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Antigo Testamento · Mulheres da Bíblia

Ester

Outros nomes

Hadassa, o seu nome hebraico (Et 2.7)

Significado do nome

Ester vem provavelmente da palavra persa para "estrela", embora alguns o relacionem ao nome da deusa babilônica Ishtar; Hadassa significa "murta", um arbusto aromático; a Bíblia não explica os nomes

Posição / vínculo com a Bíblia

Jovem judia órfã, criada pelo primo Mardoqueu, que se tornou rainha da Pérsia como esposa do rei Assuero; quando Hamã conseguiu um decreto para exterminar todos os judeus do império, ela jejuou com o seu povo, arriscou a vida ao se apresentar ao rei sem ser chamada, denunciou o plano de Hamã e obteve um novo decreto que permitiu aos judeus se defenderem; com Mardoqueu, confirmou a festa de Purim (Et 2–9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

Nascimento

Provavelmente no Império Persa, na diáspora judaica, filha de Abiail, da tribo de Benjamim (Et 2.5-7,15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

Testamento

Antigo Testamento

Grupo

Mulheres da Bíblia

Síntese histórica

Ester, cujo nome hebraico era Hadassa, era uma jovem judia que vivia em Susã, a capital persa, e que, tendo perdido o pai e a mãe, foi criada como filha pelo seu primo Mardoqueu (Et 2.5-7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Quando o rei Assuero depôs a rainha Vasti, Ester foi levada ao palácio entre as jovens escolhidas para o rei, conquistou a simpatia de todos e foi coroada rainha, sem revelar que era judia (Et 2.8-17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Pouco depois, Hamã, o principal oficial do rei, irritado porque Mardoqueu não se curvava diante dele, conseguiu um decreto para exterminar todos os judeus do império num único dia (Et 3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Mardoqueu pediu a Ester que intercedesse pelo seu povo, lembrando que talvez ela tivesse chegado ao reino justamente para um momento como aquele (Et 4.13-14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ester pediu que os judeus jejuassem por ela durante três dias e decidiu se apresentar ao rei sem ser chamada, o que podia custar-lhe a vida: se eu morrer, morri (Et 4.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O rei a recebeu, e, em dois banquetes, ela denunciou Hamã, que foi enforcado na forca que havia preparado para Mardoqueu (Et 5–7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Como o primeiro decreto não podia ser revogado, um novo decreto permitiu que os judeus se defendessem, e eles foram livrados (Et 8–9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ester e Mardoqueu confirmaram a celebração anual da festa de Purim, que lembra esse livramento (Et 9.29-32 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

História

Contexto

Depois que o rei Ciro permitiu a volta dos exilados, muitos judeus permaneceram nas terras do Império Persa. A história de Ester se passa em Susã, uma das capitais do império, no reinado de Assuero, que reinava sobre cento e vinte e sete províncias, da Índia até a Etiópia (Et 1.1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A maioria dos estudiosos identifica Assuero com Xerxes I, filho de Dario I, que reinou de 486 a 465 a.C. Os acontecimentos do livro se situam, portanto, entre a conclusão do templo, em 516 a.C., e a volta de Esdras a Jerusalém, em 458 a.C. As escavações em Susã revelaram o grande palácio dos reis persas, onde se passa a maior parte da história.

A queda de Vasti

No terceiro ano do seu reinado, Assuero ofereceu um banquete a todos os seus nobres e oficiais, e durante cento e oitenta dias exibiu as riquezas do seu reino; depois, ofereceu um banquete de sete dias a todo o povo de Susã (Et 1.3-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). No sétimo dia, alegre por causa do vinho, o rei mandou chamar a rainha Vasti, com a coroa real, para mostrar a sua beleza aos convidados; mas Vasti se recusou a ir (Et 1.10-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O rei se enfureceu e consultou os seus sábios. Um deles aconselhou que Vasti fosse deposta, para que as mulheres do império não desprezassem os seus maridos, e o rei publicou um decreto nesse sentido (Et 1.13-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A órfã criada por Mardoqueu

