Antigo Testamento · Outros
Jó
- Significado do nome
Etimologia incerta; algumas propostas relacionam o nome a "onde está o pai?" e outras a "perseguido", a partir de uma raiz hebraica ligada à hostilidade; a Bíblia não explica o nome
- Posição / vínculo com a Bíblia
Homem íntegro e reto da terra de Uz, que temia a Deus e foi provado com a perda dos bens, dos filhos e da saúde; o livro que leva seu nome trata do sofrimento do justo, e a Escritura o lembra como exemplo de justiça e de perseverança (Jó 1.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Jó 42.10-17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Ez 14.14,20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Tg 5.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))
- Nascimento
Provavelmente na terra de Uz, a leste de Canaã, numa época que muitos situam no período patriarcal (Jó 1.1,3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))
- Morte
Velho e farto de dias, cento e quarenta anos depois de sua restauração (Jó 42.16-17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))
- Testamento
Antigo Testamento
- Grupo
Outros
Síntese histórica
Jó vivia na terra de Uz e era o homem mais rico e respeitado do Oriente: íntegro, reto, temente a Deus e afastado do mal (Jó 1.1-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O livro revela ao leitor uma cena que Jó nunca conheceu: diante de Deus, Satanás acusou-o de servir a Deus apenas por interesse, e Deus permitiu que ele fosse provado (Jó 1.6-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Jó 2.1-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Num único dia, Jó perdeu os rebanhos, os servos e os dez filhos; depois foi ferido por chagas dolorosas da cabeça aos pés. Ainda assim, adorou a Deus e não pecou com os lábios (Jó 1.13-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Jó 2.7-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Três amigos vieram consolá-lo, mas, convencidos de que todo sofrimento é castigo por pecado, acabaram por acusá-lo. Jó defendeu sua inocência, lamentou, clamou por um mediador e afirmou que o seu Redentor vive (Jó 3–31 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Jó 19.25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Por fim, Deus lhe falou do meio de um redemoinho, e Jó, diante da grandeza do Criador, arrependeu-se no pó e na cinza (Jó 38–42.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Deus repreendeu os amigos, mandou que Jó intercedesse por eles e restaurou-lhe em dobro tudo o que tivera (Jó 42.7-17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Tiago o lembra como exemplo de perseverança e da misericórdia do Senhor (Tg 5.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
História
Contexto e origem
O livro começa apresentando Jó como um homem da terra de Uz, região que costuma ser localizada a leste de Canaã, talvez em Edom ou ao norte, no território dos arameus; sua localização exata é discutida (Jó 1.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Lm 4.21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A Bíblia não informa sua genealogia nem a época em que viveu. Muitos intérpretes situam a história no período dos patriarcas, porque Jó oferecia sacrifícios como chefe de família, sem sacerdotes nem templo, e porque sua riqueza era medida em rebanhos (Jó 1.3,5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A autoria e a data do livro também são desconhecidas: uma antiga tradição judaica o atribuiu a Moisés, enquanto muitos estudiosos o datam de séculos depois. Profetas e apóstolos, de todo modo, referem-se a Jó como pessoa real (Ez 14.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Tg 5.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Jó tinha sete filhos e três filhas, e possuía sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois, quinhentas jumentas e muitos servos; era o maior de todos os homens do Oriente (Jó 1.2-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Seus filhos costumavam dar banquetes nas casas uns dos outros, e, terminados os dias de festa, Jó se levantava cedo e oferecia holocaustos por cada um, pensando que talvez tivessem pecado e blasfemado contra Deus em seu coração (Jó 1.4-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ele vivia não só para cumprir os próprios deveres, mas também intercedendo pelos filhos.
A acusação
O leitor é levado, então, a uma cena celestial. Os filhos de Deus vieram apresentar-se diante do Senhor, e entre eles veio também Satanás, palavra que em hebraico significa "o acusador" ou "o adversário" (Jó 1.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Deus lhe perguntou se havia reparado em seu servo Jó, sem igual na terra, íntegro e reto. Satanás respondeu com uma pergunta: seria por nada que Jó temia a Deus? Deus o havia protegido e abençoado; se lhe tirasse tudo, Jó o amaldiçoaria (Jó 1.8-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Deus permitiu que Satanás tocasse em tudo o que Jó possuía, mas não nele mesmo (Jó 1.12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
A acusação toca no centro da fé: alguém pode amar a Deus por quem ele é, e não pelo que ele dá? A prova de Jó responderá a essa pergunta. E Jó nunca ficará sabendo dessa cena; toda a sua luta acontecerá sem que ele conheça o motivo do que sofre.
