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Atos · 44 de 66 · Novo Testamento

Atos — Bloco 8: A Segunda Viagem: o Evangelho Chega à Europa

Capítulos principais

Capítulos e versículos: Atos 15:36–18:22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba).

Tema central do bloco

A segunda viagem missionária de Paulo, realizada provavelmente entre 49 e 52 d.C., começa com uma ruptura dolorosa e termina com a fundação de algumas das igrejas mais importantes do Novo Testamento. Nesse percurso, o evangelho atravessa o mar Egeu e chega pela primeira vez, de forma documentada, ao continente europeu.

Lucas organiza a narrativa como uma série de encontros em cidades muito diferentes:

  • Filipos, colônia romana orgulhosa de sua cidadania;
  • Tessalônica, capital da província da Macedônia;
  • Bereia, com sua sinagoga aberta ao exame das Escrituras;
  • Atenas, capital intelectual do mundo grego;
  • Corinto, metrópole comercial, cosmopolita e moralmente célebre pelos seus excessos.

Em cada lugar, o evangelho encontra pessoas, culturas e resistências distintas. Encontra uma comerciante rica, uma jovem escravizada, um carcereiro romano, filósofos epicuristas e estoicos, um casal de artesãos e um procônsul. E em cada lugar se adapta sem perder sua essência.

O bloco ensina três lições principais:

  1. Direção divina. Deus conduz a missão tanto por portas fechadas quanto por portas abertas. O Espírito impede a pregação na Ásia e na Bitínia antes de abrir a Macedônia.
  2. Força transformadora. O evangelho alcança todas as camadas sociais e provoca reações fortes: conversões, motins, prisões, zombarias.
  3. Autoridade de Cristo. Jesus é anunciado como Rei, o que inquieta as autoridades, e como Juiz ressuscitado, o que desafia os filósofos. O próprio Senhor sustenta seu servo, a quem diz em Corinto que não tema, porque está com ele.

Versículos-chave do Livro estudado

Versículos relacionados em outros capítulos ou Livros da Bíblia

Explicação teológica e bíblica

A ruptura entre Paulo e Barnabé e a nova equipe (15:36–16:5)

Algum tempo depois do Concílio, Paulo propõe a Barnabé visitar novamente os irmãos das cidades onde haviam pregado (15:36). Barnabé quer levar João Marcos, seu primo (Cl 4:10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Paulo julga não ser prudente levar alguém que os abandonara na Panfília e não os acompanhara na obra (15:37-38). O verbo usado para o abandono de Marcos (aphistēmi) é forte, o mesmo que se usa para apostatar.

A divergência é tão aguda (paroxysmos, palavra de onde vem "paroxismo") que os dois se separam (15:39). Barnabé leva Marcos e navega para Chipre. Paulo escolhe Silas e parte, confiado pelos irmãos à graça do Senhor (15:40). Percorre a Síria e a Cilícia fortalecendo as igrejas (15:41).

Lucas não oculta o conflito e não toma partido explícito. Os dois homens tinham razões legítimas:

  • Barnabé, coerente com o nome de "filho da consolação", apostava na restauração de um jovem que falhara.
  • Paulo zelava pela solidez de uma missão perigosa.

O resultado, pela providência de Deus, foi a multiplicação: duas equipes em vez de uma.

O Novo Testamento mostra ainda que a história não terminou ali. Paulo mais tarde fala de Barnabé com respeito (1Co 9:6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Menciona Marcos como colaborador (Cl 4:10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Fm 24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). No fim da vida, pede que Marcos venha encontrá-lo, porque lhe é útil no ministério (2Tm 4:11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Segundo antiga tradição, registrada por Papias, Marcos escreveu o Evangelho que leva seu nome. O jovem que desistiu no meio do caminho não foi descartado por Deus.

Silas, também chamado Silvano nas cartas (1Ts 1:1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 2Ts 1:1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 1Pe 5:12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), era líder respeitado em Jerusalém e profeta (15:22, 32). Era também cidadão romano (16:37), o que será importante em Filipos.

Em Listra, Paulo encontra Timóteo, discípulo de quem os irmãos de Listra e Icônio davam bom testemunho (16:1-2). Era filho de mãe judia crente e de pai grego. Paulo o circuncida por causa dos judeus da região, que sabiam que seu pai era grego (16:3).

A decisão pode parecer contraditória após o Concílio, mas não é. Para a lei judaica, filho de mãe judia era judeu. Um judeu incircunciso seria visto como apóstata e teria as portas das sinagogas fechadas. A circuncisão de Timóteo não era condição de salvação. Era uma acomodação missionária, segundo o princípio de Paulo de se fazer judeu para os judeus (1Co 9:20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Já no caso de Tito, gentio, Paulo recusou a circuncisão porque ela seria interpretada como exigência para a salvação (Gl 2:3-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A diferença está no significado do gesto, não no gesto em si.