Em Susã vivia um judeu chamado Mardoqueu, filho de Jair, da tribo de Benjamim, cuja família havia sido levada de Jerusalém para o exílio junto com o rei Jeconias (Et 2.5-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ele criava Hadassa, isto é, Ester, filha do seu tio, porque ela não tinha pai nem mãe; quando os pais dela morreram, Mardoqueu a adotou como filha. Ester era bonita e de boa aparência (Et 2.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

No palácio

Para escolher uma nova rainha, o rei mandou reunir em Susã muitas jovens de todas as províncias, e Ester foi levada ao palácio e entregue aos cuidados de Hegai, o encarregado das mulheres (Et 2.2-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ela agradou a Hegai e conquistou a sua simpatia; ele lhe deu os cosméticos e os alimentos, sete jovens para servi-la e o melhor lugar na casa das mulheres (Et 2.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Por orientação de Mardoqueu, Ester não revelou o seu povo nem a sua família, e Mardoqueu passeava todos os dias diante do pátio da casa das mulheres para saber como ela estava (Et 2.10-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Cada jovem passava doze meses em preparação antes de ser apresentada ao rei (Et 2.12-14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Quando chegou a vez de Ester, ela não pediu nada além do que Hegai lhe aconselhou, e conquistava a simpatia de todos os que a viam (Et 2.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Foi levada ao rei no décimo mês do sétimo ano do seu reinado, e o rei a amou mais do que a todas as outras mulheres; ela conquistou o seu favor e a sua bondade, e ele colocou a coroa real na sua cabeça e a fez rainha no lugar de Vasti, oferecendo um grande banquete em sua honra (Et 2.16-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O texto bíblico narra esses fatos sem comentá-los, e os intérpretes discutem como avaliar a situação de uma jovem judia levada ao harém de um rei pagão e casada com ele.

Mardoqueu salva o rei

Mardoqueu ocupava algum posto junto à porta do palácio. Ali descobriu que dois oficiais do rei, Bigtã e Teres, planejavam matá-lo, e avisou a rainha Ester, que contou o fato ao rei em nome de Mardoqueu. Os dois foram executados, e o episódio foi registrado nas crônicas do rei (Et 2.21-23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Mardoqueu não recebeu nenhuma recompensa naquele momento.

Hamã e o decreto de morte

Algum tempo depois, o rei promoveu Hamã, filho de Hamedata, o agagita, colocando-o acima de todos os seus oficiais, e todos se curvavam diante dele, por ordem do rei; mas Mardoqueu não se curvava, porque era judeu (Et 3.1-4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O nome "agagita" lembra Agague, rei dos amalequitas, inimigos antigos de Israel (1Sm 15.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e Mardoqueu era da tribo de Benjamim, como o rei Saul, filho de Quis (Et 2.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 1Sm 9.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); muitos intérpretes veem nessa história a continuação de uma antiga inimizade.

Furioso, Hamã decidiu não apenas atingir Mardoqueu, mas destruir todo o seu povo em todo o império (Et 3.5-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Lançou a sorte, chamada "pur", para escolher o dia, e a sorte caiu no décimo segundo mês, o mês de adar (Et 3.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Então disse ao rei que havia um povo espalhado por todas as províncias, com leis diferentes, que não cumpria as leis do rei, e que não convinha deixá-lo viver; e ofereceu dez mil talentos de prata para o tesouro real (Et 3.8-9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O rei lhe deu o seu anel de selar, e Hamã mandou escrever, em nome do rei, um decreto para destruir, matar e exterminar todos os judeus, jovens e velhos, crianças e mulheres, num único dia, o décimo terceiro do mês de adar, e saquear os seus bens (Et 3.10-13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O decreto foi enviado no décimo terceiro dia do primeiro mês, véspera da Páscoa. Enquanto o rei e Hamã se sentavam para beber, a cidade de Susã estava perturbada (Et 3.12-15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

"Para um momento como este"

