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Antigo Testamento · Profetas · Sacerdotes

Moisés

Significado do nome

A Bíblia o explica pela palavra da filha do faraó: "porque das águas o tirei" (Êx 2.10), num jogo com o verbo hebraico que significa "tirar"; muitos estudiosos notam também a semelhança com o elemento egípcio "-més", "filho" ou "nascido", presente em nomes como Ramsés e Tutmés

Posição / vínculo com a Bíblia

Profeta, libertador e legislador de Israel; conduziu o povo da escravidão no Egito até as portas de Canaã, foi o mediador da aliança no Sinai e recebeu de Deus a Lei; a tradição lhe atribui os cinco primeiros livros da Bíblia (Êx 3.10; Êx 19–24; Dt 34.10-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Jo 1.17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

Nascimento

Egito, numa família da tribo de Levi, por volta de 1350 a.C. (Êx 2.1-2)

Morte

Monte Nebo, na terra de Moabe, por volta de 1230 a.C., aos 120 anos; o próprio Deus o sepultou, e ninguém conhece o lugar da sua sepultura (Dt 34.1-7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

Testamento

Antigo Testamento

Grupo

Profetas · Sacerdotes

Síntese histórica

Moisés nasceu no Egito, quando os israelitas eram escravos e o faraó mandara matar os meninos hebreus. Salvo das águas do Nilo, foi criado como filho da filha do faraó, mas, aos quarenta anos, tomou o partido do seu povo, matou um egípcio e fugiu para Midiã (Êx 2; At 7.20-29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Quarenta anos depois, Deus lhe apareceu numa sarça que ardia sem se consumir, revelou o seu nome e o enviou ao faraó para libertar Israel (Êx 3–4). Depois das dez pragas e da primeira Páscoa, conduziu o povo pelo mar e pelo deserto até o monte Sinai, onde Deus fez aliança com Israel e lhe deu a Lei (Êx 7–24).

Durante quarenta anos no deserto, Moisés intercedeu pelo povo rebelde, falou com Deus face a face e guiou Israel até as planícies de Moabe (Êx 32–34; Nm 11–21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Por ter desonrado a Deus diante do povo em Meribá, não entrou na terra prometida (Nm 20.12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Depois de renovar a aliança e passar a liderança a Josué, viu a terra do alto do monte Nebo e morreu ali, aos 120 anos (Dt 31–34 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A Escritura afirma que nunca mais se levantou em Israel profeta como ele (Dt 34.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e o Novo Testamento apresenta Jesus como o profeta semelhante a Moisés, porém maior do que ele (At 3.22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Hb 3.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

História

Contexto e origem

Os descendentes de Jacó multiplicaram-se no Egito. Então se levantou um novo rei que não conhecera José, que os escravizou e os obrigou a construir as cidades de Pitom e Ramessés. Como continuavam a crescer, o faraó ordenou que todo menino hebreu fosse lançado no rio Nilo (Êx 1.8-22). Nesse tempo nasceu Moisés, filho de Anrão e Joquebede, da tribo de Levi; seus irmãos eram Arão, três anos mais velho, e Miriã (Êx 2.1-2; Êx 6.20; Êx 7.7).

Tirado das águas

Sua mãe o escondeu por três meses. Quando não pôde mais escondê-lo, colocou-o num cesto de junco vedado com betume e o deixou entre os juncos, à margem do Nilo, enquanto a irmã observava de longe (Êx 2.2-4). A palavra usada para o cesto é a mesma usada para a arca de Noé. A filha do faraó desceu para se banhar, viu o cesto, encontrou o menino chorando e teve compaixão dele. A irmã ofereceu-se para buscar uma ama hebreia, e a própria mãe de Moisés foi chamada para criá-lo. Quando o menino cresceu, foi levado à filha do faraó, que o adotou e lhe deu o nome de Moisés (Êx 2.5-10). Estêvão diz que ele foi instruído em toda a sabedoria dos egípcios e era poderoso em palavras e obras (At 7.22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A fuga para Midiã

