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Antigo Testamento · Mulheres da Bíblia

Agar

Significado do nome

Etimologia incerta; muitos o relacionam a "fuga" ou "estrangeira", por semelhança com palavras semíticas, mas a Bíblia não explica o nome

Posição / vínculo com a Bíblia

Serva egípcia de Sara e mãe de Ismael, filho de Abraão; duas vezes socorrida por Deus no deserto, foi a primeira pessoa na Bíblia a dar um nome a Deus, "o Deus que me vê", e Paulo a usa como figura da aliança do Sinai (Gn 16.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gn 21.17-19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gl 4.24-25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

Testamento

Antigo Testamento

Grupo

Mulheres da Bíblia

Síntese histórica

Agar era uma serva egípcia de Sarai, mulher de Abrão (Gn 16.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Diante da esterilidade de Sarai, foi dada a Abrão para lhe dar um filho e engravidou; o conflito que se seguiu com a senhora a levou a fugir para o deserto, onde o Anjo do Senhor a encontrou, mandou que voltasse e prometeu multiplicar a sua descendência. Ali ela chamou o Senhor de "o Deus que me vê", e depois deu à luz Ismael (Gn 16.2-16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Anos mais tarde, depois do nascimento de Isaque, foi despedida com o filho. No deserto de Berseba, quando a água acabou e ela esperava ver o menino morrer, Deus ouviu a voz de Ismael, abriu os olhos de Agar para um poço e prometeu fazer do filho uma grande nação (Gn 21.8-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Paulo usa sua história como alegoria da aliança da lei, em contraste com Sara, figura da aliança da promessa (Gl 4.21-31 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

História

Contexto e origem

O texto apresenta Agar como serva egípcia de Sarai (Gn 16.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A Bíblia não diz como ela chegou à casa de Abrão; talvez tenha sido incluída entre os servos que o faraó deu a Abrão quando Sarai esteve no palácio egípcio (Gn 12.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), mas o texto não afirma isso. Como escrava, não tinha voz sobre o próprio destino: na primeira parte de sua história, são os outros que falam e decidem por ela.

Mulher de Abrão

Depois de dez anos em Canaã sem filhos, Sarai propôs a Abrão que tivesse um filho com Agar, para que, por meio dela, tivesse descendência; Abrão concordou, e Sarai entregou Agar ao marido como mulher (Gn 16.1-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O arranjo seguia um costume conhecido no antigo Oriente Próximo, em que o filho da serva podia ser considerado filho da senhora.

Agar engravidou e, ao perceber isso, passou a desprezar a senhora (Gn 16.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Sarai culpou Abrão, que lhe deixou a serva nas mãos para fazer o que quisesse; Sarai a maltratou, e Agar fugiu (Gn 16.5-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O Deus que me vê

O Anjo do Senhor encontrou Agar junto a uma fonte de água no deserto, no caminho de Sur, em direção ao Egito (Gn 16.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). É a primeira aparição do Anjo do Senhor registrada na Bíblia, e ela acontece para socorrer uma escrava estrangeira em fuga. Ele a chamou pelo nome e perguntou de onde vinha e para onde ia. Agar respondeu que fugia da presença de Sarai, sua senhora (Gn 16.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O Anjo mandou que voltasse e se submetesse a Sarai, mas acompanhou a ordem de uma promessa: Deus multiplicaria tanto a sua descendência que não se poderia contar (Gn 16.9-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Agar é a única mulher em Gênesis a receber diretamente uma promessa desse tipo. O Anjo anunciou ainda que ela teria um filho e o chamaria Ismael, que significa "Deus ouve", porque o Senhor ouvira a sua aflição; e descreveu o menino como alguém indomável, em conflito com todos e vivendo diante de todos os seus irmãos (Gn 16.11-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Então Agar fez algo que ninguém havia feito antes na Bíblia: deu um nome a Deus. Chamou o Senhor que lhe falava de "o Deus que me vê", e perguntou se de fato ela tinha visto aquele que a via. Por isso, o poço foi chamado Beer-Laai-Roi, "poço daquele que vive e me vê" (Gn 16.13-14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A mulher invisível na casa de Abrão descobriu que era vista por Deus.

Agar voltou, como lhe fora ordenado, e deu à luz um filho a Abrão, que o chamou Ismael. Abrão tinha 86 anos (Gn 16.15-16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A expulsão

Catorze anos depois, nasceu Isaque, o filho da promessa (Gn 21.1-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). No dia em que Isaque foi desmamado, Abraão deu um banquete, e Sara viu Ismael zombando. Pediu, então, que Abraão mandasse embora a serva e o filho, para que Ismael não fosse herdeiro com Isaque (Gn 21.8-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Abraão sofreu muito com isso, mas Deus lhe disse que atendesse Sara, porque a descendência da promessa seria chamada por meio de Isaque, e garantiu que também faria do filho da serva uma nação, por ser descendente de Abraão (Gn 21.11-13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Na manhã seguinte, Abraão deu a Agar pão e um odre de água, colocou-os sobre os seus ombros e a despediu com o menino. Ela partiu e andou errante pelo deserto de Berseba (Gn 21.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Pela cronologia de Gênesis, Ismael seria então um adolescente, embora o texto o chame de menino.