Quando soube do decreto, Mardoqueu rasgou as roupas, vestiu-se de pano de saco, cobriu-se de cinza e saiu pela cidade clamando em alta voz; e em todas as províncias houve grande luto entre os judeus, com jejum, choro e lamento (Et 4.1-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ester, ao saber da angústia de Mardoqueu, mandou-lhe roupas, mas ele não as aceitou. Por meio de um servo, Mardoqueu lhe enviou uma cópia do decreto e pediu que ela fosse ao rei para suplicar pelo seu povo (Et 4.4-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Ester mandou responder que todos sabiam que qualquer pessoa que entrasse no pátio interno para falar com o rei sem ser chamada seria morta, a não ser que o rei estendesse para ela o seu cetro de ouro; e ela não era chamada pelo rei havia trinta dias (Et 4.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Mardoqueu respondeu com palavras que se tornaram célebres: não pense que, por estar no palácio do rei, você escapará, só você entre todos os judeus. Porque, se você ficar calada agora, socorro e livramento virão de outra parte para os judeus, mas você e a casa de seu pai perecerão. E quem sabe se não foi para um momento como este que você chegou à posição de rainha? (Et 4.13-14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Ester mandou dizer a Mardoqueu: vá, reúna todos os judeus que estão em Susã e jejuem por mim; não comam nem bebam durante três dias, nem de dia nem de noite. Eu e as minhas servas também jejuaremos. Depois irei ao rei, ainda que isso seja contra a lei; e, se eu morrer, morri (Et 4.15-16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E Mardoqueu fez tudo o que Ester lhe ordenou (Et 4.17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Diante do rei

No terceiro dia, Ester vestiu as suas roupas de rainha e ficou de pé no pátio interno do palácio, em frente à sala do trono. Quando o rei a viu, ela conquistou o seu favor, e ele estendeu para ela o cetro de ouro; Ester se aproximou e tocou a ponta do cetro (Et 5.1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O rei perguntou o que ela desejava, e prometeu dar-lhe até a metade do reino (Et 5.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ester não fez o seu pedido de imediato: convidou o rei e Hamã para um banquete que preparara (Et 5.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). No banquete, quando o rei voltou a perguntar, ela os convidou para um segundo banquete no dia seguinte, quando faria o seu pedido (Et 5.5-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A sua prudência e o seu senso de oportunidade preparavam o momento certo.

A noite em que o rei não dormiu

Hamã saiu do banquete alegre, mas, ao ver que Mardoqueu continuava sem se levantar diante dele, encheu-se de ira. Em casa, contou à mulher, Zeres, e aos amigos toda a sua glória e disse que nada daquilo o satisfazia enquanto visse o judeu Mardoqueu sentado à porta do rei. Eles o aconselharam a preparar uma forca de cerca de vinte e dois metros de altura e a pedir ao rei, pela manhã, que Mardoqueu fosse enforcado nela (Et 5.9-14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Naquela noite, o rei não conseguia dormir e mandou que lessem para ele as crônicas do reino. Leram o registro de como Mardoqueu havia denunciado a conspiração contra o rei, e o rei descobriu que ele nunca fora recompensado (Et 6.1-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Justamente então Hamã entrou no pátio, para pedir a morte de Mardoqueu. O rei lhe perguntou o que deveria ser feito ao homem a quem o rei desejava honrar. Pensando que o rei falava dele mesmo, Hamã sugeriu que esse homem fosse vestido com uma roupa real, montado num cavalo do rei e conduzido pelas ruas da cidade, enquanto se proclamava a sua honra (Et 6.4-9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O rei mandou que Hamã fizesse tudo isso a Mardoqueu, e Hamã foi obrigado a conduzir pelas ruas o homem que queria enforcar (Et 6.10-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Quando voltou para casa, a sua mulher e os seus amigos lhe disseram que, se Mardoqueu era judeu, ele não prevaleceria contra ele (Et 6.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O segundo banquete

No segundo banquete, o rei perguntou de novo a Ester qual era o seu pedido. Ela respondeu: se encontrei favor diante de ti, ó rei, e se isso agrada ao rei, que a minha vida me seja dada como resposta ao meu pedido, e a vida do meu povo, como resposta à minha petição. Porque eu e o meu povo fomos vendidos para sermos destruídos, mortos e exterminados (Et 7.1-4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O rei perguntou quem ousara fazer aquilo, e Ester apontou: o adversário e inimigo é este perverso Hamã (Et 7.5-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O rei se levantou furioso e saiu para o jardim do palácio. Hamã ficou para implorar pela sua vida à rainha Ester, e, quando o rei voltou, encontrou-o caído sobre o divã em que ela estava, e interpretou o gesto como um ataque à rainha (Et 7.7-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Um dos oficiais lembrou que Hamã havia preparado uma forca para Mardoqueu, e o rei mandou que o enforcassem nela (Et 7.9-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O novo decreto