Aos quarenta anos, Moisés saiu para ver os seus irmãos hebreus e viu um egípcio espancando um deles; olhou para os lados, matou o egípcio e o escondeu na areia (Êx 2.11-12; At 7.23-24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). No dia seguinte, tentou separar dois hebreus que brigavam, e um deles perguntou quem o fizera chefe e juiz sobre eles, e se pretendia matá-lo como matara o egípcio. Sabendo que o caso se tornara conhecido e que o faraó queria matá-lo, Moisés fugiu para Midiã (Êx 2.13-15). Hebreus interpreta essa decisão como um ato de fé: ele recusou ser chamado filho da filha do faraó, preferindo ser maltratado com o povo de Deus, e considerou o opróbrio de Cristo uma riqueza maior do que os tesouros do Egito (Hb 11.24-26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Em Midiã, junto a um poço, defendeu as filhas do sacerdote Reuel, também chamado Jetro, contra pastores que as expulsavam. Foi acolhido na casa dele e casou-se com sua filha Zípora, com quem teve um filho, Gérson, nome que lembra a condição de estrangeiro em terra alheia (Êx 2.16-22; Êx 3.1). Ali viveu quarenta anos como pastor (At 7.30 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Enquanto isso, os israelitas gemiam sob a escravidão, e Deus ouviu o seu clamor e se lembrou da aliança com Abraão, Isaque e Jacó (Êx 2.23-25).

A sarça ardente

Certo dia, apascentando o rebanho do sogro, Moisés chegou a Horebe, o monte de Deus. O Anjo do Senhor lhe apareceu numa chama de fogo no meio de uma sarça, que ardia sem se consumir. Quando Moisés se aproximou, Deus o chamou pelo nome e mandou que tirasse as sandálias, porque o lugar era terra santa. Apresentou-se como o Deus de seu pai, o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, e disse que vira a aflição do seu povo, ouvira o seu clamor e descera para libertá-lo; e que enviaria Moisés ao faraó (Êx 3.1-10).

Moisés resistiu. Perguntou quem era ele para ir ao faraó, e Deus respondeu que estaria com ele (Êx 3.11-12). Perguntou qual era o nome de Deus, e Deus respondeu: EU SOU O QUE SOU — o nome que, em hebraico, está na origem de Javé, o Senhor, seu nome para sempre (Êx 3.13-15). Moisés objetou que o povo não acreditaria, e Deus lhe deu sinais: a vara que se tornava serpente, a mão que ficava leprosa e voltava a ser sã, a água do rio que se tornaria sangue (Êx 4.1-9). Disse que não era eloquente, e Deus perguntou quem fizera a boca do homem e prometeu ensinar-lhe o que dizer. Por fim, pediu que Deus enviasse outra pessoa; o Senhor se irou, mas deu-lhe Arão como porta-voz (Êx 4.10-17).

Moisés voltou ao Egito com a mulher e os filhos. No caminho, numa passagem breve e difícil, o Senhor o ameaçou de morte, e Zípora circuncidou o filho (Êx 4.24-26); o texto sugere que Moisés havia negligenciado o sinal da aliança. Arão foi ao seu encontro, e os anciãos de Israel, ao verem os sinais e ouvirem que Deus visitara o seu povo, inclinaram-se e adoraram (Êx 4.27-31).

Diante do faraó

Moisés e Arão pediram ao faraó que deixasse o povo ir. O faraó respondeu que não conhecia o Senhor e aumentou o trabalho dos escravos. Os israelitas culparam Moisés, e Moisés se queixou a Deus (Êx 5.1-23). Deus respondeu que ele veria o que faria ao faraó, lembrou o seu nome e a sua aliança, e prometeu libertar Israel com braço estendido e tomá-lo por seu povo (Êx 6.1-8).

Seguiram-se as dez pragas: a água transformada em sangue, as rãs, os piolhos, as moscas, a peste no gado, as úlceras, a chuva de pedras, os gafanhotos, as trevas e, por fim, a morte dos primogênitos (Êx 7–11). Os magos do Egito imitaram os primeiros sinais, mas logo reconheceram ali o dedo de Deus (Êx 8.19). O texto diz que o faraó endureceu o próprio coração e, em outros momentos, que Deus o endureceu (Êx 8.15; Êx 9.12). O propósito declarado era que os egípcios soubessem que ele é o Senhor e que os deuses do Egito fossem julgados (Êx 7.5; Êx 12.12).

A Páscoa e a travessia do mar

Antes da última praga, Deus instituiu a Páscoa. Cada família deveria sacrificar um cordeiro sem defeito, sem quebrar nenhum de seus ossos, passar o sangue nos batentes da porta e comê-lo com pães sem fermento e ervas amargas, vestida e pronta para partir; ao ver o sangue, o Senhor passaria por cima daquela casa (Êx 12.1-13,46). À meia-noite, morreram os primogênitos do Egito, e o faraó mandou que os israelitas saíssem (Êx 12.29-32). Saíram cerca de seiscentos mil homens, além das mulheres e crianças, depois de quatrocentos e trinta anos no Egito; Moisés levou também os ossos de José (Êx 12.37-41; Êx 13.19). O Senhor ia adiante deles numa coluna de nuvem durante o dia e numa coluna de fogo à noite (Êx 13.21-22).

