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Mateus · 40 de 66 · Novo Testamento

Mateus — Bloco 14: O Ressuscitado e a Grande Comissão

Capítulos principais: Mateus 28:1-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba).

Tema central do bloco:

O último capítulo de Mateus é curto, mas é a chave de leitura de todo o Evangelho. Depois da escuridão da cruz e do silêncio do túmulo selado, o primeiro dia da semana amanhece com um terremoto, um anjo e uma notícia que muda a história: o crucificado ressuscitou. O capítulo se desenvolve em quatro cenas:

  • o túmulo vazio, com o anúncio do anjo às mulheres (28:1-7);
  • o encontro das mulheres com o Ressuscitado (28:8-10);
  • a versão comprada dos guardas, que tenta encobrir o acontecimento (28:11-15);
  • o encontro final de Jesus com os onze discípulos num monte da Galileia, onde ele recebe adoração, declara ter recebido toda autoridade e os envia a fazer discípulos de todas as nações, com a promessa de sua presença até o fim (28:16-20).

O tema central é a vitória do Rei crucificado e a missão universal que nasce dela. A ressurreição confirma tudo o que Jesus disse sobre si mesmo e revela o sentido de sua morte. O Filho do Homem rejeitado é agora o Senhor que recebeu toda autoridade no céu e na terra. Mateus fecha várias molduras abertas ao longo do livro:

  • O Emanuel. O "Deus conosco" do primeiro capítulo (1:23) se torna a promessa de presença do último versículo (28:20).
  • Abraão e as nações. O filho de Abraão (1:1), por meio de quem as nações seriam abençoadas, envia seus discípulos a todas as nações.
  • A missão. A missão restrita a Israel (10:5-6) se abre para o mundo inteiro.

O Evangelho não termina com a partida de Jesus, como em Lucas e Atos, mas com a promessa de que ele permanece. A história não se encerra: continua na vida dos discípulos de todas as gerações.

Versículos-chave do Livro estudado:

Versículos relacionados em outros Livros da Bíblia:

Explicação teológica e bíblica:

O túmulo vazio e o anúncio do anjo (28:1-7)

Passado o sábado, ao amanhecer do primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria vão ver o sepulcro (28:1). Marcos diz que elas iam ungir o corpo (Mc 16:1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); Mateus, que já mencionou a guarda e o selo, destaca apenas que vão ver. São as mesmas mulheres que haviam testemunhado a morte (27:56) e o sepultamento (27:61). Elas sabiam exatamente onde Jesus fora colocado, o que torna improvável a hipótese, levantada por alguns críticos, de que teriam ido ao túmulo errado. O primeiro dia da semana, o domingo, se tornaria para os cristãos o "dia do Senhor" (Ap 1:10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); cf. At 20:7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 1Co 16:2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), o dia da nova criação.

De repente há um grande terremoto (28:2). É o terceiro abalo associado a Jesus em Mateus: a cidade se agitou na entrada triunfal (21:10), a terra tremeu em sua morte (27:51) e agora treme em sua ressurreição. Um anjo do Senhor desce do céu, remove a pedra e senta-se sobre ela. O gesto de sentar-se sobre a pedra que selava o túmulo é uma imagem de vitória: o obstáculo humano se torna assento do mensageiro de Deus. Muitos comentaristas observam que a pedra não foi removida para Jesus sair, mas para as testemunhas poderem entrar e ver que o túmulo estava vazio. O aspecto do anjo é como o relâmpago e suas vestes, brancas como a neve, em linguagem que lembra as visões de Daniel (Dn 7:9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 10:6). Os guardas tremem de medo e ficam como mortos (28:4). A ironia é evidente: os que guardavam um morto ficaram como mortos, enquanto o morto está vivo.

O anjo se dirige às mulheres e lhes diz que não temam. Ele sabe que buscam Jesus, o crucificado (28:5). O verbo grego está no particípio perfeito, que indica uma condição permanente: o Ressuscitado continua sendo o Crucificado, e as marcas da cruz fazem parte de sua identidade gloriosa (cf. Jo 20:27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Ap 5:6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O anúncio é breve e decisivo: ele não está ali, porque foi ressuscitado, como havia dito (28:6). O verbo ēgerthē está na voz passiva, o chamado "passivo divino", que indica a ação de Deus: o Pai ressuscitou o Filho, vindicando-o diante de todos que o condenaram (cf. At 2:24, 32 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A expressão "como havia dito" lembra que Jesus anunciou a ressurreição pelo menos quatro vezes (16:21; 17:23; 20:19; 26:32). O anjo convida as mulheres a ver o lugar onde ele jazia e as envia imediatamente aos discípulos com a notícia de que ele ressuscitou e vai adiante deles para a Galileia, onde o verão (28:7), cumprindo a promessa feita na noite da traição (26:32).