A equipe entrega às igrejas as decisões do Concílio, e Lucas registra o quarto sumário de progresso: as igrejas eram fortalecidas na fé e cresciam em número a cada dia (16:4-5).

Portas fechadas e o chamado da Macedônia (16:6-10)

Este pequeno trecho é um dos mais instrutivos sobre a direção divina:

  1. A equipe atravessa a Frígia e a região da Galácia, impedida pelo Espírito Santo de anunciar a Palavra na Ásia, a província cuja capital era Éfeso (16:6).
  2. Tenta entrar na Bitínia, ao norte, mas o Espírito de Jesus não permite (16:7). A expressão "Espírito de Jesus" é única em Atos e identifica o Espírito como o próprio Cristo agindo (cf. Rm 8:9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Fp 1:19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
  3. Passa pela Mísia e desce a Trôade, no litoral (16:8).

Lucas não explica como o Espírito impediu. Pode ter sido uma profecia, circunstâncias externas ou até uma enfermidade. O certo é que, durante semanas, a direção de Deus se manifestou como negação.

Em Trôade, durante a noite, Paulo tem uma visão. Um homem macedônio, de pé, suplica-lhe que passe à Macedônia e os ajude (16:9). Imediatamente procuram partir, concluindo (symbibazontes, juntando as peças) que Deus os chamava para evangelizar ali (16:10). O verbo mostra que a direção não anulou o discernimento: a visão foi interpretada em conjunto pela equipe.

No versículo 10 aparece, pela primeira vez, a primeira pessoa do plural: "procuramos partir". É o início da primeira das "seções nós" de Atos. A maioria dos estudiosos entende que Lucas, o autor, se juntou à equipe em Trôade e passou a narrar como testemunha ocular.

Filipos: Lídia, a jovem escravizada e o carcereiro (16:11-40)

A equipe navega por Samotrácia até Neápolis e chega a Filipos, colônia romana e a principal cidade daquele distrito da Macedônia (16:11-12). Como colônia, Filipos era uma pequena Roma fora da Itália. Fora povoada por veteranos do exército, governava-se pelo direito romano, e seus cidadãos tinham orgulho de sua condição. Esse detalhe será decisivo no desfecho do episódio.

Lídia (16:13-15). No sábado, a equipe sai da cidade até a beira do rio, onde se supunha haver um lugar de oração (proseuchē). Ao que parece, não havia sinagoga em Filipos. Segundo a tradição judaica, eram necessários dez homens judeus para formar uma, e o pequeno grupo era composto de mulheres.

Entre elas está Lídia, vendedora de púrpura da cidade de Tiatira, adoradora de Deus. A púrpura era o tecido mais caro da antiguidade, símbolo de realeza. Tiatira era conhecida por suas corporações de tintureiros, atestadas em inscrições da época. Lídia era, portanto, uma empresária próspera e provavelmente chefe de sua casa.

Lucas registra a frase teológica decisiva: o Senhor abriu (dianoigō) o coração dela para atender ao que Paulo dizia. A conversão é obra de Deus, que abre o coração, e não apenas fruto de argumentação. Lídia é batizada com sua casa (oikos), que incluía familiares, servos e dependentes. Ela insiste que os missionários se hospedem com ela. Sua casa se torna o primeiro lugar de reunião da igreja na Europa (16:40).

A jovem escravizada (16:16-18). Indo ao lugar de oração, a equipe encontra uma jovem escrava possuída por um espírito de adivinhação. O texto grego diz literalmente "espírito de píton", alusão à serpente Píton, ligada ao oráculo de Apolo em Delfos. A jovem dava muito lucro a seus senhores com suas adivinhações.

Durante dias, ela segue Paulo e os demais gritando que aqueles homens eram servos do Deus Altíssimo e anunciavam o caminho da salvação. A frase era verdadeira, mas a fonte não era. O evangelho não precisa de propaganda vinda das trevas.

Paulo, muito incomodado (diaponētheis), volta-se e ordena ao espírito, em nome de Jesus Cristo, que saia dela. O espírito sai naquela mesma hora.

A reação econômica e a prisão (16:19-24). Os senhores da jovem percebem que a fonte de lucro desapareceu. Agarram Paulo e Silas e os arrastam à praça pública, diante das autoridades. A acusação disfarça o motivo econômico com argumentos de identidade e ordem pública: são judeus que perturbam a cidade e ensinam costumes que romanos não podem aceitar nem praticar (16:20-21).

