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Novo Testamento · Apóstolos e discípulos

Apolo

Significado do nome

Forma abreviada de Apolônio, nome grego derivado do deus Apolo, muito comum no mundo greco-romano

Posição / vínculo com a Bíblia

Judeu de Alexandria, eloquente e poderoso nas Escrituras, que, instruído por Priscila e Áquila, tornou-se um importante mestre na igreja de Corinto, regando o que Paulo havia plantado e demonstrando publicamente que Jesus é o Cristo

Nascimento

Alexandria, no Egito (At 18.24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), provavelmente no início do século I d.C.

Testamento

Novo Testamento

Grupo

Apóstolos e discípulos

Síntese histórica

Apolo era um judeu natural de Alexandria, no Egito, homem eloquente e poderoso nas Escrituras, que chegou a Éfeso já instruído no caminho do Senhor. Falava com fervor de espírito e ensinava com precisão o que se referia a Jesus, mas conhecia apenas o batismo de João (At 18.24-25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Quando Priscila e Áquila o ouviram na sinagoga, levaram-no consigo e lhe expuseram com mais exatidão o caminho de Deus (At 18.26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Recomendado pelos irmãos, Apolo foi para a Acaia, onde ajudou muito os que haviam crido e refutava publicamente os judeus, demonstrando pelas Escrituras que Jesus era o Cristo (At 18.27-28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Em Corinto, sua influência foi tão grande que alguns crentes passaram a dizer que eram de Apolo, em oposição aos que diziam ser de Paulo ou de Pedro (1Co 1.12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Paulo, longe de vê-lo como rival, explicou que ambos eram apenas servos: ele plantou, Apolo regou, mas foi Deus quem deu o crescimento (1Co 3.5-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Apolo é o retrato do mestre talentoso que soube aprender com humildade e colocou os seus dons a serviço de Cristo e da igreja.

História

Contexto e origem

Alexandria, no norte do Egito, era uma das maiores cidades do Império Romano e o principal centro intelectual do mundo grego, com a sua célebre biblioteca. Abrigava também uma das maiores comunidades judaicas fora da terra de Israel. Foi ali que, séculos antes, as Escrituras hebraicas haviam sido traduzidas para o grego, na versão conhecida como Septuaginta, e ali viveu, na mesma época de Jesus e dos apóstolos, o filósofo judeu Fílon, conhecido pela interpretação alegórica do Antigo Testamento. Alguns estudiosos supõem que Apolo tenha recebido uma formação semelhante, mas o texto bíblico não o diz.

Lucas o descreve como homem eloquente, palavra que também pode significar culto ou instruído, e poderoso nas Escrituras (At 18.24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A Bíblia não informa como Apolo conheceu o caminho do Senhor nem quem o instruiu.

O batismo de João

Quando chegou a Éfeso, Apolo já havia sido instruído no caminho do Senhor. Falava com fervor de espírito e ensinava com exatidão as coisas referentes a Jesus, mas conhecia apenas o batismo de João (At 18.25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). João Batista havia pregado um batismo de arrependimento, anunciando aquele que viria depois dele e que batizaria com o Espírito Santo (Mc 1.4-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); At 19.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Apolo conhecia esse anúncio e sabia que Jesus era o Messias esperado, mas o seu conhecimento ainda era incompleto, talvez sem a compreensão plena do batismo cristão e do derramamento do Espírito.

Pouco depois, Paulo encontraria em Éfeso alguns discípulos na mesma situação, que haviam recebido apenas o batismo de João e nem sequer tinham ouvido falar do Espírito Santo. Paulo lhes explicou que João batizara para que cressem naquele que vinha depois dele, Jesus, e eles foram batizados no nome do Senhor Jesus (At 19.1-7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O texto não diz se esses discípulos tinham alguma relação com Apolo.

Instruído por Priscila e Áquila

Apolo começou a falar com ousadia na sinagoga de Éfeso. Priscila e Áquila, que ali moravam, ouviram-no e, em vez de corrigi-lo publicamente, levaram-no consigo e lhe expuseram com mais exatidão o caminho de Deus (At 18.26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O pregador eloquente aceitou ser ensinado por um casal de fabricantes de tendas. Sua humildade foi tão importante quanto o seu talento.

Em Corinto

Apolo quis ir para a Acaia, a província da Grécia cuja capital era Corinto. Os irmãos de Éfeso o encorajaram e escreveram aos discípulos de lá, pedindo que o recebessem. Ao chegar, ele foi de grande ajuda aos que, pela graça, haviam crido, porque refutava os judeus com vigor e em público, demonstrando pelas Escrituras que Jesus era o Cristo (At 18.27-28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Paulo havia fundado a igreja de Corinto pouco tempo antes; Apolo deu continuidade à obra.