Há um detalhe historicamente significativo: as primeiras testemunhas da ressurreição são mulheres. No mundo antigo, o testemunho feminino tinha pouco valor jurídico. Josefo registra que, na prática judaica de seu tempo, mulheres não eram admitidas como testemunhas em tribunal (Antiguidades 4.219). Se os relatos da ressurreição tivessem sido inventados para convencer, dificilmente apresentariam mulheres como as primeiras testemunhas. Estudiosos como N. T. Wright (The Resurrection of the Son of God, 2003) veem nesse detalhe um forte indício de que os Evangelhos preservam uma lembrança histórica, por constrangedora que fosse para a época. Teologicamente, o fato confirma a lógica do Reino. As que permaneceram junto à cruz quando os discípulos fugiram são as primeiras a receber o anúncio da vitória e a anunciá-la aos apóstolos.

O encontro com o Ressuscitado (28:8-10)

As mulheres saem depressa do sepulcro, com medo e grande alegria, e correm para anunciar aos discípulos (28:8). A combinação de sentimentos é realista: o encontro com o sobrenatural produz temor, e a notícia da vitória produz alegria. No caminho, o próprio Jesus vai ao encontro delas e as saúda (28:9). A saudação grega chairete, comum no cotidiano, significa literalmente "alegrem-se". As mulheres se aproximam, abraçam seus pés e o adoram.

Dois aspectos merecem atenção. O primeiro é a corporeidade da ressurreição. As mulheres tocam os pés de Jesus, e ele não é um fantasma nem uma visão subjetiva, mas está corporalmente vivo, embora em um corpo transformado e glorificado (cf. Lc 24:39-43 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 1Co 15:42-44 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O segundo é a adoração. O verbo proskyneō acompanha Jesus ao longo do Evangelho, dos magos (2:11) aos discípulos no barco (14:33), e reaparecerá no monte da Galileia (28:17). No contexto judaico, que reservava a adoração exclusivamente a Deus (4:10), essa atitude é uma confissão implícita da divindade de Jesus.

Jesus repete a mensagem do anjo: que não temam, e que vão dizer a seus irmãos que se dirijam à Galileia, onde o verão (28:10). A palavra "irmãos" é carregada de graça. Poucos dias antes, esses mesmos homens o abandonaram, Pedro o negou três vezes e todos fugiram. Jesus não os chama de traidores nem de covardes, mas de irmãos, a mesma palavra com que ele definira sua verdadeira família (12:49-50). A ressurreição é também a restauração dos que falharam.

A versão comprada dos guardas (28:11-15)

Enquanto as mulheres vão anunciar a ressurreição, alguns dos guardas vão à cidade e contam aos principais sacerdotes tudo o que acontecera (28:11). O fato de reportarem aos líderes judeus sugere a muitos intérpretes que se tratava da guarda do templo, embora outros entendam que eram soldados romanos colocados à disposição dos sacerdotes (cf. 27:65). Os líderes se reúnem com os anciãos, dão uma grande quantia de dinheiro aos soldados e os instruem a dizer que os discípulos vieram de noite e roubaram o corpo enquanto eles dormiam. Prometem ainda que, se o governador souber, eles o convencerão e os deixarão livres de problemas (28:12-14). Para soldados romanos, dormir durante a guarda podia ser punido com severidade, o que explica a promessa. Os soldados aceitam o dinheiro e fazem como foram instruídos, e essa versão se espalhou entre os judeus até o dia de hoje (28:15), isto é, até a época em que Mateus escrevia. No século II, Justino Mártir confirma que essa explicação ainda circulava (Diálogo com Trifão 108).

A cena tem uma ironia evidente. A explicação dos guardas se contradiz: se dormiam, como sabiam quem levou o corpo? Além disso, os mesmos líderes que pagaram trinta moedas pela traição de Jesus pagam agora muito mais para encobrir sua ressurreição. A verdade de Deus enfrenta, mais uma vez, a mentira comprada. O episódio também revela algo historicamente importante: a polêmica antiga não negava que o túmulo estava vazio, mas tentava explicar por que estava vazio.

Ao longo da história, foram propostas várias explicações alternativas para o túmulo vazio e as aparições:

  • o roubo do corpo;
  • a teoria do desmaio, segundo a qual Jesus não teria morrido de fato;
  • alucinações dos discípulos;
  • o túmulo errado.

