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Antigo Testamento · Profetas

Naum

Significado do nome

"Consolo" ou "consolador", sentido do nome hebraico; a Bíblia não explica o nome, mas a sua mensagem trouxe consolo ao povo oprimido pela Assíria

Posição / vínculo com a Bíblia

Profeta de Judá, chamado de elcosita, que anunciou a queda de Nínive, a capital da Assíria, o império que havia destruído Israel e oprimido Judá; proclamou que o Senhor é zeloso e justo, que não deixa o culpado impune, mas é bom e é refúgio no dia da angústia, e anunciou a Judá as boas-novas de paz (Na 1–3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

Nascimento

Elcós, cidade de localização incerta (Na 1.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

Testamento

Antigo Testamento

Grupo

Profetas

Síntese histórica

Naum, o elcosita, é conhecido apenas pelo livro que leva o seu nome, uma sentença contra Nínive (Na 1.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Profetizou provavelmente entre 663 e 612 a.C., depois da queda da cidade egípcia de Tebas e antes da destruição de Nínive, quando a Assíria ainda dominava o Oriente Próximo com crueldade (Na 3.8-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Mais de um século antes, Nínive se arrependera com a pregação de Jonas; mas voltara à violência, destruíra o reino de Israel e oprimia Judá.

Naum começou o seu livro descrevendo o Senhor como Deus zeloso e justo, que é lento para se irar, mas não deixa o culpado impune, diante de quem os montes tremem; e, ao mesmo tempo, como bom, refúgio no dia da angústia, que conhece os que nele confiam (Na 1.2-7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Anunciou a Judá as boas-novas de paz e a quebra do jugo assírio (Na 1.13-15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e descreveu, com imagens vívidas, a queda de Nínive, a cidade sanguinária, cheia de mentira e de rapina (Na 2–3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A profecia se cumpriu em 612 a.C., quando Nínive foi destruída pelos babilônios e pelos medos.

História

Contexto e origem

O livro começa com o título: sentença contra Nínive; livro da visão de Naum, o elcosita (Na 1.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A Bíblia não informa mais nada sobre ele. A localização de Elcós é incerta. Uma antiga tradição cristã, registrada por Jerônimo, a situava na Galileia, e alguns associam o nome de Cafarnaum, que significa "aldeia de Naum", ao profeta; outra tradição a situa em Judá; e uma terceira a identifica com Alqosh, uma cidade no norte do atual Iraque, perto das ruínas de Nínive, onde durante séculos se mostrou um túmulo atribuído a Naum. Nenhuma dessas identificações é segura.

O livro permite situar a profecia no tempo. Naum menciona a queda de Nô-Amom, a cidade egípcia de Tebas, como um fato já ocorrido (Na 3.8-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); Tebas foi conquistada pelo rei assírio Assurbanipal por volta de 663 a.C. E anuncia a queda de Nínive como algo futuro; Nínive caiu em 612 a.C. Naum profetizou, portanto, nesse intervalo, provavelmente nos dias de Manassés ou de Josias, reis de Judá.

A Assíria era o império mais temido da época, conhecido pela crueldade com que tratava os povos conquistados. Mais de cem anos antes, Nínive se arrependera com a pregação de Jonas, e Deus a poupara (Jn 3.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Mas a cidade voltara à violência: os assírios destruíram Samaria e levaram o reino do norte para o exílio, em 722 a.C. (2Rs 17.5-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), invadiram Judá nos dias de Ezequias (2Rs 18.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e mantinham Judá como um reino vassalo. Para o povo oprimido, a mensagem de Naum era uma palavra de consolo.

O Deus zeloso e justo

Naum abriu o livro com um hino sobre o caráter de Deus. O Senhor é um Deus zeloso e vingador; ele se vinga dos seus adversários e guarda a sua ira contra os seus inimigos. O Senhor é lento para se irar, mas grande em poder, e não deixa o culpado impune (Na 1.2-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). As palavras retomam a revelação de Deus a Moisés no Sinai (Êx 34.6-7). Jonas havia lembrado a parte dessa revelação que fala da misericórdia de Deus (Jn 4.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); Naum lembrou a parte que fala da sua justiça. Os dois profetas, falando sobre a mesma cidade, mostram as duas faces do mesmo Deus.

