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Novo Testamento · Apóstolos e discípulos

Mateus

Outros nomes

Levi, filho de Alfeu, nome com que aparece nos evangelhos de Marcos e Lucas no relato do seu chamado (Mc 2.14; Lc 5.27-29)

Significado do nome

Mateus significa "dom do Senhor", sentido do hebraico Mattityahu; Levi é explicado na Bíblia a respeito do filho de Jacó, cuja mãe disse: agora o meu marido se unirá a mim (Gn 29.34 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

Posição / vínculo com a Bíblia

Cobrador de impostos em Cafarnaum, chamado também Levi, filho de Alfeu; quando Jesus o viu sentado na coletoria e lhe disse: siga-me, deixou tudo e o seguiu; ofereceu em sua casa um grande banquete a Jesus, com muitos publicanos e pecadores, ocasião em que Jesus disse que não veio chamar justos, mas pecadores; tornou-se um dos Doze apóstolos; a tradição antiga lhe atribui o Evangelho de Mateus (Mt 9.9-13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Mc 2.14-17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Lc 5.27-32 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Mt 10.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

Nascimento

Provavelmente na Galileia, no início do século I d.C., filho de Alfeu (Mc 2.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

Testamento

Novo Testamento

Grupo

Apóstolos e discípulos

Síntese histórica

Mateus, também chamado Levi, filho de Alfeu, era um cobrador de impostos que trabalhava em Cafarnaum, junto ao mar da Galileia. Os cobradores de impostos, chamados publicanos, eram desprezados pelo povo judeu, que os considerava colaboradores dos dominadores e exploradores dos próprios irmãos. Certo dia, Jesus passou pela coletoria, viu Mateus sentado ali e lhe disse: siga-me. Mateus se levantou, deixou tudo e o seguiu (Mt 9.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Lc 5.27-28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Em seguida, Mateus ofereceu em sua casa um grande banquete para Jesus, e muitos cobradores de impostos e pecadores se sentaram à mesa com ele e com os seus discípulos. Quando os fariseus criticaram Jesus por comer com essa gente, ele respondeu: não são os que têm saúde que precisam de médico, mas os doentes; eu não vim chamar justos, mas pecadores (Mc 2.15-17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Mateus se tornou um dos Doze apóstolos (Mt 10.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e, depois da ascensão, estava com os outros reunidos em oração (At 1.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A tradição cristã, desde o século II, o considera o autor do evangelho que leva o seu nome, o primeiro livro do Novo Testamento.

História

Dois nomes

O Evangelho de Mateus conta o chamado de um homem chamado Mateus, sentado na coletoria (Mt 9.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os evangelhos de Marcos e Lucas contam o mesmo episódio, mas chamam o cobrador de impostos de Levi, filho de Alfeu (Mc 2.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Lc 5.27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Nas listas dos Doze, porém, os três evangelhos e o livro de Atos registram o nome Mateus (Mt 10.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Mc 3.18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Lc 6.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); At 1.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Por isso, a grande maioria dos intérpretes entende que Mateus e Levi eram a mesma pessoa, com dois nomes, como Simão era chamado Pedro, e Saulo era chamado Paulo. Talvez Mateus, "dom do Senhor", tenha sido um nome recebido depois do chamado, mas a Bíblia não esclarece isso.

O pai de Mateus se chamava Alfeu (Mc 2.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), o mesmo nome do pai de outro apóstolo, Tiago (Mc 3.18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Alguns pensam que Mateus e esse Tiago fossem irmãos, mas os evangelhos nunca os apresentam assim, e é provável que se tratasse de dois homens diferentes com o mesmo nome.

O publicano

Mateus trabalhava numa coletoria em Cafarnaum, uma cidade às margens do mar da Galileia, situada numa importante rota comercial e perto da fronteira entre os territórios governados por Herodes Antipas e por seu irmão Filipe. Ali se cobravam taxas sobre as mercadorias que passavam. No sistema da época, o direito de cobrar impostos era arrendado a particulares, que pagavam uma quantia fixa às autoridades e lucravam com o que conseguissem cobrar a mais. Mateus provavelmente trabalhava a serviço de Herodes Antipas.

