Antigo Testamento · Sacerdotes
Arão
- Significado do nome
Etimologia incerta; propostas comuns relacionam o nome a "montanha" ou "iluminado", e há quem veja nele uma origem egípcia; a Bíblia não explica o nome
- Posição / vínculo com a Bíblia
Irmão mais velho de Moisés e seu porta-voz diante do faraó; primeiro sumo sacerdote de Israel, de quem descenderam todos os sacerdotes do povo; o Novo Testamento usa o seu sacerdócio para mostrar a grandeza do sacerdócio de Cristo (Êx 4.14-16; Êx 28.1; Lv 8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Hb 5.1-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Hb 7.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))
- Nascimento
Egito, numa família da tribo de Levi, por volta de 1350 a.C., três anos antes de Moisés (Êx 6.20; Êx 7.7)
- Morte
Monte Hor, na fronteira de Edom, por volta de 1230 a.C., aos 123 anos, no quadragésimo ano depois da saída do Egito (Nm 20.22-29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Nm 33.38-39 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))
- Testamento
Antigo Testamento
- Grupo
Sacerdotes
- Onde aparece
Êx 4.14-31; Êx 5–12; Êx 16–17; Êx 24.1,9-14; Êx 28–29; Êx 32; Lv 8–10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Lv 16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Nm 6.22-27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Nm 12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Nm 16–18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Nm 20.1-29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Nm 33.38-39 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Dt 9.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Dt 10.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Sl 77.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Sl 99.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Sl 106.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Sl 133.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Mq 6.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Lc 1.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); At 7.40 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Hb 5.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Hb 7.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Hb 9.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)
Síntese histórica
Arão era o irmão mais velho de Moisés e de Miriã, filho de Anrão e Joquebede, da tribo de Levi (Êx 6.20). Quando Moisés resistiu ao chamado de Deus por não ser eloquente, Deus lhe deu Arão como porta-voz, e os dois enfrentaram juntos o faraó até a libertação de Israel (Êx 4.14-16; Êx 7–12). No Sinai, Deus o escolheu, com seus filhos, para o sacerdócio: vestido com as vestes sagradas e ungido por Moisés, tornou-se o primeiro sumo sacerdote de Israel, responsável pelos sacrifícios, pela bênção do povo e pela entrada anual no Santo dos Santos no Dia da Expiação (Êx 28–29; Lv 8–9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Lv 16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Sua vida teve também falhas graves: foi ele quem fez o bezerro de ouro enquanto Moisés estava no monte (Êx 32), criticou o irmão com Miriã (Nm 12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e, em Meribá, participou da desobediência que impediu os dois de entrarem na terra prometida (Nm 20.12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Perdeu dois filhos, consumidos por fogo diante do Senhor (Lv 10.1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Morreu no monte Hor, depois de transmitir as vestes sacerdotais ao filho Eleazar (Nm 20.22-29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A Carta aos Hebreus o apresenta como modelo do sacerdote chamado por Deus e, ao mesmo tempo, mostra que o sacerdócio de Cristo é superior ao seu (Hb 5.4-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Hb 7.11-28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
História
Contexto e origem
Arão nasceu no Egito, quando os israelitas eram escravos. Era filho de Anrão e Joquebede, da tribo de Levi, três anos mais velho que Moisés (Êx 6.16-20; Êx 7.7). Casou-se com Eliseba, filha de Aminadabe e irmã de Naassom, da tribo de Judá, e teve quatro filhos: Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar (Êx 6.23). Enquanto Moisés vivia em Midiã, Arão permaneceu no Egito, entre o povo escravizado.
O porta-voz de Moisés
Quando Moisés, diante da sarça ardente, alegou não ser eloquente e pediu que Deus enviasse outra pessoa, o Senhor lembrou-lhe que tinha um irmão, Arão, o levita, que falava bem e que já vinha ao seu encontro, alegre por vê-lo. Arão seria a boca de Moisés diante do povo (Êx 4.10-16). Deus mandou Arão ir ao deserto, e os dois irmãos se encontraram no monte de Deus e se beijaram (Êx 4.27). Juntos reuniram os anciãos de Israel; Arão transmitiu as palavras que o Senhor dissera a Moisés e fez os sinais diante do povo, que creu e adorou (Êx 4.29-31).
