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Antigo Testamento · Sacerdotes

Coré

Significado do nome

Provavelmente "calvo", sentido da palavra hebraica de onde vem o nome; a Bíblia não explica o nome

Posição / vínculo com a Bíblia

Levita do clã de Coate, filho de Izar e primo de Moisés e Arão; liderou uma rebelião contra Moisés e Arão reivindicando o sacerdócio, e morreu no juízo de Deus sobre os rebeldes; seus descendentes, poupados, tornaram-se porteiros e cantores do santuário, e a eles são atribuídos vários salmos (Nm 16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Nm 26.9-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 1Cr 9.19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Jd 11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

Nascimento

Egito, numa família da tribo de Levi, do clã de Coate (Êx 6.16-21)

Morte

No deserto, durante a caminhada de Israel, no juízo em que a terra se abriu e engoliu os rebeldes (Nm 16.31-33 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Nm 26.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

Testamento

Antigo Testamento

Grupo

Sacerdotes

Síntese histórica

Coré era levita, filho de Izar, do clã de Coate, e primo de Moisés e de Arão (Êx 6.18-21). Os coatitas tinham o privilégio de carregar os objetos mais sagrados do tabernáculo, mas não podiam exercer o sacerdócio, reservado aos descendentes de Arão (Nm 4.1-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). No deserto, Coré reuniu os rubenitas Datã e Abirão e duzentos e cinquenta líderes do povo e acusou Moisés e Arão de se exaltarem acima da congregação, alegando que todo o povo era santo (Nm 16.1-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Moisés respondeu que ele, já honrado com o serviço do tabernáculo, buscava também o sacerdócio, e que a revolta era, na verdade, contra o Senhor (Nm 16.8-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Deus mesmo julgou a disputa: a terra se abriu e engoliu Coré, Datã, Abirão e suas casas, e fogo da parte do Senhor consumiu os duzentos e cinquenta homens que ofereciam incenso (Nm 16.31-35 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os filhos de Coré, porém, não morreram (Nm 26.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Seus descendentes se tornaram porteiros e cantores do santuário, e onze salmos levam o título "dos filhos de Coré". O Novo Testamento cita a rebelião de Coré como advertência contra os que desprezam a autoridade estabelecida por Deus (Jd 11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

História

Contexto e origem

Coré pertencia à tribo de Levi, ao clã de Coate. Era filho de Izar, irmão de Anrão, o pai de Moisés, Arão e Miriã; era, portanto, primo-irmão dos três (Êx 6.16-21). Seus filhos se chamavam Assir, Elcana e Abiasafe (Êx 6.24).

Quando o tabernáculo foi construído, os levitas foram separados para servir nele. Aos coatitas coube a tarefa mais honrosa entre os levitas: carregar, durante as viagens, a arca, a mesa, o candelabro, os altares e os utensílios do santuário. Mas não podiam tocar nesses objetos nem olhar para eles enquanto não fossem cobertos pelos sacerdotes, sob pena de morte; o sacerdócio pertencia apenas a Arão e a seus filhos (Nm 3.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Nm 4.1-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O chefe dos coatitas era Elizafã, filho de Uziel, primo de Coré (Nm 3.30 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Antigas interpretações judaicas imaginaram que essa escolha teria despertado a inveja de Coré, mas o texto não o afirma.

A rebelião

Coré levantou-se contra Moisés com Datã e Abirão, filhos de Eliabe, e On, filho de Pelete, todos da tribo de Rúben, e com duzentos e cinquenta líderes da congregação, homens de renome (Nm 16.1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Reuniram-se contra Moisés e Arão e disseram que eles já tinham ido longe demais: toda a congregação era santa, e o Senhor estava no meio dela; por que, então, se exaltavam acima da congregação do Senhor? (Nm 16.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O argumento parecia piedoso — Deus de fato chamara Israel de nação santa (Êx 19.6) —, mas servia para negar a ordem que o próprio Deus estabelecera.