Os estudiosos que defendem a historicidade da ressurreição argumentam que nenhuma dessas hipóteses explica satisfatoriamente o conjunto dos dados. Entre eles estão N. T. Wright, já citado, e Gary Habermas, que propôs a abordagem dos "fatos mínimos", aceitos pela maioria dos historiadores. Esses dados incluem:

  • o túmulo vazio;
  • as aparições a indivíduos e grupos;
  • a transformação radical dos discípulos, que passaram do medo à disposição de morrer pela fé;
  • a conversão de céticos como Tiago, irmão de Jesus, e de perseguidores como Paulo;
  • a adoção do domingo como dia de culto por judeus que guardavam o sábado;
  • o testemunho muito antigo preservado por Paulo em 1 Coríntios 15:3-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), que a maioria dos estudiosos data dos primeiros anos após os acontecimentos.

A ressurreição permanece, em última instância, objeto de fé. Mas é uma fé fundamentada em testemunhos, e não em especulação.

A Grande Comissão: autoridade, missão e presença (28:16-20)

Os onze discípulos vão para a Galileia, ao monte que Jesus lhes indicara (28:16). O número onze lembra dolorosamente a ausência de Judas. O monte é um lugar carregado de significado em Mateus:

  • foi num monte muito alto que o diabo ofereceu a Jesus os reinos do mundo (4:8);
  • foi num monte que Jesus ensinou o Sermão (5:1);
  • foi num monte que se transfigurou (17:1);
  • foi do monte das Oliveiras que anunciou o fim (24:3).

Agora, num monte da Galileia, onde o ministério começou (4:12-17), o Ressuscitado encontra seus discípulos.

Ao vê-lo, eles o adoram, mas alguns hesitam (28:17). O verbo distazō é o mesmo usado quando Pedro afundou nas águas (14:31) e indica hesitação, vacilação, mais que incredulidade total. O texto grego permite entender que a hesitação estava entre os próprios onze ou entre outros presentes. A honestidade do relato é notável: mesmo diante do Ressuscitado, a fé convive com dúvidas. E é exatamente a esse grupo, que adora e hesita, que Jesus confiará a missão.

Jesus se aproxima deles (28:18). O verbo indica que é ele quem vence a distância, como fez com os discípulos assustados na transfiguração (17:7). E declara que toda autoridade no céu e na terra lhe foi dada. A frase ecoa claramente Daniel 7:14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), em que o Filho do Homem recebe autoridade, glória e reino, e todos os povos, nações e línguas o servem. O verbo passivo indica que essa autoridade foi dada pelo Pai, como vindicação do Filho obediente. Há também um contraste com a tentação no deserto. No monte, o diabo ofereceu a Jesus os reinos do mundo em troca de adoração (4:8-9). Jesus recusou o atalho, seguiu o caminho da cruz e agora recebe do Pai, num monte, uma autoridade muito maior: não só sobre os reinos da terra, mas sobre o céu e a terra.

Com base nessa autoridade, Jesus envia os discípulos (28:19-20). A estrutura gramatical do texto é importante. Há um único verbo no imperativo, fazer discípulos (mathēteusate), acompanhado de três particípios que descrevem como isso se realiza:

  • Indo. O primeiro particípio (poreuthentes), pela construção grega, tem também força de ordem: a missão exige deslocamento, ir até as pessoas.
  • Batizando. O batismo é a incorporação à comunidade dos discípulos.
  • Ensinando. O discipulado não é apenas transmissão de informação, mas formação para a obediência.

O alcance é todas as nações (panta ta ethnē). A missão, que no capítulo 10 estava restrita às ovelhas perdidas de Israel, agora se abre ao mundo inteiro. Isso não exclui Israel, mas inclui todos os povos. Cumpre-se a promessa feita a Abraão de que nele seriam abençoadas todas as famílias da terra (Gn 12:3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e Mateus, que começou apresentando Jesus como filho de Abraão (1:1), termina com o envio a todas as nações.

O batismo deve ser realizado no nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Note-se que a palavra "nome" está no singular: um único nome compartilhado pelas três pessoas. A fórmula está presente em todos os manuscritos gregos de Mateus e já é atestada na Didaquê (7:1), um dos textos cristãos mais antigos fora do Novo Testamento. O texto não apresenta uma doutrina trinitária elaborada, que a Igreja formularia nos concílios dos séculos IV e V, mas oferece um de seus fundamentos mais claros: o Filho e o Espírito estão no mesmo plano do Pai, unidos num só nome.

