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Antigo Testamento · Patriarcas

Abraão

Outros nomes

Abrão

Significado do nome

"Pai de uma multidão" (Gn 17.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); antes, Abrão, provavelmente "pai exaltado"

Posição / vínculo com a Bíblia

Patriarca de Israel e pai da fé, com quem Deus firmou a aliança da promessa: uma terra, uma descendência e uma bênção destinada a todas as famílias da terra (Gn 12.1-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Rm 4.11-16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

Nascimento

Ur dos caldeus, na Mesopotâmia, por volta de 2000 a.C.

Morte

Canaã, por volta de 1825 a.C., aos 175 anos; sepultado na caverna de Macpela, em Hebrom (Gn 25.7-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

Testamento

Antigo Testamento

Grupo

Patriarcas

Síntese histórica

Abraão viveu no início do segundo milênio antes de Cristo. Nascido em Ur dos caldeus, numa família que servia a outros deuses (Js 24.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), foi chamado por Deus a deixar sua terra e sua parentela para seguir rumo a uma terra que não conhecia, recebendo a promessa de que dele sairia uma grande nação e de que nele seriam benditas todas as famílias da terra (Gn 12.1-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Hb 11.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Peregrino em Canaã por cerca de cem anos, morando em tendas, viu a promessa cumprir-se apenas em parte: o filho Isaque, nascido quando ele tinha cem anos, e um pequeno campo comprado para sepultar Sara (Gn 21.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gn 23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Sua fé, que lhe foi creditada como justiça (Gn 15.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), faz dele o pai de todos os que creem, judeus e gentios (Rm 4.11-16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gl 3.7-9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A Escritura o chama "amigo de Deus" (2Cr 20.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Is 41.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Tg 2.23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e o Novo Testamento vê na promessa feita a ele o anúncio antecipado do evangelho e de Cristo, a descendência por excelência (Gl 3.8,16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

História

Contexto e origem

Abraão, chamado inicialmente Abrão, era filho de Terá e descendente de Sem, filho de Noé (Gn 11.10-26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Teve dois irmãos, Naor e Harã; este morreu ainda em Ur, deixando um filho, Ló, que acompanharia o tio por muitos anos (Gn 11.27-28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Abrão casou-se com Sarai, que era estéril (Gn 11.29-30 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e que, como ele mais tarde explicaria, era também sua meia-irmã, filha de seu pai, mas não de sua mãe (Gn 20.12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Ur dos caldeus era uma cidade antiga e próspera da baixa Mesopotâmia. Josué lembra que, naquele tempo, Terá e sua família serviam a outros deuses além do rio Eufrates (Js 24.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O chamado de Abraão, portanto, não nasce de uma busca religiosa que ele tivesse iniciado: é Deus quem toma a iniciativa de chamar um homem de uma família idólatra (Js 24.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Ne 9.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Terá saiu de Ur com Abrão, Sarai e Ló em direção a Canaã, mas a família se fixou em Harã, no norte da Mesopotâmia, onde Terá morreu (Gn 11.31-32 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Estêvão, no livro de Atos, registra que Deus já havia aparecido a Abraão na Mesopotâmia, antes de ele morar em Harã (At 7.2-4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O chamado

Em Harã, o Senhor ordenou a Abrão que deixasse sua terra, sua parentela e a casa de seu pai e fosse para a terra que lhe seria mostrada. A ordem veio acompanhada de uma promessa em várias camadas: Deus faria dele uma grande nação, o abençoaria, engrandeceria o seu nome, abençoaria quem o abençoasse e amaldiçoaria quem o amaldiçoasse; e, por meio dele, todas as famílias da terra seriam abençoadas (Gn 12.1-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Abrão tinha 75 anos quando partiu, levando Sarai, Ló, os bens que haviam acumulado e as pessoas que haviam adquirido em Harã (Gn 12.4-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A Carta aos Hebreus resume o gesto: ele obedeceu e saiu sem saber para onde ia (Hb 11.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Ao chegar a Canaã, atravessou a terra até Siquém, junto ao carvalho de Moré. Ali o Senhor lhe apareceu e prometeu dar aquela terra à sua descendência, e Abrão construiu um altar (Gn 12.6-7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Depois armou sua tenda entre Betel e Ai, levantou outro altar e invocou o nome do Senhor, seguindo em etapas para o Neguebe, no sul (Gn 12.8-9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os altares marcam a trajetória: onde Abraão chegava, adorava.

