espírito e da verdade e não depende de monte nem de cidade (Jo 4.21-24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e entra, como sumo sacerdote, no santuário do céu (Hb 9.24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Sl 150.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Louvor na medida da grandeza de Deus. O verso dá ao louvor um padrão que nunca será alcançado e, por isso, nunca se esgota. Os feitos de poder que Israel conhecia eram a criação e o Êxodo; o Novo Testamento acrescenta o maior de todos, a ressurreição de Cristo, que Paulo descreve com todo o vocabulário do poder de Deus, força, vigor e eficácia, agindo para levantá-lo dos mortos e assentá-lo à direita do Pai (Ef 1.19-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Sl 150.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — O louvor entregue a todo ser vivo. A última frase do Saltério devolve o fôlego ao seu doador. O Apocalipse vê o seu cumprimento quando todas as criaturas, do céu ao fundo do mar, dirigem louvor a Deus no trono e ao Cordeiro (Ap 5.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); Paulo, quando anuncia o dia em que toda a criação se dobrará diante de Jesus e reconhecerá publicamente o seu senhorio, para a glória do Pai (Fp 2.10-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
⛪ 5. Temas Teológicos Centrais
O louvor como destino. O Salmo 150 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) mostra para onde caminha toda a Escritura e toda a vida de fé. O título hebraico do livro, Tehillim, Louvores, é curioso, porque a maior parte dos salmos, sobretudo na primeira metade, são lamentos e súplicas. Mas o título descreve o destino, não cada etapa. Claus Westermann insistiu em que, nos Salmos, o lamento e o louvor não são opostos, e que o próprio lamento, dirigido a Deus, já caminha para o louvor. O último salmo confirma isso: o fim da história com Deus não é a explicação de todos os porquês, mas a adoração. O Apocalipse termina do mesmo modo, com o céu repetindo o aleluia, única ocasião em que a palavra hebraica aparece transliterada no Novo Testamento (Ap 19.1, 3, 4, 6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
O louvor de todo o ser. O salmo não espiritualiza o louvor. Pede shofar, cordas, tamborim, flauta, címbalos e dança, isto é, o sopro, as mãos, os pés, o corpo inteiro e toda a arte humana. A fé bíblica não despreza o corpo nem a cultura; devolve-os ao Criador. Paulo pede que o corpo seja oferecido como sacrifício vivo (Rm 12.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e que a comunidade cante, com gratidão, salmos, hinos e canções inspiradas pelo Espírito (Cl 3.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O louvor não é uma parte da vida religiosa; é a vocação da vida inteira.
A criação inteira como coro. O v. 6 não se restringe a Israel nem à Igreja: tudo o que respira é chamado. O Saltério, que começou com o justo individual meditando na lei (Sl 1.1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), termina com o universo cantando. Esse horizonte é o da nova criação, quando a criação, que hoje geme como quem espera um parto, será libertada e terá parte na glória dos que Deus adotou como filhos (Rm 8.19-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e quando Deus reconciliará consigo todas as coisas por meio de Cristo (Cl 1.19-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
O fôlego como dom. A palavra neshamah lembra que respirar é receber. Paulo, em Atenas, lembra aos filósofos que a vida, cada respiração e tudo o que temos vêm de Deus (At 17.25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Quem respira deve a Deus cada inspiração, e o louvor é a forma mais natural de devolver o que se recebeu. A ingratidão, nessa lógica, é um desperdício de fôlego.
✝️ 6. Visão Cristocêntrica — Cristo neste Capítulo
6.1 — A Grande Narrativa: onde este capítulo se encontra no arco redentor?
O Salmo 150 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) aponta mais longe do que quase qualquer outro texto do Antigo Testamento: está voltado para a Nova Criação. A Criação está no seu vocabulário, no firmamento do v. 1 e no fôlego do v. 6, que remetem a Gn 1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e Gn 2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba). A Queda está ausente do salmo, mas presente no livro que ele encerra: o Saltério inteiro é o diário de um povo que sofreu a culpa, a morte, a injustiça e o silêncio de Deus. A Redenção em andamento está nos feitos de poder do v. 2. E a Redenção consumada em Cristo é o que torna possível que o louvor do v. 6 seja universal: a morte e a ressurreição do Filho são o feito de poder decisivo, e por meio dele o louvor se abre a todos os povos. O salmo é, assim, uma pequena profecia em forma de hino: descreve como será o fim.