O faraó mudou de ideia e os perseguiu. Encurralado entre o exército e o mar, o povo se desesperou, e Moisés respondeu que não temessem, ficassem firmes e vissem o livramento do Senhor, que lutaria por eles (Êx 14.10-14). Moisés estendeu a mão sobre o mar, um vento oriental soprou toda a noite, e os israelitas passaram em terra seca; quando os egípcios os seguiram, as águas voltaram e os cobriram. O povo temeu ao Senhor e creu nele e em Moisés, seu servo (Êx 14.21-31). Moisés e o povo entoaram um cântico ao Senhor, e Miriã conduziu as mulheres com tamborins (Êx 15.1-21). A identificação exata do mar atravessado é discutida, e muitos traduzem o nome hebraico por "mar de Juncos".

No deserto

Logo vieram as dificuldades. Em Mara, a água era amarga, e o Senhor mostrou a Moisés uma árvore que a tornou doce (Êx 15.22-25). No deserto de Sim, o povo murmurou de fome, e Deus enviou codornizes e o maná, o pão do céu, recolhido a cada manhã, com porção dobrada no sexto dia por causa do sábado (Êx 16). Em Refidim, sem água, o povo quase apedrejou Moisés; Deus mandou que ele ferisse a rocha, e dela saiu água (Êx 17.1-7). Na batalha contra Amaleque, enquanto Moisés mantinha as mãos levantadas, Israel prevalecia; quando se cansou, Arão e Hur sustentaram os seus braços até o pôr do sol (Êx 17.8-13). Seu sogro Jetro, ao vê-lo julgar o povo sozinho de manhã à noite, aconselhou-o a escolher homens capazes para dividir a tarefa, e Moisés aceitou (Êx 18.13-26).

No Sinai

No terceiro mês depois da saída do Egito, o povo acampou diante do Sinai. Deus disse a Moisés que, se Israel guardasse a sua aliança, seria um reino de sacerdotes e uma nação santa (Êx 19.1-6). No terceiro dia, houve trovões, relâmpagos, uma nuvem espessa e um som fortíssimo de trombeta; o monte fumegava, e o povo tremia (Êx 19.16-19). Deus pronunciou os Dez Mandamentos (Êx 20.1-17), e o povo, com medo, pediu que Moisés falasse com Deus em seu lugar (Êx 20.18-21). Moisés escreveu as palavras do Senhor, ofereceu sacrifícios e aspergiu o povo com o sangue da aliança; depois subiu ao monte e ali ficou quarenta dias e quarenta noites, recebendo as instruções para o tabernáculo e o sacerdócio (Êx 24.3-18; Êx 25–31).

O bezerro de ouro e a glória de Deus

Enquanto Moisés estava no monte, o povo pediu a Arão que fizesse deuses, e ele fez um bezerro de ouro, diante do qual o povo ofereceu sacrifícios e festejou (Êx 32.1-6). Deus anunciou que destruiria o povo e faria de Moisés uma grande nação. Moisés intercedeu, apelando para a honra do nome de Deus e para as promessas feitas a Abraão, Isaque e Israel, e o Senhor desistiu do mal que dissera (Êx 32.7-14). Ao descer e ver a idolatria, Moisés quebrou as tábuas da Lei ao pé do monte e destruiu o bezerro (Êx 32.19-20). Depois voltou ao Senhor e pediu perdão pelo povo, dizendo que, se Deus não o perdoasse, riscasse o seu próprio nome do livro que escrevera (Êx 32.30-32).

Na tenda fora do acampamento, o Senhor falava com Moisés face a face, como alguém fala com seu amigo (Êx 33.11). Moisés pediu que a presença de Deus fosse com o povo, e Deus prometeu que iria (Êx 33.14-17). Pediu então para ver a glória de Deus. O Senhor o colocou numa fenda da rocha, cobriu-o com a mão enquanto a sua glória passava e permitiu que ele visse as suas costas, porque ninguém poderia ver a sua face e viver (Êx 33.18-23). Ao passar, Deus proclamou o seu nome: o Senhor, Deus compassivo e misericordioso, tardio em irar-se e grande em amor e fidelidade (Êx 34.6-7). Moisés recebeu novas tábuas, e, quando desceu do monte, a pele do seu rosto resplandecia, e ele passou a cobri-lo com um véu (Êx 34.29-35). O tabernáculo foi construído, e a glória do Senhor encheu a tenda (Êx 40.34-35).

