Antigo Testamento · Reis
Faraó do Êxodo
- Significado do nome
"Faraó" não é um nome próprio, mas o título dos reis do Egito; vem da expressão egípcia que significa "casa grande", isto é, o palácio real. A Bíblia não registra o nome pessoal deste rei
- Posição / vínculo com a Bíblia
Rei do Egito que se opôs a Moisés, recusou-se a deixar Israel sair, enfrentou as dez pragas e perseguiu o povo até o mar; Paulo o cita como exemplo do endurecimento do coração e da soberania de Deus (Êx 5–14; Rm 9.17-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))
- Morte
O texto de Êxodo não registra claramente a sua morte; o Salmo 136 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) diz que o Senhor o derrubou no mar com o seu exército (Êx 14.28; Sl 136.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))
- Testamento
Antigo Testamento
- Grupo
Reis
- Onde aparece
Êx 5–14; Êx 15.4,19; Dt 6.21-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Dt 11.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 1Sm 6.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Ne 9.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Sl 135.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Sl 136.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Rm 9.17-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Hb 11.27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)
Síntese histórica
O faraó do Êxodo foi o rei do Egito diante de quem Moisés e Arão se apresentaram com a ordem de Deus: deixa ir o meu povo. Ele respondeu que não conhecia o Senhor e endureceu ainda mais a escravidão dos israelitas (Êx 5.1-9). Diante das dez pragas, chegou a reconhecer o próprio pecado e a prometer libertar o povo, mas voltava atrás sempre que o alívio chegava; o texto diz que ele endureceu o seu coração e que Deus o endureceu (Êx 7–11). Só depois da morte dos primogênitos, inclusive do seu próprio filho, mandou Israel sair (Êx 12.29-32).
Logo se arrependeu de ter deixado o povo partir e o perseguiu com seus carros de guerra até o mar, onde o seu exército pereceu quando as águas voltaram (Êx 14). A Bíblia não informa o seu nome, e a sua identificação histórica é debatida. Israel lembrou para sempre o que Deus fez ao faraó (Dt 6.21-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Ne 9.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e Paulo afirma que Deus o levantou para mostrar o seu poder e anunciar o seu nome em toda a terra (Rm 9.17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
História
O título e o contexto
"Faraó" era o título dos reis do Egito, e a Bíblia não informa o nome pessoal do rei com quem Moisés se confrontou. O livro do Êxodo fala de mais de um faraó: o que escravizou os israelitas, obrigou-os a construir as cidades-armazéns de Pitom e Ramessés e mandou lançar os meninos hebreus no Nilo (Êx 1.8-22), e o que reinava quando Moisés voltou de Midiã, já que o rei anterior morrera (Êx 2.23; Êx 4.19). Esta página trata deste último, o faraó do confronto com Moisés e da saída de Israel.
"Quem é o Senhor?"
Moisés e Arão foram ao faraó e lhe transmitiram a mensagem do Senhor, Deus de Israel: que deixasse o seu povo ir celebrar-lhe uma festa no deserto. O faraó respondeu perguntando quem era o Senhor, para que obedecesse à sua voz; não conhecia o Senhor e não deixaria Israel ir (Êx 5.1-2). Acusou o povo de preguiça e, no mesmo dia, ordenou que os israelitas não recebessem mais palha para fabricar tijolos, mas continuassem a produzir a mesma quantidade (Êx 5.6-9). Quando os capatazes hebreus se queixaram, ele repetiu que eram ociosos (Êx 5.15-18).
A pergunta do faraó resume todo o confronto que se seguiria. Deus anunciara que, por meio dos seus atos, os egípcios saberiam que ele é o Senhor (Êx 7.5).
Os sinais e as pragas
Diante do faraó, Arão lançou a sua vara, que se tornou serpente; os magos do Egito fizeram o mesmo com suas artes, mas a vara de Arão engoliu as deles. Ainda assim, o coração do faraó se endureceu (Êx 7.8-13). Vieram então as pragas: a água do Nilo transformada em sangue, as rãs, os piolhos, as moscas, a peste no gado, as úlceras, a chuva de pedras, os gafanhotos, as trevas e, por fim, a morte dos primogênitos (Êx 7–12).