A descida ao Egito

Pouco depois, uma fome atingiu a terra, e Abrão desceu ao Egito. Com medo de ser morto por causa da beleza de Sarai, pediu que ela se apresentasse como sua irmã. Sarai foi levada ao palácio do faraó, e Abrão recebeu ovelhas, bois, jumentos, servos e camelos. Deus, porém, feriu a casa do faraó com grandes pragas, e o rei, ao descobrir a verdade, repreendeu Abrão e o mandou embora com tudo o que tinha (Gn 12.10-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O episódio mostra, logo no início da caminhada, que a promessa não dependia da coragem de Abrão: foi Deus quem protegeu Sarai, a mulher por meio de quem viria o herdeiro.

A separação de Ló

De volta a Canaã, Abrão retornou ao altar entre Betel e Ai e ali invocou o Senhor (Gn 13.1-4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ele e Ló haviam enriquecido tanto que a terra não comportava os rebanhos dos dois, e surgiram contendas entre seus pastores. Abrão, o mais velho, deu a Ló o direito de escolher primeiro. Ló escolheu a fértil planície do Jordão e foi armando suas tendas até Sodoma, cidade cujos habitantes eram muito perversos diante do Senhor (Gn 13.5-13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Depois da separação, Deus renovou a promessa: mandou Abrão olhar para o norte, o sul, o leste e o oeste, porque toda aquela terra seria dele e de sua descendência, numerosa como o pó da terra, e ordenou que a percorresse de ponta a ponta (Gn 13.14-17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Abrão mudou suas tendas para junto dos carvalhais de Manre, em Hebrom, e ali também levantou um altar (Gn 13.18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A guerra dos reis e o encontro com Melquisedeque

Uma coalizão de quatro reis do oriente derrotou os reis de Sodoma, Gomorra e das cidades vizinhas, saqueou a região e levou Ló cativo (Gn 14.1-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ao saber disso, Abrão — chamado aqui pela primeira vez de "o hebreu" (Gn 14.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) — reuniu 318 homens treinados, nascidos em sua casa, perseguiu os invasores até Dã, atacou-os de noite e recuperou Ló, as mulheres, o povo e os bens (Gn 14.14-16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Na volta, dois reis vieram ao seu encontro. Melquisedeque, rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, trouxe pão e vinho, abençoou Abrão em nome do Deus Altíssimo, criador dos céus e da terra, e Abrão lhe deu o dízimo de tudo (Gn 14.18-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Já ao rei de Sodoma, que lhe ofereceu os bens recuperados, Abrão recusou tudo, para que ninguém dissesse que fora o rei de Sodoma quem o enriquecera (Gn 14.21-24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Mais tarde, a Carta aos Hebreus voltaria a esse encontro para mostrar a grandeza do sacerdócio de Melquisedeque (Hb 7.1-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A aliança entre os animais partidos

