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Salmos · 19 de 66 · Antigo Testamento

Salmos — Capítulo 83

Infográfico de “Salmos 83 — Capítulo a capítulo”, gerado automaticamente a partir do estudo publicado, com 5 partes: O silêncio de Deus e o plano de apagar um povo; Dez nomes ao redor de Israel; A memória do tempo dos Juízes; O redemoinho, a palha e o fogo; A vergonha que leva a buscar o nome.

Título do capítulo: O Altíssimo diante da aliança das nações
Gênero literário: Poesia/Salmo (lamento coletivo com súplica imprecatória: o povo cercado por uma coalizão de dez nações pede que Deus quebre o silêncio, recorda as vitórias do tempo dos Juízes e pede uma derrota que leve os inimigos a buscar o nome do Senhor; último salmo de Asafe)
Número de versículos: 18

Nota de precisão: a inscrição chama o texto de cântico e salmo de Asafe e, nas Bíblias em português, não é contada como versículo; no hebraico impresso ela ocupa o versículo 1, e por isso todos os números ali ficam uma unidade acima dos usados aqui. Na antiga tradução grega, que junta os Salmos 9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e 10, este é o salmo oitenta e dois. O selah aparece uma vez, no fim do v. 8. A lista de povos dos vv. 6-8 não corresponde a nenhuma aliança registrada nos livros históricos; as hipóteses sobre a ocasião são apresentadas com a cautela devida.


🏛️ 1. Contexto Histórico e Cultural

O Salmo 83 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) fecha duas coleções ao mesmo tempo. É o último dos doze salmos atribuídos a Asafe (Sl 50 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Sl 73–83 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), a família de cantores levitas que, segundo as Crônicas, Davi pôs à frente do louvor diante da arca (1Cr 16.4-7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E encerra também o chamado "Saltério Eloísta", a sequência, mais ou menos do Salmo 42 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) ao 83, em que o nome genérico 'elohim, Deus, predomina sobre o nome próprio do Senhor. Talvez não seja acaso que justamente aqui, no fim dessa sequência, o nome YHWH apareça nos dois últimos movimentos do salmo (vv. 16 e 18), e que o último verso gire em torno dele: o desejo final é que as nações saibam qual é o nome do Deus de Israel.

A coleção de Asafe é marcada pelas crises nacionais: o santuário incendiado (Sl 74 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), Jerusalém em ruínas (Sl 79 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), a vinha devastada (Sl 80 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Salmo 83 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) pertence a esse mundo de lamentos coletivos, mas com uma particularidade: o perigo ainda não se consumou. Os inimigos estão tramando, fazendo aliança, preparando o golpe. O povo ora antes da batalha, e não depois da derrota.

A ocasião é incerta. A lista dos vv. 6-8 menciona dez povos: Edom, os ismaelitas, Moabe, os hagarenos, Gebal, Amom, Amaleque, a Filístia, Tiro e a Assíria. Nenhum relato dos livros históricos descreve uma coalizão com todos esses nomes. Alguns estudiosos lembram a invasão dos moabitas, amonitas e habitantes do monte Seir no tempo do rei Josafá (2Cr 20.1-2, 10-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), episódio em que, aliás, um levita dos filhos de Asafe profetiza a vitória (2Cr 20.14-17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Outros notam que a Assíria aparece apenas como apoio dos "filhos de Ló", o que sugeriria uma época anterior ao seu domínio sobre a região; e há quem proponha datas bem posteriores, até a época dos Macabeus. Uma terceira linha, que tem muitos adeptos, entende que a lista é deliberadamente estilizada: dez nomes que cercam Israel por todos os lados, ao sul, ao leste, ao oeste e ao norte, como retrato do povo de Deus rodeado de hostilidade. O salmo não dá a data, e é melhor não inventá-la.

