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Novo Testamento · Mulheres da Bíblia · Apóstolos e discípulos

Maria Madalena

Outros nomes

Maria de Magdala, Maria, chamada Madalena (Lc 8.2)

Significado do nome

Maria é a forma grega de Miriã (Êx 15.20), nome de etimologia incerta; Madalena significa "de Magdala", cidade cujo nome provavelmente deriva de uma palavra hebraica e aramaica para "torre"

Posição / vínculo com a Bíblia

Discípula de Jesus, libertada de sete demônios, que o seguiu desde a Galileia, esteve junto à cruz e ao sepulcro e foi a primeira a ver o Senhor ressuscitado e a anunciar a ressurreição aos discípulos

Nascimento

Provavelmente em Magdala, na margem ocidental do mar da Galileia, no início do século I d.C.

Morte

Segundo a tradição oriental, em Éfeso; uma lenda medieval do Ocidente a situa na Provença, no sul da França; a Escritura não registra local nem data

Testamento

Novo Testamento

Grupo

Mulheres da Bíblia · Apóstolos e discípulos

Síntese histórica

Maria Madalena era uma mulher natural, provavelmente, de Magdala, na Galileia, de quem Jesus expulsara sete demônios (Lc 8.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Liberta, passou a segui-lo com os Doze e com outras mulheres que sustentavam o ministério com seus bens (Lc 8.1-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os Evangelhos a mostram presente nos momentos decisivos da obra de Cristo: viu-o morrer na cruz, viu onde foi sepultado e, na madrugada do primeiro dia da semana, foi ao sepulcro (Mt 27.56 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Mt 27.61 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Mt 28.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Foi a primeira pessoa a ver o Senhor ressuscitado, segundo João e o final longo de Marcos (Jo 20.11-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Mc 16.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e recebeu dele a missão de anunciar aos discípulos que ele subiria ao Pai (Jo 20.17-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ao longo dos séculos, sua imagem foi confundida, no Ocidente, com a da mulher pecadora de Lucas 7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), identificação que a Escritura não faz. O retrato bíblico é o de uma discípula liberta, fiel e corajosa, testemunha da ressurreição.

História

Contexto e origem

Maria viveu na Galileia do século I, sob o domínio romano e o governo de Herodes Antipas. O apelido Madalena indica sua procedência: Magdala, uma cidade de pescadores e de salga de peixe na margem ocidental do mar da Galileia, entre Cafarnaum e Tiberíades. Em hebraico e aramaico, o nome da cidade provavelmente lembra a palavra "torre". Escavações arqueológicas realizadas na região a partir de 2009 revelaram restos de uma sinagoga do século I, o que confirma a vida judaica ativa no lugar nos dias de Jesus.

Maria era o nome feminino mais comum entre as judias da época, forma grega de Miriã, a irmã de Moisés (Êx 15.20). Por isso, os Evangelhos precisam distinguir várias Marias: Maria, mãe de Jesus (Lc 1.27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); Maria de Betânia, irmã de Marta e de Lázaro (Lc 10.38-39 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Jo 11.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); Maria, mãe de Tiago e de José (Mc 15.40 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); Maria, mulher de Clopas (Jo 19.25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); e Maria, mãe de João Marcos (At 12.12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O apelido "Madalena" serve justamente para identificá-la, e não há indício de que fosse casada, pois não é chamada pelo nome de marido nem de filho.

A libertação

Lucas apresenta Maria Madalena como aquela de quem haviam saído sete demônios (Lc 8.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), dado repetido no final longo de Marcos (Mc 16.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O número sete sugere a gravidade da opressão que ela sofria. A Escritura não descreve como foi essa libertação nem diz quanto tempo durou o sofrimento, mas deixa claro que foi Jesus quem a libertou.

É importante observar o que o texto não diz. A possessão demoníaca, nos Evangelhos, é apresentada como opressão e sofrimento, e não como sinônimo de vida imoral (Mc 5.1-15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Mc 9.17-27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A Bíblia não afirma em nenhum lugar que Maria Madalena tenha sido prostituta ou pecadora pública.