Os publicanos eram malvistos pelo povo. Eram considerados colaboradores dos governantes estrangeiros e muitas vezes enriqueciam cobrando mais do que o devido, como o próprio Zaqueu reconheceria (Lc 19.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Nos evangelhos, aparecem frequentemente ao lado dos "pecadores" e das prostitutas (Mt 9.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Mt 21.31-32 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e Jesus usou a expressão "como o gentio e o publicano" para indicar alguém excluído da comunidade (Mt 18.17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Segundo escritos judaicos posteriores, o testemunho de um cobrador de impostos nem sequer era aceito nos tribunais. Por outro lado, a profissão exigia saber ler, escrever e fazer contas — habilidades que seriam úteis a quem, segundo a tradição, escreveria um evangelho.

"Siga-me"

Jesus saiu de novo para a beira do mar, e toda a multidão ia até ele, e ele os ensinava. Ao passar, viu Levi, filho de Alfeu, sentado na coletoria, e lhe disse: siga-me. Ele se levantou e o seguiu (Mc 2.13-14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Lucas acrescenta que ele deixou tudo (Lc 5.28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Para Mateus, essa decisão tinha um peso especial. Os pescadores que seguiram Jesus podiam, se quisessem, voltar ao barco e às redes, como de fato alguns fizeram por um tempo depois da ressurreição (Jo 21.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); mas um cobrador de impostos que abandonava o seu posto dificilmente poderia recuperá-lo. Mateus trocou uma profissão lucrativa por uma vida de discípulo, sem garantias.

O banquete

Depois disso, Levi ofereceu em sua casa um grande banquete para Jesus, e havia muitos cobradores de impostos e outras pessoas sentadas à mesa com eles (Lc 5.29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Marcos observa que muitos publicanos e pecadores estavam à mesa com Jesus e os seus discípulos, porque eram muitos os que o seguiam (Mc 2.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A primeira coisa que Mateus fez foi reunir os seus amigos e colegas para que conhecessem Jesus.

Os fariseus e os mestres da Lei que eram do partido deles murmuravam contra os discípulos: por que vocês comem e bebem com cobradores de impostos e pecadores? (Lc 5.30 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Comer com alguém significava aceitá-lo e ter comunhão com ele. Jesus respondeu: não são os que têm saúde que precisam de médico, mas os doentes. Eu não vim chamar justos, mas pecadores ao arrependimento (Lc 5.31-32 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). No Evangelho de Mateus, Jesus acrescenta: vão aprender o que significa isto: misericórdia quero, e não sacrifício (Mt 9.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Os 6.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Evangelho de Mateus é o único que cita essas palavras do profeta Oseias, e o faz duas vezes (Mt 9.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Mt 12.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Entre os Doze

Mateus se tornou um dos Doze apóstolos (Mc 3.14-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Nas listas, aparece ao lado de Tomé (Mt 10.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Mc 3.18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Lc 6.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Só o Evangelho de Mateus acrescenta um título ao seu nome: Mateus, o publicano (Mt 10.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), como se o autor quisesse lembrar de onde Jesus o havia tirado. Entre os Doze estava também Simão, o Zelote, ligado a um movimento judaico que se opunha ao domínio estrangeiro (Lc 6.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Um antigo cobrador de impostos a serviço dos governantes e um zelote, que talvez os considerasse traidores, faziam parte do mesmo grupo de discípulos de Jesus.

Depois da ressurreição

Depois da ascensão de Jesus, Mateus estava com os outros apóstolos reunidos em oração em Jerusalém (At 1.13-14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Essa é a última vez que o seu nome aparece no Novo Testamento.

O evangelista

Nenhum dos evangelhos traz o nome do seu autor no próprio texto. A tradição de que o primeiro evangelho foi escrito por Mateus remonta ao início do século II. Papias, bispo de Hierápolis, citado pelo historiador Eusébio, escreveu que Mateus reuniu os ditos de Jesus em língua hebraica, e cada um os interpretou como pôde. Irineu de Lyon, no fim do mesmo século, afirmou que Mateus escreveu o seu evangelho entre os hebreus. Muitos estudiosos modernos discutem essa tradição, observando que o Evangelho de Mateus que conhecemos foi escrito em grego e parece utilizar o Evangelho de Marcos; outros defendem a autoria do apóstolo, ou ao menos a sua ligação com ele.

