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Antigo Testamento · Patriarcas

Jacó

Outros nomes

Israel

Significado do nome

Jacó, "ele segura o calcanhar" ou "suplantador" (Gn 25.26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gn 27.36 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); Israel, nome dado por Deus, que a Bíblia explica como "lutou com Deus e com os homens e prevaleceu" (Gn 32.28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

Posição / vínculo com a Bíblia

Terceiro patriarca de Israel, filho de Isaque e Rebeca e irmão gêmeo de Esaú; recebeu a bênção da promessa, teve o nome mudado para Israel e foi pai dos doze filhos que deram origem às tribos do povo de Deus (Gn 28.13-15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gn 32.28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gn 35.10-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gn 49 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

Nascimento

Provavelmente no sul de Canaã, perto do poço de Beer-Laai-Roi, por volta de 1840 a.C., quando Isaque tinha sessenta anos (Gn 25.11,26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

Morte

Egito, na terra de Gósen, por volta de 1690 a.C., aos 147 anos; sepultado na caverna de Macpela, em Canaã (Gn 47.28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gn 49.29-33 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gn 50.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

Testamento

Antigo Testamento

Grupo

Patriarcas

Síntese histórica

Jacó nasceu segurando o calcanhar do irmão gêmeo, Esaú, depois de uma gestação em que Deus anunciou a Rebeca que o mais velho serviria ao mais novo (Gn 25.22-26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Obteve de Esaú o direito de primogenitura e, enganando o pai cego, recebeu a bênção que Isaque reservava ao primogênito (Gn 25.29-34 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gn 27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Fugindo da ira do irmão, teve em Betel a visão de uma escada que ligava a terra ao céu e ouviu de Deus a confirmação da promessa feita a Abraão (Gn 28.10-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Em Harã, serviu vinte anos ao tio Labão, casou-se com Lia e Raquel e teve onze filhos e uma filha (Gn 29–31 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Na volta para Canaã, lutou de noite com um homem misterioso em Peniel e recebeu o nome de Israel (Gn 32.24-30 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); reconciliou-se com Esaú, voltou a Betel e teve o último filho, Benjamim, cujo nascimento custou a vida de Raquel (Gn 33 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gn 35 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Depois de chorar por anos o filho José, que julgava morto, desceu com toda a família ao Egito, onde José governava, e ali morreu, depois de abençoar os filhos (Gn 37–49 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O povo de Deus passou a ser chamado pelo seu nome, Israel, e Hebreus lembra que, pela fé, ele abençoou os filhos de José e adorou a Deus no fim da vida (Hb 11.21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

História

Contexto e origem

Jacó e Esaú foram filhos da oração de Isaque por Rebeca, que era estéril (Gn 25.21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os gêmeos lutavam no ventre, e o Senhor revelou à mãe que eram duas nações e que o mais velho serviria ao mais novo (Gn 25.22-23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Esaú nasceu primeiro; Jacó veio em seguida, com a mão agarrada ao calcanhar do irmão, e por isso recebeu um nome que lembra a palavra hebraica para "calcanhar" (Gn 25.24-26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Os dois cresceram diferentes: Esaú, caçador e homem do campo; Jacó, homem tranquilo, que vivia em tendas. Isaque preferia Esaú, e Rebeca amava Jacó (Gn 25.27-28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A primogenitura e a bênção

Certo dia, Esaú voltou exausto do campo e pediu do guisado que Jacó cozinhava. Jacó exigiu em troca o direito de primogenitura, e Esaú, dizendo que estava para morrer, vendeu-o sob juramento (Gn 25.29-34 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Jacó valorizava o que o irmão desprezava, mas aproveitou-se da fraqueza dele para obtê-lo.

Anos depois, Isaque, velho e quase cego, quis abençoar Esaú. Rebeca planejou que Jacó se passasse pelo irmão. Jacó hesitou, não por escrúpulo, mas por medo de ser descoberto e atrair maldição (Gn 27.11-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Vestido com as roupas de Esaú e com peles de cabrito nas mãos e no pescoço, apresentou-se ao pai dizendo ser o primogênito e, quando Isaque estranhou a rapidez da caçada, chegou a atribuir o sucesso ao Senhor, o Deus de Isaque (Gn 27.18-24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Isaque comeu e o abençoou com a fartura da terra e o domínio sobre os povos e sobre os irmãos (Gn 27.27-29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Quando Esaú voltou, a fraude foi descoberta. Isaque confirmou a bênção dada, e Esaú decidiu matar o irmão depois da morte do pai (Gn 27.30-41 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Rebeca mandou Jacó fugir para a casa de seu irmão Labão, em Harã, e Isaque o despediu abençoando-o de novo, agora conscientemente, com a bênção de Abraão (Gn 27.42–28.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A escada em Betel