Naum descreveu o poder do Senhor sobre a natureza: o seu caminho está no redemoinho e na tempestade, e as nuvens são o pó dos seus pés; ele repreende o mar e o seca; os montes tremem diante dele, e a terra se levanta na sua presença. E perguntou: quem pode resistir à sua indignação? Quem pode suportar o ardor da sua ira? (Na 1.3-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Mas logo acrescentou: o Senhor é bom, uma fortaleza no dia da angústia; ele conhece os que nele se refugiam (Na 1.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

As boas-novas para Judá

Deus anunciou que quebraria o jugo que pesava sobre Judá e romperia as suas correntes (Na 1.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E Naum convidou o povo a olhar para os montes, de onde vinham os pés do mensageiro que anunciava boas-novas e proclamava a paz; Judá poderia celebrar as suas festas e cumprir os seus votos, porque o opressor não voltaria a invadi-lo (Na 1.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). As palavras são muito semelhantes às de Isaías, que também anunciou a beleza dos pés de quem traz boas-novas de paz e de salvação (Is 52.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A queda de Nínive

O segundo capítulo descreve o ataque contra Nínive como uma cena de batalha. O destruidor subia contra a cidade, e Naum convocava, com ironia, os seus defensores a guardar a fortaleza e vigiar o caminho (Na 2.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os escudos dos guerreiros eram vermelhos, os soldados vestiam roupas escarlates, e os carros reluziam como tochas e corriam pelas ruas como relâmpagos (Na 2.3-4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). As comportas dos rios se abriam, e o palácio desmoronava (Na 2.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Nínive, que fora como um reservatório de águas, via os seus habitantes fugirem sem que ninguém se voltasse (Na 2.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os invasores saqueavam a prata e o ouro, e a cidade ficava vazia, devastada e arruinada (Na 2.9-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Alguns historiadores antigos registraram que uma inundação ajudou a romper as defesas de Nínive, o que muitos relacionam à imagem das comportas abertas.

Naum comparou Nínive a uma cova de leões, onde o leão despedaçava a presa para os seus filhotes e enchia a sua toca de vítimas — uma imagem apropriada para os reis assírios, que se representavam como leões nos seus palácios (Na 2.11-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E o Senhor dos Exércitos declarou: eu estou contra você (Na 2.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

"Ai da cidade sanguinária"

O terceiro capítulo começa com um lamento: ai da cidade sanguinária, cheia de mentiras e de roubo, que nunca deixa de saquear (Na 3.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Naum descreveu o barulho dos chicotes, das rodas, dos cavalos e dos carros, e os muitos mortos da batalha (Na 3.2-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Acusou Nínive de seduzir e escravizar as nações com os seus feitiços (Na 3.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e anunciou que Deus a exporia à vergonha diante dos povos; todos os que a vissem fugiriam dela, e ninguém se compadeceria (Na 3.5-7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O profeta lembrou o destino de Tebas, a grande cidade egípcia protegida pelas águas do Nilo, que mesmo assim foi conquistada, e cujos habitantes foram levados para o exílio: seria Nínive melhor do que ela? (Na 3.8-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). As suas fortalezas cairiam como figos maduros que despencam na boca de quem sacode a figueira (Na 3.12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e os seus comerciantes e oficiais desapareceriam como gafanhotos que voam ao sol (Na 3.16-17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O livro termina com palavras dirigidas ao próprio rei da Assíria: os seus pastores dormiam, os seus nobres repousavam, e o seu povo estava espalhado pelos montes, sem ninguém para reuni-lo. A sua ferida era incurável, e todos os que ouvissem a notícia bateriam palmas, porque sobre quem não havia passado continuamente a sua maldade? (Na 3.18-19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Como o livro de Jonas, o de Naum termina com uma pergunta.