O Evangelho de Mateus foi escrito, ao que parece, especialmente para leitores judeus. Começa com a genealogia de Jesus a partir de Abraão e de Davi (Mt 1.1-17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), cita o Antigo Testamento dezenas de vezes e repete muitas vezes que algo aconteceu "para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta" (Mt 1.22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Mt 2.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Mt 4.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Organiza o ensino de Jesus em cinco grandes discursos, entre eles o Sermão do Monte (Mt 5–7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), fala do "Reino dos céus", é o único evangelho que usa a palavra "igreja" (Mt 16.18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Mt 18.17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e termina com a Grande Comissão: vão e façam discípulos de todas as nações (Mt 28.19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Também registra alguns episódios ligados a dinheiro e impostos que não aparecem nos outros evangelhos, como o pagamento do imposto do templo com a moeda encontrada na boca de um peixe (Mt 17.24-27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

As tradições sobre a sua missão e a sua morte

O Novo Testamento não informa o que aconteceu com Mateus depois do Pentecostes. Eusébio afirma que ele pregou primeiro aos hebreus e depois partiu para outros povos. Tradições posteriores divergem sobre o seu campo de missão, mencionando a Etiópia, a Pérsia e outras regiões. A tradição ocidental afirma que ele morreu como mártir, mas Clemente de Alexandria, no fim do século II, parece indicar que ele morreu de morte natural. As suas relíquias são veneradas, segundo a tradição, na catedral de Salerno, na Itália. Essas informações vêm de tradições posteriores, e não da Bíblia.

Fé e caráter

Mateus aparece como um homem decidido, que, diante do chamado de Jesus, abandonou imediatamente uma profissão lucrativa (Lc 5.28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Foi hospitaleiro e generoso, e a sua primeira reação foi abrir a casa para que os seus colegas e amigos conhecessem Jesus (Lc 5.29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). No evangelho que a tradição lhe atribui, ele se apresenta com humildade como "o publicano" (Mt 10.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O homem que antes cobrava e acumulava passou a anunciar um Reino que vale mais do que todos os tesouros. A Bíblia não registra falhas específicas de Mateus, além das que ele partilhou com os demais discípulos.

Legado

Mateus é lembrado como o publicano que se tornou apóstolo e como o evangelista que apresentou Jesus como o cumprimento das promessas do Antigo Testamento. Na arte cristã, é representado por um homem ou um anjo, por causa da genealogia humana de Jesus com que começa o seu evangelho. A cena do seu chamado inspirou muitas obras, como a famosa pintura de Caravaggio, A vocação de São Mateus. As igrejas ocidentais celebram a sua memória em 21 de setembro, e as orientais, em 16 de novembro.

Conexão com Cristo

Quando os fariseus criticaram Jesus por comer com cobradores de impostos e pecadores na casa de Mateus, ele respondeu: não são os que têm saúde que precisam de médico, mas os doentes; eu não vim chamar justos, mas pecadores (Mc 2.17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Mateus era a prova viva dessas palavras. O mesmo aconteceria com Zaqueu, outro cobrador de impostos, a quem Jesus disse que o Filho do Homem veio buscar e salvar o que estava perdido (Lc 19.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Paulo resumiu o evangelho com uma frase que Mateus poderia ter escrito: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal (1Tm 1.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Jesus mandou os seus críticos aprenderem o que significa: misericórdia quero, e não sacrifício (Mt 9.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Cristo é a encarnação dessa misericórdia: os religiosos murmuravam porque ele recebia pecadores e comia com eles (Lc 15.1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), mas foi justamente para isso que ele veio. Deus nos salvou não por causa de obras de justiça que tivéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia (Tt 3.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A mesa de Mateus, cheia de pecadores ao redor de Jesus, antecipa a mesa da ceia do Senhor e o grande banquete do Reino, para o qual são chamados todos os que aceitam o convite (Mt 22.9-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Ap 19.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O evangelho que a tradição atribui a Mateus apresenta Jesus como aquele que cumpre as Escrituras. Jesus mesmo disse: não vim abolir a Lei ou os Profetas, mas cumprir (Mt 5.17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E o evangelho começa e termina com a mesma promessa: logo no início, anuncia que Jesus seria chamado Emanuel, que significa Deus conosco (Mt 1.23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); e, na última frase, o Ressuscitado declara: eu estou com vocês todos os dias, até o fim dos tempos (Mt 28.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Toda a história de Jesus está envolvida por essa presença de Deus com o seu povo.

Por fim, Mateus deixou a coletoria, onde acumulava dinheiro, para seguir aquele que ensinou a não acumular tesouros na terra, mas no céu (Mt 6.19-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Só o Evangelho de Mateus registra as parábolas do tesouro escondido no campo e da pérola de grande valor, pelas quais um homem vende tudo o que tem (Mt 13.44-46 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Mateus fez exatamente isso: deixou tudo para ganhar Cristo. Como Paulo, ele poderia dizer que considerava tudo como perda, por causa da excelência do conhecimento de Cristo Jesus, seu Senhor (Fp 3.7-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

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