No caminho, ao pôr do sol, Jacó parou num lugar e dormiu com uma pedra por travesseiro. Sonhou com uma escada apoiada na terra, cujo topo chegava ao céu, e com os anjos de Deus subindo e descendo por ela. No alto estava o Senhor, que se apresentou como o Deus de Abraão e de Isaque e lhe prometeu a terra, uma descendência numerosa como o pó da terra e a bênção de todas as famílias da terra por meio dele e da sua descendência. E acrescentou: estaria com ele, o guardaria por onde fosse, o traria de volta e não o abandonaria até cumprir tudo o que prometera (Gn 28.10-15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Jacó acordou dizendo que o Senhor estava naquele lugar e ele não sabia. Com temor, chamou o lugar de casa de Deus e porta dos céus. Levantou a pedra como coluna, derramou azeite sobre ela e deu ao lugar o nome de Betel, "casa de Deus" (Gn 28.16-19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Fez então um voto: se Deus estivesse com ele, o guardasse e o trouxesse de volta em paz, o Senhor seria o seu Deus, aquela pedra seria casa de Deus, e ele daria o dízimo de tudo o que recebesse (Gn 28.20-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Era uma fé ainda condicional, de quem começava a conhecer a Deus.

Na casa de Labão

Em Harã, junto a um poço, Jacó encontrou Raquel, filha de Labão, que vinha com as ovelhas do pai. Removeu sozinho a pedra da boca do poço, deu de beber ao rebanho, beijou a prima e chorou (Gn 29.1-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Labão o recebeu, e Jacó se ofereceu para trabalhar sete anos por Raquel; esses anos lhe pareceram poucos dias, pelo amor que tinha por ela (Gn 29.15-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Na noite do casamento, porém, Labão lhe entregou Lia, a filha mais velha. Pela manhã, Jacó descobriu o engano e protestou; Labão respondeu que não era costume da terra dar a mais nova antes da primogênita (Gn 29.21-26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O homem que enganara o pai cego para tomar o lugar do primogênito foi enganado, no escuro, por causa de uma primogênita. Jacó recebeu Raquel uma semana depois, em troca de mais sete anos de trabalho (Gn 29.27-30 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Os filhos

Jacó amava Raquel mais do que Lia. O Senhor viu que Lia era desprezada e lhe deu filhos: Rúben, Simeão, Levi e Judá; ao dar à luz o quarto, ela declarou que louvaria o Senhor (Gn 29.31-35 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Raquel, estéril, invejou a irmã e disse a Jacó que lhe desse filhos, senão morreria; Jacó irritou-se e perguntou se estava no lugar de Deus (Gn 30.1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Começou então uma disputa entre as irmãs. Bila, serva de Raquel, deu a Jacó Dã e Naftali; Zilpa, serva de Lia, deu-lhe Gade e Aser; Lia teve ainda Issacar, Zebulom e uma filha, Diná (Gn 30.3-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Por fim, Deus se lembrou de Raquel, e ela deu à luz José (Gn 30.22-24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A prosperidade e a volta

Jacó trabalhou ainda seis anos pelos rebanhos de Labão, que mudou seu salário dez vezes; ainda assim, Jacó prosperou muito, e mais tarde reconheceu que fora Deus quem tirara os rebanhos de Labão e os dera a ele (Gn 30.25-43 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gn 31.7-9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Quando os filhos de Labão começaram a se ressentir, o Senhor mandou que Jacó voltasse à terra de seus pais, prometendo estar com ele (Gn 31.1-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Lia e Raquel concordaram, e a família partiu em segredo; Raquel levou escondidos os ídolos do pai (Gn 31.4-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Labão os alcançou, mas Deus o advertiu em sonho a não fazer mal a Jacó (Gn 31.22-24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). No confronto, Jacó desabafou: vinte anos de serviço, consumido pelo calor de dia e pela geada de noite; se o Deus de seu pai, o Deus de Abraão e o Temor de Isaque não estivesse com ele, Labão o teria despedido de mãos vazias (Gn 31.36-42 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os dois fizeram aliança e levantaram um monte de pedras como testemunho, pedindo que o Senhor vigiasse entre eles quando estivessem separados (Gn 31.44-55 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Peniel