Depois desses acontecimentos, o Senhor falou a Abrão numa visão, apresentando-se como seu escudo e sua grande recompensa. Abrão expôs sua angústia: não tinha filhos, e seu herdeiro seria Eliézer de Damasco, um servo de sua casa (Gn 15.1-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Deus respondeu que o herdeiro seria um filho gerado por ele, levou-o para fora e mandou que contasse as estrelas, se pudesse: assim seria a sua descendência (Gn 15.4-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Então vem a frase que se tornaria um dos fundamentos da teologia bíblica: Abrão creu no Senhor, e isso lhe foi imputado como justiça (Gn 15.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Paulo e Tiago voltariam a esse versículo (Rm 4.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gl 3.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Tg 2.23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Em seguida, Deus selou a promessa da terra com uma aliança no estilo da época. Abrão partiu ao meio uma novilha, uma cabra e um carneiro e dispôs as metades frente a frente, junto com uma rola e um pombinho (Gn 15.9-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ao pôr do sol, caiu sobre ele um sono profundo, e Deus lhe revelou que sua descendência seria peregrina e oprimida numa terra alheia por 400 anos, mas sairia de lá com grandes riquezas, e que ele próprio morreria em paz, em boa velhice (Gn 15.12-16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Quando escureceu, um fogareiro fumegante e uma tocha de fogo passaram entre as metades dos animais: somente Deus passou, assumindo sozinho o compromisso da aliança, que estabelecia as fronteiras da terra prometida do rio do Egito até o Eufrates (Gn 15.17-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Agar e Ismael

Dez anos depois de chegar a Canaã, Sarai continuava sem filhos e propôs a Abrão, segundo um costume da época, que tivesse um filho com Agar, sua serva egípcia. Abrão concordou, e Agar engravidou. A partir daí, Agar passou a desprezar a senhora, Sarai culpou Abrão, e ele devolveu a questão à esposa, que maltratou a serva até que ela fugisse (Gn 16.1-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

No deserto, o Anjo do Senhor encontrou Agar junto a uma fonte, mandou que voltasse e prometeu multiplicar a sua descendência; o filho se chamaria Ismael, porque o Senhor ouvira a sua aflição. Agar chamou o Senhor de "o Deus que me vê" (Gn 16.7-14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ismael nasceu quando Abrão tinha 86 anos (Gn 16.15-16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A tentativa de "ajudar" Deus a cumprir a promessa trouxe tensão para dentro da família, mas Deus não abandonou a serva nem o menino.

A aliança da circuncisão e os novos nomes

Treze anos depois, quando Abrão tinha 99 anos, o Senhor lhe apareceu como o Deus Todo-Poderoso e o chamou a andar em sua presença e ser íntegro (Gn 17.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Confirmou a aliança e mudou o nome de Abrão para Abraão, porque o faria pai de uma multidão de nações; dele sairiam reis, e a aliança seria perpétua, para ser o seu Deus e o Deus da sua descendência (Gn 17.4-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Como sinal dessa aliança, Deus instituiu a circuncisão de todo menino no oitavo dia (Gn 17.9-14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Também mudou o nome de Sarai para Sara e anunciou que ela daria à luz um filho e seria mãe de nações (Gn 17.15-16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Abraão prostrou-se e riu, pensando consigo se um homem de cem anos e uma mulher de noventa poderiam ter um filho, e pediu que Ismael vivesse diante de Deus (Gn 17.17-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Deus respondeu que abençoaria Ismael e faria dele uma grande nação, mas a aliança seria estabelecida com Isaque, o filho que Sara daria à luz no ano seguinte (Gn 17.19-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Naquele mesmo dia, Abraão circuncidou a si, a Ismael e a todos os homens de sua casa (Gn 17.23-27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Os visitantes de Manre e a intercessão por Sodoma