A multidão se levanta, os magistrados mandam rasgar-lhes as roupas e açoitá-los com varas. Depois de muitos golpes, os dois são lançados na prisão interior, com os pés presos no tronco (16:22-24). Paulo mencionaria mais tarde que três vezes foi açoitado com varas (2Co 11:25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e que sofreu maus-tratos em Filipos (1Ts 2:2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O episódio revela um padrão que se repetirá em Éfeso (19:23-27). Quando o evangelho liberta pessoas e toca interesses econômicos fundados na exploração, a reação é violenta. A jovem liberta desaparece da narrativa, mas sua libertação custou aos missionários as costas sangrando.

O hino da meia-noite e o carcereiro (16:25-34). Por volta da meia-noite, Paulo e Silas oram e cantam hinos a Deus, e os outros presos os escutam (16:25). Com o corpo ferido, os pés presos e sem perspectiva humana, eles cantam. É o que a Escritura chama de canções na noite (Jó 35:10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Sl 42:8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

De repente, um grande terremoto abala os alicerces da prisão. Todas as portas se abrem e as correntes de todos se soltam (16:26). O carcereiro acorda, vê as portas abertas e, supondo que os presos fugiram, puxa a espada para se matar (16:27). Pela lei romana, ele responderia com a própria vida pelos prisioneiros, como os guardas de Pedro em 12:19.

Paulo grita que ele não se faça nenhum mal, porque todos estão ali (16:28). O carcereiro pede luz, entra correndo, prostra-se tremendo diante de Paulo e Silas e, levando-os para fora, pergunta o que deve fazer para ser salvo (16:29-30).

A resposta é a síntese mais curta do evangelho em todo o Novo Testamento: que ele creia no Senhor Jesus e será salvo, ele e sua casa (16:31). Em seguida, os missionários lhe anunciam a Palavra do Senhor e a todos os de sua casa (16:32). A promessa não significa que a fé do chefe da família salva automaticamente os outros. Todos ouvem a Palavra e, como Lucas registra, todos creem.

Naquela mesma hora da noite, o carcereiro lava as feridas dos missionários. E ele e todos os seus são batizados imediatamente (16:33). A mesma água que limpa as feridas dos apóstolos serve ao batismo do carcereiro. Ele os leva para sua casa, prepara-lhes a mesa e se alegra com toda a família por ter crido em Deus (16:34).

Os batismos de "casas inteiras" (16:15, 33; cf. 11:14; 18:8) são usados no debate sobre o batismo de crianças:

  • As tradições pedobatistas veem neles indício de que os filhos pequenos eram incluídos.
  • As tradições credobatistas observam que, nos relatos, os membros da casa ouvem a Palavra e creem antes de serem batizados.

O texto não resolve a questão diretamente, e convém tratá-la com equilíbrio.

A cidadania romana (16:35-40). De manhã, os magistrados mandam os oficiais, os lictores que portavam as varas, soltarem os presos (16:35-36). Paulo responde que não sairia assim. Eles, cidadãos romanos, foram açoitados publicamente sem julgamento e lançados na prisão; agora querem livrar-se deles às escondidas? Que os próprios magistrados venham soltá-los (16:37).

O direito romano proibia açoitar um cidadão sem processo. O orador Cícero, nos discursos contra Verres, fez da violação desse direito um símbolo da injustiça. Os magistrados ficam com medo, vão pessoalmente, pedem desculpas e solicitam que deixem a cidade (16:38-39).

Por que Paulo não invocou a cidadania antes de ser açoitado? Lucas não explica; talvez no tumulto não houvesse como ser ouvido. E por que a invocou depois? A explicação mais provável é a proteção da igreja recém-nascida. Ao exigir reparação pública, Paulo deixava claro que os cristãos de Filipos não eram criminosos e que as autoridades tinham agido ilegalmente. Ele não buscava vingança, mas a segurança dos irmãos que ficariam.

Antes de partir, Paulo e Silas vão à casa de Lídia, veem e encorajam os irmãos e seguem viagem (16:40). A igreja de Filipos se tornará a mais próxima do coração de Paulo e a mais generosa no sustento de sua missão (Fp 1:3-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 4:15-16). A narrativa em primeira pessoa termina aqui, e muitos supõem que Lucas permaneceu em Filipos. Ela voltará justamente em Filipos, anos depois (20:5).

A fundação da igreja de Filipos tem uma beleza especial. Seus primeiros membros foram:

  • uma empresária estrangeira rica;
  • uma jovem escravizada e explorada;
  • um funcionário romano de classe média com sua família.