À medida que se aproximava de Canaã, Jacó soube que Esaú vinha ao seu encontro com quatrocentos homens e teve muito medo (Gn 32.6-7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Dividiu a família em dois grupos e orou. É a primeira oração longa de Jacó registrada na Bíblia: ele lembra a ordem e a promessa de Deus, confessa ser indigno de todas as misericórdias e de toda a fidelidade que Deus lhe mostrara, e pede livramento da mão do irmão (Gn 32.9-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Depois enviou à frente grandes presentes para aplacar Esaú (Gn 32.13-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

De noite, fez passar a família pelo vau do Jaboque e ficou sozinho. Um homem lutou com ele até o romper do dia. Vendo que não o vencia, tocou-lhe a articulação da coxa, que se deslocou. O homem pediu que o deixasse ir, porque amanhecia, mas Jacó respondeu que não o deixaria ir se não o abençoasse (Gn 32.22-26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Perguntado pelo nome, respondeu: Jacó — e, ao dizê-lo, confessava também quem era. O homem lhe disse que já não se chamaria Jacó, mas Israel, porque lutara com Deus e com os homens e prevalecera. Jacó perguntou o nome do outro, que não o revelou, mas o abençoou ali (Gn 32.27-29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Jacó chamou o lugar de Peniel, "face de Deus", dizendo que vira Deus face a face e a sua vida fora preservada. O sol nasceu quando ele atravessava o lugar, e ele mancava da coxa (Gn 32.30-31 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O profeta Oseias resume o episódio dizendo que Jacó lutou com o anjo e prevaleceu, chorou e lhe suplicou (Os 12.3-4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Aquele que vencera tantas disputas pela astúcia foi vencido e abençoado na fraqueza.

O reencontro e o retorno a Betel

Ao encontrar Esaú, Jacó inclinou-se sete vezes, mas o irmão correu, abraçou-o, beijou-o, e os dois choraram (Gn 33.3-4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Jacó disse que ver o rosto do irmão reconciliado era como ver o rosto de Deus (Gn 33.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Depois se estabeleceu perto de Siquém, comprou um campo e levantou um altar ao Deus de Israel (Gn 33.18-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Em Siquém, a família viveu um dos episódios mais sombrios de sua história. Diná foi violentada pelo príncipe da cidade, e Simeão e Levi, seus irmãos, vingaram-se com engano e massacre (Gn 34.1-29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A reação de Jacó foi tardia e se concentrou no risco que a família passava a correr (Gn 34.30 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); só no fim da vida ele condenaria a ira dos dois filhos (Gn 49.5-7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Deus mandou que Jacó subisse a Betel. Antes de partir, Jacó ordenou à família que lançasse fora os deuses estranhos, se purificasse e trocasse de roupa, e enterrou os ídolos sob o carvalho de Siquém (Gn 35.1-4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Em Betel, levantou um altar ao Deus que lhe respondera no dia da angústia, e Deus lhe apareceu de novo: confirmou o nome Israel, apresentou-se como o Deus Todo-Poderoso e renovou a promessa de uma nação, de reis e da terra (Gn 35.6-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O voto feito na fuga era cumprido.

As perdas

No caminho de Betel a Efrata, que é Belém, Raquel morreu ao dar à luz o segundo filho. Ao morrer, chamou-o Benoni, "filho da minha dor", mas Jacó o chamou Benjamim, "filho da mão direita"; Jacó levantou uma coluna sobre a sepultura dela (Gn 35.16-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Pouco depois, Rúben deitou-se com Bila, concubina do pai (Gn 35.22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Jacó chegou a Hebrom, onde estava Isaque, e mais tarde ele e Esaú sepultaram o pai (Gn 35.27-29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