Os nomes, porém, têm uma história bíblica que dá peso ao poema. Edom descende de Esaú, irmão de Jacó (Gn 36.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e Moabe e Amom vêm de Ló, sobrinho de Abraão (Gn 19.36-38 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); os ismaelitas descendem de Ismael, filho de Abraão com Agar (Gn 25.12-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e os hagarenos, que o nome parece ligar também a Agar, são mencionados como adversários das tribos a leste do Jordão no tempo de Saul (1Cr 5.10, 19-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os inimigos mais próximos são, portanto, parentes. Amaleque é o adversário antigo do deserto (Ex 17.8-16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Dt 25.17-19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); a Filístia, o inimigo do litoral; Tiro, a cidade fenícia do comércio marítimo. Gebal é discutido: pode ser a cidade fenícia de Biblos (Ez 27.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) ou uma região montanhosa ao sul do mar Morto, no território de Edom. A Assíria, a grande potência do norte, entra como reforço, o "braço" que sustenta Moabe e Amom.

Um alerta é necessário. Este salmo tem sido usado, em certas leituras populares, como se fosse um mapa profético dos conflitos atuais no Oriente Médio, identificando cada povo antigo com um país moderno. O texto não autoriza esse uso. Ele é uma oração de Israel diante de uma ameaça concreta, e a sua lição permanente diz respeito ao modo como o povo de Deus ora quando é cercado, e não ao traçado das fronteiras de hoje.


📜 2. Resumo Narrativo / Conteúdo do Capítulo

O salmo começa com um pedido urgente: que Deus não permaneça calado, não fique mudo nem inerte (v. 1). O motivo é que os inimigos dele estão em tumulto, e os que o odeiam erguem a cabeça (v. 2). Eles tramam em segredo contra o povo de Deus e conspiram contra aqueles que Deus guarda (v. 3). O plano é declarado: apagar Israel como nação, para que o seu nome não seja mais lembrado (v. 4).

O salmista descreve então a aliança. Os conspiradores se puseram de acordo e firmaram um pacto contra o próprio Deus (v. 5). Seguem-se os nomes: as tendas de Edom e os ismaelitas, Moabe e os hagarenos (v. 6); Gebal, Amom e Amaleque, a Filístia e os moradores de Tiro (v. 7); até a Assíria se juntou a eles e se tornou o braço dos descendentes de Ló (v. 8). O selah marca uma pausa.

A oração se volta para o passado. O povo pede que Deus trate esses inimigos como tratou Midiã, como tratou Sísera e Jabim junto ao ribeiro de Quisom (v. 9), que foram destruídos em En-Dor e ficaram como adubo sobre o chão (v. 10). Que os chefes deles tenham o destino de Orebe e Zeebe, e os seus príncipes o de Zebá e Zalmuna (v. 11), aqueles que pretendiam tomar para si as pastagens de Deus (v. 12).

Vêm depois as imagens da natureza. O orante pede que Deus os torne como a planta seca que o vento faz rolar, como a palha levada pela ventania (v. 13); como o fogo que devora a mata e a chama que incendeia os montes (v. 14), assim Deus os persiga com a sua tempestade e os aterrorize com o seu vendaval (v. 15).

O fim do salmo revela a finalidade da súplica. Que a vergonha cubra o rosto deles, para que busquem o nome do Senhor (v. 16); que sejam confundidos e desfeitos, cobertos de vergonha (v. 17); e que, assim, venham a saber que só aquele cujo nome é o Senhor é o Altíssimo sobre toda a terra (v. 18).


🔍 3. Análise por Seções (Perícopes)

Versículos 1-4 — O silêncio de Deus e o plano de apagar um povo
O salmo abre com três negações em sequência, todas dirigidas a Deus: 'al-domi-lakh, que não haja descanso, silêncio para ti; 'al-teḥerash, não fiques mudo, ou surdo; 'al-tishqot, não fiques quieto, parado. O paralelismo é sinônimo, mas crescente: do silêncio à mudez e à imobilidade. O nome usado é 'el, o Poderoso, o que torna o pedido ainda mais vivo: o Deus forte parece não agir. O silêncio de Deus é uma das experiências mais duras da fé bíblica, e outros salmos a nomeiam (Sl 28.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Sl 35.22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Sl 109.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Aqui a oração não tenta explicar esse silêncio; pede que ele acabe.