O dia das perdas
Num mesmo dia, uma sequência de mensageiros chegou à casa de Jó. Os sabeus haviam levado os bois e as jumentas e matado os servos; fogo caíra do céu e queimara as ovelhas e os pastores; os caldeus haviam levado os camelos e matado os servos; e, por fim, um vento forte derrubara a casa onde os seus filhos e filhas festejavam, e todos tinham morrido (Jó 1.13-19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Jó levantou-se, rasgou o manto, rapou a cabeça, lançou-se em terra e adorou. Disse que saíra nu do ventre de sua mãe e nu voltaria; o Senhor dera e o Senhor tirara; bendito fosse o nome do Senhor. O texto conclui que, em tudo isso, Jó não pecou nem atribuiu a Deus falta alguma (Jó 1.20-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
A segunda prova
Numa nova cena celestial, Deus lembrou a Satanás que Jó permanecia íntegro, embora tivesse sido provado sem motivo. Satanás respondeu que um homem dá tudo para salvar a própria vida: se Deus tocasse em seus ossos e em sua carne, Jó o amaldiçoaria. Deus permitiu, mas mandou que lhe poupasse a vida (Jó 2.1-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Jó foi ferido com chagas malignas da planta dos pés ao alto da cabeça. Sentado no meio da cinza, raspava as feridas com um caco de barro (Jó 2.7-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Sua mulher lhe perguntou se ainda conservava a sua integridade, e lhe disse que amaldiçoasse a Deus e morresse. Jó respondeu que ela falava como uma insensata: se aceitavam de Deus o bem, não aceitariam também o mal? Mais uma vez, o texto diz que ele não pecou com os seus lábios (Jó 2.9-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Os amigos
Três amigos de Jó — Elifaz, de Temã; Bildade, de Suá; e Zofar, de Naamá — souberam do ocorrido e combinaram ir consolá-lo. Quando o viram de longe, não o reconheceram; choraram em alta voz, rasgaram os mantos, lançaram pó sobre a cabeça e ficaram sentados com ele no chão por sete dias e sete noites, sem dizer uma palavra, porque viam que a sua dor era muito grande (Jó 2.11-13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O silêncio dos amigos foi, talvez, o melhor consolo que lhe deram.
O lamento
Depois de sete dias, Jó abriu a boca e amaldiçoou o dia do seu nascimento. Perguntou por que não morrera ao nascer, por que se dá luz ao que sofre e vida aos amargurados de alma, que esperam a morte e ela não vem (Jó 3.1-26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Jó não amaldiçoou a Deus, como Satanás previra, mas derramou diante dele uma dor sem disfarce. O lamento de Jó, como o de muitos salmos, mostra que a fé verdadeira não exige que o sofredor finja não sofrer.
O debate
Seguem-se três ciclos de discursos, em que os amigos falam e Jó responde (Jó 4–27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os amigos partem de uma convicção comum: Deus é justo, recompensa os bons e castiga os maus; logo, se Jó sofre tanto, deve ter pecado. Elifaz pergunta se algum inocente já pereceu (Jó 4.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); Bildade afirma que, se Jó fosse puro, Deus o restauraria (Jó 8.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); Zofar chega a dizer que Deus lhe cobrava menos do que a sua culpa merecia (Jó 11.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). À medida que o debate avança, as palavras dos amigos se tornam mais duras, e Elifaz acaba atribuindo a Jó pecados que ele não cometera (Jó 22.5-9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Jó rejeita essa explicação. Insiste que não sofre por causa de um pecado escondido, chama os amigos de consoladores molestos e médicos que nada valem (Jó 13.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Jó 16.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e prefere falar diretamente com Deus (Jó 13.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Em meio à dor, suas palavras oscilam entre a queixa e a esperança. Por vezes acusa Deus de tratá-lo como inimigo (Jó 13.24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Jó 19.6-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); por outras, expressa uma confiança obstinada. Lamenta não haver um árbitro entre ele e Deus que pusesse a mão sobre ambos (Jó 9.32-33 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); depois afirma que tem uma testemunha no céu, que advoga a sua causa diante de Deus (Jó 16.19-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E, no ponto mais alto da sua esperança, declara que sabe que o seu Redentor vive e que, por fim, se levantará sobre a terra; e que, depois de consumida a sua pele, ainda em sua carne verá a Deus, com os próprios olhos (Jó 19.25-27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O texto hebraico desses versículos é difícil e admite diferentes traduções, mas a confiança de Jó num defensor que vive é clara.