As reações do faraó seguem um padrão. Os magos imitaram as primeiras pragas, e ele se apoiou nisso para não ceder (Êx 7.22; Êx 8.7). Quando não conseguiram reproduzir os piolhos, os próprios magos lhe disseram que aquilo era o dedo de Deus, mas ele não os ouviu (Êx 8.18-19). Começou então a negociar: propôs que os israelitas sacrificassem ao seu Deus dentro do próprio Egito; depois aceitou que fossem ao deserto, desde que não fossem muito longe (Êx 8.25-28). Na chuva de pedras, chamou Moisés e Arão e confessou que tinha pecado, que o Senhor era justo e que ele e seu povo eram culpados; mas, quando a chuva parou, voltou a pecar e endureceu o coração (Êx 9.27-35).
Seus próprios oficiais lhe perguntaram se ainda não percebia que o Egito estava arruinado (Êx 10.7). Mesmo assim, ele ofereceu deixar sair apenas os homens (Êx 10.8-11); depois dos gafanhotos, confessou de novo ter pecado contra o Senhor (Êx 10.16-17); e depois das trevas, aceitou que todos fossem, desde que deixassem os rebanhos (Êx 10.24). Quando Moisés recusou, o faraó o expulsou, ameaçando-o de morte se voltasse a ver o seu rosto, e Moisés respondeu que não voltaria a vê-lo (Êx 10.27-29).
O coração endurecido
O livro do Êxodo descreve o endurecimento do faraó de três maneiras. Às vezes diz que o próprio faraó endureceu o seu coração (Êx 8.15,32; Êx 9.34); outras vezes, que o seu coração se endureceu (Êx 7.13,22); e outras, que o Senhor endureceu o coração do faraó (Êx 9.12; Êx 10.1,20,27). Deus havia anunciado isso a Moisés desde o início (Êx 4.21; Êx 7.3). Os intérpretes compreendem essas expressões de modos diferentes: muitos entendem que Deus confirmou a escolha que o faraó já fazia, entregando-o à própria obstinação; outros enfatizam a soberania de Deus sobre o coração humano. O texto afirma as duas coisas sem resolvê-las: o faraó é responsável pelas suas decisões, e Deus está no controle da história.
O propósito também é declarado. Deus disse ao faraó, por meio de Moisés, que o mantivera de pé para mostrar nele o seu poder e para que o seu nome fosse anunciado em toda a terra (Êx 9.16). A disputa não era apenas política: era um juízo sobre os deuses do Egito e sobre o rei que se considerava divino (Êx 12.12).
A noite da Páscoa
Moisés anunciou a última praga: à meia-noite, morreriam todos os primogênitos do Egito, desde o primogênito do faraó, que se sentava no trono, até o da escrava e o dos animais (Êx 11.4-5). Antes, Deus havia dito ao faraó que Israel era o seu filho primogênito e que, se ele recusasse deixá-lo ir, o seu próprio primogênito morreria (Êx 4.22-23). À meia-noite, isso aconteceu, e houve grande clamor em todo o Egito, porque não havia casa onde não houvesse um morto (Êx 12.29-30).
Naquela mesma noite, o faraó chamou Moisés e Arão e mandou que saíssem do meio do seu povo, eles e os israelitas, com os rebanhos, para servir ao Senhor como haviam pedido. E acrescentou um pedido surpreendente: que o abençoassem também (Êx 12.31-32).
A perseguição e o mar
Quando o faraó soube que o povo havia partido, ele e seus oficiais se perguntaram o que tinham feito ao deixar ir os seus escravos. Preparou o seu carro, tomou seiscentos carros escolhidos e todos os carros do Egito, com oficiais sobre eles, e perseguiu os israelitas até alcançá-los acampados junto ao mar (Êx 14.5-9). Deus declarara que seria glorificado no faraó e em todo o seu exército, e que os egípcios saberiam que ele é o Senhor (Êx 14.4,17-18).
O mar se abriu, e Israel passou em terra seca. Os egípcios entraram atrás deles, mas o Senhor perturbou o seu exército e travou as rodas dos carros, e os egípcios disseram uns aos outros que fugissem, porque o Senhor lutava por Israel. Quando Moisés estendeu a mão, as águas voltaram e cobriram os carros e os cavaleiros de todo o exército do faraó que os seguira; não escapou nenhum (Êx 14.21-28). O cântico de Moisés celebra que o Senhor lançou ao mar os carros do faraó e o seu exército (Êx 15.4,19). O relato de Êxodo não diz expressamente que o próprio faraó morreu no mar, mas o Salmo 136 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) afirma que Deus o derrubou com o seu exército no mar Vermelho (Sl 136.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e os intérpretes divergem sobre como entender esses textos.