O v. 2, introduzido por ki-hinneh, porque eis, mostra a urgência. Os inimigos yehemayun, estão em alvoroço, fazem barulho, como águas agitadas; o verbo é o mesmo que o Salmo 46 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) usa para as nações em tumulto (Sl 46.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O contraste é forte: Deus está em silêncio, e os seus inimigos fazem barulho. E eles nas'u ro'sh, levantaram a cabeça, gesto de arrogância e de quem se prepara para agir. Um detalhe teológico decisivo aparece logo aqui: o salmo não fala dos inimigos do povo, mas dos 'oyeveka, os inimigos de Deus, e dos mesan'eka, os que odeiam o próprio Deus. Toda a oração parte do pressuposto de que a hostilidade contra Israel é, no fundo, hostilidade contra Deus.

O v. 3 descreve o método: ya'arimu sod, tramam com astúcia um conselho secreto. E o alvo são os tsefuneka, os teus escondidos, os que tu guardas em lugar oculto. A palavra vem de tsafan, esconder, guardar como tesouro, e aparece em outros salmos para falar de Deus que esconde os seus no abrigo da sua presença (Sl 27.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Sl 31.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O povo ameaçado não é apenas um povo frágil; é um povo escondido em Deus. A conspiração é contra um tesouro que tem dono.

O v. 4 revela o plano por inteiro, na boca dos conspiradores, que se convidam mutuamente a cortar Israel de ser nação, de modo que o seu nome nunca mais seja lembrado. Não se trata de uma guerra de fronteira, mas de um projeto de extermínio e de apagamento da memória. A Bíblia conhece outros planos assim: o faraó que decide agir com astúcia contra os hebreus (Ex 1.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e Hamã, que trama destruir todos os judeus do reino da Pérsia (Et 3.6, 13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A história posterior conheceu muitos outros, e de modo terrível no século XX, quando o povo judeu foi alvo de uma tentativa sistemática de extermínio. O Salmo 83 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) dá voz a quem enfrenta esse tipo de ódio e mostra que essa voz pode ser levada a Deus.

Versículos 5-8 — Dez nomes ao redor de Israel
O v. 5 resume a conspiração com duas expressões. Eles no'atsu lev yaḥdaw, deliberaram de um só coração, todos juntos: povos que normalmente brigavam entre si encontraram unidade no ódio comum. E 'aleika berit yikhrotu, contra ti cortam aliança. A palavra berit, aliança, é a mesma do pacto entre Deus e Israel. Há aqui uma ironia amarga: as nações fazem um pacto, mas o objeto dele é a destruição do povo do pacto, e, por isso, é um pacto contra o próprio Deus.

A lista dos vv. 6-8 tem dez nomes, número que muitos leem como totalidade. Os nomes cercam Israel: Edom, Amaleque e os ismaelitas ao sul e no deserto; Moabe, Amom e os hagarenos a leste; a Filístia a oeste; Tiro e talvez Gebal a noroeste; e, ao longe, a Assíria. As "tendas" de Edom e dos ismaelitas lembram povos seminômades, e a menção dos "filhos de Ló" (v. 8) recorda o parentesco: Moabe e Amom descendem do sobrinho de Abraão (Gn 19.36-38 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os parentes estão entre os primeiros da conspiração, e a Assíria se torna o seu zeroa', o seu braço, a força que os sustenta. O selah no fim do v. 8 deixa a lista ressoar: o povo de Deus está cercado.

Versículos 9-12 — A memória do tempo dos Juízes
Diante de um perigo presente, o povo recorre ao passado. O v. 9 pede que Deus faça aos inimigos o que fez a Midiã, a Sísera e a Jabim. As duas histórias estão no livro dos Juízes. Midiã oprimiu Israel durante sete anos, devastando as colheitas (Jz 6.1-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), até que Deus deu a vitória a Gideão com apenas trezentos homens, para que Israel não pudesse se gloriar da própria força (Jz 7.2-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Jabim, rei cananeu de Hazor, e Sísera, o comandante do seu exército, foram derrotados por Débora e Baraque junto ao ribeiro de Quisom, cujas águas arrastaram os inimigos (Jz 4.7, 13-16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Jz 5.20-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O v. 10 menciona En-Dor, lugar que não aparece nos relatos de Juízes. Era uma localidade da região do monte Tabor e do monte Moré (Js 17.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), perto dos campos das duas batalhas (Jz 4.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Jz 7.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e o salmo pode estar guardando uma tradição local que os livros históricos não registram. A imagem que segue é crua: os derrotados se tornaram domen la'adamah, esterco para o solo, cadáveres sem sepultura que adubam o campo. A mesma linguagem aparece na profecia sobre Jezabel (2Rs 9.37 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e em Jeremias (Jr 8.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), como sinal extremo de humilhação.