O ensino deve levar os discípulos a guardar tudo o que Jesus ordenou. Isso remete aos grandes discursos de Mateus: o Sermão do Monte, o discurso missionário, as parábolas, o discurso sobre a comunidade e o discurso escatológico. Muitos estudiosos, como Dale Allison (The New Moses: A Matthean Typology, 1993), destacam os paralelos entre esta cena e a despedida de Moisés: um líder que, no fim de sua missão, transmite os mandamentos e comissiona seus sucessores com a promessa da presença de Deus (Dt 31:23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Js 1:5-9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Jesus, porém, não transmite os mandamentos de outro: ensina os seus próprios mandamentos, com autoridade que Moisés nunca teve. Alguns comentaristas observam ainda um paralelo com o último versículo da Bíblia hebraica, na ordem judaica dos livros. Ali, Ciro declara ter recebido de Deus todos os reinos da terra, convoca o povo a subir a Jerusalém e deseja que Deus esteja com ele (2Cr 36:23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Mateus, que começou com uma genealogia semelhante à de Crônicas, termina com uma declaração que retoma e supera esse final. A sugestão é instigante, embora não possa ser comprovada.

O Evangelho se encerra com uma promessa: Jesus está com os discípulos todos os dias, até a consumação dos tempos (28:20). A expressão "consumação dos tempos" (synteleia tou aiōnos) é a mesma das parábolas (13:39-40, 49) e da pergunta dos discípulos no monte das Oliveiras (24:3). Assim se fecha a grande moldura do livro. No primeiro capítulo, o menino recebe o nome de Emanuel, que significa "Deus conosco" (1:23). No último versículo, o Ressuscitado promete estar com os seus para sempre. Diferentemente de Lucas, Mateus não narra a ascensão. O Evangelho não termina com Jesus partindo, mas com Jesus permanecendo. A missão não é um projeto humano realizado na ausência de Cristo, mas a obra do próprio Cristo presente em seus discípulos.

A contribuição do bloco para o livro e para a Bíblia

O capítulo 28 é o ponto de chegada de todo o Evangelho de Mateus. A ressurreição confirma a identidade de Jesus como Messias e Filho de Deus, dá sentido à cruz e transforma a derrota aparente em vitória. A Grande Comissão resume o propósito do livro: formar discípulos que conheçam, obedeçam e anunciem Jesus em todas as nações. Os grandes temas de Mateus convergem nestes vinte versículos:

  • o cumprimento das Escrituras;
  • a autoridade de Jesus;
  • o Reino dos céus;
  • o discipulado;
  • a missão às nações;
  • a presença de Deus com seu povo.

No conjunto da Bíblia, o capítulo une a promessa a Abraão (Gn 12:3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), a visão de Daniel sobre o Filho do Homem (Dn 7:13-14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), a esperança profética de que a salvação chegaria aos confins da terra (Is 49:6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e a missão da Igreja narrada em Atos. O final aberto de Mateus convida cada leitor a se perceber como parte dessa história: a Grande Comissão ainda está em curso.

Visão cristocêntrica:

A conexão com Cristo é direta e explícita: o capítulo inteiro é a revelação do Cristo ressuscitado.

  • Cristo, o Crucificado que vive. O anjo apresenta Jesus como o crucificado que ressuscitou. A ressurreição não apaga a cruz; revela que o caminho da cruz era o caminho da vitória. O Vivente continua trazendo as marcas do amor que se entregou.
  • Cristo, vindicado pelo Pai. O passivo divino mostra que Deus ressuscitou Jesus, declarando-o justo diante de todos que o condenaram. Paulo dirá que ele foi declarado Filho de Deus com poder pela ressurreição dos mortos (Rm 1:4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
  • Cristo, digno de adoração. As mulheres e os discípulos o adoram, e ele aceita a adoração que, no próprio Evangelho, é reservada somente a Deus (4:10). A ressurreição revela plenamente quem ele é.
  • Cristo, o Filho do Homem que recebe toda autoridade. A visão de Daniel 7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) se cumpre: o Filho do Homem rejeitado recebe autoridade sobre o céu e a terra. É a mesma autoridade que o diabo oferecera por um atalho e que Jesus recebe do Pai pelo caminho da obediência.
  • Cristo, o irmão que restaura. Jesus chama de irmãos os discípulos que o abandonaram. O Ressuscitado não vem para acusar, mas para restaurar e enviar.
  • Cristo, o Emanuel presente para sempre. A promessa final cumpre o nome do primeiro capítulo. Jesus é Deus conosco, não apenas em Belém e na Galileia, mas em todos os dias da história da Igreja, até a consumação.
  • Cristo, o descendente de Abraão que abençoa as nações. Ao enviar os discípulos a todas as nações, Jesus cumpre a promessa feita a Abraão e revela o propósito universal de Deus desde o princípio.