A identidade histórica
A Bíblia não informa o nome deste faraó, e as fontes egípcias não registram o êxodo. As propostas de identificação acompanham as diferentes datas do êxodo. Quem segue a cronologia tradicional baseada em 1Rs 6.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), que situa a saída de Israel por volta de 1446 a.C., costuma pensar em Tutmés III ou em Amenhotep II. Quem a situa no século XIII a.C., com base na menção à cidade de Ramessés (Êx 1.11) e em dados arqueológicos, pensa geralmente em Ramsés II ou em seu sucessor, Merneptá. Uma inscrição deste último, a chamada Estela de Merneptá, por volta de 1208 a.C., é a mais antiga menção extrabíblica a Israel como povo estabelecido em Canaã. Nenhuma dessas identificações é consenso.
O coração do faraó
O faraó do Êxodo aparece como o retrato de um poder humano que se recusa a reconhecer a Deus. Ele explorou o povo oprimido (Êx 5.6-9), ignorou as advertências dos próprios conselheiros (Êx 8.19; Êx 10.7), confessou o pecado quando sofria e voltou atrás quando o alívio chegava (Êx 9.27-35; Êx 10.16-20), e, mesmo depois de perder o filho, perseguiu de novo o povo que acabara de libertar (Êx 14.5-9). Suas confissões revelam que sabia estar errado, mas não houve arrependimento verdadeiro.
Legado
A libertação do Egito e o juízo sobre o faraó tornaram-se o centro da memória de Israel. Os pais deveriam contar aos filhos que tinham sido escravos do faraó e que o Senhor os tirara do Egito com mão poderosa, com sinais e maravilhas (Dt 6.20-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Dt 11.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Séculos depois, até os filisteus lembravam como os egípcios e o faraó haviam endurecido o coração e sofrido por isso (1Sm 6.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Neemias e os Salmos louvam a Deus pelos sinais feitos contra o faraó (Ne 9.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Sl 135.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Sl 136.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). No Novo Testamento, Paulo o cita ao falar da soberania de Deus (Rm 9.17-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e Hebreus lembra que Moisés deixou o Egito sem temer a ira do rei (Hb 11.27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Conexão com Cristo
Paulo usa o faraó para falar da misericórdia soberana de Deus. Ele cita a palavra dirigida ao rei — Deus o levantara para mostrar nele o seu poder e para que o seu nome fosse anunciado em toda a terra — e conclui que Deus tem misericórdia de quem quer e endurece a quem quer (Rm 9.17-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Mas o objetivo de Paulo não é apenas falar de juízo: é mostrar as riquezas da glória de Deus derramadas sobre os vasos de misericórdia, que ele chamou não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios (Rm 9.22-24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O nome de Deus, que o faraó desprezou, é hoje anunciado em toda a terra por meio do evangelho de Cristo.
O faraó recusou-se a libertar Israel, a quem Deus chamou de seu filho primogênito, e por isso perdeu o próprio primogênito (Êx 4.22-23; Êx 12.29). No evangelho, Deus faz o caminho inverso: não poupou o seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, para libertar os que estavam escravizados (Rm 8.32 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Cristo é o Cordeiro pascal, cujo sangue protege o seu povo do juízo (1Co 5.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e Lucas chama a sua morte em Jerusalém de "êxodo" (Lc 9.31 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
A escravidão sob o faraó foi lida pela tradição cristã como imagem da escravidão do pecado, da qual só Deus pode libertar. Jesus disse que todo o que comete pecado é escravo do pecado, mas que, se o Filho nos libertar, seremos verdadeiramente livres (Jo 8.34-36 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ele veio para, por meio da sua morte, destruir aquele que tinha o poder da morte e libertar os que viviam escravizados pelo medo (Hb 2.14-15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e nos tirou do domínio das trevas para o reino do Filho do seu amor (Cl 1.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) — leituras que se apresentam com moderação, mas que acompanham o próprio desenho do Êxodo.
A pergunta orgulhosa do faraó — quem é o Senhor? (Êx 5.2) — terá uma resposta universal. Deus exaltou Jesus e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que todo joelho se dobre e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai (Fp 2.9-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Por fim, o coração endurecido do faraó serve de advertência. A Carta aos Hebreus, lembrando a geração do deserto, exorta os leitores a não endurecerem o coração enquanto ainda se diz "hoje", mas a ouvirem a voz de Deus que fala por meio de Cristo (Hb 3.7-15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
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