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Antigo Testamento · Patriarcas

Abel

Significado do nome

Provavelmente "sopro" ou "vapor", do hebraico *hevel*, a mesma palavra traduzida por "vaidade" em Eclesiastes; a Bíblia não explica o nome

Posição / vínculo com a Bíblia

Segundo filho de Adão e Eva, pastor de ovelhas que ofereceu a Deus, pela fé, um sacrifício aceito; foi o primeiro justo a morrer, assassinado pelo irmão Caim, e Jesus o chama de "justo" (Gn 4.4,8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Mt 23.35 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Hb 11.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

Nascimento

Fora do jardim do Éden, segundo filho de Adão e Eva (Gn 4.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

Morte

No campo, assassinado por seu irmão Caim (Gn 4.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

Testamento

Antigo Testamento

Grupo

Patriarcas

Síntese histórica

Abel foi o segundo filho de Adão e Eva, nascido depois da expulsão do Éden. Pastor de ovelhas, trouxe ao Senhor as primeiras crias do seu rebanho, e Deus se agradou dele e da sua oferta; seu irmão Caim, cuja oferta não foi aceita, encheu-se de ira e o matou no campo (Gn 4.2-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O sangue de Abel, diz o texto, clamava a Deus desde a terra (Gn 4.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A Escritura não registra uma única palavra dita por Abel, e sua vida é narrada em poucos versículos. Ainda assim, o Novo Testamento o coloca no primeiro lugar da galeria da fé, afirmando que, mesmo depois de morto, ele ainda fala (Hb 11.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Jesus o chama de "justo" e o apresenta como o primeiro de uma longa série de inocentes perseguidos (Mt 23.35 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e Hebreus compara o seu sangue ao de Cristo, que fala melhor do que o de Abel (Hb 12.24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

História

Contexto e origem

Abel nasceu num mundo já marcado pela queda. Adão e Eva haviam sido expulsos do jardim e tiravam o sustento de uma terra amaldiçoada (Gn 3.17-19,23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Depois do nascimento de Caim, o primogênito, Eva deu à luz Abel (Gn 4.1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ao contrário do irmão, cujo nome a mãe explica, o nome de Abel não recebe explicação no texto. Ele lembra, porém, a palavra hebraica que significa "sopro" ou "vapor", a mesma que o livro de Eclesiastes usa para falar da brevidade e da fugacidade da vida (Ec 1.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A vida curta de Abel acabou por ilustrar esse sentido.

Os dois irmãos seguiram ofícios diferentes: Abel tornou-se pastor de ovelhas, e Caim, lavrador da terra (Gn 4.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O texto não sugere que um ofício fosse mais santo que o outro; ambos faziam parte do trabalho de cultivar e governar a criação.

O pastor e sua oferta

Passado algum tempo, os dois irmãos trouxeram ofertas ao Senhor. Caim trouxe do fruto da terra; Abel trouxe das primeiras crias do seu rebanho e da gordura delas (Gn 4.3-4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O detalhe é significativo: Abel ofereceu as primícias, as primeiras crias, e a gordura, que na mentalidade bíblica representa a melhor parte do animal. Séculos depois, a Lei de Moisés consagraria a Deus tanto os primogênitos dos rebanhos quanto a gordura dos sacrifícios (Êx 13.12; Lv 3.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O Senhor se agradou de Abel e da sua oferta (Gn 4.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A ordem das palavras mostra que Deus olhou primeiro para o ofertante e depois para a oferta. O Novo Testamento explica a razão: foi pela fé que Abel ofereceu a Deus um sacrifício melhor que o de Caim, e por meio dela recebeu testemunho de que era justo, pois Deus mesmo deu testemunho das suas ofertas (Hb 11.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). João acrescenta que as obras de Abel eram justas (1Jo 3.12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Não foi, portanto, apenas o tipo de oferta que fez a diferença, mas a fé e a retidão de quem a trazia.

A morte de Abel

A aceitação de Abel provocou em Caim uma ira profunda (Gn 4.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Deus advertiu Caim de que o pecado estava à porta, desejando dominá-lo (Gn 4.6-7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), mas a advertência não foi ouvida. Caim falou com o irmão e, estando os dois no campo, levantou-se contra Abel e o matou (Gn 4.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A narrativa é breve e sóbria. Não registra palavras de Abel, nem reação, nem resistência. O primeiro homem a morrer na história bíblica não morreu por velhice nem por acidente, mas pelas mãos do próprio irmão — e não por ter feito o mal, mas justamente por ter feito o bem. João resume: Caim matou o irmão porque as suas obras eram más, e as do irmão eram justas (1Jo 3.12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O sangue que clama

Quando Deus perguntou a Caim onde estava Abel, Caim negou saber e perguntou se era ele o guardador do seu irmão (Gn 4.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Deus, então, declarou que a voz do sangue de Abel clamava a ele desde a terra, e a terra, que abrira a boca para receber esse sangue, se tornaria estéril para Caim (Gn 4.10-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Abel não tinha voz na narrativa enquanto vivo; depois de morto, é o seu sangue que fala. A imagem mostra que Deus vê o sofrimento do inocente e não esquece a injustiça cometida contra ele, mesmo quando ninguém mais a testemunhou.