Aplicações espirituais e práticas:

  1. A ressurreição como fundamento da fé. Paulo afirma que, se Cristo não ressuscitou, a fé cristã é vã (1Co 15:14, 17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A ressurreição não é um detalhe da fé cristã, mas o seu fundamento. Para quem tem dúvidas, vale estudar seriamente os testemunhos históricos e a argumentação de estudiosos sérios. Para quem crê, vale viver a partir dessa certeza: a morte não tem a última palavra, e a esperança cristã não é otimismo, mas confiança no Deus que ressuscita os mortos.

  2. A fidelidade que permanece é recompensada. As mulheres que ficaram junto à cruz e ao túmulo foram as primeiras a ver o Ressuscitado e a anunciar sua vitória. Muitas vezes, os que servem silenciosamente, sem reconhecimento e sem posição, são os primeiros a perceber a ação de Deus. A aplicação é valorizar, nas igrejas, nas famílias e nas organizações, a fidelidade discreta e perseverante, e lembrar que Deus a honra.

  3. A verdade não se compra. Os sacerdotes pagaram para que se espalhasse uma versão falsa dos fatos, e ela circulou por gerações. Em nossa época, de narrativas fabricadas, desinformação e influência comprada, o episódio é um alerta. O discípulo de Cristo é chamado a amar a verdade, a recusar participar de versões convenientes e a confiar que a verdade de Deus prevalece, mesmo quando a mentira parece vencer. Na vida profissional, isso significa não aceitar dinheiro, vantagem ou pressão para distorcer fatos.

  4. Fé honesta, mesmo com dúvidas. No monte da Galileia, alguns adoravam e hesitavam ao mesmo tempo, e Jesus se aproximou deles e os enviou assim mesmo. A fé cristã não exige a ausência de toda dúvida, mas a disposição de continuar adorando, obedecendo e caminhando com Cristo. Quem luta com perguntas pode encontrar consolo nesse texto: Jesus se aproxima dos que hesitam.

  5. Fazer discípulos, e não apenas convertidos. A Grande Comissão não ordena apenas anunciar ou conquistar adeptos, mas fazer discípulos que aprendam a guardar tudo o que Jesus ensinou. Isso exige acompanhamento, formação, exemplo e paciência. Igrejas e cristãos podem aplicar esse princípio investindo em relações de discipulado, ensino sólido das Escrituras e formação integral, que alcance o caráter, a família, o trabalho e o uso dos recursos.

  6. Cada cristão é enviado. A Grande Comissão foi dada aos onze, mas sua promessa se estende até a consumação dos tempos, alcançando todas as gerações de discípulos. Quando William Carey publicou em 1792 sua obra defendendo que os cristãos ainda tinham obrigação de levar o evangelho às nações, deu início ao movimento missionário moderno. Hoje, cada cristão pode participar da missão onde está: no trabalho, na família, na cidade, nas redes, e apoiando a obra missionária entre os povos ainda não alcançados.

  7. Nunca sozinho na missão. A última palavra de Jesus não é uma ordem, mas uma promessa: ele está conosco todos os dias. Para quem se sente sobrecarregado, inadequado ou sozinho diante das responsabilidades da vida e da fé, essa é a maior das garantias. A missão não depende das nossas forças, mas da presença do Cristo ressuscitado, que tem toda autoridade e prometeu não nos deixar.

Mensagem de reflexão:

Sabedoria para o Cotidiano
O túmulo selado não conseguiu reter o Rei crucificado: a pedra foi removida, os guardas ficaram como mortos, e o Ressuscitado chamou de irmãos os que o haviam abandonado. Ele recebeu toda autoridade no céu e na terra e, em vez de se afastar, prometeu estar conosco todos os dias. Seja qual for a sua dúvida, a sua queda ou o tamanho da tarefa diante de você, lembre-se de que o mesmo Jesus que venceu a morte vai à sua frente para a Galileia e caminha ao seu lado até o fim. Levante-se, adore-o, mesmo com suas hesitações, e vá fazer discípulos: o Emanuel está com você.

Interpretação e comentários da Bíblia, sob direção editorial de José Carlos Fortes. Conteúdo elaborado com apoio de inteligência artificial, sob curadoria e revisão editorial. Esta página não reproduz texto bíblico protegido: traz referência, interpretação e comentário.