Naquele mesmo dia, o rei deu a Ester a casa de Hamã, e Mardoqueu foi apresentado ao rei, porque Ester revelou o parentesco entre eles; o rei lhe deu o anel que havia tirado de Hamã, e Ester o colocou sobre a casa de Hamã (Et 8.1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Mas o decreto contra os judeus continuava em vigor. Ester voltou a falar com o rei, lançou-se aos seus pés e lhe suplicou, chorando, que anulasse o plano de Hamã; como poderia suportar ver a desgraça que cairia sobre o seu povo e a destruição da sua família? (Et 8.3-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Como um decreto escrito em nome do rei e selado com o seu anel não podia ser revogado, o rei autorizou Ester e Mardoqueu a escreverem um novo decreto, que permitia aos judeus de todas as cidades se reunirem e se defenderem contra quem os atacasse no dia marcado (Et 8.7-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Mardoqueu saiu da presença do rei com vestes reais e uma grande coroa de ouro, e a cidade de Susã se alegrou. Para os judeus houve luz, alegria, júbilo e honra, e muitos de outros povos se tornaram judeus (Et 8.15-17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O dia do livramento

No décimo terceiro dia do mês de adar, o dia em que os inimigos dos judeus esperavam dominá-los, aconteceu o contrário: os judeus se defenderam e venceram os que os odiavam, e ninguém conseguiu resistir a eles (Et 9.1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Entre os mortos estavam os dez filhos de Hamã. O texto insiste em que os judeus não tocaram nos bens dos inimigos (Et 9.10,15-16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A pedido de Ester, o rei concedeu mais um dia aos judeus de Susã para se defenderem e mandou expor os corpos dos filhos de Hamã (Et 9.12-15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); os intérpretes discutem como entender esse pedido. Nos dias seguintes, os judeus descansaram e celebraram com banquetes e alegria (Et 9.17-19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A festa de Purim

Mardoqueu escreveu a todos os judeus das províncias, estabelecendo que, todos os anos, celebrassem os dias catorze e quinze do mês de adar como dias de festa e de alegria, enviando porções de comida uns aos outros e presentes aos pobres (Et 9.20-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A festa recebeu o nome de Purim, por causa da sorte, o "pur", que Hamã havia lançado (Et 9.24-26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Então a rainha Ester, filha de Abiail, escreveu com toda a autoridade, junto com Mardoqueu, para confirmar a celebração de Purim, e a ordem de Ester foi registrada por escrito (Et 9.29-32 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A Bíblia não registra mais nada sobre Ester nem sobre a sua morte. Uma antiga tradição localiza o túmulo de Ester e Mardoqueu na cidade de Hamadã, no atual Irã.

O Deus que age em silêncio

O livro de Ester tem uma característica única: no texto hebraico, o nome de Deus não aparece nenhuma vez, e não há menção explícita à oração. Mas a mão de Deus aparece por toda parte: na escolha de Ester, na descoberta da conspiração por Mardoqueu, na noite em que o rei não conseguiu dormir, na leitura exatamente daquele registro e na reviravolta completa do destino dos judeus. O jejum de três dias (Et 4.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) supõe a oração, e a frase de Mardoqueu — o livramento viria "de outra parte" (Et 4.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) — revela confiança na providência de Deus. As versões gregas do livro acrescentam orações de Mardoqueu e de Ester e mencionam Deus explicitamente; esses acréscimos fazem parte dos livros deuterocanônicos da tradição católica. Ester é o único livro da Bíblia hebraica do qual não foi encontrado nenhum fragmento entre os manuscritos do mar Morto.