O v. 11 nomeia os chefes de Midiã. Orebe e Zeebe, os comandantes, foram mortos pelos efraimitas, um numa rocha e outro num lagar que levaram os seus nomes (Jz 7.25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Zebá e Zalmuna, os reis, foram capturados e executados por Gideão (Jz 8.5-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A estrutura dos vv. 9-11 é quase concêntrica: Midiã, depois Sísera e Jabim, depois de novo os chefes de Midiã, com En-Dor no meio. Isaías também guardará a lembrança do "dia de Midiã" como modelo de libertação divina (Is 9.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Is 10.26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O v. 12 traz a frase atribuída a esses príncipes, mas que serve também aos inimigos presentes: o projeto de tomar posse das ne'ot 'elohim, as pastagens de Deus. A terra de Israel é chamada de pasto de Deus, como se Israel fosse o rebanho e o Senhor o pastor (Sl 23.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) usa a mesma palavra para os pastos verdes). Os conspiradores não querem apenas um território; querem o que pertence a Deus. Por isso a luta não é só deles contra Israel.

Versículos 13-15 — O redemoinho, a palha e o fogo
O tom passa da história para a natureza, e o vocativo fica mais íntimo: 'elohay, meu Deus. O v. 13 pede que os inimigos sejam como o galgal, palavra que pode indicar o pó que gira no redemoinho ou, como muitos sugerem, uma planta seca que, no fim do verão, se solta da raiz e rola pelos campos ao sabor do vento. E como qash, a palha, a sobra leve do trigo, que o vento leva. As duas imagens falam de inconsistência: a coalizão que parecia tão sólida não tem raiz. Isaías usa as mesmas imagens, inclusive a palavra galgal, para as nações que rugem como águas e são dispersas pela repreensão de Deus (Is 17.12-14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e o Salmo 1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) já tinha comparado os ímpios à palha que o vento dispersa (Sl 1.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Os vv. 14-15 formam uma comparação de duas partes: assim como o fogo queima a mata e a chama incendeia os montes, assim Deus persiga os inimigos com a sua sa'ar, tempestade, e os assombre com a sua sufah, furacão. A imagem do incêndio nas encostas é conhecida de quem vive em terras secas, onde o fogo de verão avança sem controle. A tempestade e o vendaval são imagens de teofania, a manifestação de Deus que vem julgar (Sl 18.7-15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Na 1.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O silêncio do v. 1 deve terminar em trovão.

Versículos 16-18 — A vergonha que leva a buscar o nome
O último movimento muda a direção da oração de modo surpreendente. O v. 16 pede que Deus encha de qalon, ignomínia, o rosto dos inimigos, mas a finalidade é weyevaqshu shimkha YHWH, para que busquem o teu nome, Senhor. A vergonha não é o fim; é o caminho para a busca. A derrota é pedida como meio de conversão.

O v. 17 parece ir em direção oposta: que sejam envergonhados e perturbados para sempre, que se confundam e pereçam. Os intérpretes leem essa tensão de maneiras diferentes. Alguns entendem que o salmo contempla dois desfechos, a conversão de uns e a ruína dos que permanecem obstinados. Outros notam que "perecer" pode referir-se ao fim do projeto hostil, à destruição da coalizão como força de guerra, e não necessariamente de cada pessoa. A oração, de todo modo, não esconde a seriedade do juízo nem abandona a esperança de que os inimigos se voltem para Deus.

O v. 18 dá a palavra final, e ela vai além de Israel: weyede'u, e que saibam que tu, cujo nome é YHWH, somente tu és 'elyon, Altíssimo, sobre toda a terra. É a fórmula de reconhecimento que atravessa o Êxodo, quando Deus age para que os egípcios saibam que ele é o Senhor (Ex 14.4, 18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O título 'elyon liga este salmo ao anterior, em que Deus julga os bene 'elyon e é chamado a tomar as nações como herança (Sl 82.6, 8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Salmo 82 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) termina com Deus julgando a terra; o 83 termina com a terra reconhecendo Deus. A coleção de Asafe se encerra com uma confissão universal.