A sabedoria e a última defesa
O capítulo 28 interrompe o debate com um poema sobre a sabedoria. O homem sabe escavar minas e extrair metais preciosos das profundezas, mas não sabe onde encontrar a sabedoria; só Deus conhece o seu caminho. E o poema conclui que o temor do Senhor é a sabedoria, e apartar-se do mal é o entendimento (Jó 28.1-28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Jó encerra suas falas recordando os dias em que Deus o guardava, em que era respeitado por todos e ajudava o pobre, o órfão e a viúva (Jó 29.1-25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); contrasta esse passado com a humilhação presente (Jó 30.1-31 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); e faz um longo juramento de inocência, declarando que fizera aliança com os seus olhos, que não fora injusto com os servos, que não se alegrara com a desgraça do inimigo e que não negara pão ao necessitado (Jó 31.1-40 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Termina pedindo que Deus lhe responda.
Eliú
Surge então um jovem chamado Eliú, que ouvira tudo calado e estava indignado com Jó, por justificar a si mesmo mais do que a Deus, e com os três amigos, por condenarem Jó sem conseguir responder-lhe (Jó 32.1-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Em quatro discursos, Eliú afirma que Deus fala aos homens de várias maneiras, inclusive pelo sofrimento, para livrá-los do orgulho e da ruína, e que Deus é grande demais para ser acusado de injustiça (Jó 33.14-30 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Jó 36.22-26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Jó 37.23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ninguém lhe responde, e o texto não volta a mencioná-lo.
Deus fala do redemoinho
Por fim, o Senhor respondeu a Jó do meio de um redemoinho. Perguntou quem era aquele que escurecia o seu conselho com palavras sem conhecimento, e passou a fazer-lhe perguntas: onde estava Jó quando Deus fundava a terra? Quem fixou os limites do mar, quem dá ordens à manhã, quem conhece os caminhos da luz, da neve e da chuva, quem alimenta os filhotes do corvo e dá força ao cavalo? (Jó 38.1–39.30 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Jó respondeu que era insignificante e pôs a mão sobre a boca (Jó 40.3-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Deus voltou a falar, perguntando se Jó anularia o seu juízo e o condenaria para se justificar, e descreveu o beemote e o leviatã, criaturas poderosas que só o Criador domina (Jó 40.6–41.34 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Deus não explicou a Jó a razão do seu sofrimento, nem mencionou a cena com Satanás. Em vez de respostas, ofereceu a si mesmo: sua grandeza, sua sabedoria e seu cuidado com toda a criação.
Jó respondeu que reconhecia que Deus tudo pode e que nenhum dos seus planos pode ser frustrado; admitiu que falara de coisas que não entendia, maravilhosas demais para ele. E acrescentou: antes, conhecia Deus só de ouvir falar; agora, os seus olhos o viam. Por isso se retratava e se arrependia no pó e na cinza (Jó 42.1-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
A restauração
Então o Senhor falou a Elifaz e disse que a sua ira se acendera contra ele e os dois amigos, porque não tinham falado dele o que era reto, como o seu servo Jó. Mandou que levassem sacrifícios a Jó, e que Jó orasse por eles, pois Deus o atenderia (Jó 42.7-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os amigos obedeceram, e o Senhor aceitou a oração de Jó (Jó 42.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Quando Jó orou pelos seus amigos, o Senhor mudou a sua sorte e lhe deu o dobro de tudo o que antes possuíra (Jó 42.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Irmãos, irmãs e antigos conhecidos vieram comer com ele, consolaram-no por todo o mal que o Senhor permitira que lhe sobreviesse, e cada um lhe deu uma moeda e um anel de ouro (Jó 42.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Senhor abençoou o fim da vida de Jó mais do que o princípio: ele passou a ter catorze mil ovelhas, seis mil camelos, mil juntas de bois e mil jumentas, e teve outros sete filhos e três filhas (Jó 42.12-13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O texto nomeia as filhas — Jemima, Quézia e Quéren-Hapuque —, diz que não havia em toda a terra mulheres tão belas e que Jó lhes deu herança entre os irmãos, algo incomum para a época (Jó 42.14-15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Depois disso, Jó viveu cento e quarenta anos, viu filhos e netos até a quarta geração e morreu velho e farto de dias (Jó 42.16-17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Fé e fraquezas
A fé de Jó se mostra antes de tudo na adoração em meio à perda: diante da notícia da morte dos filhos, prostrou-se e bendisse o nome do Senhor (Jó 1.20-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ele não amaldiçoou a Deus, como esperavam Satanás e sua própria mulher (Jó 2.9-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e manteve a sua integridade quando todos a punham em dúvida (Jó 27.5-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Mesmo nos discursos mais amargos, Jó continuou falando com Deus e esperando por ele, em vez de abandoná-lo.
