Novo Testamento · Profetas · Mulheres da Bíblia
Ana, a profetisa
- Significado do nome
"Graça" ou "favor", sentido do nome hebraico Channah, o mesmo de Ana, mãe de Samuel; a Bíblia não explica o nome
- Posição / vínculo com a Bíblia
Profetisa, filha de Fanuel, da tribo de Aser, que ficara viúva depois de sete anos de casamento e, já muito idosa, não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia com jejuns e orações; chegou no momento em que Simeão segurava o menino Jesus, deu graças a Deus e passou a falar do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém (Lc 2.36-38 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))
- Testamento
Novo Testamento
- Grupo
Profetas · Mulheres da Bíblia
Síntese histórica
Ana era uma profetisa, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Casou-se jovem, viveu sete anos com o marido e ficou viúva; quando o menino Jesus foi apresentado no templo, ela era muito idosa e não se afastava do templo, adorando a Deus noite e dia com jejuns e orações (Lc 2.36-37 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Naquele mesmo momento em que Simeão, movido pelo Espírito Santo, tomou o menino nos braços e profetizou a respeito dele, Ana chegou, deu graças a Deus e começou a falar do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém (Lc 2.38 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
O relato de Lucas sobre Ana ocupa apenas três versículos, mas faz dela uma das primeiras pessoas a anunciar Jesus a outros. Ao lado de Simeão, ela formou um par de testemunhas — um homem e uma mulher, ambos idosos e fiéis — que reconheceram no menino trazido ao templo o cumprimento das promessas de Deus a Israel.
História
Contexto e origem
Lucas apresenta Ana com uma descrição precisa: havia também uma profetisa, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser (Lc 2.36 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O nome do seu pai, Fanuel, é a forma grega de Peniel, que significa "face de Deus" — o nome que Jacó deu ao lugar onde lutou com Deus e disse: vi Deus face a face (Gn 32.30 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
A tribo de Aser pertencia ao antigo reino do norte, cujos habitantes, na sua maior parte, foram levados para o exílio pela Assíria em 722 a.C. Muitas vezes se fala das "dez tribos perdidas", mas a Bíblia registra que alguns de Aser haviam se humilhado e ido a Jerusalém para celebrar a Páscoa nos dias do rei Ezequias (2Cr 30.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e a família de Ana conservara a memória da sua tribo. O nome Aser significa "feliz" ou "bem-aventurado" (Gn 30.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e, ao abençoar essa tribo, Moisés dissera: como os teus dias, assim será a tua força (Dt 33.25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) — palavras que combinam bem com a vida desta mulher idosa e fiel.
Ana é uma das poucas mulheres chamadas de profetisa na Bíblia, ao lado de Miriã, de Débora e de Hulda, no Antigo Testamento (Êx 15.20; Jz 4.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 2Rs 22.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e das filhas de Filipe, no Novo (At 21.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Uma longa viuvez
Ana estava em idade muito avançada. Tinha vivido com o marido sete anos depois do casamento e depois ficara viúva (Lc 2.36-37 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O texto grego pode ser entendido de duas maneiras: ela tinha cerca de oitenta e quatro anos, ou estava viúva havia oitenta e quatro anos, o que lhe daria mais de cem anos de idade. Em qualquer caso, perdera o marido ainda jovem e passara a maior parte da vida sozinha. Numa sociedade em que as viúvas eram frequentemente vulneráveis e desamparadas, Ana não voltou a se casar e dedicou a vida a Deus.
No templo
Ana não se afastava do templo e servia a Deus com jejuns e orações, de noite e de dia (Lc 2.37 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Alguns intérpretes entendem que ela morava em algum aposento dentro da área do templo; outros, que a expressão indica a sua presença constante em todos os momentos de oração. O templo tinha horas fixas de oração, que coincidiam com os sacrifícios da manhã e da tarde (At 3.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e Ana estava sempre ali, esperando em Deus. O apóstolo Paulo descreveria, anos depois, a viúva verdadeiramente piedosa com palavras que parecem um retrato de Ana: aquela que põe a sua esperança em Deus e persevera noite e dia em súplicas e orações (1Tm 5.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Naquela mesma hora
Quarenta dias depois do nascimento de Jesus, Maria e José levaram o menino ao templo, conforme a Lei. Ali, Simeão, homem justo e piedoso, conduzido pelo Espírito Santo, tomou o menino nos braços, bendisse a Deus e profetizou a respeito dele (Lc 2.22-35 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Naquela mesma hora, Ana chegou e começou a dar graças a Deus (Lc 2.38 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O texto destaca o momento exato: a mulher que passara décadas no templo, orando e jejuando, chegou justamente quando o Messias estava ali.