Um descendente em seu lugar

Abel morreu sem deixar descendência. Mas Deus não permitiu que a linhagem da fé se interrompesse. Adão e Eva tiveram outro filho, e Eva o chamou Sete, dizendo que Deus lhe concedera outro descendente no lugar de Abel, a quem Caim matara (Gn 4.25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Nos dias do filho de Sete, começou-se a invocar o nome do Senhor (Gn 4.26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e dessa linhagem viriam Enoque, Noé e, muito depois, Abraão (Gn 5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gn 11.10-26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A fé de Abel

A Escritura não registra nenhuma falha de Abel, mas também não o descreve em detalhes, e o texto deve respeitar esse silêncio. O que a Bíblia afirma é suficiente: ele era justo (Mt 23.35 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Hb 11.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), ofereceu a Deus o melhor do que tinha (Gn 4.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e agiu pela fé (Hb 11.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Sua justiça não vem de uma vida sem pecado, mas da fé com que se aproximava de Deus, e por isso Hebreus o coloca como o primeiro exemplo de que, sem fé, é impossível agradar a Deus (Hb 11.4-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Legado

A vida de Abel é curta, mas sua memória atravessa as Escrituras. Hebreus abre com ele a lista dos heróis da fé e afirma que, mesmo morto, ele ainda fala (Hb 11.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Jesus o menciona como o primeiro de uma longa série de justos perseguidos, do sangue de Abel ao sangue de Zacarias, morto entre o santuário e o altar — isto é, do primeiro ao último assassinato registrado nas Escrituras hebraicas, na ordem em que os judeus as liam (Mt 23.35 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Lc 11.50-51 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 2Cr 24.20-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Em Lucas, Abel aparece entre os profetas cujo sangue foi derramado desde a fundação do mundo (Lc 11.50-51 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). João o usa como exemplo do justo odiado pelo mundo (1Jo 3.12-13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Na tradição cristã, Abel passou a ser lembrado como o primeiro mártir, e a antiga liturgia da Igreja o recorda como "o justo Abel" ao lado das ofertas de Abraão e de Melquisedeque. Essas são leituras da tradição, apoiadas, porém, no próprio testemunho de Jesus sobre ele.

Conexão com Cristo

O Novo Testamento estabelece a ligação de forma explícita: os que creem chegaram a Jesus, mediador da nova aliança, e ao sangue da aspersão, que fala melhor do que o de Abel (Hb 12.24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O sangue de Abel clamava da terra por justiça contra o culpado (Gn 4.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); o sangue de Cristo clama por perdão e purificação em favor dos culpados (Hb 9.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 1Jo 1.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Abel ainda fala pela fé (Hb 11.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), mas Cristo fala com a autoridade de quem venceu a morte.

A vida de Abel prefigura, em vários traços, a de Jesus. Pode-se ver no pastor justo, morto pelo próprio irmão por causa da inveja, uma imagem do Bom Pastor que dá a vida pelas ovelhas (Jo 10.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), entregue por inveja (Mt 27.18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), odiado sem motivo (Jo 15.25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e rejeitado pelos seus (Jo 1.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Jesus mesmo uniu o sangue de Abel ao juízo que viria sobre a geração que o rejeitava e que, em seguida, o crucificaria (Mt 23.35-36 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A oferta de Abel também aponta para o sacrifício de Cristo. Ele trouxe as primeiras crias do rebanho, o melhor que possuía (Gn 4.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A tradição cristã viu nesse cordeiro uma antecipação do Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (Jo 1.29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e do sangue precioso de Cristo, como de cordeiro sem defeito e sem mancha (1Pe 1.19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) — uma leitura tipológica que se apresenta com moderação, mas que se harmoniza com toda a linha sacrificial da Escritura.

Por fim, o justo Abel, que agradou a Deus pela fé (Hb 11.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), anuncia o princípio que o evangelho revela plenamente: o justo viverá pela fé (Rm 1.17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Abel morreu sem ver a descendência prometida, mas, como todos os que morreram na fé, saudou de longe a promessa (Hb 11.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) que se cumpriu em Cristo, aquele cujo sangue não clama por vingança, mas por reconciliação.

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