Fé e caráter

Ester aparece como uma jovem que respeitou a orientação de Mardoqueu, conquistou o favor das pessoas pela sua conduta e soube agir com prudência e sabedoria (Et 2.10,15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Et 5.4-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O seu grande momento foi a decisão de arriscar a própria vida pelo seu povo, depois de buscar a Deus em jejum: se eu morrer, morri (Et 4.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Usou a posição que recebera não para se proteger, mas para interceder pelos outros, e depois exerceu autoridade para confirmar a celebração do livramento (Et 8.3-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Et 9.29-32 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os intérpretes discutem alguns aspectos da sua história, como o fato de ter escondido a sua identidade judaica e de ter se casado com um rei pagão, e o pedido de mais um dia de combate em Susã; mas a Bíblia a apresenta, sobretudo, como instrumento da providência de Deus para salvar o seu povo.

Legado

O livro de Ester é a base da festa de Purim, celebrada até hoje pelos judeus com a leitura pública do livro, chamado de Meguilá, com alegria, presentes e ajuda aos pobres. Ester se tornou uma das heroínas mais amadas da história de Israel, e a frase de Mardoqueu — para um momento como este — é lembrada como um chamado a assumir a responsabilidade diante de Deus nos momentos decisivos.

Conexão com Cristo

Ester arriscou a vida ao entrar, sem ser chamada, na presença do rei, para interceder por um povo condenado à morte (Et 4.11,16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ela disse: se eu morrer, morri; e foi poupada, porque o rei estendeu o cetro de ouro (Et 5.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Cristo foi além: ele não apenas arriscou a vida, mas a entregou de fato pelo seu povo, quando ainda éramos pecadores (Rm 5.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ele é o único mediador entre Deus e os homens (1Tm 2.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e vive para sempre intercedendo por nós (Hb 7.25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Por causa dele, podemos nos aproximar com confiança do trono da graça, sem temer a morte, porque o caminho foi aberto pelo seu sangue (Hb 4.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Hb 10.19-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O decreto de morte contra os judeus não podia ser revogado, mas um novo decreto, selado com o anel do rei, lhes deu vida (Et 8.8-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Diante do pecado humano, a sentença da lei também é real: o salário do pecado é a morte (Rm 6.23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Mas em Cristo Deus estabeleceu uma nova palavra: já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus, porque a lei do Espírito da vida nos libertou da lei do pecado e da morte (Rm 8.1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Deus cancelou a dívida que pesava contra nós, cravando-a na cruz (Cl 2.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ester se apresentou ao rei no terceiro dia, depois de três dias de jejum, e o destino do seu povo começou a mudar (Et 4.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Et 5.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); com moderação, pode-se lembrar que foi ao terceiro dia que Cristo ressuscitou, abrindo o caminho da vida (1Co 15.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Hamã preparou uma forca para matar o justo Mardoqueu, mas foi ele mesmo enforcado nela (Et 7.9-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A palavra hebraica traduzida por "forca" significa literalmente "madeiro". Na cruz, o madeiro que os inimigos usaram contra Cristo se tornou o instrumento da derrota deles: Deus despojou os poderes do mal e triunfou sobre eles na cruz (Cl 2.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e, se os governantes deste mundo tivessem entendido a sabedoria de Deus, não teriam crucificado o Senhor da glória (1Co 2.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E Mardoqueu, humilhado, foi exaltado e honrado diante de todos (Et 6.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Et 8.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), como Cristo, que se humilhou e foi exaltado acima de todo nome (Fp 2.8-9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Por fim, no livro de Ester Deus nunca é mencionado pelo nome, mas está presente em cada detalhe, conduzindo a história para salvar o seu povo. Ele é o Deus que faz todas as coisas cooperarem para o bem daqueles que o amam (Rm 8.28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). No caminho de Emaús, Jesus ressuscitado caminhava ao lado de dois discípulos sem que eles o reconhecessem, até que se revelou ao partir o pão (Lc 24.15-16,30-31 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E a pergunta de Mardoqueu — quem sabe se não foi para um momento como este? (Et 4.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) — encontra o seu sentido mais profundo no Filho de Deus, enviado quando chegou a plenitude dos tempos (Gl 4.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), para salvar o seu povo da morte.

Livros onde aparece

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