Três pessoas que, naquela sociedade, jamais se sentariam à mesma mesa formam juntas a primeira comunidade cristã da Europa. Anos depois, Paulo escreveria a essa igreja, numa colônia orgulhosa de sua cidadania romana, que a cidadania dos cristãos está nos céus (Fp 3:20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Tessalônica e Bereia: as Escrituras e outro Rei (17:1-15)

Pela Via Egnácia, a grande estrada romana, Paulo e Silas passam por Anfípolis e Apolônia e chegam a Tessalônica, capital da província da Macedônia, onde havia sinagoga (17:1). Segundo seu costume, Paulo entra nela e durante três sábados discute (dialegomai) com eles com base nas Escrituras. Explica e demonstra (paratithēmi, expor lado a lado) que era necessário que o Cristo sofresse e ressuscitasse dos mortos. E afirma que esse Cristo é Jesus, a quem ele anuncia (17:2-3).

A pregação começa pela tese bíblica e só depois a identifica com a pessoa de Jesus. O maior obstáculo para os judeus era justamente a ideia de um Messias crucificado.

Alguns judeus creem, e também uma grande multidão de gregos tementes a Deus e não poucas mulheres da alta sociedade (17:4). Os judeus que não creram, tomados de inveja, reúnem homens maus da praça e provocam um tumulto. Atacam a casa de Jasão, onde os missionários estavam hospedados (17:5). Não os encontrando, arrastam Jasão e alguns irmãos diante das autoridades da cidade (17:6).

Lucas usa o título politarchai. Durante muito tempo os críticos o consideraram um erro, porque não aparecia na literatura clássica. Depois, porém, foi encontrado em várias inscrições da própria Tessalônica e da Macedônia, o que confirmou a precisão de Lucas.

A acusação é reveladora (17:6-7). Esses homens agitaram o mundo habitado e agora vieram também para cá. Agem contra os decretos de César, dizendo que há outro rei, Jesus. A acusação era maliciosa, porque Jesus não pretendia o trono do imperador. Mas tinha um fundo verdadeiro: o evangelho de fato proclama um Senhor acima de César. A confissão de que Jesus é Senhor (Kyrios) tinha implicações num império que atribuía esse título ao imperador.

As autoridades exigem fiança de Jasão e dos outros e os soltam (17:9). Paulo deixaria Tessalônica às pressas, mas a igreja ali fundada continuaria firme em meio à perseguição. Ele a elogiaria por ter se convertido dos ídolos a Deus para servir ao Deus vivo e esperar do céu o seu Filho (1Ts 1:9-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Durante a noite, os irmãos enviam Paulo e Silas a Bereia (17:10). Ali os judeus da sinagoga são mais nobres (eugenesteroi) que os de Tessalônica. Recebem a Palavra com toda avidez e examinam diariamente as Escrituras para ver se as coisas eram de fato assim (17:11). Muitos deles creem, e também mulheres gregas de alta posição e não poucos homens (17:12).

A atitude dos bereanos tornou-se proverbial na história da igreja. Eles unem duas virtudes que raramente andam juntas: a abertura sincera para ouvir e o exame rigoroso do que ouvem. Não aceitam por credulidade nem rejeitam por preconceito. E examinam diariamente, não só nos sábados. Lucas os elogia por conferirem até a pregação de um apóstolo com as Escrituras.

Judeus de Tessalônica chegam também a Bereia e agitam o povo (17:13). Os irmãos enviam Paulo em direção ao mar, enquanto Silas e Timóteo permanecem ali. Os que acompanham Paulo o levam até Atenas (17:14-15).

Atenas: o Areópago e o Deus desconhecido (17:16-34)

Enquanto espera Silas e Timóteo em Atenas, Paulo sente o espírito revoltar-se dentro dele ao ver a cidade cheia de ídolos (17:16). O termo kateidōlos sugere uma cidade "coberta" ou "abarrotada" de ídolos. Escritores antigos comentavam que em Atenas era mais fácil encontrar um deus do que um homem.

A Atenas do século I já não era a potência política de Péricles, mas continuava sendo a capital simbólica da filosofia, da arte e da cultura grega. O verbo paroxynō é o mesmo da divergência com Barnabé. Paulo não admira a cidade como turista; sofre por ela como profeta.

Ele discute na sinagoga com judeus e tementes a Deus, e diariamente na praça (ágora) com quem encontrasse (17:17). Entre esses interlocutores estão filósofos de duas escolas:

  • Epicureus, que buscavam a tranquilidade da alma e consideravam os deuses distantes e indiferentes;
  • Estoicos, que viam a divindade como razão imanente no universo e cultivavam a virtude e o autocontrole.

Uns o chamam de tagarela, usando a palavra spermologos, que designava o pássaro que cata sementes e, por extensão, alguém que junta fragmentos de ideias sem compreendê-las. Outros pensam que ele anuncia divindades estrangeiras, porque pregava Jesus e a ressurreição (17:18). É possível que alguns entendessem "Jesus" e "Anástasis" (ressurreição, em grego) como um novo par de deuses.