José

Jacó amava José mais que a todos os filhos, por ser filho da sua velhice, e lhe fez uma túnica especial; os irmãos passaram a odiá-lo (Gn 37.3-4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Jacó repreendeu os sonhos do filho, mas guardou o assunto no coração (Gn 37.10-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Pouco depois, enviou José aos irmãos, e eles o venderam como escravo. Trouxeram ao pai a túnica manchada de sangue, e Jacó concluiu que uma fera o devorara (Gn 37.12-33 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O homem que enganara o pai com as roupas e as peles de um animal foi enganado pelos filhos com a túnica e o sangue de um animal. Rasgou as vestes, vestiu-se de pano de saco e recusou ser consolado, dizendo que desceria ao mundo dos mortos chorando pelo filho (Gn 37.34-35 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Anos depois, uma grande fome levou Jacó a enviar os filhos ao Egito para comprar trigo, mas reteve Benjamim (Gn 42.1-4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Quando os filhos voltaram sem Simeão, com a exigência de levar Benjamim, Jacó lamentou que todas aquelas coisas eram contra ele e recusou (Gn 42.36-38 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Só quando Judá se ofereceu como fiador do irmão, ele cedeu, entregando-se à misericórdia do Deus Todo-Poderoso: se tivesse de perder os filhos, que os perdesse (Gn 43.8-14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A descida ao Egito

Quando os filhos voltaram dizendo que José estava vivo e governava o Egito, o coração de Jacó desfaleceu, porque não acreditava; mas, ao ver as carroças que José enviara, o seu espírito reviveu, e ele decidiu ir vê-lo antes de morrer (Gn 45.25-28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Em Berseba, ofereceu sacrifícios, e Deus lhe falou numa visão noturna: que não temesse descer ao Egito, porque ali faria dele uma grande nação; desceria com ele, o faria subir de novo, e José lhe fecharia os olhos (Gn 46.1-4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Jacó desceu com toda a família, setenta pessoas (Gn 46.26-27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Em Gósen, José correu ao seu encontro, lançou-se ao seu pescoço e chorou longamente, e Jacó disse que já podia morrer, pois vira o rosto do filho vivo (Gn 46.29-30 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Diante do faraó, abençoou o rei e resumiu a própria vida: cento e trinta anos de peregrinação, poucos e difíceis (Gn 47.7-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

As últimas bênçãos e a morte

Jacó viveu dezessete anos no Egito (Gn 47.28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Fez José jurar que o sepultaria em Canaã, com seus pais, e se inclinou em adoração (Gn 47.29-31 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Depois adotou os dois filhos de José, Manassés e Efraim, como seus. Ao abençoá-los, cruzou as mãos e pôs a direita sobre Efraim, o mais novo, explicando a José que sabia o que fazia — o mais novo seria maior (Gn 48.5,13-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Nessa bênção, falou do Deus que o pastoreara desde que nascera e do Anjo que o redimira de todo mal (Gn 48.15-16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Reuniu então os doze filhos e falou sobre o futuro de cada um (Gn 49.1-27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A Judá anunciou que o cetro não se afastaria dele até que viesse aquele a quem pertence, a quem os povos obedeceriam (Gn 49.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). No meio das bênçãos, deixou escapar uma oração: esperava a salvação do Senhor (Gn 49.18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Por fim, mandou que o sepultassem na caverna de Macpela, recolheu os pés na cama, expirou e foi reunido ao seu povo (Gn 49.29-33 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

José mandou embalsamá-lo, e os egípcios o prantearam setenta dias. Um grande cortejo levou seu corpo a Canaã, e seus filhos o sepultaram em Macpela, como ele pedira (Gn 50.1-13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Fé e fraquezas

A Bíblia não idealiza Jacó. Ele explorou a fraqueza do irmão (Gn 25.31-33 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), mentiu ao pai cego, usando até o nome de Deus no engano (Gn 27.19-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), repetiu o favoritismo dos pais (Gn 37.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e se mostrou passivo diante da violência dentro da própria casa (Gn 34.30 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E colheu o que semeou: foi enganado por Labão e, depois, pelos próprios filhos (Gn 29.25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gn 37.31-33 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Ao mesmo tempo, Jacó valorizou a bênção de Deus, ainda que a buscasse de modo errado; perseverou em anos de trabalho duro (Gn 31.38-40 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); orou com humildade diante do perigo (Gn 32.9-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); agarrou-se a Deus pedindo a bênção (Gn 32.26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); levantou altares e livrou a casa dos ídolos (Gn 35.2-7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); e morreu na fé, abençoando os filhos e adorando a Deus (Hb 11.21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Sua vida é a história de como Deus transforma, aos poucos e pela graça, um suplantador em Israel. A mudança não veio de um mérito que ele tivesse: Deus o escolheu antes que nascesse (Rm 9.11-13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e cumpriu a promessa de não abandoná-lo (Gn 28.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Legado

