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Antigo Testamento · Patriarcas · Mulheres da Bíblia

Eva

Outros nomes

Varoa, nome com que Adão a chamou antes de chamá-la Eva (Gn 2.23)

Significado do nome

"Vida" ou "a que dá vida"; a própria Bíblia explica: ela seria a mãe de todos os viventes (Gn 3.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

Posição / vínculo com a Bíblia

Primeira mulher, criada por Deus à sua imagem e formada do lado de Adão; esposa de Adão e mãe de toda a humanidade, primeira a ouvir a tentação e a receber, com o marido, a promessa da descendência que venceria a serpente (Gn 2.21-23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gn 3.15,20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

Nascimento

Formada por Deus a partir de uma costela de Adão, no jardim do Éden (Gn 2.21-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

Testamento

Antigo Testamento

Grupo

Patriarcas · Mulheres da Bíblia

Síntese histórica

Eva é a primeira mulher da narrativa bíblica. Criada, com o homem, à imagem de Deus e com ele encarregada de encher e governar a terra (Gn 1.27-28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), foi formada de uma costela de Adão para ser a auxiliadora que lhe correspondia, e Deus mesmo a conduziu até ele, no primeiro casamento da história (Gn 2.18-24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Enganada pela serpente, comeu do fruto proibido e o deu ao marido, e ambos foram expulsos do Éden (Gn 3.1-6,23-24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Depois da queda, Adão deu-lhe o nome de Eva, porque seria a mãe de todos os viventes (Gn 3.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Foi mãe de Caim, Abel e Sete, e de outros filhos e filhas (Gn 4.1-2,25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gn 5.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A Escritura não registra sua morte. O Novo Testamento lembra seu engano como advertência à igreja (2Co 11.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e a promessa feita no jardim, de que a descendência da mulher esmagaria a cabeça da serpente, tornou-se o primeiro anúncio da vinda de Cristo (Gn 3.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gl 4.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

História

Criada à imagem de Deus

O primeiro capítulo de Gênesis apresenta a criação do ser humano como obra única: Deus criou o homem à sua imagem, homem e mulher os criou (Gn 1.27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A mulher, portanto, participa plenamente da imagem de Deus, e a bênção e a missão de ser fecundos, encher a terra e exercer domínio sobre a criação foram dadas aos dois (Gn 1.28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O capítulo 5 retoma isso ao dizer que Deus os criou homem e mulher, os abençoou e lhes deu o nome de Adão, isto é, "humanidade", no dia em que foram criados (Gn 5.1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Formada do lado de Adão

O segundo capítulo conta a mesma criação em detalhe. Depois de formar o homem e colocá-lo no jardim, Deus declarou, pela primeira vez, que algo não era bom: que o homem estivesse só. Decidiu, então, fazer-lhe uma auxiliadora que lhe correspondesse (Gn 2.18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A palavra hebraica traduzida por "auxiliadora" não indica inferioridade: é a mesma usada no Antigo Testamento para falar do próprio Deus como socorro do seu povo (Sl 33.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Sl 121.1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ela descreve alguém que traz ao outro aquilo que lhe falta.

Os animais desfilaram diante de Adão, que lhes deu nome, mas nenhum deles lhe correspondia (Gn 2.19-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Deus fez cair sobre ele um sono profundo, tomou uma de suas costelas, fechou a carne e da costela formou a mulher; depois a trouxe ao homem (Gn 2.21-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ao vê-la, Adão reagiu com as primeiras palavras humanas registradas na Bíblia, em forma de poema: finalmente, alguém que era osso dos seus ossos e carne da sua carne, e que se chamaria varoa, porque do varão fora tomada (Gn 2.23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O narrador conclui que, por isso, o homem deixa pai e mãe, une-se à sua mulher e os dois se tornam uma só carne; e acrescenta que ambos estavam nus e não se envergonhavam (Gn 2.24-25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Jesus usaria esse texto como fundamento do casamento, lembrando que o Criador os fez homem e mulher e que o homem não deve separar o que Deus uniu (Mt 19.4-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Paulo também lembraria que a mulher procede do homem, mas o homem nasce da mulher, e tudo vem de Deus (1Co 11.8-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A tentação

A serpente, a mais astuta dos animais do campo, dirigiu-se à mulher com uma pergunta que distorcia a ordem de Deus: teria ele proibido comer de todas as árvores do jardim? (Gn 3.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A mulher corrigiu a distorção, dizendo que podiam comer de todas, exceto da árvore no meio do jardim, da qual não deviam comer nem tocar, para não morrerem (Gn 3.2-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O detalhe "nem tocar" não aparece na ordem original dada a Adão (Gn 2.16-17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e muitos intérpretes veem aí um primeiro desvio em relação à palavra de Deus, ainda que o texto não o comente.