Discípula e mantenedora

Depois da libertação, Maria passou a acompanhar Jesus pelas cidades e aldeias em que ele anunciava o Reino de Deus. Lucas registra que, com os Doze, iam também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades, entre elas Maria Madalena, Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, e Susana, além de muitas outras, que serviam ao grupo com seus próprios bens (Lc 8.1-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O detalhe é significativo. Num tempo em que poucos mestres admitiam mulheres entre seus seguidores, Jesus as recebeu como discípulas, e elas participaram ativamente da missão, inclusive com seus recursos. O fato de Maria ser mencionada em primeiro lugar nessa lista, como em quase todas as listas de mulheres dos Evangelhos, sugere que ela tinha posição de destaque entre as seguidoras de Jesus (Mt 27.56 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Mc 15.40 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Lc 24.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Junto à cruz

Quando Jesus foi preso, os discípulos fugiram (Mt 26.56 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). As mulheres que o haviam seguido desde a Galileia, porém, permaneceram até o fim. Maria Madalena estava entre elas, observando de longe a crucificação (Mt 27.55-56 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Mc 15.40-41 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Lc 23.49 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). João registra que, em algum momento, estava junto à cruz, com Maria, mãe de Jesus, a irmã dela e Maria, mulher de Clopas (Jo 19.25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Depois da morte de Jesus, José de Arimateia sepultou o corpo num túmulo novo, aberto na rocha. Maria Madalena e a outra Maria estavam sentadas diante do sepulcro e viram onde o corpo foi posto (Mt 27.59-61 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Mc 15.46-47 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). As mulheres voltaram para preparar aromas e bálsamos e, no sábado, descansaram, conforme o mandamento (Lc 23.55-56 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

No sepulcro vazio

Passado o sábado, de madrugada, no primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro com outras mulheres, levando os aromas para ungir o corpo (Mc 16.1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Lc 24.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os Evangelhos narram o episódio com ênfases diferentes, o que é próprio de testemunhos independentes. Mateus e Marcos registram a pedra removida, o anúncio do anjo de que Jesus havia ressuscitado e a ordem de avisar os discípulos (Mt 28.1-7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Mc 16.3-7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Lucas menciona dois homens com vestes resplandecentes e registra que as mulheres contaram tudo aos apóstolos, mas eles consideraram aquilo um delírio e não acreditaram (Lc 24.4-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

João concentra o relato em Maria Madalena. Ao ver a pedra retirada, ela correu até Simão Pedro e o discípulo amado, dizendo que tinham levado o Senhor e que não sabia onde o haviam posto (Jo 20.1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os dois discípulos foram ao túmulo, viram os lençóis e voltaram para casa (Jo 20.3-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Maria, porém, ficou do lado de fora, chorando (Jo 20.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O encontro com o Ressuscitado

Ainda chorando, Maria inclinou-se para dentro do sepulcro e viu dois anjos vestidos de branco, que lhe perguntaram por que chorava. Ela respondeu que haviam levado o seu Senhor (Jo 20.11-13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ao voltar-se, viu Jesus em pé, mas não o reconheceu. Pensando que fosse o jardineiro, pediu-lhe que dissesse onde o tinha posto, para ela mesma levá-lo (Jo 20.14-15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Então Jesus a chamou pelo nome: "Maria". Ela o reconheceu imediatamente e respondeu em aramaico: "Rabôni", que quer dizer Mestre (Jo 20.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Jesus pediu-lhe que não o detivesse, porque ainda não havia subido ao Pai, e a enviou aos seus irmãos com a mensagem de que subiria para seu Pai e Pai deles, seu Deus e Deus deles (Jo 20.17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Maria foi e anunciou aos discípulos que tinha visto o Senhor e lhes contou o que ele dissera (Jo 20.18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Mateus registra também que Jesus foi ao encontro das mulheres que voltavam do sepulcro, e elas abraçaram seus pés e o adoraram (Mt 28.8-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O final longo de Marcos afirma expressamente que Jesus apareceu primeiro a Maria Madalena (Mc 16.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Esse trecho final de Marcos (Mc 16.9-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) não consta em alguns dos manuscritos mais antigos, mas a primazia de Maria como testemunha é confirmada pelo relato de João.

Uma testemunha improvável

O destaque dado a Maria Madalena no relato da ressurreição tem peso histórico. Na sociedade judaica do século I, o testemunho de mulheres tinha valor limitado nos tribunais, como registra Flávio Josefo. Os próprios apóstolos, de início, não deram crédito ao que as mulheres contaram (Lc 24.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Se a ressurreição fosse uma invenção, dificilmente seus primeiros narradores teriam escolhido mulheres como as primeiras testemunhas. Para muitos estudiosos, essa é uma das marcas de autenticidade dos relatos. Paulo, ao listar as aparições que fundamentavam a pregação apostólica, menciona apenas testemunhas masculinas (1Co 15.5-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), mas os Evangelhos preservaram fielmente o papel das mulheres.

