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Antigo Testamento · Juízes

Eúde

Significado do nome

Etimologia incerta; a Bíblia não explica o nome

Posição / vínculo com a Bíblia

Segundo juiz de Israel, da tribo de Benjamim, filho de Gera e canhoto; matou Eglom, rei de Moabe, que oprimia Israel havia dezoito anos, e conduziu o povo à vitória sobre os moabitas, após a qual a terra teve paz durante oitenta anos (Jz 3.12-30 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

Morte

Depois do longo período de paz que se seguiu à vitória sobre Moabe (Jz 3.30 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Jz 4.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

Testamento

Antigo Testamento

Grupo

Juízes

Síntese histórica

Depois da morte de Otniel, os israelitas voltaram a fazer o que era mau aos olhos do Senhor, e Deus fortaleceu Eglom, rei de Moabe, que, aliado aos amonitas e aos amalequitas, dominou Israel durante dezoito anos e ocupou a cidade das palmeiras (Jz 3.12-14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Quando o povo clamou, o Senhor levantou como libertador Eúde, filho de Gera, da tribo de Benjamim, um homem canhoto (Jz 3.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Encarregado de levar o tributo de Israel ao rei de Moabe, Eúde escondeu um punhal de dois gumes sob as roupas, do lado direito, e, a sós com Eglom, anunciou que tinha uma palavra de Deus para ele e o matou (Jz 3.16-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Escapou antes que os servos do rei descobrissem o que acontecera, tocou a trombeta na região montanhosa de Efraim, reuniu os israelitas e tomou as passagens do Jordão, derrotando os moabitas (Jz 3.23-29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Moabe ficou submetido a Israel, e a terra teve paz durante oitenta anos, o mais longo período de descanso registrado no livro de Juízes (Jz 3.30 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

História

Contexto e origem

Depois da libertação trazida por Otniel e dos quarenta anos de paz que se seguiram, os israelitas voltaram a fazer o que era mau aos olhos do Senhor (Jz 3.11-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Deus fortaleceu Eglom, rei de Moabe, contra Israel. Eglom se aliou aos amonitas e aos amalequitas, atacou Israel e tomou posse da cidade das palmeiras, nome que designa a região de Jericó (Jz 3.12-13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Dt 34.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os israelitas serviram a Eglom durante dezoito anos (Jz 3.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O libertador canhoto

Os israelitas clamaram ao Senhor, e o Senhor lhes levantou um libertador: Eúde, filho de Gera, benjamita, homem canhoto (Jz 3.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A expressão hebraica significa, literalmente, "impedido da mão direita", o que pode indicar uma limitação na mão direita ou apenas o hábito de usar a esquerda. Há uma ironia no detalhe: Benjamim significa "filho da mão direita". Mais adiante, o livro de Juízes menciona setecentos guerreiros escolhidos de Benjamim, todos canhotos, capazes de atirar pedras com a funda sem errar (Jz 20.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e Crônicas fala de benjamitas que usavam igualmente as duas mãos (1Cr 12.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Alguns estudiosos pensam que se tratava de uma habilidade cultivada na tribo.

Os israelitas enviaram por meio de Eúde o tributo devido ao rei de Moabe (Jz 3.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O homem que os opressores viam como mero portador do tributo seria o instrumento da libertação.

O punhal e a palavra secreta

Eúde fez para si um punhal de dois gumes, de cerca de um palmo e meio de comprimento, e o prendeu por baixo das roupas, sobre a coxa direita (Jz 3.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Como a maioria das pessoas era destra e trazia a arma do lado esquerdo, esse detalhe ajudou a ocultá-la. Ele apresentou o tributo a Eglom, que o texto descreve como um homem muito gordo (Jz 3.17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Depois despediu os carregadores e os acompanhou por um trecho do caminho; mas, ao chegar aos ídolos de pedra perto de Gilgal, voltou e disse ao rei que tinha uma mensagem secreta para ele. O rei mandou que todos se retirassem (Jz 3.18-19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Eúde aproximou-se de Eglom, que estava sentado sozinho na sua sala de verão, no andar de cima, e lhe disse que tinha uma palavra de Deus para ele. Quando o rei se levantou, Eúde estendeu a mão esquerda, tirou o punhal da coxa direita e o cravou no ventre de Eglom, com tanta força que o cabo entrou também e a lâmina ficou presa (Jz 3.20-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O relato descreve a cena com detalhes crus e um tom quase satírico, que zomba do rei opressor e da sua guarda.