A serpente, então, negou frontalmente a advertência: eles certamente não morreriam; Deus sabia que, no dia em que comessem, seus olhos se abririam e seriam como Deus, conhecedores do bem e do mal (Gn 3.4-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A tentação atacava ao mesmo tempo a verdade da palavra divina e a bondade de Deus, apresentado como alguém que escondia algo bom de suas criaturas.

A mulher olhou para a árvore e viu que era boa para comer, agradável aos olhos e desejável para dar entendimento. Tomou do fruto e comeu; deu também ao marido, que estava com ela, e ele comeu (Gn 3.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Pode-se ver nessa tríplice atração um paralelo com o que João descreve como a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a soberba da vida (1Jo 2.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O Novo Testamento afirma que Eva foi enganada pela astúcia da serpente (2Co 11.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e que, sendo enganada, caiu em transgressão (1Tm 2.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O engano, porém, não a isenta de responsabilidade: ela ouviu outra voz em vez da voz de Deus e envolveu o marido em sua escolha.

Diante de Deus

Os olhos de ambos se abriram, perceberam que estavam nus, costuraram folhas de figueira e se esconderam da presença do Senhor (Gn 3.7-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Quando Deus interrogou Adão, ele atribuiu a culpa à mulher (Gn 3.12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Deus então se voltou para ela e perguntou o que tinha feito. Ela respondeu que a serpente a enganara, e ela comera (Gn 3.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Mesmo transferindo a origem do erro, a resposta reconhece o próprio ato.

Antes de falar à mulher, Deus pronunciou a sentença contra a serpente, e nela incluiu a primeira promessa da Bíblia: poria inimizade entre a serpente e a mulher, entre a descendência de uma e a descendência da outra; a descendência da mulher lhe feriria a cabeça, e a serpente lhe feriria o calcanhar (Gn 3.14-15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A mulher que fora instrumento da queda seria também o canal da vitória.

À mulher, Deus anunciou que multiplicaria grandemente as dores da gravidez e que com dor ela daria à luz filhos; anunciou também que o seu desejo seria para o marido, e ele a dominaria (Gn 3.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Essa última frase descreve a ruptura que o pecado introduziu na relação entre o homem e a mulher, e não o projeto original de Deus mostrado em Gn 2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba): a mesma construção aparece logo adiante, quando Deus adverte Caim de que o pecado desejava dominá-lo (Gn 4.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Depois de ouvir as sentenças, Adão deu à mulher o nome de Eva, porque ela seria a mãe de todos os viventes (Gn 3.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Num cenário de morte anunciada, o nome aponta para a vida que continuaria. Deus fez vestes de peles para os dois e os vestiu (Gn 3.21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e em seguida os lançou fora do jardim, colocando querubins para guardar o caminho da árvore da vida (Gn 3.23-24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Mãe de todos os viventes

Fora do Éden, Eva concebeu e deu à luz Caim, dizendo que adquirira um homem com a ajuda do Senhor (Gn 4.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Suas primeiras palavras como mãe reconhecem a ação de Deus; alguns intérpretes, inclusive, entendem que ela esperava ver nesse filho a descendência prometida em Gn 3.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), embora o texto não o afirme. Depois deu à luz Abel (Gn 4.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A esperança se transformou em dor: Caim matou o irmão no campo (Gn 4.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A Escritura não descreve o luto de Eva, mas registra que, quando ela deu à luz outro filho, chamou-o Sete, dizendo que Deus lhe concedera outro descendente no lugar de Abel, a quem Caim matara (Gn 4.25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). É dessa linhagem que viriam Enoque, Noé e, muito depois, Abraão e Davi (Gn 5.6-32 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Lc 3.31-38 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Adão e Eva tiveram ainda outros filhos e filhas (Gn 5.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A Bíblia não informa quanto tempo Eva viveu, como morreu nem onde foi sepultada; a narrativa deixa de mencioná-la depois do nascimento de Sete.

