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Novo Testamento · Apóstolos e discípulos

José de Arimateia

Significado do nome

José significa "que ele acrescente" (Gn 30.24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); Arimateia indica a sua cidade de origem, provavelmente a antiga Ramataim-Zofim, terra do profeta Samuel (1Sm 1.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

Posição / vínculo com a Bíblia

Homem rico, membro respeitado do Sinédrio e discípulo de Jesus, que não concordou com a condenação do Mestre e, depois da crucificação, pediu a Pilatos o corpo e o sepultou em seu próprio túmulo novo

Nascimento

Provavelmente em Arimateia, na Judeia, no início do século I d.C.

Testamento

Novo Testamento

Grupo

Apóstolos e discípulos

Síntese histórica

José era natural de Arimateia, uma cidade da Judeia (Lc 23.51 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os quatro Evangelhos o mencionam apenas no fim da história de Jesus, e cada um acrescenta um traço ao seu retrato: era rico (Mt 27.57 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), membro ilustre do conselho, o Sinédrio, e esperava o Reino de Deus (Mc 15.43 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); era homem bom e justo, que não tinha consentido com a decisão nem com os atos dos seus colegas contra Jesus (Lc 23.50-51 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); e era discípulo de Jesus, mas em segredo, por medo dos judeus (Jo 19.38 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Na tarde da crucificação, quando os discípulos mais próximos estavam escondidos, José foi com coragem até Pilatos e pediu o corpo de Jesus (Mc 15.43 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Com a ajuda de Nicodemos, tirou-o da cruz, envolveu-o em lençóis de linho com especiarias e o colocou num túmulo novo, cavado na rocha, que lhe pertencia, num jardim perto do lugar da crucificação. Rolou uma grande pedra para fechar a entrada (Mt 27.59-60 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Jo 19.39-42 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O sepulcro que ele ofereceu ficaria vazio na manhã do terceiro dia.

História

Contexto e origem

Lucas apresenta Arimateia como uma cidade dos judeus (Lc 23.51 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Sua localização exata é incerta, mas muitos estudiosos a identificam com Ramataim-Zofim, ou Ramá, nas colinas de Efraim, a cidade de Elcana e de Ana, onde nasceu o profeta Samuel (1Sm 1.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 1Sm 1.19-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A forma grega do nome se aproxima dessa antiga designação hebraica.

José morava, ao que tudo indica, em Jerusalém, onde possuía um túmulo e fazia parte do conselho. O Sinédrio, presidido pelo sumo sacerdote, reunia principais sacerdotes, anciãos e escribas, e era a mais alta autoridade judaica sob o domínio romano (Mc 14.53 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Mc 15.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ter um túmulo escavado na rocha, perto da cidade, era sinal de riqueza, pois esse tipo de sepulcro custava caro e costumava servir a várias gerações de uma família. A Bíblia não informa nada sobre sua idade, sua família ou o momento em que conheceu Jesus.

Um discípulo em segredo

João afirma que José era discípulo de Jesus, mas oculto, por medo dos judeus (Jo 19.38 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Não era o único. O mesmo evangelista registra que muitos dos principais creram em Jesus, mas não o confessavam por causa dos fariseus, para não serem expulsos da sinagoga, porque amavam mais a glória dos homens do que a glória de Deus (Jo 12.42-43 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Para um membro do Sinédrio, declarar-se seguidor de Jesus significava arriscar posição, reputação e convivência.

Ainda assim, José não se calou totalmente. Lucas registra que ele não havia concordado com a decisão nem com os atos do conselho contra Jesus (Lc 23.51 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O texto não diz se ele esteve presente à reunião da noite da prisão, se votou contra ou se simplesmente não participou. Marcos afirma que, no julgamento, todos condenaram Jesus como réu de morte (Mc 14.64 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), o que leva muitos intérpretes a pensar que José não estava presente naquela sessão. A Escritura, porém, não esclarece esse ponto.

Marcos e Lucas acrescentam que José esperava o Reino de Deus (Mc 15.43 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Lc 23.51 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), como Simeão, que aguardava a consolação de Israel, e Ana, que falava do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém (Lc 2.25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Lc 2.38 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). José pertencia ao grupo dos israelitas piedosos que aguardavam o cumprimento das promessas de Deus.

A coragem diante de Pilatos

Jesus morreu por volta da hora nona, isto é, perto das três horas da tarde (Mc 15.34-37 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Era sexta-feira, o dia da preparação, e o sábado começaria ao pôr do sol (Mc 15.42 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Lc 23.54 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A Lei de Moisés determinava que o corpo de um condenado pendurado num madeiro não ficasse ali durante a noite, mas fosse sepultado no mesmo dia (Dt 21.22-23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os romanos, por sua vez, muitas vezes deixavam os corpos dos crucificados na cruz, ou os lançavam em valas comuns, e entregá-los à família dependia da autorização do governador.