Deus explicou a Moisés a relação entre eles: Moisés seria como Deus diante do faraó, e Arão seria o seu profeta, isto é, o seu porta-voz (Êx 7.1-2). Arão tinha 83 anos quando foi com Moisés ao faraó (Êx 7.7). Diante do rei, lançou a sua vara, que se tornou serpente e engoliu as varas dos magos (Êx 7.10-12), e foi ele quem estendeu a vara nas primeiras pragas: sobre as águas, que se tornaram sangue; sobre os rios, de onde subiram as rãs; e sobre o pó da terra, que se tornou piolhos (Êx 7.19-20; Êx 8.5-6,16-17).
No deserto e no Sinai
Na caminhada pelo deserto, a murmuração do povo se voltava contra Moisés e Arão (Êx 16.2). Arão guardou diante do Testemunho um vaso com uma porção de maná, como memorial para as gerações (Êx 16.33-34). Na batalha contra Amaleque, ele e Hur sustentaram os braços de Moisés erguidos até o pôr do sol, e Israel venceu (Êx 17.12).
No Sinai, Arão subiu ao monte com Moisés, Nadabe, Abiú e setenta anciãos; eles viram o Deus de Israel e comeram e beberam diante dele (Êx 24.9-11). Quando Moisés subiu sozinho para receber a Lei, deixou Arão e Hur responsáveis pelo povo (Êx 24.14).
O bezerro de ouro
Moisés demorou a descer, e o povo pediu a Arão que fizesse deuses que fossem adiante deles. Arão pediu os brincos de ouro do povo, fundiu-os e moldou um bezerro, e o povo disse que aqueles eram os deuses que os haviam tirado do Egito. Arão construiu um altar diante do bezerro e anunciou uma festa ao Senhor para o dia seguinte, misturando o culto ao Deus verdadeiro com a idolatria (Êx 32.1-6).
Quando Moisés desceu e perguntou ao irmão o que o povo lhe fizera para que trouxesse sobre ele tão grande pecado, Arão culpou o povo, que seria inclinado ao mal, e disse que apenas lançara o ouro no fogo e dele saíra o bezerro (Êx 32.21-24). O texto acrescenta que Arão deixara o povo sem freio (Êx 32.25). Moisés recordaria mais tarde que o Senhor se irara muito contra Arão, a ponto de querer destruí-lo, e que ele orara também por Arão naquela ocasião (Dt 9.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ainda assim, Deus manteve a escolha de Arão para o sacerdócio.
A consagração
Deus mandou que Arão e seus filhos fossem separados para o sacerdócio (Êx 28.1). Arão recebeu vestes sagradas para glória e beleza: o éfode, a túnica, o manto e o peitoral, no qual estavam gravados, em doze pedras preciosas, os nomes das tribos de Israel, para que Arão os levasse sobre o coração quando entrasse no santuário; no peitoral ficavam também o Urim e o Tumim, usados para consultar a vontade de Deus (Êx 28.4-30). Na frente do turbante havia uma lâmina de ouro com a inscrição "Santidade ao Senhor", para que Arão levasse sobre si a culpa das ofertas sagradas do povo (Êx 28.36-38).
Moisés lavou Arão e seus filhos, vestiu-os e derramou o óleo da unção sobre a cabeça de Arão, imagem que o Salmo 133 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) lembra ao falar do óleo que desce pela barba de Arão (Lv 8.6-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Sl 133.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Durante sete dias, eles permaneceram à entrada da tenda para a consagração (Lv 8.33-36 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). No oitavo dia, Arão ofereceu os primeiros sacrifícios por si e pelo povo, levantou as mãos e abençoou o povo; a glória do Senhor apareceu, e fogo saiu da presença de Deus e consumiu o holocausto sobre o altar, e o povo gritou de alegria e se prostrou (Lv 9.1-24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Deus deu a Arão e a seus filhos a bênção com que deveriam abençoar Israel: que o Senhor os abençoasse e guardasse, fizesse resplandecer sobre eles o seu rosto e lhes desse a paz (Nm 6.22-27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Nadabe e Abiú
Pouco depois, Nadabe e Abiú, os dois filhos mais velhos de Arão, ofereceram diante do Senhor fogo estranho, que ele não lhes ordenara, e saiu fogo da presença do Senhor e os consumiu (Lv 10.1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Moisés lembrou a palavra de Deus: ele seria santificado naqueles que dele se aproximassem e glorificado diante de todo o povo. E Arão se calou (Lv 10.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Por estar ungido, foi-lhe ordenado que não manifestasse luto em público nem saísse da tenda (Lv 10.6-7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O silêncio de Arão diante da morte dos filhos é uma das cenas mais dolorosas do Pentateuco.