Fé e fraquezas

A fraqueza de Eva é narrada com franqueza: deu ouvidos à serpente, acrescentou à ordem de Deus e a enfraqueceu, deixou-se guiar pelo que viu e desejou, comeu do fruto e o ofereceu ao marido (Gn 3.1-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Diante de Deus, apontou a serpente como culpada (Gn 3.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Novo Testamento a lembra justamente por ter sido enganada (2Co 11.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 1Tm 2.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Ao mesmo tempo, o texto deixa ver sinais de fé depois da queda. Eva admite o que fez (Gn 3.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ao dar à luz, nomeia o Senhor como aquele que lhe deu o filho (Gn 4.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); e, depois da tragédia com Abel, reconhece que foi Deus quem lhe concedeu outro descendente (Gn 4.25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A mulher que um dia duvidou da bondade de Deus termina sua história atribuindo a ele a vida que gera. A Escritura não diz mais do que isso, e é prudente não ir além.

Legado

Eva aparece pouco fora de Gênesis, mas sempre em passagens de peso. Jesus remete à criação do homem e da mulher para ensinar sobre o casamento (Mt 19.4-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Paulo recorre à ordem da criação ao tratar da relação entre homens e mulheres na igreja, sempre lembrando a interdependência dos dois diante do Senhor (1Co 11.8-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 1Tm 2.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E usa o engano de Eva como advertência: assim como a serpente a enganou com astúcia, os crentes podem ser desviados da sinceridade e da pureza devidas a Cristo (2Co 11.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Na tradição cristã, a partir de autores do século II como Justino Mártir e Ireneu de Lião, desenvolveu-se o paralelo entre Eva e Maria: a desobediência de uma, que ouviu a serpente, contrastada com a obediência da outra, que acolheu a palavra do anjo (Lc 1.38 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). É uma leitura da tradição, e não um ensino explícito do Novo Testamento, mas que se tornou muito influente na reflexão cristã sobre a história da salvação.

Conexão com Cristo

A promessa feita diante de Eva é o ponto de partida de toda a esperança bíblica: a descendência da mulher esmagaria a cabeça da serpente, sendo ferida no calcanhar (Gn 3.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A tradição cristã chamou esse versículo de protoevangelho. O Novo Testamento o vê cumprido em Jesus, o Filho de Deus nascido de mulher (Gl 4.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), que por sua morte destruiu aquele que tinha o poder da morte, o diabo (Hb 2.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e por quem Deus esmagará Satanás debaixo dos pés do seu povo (Rm 16.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Apocalipse retoma a cena ao mostrar a mulher, seu filho e o grande dragão, a antiga serpente, finalmente vencido (Ap 12.1-9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Eva também ajuda a compreender a relação entre Cristo e a igreja. Paulo, ao citar Gn 2.24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), declara que o mistério da união entre marido e mulher se refere a Cristo e à igreja (Ef 5.31-32 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E, na mesma passagem em que lembra o engano de Eva, apresenta a igreja como uma noiva pura prometida a um só esposo, Cristo, que precisa guardar-se da voz enganadora que seduziu a primeira mulher (2Co 11.2-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A tradição cristã foi além e viu na formação de Eva do lado de Adão adormecido uma imagem da igreja, nascida do lado aberto de Cristo na cruz, de onde saíram sangue e água (Jo 19.34 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) — uma leitura tipológica que se apresenta com moderação.

Uma passagem difícil, 1Tm 2.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), diz que a mulher será salva por meio da maternidade, se permanecer na fé, no amor e na santificação. Entre as várias interpretações, há quem entenda que Paulo alude ao nascimento por excelência, o da descendência prometida a Eva, isto é, o próprio Cristo; outros a leem como referência à vocação da mulher vivida na fé. Seja como for, a salvação permanece ligada à fé, e não ao mérito.

Por fim, o nome que Adão deu a Eva depois da queda — mãe de todos os viventes — encontra seu sentido pleno em Cristo, que veio para que tenham vida, e vida em abundância (Jo 10.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). No fim da Bíblia, na nova criação, já não haverá morte, nem pranto, nem dor, e a maldição que entrou pelo jardim será removida para sempre (Ap 21.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Ap 22.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

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