Levam-no ao Areópago (17:19). O nome designava tanto a colina de Ares quanto o antigo conselho que ali se reunia e que ainda tinha autoridade sobre questões de religião e educação. Querem saber que novo ensino é aquele. Lucas comenta com ironia que todos os atenienses e os estrangeiros residentes não se ocupavam de outra coisa senão de dizer ou ouvir as últimas novidades (17:21).

O discurso de Paulo (17:22-31) é uma obra-prima de comunicação intercultural. Pode ser dividido em seis movimentos:

1. Ponto de contato (17:22-23). Paulo começa observando que os atenienses são muito religiosos. O termo deisidaimonesteroi é ambíguo: pode significar religiosos ou supersticiosos, e Paulo talvez explore a ambiguidade. Ele conta que, ao percorrer a cidade, encontrou um altar dedicado a um deus desconhecido. O escritor grego Pausânias (Descrição da Grécia, 1.1.4) e Diógenes Laércio (Vidas dos Filósofos, 1.110) mencionam altares desse tipo em Atenas. Paulo anuncia que aquilo que eles adoram sem conhecer é justamente o que ele vem lhes anunciar.

2. O Deus Criador (17:24-25). O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe é Senhor do céu e da terra. Não habita em templos feitos por mãos humanas, ecoando Estêvão (7:48). Não é servido por mãos humanas como se precisasse de algo, porque é ele quem dá a todos vida, respiração e todas as coisas (cf. Sl 50:9-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O ataque à idolatria é feito com argumentos que os próprios filósofos podiam reconhecer.

3. O Deus da história e da humanidade (17:26-27). De um só (ex henos) Deus fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra. Determinou os tempos estabelecidos e os limites de sua habitação (cf. Dt 32:8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Isso foi para que buscassem a Deus e, talvez tateando, o encontrassem. O verbo psēlaphaō descreve alguém que procura no escuro com as mãos. E Deus não está longe de cada um de nós.

A afirmação da unidade da raça humana atingia diretamente o orgulho ateniense. Os atenienses se consideravam nascidos do próprio solo da Ática e desprezavam os demais povos como "bárbaros".

4. O testemunho dos poetas (17:28-29). Paulo cita duas expressões da literatura grega:

  • A primeira, sobre viver, mover-se e existir em Deus, costuma ser atribuída a Epimênides de Creta.
  • A segunda, que diz que somos geração de Deus, vem do poeta Arato de Solos, da Cilícia como Paulo (Fenômenos, 5), e tem paralelo no Hino a Zeus do estoico Cleantes.

Paulo extrai a conclusão. Se somos geração de Deus, não devemos pensar que a divindade seja semelhante a ouro, prata ou pedra, trabalhados pela arte e pela imaginação humana. A criatura viva não pode ter como origem um objeto morto.

Paulo usa a cultura do ouvinte como ponte, sem endossar o sistema filosófico do qual as citações vinham.

5. O chamado ao arrependimento (17:30). Deus, tendo tolerado os tempos da ignorância, agora ordena a todos os homens, em toda parte, que se arrependam. O discurso deixa de ser filosofia e se torna proclamação.

6. O juízo e a ressurreição (17:31). Deus fixou um dia em que julgará o mundo com justiça, por meio de um homem que destinou para isso. Deu prova (pistis, garantia) disso a todos ao ressuscitá-lo dentre os mortos. O nome de Jesus não aparece, mas ele é o centro do discurso. É o homem constituído juiz, e sua ressurreição é a garantia do juízo.

A reação é dividida (17:32-34):

  • Ao ouvirem falar de ressurreição dos mortos, alguns zombam. Para a mentalidade grega, a libertação da alma do corpo era desejável, e a ressurreição do corpo parecia absurda.
  • Outros dizem que o ouvirão sobre isso outra vez.
  • Alguns se juntam a ele e creem, entre eles Dionísio, membro do Areópago, uma mulher chamada Dâmaris e outros.

Há um debate antigo sobre a avaliação do discurso de Atenas. Alguns intérpretes sugeriram que Paulo considerou o método um fracasso. Por isso, em Corinto, teria decidido nada saber senão Jesus Cristo crucificado (1Co 2:1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Comentaristas como F. F. Bruce e John Stott rejeitam essa leitura. O discurso anunciou arrependimento, juízo e ressurreição, que são o núcleo do evangelho. Gerou convertidos, inclusive um membro do Areópago. E Lucas o apresenta como modelo, não como erro. A decisão de 1 Coríntios 2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) reflete o contexto específico de Corinto, uma igreja fascinada pela retórica e pela sabedoria humana.