Num dia quente, junto aos carvalhais de Manre, Abraão viu três homens diante de sua tenda. Correu ao encontro deles, prostrou-se e os acolheu com água para os pés, pão fresco, coalhada, leite e um novilho preparado às pressas (Gn 18.1-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Um deles, identificado no relato como o próprio Senhor, anunciou que dentro de um ano Sara teria um filho. Sara, que escutava à entrada da tenda, riu por dentro, e o Senhor perguntou se havia alguma coisa difícil demais para ele (Gn 18.9-15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A hospitalidade de Abraão é lembrada no Novo Testamento, que recorda que alguns, sem saber, hospedaram anjos (Hb 13.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Ao se despedirem, o Senhor decidiu não esconder de Abraão o que faria com Sodoma e Gomorra, porque o escolhera para ensinar seus filhos a guardar o caminho do Senhor, praticando a justiça e o direito (Gn 18.17-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Abraão, então, intercedeu: o Juiz de toda a terra destruiria o justo com o ímpio? Com reverência e ousadia, negociou de cinquenta justos até dez, e Deus concordou em poupar a cidade se houvesse dez justos nela (Gn 18.22-33 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Nem dez foram encontrados. Sodoma e Gomorra foram destruídas, mas o texto registra que Deus se lembrou de Abraão e livrou Ló da destruição (Gn 19.29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Na manhã seguinte, Abraão voltou ao lugar onde estivera diante do Senhor e viu a fumaça subindo da planície (Gn 19.27-28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Em Gerar, de novo o mesmo erro

Abraão mudou-se para o Neguebe e habitou em Gerar. Ali repetiu o erro do Egito: apresentou Sara como sua irmã, e Abimeleque, rei de Gerar, mandou buscá-la (Gn 20.1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Deus advertiu o rei em sonho, impedindo-o de tocá-la, e o chamou a devolver Sara, porque Abraão era profeta e oraria por ele (Gn 20.3-7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Abimeleque repreendeu Abraão, que explicou seu medo e o parentesco com Sara (Gn 20.8-13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O rei devolveu Sara com presentes, Abraão orou, e Deus curou a casa de Abimeleque (Gn 20.14-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Mais uma vez, a fidelidade de Deus supera a fraqueza do patriarca, justamente às vésperas do nascimento do herdeiro.

O nascimento de Isaque e a partida de Ismael

O Senhor cumpriu o que havia prometido: Sara concebeu e deu à luz um filho a Abraão na velhice, no tempo determinado. Abraão deu-lhe o nome de Isaque e o circuncidou ao oitavo dia; tinha então cem anos (Gn 21.1-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Sara disse que Deus a fizera rir, e que todos que ouvissem ririam com ela (Gn 21.6-7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) — o riso de incredulidade dera lugar ao riso de alegria.

No dia em que Isaque foi desmamado, Abraão deu um grande banquete. Sara viu Ismael zombando e pediu que Abraão mandasse embora a serva e o filho. Abraão sofreu muito com isso, mas Deus lhe disse que ouvisse Sara, porque por meio de Isaque seria chamada a sua descendência, e prometeu fazer também de Ismael uma nação (Gn 21.8-13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Abraão despediu Agar e o menino com pão e um odre de água. No deserto de Berseba, quando a água acabou, Deus ouviu a voz do menino, abriu os olhos de Agar para um poço e esteve com Ismael enquanto ele crescia (Gn 21.14-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Paulo usaria esse episódio para contrastar a escravidão da lei com a liberdade da promessa (Gl 4.21-31 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Nessa mesma época, Abraão fez uma aliança com Abimeleque em Berseba, resolvendo uma disputa sobre um poço, plantou ali uma tamargueira e invocou o nome do Senhor, o Deus eterno (Gn 21.22-34 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A prova no monte Moriá

