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Novo Testamento · Apóstolos e discípulos

Lázaro de Betânia

Outros nomes

Lázaro, irmão de Marta e de Maria (Jo 11.1-2)

Significado do nome

"Deus ajudou" ou "Deus é auxílio"; Lázaro é a forma grega do hebraico Eleazar (Êx 6.23)

Posição / vínculo com a Bíblia

Amigo de Jesus, irmão de Marta e de Maria, a quem o Senhor ressuscitou depois de quatro dias no sepulcro, no maior dos sinais narrados por João, que precipitou a decisão das autoridades de matar Jesus

Nascimento

Provavelmente em Betânia, na Judeia, no início do século I d.C.

Morte

Segundo a tradição oriental, em Cítio, atual Larnaca, na ilha de Chipre, onde teria sido bispo; a Escritura não registra local nem data

Testamento

Novo Testamento

Grupo

Apóstolos e discípulos

Síntese histórica

Lázaro vivia em Betânia, aldeia próxima de Jerusalém, com suas irmãs Marta e Maria (Jo 11.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Jesus o amava, e o chamava de amigo (Jo 11.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Jo 11.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Quando ele adoeceu e morreu, Jesus chegou a Betânia quatro dias depois do sepultamento, chorou diante da dor da família e, junto ao túmulo, chamou-o em alta voz para fora. Lázaro saiu vivo, ainda envolto nas faixas do sepultamento (Jo 11.17-44 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O milagre levou muitos a crer em Jesus, mas também levou o Sinédrio a decidir a sua morte (Jo 11.45-53 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Pouco depois, Lázaro estava à mesa com o Senhor, numa ceia em Betânia, e os principais sacerdotes resolveram matá-lo também, porque por causa dele muitos criam em Jesus (Jo 12.1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Jo 12.9-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A Escritura não registra nenhuma palavra de Lázaro. Sua vida fala por si: ele é o testemunho vivo de que Jesus é a ressurreição e a vida (Jo 11.25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

História

Contexto e origem

Betânia ficava na encosta oriental do monte das Oliveiras, a cerca de quinze estádios de Jerusalém, isto é, a pouco menos de três quilômetros (Jo 11.18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Jesus costumava hospedar-se ali, sobretudo na última semana antes da cruz (Mt 21.17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Mc 11.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A Bíblia não diz nada sobre os pais de Lázaro nem informa sua idade ou profissão, e também não diz se ele era casado.

Seu nome era a forma abreviada e grega de Eleazar, nome do filho de Arão e de vários sacerdotes de Israel (Êx 6.23; Nm 20.28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Significa "Deus ajudou", sentido que ganha especial força à luz do que aconteceu com ele. Lázaro de Betânia não deve ser confundido com o Lázaro pobre da parábola que Jesus contou sobre o rico e o mendigo (Lc 16.19-31 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), personagem de uma história ilustrativa e não de um relato biográfico.

A enfermidade

João apresenta Lázaro a partir de suas irmãs: era de Betânia, a aldeia de Maria e de Marta (Jo 11.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Quando ele adoeceu, as irmãs mandaram um recado a Jesus, que estava além do Jordão: aquele a quem ele amava estava enfermo (Jo 11.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Jo 10.40 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Não pediram nada explicitamente; confiaram que o amor de Jesus bastava como pedido.

A resposta de Jesus surpreende. Disse que aquela enfermidade não era para morte, mas para a glória de Deus, para que o Filho de Deus fosse glorificado por meio dela (Jo 11.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E, embora amasse Marta, Maria e Lázaro, permaneceu ainda dois dias onde estava (Jo 11.5-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O evangelista coloca lado a lado o amor de Jesus e a demora, ensinando que a espera não significava indiferença.

A decisão de voltar à Judeia

Depois dos dois dias, Jesus anunciou aos discípulos que voltaria à Judeia. Eles lembraram que, pouco antes, os judeus queriam apedrejá-lo ali (Jo 11.7-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Jo 10.31 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Jesus explicou que Lázaro, o amigo deles, adormecera, e que ia despertá-lo. Os discípulos entenderam que se tratava de sono comum, e Jesus então disse claramente que Lázaro havia morrido, e que se alegrava, por causa deles, de não ter estado lá, para que cressem (Jo 11.11-15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Tomé, chamado Dídimo, propôs aos outros que fossem também, para morrerem com o Mestre (Jo 11.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A volta a Betânia era, desde o início, um caminho em direção ao perigo.