Jacó deu nome ao povo de Deus: seus doze filhos tornaram-se as doze tribos de Israel, e Deus passou a ser chamado o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó (Êx 3.6). Os profetas usam "Jacó" como nome do próprio povo, a quem Deus chama de servo escolhido (Is 41.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e Oseias relembra sua luta com Deus como exemplo para Israel (Os 12.2-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

No Novo Testamento, Jacó está na genealogia de Jesus (Mt 1.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Lc 3.34 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e entre os que estarão à mesa no Reino (Mt 8.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O poço que ele deu aos seus descendentes em Sicar foi o cenário do encontro de Jesus com a samaritana (Jo 4.5-6,12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e um poço tradicionalmente identificado com ele existe até hoje perto de Nablus. Estêvão recorda sua descida ao Egito (At 7.8-16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), Paulo cita sua eleição como exemplo da graça (Rm 9.10-13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e Hebreus o coloca entre os heróis da fé (Hb 11.9,20-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Fora da Bíblia, a tradição localiza seu túmulo na chamada Caverna dos Patriarcas, em Hebrom.

Conexão com Cristo

O próprio Jesus fez a ligação mais direta com a vida de Jacó. Ao chamar Natanael, a quem descreveu como verdadeiro israelita em quem não havia engano, prometeu que ele veria o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem (Jo 1.47-51 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A escada de Betel (Gn 28.12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) encontra seu cumprimento em Jesus: ele é a ligação entre o céu e a terra, a verdadeira casa de Deus e porta dos céus (Gn 28.17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), o único mediador entre Deus e os homens (1Tm 2.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E o contraste com Natanael, um israelita sem engano, ao lado do Jacó enganador, sugere — com moderação — que em Cristo se forma o verdadeiro Israel.

A bênção de Jacó a Judá anuncia o Messias: o cetro não se afastaria de Judá até que viesse aquele a quem pertence, e a ele os povos obedeceriam (Gn 49.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O sentido exato da palavra traduzida em algumas versões por "Siló" é discutido, mas a tradição judaica antiga e a cristã leram o texto como profecia messiânica. Jesus nasceu da tribo de Judá (Hb 7.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e é chamado o Leão da tribo de Judá, que venceu (Ap 5.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Da mesma forma, a profecia de Balaão sobre uma estrela que procederia de Jacó (Nm 24.17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) foi associada à estrela que guiou os magos até o Rei dos judeus (Mt 2.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E o anjo anunciou a Maria que o filho dela reinaria para sempre sobre a casa de Jacó (Lc 1.32-33 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Em Peniel, Jacó disse ter visto Deus face a face e sobrevivido (Gn 32.30 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Muitos intérpretes cristãos viram no homem que lutou com ele uma manifestação do Filho antes da encarnação — uma interpretação antiga, que se apresenta com moderação. De todo modo, o Novo Testamento afirma que ninguém jamais viu a Deus, e que o Filho unigênito é quem o revelou (Jo 1.18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O que Jacó viveu numa noite de luta, a igreja contempla na face de Jesus Cristo (2Co 4.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E a bênção recebida por um homem ferido e manco aponta para a graça que se aperfeiçoa na fraqueza (2Co 12.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A eleição de Jacó, anunciada antes que ele nascesse ou fizesse bem ou mal, é usada por Paulo para mostrar que a salvação depende daquele que chama, e não das obras (Rm 9.11-13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Deus que escolheu e transformou o enganador é o mesmo que, em Cristo, veio chamar pecadores ao arrependimento (Lc 5.32 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e por meio de quem, como Paulo anuncia, o Libertador afastará de Jacó as impiedades (Rm 11.26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

No fim da vida, Jacó falou do Anjo que o redimira de todo mal (Gn 48.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), usando a palavra hebraica que designa o parente resgatador. Esse resgate encontra plenitude em Cristo, que se entregou para nos remir de toda iniquidade (Tt 2.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E quando a samaritana perguntou a Jesus se ele era maior que o pai Jacó, que dera aquele poço, Jesus respondeu oferecendo uma água que mata a sede para sempre (Jo 4.12-14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Sim, ele é maior: o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, a quem todos vivem, revelou-se plenamente no Filho (Mt 22.32 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Hb 1.1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Livros onde aparece

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