6.2 — O Cristo que conduz o louvor
O Novo Testamento não cita o Salmo 150 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), e é preciso dizê-lo. A leitura cristológica do salmo se apoia em temas que o Novo Testamento desenvolve: o lugar do louvor, os feitos de poder, o sopro de vida e o coro universal.
O mais importante desses temas é que, para o Novo Testamento, Cristo não é apenas o objeto do louvor; ele é também quem conduz o louvor do seu povo. Hebreus aplica a Jesus o Salmo 22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), em que o justo vindicado promete tornar conhecido o nome de Deus aos seus irmãos e louvá-lo diante da assembleia (Hb 2.11-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Sl 22.22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Cristo ressuscitado está no meio da assembleia como o primeiro cantor, e por meio dele os cristãos oferecem continuamente a Deus o sacrifício de louvor (Hb 13.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Dietrich Bonhoeffer, no seu pequeno livro sobre os salmos, entendeu o Saltério como o livro de oração que Cristo ora com a sua Igreja. Se assim é, o Salmo 150 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) é o ponto em que o Filho, depois de ter orado com o seu povo os lamentos, as confissões e as súplicas, o conduz ao louvor final.
6.3 — Promessas: o santuário, a trombeta e o coro universal
O Salmo 150 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) não é uma profecia no sentido estrito, mas os seus elementos têm cumprimento em camadas.
O santuário do v. 1, em Israel, era o templo de Jerusalém. Em Cristo, a presença de Deus habita no corpo do Filho (Jo 2.21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e, pelo Espírito, na comunidade dos que creem (1Co 3.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Ef 2.21-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). No fim, a cidade de Deus não terá templo, porque a presença do Senhor e do Cordeiro ocupará o lugar dele (Ap 21.22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O lugar do louvor se alarga até coincidir com a criação renovada.
O shofar do v. 3, que anunciava a presença de Deus e a proclamação do Rei, aponta para a trombeta final que acompanhará a volta de Cristo e a ressurreição dos mortos (1Co 15.52 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 1Ts 4.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Mt 24.31 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A trombeta que abriu o culto de Israel ressoará na manhã da ressurreição.
O coro universal do v. 6 tem cumprimento parcial cada vez que um povo novo ouve o Evangelho e começa a cantar ao Deus de Israel. Paulo usa os salmos para mostrar que os gentios foram chamados a louvar a Deus junto com o seu povo (Rm 15.9-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), citando Sl 117.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e outros textos). O cumprimento pleno é escatológico: o Apocalipse descreve o louvor de toda criatura a Deus e ao Cordeiro (Ap 5.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e as harpas nas mãos dos que venceram, cantando o cântico de Moisés e do Cordeiro (Ap 15.2-4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Salmo 150 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) é cantado hoje pela Igreja como antecipação desse dia.
6.4 — O fôlego entregue e o fôlego devolvido
O v. 6 ganha em Cristo uma profundidade que o salmista não poderia imaginar. O Filho, agente de toda a criação (Jo 1.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), é o doador do fôlego de vida. E foi esse mesmo Filho que, na cruz, depois de entregar o seu espírito ao Pai com as palavras de um salmo (Lc 23.46 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Sl 31.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), deu o último suspiro. Aquele que soprou o fôlego no primeiro homem entregou o próprio fôlego para que os que estavam mortos pudessem respirar de novo.
Na tarde do dia da ressurreição, João conta que Jesus soprou sobre os discípulos e lhes disse que recebessem o Espírito Santo (Jo 20.22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O verbo que João usa é o mesmo que a antiga tradução grega emprega em Gn 2.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) para o sopro de Deus sobre o primeiro homem. Muitos intérpretes veem aí uma nova criação: o Cristo ressuscitado sopra sobre a sua Igreja como Deus soprou sobre Adão. Lido assim, o v. 6 é mais do que uma ordem a quem já respira: é o convite a quem recebeu de Cristo o fôlego novo do Espírito. O louvor cristão é, literalmente, respiração devolvida.