Corinto: tendas, oposição e uma promessa (18:1-17)

De Atenas, Paulo vai a Corinto (18:1). Era uma cidade reconstruída por Júlio César como colônia romana, capital da província da Acaia, situada num istmo entre dois portos e ponto de passagem do comércio entre o Oriente e o Ocidente. Era rica, cosmopolita, e sua reputação moral era tão ruim que o verbo grego "corintizar" passou a significar levar uma vida devassa.

Ali Paulo encontra Áquila, judeu natural do Ponto, recém-chegado da Itália com sua mulher, Priscila. Eles tinham deixado Roma porque o imperador Cláudio ordenara que todos os judeus saíssem da cidade (18:2). O historiador Suetônio registra essa expulsão (Vida de Cláudio, 25.4). Atribui-a a tumultos provocados entre os judeus por um certo "Cresto". Muitos historiadores entendem que se trata de uma grafia deformada de "Cristo", e que as tensões causadas pela pregação cristã na comunidade judaica de Roma levaram à medida, por volta de 49 d.C.

Como tinham o mesmo ofício, Paulo fica com eles e trabalha: eram fabricantes de tendas (skēnopoioi), provavelmente trabalhando com couro (18:3). Todo sábado discutia na sinagoga, procurando persuadir judeus e gregos (18:4).

Paulo sustentava-se com o trabalho manual, prática que defenderá em suas cartas (1Co 9:12-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 1Ts 2:9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 2Ts 3:7-9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Isso se tornou modelo do que hoje se chama ministério "bivocacional" ou "fazedor de tendas". Priscila e Áquila serão colaboradores preciosos. Mais tarde, arriscarão a vida por Paulo e hospedarão igrejas em sua casa (Rm 16:3-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 1Co 16:19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O fato de Priscila ser frequentemente mencionada antes do marido sugere seu destaque no ministério.

Quando Silas e Timóteo chegam da Macedônia, Paulo se dedica inteiramente à Palavra (18:5). O verbo indica que ficou "absorvido" por ela. Isso provavelmente foi possível porque eles trouxeram ofertas das igrejas macedônias (2Co 11:9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Fp 4:15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Paulo testemunha aos judeus que Jesus é o Cristo.

Diante da oposição e das blasfêmias, Paulo sacode as vestes e declara que o sangue deles cairá sobre a própria cabeça e que ele está limpo (18:6). A expressão ecoa a responsabilidade do atalaia em Ezequiel 33:4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba). De agora em diante, iria aos gentios.

Paulo transfere a reunião para a casa de Tício Justo, adorador de Deus, vizinha da sinagoga (18:7). Crispo, o chefe da sinagoga, crê no Senhor com toda a sua casa (18:8). Paulo mencionará tê-lo batizado pessoalmente (1Co 1:14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E muitos coríntios, ouvindo, creem e são batizados.

É nesse momento que o Senhor fala a Paulo numa visão noturna (18:9-10). Diz que ele não tenha medo, mas continue falando e não se cale. O próprio Senhor está com ele, e ninguém lhe fará mal. E acrescenta que tem muito povo naquela cidade.

A visão revela algo pouco dito sobre Paulo: ele sentia medo. Ele mesmo escreveria aos coríntios que esteve entre eles em fraqueza, temor e grande tremor (1Co 2:3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A promessa da presença é a mesma feita a Josué (Js 1:9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e aos discípulos (Mt 28:20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A expressão "muito povo" (laos) aplica a uma cidade pagã a linguagem do povo da aliança. Deus já tinha ali pessoas suas que ainda não sabiam disso.

Paulo permanece um ano e seis meses em Corinto, ensinando a Palavra de Deus (18:11). Dali escreve, segundo a maioria dos estudiosos, as cartas aos Tessalonicenses (cf. 1Ts 3:1-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), provavelmente os primeiros escritos do Novo Testamento.

Quando Gálio se torna procônsul da Acaia, os judeus se levantam unidos contra Paulo e o levam ao tribunal (18:12). O tribunal era o bēma, a tribuna cujas ruínas ainda podem ser vistas em Corinto. Acusam-no de persuadir as pessoas a adorar a Deus de modo contrário à Lei (18:13).

Antes que Paulo abra a boca, Gálio responde (18:14-16). Se fosse um crime ou um delito grave, ele os ouviria com paciência. Mas, sendo questões de palavras, nomes e da lei deles, que resolvessem entre si; ele não queria ser juiz dessas coisas. E os expulsa do tribunal. Então todos agarram Sóstenes, chefe da sinagoga, e o espancam diante do tribunal, e Gálio não se importa com nada disso (18:17).