Falava do menino
E Ana falava a respeito do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém (Lc 2.38 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ela não guardou para si o que viu. Procurou os que, como ela, esperavam que Deus cumprisse as suas promessas e libertasse o seu povo, e lhes anunciou que a redenção havia chegado. A expressão lembra as palavras de Isaías: rompam em júbilo, ó ruínas de Jerusalém, porque o Senhor consolou o seu povo e redimiu Jerusalém (Is 52.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Muitos intérpretes veem em Ana uma das primeiras pessoas a anunciar Jesus a outros.
Duas testemunhas
Lucas coloca lado a lado Simeão e Ana, um homem e uma mulher, ambos idosos, ambos movidos por Deus, ambos dando testemunho do menino. Esse é um traço frequente no seu evangelho, que gosta de apresentar homens e mulheres em situações paralelas, como Zacarias e Maria. A Lei exigia duas testemunhas para confirmar um fato (Dt 19.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e o reconhecimento de Jesus no templo foi confirmado por dois testemunhos. Ao mesmo tempo, a cena mostra o cumprimento inicial da profecia de Joel, segundo a qual Deus derramaria o seu Espírito sobre homens e mulheres, jovens e velhos (Jl 2.28-29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
O fim da sua vida
A Bíblia não registra mais nada sobre Ana. Lucas conta apenas que, depois de cumprirem tudo o que a Lei exigia, José e Maria voltaram para a Galileia, para Nazaré (Lc 2.39 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A mulher que esperara durante tantos anos viu, no fim da vida, o cumprimento da sua esperança.
Fé e caráter
Ana aparece como uma mulher de perseverança extraordinária: viveu décadas de viuvez sem se afastar de Deus, mas buscando-o com jejuns e orações, noite e dia (Lc 2.37 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A sua devoção não era apenas um costume: ela tinha sensibilidade espiritual para reconhecer o que Deus estava fazendo e reagiu com gratidão (Lc 2.38 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E, em vez de guardar a sua alegria para si, tornou-se testemunha, falando do menino aos que esperavam a redenção (Lc 2.38 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A Bíblia não registra falhas de Ana.
Legado
Ana é lembrada como exemplo de oração perseverante, de fidelidade na viuvez e de esperança que não se cansa, e como uma das primeiras testemunhas de Jesus. A sua história mostra que Deus vê e honra os que o buscam em silêncio, durante muitos anos. Ela tem o mesmo nome de Ana, a mãe de Samuel, que também orou no santuário e cujo cântico ecoa no Magnificat de Maria (1Sm 1–2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Lc 1.46-55 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), mas não deve ser confundida com ela.
Conexão com Cristo
Ana falava do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém (Lc 2.38 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Aquele menino era o Redentor. Paulo escreve que, quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho para resgatar os que estavam debaixo da Lei (Gl 4.4-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e que Cristo se entregou por nós para nos redimir de toda iniquidade (Tt 2.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Anos depois, dois discípulos no caminho de Emaús disseram, desanimados, que esperavam que Jesus fosse aquele que iria redimir Israel; mas o Ressuscitado lhes mostrou que era necessário que o Cristo sofresse para entrar na sua glória (Lc 24.21,26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A redenção que Ana anunciou foi realizada na cruz e confirmada na ressurreição, e os que o recebem foram resgatados não com prata ou ouro, mas com o precioso sangue de Cristo (1Pe 1.18-19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Ana passou a vida orando e jejuando no templo (Lc 2.37 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Jesus chamou o templo de casa de oração para todas as nações (Mc 11.17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e contou a parábola de uma viúva que insistia dia e noite pedindo justiça, para ensinar que é preciso orar sempre e nunca desanimar (Lc 18.1-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). No mesmo templo onde Ana orou, Jesus observou outra viúva pobre e disse que ela dera mais do que todos, porque deu tudo o que tinha (Lc 21.1-4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e, na cidade de Naim, teve compaixão de uma viúva que enterrava o filho único e o ressuscitou (Lc 7.12-15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Cristo vê e honra a fé das viúvas e de todos os que esperam nele.
O pai de Ana se chamava Fanuel, "face de Deus" (Lc 2.36 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Pode-se lembrar, com moderação, que a filha da "face de Deus" contemplou no menino Jesus a face de Deus revelada aos homens. Jesus disse a Filipe: quem me vê, vê o Pai (Jo 14.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e Paulo afirma que Deus fez brilhar a sua luz em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo (2Co 4.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Por fim, Ana, de uma tribo que muitos consideravam perdida, estava no templo quando chegou o Messias (Lc 2.36-38 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Cristo veio reunir o povo de Deus disperso (Jo 11.52 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e o Apocalipse mostra, entre os servos de Deus selados, também os da tribo de Aser (Ap 7.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E a mulher que se tornou uma das primeiras a falar de Jesus aos outros antecipa as mulheres que, na manhã da ressurreição, foram as primeiras a anunciar aos discípulos que o Senhor havia ressuscitado (Lc 24.9-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Jesus chamou todos os seus seguidores a serem suas testemunhas até os confins da terra (At 1.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
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