E há os feitos de poder do v. 2. Para o Novo Testamento, o maior deles é a ressurreição. Paulo descreve a grandeza extraordinária do poder de Deus que atuou em Cristo ao ressuscitá-lo e ao assentá-lo à sua direita, acima de qualquer autoridade que se possa nomear (Ef 1.19-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O cristão louva a Deus pelos feitos que Israel conhecia e por aquele que os resume e supera.
6.5 — O Evangelho no salmo
Pregar o Salmo 150 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) cristocentricamente é anunciar que o fim da história é louvor, e que esse fim foi garantido por Cristo.
O ser humano foi feito para respirar louvor, e não o faz. O fôlego que recebe gasta-se em si mesmo, na queixa, na vaidade ou no silêncio diante de Deus. Por isso o Saltério tem tantas lágrimas antes de chegar ao aleluia: entre o fôlego dado em Gn 2.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e o louvor de Sl 150.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) há a morte, o pecado e a distância de Deus.
Cristo atravessou essa distância. Entregou o seu fôlego na cruz, recebeu-o de volta na ressurreição e o reparte com os que creem. Por ele, gente que tinha a boca fechada pela culpa ou pela dor volta a cantar. E o Evangelho promete que o coro não ficará incompleto: o dia virá em que todo ser que respira reconhecerá que Jesus é o Senhor. Para uns, será alegria; o convite do salmo é que seja alegria para quem o ouve agora.
🔗 7. Conexões Bíblicas (Teologia Bíblica Canônica)
- Sl 41.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 72.18-19; 89.52; 106.48 — as doxologias que fecham os quatro primeiros livros do Saltério; o Salmo 150 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) fecha o quinto e o conjunto.
- Sl 145.21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Sl 146–149 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — o anúncio de que toda carne bendirá o Senhor e os salmos de aleluia que conduzem ao último.
- Gn 1.6-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gn 2.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gn 4.21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — o firmamento, o sopro de vida e os primeiros instrumentos, que reaparecem no salmo final.
- Ex 15.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 1Cr 15.16-24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 25.1-7; 2Cr 5.12-13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — a dança e o tamborim da vitória e a organização da música no templo.
- Sl 47.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 98.6; 1Co 15.52 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 1Ts 4.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — o shofar da aclamação do Rei e a trombeta da ressurreição.
- Jo 2.19-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Jo 4.21-24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Hb 9.24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Ap 21.22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — o novo santuário: o corpo de Cristo, a adoração que não depende de lugar e a cidade cujo templo é a presença de Deus.
- Hb 2.12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Hb 13.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Cristo que canta no meio da congregação e o sacrifício de louvor oferecido por meio dele.
- Jo 20.22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); At 17.25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — o fôlego como dom de Deus e o sopro do Cristo ressuscitado.
- Rm 8.19-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Cl 1.19-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Fp 2.10-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Ap 5.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — a criação inteira chamada a participar da redenção e do louvor.
- Ap 19.1-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — os únicos aleluias do Novo Testamento, no louvor celeste que anuncia o reinado de Deus e as bodas do Cordeiro.
- Na história da Igreja, o salmo foi cantado diariamente com os Salmos 148 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e 149 nas Laudes, e se tornou um dos textos bíblicos mais musicados de todos os tempos.
🌍 8. Aplicação Prática Contemporânea com Fundamento Cristológico
Deixe que o louvor tenha a última palavra. O Saltério não pula o sofrimento, mas termina no louvor. Isso não significa que o crente deve fingir alegria na dor; significa que a dor não é o destino. Em Cristo ressuscitado, o fim da história já está escrito, e o cristão pode atravessar os seus próprios salmos de lamento sabendo onde o livro termina.
Louve na medida de Deus, não na sua. O v. 2 pede um louvor proporcional à grandeza de Deus. Muitas vezes o nosso louvor é proporcional ao nosso humor ou às nossas circunstâncias. O salmo desloca o foco: louvamos porque Deus é grande, e a sua grandeza não diminui quando os nossos dias são pequenos. A cruz e a ressurreição são o motivo que nenhuma circunstância apaga.