Ao mesmo tempo, o próprio livro registra que Jó, na angústia, justificou a si mesmo mais do que a Deus (Jó 32.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e falou de coisas que não entendia (Jó 38.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Jó 42.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), chegando a acusar Deus de injustiça (Jó 19.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Jó 27.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Diante de Deus, ele reconheceu isso e se arrependeu (Jó 42.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Mesmo assim, Deus declarou que Jó falara dele o que era reto, ao contrário dos amigos (Jó 42.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)): a queixa honesta de quem busca a Deus foi aceita, enquanto a teologia aparentemente correta, mas usada para condenar um inocente, foi repreendida.
Legado
Ezequiel cita Jó ao lado de Noé e Daniel como exemplos de homens justos (Ez 14.14,20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Tiago lembra aos cristãos que sofrem a perseverança de Jó e o fim que o Senhor lhe deu, porque o Senhor é cheio de compaixão e misericórdia (Tg 5.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O livro de Jó tornou-se uma das obras mais estudadas da literatura mundial sobre o sofrimento, e a expressão "paciência de Jó" entrou no vocabulário popular. A tradução grega antiga do livro acrescentou ao final uma nota identificando Jó com Jobabe, rei de Edom (Gn 36.33 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), mas essa identificação pertence à tradição e não ao texto hebraico.
Conexão com Cristo
No meio da sua dor, Jó desejou três coisas que só encontram plena resposta em Cristo. Lamentou não haver um árbitro que pusesse a mão sobre Deus e sobre ele (Jó 9.33 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); afirmou ter uma testemunha no céu que defenderia a sua causa diante de Deus (Jó 16.19-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); e declarou que o seu Redentor vive (Jó 19.25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Novo Testamento anuncia esse mediador: há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem (1Tm 2.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); temos um advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo (1Jo 2.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); e ele vive para sempre para interceder pelos que por ele se aproximam de Deus (Hb 7.25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Aquele que esteve morto e agora vive pelos séculos dos séculos (Ap 1.18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) é o Redentor que Jó esperava.
A esperança de Jó de ver a Deus em sua própria carne, depois de consumida a sua pele (Jó 19.26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e a sua pergunta sobre se o homem, depois de morrer, voltaria a viver (Jó 14.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), encontram resposta na ressurreição. Jesus é a ressurreição e a vida (Jo 11.25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e a sua ressurreição é a garantia de que os que pertencem a ele também ressuscitarão em corpos transformados (1Co 15.20-23,42-44 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Jó sofreu sem motivo aparente e foi tratado pelos amigos como alguém castigado por Deus. Pode-se ver nisso, com moderação, uma sombra do Servo sofredor, que muitos consideraram ferido e oprimido por Deus, quando na verdade carregava as dores e os pecados de outros (Is 53.4-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Há, porém, uma diferença decisiva: Jó era íntegro, mas não sem pecado, e se arrependeu (Jó 42.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); Cristo não cometeu pecado algum, e, quando insultado, não revidava, mas se entregava àquele que julga com justiça (1Pe 2.22-23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
O acusador que questionou a fé de Jó diante de Deus (Jó 1.9-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) foi vencido em Cristo. O Apocalipse anuncia que foi lançado fora o acusador dos irmãos, que os acusava dia e noite diante de Deus, e que eles o venceram pelo sangue do Cordeiro (Ap 12.10-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Por isso Paulo pode perguntar quem acusará os escolhidos de Deus, se é Cristo quem morreu, ressuscitou e intercede por nós (Rm 8.33-34 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Por fim, a restauração de Jó começou quando ele orou pelos amigos que o haviam ferido (Jó 42.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Cristo foi além: na cruz, orou por aqueles que o crucificavam (Lc 23.34 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E o fim que o Senhor deu a Jó, lembrado por Tiago como prova da compaixão de Deus (Tg 5.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), aponta para a glória que Deus prepara para os que sofrem com Cristo, uma glória que supera em muito as aflições do tempo presente (Rm 8.18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 2Co 4.17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
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