Depois disso, Deus pôs Abraão à prova. Mandou que tomasse o filho — o seu único filho, a quem amava, Isaque — fosse à terra de Moriá e o oferecesse em holocausto sobre um dos montes que lhe indicaria (Gn 22.1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Abraão levantou-se de madrugada, preparou a lenha e partiu com Isaque e dois servos; no terceiro dia, avistou o lugar (Gn 22.3-4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Deixou os servos com o jumento, dizendo que ele e o menino iriam adorar e voltariam (Gn 22.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Pôs a lenha sobre Isaque e levou nas mãos o fogo e a faca. No caminho, Isaque perguntou onde estava o cordeiro, e o pai respondeu que Deus mesmo proveria o cordeiro (Gn 22.6-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). No alto do monte, Abraão edificou o altar, amarrou o filho e estendeu a mão para sacrificá-lo, mas o Anjo do Senhor o chamou do céu e o deteve: agora estava claro que Abraão temia a Deus, pois não lhe negara o próprio filho (Gn 22.9-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Abraão viu um carneiro preso pelos chifres num arbusto e o ofereceu no lugar de Isaque, dando àquele lugar o nome de "o Senhor proverá" (Gn 22.13-14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O Anjo falou de novo e, com um juramento de Deus por si mesmo, confirmou a promessa: a descendência de Abraão seria numerosa como as estrelas do céu e como a areia da praia, e nela seriam benditas todas as nações da terra, porque ele obedecera (Gn 22.15-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Hb 6.13-15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A Carta aos Hebreus explica a obediência de Abraão: ele considerava que Deus era poderoso até para ressuscitar Isaque dentre os mortos (Hb 11.17-19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Tiago cita o mesmo episódio para mostrar que a fé de Abraão era viva e se manifestava em obras (Tg 2.21-23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O monte Moriá é identificado mais tarde como o lugar onde Salomão construiu o templo, em Jerusalém (2Cr 3.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Os últimos anos

Sara morreu aos 127 anos em Quiriate-Arba, que é Hebrom, e Abraão a pranteou (Gn 23.1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Peregrino na terra que Deus lhe prometera, ele não possuía nem um lugar para sepultá-la. Negociou com os heteus e comprou de Efrom o campo e a caverna de Macpela, defronte de Manre, por 400 siclos de prata, pagos publicamente diante da cidade (Gn 23.3-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Essa sepultura foi a única porção da terra prometida que Abraão possuiu em vida — um penhor do que Deus daria à sua descendência (At 7.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Já idoso, Abraão encarregou o servo mais antigo de sua casa de buscar uma esposa para Isaque entre a sua parentela, na Mesopotâmia, e não entre os cananeus, e fez com que ele jurasse não levar Isaque de volta para lá (Gn 24.1-9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O servo, guiado em oração, encontrou Rebeca, neta de Naor, irmão de Abraão, que aceitou partir e tornou-se esposa de Isaque (Gn 24.10-67 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Abraão tomou ainda outra mulher, Quetura, que lhe deu seis filhos, entre eles Midiã (Gn 25.1-4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Deixou tudo o que tinha a Isaque, deu presentes aos filhos das concubinas e os enviou para as terras do oriente, longe de Isaque (Gn 25.5-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Morreu aos 175 anos, em boa velhice, idoso e satisfeito de dias, e foi reunido ao seu povo, como Deus lhe prometera (Gn 15.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gn 25.7-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Isaque e Ismael o sepultaram juntos na caverna de Macpela, ao lado de Sara (Gn 25.9-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Fé e fraquezas

A Escritura retrata Abraão como homem de fé obediente: deixou tudo ao ouvir o chamado (Gn 12.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), creu numa promessa humanamente impossível (Gn 15.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Rm 4.18-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e não reteve o filho amado (Gn 22.12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Foi generoso com Ló (Gn 13.8-9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), recusou enriquecer pelas mãos do rei de Sodoma (Gn 14.22-23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), acolheu estrangeiros com hospitalidade (Gn 18.1-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e intercedeu pelos outros com ousadia e humildade (Gn 18.23-32 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gn 20.17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A própria Escritura o chama de "amigo de Deus" (2Cr 20.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Is 41.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Tg 2.23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A mesma Escritura não esconde suas falhas. Por duas vezes, movido pelo medo, expôs Sara ao perigo, apresentando-a como irmã (Gn 12.10-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gn 20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Cedeu à proposta de ter um filho com Agar, o que gerou sofrimento para todos (Gn 16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e riu diante da promessa de um filho na velhice (Gn 17.17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Sua fé não foi uma linha reta, mas um caminho de amadurecimento, em que Deus o corrigiu, o protegeu e o sustentou. Por isso Paulo pode dizer que Abraão não vacilou por incredulidade, mas se fortaleceu na fé, dando glória a Deus (Rm 4.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)): a grandeza de Abraão está menos nele mesmo e mais na fidelidade do Deus que o chamou.