Foi nesse momento que o discípulo oculto deixou o esconderijo. Marcos destaca que José foi com ousadia até Pilatos e pediu o corpo de Jesus (Mc 15.43 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O pedido o identificava publicamente com um homem condenado por blasfêmia pelo seu próprio conselho e executado por Roma como pretenso rei. Pilatos admirou-se de que Jesus já estivesse morto, chamou o centurião para confirmar a morte e, depois de ouvir o relato, cedeu o corpo a José (Mc 15.44-45 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O sepultamento

José comprou um lençol de linho, tirou o corpo da cruz e o envolveu nele (Mc 15.46 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). João acrescenta que Nicodemos, aquele que antes fora a Jesus de noite, juntou-se a ele, trazendo cerca de cem libras de uma mistura de mirra e aloés, e que os dois envolveram o corpo em faixas de linho com as especiarias, segundo o costume judaico de sepultar (Jo 19.39-40 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A quantidade de especiarias, de mais de trinta quilos, era própria de um sepultamento régio (2Cr 16.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Havia um jardim no lugar onde Jesus foi crucificado e, nele, um sepulcro novo, onde ninguém ainda tinha sido posto (Jo 19.41 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Lc 23.53 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Mateus informa que o túmulo pertencia ao próprio José, que o mandara cavar na rocha (Mt 27.60 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Por causa da preparação do sábado e da proximidade do túmulo, colocaram Jesus ali (Jo 19.42 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). José rolou uma grande pedra para fechar a entrada do sepulcro e retirou-se (Mt 27.60 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Mc 15.46 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Maria Madalena e a outra Maria estavam sentadas diante do sepulcro e observaram onde o corpo foi colocado (Mt 27.61 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Mc 15.47 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). As mulheres que tinham vindo da Galileia voltaram para preparar aromas e bálsamos, e descansaram no sábado, segundo o mandamento (Lc 23.55-56 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O sepulcro vazio

Na manhã do primeiro dia da semana, as mulheres foram ao túmulo de José e encontraram a pedra removida e o sepulcro vazio (Mc 16.1-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Lc 24.1-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O túmulo que José havia preparado para si mesmo serviu ao Senhor apenas por pouco tempo. A Escritura não volta a mencionar José de Arimateia depois do sepultamento e não registra como ele reagiu à notícia da ressurreição.

Por que o sepultamento importa

O sepultamento de Jesus faz parte do núcleo do evangelho. Paulo, ao resumir a mensagem que recebera e transmitira, afirmou que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, que foi sepultado e que ressuscitou ao terceiro dia (1Co 15.3-4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O sepultamento confirma a realidade da morte e dá peso histórico à ressurreição. O fato de o corpo ter sido posto num túmulo conhecido, pertencente a um membro identificado do Sinédrio, e de as mulheres terem visto o local, tornava possível verificar que o sepulcro estava de fato vazio.

A tradição posterior

O lugar do túmulo é tradicionalmente identificado com a área da Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, venerada desde o século IV. No século XIX, alguns propuseram outro local, conhecido como Jardim do Túmulo, mas a maioria dos arqueólogos considera mais provável a localização tradicional. A Escritura não indica o lugar exato.

Um texto apócrifo dos séculos IV ou V, o Evangelho de Nicodemos, conta que José foi preso pelos líderes judeus e libertado milagrosamente pelo Cristo ressuscitado. Na Idade Média, lendas inglesas e francesas o levaram à Britânia, à região de Glastonbury, e o ligaram à lenda do Santo Graal, a taça da última ceia que ele teria guardado. Essas narrativas não têm nenhum apoio histórico e devem ser recebidas apenas como tradição e literatura.

Fé e fraquezas

José de Arimateia mostra uma fé que começou tímida e terminou corajosa. Durante o ministério de Jesus, preferiu o silêncio por medo (Jo 19.38 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Mas, quando tudo parecia perdido, quando os discípulos tinham fugido e o Mestre estava morto, deu um passo público de lealdade, arriscando posição e reputação. Sua história ensina que nunca é tarde para assumir publicamente o compromisso com Cristo, e que a cruz, que fez muitos fugirem, fez outros saírem do esconderijo. Ensina também que os recursos materiais, quando consagrados a Deus, podem servir aos seus propósitos de maneiras inesperadas.

Conexão com Cristo

O sepultamento feito por José cumpre a profecia do Servo sofredor. Isaías anunciou que designaram a sua sepultura com os perversos, mas que ele esteve com o rico na sua morte (Is 53.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Jesus foi executado como criminoso, entre dois malfeitores, e esperava-se que fosse lançado numa vala comum; mas foi posto no túmulo de um homem rico. Deus guiou cada detalhe da morte do seu Filho.

O túmulo novo, em que ninguém havia sido posto (Lc 23.53 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), reflete a singularidade de quem ali foi sepultado. Assim como o jumentinho em que nenhum homem havia montado foi reservado para a entrada do Rei em Jerusalém (Lc 19.30 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), o sepulcro novo foi reservado para o seu corpo. E porque nenhum outro corpo estava ali, não havia como confundir: o túmulo vazio só podia significar a ressurreição daquele que ali fora deixado.

O sepultamento é também o sinal de Jonas que Jesus havia prometido: assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre do grande peixe, o Filho do Homem estaria no coração da terra (Mt 12.40 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Jesus explicara que, se o grão de trigo não cai na terra e morre, fica só; mas, se morre, dá muito fruto (Jo 12.24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). José ajudou a plantar na terra a semente da qual brotaria a nova criação. Pode-se ver, inclusive, no sepulcro aberto num jardim, um eco do jardim do princípio: onde o primeiro Adão trouxe a morte, o último Adão vence a morte (1Co 15.21-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Por fim, José esperava o Reino de Deus (Mc 15.43 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e foi justamente no túmulo que ele ofereceu que esse Reino irrompeu com poder. O Rei que ele sepultou como morto ressuscitou e vive para sempre (Ap 1.18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). José emprestou a Cristo o seu túmulo por três dias; Cristo, em troca, oferece a todo o que nele crê a vitória definitiva sobre o túmulo (Jo 11.25-26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 1Co 15.54-57 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Livros onde aparece

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