O Dia da Expiação
Depois da morte de Nadabe e Abiú, Deus deu a Arão as instruções para o Dia da Expiação. Ele não poderia entrar a qualquer momento no Santo dos Santos, onde estava a arca, mas apenas uma vez por ano (Lv 16.2,34 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Primeiro ofereceria um novilho por si mesmo e por sua casa; depois tomaria dois bodes: um seria sacrificado pelo pecado do povo, e o seu sangue seria aspergido sobre a tampa da arca; sobre a cabeça do outro, Arão poria as mãos, confessaria todas as iniquidades de Israel, e o bode seria enviado ao deserto, levando sobre si os pecados do povo (Lv 16.6-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Contra Moisés
Mais tarde, Miriã e Arão falaram contra Moisés por causa da mulher cuxita com quem ele se casara, e perguntaram se o Senhor falara somente por meio de Moisés (Nm 12.1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Deus os chamou e declarou que com Moisés falava face a face, e não por enigmas; quando a nuvem se retirou, Miriã estava leprosa. Arão reconheceu o pecado dos dois e suplicou a Moisés que intercedesse pela irmã (Nm 12.4-13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Coré e a vara que floresceu
Coré, um levita, com Datã, Abirão e duzentos e cinquenta líderes, rebelou-se contra Moisés e Arão, alegando que toda a congregação era santa e que eles se exaltavam acima do povo (Nm 16.1-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Deus julgou os rebeldes, e, quando o povo murmurou contra Moisés e Arão, começou uma praga. Moisés mandou que Arão tomasse o incensário e corresse ao meio da congregação para fazer expiação. Arão ficou entre os mortos e os vivos, e a praga cessou (Nm 16.41-48 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Para encerrar a disputa, Deus mandou que cada tribo trouxesse uma vara com o nome do seu líder, e a de Levi levasse o nome de Arão. No dia seguinte, a vara de Arão havia brotado, florescido e dado amêndoas (Nm 17.1-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ela foi guardada diante do Testemunho como sinal contra os rebeldes, e mais tarde é lembrada entre os objetos da arca (Nm 17.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Hb 9.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Deus confirmou então as responsabilidades e a herança dos sacerdotes e dos levitas (Nm 18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Meribá e a morte no monte Hor
Em Cades, Miriã morreu, e o povo voltou a reclamar por falta de água. Deus mandou que Moisés e Arão falassem à rocha, mas Moisés a feriu duas vezes, e Deus declarou que, por não terem crido nele nem o santificado diante do povo, nenhum dos dois conduziria Israel à terra prometida (Nm 20.1-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Pouco depois, no monte Hor, na fronteira de Edom, o Senhor anunciou que Arão seria reunido ao seu povo. Diante de toda a congregação, Moisés, Arão e Eleazar subiram ao monte; Moisés tirou as vestes sacerdotais de Arão e vestiu com elas o filho Eleazar, e Arão morreu ali, no alto do monte. Todo o povo o chorou durante trinta dias (Nm 20.22-29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Tinha 123 anos, e era o primeiro dia do quinto mês do quadragésimo ano depois da saída do Egito (Nm 33.38-39 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Deuteronômio menciona Moserá como o lugar da morte de Arão, provavelmente uma localidade da mesma região (Dt 10.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Fé e fraquezas
Arão serviu fielmente ao lado de Moisés durante quarenta anos. Foi o porta-voz que enfrentou o faraó (Êx 7.1-2), o irmão que sustentou os braços de Moisés na batalha (Êx 17.12), o sacerdote que abençoou o povo (Lv 9.22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e que, com o incensário na mão, ficou entre os mortos e os vivos para deter a praga (Nm 16.47-48 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Diante da morte dos filhos, calou-se e se submeteu à santidade de Deus (Lv 10.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Suas falhas, porém, foram graves. Cedeu à pressão do povo e fez o bezerro de ouro, e depois se desculpou culpando o povo e minimizando a própria responsabilidade (Êx 32.1-5,22-24). Deixou-se levar pelo ciúme contra Moisés (Nm 12.1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e participou da incredulidade de Meribá (Nm 20.12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Sua história mostra que o sacerdócio não dependia da perfeição de Arão, mas da escolha e da misericórdia de Deus, que o perdoou e o manteve no serviço.