Duas informações históricas tornam esse episódio especialmente importante:

  1. Gálio é uma figura conhecida. Lúcio Júnio Gálio era irmão do filósofo Sêneca. Uma inscrição encontrada em Delfos, com uma carta do imperador Cláudio, permite situar seu proconsulado por volta de 51-52 d.C. É uma das datas mais firmes de toda a cronologia de Paulo e serve de âncora para datar suas viagens e cartas.
  2. A decisão teve consequências jurídicas. Ao tratar a questão como disputa interna do judaísmo, Gálio criou na prática um precedente favorável aos cristãos, que puderam pregar sem ser tratados como criminosos pelo direito romano. Isso cumpre a promessa da visão: ninguém fez mal a Paulo em Corinto.

Se o Sóstenes espancado for o mesmo que aparece como coautor de 1 Coríntios (1Co 1:1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), o chefe da sinagoga que liderou a acusação teria se tornado irmão em Cristo. A identificação, porém, não é certa.

O retorno: Cencreia, Éfeso e Antioquia (18:18-22)

Paulo permanece ainda muitos dias em Corinto e depois se despede dos irmãos e navega para a Síria, acompanhado de Priscila e Áquila. Em Cencreia, o porto oriental de Corinto, ele raspa a cabeça porque havia feito um voto (18:18). Era provavelmente um voto semelhante ao do nazireado (Nm 6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O detalhe mostra que Paulo, apóstolo dos gentios, continuava a viver com liberdade certas práticas da piedade judaica, sem impô-las a ninguém.

Em Éfeso, deixa Priscila e Áquila, entra na sinagoga e discute com os judeus (18:19). Pedem que fique mais tempo, mas ele não consente. Despede-se prometendo voltar, se Deus quiser (18:20-21). A porta da Ásia, fechada no início da viagem (16:6), começa a se abrir, e Paulo voltará para ali permanecer quase três anos.

Desembarca em Cesareia, sobe para saudar a igreja, provavelmente a de Jerusalém, e desce a Antioquia (18:22). Termina assim a segunda viagem missionária.

Visão cristocêntrica

A conexão de Cristo com este bloco é direta e explícita.

Cristo conduz a missão. É o "Espírito de Jesus" que fecha a porta da Bitínia (16:7). É o Senhor que abre o coração de Lídia (16:14). É o Senhor Jesus que aparece a Paulo em Corinto para encorajá-lo (18:9-10). Ele não é apenas o conteúdo da pregação; é o Senhor ativo que dirige seus mensageiros.

Cristo é o conteúdo da pregação em todas as cidades:

CidadeComo Cristo é anunciado
FiliposCrer no Senhor Jesus é o caminho da salvação (16:31)
TessalônicaO Cristo devia sofrer e ressuscitar, e esse Cristo é Jesus (17:3)
AtenasO Homem constituído juiz, cuja ressurreição garante o juízo (17:31)
CorintoJesus é o Cristo (18:5)

Cristo é o verdadeiro Rei. A acusação de Tessalônica, de que se proclamava outro rei, Jesus, revela a dimensão política do senhorio de Cristo. Ele não disputa o trono de César por meio de exércitos, mas reivindica a lealdade última de todo ser humano. À igreja de Filipos, colônia orgulhosa de Roma, Paulo escreverá que diante do nome de Jesus todo joelho se dobrará (Fp 2:9-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Escreverá também que a pátria dos cristãos está nos céus, de onde aguardam o Salvador (Fp 3:20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Uma leitura temática dos açoites e dos hinos. Ao cantar na prisão de Filipos com as costas feridas, os missionários refletem o Senhor que caminhou para a cruz cantando os salmos após a última ceia (Mc 14:26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ao libertar a jovem do espírito de adivinhação, continuam o ministério de Jesus, que veio para proclamar libertação aos cativos (Lc 4:18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Aplicações espirituais e práticas

  1. Conflitos entre pessoas boas acontecem, e Deus pode usá-los. Paulo e Barnabé eram homens cheios do Espírito e mesmo assim não chegaram a um acordo. Lucas não esconde o fato. Sócios que se separam, líderes que seguem caminhos distintos ou amigos que discordam sobre decisões importantes não precisam transformar a divergência em inimizade. A maturidade está em separar-se sem destruir o outro e em permitir que o tempo e a graça tragam reconciliação, como aconteceu com Marcos.

  2. Dar segundas chances a quem falhou. João Marcos abandonou a missão e foi considerado por Paulo inapto para continuar. Barnabé apostou nele, e anos depois o próprio Paulo o chamou de útil. Na família, na igreja e na empresa, há pessoas que fracassaram numa primeira oportunidade e precisam de alguém disposto a investir nelas. Quem falhou ontem não está condenado a falhar sempre.

  3. Portas fechadas também são direção de Deus. A equipe passou semanas sendo impedida de pregar onde planejava, até chegar à porta que Deus queria abrir. Planos frustrados, oportunidades que não se concretizam e caminhos que se fecham podem ser parte do cuidado de Deus. A atitude sábia une três coisas: continuar caminhando, permanecer atento e discernir em conjunto, como a equipe fez em Trôade.