Moisés prostrou-se com o rosto em terra. Depois propôs uma prova: no dia seguinte, Coré e seu grupo trariam incensários com fogo e incenso diante do Senhor, e o Senhor mostraria quem era seu e quem era santo, e faria aproximar-se dele aquele que ele escolhesse (Nm 16.4-7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E repreendeu Coré e os levitas: não lhes bastava que o Deus de Israel os tivesse separado da congregação para se aproximarem dele, servirem no tabernáculo e ministrarem ao povo? Agora buscavam também o sacerdócio? Na verdade, estavam reunidos contra o Senhor; e quem era Arão para que murmurassem contra ele? (Nm 16.8-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Moisés mandou chamar Datã e Abirão, mas eles se recusaram a vir. Acusaram Moisés de tê-los tirado de uma terra que manava leite e mel — referindo-se ao Egito — para fazê-los morrer no deserto, e de querer dominar sobre eles sem lhes dar a herança prometida. Moisés ficou muito irado e pediu ao Senhor que não aceitasse a oferta deles, afirmando que não tomara deles nem um jumento nem fizera mal a nenhum deles (Nm 16.12-15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O juízo

No dia seguinte, Coré reuniu toda a congregação contra Moisés e Arão à entrada da tenda do encontro, cada um dos seus com o incensário, e a glória do Senhor apareceu a todo o povo (Nm 16.18-19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Senhor mandou Moisés e Arão se afastarem, porque consumiria a congregação num instante. Os dois se prostraram e intercederam, perguntando se Deus, o Deus dos espíritos de toda carne, se iraria contra toda a congregação por causa do pecado de um só homem (Nm 16.20-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Senhor ordenou, então, que o povo se afastasse das tendas de Coré, Datã e Abirão (Nm 16.23-27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Moisés anunciou o sinal: se aqueles homens morressem de morte comum, o Senhor não o teria enviado; mas, se o Senhor fizesse uma coisa nova, e a terra abrisse a boca e os engolisse com tudo o que lhes pertencia, e eles descessem vivos ao mundo dos mortos, o povo saberia que aqueles homens haviam desprezado o Senhor (Nm 16.28-30 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Assim que terminou de falar, a terra se abriu e os engoliu, com suas casas, todos os homens que pertenciam a Coré e todos os seus bens; desceram vivos ao mundo dos mortos, a terra se fechou sobre eles, e o povo fugiu aterrorizado (Nm 16.31-34 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E saiu fogo da parte do Senhor, que consumiu os duzentos e cinquenta homens que ofereciam incenso (Nm 16.35 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O texto de Números 26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) associa a morte de Coré aos dois acontecimentos, e não é possível saber com certeza se ele foi engolido pela terra ou consumido pelo fogo com os que ofereciam incenso (Nm 26.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Os incensários dos rebeldes foram transformados em lâminas para revestir o altar, como memorial de que nenhum estranho, que não fosse descendente de Arão, deveria aproximar-se para queimar incenso diante do Senhor, para que não fosse como Coré e o seu grupo (Nm 16.36-40 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O dia seguinte

Na manhã seguinte, toda a congregação murmurou contra Moisés e Arão, acusando-os de terem matado o povo do Senhor. A glória do Senhor apareceu, e começou uma praga. Moisés mandou Arão tomar o incensário e correr ao meio do povo para fazer expiação; Arão ficou entre os mortos e os vivos, e a praga cessou, mas morreram catorze mil e setecentas pessoas, além dos que morreram por causa de Coré (Nm 16.41-50 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Em seguida, Deus confirmou o sacerdócio de Arão fazendo florescer a sua vara (Nm 17.1-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Os filhos de Coré

Ao recordar esse juízo, o livro de Números faz uma observação decisiva: os filhos de Coré não morreram (Nm 26.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O texto não explica por quê; muitos entendem que eles não se juntaram à rebelião do pai. A família de Coré continuou a existir em Israel, e a sua história tomaria um rumo surpreendente.