"Eu sou de Apolo"

A eloquência de Apolo conquistou admiradores, e com o tempo surgiram divisões na igreja de Corinto. Alguns diziam ser de Paulo, outros de Apolo, outros de Cefas, e outros de Cristo (1Co 1.12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Paulo repreendeu essas divisões, perguntando se Cristo estava dividido e se Paulo havia sido crucificado por eles (1Co 1.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Paulo não culpou Apolo pelo partidarismo. Explicou que ele e Apolo eram apenas servos por meio de quem os coríntios haviam crido, cada um conforme o Senhor lhe concedera. Ele plantou, Apolo regou, mas Deus deu o crescimento, de modo que nem o que planta nem o que rega são alguma coisa, mas Deus, que dá o crescimento (1Co 3.4-7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Mais adiante, lembrou que tudo pertencia aos coríntios, fosse Paulo, Apolo ou Cefas, e que eles pertenciam a Cristo, e Cristo a Deus (1Co 3.21-23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E disse que aplicara essas coisas a si mesmo e a Apolo para que os crentes aprendessem a não se ensoberbecer, favorecendo um em detrimento do outro (1Co 4.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Quando escreveu de Éfeso a primeira carta aos Coríntios, Paulo contou que havia insistido muito com o irmão Apolo para que fosse visitá-los com os outros irmãos, mas que ele não quis ir naquele momento, e iria quando tivesse oportunidade (1Co 16.12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O texto não explica o motivo. Muitos intérpretes supõem que Apolo preferiu não alimentar o partido que se formara em torno do seu nome. De qualquer forma, a passagem mostra que Paulo o chamava de irmão e confiava nele.

Os últimos registros

Apolo aparece pela última vez na carta a Tito, quando Paulo pede que Tito providencie com cuidado a viagem de Zenas, o intérprete da Lei, e de Apolo, para que nada lhes falte (Tt 3.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Anos depois das divisões de Corinto, Apolo continuava ativo no ministério e mantinha a amizade com Paulo.

A tradição posterior

Martinho Lutero, no século XVI, sugeriu que Apolo poderia ser o autor da carta aos Hebreus, cuja linguagem grega refinada e cujo domínio do Antigo Testamento combinariam com o retrato de Atos. A hipótese ainda é considerada por alguns estudiosos, mas não pode ser comprovada. Tradições posteriores fazem de Apolo bispo de Corinto, de Creta ou de outras cidades, sem fundamento seguro. Nada disso pertence ao texto bíblico, e deve ser recebido apenas como tradição ou hipótese.

Fé e legado

Apolo une dois traços raramente encontrados juntos: grande talento e grande humildade. Era eloquente, culto e fervoroso, e mesmo assim aceitou ser corrigido em particular por dois leigos. Tornou-se um mestre poderoso, mas não buscou formar um partido em torno de si. Sua história lembra que os dons, por maiores que sejam, servem ao crescimento que só Deus pode dar.

Conexão com Cristo

O centro da pregação de Apolo era demonstrar, pelas Escrituras, que Jesus é o Cristo (At 18.28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ele fez o que o próprio Jesus fizera com os discípulos depois da ressurreição, quando lhes explicou, a partir de Moisés e de todos os profetas, o que as Escrituras diziam a seu respeito (Lc 24.27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Toda a sua eloquência estava a serviço desse anúncio.

As divisões em torno de Apolo levaram Paulo a afirmar uma verdade fundamental: ninguém pode lançar outro fundamento além do que já está posto, que é Jesus Cristo (1Co 3.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os pregadores são apenas servos; a igreja pertence a Cristo (1Co 3.23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E Paulo lembrou que Cristo não o enviou para pregar com sabedoria de palavras, para que a cruz de Cristo não se tornasse vã, porque Cristo crucificado é o poder e a sabedoria de Deus (1Co 1.17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 1Co 1.23-24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A eloquência de Apolo tinha valor apenas enquanto apontava para essa cruz.

Por fim, a disposição de Apolo para aprender reflete o espírito do Mestre a quem servia. Jesus convidou os seus a aprenderem dele, que é manso e humilde de coração (Mt 11.29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O mestre de Alexandria se fez discípulo, e foi assim que se tornou útil para a obra de Cristo.

Livros onde aparece

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