Eúde saiu pela varanda, fechou e trancou as portas da sala. Quando os servos voltaram e encontraram as portas trancadas, pensaram que o rei estivesse se aliviando no aposento e esperaram, até ficarem constrangidos; por fim, pegaram a chave, abriram e encontraram o rei morto no chão (Jz 3.23-25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Enquanto eles hesitavam, Eúde já havia escapado, passara pelos ídolos de pedra e se refugiara em Seirá (Jz 3.26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A vitória sobre Moabe

Ao chegar, Eúde tocou a trombeta na região montanhosa de Efraim, e os israelitas desceram com ele. Disse-lhes que o seguissem, porque o Senhor entregara nas mãos deles os moabitas, seus inimigos (Jz 3.27-28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Eles desceram, tomaram as passagens do Jordão que levavam a Moabe e não deixaram ninguém atravessar. Naquele dia, mataram cerca de dez mil moabitas, todos homens fortes e valentes; nenhum escapou (Jz 3.28-29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Moabe foi subjugado por Israel, e a terra teve paz durante oitenta anos (Jz 3.30 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Depois da morte de Eúde, os israelitas voltaram a fazer o que era mau aos olhos do Senhor, e o ciclo recomeçou (Jz 4.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O livro registra também, brevemente, que nesse período Sangar, filho de Anate, livrou Israel dos filisteus (Jz 3.31 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Fé e fraquezas

O texto apresenta Eúde como alguém levantado pelo Senhor em resposta ao clamor do povo (Jz 3.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), corajoso o bastante para enfrentar sozinho um rei estrangeiro dentro do seu próprio palácio, e capaz de reunir Israel atribuindo a vitória ao Senhor (Jz 3.28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ao contrário do que diz de Otniel, o texto não menciona que o Espírito do Senhor tenha vindo sobre Eúde, e a Carta aos Hebreus não o cita entre os juízes da galeria da fé (Hb 11.32 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O meio usado por Eúde — o engano e a morte do rei — levanta perguntas éticas. Os intérpretes observam que o relato se situa no contexto de uma guerra de libertação contra um opressor estrangeiro, num tempo em que Deus agia por meio de líderes militares para salvar o seu povo, e que o texto não apresenta o episódio como modelo para atos de violência política em outras circunstâncias. A Bíblia não registra mais nada sobre a vida de Eúde.

Legado

A vitória de Eúde trouxe a Israel o período de paz mais longo do livro de Juízes (Jz 3.30 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A genealogia de Benjamim em Crônicas menciona os filhos de um Eúde, que alguns identificam com o juiz (1Cr 8.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), mas a identificação não é certa. A habilidade dos benjamitas canhotos continuou a ser lembrada nas gerações seguintes (Jz 20.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 1Cr 12.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Conexão com Cristo

Eúde foi um dos libertadores que Deus levantou quando Israel clamou na opressão (Jz 3.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Esses libertadores trouxeram alívio por algum tempo, mas a paz terminava com a sua morte, e o povo voltava ao pecado (Jz 4.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Novo Testamento anuncia o libertador definitivo: Jesus, que livra o seu povo não de um rei estrangeiro, mas do pecado (Mt 1.21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e que, sendo o Filho, nos torna verdadeiramente livres (Jo 8.36 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Deus escolheu como libertador um homem "impedido da mão direita", de quem os opressores não suspeitaram. Pode-se ver nisso, com moderação, um exemplo de como Deus usa o que é fraco e desprezado para envergonhar o que é forte (1Co 1.27-29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Em Cristo, essa lógica chega ao extremo: ele foi crucificado em fraqueza, mas vive pelo poder de Deus (2Co 13.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e o seu poder se aperfeiçoa na fraqueza dos que lhe pertencem (2Co 12.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Eúde disse a Eglom que tinha para ele uma palavra de Deus e usou um punhal de dois gumes (Jz 3.20-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Novo Testamento usa a mesma imagem de outra forma: a palavra de Deus é viva e eficaz, mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até discernir os pensamentos e as intenções do coração (Hb 4.12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). No Apocalipse, de sua boca sai uma espada afiada de dois gumes (Ap 1.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Ap 19.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Há, porém, um contraste decisivo: Eúde venceu o opressor tirando-lhe a vida; Cristo venceu os poderes do mal entregando a própria vida na cruz (Cl 2.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e orando pelos que o crucificavam (Lc 23.34 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A espada de Cristo não é a arma escondida do guerreiro, mas a palavra que julga e salva.

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