Vista no conjunto, a forma do salmo é a de uma súplica em dois grandes movimentos: a queixa (vv. 1-8), que descreve o perigo e a conspiração, e o pedido (vv. 9-18), que avança da memória do passado (vv. 9-12) às imagens da natureza (vv. 13-15) e, por fim, à finalidade de tudo, o conhecimento do nome de Deus (vv. 16-18). O selah do v. 8 marca a dobra entre as duas partes.


✨ 4. Versículos-Chave

Sl 83.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — A oração contra o silêncio de Deus. Em três negações, o povo pede que Deus fale e aja. O versículo dá permissão ao crente para dizer a Deus que ele parece calado, sem disfarçar a angústia. É uma fé que não aceita o silêncio como resposta final, e por isso insiste. Os que sofreram perseguição ao longo da história da Igreja encontraram nesse clamor uma forma de oração para os dias em que o céu parece fechado.

Sl 83.4-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — O plano de apagar o povo e o pacto contra Deus. Estes versos mostram a lógica profunda do salmo: atacar o povo de Deus é atacar o próprio Deus. Jesus confirmará essa lógica ao perguntar a Saulo, no caminho de Damasco, por que este o perseguia, quando Saulo perseguia os discípulos (At 9.4-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os inimigos da Igreja nunca lutam apenas contra homens.

Sl 83.16-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — A finalidade da súplica. A derrota dos inimigos é pedida para que eles busquem o nome do Senhor e reconheçam que só ele é o Altíssimo sobre toda a terra. Esses versos impedem que o salmo seja lido como mero desejo de vingança: o alvo último é a glória de Deus conhecida por todos os povos. O Novo Testamento verá esse alvo realizado na confissão universal do nome de Jesus como Senhor (Fp 2.9-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).


⛪ 5. Temas Teológicos Centrais

O silêncio de Deus e a oração que insiste. O salmo nasce da sensação de que Deus está calado justamente quando o perigo é maior. A fé bíblica não esconde essa experiência. Habacuque perguntou por que Deus se calava enquanto o ímpio devorava o justo (Hc 1.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e Jesus contou parábolas para ensinar a orar sem esmorecer (Lc 18.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Salmo 83 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) mostra que o silêncio de Deus não é motivo para abandonar a oração, mas para intensificá-la, e que se pode pedir a Deus que fale.

A solidariedade de Deus com o seu povo. O salmo chama os inimigos de Israel de inimigos de Deus e o povo de "teus escondidos". Essa identificação atravessa a Escritura: Zacarias compara o povo à pupila dos olhos de Deus, de modo que feri-lo é atingir o próprio Deus (Zc 2.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). No Novo Testamento, ela ganha uma forma pessoal em Cristo, que se identifica com os seus discípulos a ponto de considerar como feito a ele o que se faz a eles, para o bem (Mt 25.40 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e para o mal (At 9.4-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A memória das obras de Deus como fundamento da oração. Diante do perigo presente, o povo lembra Midiã, Sísera e Jabim. A oração bíblica não nasce do vazio, mas da história: Deus agiu antes e pode agir de novo. É o mesmo movimento de outros salmos de Asafe (Sl 77.11-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Sl 78.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Para a Igreja, a memória decisiva é a cruz e a ressurreição: quem viu Deus vencer ali pode confiar nele diante de qualquer coalizão.

A imprecação a serviço do conhecimento de Deus. As súplicas duras dos vv. 9-17 não são o fim do salmo; o fim é que os inimigos busquem e conheçam o nome do Senhor. A oração imprecatória, na Bíblia, entrega a Deus a causa da justiça, em vez de fazê-la com as próprias mãos, e pede um juízo que sirva à revelação de quem Deus é. Esse tema será retomado na seção 6 à luz de Cristo.


✝️ 6. Visão Cristocêntrica — Cristo neste Capítulo

6.1 — A Grande Narrativa: onde este capítulo se encontra no arco redentor?

