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Novo Testamento · Mulheres da Bíblia · Apóstolos e discípulos

Maria de Betânia

Outros nomes

Maria, irmã de Marta e de Lázaro (Jo 11.1-2)

Significado do nome

Maria é a forma grega de Miriã (Êx 15.20), nome de etimologia incerta

Posição / vínculo com a Bíblia

Discípula e amiga de Jesus, irmã de Marta e de Lázaro, que se assentou aos pés do Senhor para ouvir sua palavra e, poucos dias antes da cruz, o ungiu com perfume precioso para o dia da sua sepultura

Nascimento

Provavelmente em Betânia, na Judeia, no início do século I d.C.

Testamento

Novo Testamento

Grupo

Mulheres da Bíblia · Apóstolos e discípulos

Síntese histórica

Maria vivia em Betânia, aldeia próxima de Jerusalém, com sua irmã Marta e seu irmão Lázaro, e os três eram amados por Jesus (Jo 11.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Jo 11.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os Evangelhos a mostram sempre no mesmo lugar: aos pés do Senhor. Ali ela se assentou para ouvir seu ensino, escolhendo a boa parte que não lhe seria tirada (Lc 10.39-42 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); ali se prostrou, em lágrimas, depois da morte do irmão (Jo 11.32 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); e ali derramou um perfume de grande valor, enxugando os pés de Jesus com os próprios cabelos (Jo 12.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Esse último gesto, feito seis dias antes da Páscoa, foi interpretado pelo próprio Jesus como uma preparação para a sua sepultura, e ele declarou que aquilo seria lembrado onde quer que o evangelho fosse pregado (Jo 12.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Mc 14.8-9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Maria de Betânia não deve ser confundida com Maria Madalena nem com a mulher pecadora de Lucas 7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba). Seu retrato bíblico é o de uma discípula atenta, sensível e generosa, que compreendeu antes de muitos que o caminho do Mestre passava pela morte.

História

Contexto e origem

Betânia ficava na encosta oriental do monte das Oliveiras, a cerca de quinze estádios de Jerusalém, ou seja, a pouco menos de três quilômetros (Jo 11.18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Era ali que Jesus costumava hospedar-se, especialmente na última semana antes da cruz (Mt 21.17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Mc 11.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). João chama Betânia de aldeia de Maria e de Marta (Jo 11.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e é provável que Maria tenha nascido ali, embora a Escritura não o diga.

Maria era o nome feminino mais comum entre as judias da época, forma grega de Miriã, a irmã de Moisés (Êx 15.20). Por isso, os Evangelhos distinguem várias Marias: a mãe de Jesus (Lc 1.27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), Maria Madalena (Lc 8.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), Maria, mãe de Tiago e de José (Mc 15.40 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), Maria, mulher de Clopas (Jo 19.25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e Maria, mãe de João Marcos (At 12.12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Esta Maria é identificada pela aldeia e pelos irmãos. A Bíblia não informa nada sobre seus pais nem diz se era casada.

Aos pés do Mestre

Lucas conta que Jesus foi recebido na casa de Marta e que sua irmã Maria se assentou aos pés do Senhor para ouvir o seu ensino (Lc 10.38-39 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Assentar-se aos pés de alguém era a postura do discípulo diante do mestre, como Paulo diria de si mesmo em relação a Gamaliel (At 22.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Naquele tempo, poucos mestres admitiam mulheres nessa posição. Jesus não apenas a acolheu, como a defendeu.

Marta, ocupada com o serviço, pediu a Jesus que mandasse a irmã ajudá-la (Lc 10.40 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Senhor respondeu com ternura que Marta andava ansiosa com muitas coisas, quando uma só era necessária, e que Maria havia escolhido a boa parte, que não lhe seria tirada (Lc 10.41-42 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Jesus não condenou o serviço; afirmou a prioridade de ouvir a sua palavra. O que Maria recebeu ali, nenhuma circunstância poderia tirar-lhe.

No luto pelo irmão

Quando Lázaro adoeceu, as irmãs mandaram avisar Jesus (Jo 11.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ao chegar a Betânia, Lázaro estava sepultado havia quatro dias, e muitos judeus tinham vindo de Jerusalém consolar a família (Jo 11.17-19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Marta saiu ao encontro de Jesus, mas Maria ficou sentada em casa (Jo 11.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), talvez abatida pela dor. Só se levantou quando a irmã lhe disse, em particular, que o Mestre estava ali e a chamava. Então foi depressa ao seu encontro, e os judeus que a consolavam a seguiram, pensando que ela ia chorar no túmulo (Jo 11.28-31 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Ao ver Jesus, Maria lançou-se aos seus pés e repetiu as palavras que Marta havia dito: se ele estivesse ali, seu irmão não teria morrido (Jo 11.32 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Com Marta, Jesus conversou sobre a ressurreição; com Maria, não houve discurso. Ao vê-la chorar, e também os que vinham com ela, Jesus comoveu-se profundamente, perguntou onde o haviam sepultado e chorou (Jo 11.33-35 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Depois foi ao túmulo e chamou Lázaro para fora da sepultura (Jo 11.38-44 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). João registra que muitos dos judeus que tinham vindo visitar Maria creram em Jesus ao verem o que ele fizera (Jo 11.45 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

As duas irmãs disseram a mesma frase, mas Jesus respondeu a cada uma de modo diferente. A Marta, que precisava de entendimento, deu uma revelação; a Maria, que estava em lágrimas, deu as suas próprias lágrimas. O Senhor conhece cada um dos seus e lhe dá aquilo de que precisa.