Legado
Todos os sacerdotes de Israel descendiam de Arão, e o sacerdócio passou de geração em geração, por meio de Eleazar (Nm 20.28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Nm 25.10-13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os Salmos falam da "casa de Arão" ao chamar os sacerdotes a louvar e a confiar no Senhor (Sl 115.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Sl 118.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Sl 135.19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e recordam que Deus conduziu o seu povo pela mão de Moisés e de Arão (Sl 77.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Sl 99.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Miqueias lembra que Deus enviou Moisés, Arão e Miriã à frente de Israel (Mq 6.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). No Novo Testamento, Zacarias, pai de João Batista, era sacerdote, e Isabel, sua mulher, era descendente de Arão (Lc 1.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e a Carta aos Hebreus faz do sacerdócio de Arão o ponto de partida para explicar o sacerdócio de Cristo (Hb 5–9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Conexão com Cristo
A Carta aos Hebreus usa Arão como modelo e como contraste. Todo sumo sacerdote é escolhido dentre os homens para representá-los diante de Deus, oferecer sacrifícios pelos pecados e compadecer-se dos ignorantes e dos que erram; e ninguém toma para si essa honra, mas é chamado por Deus, como Arão. Assim também Cristo não glorificou a si mesmo para se tornar sumo sacerdote, mas foi chamado pelo Pai (Hb 5.1-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Ao mesmo tempo, Hebreus mostra que o sacerdócio de Arão era imperfeito e provisório. Se a perfeição viesse por meio dele, não haveria necessidade de outro sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque (Hb 7.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os sacerdotes da linhagem de Arão eram muitos, porque a morte os impedia de continuar — o próprio Arão teve de entregar as suas vestes a Eleazar no monte Hor (Nm 20.28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); Cristo, porém, permanece para sempre e tem um sacerdócio que não passa a outro (Hb 7.23-24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Arão precisava oferecer sacrifícios primeiro pelos próprios pecados (Lv 16.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); Cristo é santo, inocente e sem mancha, e não precisa oferecer sacrifícios todos os dias, porque ofereceu a si mesmo de uma vez por todas (Hb 7.26-27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
O Dia da Expiação encontra em Cristo o seu cumprimento. O sumo sacerdote entrava no Santo dos Santos uma vez por ano, com sangue de animais, que não podia purificar a consciência; Cristo entrou no próprio céu, não com sangue de bodes e bezerros, mas com o seu próprio sangue, obtendo eterna redenção (Hb 9.7-14,24-26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Por isso, na sua morte, o véu do santuário se rasgou de alto a baixo, e agora temos ousadia para entrar no Santo dos Santos pelo novo e vivo caminho que ele abriu (Mt 27.51 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Hb 10.19-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Pode-se ver também, com moderação, no bode que levava os pecados do povo para o deserto (Lv 16.21-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) uma imagem do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), sobre quem o Senhor fez cair a iniquidade de todos nós (Is 53.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e que sofreu fora da porta (Hb 13.12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Arão levava os nomes das tribos de Israel sobre o coração quando entrava no santuário (Êx 28.29), e ficou entre os mortos e os vivos para deter a praga (Nm 16.48 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Essas imagens, lidas com moderação, apontam para Cristo, que vive sempre para interceder pelos que por ele se aproximam de Deus (Hb 7.25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), o único mediador entre Deus e os homens (1Tm 2.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A vara seca que floresceu e deu fruto confirmou o sacerdócio de Arão (Nm 17.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); a tradição cristã viu nela uma imagem da ressurreição, pela qual Cristo foi declarado Filho de Deus com poder (Rm 1.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Por fim, quando Arão terminou de oferecer os primeiros sacrifícios, levantou as mãos e abençoou o povo (Lv 9.22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Lucas registra que, ao final do seu ministério na terra, Jesus levou os discípulos até Betânia, levantou as mãos e os abençoou, e, enquanto os abençoava, foi elevado ao céu (Lc 24.50-51 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O sumo sacerdote perfeito concluiu a sua obra abençoando o seu povo, e continua, à direita de Deus, a interceder por ele (Hb 8.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
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