Novo Testamento · Reis
Herodes Agripa II
- Outros nomes
Rei Agripa (At 25.13; At 26.1), Marco Júlio Agripa, segundo Flávio Josefo e moedas da época
- Significado do nome
Herodes provavelmente vem do grego e significa "heroico"; Agripa é nome romano, dado em honra de Marco Agripa, amigo e general do imperador Augusto
- Posição / vínculo com a Bíblia
Filho de Herodes Agripa I e último rei da dinastia herodiana, diante de quem Paulo, preso em Cesareia, fez a sua defesa e anunciou a ressurreição de Cristo, ouvindo do rei a famosa resposta de que por pouco o persuadia a fazer-se cristão
- Nascimento
Por volta de 27 d.C., segundo Flávio Josefo
- Morte
Segundo fontes antigas, entre 92 e 100 d.C., em local incerto; a Escritura não registra
- Testamento
Novo Testamento
- Grupo
Reis
Síntese histórica
Herodes Agripa II era filho do rei Herodes Agripa I, que mandara matar o apóstolo Tiago e morrera em Cesareia (At 12.1-23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e bisneto de Herodes, o Grande. Governou, com permissão de Roma, territórios ao norte e a leste do mar da Galileia e tinha autoridade sobre o templo de Jerusalém, inclusive o direito de nomear o sumo sacerdote. No livro de Atos, é chamado simplesmente de rei Agripa e aparece acompanhado de sua irmã Berenice (At 25.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Por volta de 59 ou 60 d.C., ao visitar o novo governador Festo em Cesareia, Agripa quis ouvir o prisioneiro Paulo, que havia apelado para César (At 25.13-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Diante do rei, Paulo contou a sua conversão e anunciou que o Cristo devia padecer e ser o primeiro a ressuscitar dos mortos, levando luz ao povo e aos gentios (At 26.1-23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Paulo apelou diretamente à fé do rei nos profetas, e Agripa respondeu que, por pouco, Paulo o persuadia a se fazer cristão (At 26.27-28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ao final, o rei reconheceu que Paulo nada fizera digno de morte ou de prisão (At 26.31-32 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Agripa II é o retrato do homem que ouviu o evangelho com clareza, esteve perto, mas não deu o passo da fé.
História
Contexto e origem
Agripa II nasceu por volta de 27 d.C., filho de Herodes Agripa I e de Cipros. Quando o pai morreu, em 44 d.C., ele tinha cerca de dezessete anos e vivia em Roma, junto da corte imperial. Segundo Flávio Josefo, o imperador Cláudio o considerou jovem demais para governar o reino do pai, e a Judeia passou de novo a ser administrada por procuradores romanos. Anos depois, por volta de 50 d.C., Agripa recebeu o pequeno reino de Cálcis, no Líbano, com a supervisão do templo de Jerusalém e o direito de nomear o sumo sacerdote. Mais tarde, trocou Cálcis pelas regiões que haviam pertencido ao tetrarca Filipe (Lc 3.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e o imperador Nero acrescentou ao seu domínio algumas cidades da Galileia e da Pereia. Essas informações vêm de fontes extrabíblicas.
Agripa tinha duas irmãs que aparecem no Novo Testamento. Drusila era casada com o governador Félix, diante de quem Paulo falou da justiça, do domínio próprio e do juízo vindouro (At 24.24-25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Berenice acompanhava Agripa e esteve presente na audiência de Paulo (At 25.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); At 25.23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Josefo e o poeta romano Juvenal registram que circulavam rumores sobre uma relação imprópria entre os dois irmãos, mas nada disso é mencionado na Escritura.
O Novo Testamento menciona vários governantes chamados Herodes, e é importante distingui-los: Herodes, o Grande, o rei do nascimento de Jesus (Mt 2.1-19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); Herodes Antipas, seu filho, que mandou decapitar João Batista (Mc 6.14-29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); Herodes Agripa I, seu neto, que matou Tiago (At 12.1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); e Herodes Agripa II, o rei que ouviu Paulo.