A unção em Betânia

Seis dias antes da Páscoa, Jesus voltou a Betânia, e ali lhe ofereceram uma ceia. Lázaro estava à mesa, Marta servia, e Maria tomou uma libra de perfume de nardo puro, muito caro, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com os seus cabelos. A casa encheu-se com o aroma do perfume (Jo 12.1-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Uma libra romana correspondia a pouco mais de trezentos gramas, quantidade muito grande para um perfume tão precioso. Soltar os cabelos em público e usá-los para enxugar os pés de alguém era um gesto de humildade e de entrega fora do comum.

Judas Iscariotes protestou, dizendo que o perfume poderia ter sido vendido por trezentos denários e o valor dado aos pobres (Jo 12.4-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Como o denário era o pagamento habitual de um dia de trabalho (Mt 20.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), a quantia equivalia a quase um ano de salário de um trabalhador. João esclarece que Judas não falava por amor aos pobres, mas porque era ladrão (Jo 12.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Jesus defendeu Maria. Mandou que a deixassem, porque ela havia guardado aquele perfume para o dia da sua sepultura, e lembrou que os pobres sempre estariam com eles, mas ele, não (Jo 12.7-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Segundo Marcos, acrescentou que ela havia praticado uma boa ação, que fizera o que estava ao seu alcance e que antecipara a unção do seu corpo para o sepultamento (Mc 14.6-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Uma unção, três relatos

Mateus e Marcos narram, também em Betânia e poucos dias antes da Páscoa, uma unção de Jesus feita por uma mulher que não é nomeada, na casa de Simão, o leproso. Nesses relatos, o perfume é derramado sobre a cabeça de Jesus, os discípulos se indignam com o desperdício, e o Senhor declara que, onde quer que o evangelho fosse pregado, o que ela fez seria contado em sua memória (Mt 26.6-13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Mc 14.3-9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A coincidência de lugar, época, perfume, valor e resposta de Jesus leva a maioria dos intérpretes a entender que se trata do mesmo episódio narrado por João, que identifica a mulher como Maria e destaca a unção dos pés (Jo 11.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Jo 12.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). É provável que ela tenha ungido a cabeça e os pés, e cada evangelista destacou um aspecto.

Já a unção narrada por Lucas é outro acontecimento. Ocorreu mais cedo no ministério, provavelmente na Galileia, na casa de um fariseu também chamado Simão, e foi feita por uma mulher conhecida como pecadora, a quem Jesus perdoou (Lc 7.36-50 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A semelhança dos gestos não torna as duas mulheres a mesma pessoa.

Uma identidade confundida

No Ocidente, a partir de uma homilia do papa Gregório Magno, no ano 591, Maria de Betânia foi identificada com Maria Madalena e com a mulher pecadora de Lucas 7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), e dessa fusão surgiu uma única figura, a da pecadora arrependida. A Escritura não autoriza essa identificação. Maria de Betânia está ligada à família de Marta e de Lázaro, na Judeia; Maria Madalena vinha de Magdala, na Galileia, e havia sido liberta de sete demônios (Lc 8.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); e a mulher de Lucas 7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) não tem nome. As igrejas do Oriente sempre distinguiram essas três mulheres, e a própria Igreja Católica revisou seu calendário em 1969, separando as celebrações.

A tradição posterior

A Escritura não volta a mencionar Maria de Betânia depois da unção. Uma tradição oriental associa Lázaro à ilha de Chipre, onde teria sido bispo, e alguns relatos levam suas irmãs para lá. No Ocidente, lendas medievais levaram a família à Provença, no sul da França, mas essas narrativas se misturam com as lendas sobre Maria Madalena, por causa da identificação de Gregório Magno. Nada disso tem apoio histórico, e deve ser recebido apenas como tradição.

Fé e legado

Maria de Betânia é o retrato de uma fé que escuta, que confia e que adora. Assentou-se para ouvir quando havia trabalho a fazer, chorou sem esconder a dor quando o irmão morreu e deu o que tinha de mais precioso quando muitos acharam que era desperdício. O próprio Jesus garantiu que o seu gesto seria lembrado onde quer que o evangelho fosse anunciado (Mc 14.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), promessa que se cumpre cada vez que a sua história é contada. Seu exemplo ensina que nenhuma entrega feita por amor a Cristo é desperdiçada.

Conexão com Cristo

Maria esteve três vezes aos pés de Jesus, e cada uma revela algo do Senhor. Aos pés do Mestre que ensina, ela encontrou a boa parte, a palavra que dá vida e não passa (Lc 10.42 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Jo 6.68 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Aos pés do Amigo que chora, ela encontrou um Salvador que se compadece das nossas dores, o sumo sacerdote capaz de compadecer-se das nossas fraquezas (Jo 11.35 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Hb 4.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Aos pés do Cristo que vai morrer, ela adorou aquele diante de quem todo joelho se dobrará (Fp 2.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A unção em Betânia tem um sentido profundo. Cristo significa Ungido, e Jesus foi ungido pelo Espírito para a sua missão (Lc 4.18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); At 10.38 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Agora, às portas da cruz, recebeu de uma discípula a unção que preparava o seu corpo para o sepultamento (Jo 12.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Mc 14.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Enquanto os discípulos ainda resistiam à ideia de que o Messias precisava morrer (Mt 16.21-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), Maria agiu como quem entendia que o Rei seria coroado pelo caminho do sofrimento.

O perfume que encheu a casa aponta para a entrega do próprio Cristo, que se ofereceu a Deus como oferta e sacrifício de aroma suave (Ef 5.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Maria derramou um perfume de grande valor por amor a Jesus; poucos dias depois, Jesus derramaria a própria vida por amor aos seus. O gesto dela é resposta; o sacrifício dele é a causa. E, como Paulo ensina, os que pertencem a Cristo passam a ser, no mundo, o bom perfume do seu conhecimento (2Co 2.14-15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

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