Quatro dias no sepulcro

Quando Jesus chegou, Lázaro estava sepultado havia quatro dias (Jo 11.17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O detalhe é importante: não havia dúvida sobre a morte. Uma tradição judaica registrada em escritos rabínicos posteriores dizia que a alma permanecia perto do corpo por três dias, e que no quarto a morte se tornava definitiva. Seja qual for o peso dessa crença no século I, o texto deixa claro que, humanamente, não havia mais esperança, como a própria Marta lembrou ao dizer que o corpo já cheirava mal (Jo 11.39 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Muitos judeus tinham vindo de Jerusalém consolar as irmãs (Jo 11.19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Marta saiu ao encontro de Jesus e ouviu dele a declaração de que ele é a ressurreição e a vida, e que quem nele crê, ainda que morra, viverá (Jo 11.20-27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Maria veio depois, prostrou-se a seus pés e chorou, e Jesus, comovido, também chorou. Os presentes comentaram como ele amava Lázaro (Jo 11.32-36 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O chamado para fora

O túmulo era uma gruta fechada com uma pedra. Jesus mandou que a tirassem, lembrou a Marta que, se cresse, veria a glória de Deus, e, erguendo os olhos, agradeceu ao Pai por tê-lo ouvido, dizendo que falava assim por causa da multidão, para que cressem que o Pai o havia enviado (Jo 11.38-42 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Então clamou em alta voz: "Lázaro, vem para fora!" (Jo 11.43 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O morto saiu, com os pés e as mãos atados com faixas e o rosto envolto num lenço, e Jesus mandou que o desatassem e o deixassem ir (Jo 11.44 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O relato é sóbrio. Não descreve o que Lázaro viu ou sentiu, nem registra nenhuma palavra sua. A Escritura silencia sobre isso, e a biografia também deve silenciar.

As consequências do milagre

Muitos dos judeus que tinham vindo visitar Maria creram em Jesus; outros foram contar aos fariseus o que ele havia feito (Jo 11.45-46 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os principais sacerdotes e os fariseus reuniram o Sinédrio, preocupados de que todos cressem nele e de que os romanos viessem destruir o templo e a nação (Jo 11.47-48 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Caifás, o sumo sacerdote daquele ano, afirmou que convinha que um só homem morresse pelo povo. João explica que, sem saber, ele profetizou que Jesus morreria pela nação e para reunir os filhos de Deus dispersos. Daquele dia em diante, resolveram matá-lo (Jo 11.49-53 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e Jesus retirou-se para uma cidade chamada Efraim, perto do deserto (Jo 11.54 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

À mesa com o Senhor

Seis dias antes da Páscoa, Jesus voltou a Betânia. Ofereceram-lhe uma ceia, Marta servia, Maria ungiu os pés de Jesus com perfume, e Lázaro estava entre os que se reclinavam à mesa com ele (Jo 12.1-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O homem que havia estado no túmulo partilhava agora a refeição com aquele que o chamara de volta à vida.

Uma grande multidão soube que Jesus estava ali e foi a Betânia não só por causa dele, mas também para ver Lázaro. Os principais sacerdotes resolveram, então, matar também Lázaro, porque, por causa dele, muitos judeus se afastavam deles e criam em Jesus (Jo 12.9-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). No dia seguinte, quando Jesus entrou em Jerusalém, a multidão que estivera com ele no túmulo de Lázaro dava testemunho do milagre, e foi por isso que muitos saíram ao seu encontro (Jo 12.17-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A Escritura não diz se os sacerdotes chegaram a cumprir esse plano contra Lázaro.

Um sinal, não a ressurreição final

É importante distinguir o que aconteceu com Lázaro e o que aconteceu com Jesus. Lázaro voltou à vida mortal: foi trazido de volta à existência que tinha antes e, um dia, morreria novamente. Jesus, ao ressuscitar, entrou numa vida que a morte não domina mais (Rm 6.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), com o corpo glorioso que é primícias da ressurreição dos que creem (1Co 15.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 1Co 15.42-44 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O próprio detalhe das faixas mostra a diferença: Lázaro saiu do túmulo ainda atado e precisou ser desatado (Jo 11.44 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); no sepulcro de Jesus, os lençóis ficaram para trás, e o lenço da cabeça, enrolado à parte (Jo 20.5-7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Por que só João narra o milagre?