Ponha o corpo e os dons no louvor. O salmo convoca instrumentos de todos os tipos. A Igreja não precisa temer a arte, a música e a alegria do corpo no culto, desde que tudo aponte para Deus e não para quem toca. Cada dom, seja música, palavra, trabalho manual ou serviço, pode ser o instrumento que Deus pediu. Quem não sabe tocar nada tem ao menos o fôlego, e é ele que o v. 6 pede.
Respire com gratidão. Cada respiração é um dom (At 17.25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A prática simples de agradecer a Deus pelo fôlego, ao acordar e ao deitar, pode transformar a percepção da vida. Para quem está em Cristo, há um fôlego a mais, o do Espírito que ele soprou sobre os seus (Jo 20.22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Alargue o círculo do louvor. O salmo começa no santuário e termina com tudo o que respira. A Igreja que canta o Salmo 150 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) não pode ser indiferente aos que ainda não louvam. A missão é, de certo modo, o esforço de levar o aleluia a quem ainda não o conhece, até que o coro esteja completo.
🤔 9. Perguntas para Reflexão e Estudo
- O salmo responde a quatro perguntas: onde, por que, com quê e quem deve louvar a Deus. Como você responderia a cada uma delas a partir da sua própria vida?
- O v. 2 menciona os feitos de poder de Deus e a imensidão da sua grandeza. Que feitos de Deus, na Bíblia e na sua história, mais motivam o seu louvor? Por que a ressurreição de Cristo ocupa o lugar central nessa lista (Ef 1.19-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))?
- O salmo reúne instrumentos dos sacerdotes, dos levitas e do povo. O que isso ensina sobre a participação de todos no culto? Há dons na sua comunidade que ainda não foram postos a serviço do louvor?
- Compare Gn 2.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), Sl 150.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e Jo 20.22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba). Como o sopro de Deus na criação, o louvor de tudo o que respira e o sopro do Cristo ressuscitado se iluminam mutuamente?
- O Saltério tem muitos lamentos e termina com louvor puro. Como essa ordem pode ajudar alguém que atravessa um tempo de sofrimento?
- Para meditação e oração: leia o salmo devagar, em voz alta, respirando entre cada linha. No v. 6, agradeça a Deus pelo fôlego que você recebeu e pelo Espírito que Cristo deu à sua Igreja, e termine com o seu próprio aleluia.
📚 10. Para Aprofundamento
Cristocêntrica / Teologia Bíblica:
- Sidney Greidanus — Preaching Christ from the Old Testament (Eerdmans, 1999)
- Christopher J. H. Wright — Conhecendo Jesus através do Antigo Testamento (Ultimato) / Knowing Jesus Through the Old Testament (IVP, 1992)
- Dietrich Bonhoeffer — Das Gebetbuch der Bibel (1940), sobre os salmos como oração de Cristo com a Igreja
- Claus Westermann — Praise and Lament in the Psalms (John Knox, 1981)
- Walter Brueggemann — The Message of the Psalms (Augsburg, 1984), sobre o movimento entre orientação, desorientação e nova orientação
- C. S. Lewis — Reflexões sobre os Salmos (Reflections on the Psalms, 1958), especialmente o capítulo sobre o louvor
Sobre a forma do Saltério e comentários:
- Gerald H. Wilson — The Editing of the Hebrew Psalter (Scholars Press, 1985)
- Derek Kidner — Salmos 73–150 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba): introdução e comentário (Vida Nova, série Cultura Bíblica)
- Leslie C. Allen — Psalms 101–150 (Word Biblical Commentary, 1983; edição revista, 2002)
- Nancy deClaissé-Walford, Rolf A. Jacobson e Beth LaNeel Tanner — The Book of Psalms (NICOT, Eerdmans, 2014)
- Frank-Lothar Hossfeld e Erich Zenger — Psalms 3: A Commentary on Psalms 101–150 (Hermeneia, Fortress, 2011)
- James L. Mays — Psalms (Interpretation, John Knox, 1994)
- João Calvino — Comentário aos Salmos, com o prefácio sobre os salmos como anatomia da alma
- Atanásio — Carta a Marcelino sobre a interpretação dos Salmos
O caminho do Saltério, do primeiro ao último salmo:
O livro dos Salmos reúne cento e cinquenta poemas compostos ao longo de muitos séculos. Os títulos hebraicos atribuem setenta e três deles a Davi, outros a Asafe (Sl 50 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 73–83), aos filhos de Corá (Sl 42–49 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 84–85; 87–88), a Salomão (Sl 72 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 127), a Moisés (Sl 90 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), a Hemã (Sl 88 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e a Etã (Sl 89 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e muitos não têm autor declarado; vão, segundo a tradição, do tempo de Moisés até depois do exílio, quando os deportados lamentaram a cidade perdida (Sl 137 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e se cantou a volta a Sião (Sl 126 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A coleção foi organizada em cinco livros (Sl 1–41 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 42–72; 73–89; 90–106; 107–150), talvez em correspondência com os cinco livros de Moisés, como sugere um antigo comentário judaico aos Salmos.