O Salmo 83 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) pertence à Redenção em andamento e mostra um dos seus aspectos mais persistentes: a hostilidade do mundo contra o povo da promessa. Desde a Queda, a Escritura fala de uma inimizade entre a descendência da serpente e a descendência da mulher (Gn 3.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Essa inimizade se manifesta ao longo da história de Israel, nas tentativas de faraó, de Hamã e das nações coligadas de apagar o povo de Deus, porque é por meio dele que a bênção prometida a Abraão deve chegar a todas as famílias da terra (Gn 12.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Na Redenção consumada, a hostilidade atinge o seu ponto máximo contra o próprio Messias, e é vencida na cruz e na ressurreição. A Nova Criação é o momento em que nenhuma coalizão voltará a ameaçar o povo de Deus, porque os povos virão trazer a sua glória à cidade iluminada por Deus (Ap 21.24-26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e o nome do Senhor será conhecido de toda a terra.

6.2 — Cristo e a coalizão contra o Ungido

O Salmo 83 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) descreve povos inimigos entre si que se unem contra Deus e o seu povo. O Novo Testamento vê esse padrão chegar ao auge na paixão de Jesus. Depois da libertação de Pedro e João, a igreja de Jerusalém ora com as palavras do Salmo 2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e reconhece que Herodes e Pilatos, estrangeiros e israelitas, se coligaram contra Jesus, o santo Servo ungido por Deus (At 4.25-27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Lucas registra um detalhe que lembra o v. 5 deste salmo: a antiga inimizade entre Herodes e Pilatos se transformou em amizade naquele mesmo dia (Lc 23.12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A maior aliança contra Deus foi a que se formou em torno da cruz, unindo líderes religiosos, autoridades romanas e a multidão.

Mas a oração da igreja em Atos acrescenta algo que o Salmo 83 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) apenas pressentia: sem saber, eles executaram aquilo que Deus, no seu poder e no seu plano, já havia decidido (At 4.28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A coalizão que parecia vitoriosa serviu, sem saber, ao plano de redenção. O "dia de Midiã", que o salmo invoca como modelo de vitória, ganha aqui o seu sentido mais profundo. Isaías tinha ligado esse dia ao nascimento de um menino a quem o governo seria dado (Is 9.4-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); em Jesus, a vitória vem, como no tempo de Gideão, pela fraqueza, e não pela força. Paulo dirá que a aparente fraqueza de Deus supera todo o vigor humano (1Co 1.25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A cruz foi o lugar em que a coalizão contra o Ungido foi desfeita como palha ao vento.

6.3 — Cristo e os "escondidos" de Deus

O v. 3 chama o povo ameaçado de tsefuneka, os que Deus esconde e guarda. Paulo usa uma imagem próxima quando lembra aos colossenses que, tendo morrido com Cristo, eles têm agora a vida guardada num lugar secreto: junto de Cristo, em Deus (Cl 3.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O lugar em que a Igreja está escondida é o próprio Cristo. Por isso Jesus pode garantir que as suas ovelhas estão seguras na mão dele e na do Pai, de onde ninguém as tira (Jo 10.28-29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e prometer que nem o poder da morte vencerá a sua Igreja (Mt 16.18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Isso não significa que o povo de Deus não sofra. Jesus advertiu os discípulos de que o ódio do mundo, que o atingira primeiro, os atingiria também (Jo 15.18-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e não lhes prometeu um caminho sem aflição, mas a companhia de quem já derrotou o mundo (Jo 16.33 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O plano do v. 4, apagar o nome do povo de Deus, foi tentado muitas vezes contra a Igreja, desde as perseguições do Império Romano até os dias de hoje, em várias partes do mundo. O Apocalipse usa imagens que lembram este salmo ao descrever, no fim, as nações reunidas em volta do povo de Deus e da cidade querida, e o fogo do céu que põe fim ao cerco (Ap 20.8-9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A última coalizão contra o povo de Deus terá o fim que o v. 14 pedia.

6.4 — Cristo e a imprecação: a justiça entregue a Deus e a esperança de conversão

O leitor cristão sente o peso das súplicas dos vv. 9-17. Como orar pedindo que os inimigos virem adubo no chão, quando Jesus ordenou o amor aos inimigos e a oração por quem persegue (Mt 5.44 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))? A resposta não está em eliminar o salmo, mas em lê-lo inteiro e à luz da cruz.