Legado

Depois de Abraão, Deus passou a se apresentar como o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó (Êx 3.6), e a aliança com ele tornou-se a base da esperança de Israel (Ne 9.7-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Sl 105.6-15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Isaías convida o povo a olhar para Abraão, chamado quando era um só e multiplicado por Deus (Is 51.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

No Novo Testamento, a genealogia de Jesus começa em Abraão (Mt 1.1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e o cântico de Maria e a profecia de Zacarias celebram a misericórdia prometida a ele (Lc 1.55,73 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Jesus fala de muitos que virão do oriente e do ocidente para sentar-se à mesa com Abraão no Reino dos céus (Mt 8.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e, na parábola do rico e Lázaro, usa a imagem do "seio de Abraão" para o lugar de consolo dos justos (Lc 16.22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Paulo faz de Abraão o modelo da justificação pela fé (Rm 4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gl 3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), Hebreus o coloca entre os grandes exemplos de fé (Hb 11.8-19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e Tiago o apresenta como prova de que a fé verdadeira se manifesta em obras (Tg 2.21-23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Pedro lembra Sara como exemplo de esposa que honrava o marido (1Pe 3.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Fora da Bíblia, vale registrar que judeus, cristãos e muçulmanos reconhecem Abraão como patriarca, o que faz dele uma das figuras mais influentes da história religiosa da humanidade.

Conexão com Cristo

A promessa feita a Abraão encontra seu cumprimento em Jesus. Paulo afirma que as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência, no singular, e que essa descendência é Cristo (Gl 3.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Por isso, a bênção prometida a todas as famílias da terra (Gn 12.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) é o próprio evangelho anunciado de antemão a Abraão (Gl 3.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)): em Cristo, que se fez maldição por nós, a bênção de Abraão chega aos gentios (Gl 3.13-14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e todos os que pertencem a Cristo são descendência de Abraão e herdeiros da promessa (Gl 3.29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A justiça creditada a Abraão pela fé (Gn 15.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) não foi registrada só por causa dele, mas também por nossa causa: ela é creditada a todos os que creem naquele que ressuscitou Jesus, entregue por nossas transgressões e ressuscitado para nossa justificação (Rm 4.22-25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A prova no monte Moriá é a sombra mais clara da cruz na vida de Abraão. O pai que oferece o filho único e amado (Gn 22.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) aponta para o Pai que não poupou o próprio Filho, mas o entregou por todos nós (Rm 8.32 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Jo 3.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Hebreus diz que Abraão recebeu Isaque de volta como figura da ressurreição (Hb 11.19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O carneiro oferecido no lugar de Isaque e a resposta de que Deus proveria o cordeiro (Gn 22.8,13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) encontram eco em Jesus, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A tradição cristã também viu em Isaque carregando a lenha monte acima uma imagem de Cristo carregando a cruz (Jo 19.17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e o fato de Moriá ser associado a Jerusalém (2Cr 3.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) aproxima ainda mais as duas cenas.

O encontro com Melquisedeque, a quem Abraão deu o dízimo, é usado em Hebreus para mostrar que Cristo é sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, maior que Abraão e que o sacerdócio levítico que dele descenderia (Hb 7.1-17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Por fim, o próprio Jesus declarou que Abraão se alegrou por ver o seu dia e que, antes que Abraão existisse, ele é — o "Eu Sou" (Jo 8.56-58 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O patriarca que caminhou pela fé em direção à cidade que tem fundamentos, cujo arquiteto e construtor é Deus (Hb 11.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), apontava, sem saber plenamente, para Aquele que é o centro de toda a promessa.

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