Depois da ressurreição, a Escritura não volta a citar Maria Madalena pelo nome. Lucas menciona que as mulheres perseveravam em oração com os apóstolos no cenáculo (At 1.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e é provável que ela estivesse entre elas, mas o texto não o diz expressamente.

Uma identidade confundida

No Ocidente, a partir de uma homilia do papa Gregório Magno, no ano 591, Maria Madalena passou a ser identificada com a mulher pecadora que ungiu os pés de Jesus na casa de um fariseu (Lc 7.36-50 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e com Maria de Betânia, que também ungiu o Senhor (Jo 12.1-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Dessa fusão nasceu a imagem, popular na arte e na pregação, da prostituta arrependida. A Escritura não sustenta essa identificação: a mulher de Lucas 7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) não tem nome, Maria Madalena é apresentada logo em seguida como alguém novo na narrativa (Lc 8.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e Maria de Betânia é claramente outra pessoa, ligada à família de Marta e Lázaro. As igrejas do Oriente sempre distinguiram essas mulheres, e a própria Igreja Católica revisou seu calendário litúrgico em 1969, deixando de associá-la à pecadora.

Desde a antiguidade, alguns escritores cristãos chamaram Maria Madalena de "apóstola dos apóstolos", por ter sido enviada por Cristo a anunciar a ressurreição aos Doze. A expressão é da tradição, não do texto bíblico, mas descreve bem a missão que ela recebeu (Jo 20.17-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A tradição posterior

Textos gnósticos dos séculos II e III, como o chamado Evangelho de Maria e o Evangelho de Filipe, apresentam Maria Madalena como portadora de revelações secretas. Esses escritos não têm valor histórico para a sua vida e refletem as ideias dos grupos que os produziram. Do mesmo modo, teorias modernas, popularizadas por romances e filmes, sobre um suposto casamento com Jesus não têm nenhum apoio nas fontes históricas.

Quanto ao fim de sua vida, a tradição oriental afirma que ela acompanhou o apóstolo João e morreu em Éfeso, e uma lenda medieval do Ocidente a leva à Provença, no sul da França. Nada disso pertence à Escritura, e deve ser recebido apenas como tradição.

Fé e legado

Maria Madalena é o retrato da gratidão que se transforma em fidelidade. Liberta de uma opressão profunda, ela deu a Jesus seus bens, seu tempo e sua presença, e não o abandonou nem quando tudo parecia perdido. Ficou junto à cruz, acompanhou o sepultamento e foi ao túmulo ainda no escuro. Sua perseverança foi recompensada: foi a primeira a ouvir o Ressuscitado chamar seu nome. Jesus ensinou que aquele a quem muito é perdoado muito ama (Lc 7.47 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); Maria, a quem muito foi dado em libertação, amou muito em fidelidade.

Conexão com Cristo

A vida de Maria Madalena mostra o poder libertador de Cristo. Jesus declarou ter sido ungido para proclamar libertação aos cativos e pôr em liberdade os oprimidos (Lc 4.18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e o Novo Testamento afirma que o Filho de Deus se manifestou para desfazer as obras do diabo (1Jo 3.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Em Maria, essa vitória ganhou rosto e nome: ela foi transportada do domínio das trevas para o Reino do Filho amado (Cl 1.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O encontro no jardim revela o Bom Pastor. Jesus dissera que o pastor chama as suas ovelhas pelo nome e que elas reconhecem a sua voz (Jo 10.3-4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Maria não o reconheceu pela aparência, mas quando ouviu seu nome dos lábios dele. Ao confundi-lo com o jardineiro, ela disse, sem saber, mais do que pensava: pode-se ver no Ressuscitado, que aparece num jardim no primeiro dia da semana, o início da nova criação, e no último Adão, que restaura o que o primeiro perdeu no jardim do Éden (1Co 15.22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 1Co 15.45 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Por fim, a mensagem que Maria levou aos discípulos anuncia o fruto da ressurreição. Pela primeira vez, Jesus chamou os discípulos de "irmãos" e falou de seu Pai como Pai deles (Jo 20.17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Pela morte e ressurreição de Cristo, os que creem são adotados como filhos de Deus e o Filho não se envergonha de chamá-los irmãos (Gl 4.4-7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Hb 2.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A primeira a anunciar essa notícia foi uma mulher que o Senhor havia libertado: a graça que a alcançou tornou-se a mensagem que ela foi enviada a proclamar.

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