Em primeiro lugar, o Salmo 83 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) é uma oração, e não um plano de ação. O povo não pega em armas para destruir os inimigos; entrega a causa a Deus. É exatamente isso que Paulo ensina: não fazer justiça com as próprias mãos, mas deixar a retribuição a Deus, a quem ela pertence, e responder ao mal com o bem até derrotá-lo (Rm 12.19-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Pedro descreve Jesus, na paixão, como aquele que, diante das ofensas, não revidou, mas confiou a sua causa ao Juiz justo (1Pe 2.23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Até os mártires do Apocalipse, sob o altar, pedem a Deus que faça justiça pelo seu sangue (Ap 6.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O clamor por justiça não é condenado; o que se condena é a vingança pessoal.

Em segundo lugar, o salmo aponta para um alvo maior do que a destruição: que os inimigos busquem o nome do Senhor (v. 16) e saibam que ele é o Altíssimo (v. 18). O Novo Testamento mostra esse alvo se realizando de maneira inesperada. Saulo de Tarso, que fazia parte de uma conspiração contra a Igreja, foi derrubado no caminho de Damasco, envergonhado na sua cegueira, e passou a buscar o nome que perseguia (At 9.1-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E Paulo dirá que Deus exaltou Jesus e lhe concedeu o nome supremo, de modo que diante dele toda a criação se ajoelhe e toda boca o reconheça como Senhor, para a glória do Pai (Fp 2.9-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ao escrever isso, ele aplica a Jesus uma profecia de Isaías em que o próprio Senhor jura que todo joelho se dobrará diante dele (Is 45.23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O desejo do v. 18, que as nações conheçam o nome do Senhor como o Altíssimo, se cumpre na confissão do nome de Jesus.

Em terceiro lugar, a cruz muda a posição de quem ora. Paulo lembra que, quando ainda éramos hostis a Deus, a morte do Filho nos trouxe de volta à paz com ele (Rm 5.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O crente que ora o Salmo 83 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) sabe que poderia estar na lista dos vv. 6-8. Por isso ora, ao mesmo tempo, pela derrota dos planos do mal e pela conversão dos que os executam, como Jesus orou pelos que o crucificavam (Lc 23.34 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Isso não anula a realidade do juízo final, que o Novo Testamento afirma com seriedade (2Ts 1.6-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), mas coloca o juízo nas mãos de quem sabe julgar e deseja salvar.

6.5 — O Evangelho no capítulo

O Salmo 83 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) é a oração de um povo cercado, que não tem força para enfrentar a coalizão e só pode pedir que Deus fale. O evangelho anuncia que a última palavra de Deus tem nome, o Filho (Hb 1.1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e que a coalizão de todas as forças contra Deus se reuniu contra esse Filho na cruz. Ali, aparentemente, o plano do v. 4 se cumpria: o Ungido foi tirado da terra dos vivos. Mas, ao terceiro dia, Deus quebrou o silêncio de modo inesquecível, e a aliança dos inimigos se desfez como palha.

Pregar este salmo cristocentricamente é levar o ouvinte a duas descobertas. A primeira é a segurança dos que estão escondidos em Cristo: nenhuma conspiração humana ou espiritual pode arrancá-los da mão de Deus. A segunda é a humildade de quem sabe que também estava entre os inimigos e foi alcançado pela graça. Dessas duas descobertas nasce uma oração que pede, com a mesma sinceridade, que Deus frustre os planos do mal e que os inimigos busquem o seu nome.


🔗 7. Conexões Bíblicas (Teologia Bíblica Canônica)


🌍 8. Aplicação Prática Contemporânea com Fundamento Cristológico

Ore quando Deus parece calado. Há momentos em que a ameaça cresce e Deus parece não responder. O salmo ensina a dizer isso a ele, com honestidade e insistência. Cristo, que conheceu o silêncio do céu na cruz e foi ouvido na ressurreição, garante que a oração do seu povo não cai no vazio.

Lembre o que Deus já fez. O povo cercado recorre à memória de Gideão e de Débora. O crente cercado por problemas, perseguição ou medo pode recorrer à memória da cruz e da ressurreição, e também às histórias de fidelidade de Deus na sua própria vida. A lembrança das obras de Deus alimenta a coragem de orar.