O pecado de Coré

A Escritura não registra virtudes de Coré; a sua história é apresentada como advertência. Ele já tinha um lugar honroso no serviço de Deus, mas não se contentou com ele e desejou o sacerdócio (Nm 16.9-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Escondeu a ambição atrás de um discurso de igualdade espiritual (Nm 16.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), arrastou consigo líderes do povo (Nm 16.1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e, ao se levantar contra Moisés e Arão, levantou-se, na verdade, contra o Senhor que os havia escolhido (Nm 16.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Salmo 106 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) resume a raiz do pecado: o povo teve inveja de Moisés e de Arão, o santo do Senhor (Sl 106.16-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Anos depois, as filhas de Zelofeade fizeram questão de lembrar que o pai delas não tinha estado no grupo de Coré (Nm 27.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Legado

Os descendentes de Coré, conhecidos como coraítas, tornaram-se guardas das portas do tabernáculo e, depois, do templo (1Cr 9.19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 1Cr 26.1,19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A família do homem que quis forçar a entrada no serviço sacerdotal passou a guardar, com honra, a entrada da casa de Deus. Outros coraítas foram cantores no templo (1Cr 6.31-37 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 2Cr 20.19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e o profeta Samuel e seu neto Hemã, um dos principais músicos de Davi, aparecem nas genealogias como descendentes de Coré (1Cr 6.33-38 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Onze salmos levam no título a indicação "dos filhos de Coré": os Salmos 42 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), 44 a 49, 84, 85, 87 e 88. Entre eles estão o salmo da corça que anseia pelas correntes das águas (Sl 42.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e o salmo que declara ser melhor um dia nos átrios de Deus do que mil em outro lugar, e preferir estar à porta da casa de Deus a habitar nas tendas da impiedade (Sl 84.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). No Novo Testamento, a carta de Judas menciona a rebelião de Coré como exemplo do fim dos falsos mestres (Jd 11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Conexão com Cristo

Coré tentou tomar para si o sacerdócio que Deus não lhe dera. A Carta aos Hebreus ensina o princípio oposto: ninguém toma para si essa honra, mas a recebe quando é chamado por Deus, como Arão; e assim também Cristo não glorificou a si mesmo para se tornar sumo sacerdote, mas foi chamado pelo Pai (Hb 5.4-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O contraste é ainda mais forte em Filipenses: Coré quis subir a uma posição que não era sua, enquanto Cristo, sendo Deus, não considerou a igualdade com Deus algo a que devesse se apegar, mas esvaziou-se, tornou-se servo e humilhou-se até a morte na cruz; por isso Deus o exaltou (Fp 2.6-9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A exaltação verdadeira vem de Deus, e o caminho de Cristo é o da humildade.

Coré argumentou que toda a congregação era santa (Nm 16.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Em Cristo, de certo modo, isso se tornou realidade, mas por um caminho totalmente diferente. Os que creem são agora um sacerdócio real e uma nação santa (1Pe 2.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Ap 1.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e todos têm acesso a Deus, não pela própria pretensão, mas pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele abriu, e por meio de um único mediador (Hb 10.19-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 1Tm 2.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O acesso que Coré quis conquistar pela rebelião é dado pela graça, por meio do sacrifício de Cristo.

A carta de Judas usa a rebelião de Coré como advertência contra os que, dentro da igreja, rejeitam a autoridade do Senhor e perecem na sua contradição (Jd 11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A autoridade legítima, na igreja, vem de Cristo, a quem foi dado todo o poder no céu e na terra (Mt 28.18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E, como no deserto, foi a intercessão de um sacerdote, de pé entre os mortos e os vivos, que deteve a praga (Nm 16.48 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); hoje é Cristo quem intercede pelo seu povo (Hb 7.25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Por fim, a história dos filhos de Coré é uma parábola da graça. Os descendentes do rebelde foram poupados (Nm 26.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), tornaram-se guardas das portas e cantores da casa de Deus e compuseram salmos que a igreja canta até hoje. Um desses salmos, o Salmo 45 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), é citado pela Carta aos Hebreus para falar do próprio Filho: o teu trono, ó Deus, é para todo o sempre (Sl 45.6-7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Hb 1.8-9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Da família de Coré, que quis usurpar o lugar dos escolhidos de Deus, saiu um cântico de adoração ao Rei eterno. Onde o pecado abundou, a graça superabundou (Rm 5.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e em Cristo quem estava sob juízo pode tornar-se nova criatura (2Co 5.17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

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