Pelo deserto

Moisés consagrou Arão e seus filhos como sacerdotes (Lv 8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e depois de quase um ano no Sinai o povo partiu (Nm 10.11-13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). As queixas continuaram, e Moisés, esgotado, disse a Deus que não podia carregar sozinho todo aquele povo; Deus repartiu o seu Espírito com setenta anciãos (Nm 11.10-17,24-29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Quando Miriã e Arão o criticaram, o texto observa que Moisés era o homem mais humilde da terra, e Deus o defendeu, dizendo que com ele falava boca a boca, e não por enigmas (Nm 12.1-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Moisés orou pela cura de Miriã (Nm 12.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Em Cades, doze espiões foram enviados a Canaã. Dez espalharam medo, o povo se rebelou e quis voltar ao Egito. Moisés intercedeu de novo, e Deus perdoou, mas decretou que aquela geração morreria no deserto ao longo de quarenta anos (Nm 13–14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Moisés enfrentou ainda a rebelião de Coré, Datã e Abirão contra a sua liderança e o sacerdócio de Arão (Nm 16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Meribá

De volta a Cades, Miriã morreu, e de novo faltou água. Deus mandou que Moisés falasse à rocha diante do povo. Moisés, porém, reuniu a congregação, chamou-os de rebeldes, perguntou se teriam de fazer sair água daquela rocha e a feriu duas vezes com a vara. A água saiu, mas Deus disse a Moisés e a Arão que, por não terem crido nele nem o santificado diante do povo, não os fariam entrar na terra (Nm 20.1-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Sl 106.32-33 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Pouco depois, Arão morreu no monte Hor (Nm 20.22-29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Quando o povo voltou a murmurar, serpentes venenosas o atacaram. Moisés orou, e Deus mandou que fizesse uma serpente de bronze e a pusesse numa haste: quem fosse mordido e olhasse para ela viveria (Nm 21.4-9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Israel venceu os reis Seom e Ogue e chegou às planícies de Moabe, diante de Jericó (Nm 21.21-35 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Nm 22.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A despedida

Nas planícies de Moabe, Moisés dirigiu ao povo os discursos que formam o livro de Deuteronômio. Recordou a história de Israel, repetiu a Lei e chamou o povo a amar o Senhor de todo o coração, de toda a alma e com todas as forças (Dt 6.4-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Anunciou que Deus levantaria um profeta como ele, a quem o povo deveria ouvir (Dt 18.15-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Colocou diante de Israel a vida e a morte, a bênção e a maldição, e exortou o povo a escolher a vida (Dt 30.19-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Diante de todos, encorajou Josué a ser forte e corajoso, porque o Senhor iria adiante dele (Dt 31.7-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Deixou um cântico e abençoou as tribos de Israel (Dt 32–33 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A morte no monte Nebo

Moisés subiu ao monte Nebo, ao cume do Pisga, defronte de Jericó, e o Senhor lhe mostrou toda a terra prometida, dizendo que ele a veria com os olhos, mas não entraria nela (Dt 34.1-4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ali morreu, segundo a palavra do Senhor, e foi sepultado por Deus num vale na terra de Moabe; ninguém conhece o lugar da sua sepultura (Dt 34.5-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Tinha cento e vinte anos, e seus olhos não se haviam enfraquecido nem o seu vigor se perdera (Dt 34.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Israel o chorou durante trinta dias, e Josué, cheio do espírito de sabedoria porque Moisés lhe impusera as mãos, assumiu a liderança (Dt 34.8-9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O texto encerra dizendo que nunca mais se levantou em Israel profeta como Moisés, a quem o Senhor conheceu face a face (Dt 34.10-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A carta de Judas menciona uma disputa entre o arcanjo Miguel e o diabo acerca do corpo de Moisés, tema conhecido de escritos judaicos da época (Jd 9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Fé e fraquezas

Hebreus lembra a fé de Moisés: ele deixou o Egito sem temer a ira do rei, perseverou como quem vê o invisível e celebrou a Páscoa (Hb 11.24-28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Foi o homem mais humilde da terra (Nm 12.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), intercessor incansável, que mais de uma vez se colocou entre Deus e o povo (Êx 32.11-14,31-32; Nm 14.13-19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e amigo de Deus, com quem o Senhor falava face a face (Êx 33.11).