Entregue a justiça a Deus e ore pela conversão dos que fazem o mal. O salmo não autoriza ninguém a tomar a vingança nas próprias mãos. Ele transforma a raiva diante da injustiça em oração e coloca no centro o desejo de que os inimigos conheçam a Deus. Seguir a Cristo é orar, como ele, pelos que nos ferem, sem deixar de pedir que os planos do mal sejam frustrados.

Não transforme o salmo em ódio contra povos. A lista dos vv. 6-8 descreve inimigos antigos de Israel, e não os povos de hoje. Usar este texto para alimentar hostilidade contra nações ou etnias contraria o seu próprio fim, que é a busca do nome do Senhor por todos. Em Cristo, gente de todos os povos é chamada a formar uma só família (Ef 2.14-19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Descanse no esconderijo de Deus. O povo ameaçado é chamado de "os escondidos" de Deus. Quem está em Cristo pode enfrentar a hostilidade do mundo sem pânico, porque a sua vida está guardada nele. A segurança não está na ausência de inimigos, mas na mão que segura.


🤔 9. Perguntas para Reflexão e Estudo

  1. O salmo começa pedindo que Deus não fique calado (v. 1). Você já viveu um tempo em que Deus parecia em silêncio? Como este salmo ajuda a orar nesses momentos?
  2. Por que o salmista chama os inimigos de Israel de inimigos de Deus (v. 2) e o povo de "teus escondidos" (v. 3)? Que consolo e que responsabilidade há nessa identificação?
  3. Por que o povo, diante de um perigo presente, lembra as vitórias de Gideão e de Débora (vv. 9-12)? Que histórias da fidelidade de Deus você costuma lembrar?
  4. Como conciliar as súplicas duras dos vv. 9-17 com o mandamento de Jesus de amar os inimigos? Que papel tem a finalidade expressa nos vv. 16 e 18?
  5. De que maneira a reunião de Herodes, Pilatos e da multidão contra Jesus (At 4.25-28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Lc 23.12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) ilumina o v. 5 deste salmo? E como a ressurreição responde ao v. 1?
  6. Para meditação e oração: pense em alguém que lhe faz mal ou que se opõe à fé. Entregue a Deus a sua causa e peça, com sinceridade, que essa pessoa venha a buscar o nome do Senhor.

📚 10. Para Aprofundamento

Cristocêntrica / Teologia Bíblica:

  • Sidney Greidanus — Preaching Christ from the Old Testament (Eerdmans, 1999)
  • Christopher J. H. Wright — Conhecendo Jesus através do Antigo Testamento (Ultimato) / Knowing Jesus Through the Old Testament (IVP, 1992)
  • Dietrich Bonhoeffer — Das Gebetbuch der Bibel (1940), pequeno livro sobre os Salmos como oração de Cristo e da Igreja, com uma leitura dos salmos imprecatórios à luz da cruz
  • John N. Day — Crying for Justice: What the Psalms Teach Us About Mercy and Vengeance in an Age of Terrorism (Kregel, 2005)
  • C. S. Lewis — Reflections on the Psalms (1958), com um capítulo sobre as maldições dos Salmos

Comentários dos Salmos:

  • Derek Kidner — Salmos 73–150 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba): introdução e comentário (Vida Nova, série Cultura Bíblica)
  • Marvin E. Tate — Psalms 51–100 (Word Biblical Commentary, 1990)
  • Nancy deClaissé-Walford, Rolf A. Jacobson e Beth LaNeel Tanner — The Book of Psalms (NICOT, Eerdmans, 2014)
  • Frank-Lothar Hossfeld e Erich Zenger — Psalms 2: A Commentary on Psalms 51–100 (Hermeneia, Fortress, 2005)

Sabedoria para o Cotidiano
Quando o mal parece se organizar contra você e Deus parece calado, não se cale também: diga a ele o que está acontecendo, lembre o que ele já fez e entregue em suas mãos a causa que você não pode vencer. Os planos que se juntam contra o povo de Deus têm a consistência da palha diante do vento, porque quem está em Cristo está escondido em Deus. E ore até pelos que se levantam contra você, pedindo que a derrota dos planos deles se torne, para eles, o começo da busca pelo nome do Senhor, como aconteceu um dia com quem também era inimigo e foi alcançado pela graça.

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