A visita a Festo
Por volta de 59 ou 60 d.C., Pórcio Festo sucedeu Félix como governador da Judeia. Paulo estava preso em Cesareia havia dois anos e, para não ser levado a julgamento em Jerusalém, apelara para César (At 24.27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); At 25.1-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Alguns dias depois, o rei Agripa e Berenice chegaram a Cesareia para cumprimentar o novo governador (At 25.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Festo expôs ao rei o caso de Paulo. Explicou que os acusadores não haviam apresentado nenhum dos crimes que ele esperava, mas apenas questões sobre a religião deles e sobre um certo Jesus, já morto, que Paulo afirmava estar vivo (At 25.14-19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Agripa disse que também gostaria de ouvir aquele homem, e Festo marcou a audiência para o dia seguinte (At 25.22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Festo tinha um problema: precisava enviar Paulo ao imperador, mas não sabia o que escrever sobre ele, e esperava que o rei, conhecedor das questões judaicas, o ajudasse (At 25.26-27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Paulo diante do rei
No dia seguinte, Agripa e Berenice chegaram com grande pompa e entraram na sala de audiências com os comandantes militares e os principais homens da cidade. Paulo foi trazido acorrentado (At 25.23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); At 26.29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Com permissão do rei, começou a sua defesa, dizendo-se feliz por falar diante de Agripa, porque ele conhecia bem os costumes e as questões dos judeus (At 26.1-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Paulo contou que vivera como fariseu, segundo a seita mais rigorosa da sua religião, e que estava sendo julgado por causa da esperança na promessa feita por Deus aos pais, perguntando por que se considerava incrível que Deus ressuscitasse os mortos (At 26.4-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Narrou como perseguira os discípulos de Jesus e como, no caminho de Damasco, o próprio Jesus lhe aparecera e o enviara aos gentios, para abrir-lhes os olhos e convertê-los das trevas à luz (At 26.9-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Afirmou que não fora desobediente à visão celestial e que nada dizia além do que os profetas e Moisés haviam anunciado: que o Cristo devia padecer e, sendo o primeiro a ressuscitar dos mortos, anunciaria a luz ao povo e aos gentios (At 26.19-23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
"Por pouco me persuades"
Nesse ponto, Festo interrompeu Paulo em alta voz, dizendo que ele estava louco e que as muitas letras o faziam delirar. Paulo respondeu que não estava louco, mas falava palavras de verdade e de bom senso, e que o rei sabia dessas coisas, porque nada daquilo tinha acontecido num canto (At 26.24-26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Então se voltou diretamente para Agripa e perguntou se ele cria nos profetas, acrescentando que sabia que sim (At 26.27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
A pergunta colocou o rei numa posição delicada. Se negasse crer nos profetas, ofenderia os judeus que governava; se dissesse que cria, Paulo poderia mostrar que os profetas apontavam para Jesus. Agripa respondeu: "Por pouco me persuades a me fazer cristão" (At 26.28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A frase grega pode ser entendida de mais de uma maneira. Alguns a leem como uma confissão de que estava quase convencido; outros, como uma reação irônica, como quem pergunta se Paulo pretendia, em tão pouco tempo, fazê-lo cristão. Paulo respondeu que desejaria a Deus que, por pouco ou por muito, não apenas o rei, mas todos os que o ouviam se tornassem como ele, exceto aquelas correntes (At 26.29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
O veredito do rei
O rei, o governador, Berenice e os demais se levantaram e, ao se retirarem, comentavam entre si que aquele homem nada fizera que merecesse morte ou prisão. Agripa disse a Festo que Paulo poderia ser solto, se não tivesse apelado para César (At 26.30-32 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O homem mais qualificado para julgar as questões judaicas declarou a inocência de Paulo. A Escritura não volta a mencionar Agripa.
O último dos Herodes
Segundo Josefo, quando a revolta judaica contra Roma começou, em 66 d.C., Agripa fez um longo discurso em Jerusalém tentando convencer o povo a não entrar em guerra, mas não foi ouvido. Durante a guerra, ficou ao lado dos romanos, e depois da destruição de Jerusalém e do templo, no ano 70, continuou a governar os seus territórios com o apoio do imperador. Manteve correspondência com o próprio Josefo sobre a obra que este escrevia acerca da guerra. Morreu sem herdeiros entre os anos 92 e 100 d.C., segundo as fontes antigas, e com ele terminou a dinastia herodiana. Essas informações vêm da história, e não do texto bíblico.
Fé e fraquezas
Agripa II conhecia as Escrituras, os costumes judaicos e as questões que envolviam o nome de Jesus. Ouviu o testemunho pessoal de Paulo e reconheceu a sua inocência. Mas, diante do apelo à fé, preferiu uma frase evasiva. Sua história é uma advertência permanente: é possível conhecer a verdade, admirá-la e até estar perto dela, sem se render a Cristo. O conhecimento sem a fé não salva.
Conexão com Cristo
A defesa de Paulo diante de Agripa teve Cristo como centro. Paulo afirmou que tudo o que pregava estava nos profetas e em Moisés: que o Cristo devia padecer e ser o primeiro a ressuscitar dos mortos, anunciando a luz ao povo de Israel e aos gentios (At 26.22-23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Era a mesma mensagem que o próprio Jesus ressuscitado ensinara aos discípulos, ao explicar que estava escrito que o Cristo padeceria e ressuscitaria ao terceiro dia, e que em seu nome se pregaria o arrependimento a todas as nações (Lc 24.46-47 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E Paulo lembrou que a morte e a ressurreição de Jesus não aconteceram num canto, mas diante de todos (At 26.26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
A cena também cumpre a palavra que o Senhor dissera a Ananias sobre Saulo: ele seria instrumento escolhido para levar o nome de Cristo perante os gentios, os reis e os filhos de Israel (At 9.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O apóstolo acorrentado era mais livre do que o rei sentado no trono, porque aquele a quem o Filho liberta é verdadeiramente livre (Jo 8.36 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E o último rei da casa de Herodes, que passou sem herdeiros, ouviu falar daquele que é o Rei dos reis e Senhor dos senhores, cujo Reino não terá fim (Lc 1.33 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Ap 19.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Por fim, a resposta de Agripa lembra que diante de Cristo não basta estar quase persuadido. A Escritura chama a responder sem demora, porque agora é o tempo aceitável e agora é o dia da salvação (2Co 6.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Livros onde aparece
Os livros com estudos no Farol levam à página do livro.