O cumprimento

Em 612 a.C., uma coalizão de babilônios e medos cercou e destruiu Nínive, como registra uma antiga crônica babilônica. A destruição foi tão completa que, cerca de dois séculos depois, o historiador grego Xenofonte passou pela região sem reconhecer o lugar. As ruínas de Nínive só foram identificadas e escavadas no século XIX, perto da atual cidade de Mossul, no Iraque; ali foram encontrados os palácios dos reis assírios e a grande biblioteca de Assurbanipal. Poucos anos depois da queda da capital, o império assírio desapareceu.

Fé e mensagem

A Bíblia não registra episódios da vida de Naum, mas o seu livro revela um profeta que confiava na justiça de Deus sobre a história e que trouxe consolo a um povo oprimido. A sua mensagem não é uma celebração da vingança humana, mas a afirmação de que Deus é justo e não deixa impune a violência dos poderosos (Na 1.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Na 3.19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e de que ele é refúgio para os que nele confiam (Na 1.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Legado

O livro de Naum faz parte dos Doze Profetas e forma, com o livro de Jonas, um par significativo: ambos tratam de Nínive, um mostrando a misericórdia de Deus para com a cidade arrependida, o outro mostrando a sua justiça contra a cidade que voltou à violência. As palavras de Naum sobre os pés de quem anuncia boas-novas (Na 1.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), muito próximas das de Isaías (Is 52.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), ecoam no Novo Testamento (Rm 10.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Naum não deve ser confundido com o Naum mencionado na genealogia de Jesus no Evangelho de Lucas (Lc 3.25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Conexão com Cristo

Naum anunciou a Judá os pés de quem traz boas-novas e proclama a paz (Na 1.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Paulo usou essas palavras, na forma muito semelhante em que aparecem em Isaías, para falar dos que anunciam o evangelho de Cristo: como são belos os pés dos que anunciam boas-novas! (Rm 10.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Is 52.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O próprio Cristo veio e anunciou a paz aos que estavam longe e aos que estavam perto (Ef 2.17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e, quando ele nasceu, os anjos proclamaram boas-novas de grande alegria e paz na terra (Lc 2.10-14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A paz que Naum anunciou com a queda do opressor encontra o seu sentido mais profundo na paz com Deus que Cristo conquistou (Rm 5.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Naum declarou que o Senhor é lento para se irar, mas não deixa o culpado impune (Na 1.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e, ao mesmo tempo, que ele é bom e é refúgio no dia da angústia (Na 1.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A justiça e a bondade de Deus se encontram de modo perfeito na cruz. Ali Deus demonstrou a sua justiça, sem deixar o pecado impune, e ao mesmo tempo justificou os que creem em Jesus (Rm 3.25-26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Por isso, os que estão em Cristo são livres da ira vindoura (1Ts 1.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e encontram nele o refúgio prometido (Hb 6.18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), o descanso para os cansados e sobrecarregados (Mt 11.28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Naum perguntou quem poderia suportar o ardor da ira de Deus (Na 1.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). No Apocalipse, a mesma pergunta aparece no grande dia da ira do Cordeiro: quem poderá subsistir? (Ap 6.16-17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A resposta vem logo em seguida, quando João vê uma grande multidão diante do trono, vestida de branco, porque lavou as suas vestes no sangue do Cordeiro (Ap 7.9,14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Quem não pode subsistir diante da ira de Deus encontra abrigo naquele que a suportou em seu lugar.

Por fim, Naum anunciou que Deus quebraria o jugo do opressor e romperia as correntes do seu povo (Na 1.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e que a cruel Nínive cairia (Na 3.19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Cristo veio quebrar um jugo ainda mais pesado: ele despojou os poderes do mal e triunfou sobre eles na cruz (Cl 2.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e nos chama à liberdade, para que não voltemos a nos submeter a um jugo de escravidão (Gl 5.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Apocalipse descreve, em linguagem semelhante à de Naum, a queda de outra cidade opressora, a grande Babilônia, e a vitória final do Cordeiro (Ap 18–19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E, se houver alguma relação entre o nome de Cafarnaum, "aldeia de Naum", e o profeta, é significativo que tenha sido justamente ali, na cidade cujo nome lembra "consolo", que Jesus estabeleceu a base do seu ministério na Galileia (Mt 4.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Livros onde aparece

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