  4. O evangelho forma comunidades que a sociedade separaria. A igreja de Filipos reuniu uma empresária rica, uma jovem escravizada e um carcereiro romano. Uma igreja verdadeiramente cristã é um lugar onde pessoas de classes, histórias e posições sociais distintas se sentam juntas à mesma mesa. Se nossas comunidades reúnem apenas gente parecida conosco, algo do evangelho ainda não foi vivido.

  5. Não lucrar com a escravidão do outro. Os senhores da jovem preferiam o lucro à libertação dela. O padrão continua atual em várias formas: tráfico de pessoas, trabalho análogo à escravidão, exploração de vulneráveis e negócios que prosperam viciando ou enganando pessoas. O cristão, especialmente quando empresário ou investidor, deve perguntar se seus ganhos dependem da opressão de alguém. A libertação dos outros pode custar caro, mas é parte do evangelho.

  6. Cantar à meia-noite. Paulo e Silas oraram e cantaram feridos e presos. A alegria cristã não depende das circunstâncias, porque se apoia na presença de Deus. Em uma noite de hospital, numa crise financeira, num luto ou numa injustiça sofrida, a oração e o louvor sustentam quem sofre e testemunham aos que estão ao redor. Os outros presos estavam ouvindo, e sempre há alguém ouvindo.

  7. Usar os próprios direitos com sabedoria e em favor de outros. Paulo não invocou a cidadania romana para se vingar, mas para proteger a igreja que ficava. O cristão pode e deve recorrer aos direitos legais quando for justo, especialmente para defender os vulneráveis e a liberdade da comunidade. O critério está na motivação: não humilhar o adversário, mas promover justiça e proteger os irmãos.

  8. Ser bereano: abertura e exame. Os bereanos ouviram com interesse e conferiram tudo com as Escrituras, até a pregação de um apóstolo. Num tempo em que circulam ensinamentos religiosos por vídeos, redes sociais, livros e pregadores populares, essa atitude é indispensável. Ouvir com mente aberta, examinar com a Bíblia aberta e fazê-lo diariamente protege contra a credulidade e contra o cinismo.

  9. Falar a linguagem do ouvinte sem perder a mensagem. Em Atenas, Paulo conhecia os poetas gregos, observou os altares da cidade e começou por um ponto de contato reconhecível. Mas chegou ao arrependimento, ao juízo e à ressurreição. Quem conversa sobre a fé com colegas de trabalho, estudantes universitários ou pessoas de outras convicções faz bem em conhecer o mundo delas: seus autores, suas perguntas, suas inquietações. O objetivo é construir pontes até Cristo, não diluir a mensagem para agradar.

  10. Esperar respostas variadas. Em Atenas, uns zombaram, outros adiaram e alguns creram. Quem testemunha da fé não controla os resultados. A fidelidade à mensagem é responsabilidade nossa; a abertura do coração é obra de Deus, como no caso de Lídia.

  11. O trabalho cotidiano como espaço de missão. Paulo fabricava tendas com Priscila e Áquila e pregava aos sábados. Profissionais de todas as áreas podem viver sua vocação profissional como lugar de testemunho e sustento do Reino: advogados, contadores, professores, empresários, técnicos, comerciantes. O casal Priscila e Áquila mostra também o valor de lares abertos e de casais que servem juntos.

  12. Quando o medo bater, ouvir a promessa. Até Paulo teve medo em Corinto, e o Senhor lhe disse que não temesse, porque estava com ele. Em momentos de desânimo profissional, familiar ou ministerial, a promessa da presença de Cristo não elimina os riscos, mas muda a perspectiva. Além disso, Deus pode ter "muito povo" exatamente no lugar onde só enxergamos dificuldade.

Mensagem de reflexão (Sabedoria para o Cotidiano)

Sabedoria para o Cotidiano
O caminho para a Europa passou por portas fechadas, por uma amizade ferida, por açoites em Filipos e por zombarias em Atenas. Mesmo assim, ao longo dele nasceram igrejas onde ricos, escravos e carcereiros partiam o mesmo pão. Deus dirige tanto pelo "não" quanto pelo "sim", abre corações que nenhum argumento abriria e dá canções a quem está preso à meia-noite. Quando os planos falharem e o medo apertar, ouça a palavra que sustentou Paulo em Corinto: não tema, continue falando, porque o Senhor está com você e tem muito povo nessa cidade.

Interpretação e comentários da Bíblia, sob direção editorial de José Carlos Fortes. Conteúdo elaborado com apoio de inteligência artificial, sob curadoria e revisão editorial. Esta página não reproduz texto bíblico protegido: traz referência, interpretação e comentário.