A Escritura, porém, não o idealiza. Moisés matou um homem e fugiu (Êx 2.12), resistiu ao chamado até provocar a ira de Deus (Êx 4.13-14), descuidou da circuncisão do filho (Êx 4.24-26), chegou ao limite do desânimo (Nm 11.11-15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e, em Meribá, agiu com ira e desobediência, desonrando a Deus diante do povo (Nm 20.10-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Por isso viu a terra prometida de longe, sem entrar nela (Dt 34.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Legado

A Lei dada por meio de Moisés tornou-se o fundamento da vida de Israel, e a expressão "lei de Moisés" atravessa o Antigo e o Novo Testamento (Js 1.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Ml 4.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Lc 24.44 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os profetas o lembram como aquele por meio de quem Deus tirou Israel do Egito (Is 63.11-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Mq 6.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e Jeremias o cita, ao lado de Samuel, como grande intercessor (Jr 15.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Salmo 90 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) é atribuído a ele. No Novo Testamento, Moisés aparece com Elias ao lado de Jesus na transfiguração (Mt 17.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e o Apocalipse fala do cântico de Moisés e do Cordeiro (Ap 15.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Fora da Bíblia, não há registro egípcio direto de Moisés, e a data do êxodo é discutida: uma cronologia tradicional, baseada em 1Rs 6.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), situa a saída do Egito por volta de 1446 a.C.; outra, apoiada em dados arqueológicos e na menção à cidade de Ramessés, a situa no século XIII a.C. A tradição judaica e cristã atribui a Moisés o Pentateuco, enquanto muitos estudiosos modernos defendem uma composição em etapas.

Conexão com Cristo

O próprio Moisés anunciou que Deus levantaria um profeta como ele, a quem o povo deveria ouvir (Dt 18.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Pedro e Estêvão afirmaram que essa promessa se cumpriu em Jesus (At 3.22-26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); At 7.37 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e Jesus disse que Moisés escrevera a seu respeito (Jo 5.46 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Mas o Novo Testamento também mostra que Cristo é maior: Moisés foi fiel como servo em toda a casa de Deus; Cristo, como Filho, sobre a casa (Hb 3.2-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A Lei foi dada por meio de Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo (Jo 1.17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A libertação do Egito prefigura a salvação em Cristo. Paulo afirma que Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi sacrificado (1Co 5.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e João observa que nenhum osso de Jesus foi quebrado, como estava prescrito para o cordeiro da Páscoa (Jo 19.36 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Êx 12.46). Jesus se apresentou como o verdadeiro pão do céu, superior ao maná dado no deserto (Jo 6.31-35 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); Paulo diz que a rocha da qual Israel bebia era Cristo (1Co 10.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); e o próprio Jesus comparou a sua morte à serpente de bronze levantada por Moisés, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna (Jo 3.14-15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Moisés foi o mediador da antiga aliança, selada com sangue no Sinai (Êx 24.8). Jesus é o mediador de uma aliança superior, selada com o seu próprio sangue (Lc 22.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Hb 8.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Hb 9.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Moisés ofereceu-se para ter o nome riscado do livro de Deus por amor ao povo (Êx 32.32); Cristo foi além, porque se fez pecado e maldição em nosso lugar (2Co 5.21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gl 3.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Moisés pediu para ver a glória de Deus e só pôde ver as suas costas (Êx 33.18-23); o brilho do seu rosto precisava ser coberto por um véu (Êx 34.33-35). Paulo explica que essa glória era passageira, e que, em Cristo, o véu é retirado e contemplamos a glória do Senhor (2Co 3.7-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); a glória de Deus brilha na face de Jesus Cristo (2Co 4.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Quem vê Jesus vê o Pai (Jo 14.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Pode-se notar ainda, com moderação, que a infância de Jesus ecoa a de Moisés: um rei manda matar os meninos, e o menino escolhido é preservado; depois, Deus o chama do Egito (Êx 1.22–2.10; Mt 2.13-16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E, no monte da transfiguração, Moisés conversou com Jesus sobre a sua partida, que se cumpriria em Jerusalém — a palavra usada por Lucas é, literalmente, "êxodo" (Lc 9.30-31 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O libertador do primeiro êxodo apareceu ao lado daquele que realizaria o êxodo definitivo, libertando o seu povo do pecado e da morte. Moisés não pôde conduzir o povo à terra prometida; quem o fez foi Josué, nome que em hebraico é o mesmo de Jesus. E, no fim, os redimidos cantam juntos o cântico de Moisés e o cântico do Cordeiro (Ap 15.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

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