A ordem não é aleatória, e muitos estudiosos, a partir do trabalho de Gerald Wilson, leem nela uma história. O Salmo 1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) abre o livro com a felicidade de quem medita na lei do Senhor, e o Salmo 2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) apresenta o Rei ungido em Sião; os dois juntos formam o pórtico, emoldurados pela palavra ashrei, feliz (Sl 1.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 2.12). Os dois primeiros livros, dominados pelas orações de Davi, terminam com a nota de que essas orações se encerraram (Sl 72.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Terceiro Livro é o mais sombrio: a crise do justo que vê o ímpio prosperar (Sl 73 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), o templo destruído (Sl 74 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), o salmo mais escuro de todos, que termina nas trevas (Sl 88 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e a aliança com Davi que parece desfeita (Sl 89.38-51 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Quarto Livro responde à crise voltando a Moisés (Sl 90 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e proclamando que o Senhor reina (Sl 93 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 95–99), e o Quinto canta o retorno do exílio (Sl 107 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), o Rei-sacerdote à direita de Deus (Sl 110 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), a lei amada em cada letra do alfabeto (Sl 119 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), a subida dos peregrinos a Jerusalém (Sl 120–134 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e, por fim, o louvor sem mistura (Sl 146–150 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Walter Brueggemann descreveu esse percurso como um livro limitado pela obediência no começo e pelo louvor no fim. Entre o ashrei do Salmo 1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e o aleluia do Salmo 150 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), o povo de Deus aprendeu a dizer tudo a Deus: a alegria e a raiva, a culpa e a confiança, a pergunta e a espera. João Calvino chamou o livro de anatomia de todas as partes da alma, e Atanásio, na sua carta a Marcelino, comparou os salmos a um espelho em que o leitor reconhece os próprios movimentos interiores.
Para o cristão, esse caminho tem um nome. Jesus explicou aos discípulos, depois da ressurreição, que a Lei de Moisés, os Profetas e os Salmos falavam dele e precisavam se cumprir (Lc 24.44 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e os Salmos estão entre os livros do Antigo Testamento mais citados no Novo. Cristo é o justo bem-aventurado do Salmo 1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e o Filho entronizado do Salmo 2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) (At 13.33 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Hb 1.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); orou o abandono do Salmo 22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) na cruz (Mt 27.46 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e entregou o espírito com as palavras do Salmo 31 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) (Lc 23.46 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); é a pedra rejeitada do Salmo 118 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) (Mt 21.42 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e o Senhor assentado à direita do Salmo 110 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) (Hb 1.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ele orou os salmos com o seu povo e os cumpriu por ele. Por isso a Igreja pode fazer seu o percurso inteiro do livro, do primeiro ashrei ao último aleluia, sabendo que o caminho que começa na meditação da lei e passa pelas lágrimas termina, por causa dele, no louvor de tudo o que respira.
Sabedoria para o Cotidiano
O livro que deu palavras às suas lágrimas, à sua culpa e às suas perguntas termina sem nenhuma queixa, porque o fim da história com Deus é louvor. Cada fôlego que você recebe é dom, e cada dom pode virar instrumento: louve a Deus na medida da grandeza dele, não do tamanho do seu dia. E quando lhe faltar voz, lembre-se de que Cristo entregou o próprio fôlego na cruz e o devolveu aos seus na ressurreição; é com o ar que ele lhe deu que você pode dizer, hoje e no último dia, o seu aleluia.
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