Quando a água do odre acabou, Agar deixou o menino debaixo de um arbusto e foi sentar-se a certa distância, à distância de um tiro de arco, porque não queria ver o filho morrer. Ali, sentada, levantou a voz e chorou (Gn 21.15-16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Deus ouviu a voz do menino — fazendo jus ao nome Ismael —, e o Anjo de Deus chamou Agar do céu, perguntou o que ela tinha e disse-lhe que não temesse, porque Deus ouvira a voz do menino ali onde ele estava. Mandou que se levantasse, erguesse o menino e o segurasse pela mão, porque Deus faria dele uma grande nação (Gn 21.17-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Então Deus abriu os olhos de Agar, e ela viu um poço; encheu o odre e deu de beber ao menino (Gn 21.19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Deus esteve com Ismael enquanto ele crescia. Ele morou no deserto de Parã e tornou-se flecheiro, e Agar tomou para ele uma mulher da terra do Egito (Gn 21.20-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). É a última ação de Agar registrada na Bíblia; a Escritura não informa quando nem onde ela morreu.

Fé e fraquezas

A Bíblia mostra Agar com realismo. Quando engravidou, ela desprezou a senhora (Gn 16.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), contribuindo para o conflito que tornou a casa insuportável. Ao mesmo tempo, sua história é em grande parte a de alguém que sofre as decisões de outros: foi entregue como mulher, maltratada, depois despedida com o filho para o deserto (Gn 16.3,6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gn 21.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O que a distingue é o encontro com Deus. Ela ouviu e obedeceu à ordem de voltar (Gn 16.9,15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), deu nome ao Deus que a via (Gn 16.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e, no momento de maior desespero, foi alcançada pela voz de Deus e teve os olhos abertos para a provisão que estava ali (Gn 21.17-19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A Escritura não descreve sua vida interior além disso, mas seu testemunho sobre Deus atravessa os séculos.

Legado

De Ismael, filho de Agar, vieram doze príncipes, segundo as suas tribos, que habitaram desde Havilá até Sur, diante do Egito (Gn 25.12-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e Ismael esteve com Isaque no sepultamento de Abraão (Gn 25.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Antigo Testamento menciona depois os agarenos, povo associado ao seu nome (1Cr 5.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Sl 83.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

No Novo Testamento, Paulo faz de Agar uma figura da aliança do monte Sinai, que gera para a escravidão e corresponde à Jerusalém daquele tempo, em contraste com Sara, figura da aliança da promessa e da Jerusalém lá de cima (Gl 4.21-31 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Fora da Bíblia, a tradição islâmica honra Agar, chamada Hajar, como mãe de Ismael e a liga à fundação de Meca e ao poço de Zamzam; trata-se de uma tradição posterior, sem base no texto bíblico.

Conexão com Cristo

Agar deu a Deus o nome de "o Deus que me vê" (Gn 16.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Em Jesus, esse Deus se aproxima dos que estão à margem. Ele viu as multidões e teve compaixão delas, porque estavam como ovelhas sem pastor (Mt 9.36 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), viu a viúva de Naim que chorava (Lc 7.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e, junto a um poço, conversou com uma mulher estrangeira e marginalizada, revelando-lhe que conhecia toda a sua história (Jo 4.7-29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Pode-se ver nesse encontro, com moderação, um eco do encontro de Agar com o Senhor junto à fonte do deserto.

A água que salvou Agar e Ismael no deserto (Gn 21.19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) aponta para a água que Jesus oferece. Ele prometeu à samaritana uma água que se torna fonte que jorra para a vida eterna (Jo 4.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e convidou quem tivesse sede a vir a ele e beber (Jo 7.37-38 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). No fim da Bíblia, o convite é repetido: quem tem sede, venha e beba de graça da água da vida (Ap 22.17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Paulo usa Agar para mostrar a diferença entre a escravidão e a liberdade. Ela representa a aliança da lei, que gera para a escravidão; os que estão em Cristo são filhos da mulher livre (Gl 4.24-31 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Por isso, Paulo conclui que foi para a liberdade que Cristo nos libertou, e exorta a não voltar ao jugo da escravidão (Gl 5.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A alegoria não despreza a pessoa de Agar, a quem Deus socorreu, mas usa sua condição de escrava para ilustrar a diferença entre confiar no esforço humano e receber a graça da promessa.

Agar era estrangeira, egípcia, e mesmo assim foi vista, ouvida e abençoada por Deus. Os profetas anunciaram o dia em que Deus diria "bendito seja o Egito, meu povo" (Is 19.25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e em Cristo os que estavam longe foram aproximados pelo seu sangue, deixando de ser estrangeiros para se tornarem membros da família de Deus (Ef 2.13,19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Muitos intérpretes cristãos viram ainda no Anjo do Senhor, a quem Agar reconheceu como Deus (Gn 16.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), uma manifestação do Filho antes da encarnação — uma interpretação antiga, que se apresenta com moderação.

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