Mateus, Marcos e Lucas não mencionam Lázaro nem a sua ressurreição. Os estudiosos propõem várias explicações, todas hipotéticas: os três primeiros Evangelhos concentram o ministério de Jesus na Galileia, enquanto João dá mais atenção à Judeia; ou talvez os primeiros evangelistas tenham preferido não expor uma família que as autoridades queriam eliminar (Jo 12.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A Escritura não explica essa ausência, e nenhuma dessas hipóteses deve ser apresentada como certeza.

É curioso, porém, que a parábola do rico e de Lázaro, registrada por Lucas, termine com a advertência de que quem não ouve Moisés e os profetas também não se deixará persuadir ainda que alguém ressuscite dentre os mortos (Lc 16.31 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A reação dos principais sacerdotes à volta de Lázaro (Jo 12.10-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) ilustra, de modo impressionante, a verdade dessa advertência.

A tradição posterior

A tradição oriental afirma que Lázaro, perseguido em Jerusalém, foi para a ilha de Chipre, onde se tornou bispo da cidade de Cítio, atual Larnaca, e ali viveu por muitos anos. Uma igreja dedicada a ele ainda existe na cidade, construída sobre um túmulo associado ao seu nome. No Ocidente, uma lenda medieval o levou com as irmãs à Provença, onde teria sido bispo de Marselha. A aldeia de Betânia, por sua vez, passou a ser conhecida em árabe por um nome derivado de Lázaro, e um túmulo tradicional é ali visitado desde os primeiros séculos do cristianismo. Nada disso pertence ao texto bíblico, e deve ser recebido apenas como tradição.

Legado

Lázaro não pregou nenhum sermão registrado nem escreveu nenhum livro, mas sua vida tornou-se uma pregação. O simples fato de estar vivo levava pessoas a crer em Jesus e incomodava os que o rejeitavam (Jo 12.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ele mostra que o testemunho mais forte de um discípulo é a própria vida transformada pelo poder de Cristo, e que essa vida, como a do Mestre, pode despertar tanto a fé quanto a oposição.

Conexão com Cristo

A ressurreição de Lázaro é o sétimo e maior dos sinais narrados por João, e aponta diretamente para a pessoa de Jesus. Antes de chamar Lázaro para fora, o Senhor declarou que ele mesmo é a ressurreição e a vida (Jo 11.25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Já havia ensinado que chegaria a hora em que os mortos ouviriam a voz do Filho de Deus e viveriam, e em que todos os que estão nos túmulos sairiam (Jo 5.25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Jo 5.28-29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Em Betânia, essa promessa ganhou um nome: Lázaro ouviu a voz do Pastor que chama as suas ovelhas pelo nome (Jo 10.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e saiu do túmulo. O mesmo acontecerá com todos os que são de Cristo, quando o Senhor descer do céu com voz de comando e os mortos nele ressuscitarem (1Ts 4.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O milagre também revela o preço da vida que Cristo dá. Foi justamente a ressurreição de Lázaro que levou o Sinédrio a decidir a morte de Jesus, e Caifás profetizou, sem saber, que um homem morreria pelo povo (Jo 11.50-53 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Para devolver a vida ao amigo, Jesus caminhou para a própria morte. Ele é o bom pastor que dá a vida pelas ovelhas (Jo 10.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e Lázaro, sentado à mesa com ele poucos dias antes da cruz, é a imagem dos que recebem a vida porque o Filho entregou a sua.

Por fim, o episódio é uma parábola viva da salvação. A Escritura descreve o ser humano, sem Cristo, como morto em seus delitos e pecados, incapaz de se levantar sozinho; e é Deus quem, por sua grande misericórdia, dá vida juntamente com Cristo (Ef 2.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Ef 2.4-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Como Lázaro, o pecador não colabora com o próprio despertar: apenas ouve a voz que o chama. E, como no túmulo de Betânia, Jesus envolve a comunidade na obra de libertação, mandando que desatem e deixem ir aquele que ele mesmo trouxe à vida (Jo 11.44 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Jo 8.36 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

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