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Antigo Testamento · Patriarcas

Noé

Significado do nome

"Descanso" ou "repouso"; seu pai, Lameque, explica que ele traria alívio do trabalho penoso numa terra amaldiçoada (Gn 5.29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

Posição / vínculo com a Bíblia

Patriarca justo e íntegro que achou graça diante de Deus; construiu a arca, por meio da qual Deus preservou a humanidade e os animais no dilúvio, e recebeu a aliança do arco-íris, firmada com toda a terra (Gn 6.8-9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gn 9.8-17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

Nascimento

Quando Lameque, seu pai, tinha 182 anos (Gn 5.28-29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

Morte

Aos 950 anos, trezentos e cinquenta anos depois do dilúvio (Gn 9.28-29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

Testamento

Antigo Testamento

Grupo

Patriarcas

Síntese histórica

Noé viveu numa época em que a maldade humana havia se multiplicado e a terra estava cheia de violência (Gn 6.5,11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Neto de Matusalém e bisneto de Enoque, foi o único de sua geração de quem a Escritura diz que era justo e íntegro e andava com Deus; antes disso, porém, diz que ele achou graça aos olhos do Senhor (Gn 6.8-9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Deus lhe revelou o juízo que viria e mandou que construísse uma arca, na qual ele, sua mulher, seus três filhos — Sem, Cam e Jafé — e as mulheres deles foram salvos do dilúvio, com casais de todas as espécies de animais (Gn 6.13–7.23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Depois das águas, Noé ofereceu um sacrifício, e Deus firmou com ele, com sua descendência e com todos os seres vivos a aliança de nunca mais destruir a terra por um dilúvio, dando o arco-íris como sinal (Gn 8.20–9.17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Dos seus filhos vieram as nações da terra (Gn 10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Novo Testamento o apresenta como herói da fé e pregador da justiça, e vê na arca uma figura da salvação em Cristo (Hb 11.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 1Pe 3.20-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 2Pe 2.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

História

Contexto e origem

Noé era filho de Lameque, da linhagem de Sete, a família em que se começou a invocar o nome do Senhor (Gn 4.26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gn 5.28-29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Era neto de Matusalém e bisneto de Enoque, o patriarca que andou com Deus e foi tomado por ele (Gn 5.21-24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ao nascer, recebeu do pai um nome cheio de esperança: Lameque disse que esse filho os consolaria do trabalho e da fadiga de suas mãos, na terra que o Senhor havia amaldiçoado (Gn 5.29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gn 3.17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Aos quinhentos anos, Noé gerou Sem, Cam e Jafé (Gn 5.32 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O mundo em que Noé viveu é descrito com cores sombrias. Gênesis menciona a união entre os "filhos de Deus" e as "filhas dos homens" e a presença dos nefilins (Gn 6.1-4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A passagem é das mais difíceis da Bíblia: há quem entenda os "filhos de Deus" como seres angelicais, quem os identifique com os descendentes de Sete que se misturaram aos de Caim, e quem veja neles governantes poderosos; o texto não decide a questão. Nesse contexto, Deus declarou que o seu Espírito não agiria para sempre no homem e que os dias dele seriam cento e vinte anos (Gn 6.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O diagnóstico é o mais severo da Escritura até então: o Senhor viu que a maldade do homem se multiplicara na terra e que todo desígnio do seu coração era continuamente mau. Arrependeu-se de ter feito o homem, e isso lhe pesou no coração; e decidiu eliminar da face da terra o ser humano e os animais (Gn 6.5-7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A linguagem do arrependimento divino não indica que Deus tenha errado, mas expressa sua dor diante do pecado. A terra estava corrompida e cheia de violência, porque toda carne havia corrompido o seu caminho (Gn 6.11-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Achou graça

É contra esse pano de fundo que aparece a frase decisiva: Noé, porém, achou graça aos olhos do Senhor (Gn 6.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Só depois o texto descreve o seu caráter: era homem justo e íntegro entre os seus contemporâneos, e andava com Deus (Gn 6.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A ordem importa. A justiça de Noé é real, mas a história começa com a graça de Deus que o alcança.

Deus revelou a Noé o que faria: poria fim a toda carne, porque a terra estava cheia de violência (Gn 6.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Mas anunciou também que estabeleceria com ele a sua aliança (Gn 6.18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). É a primeira vez que a palavra "aliança" aparece na Bíblia.

A construção da arca

Deus deu a Noé instruções precisas. A arca seria de madeira de gofer, com compartimentos, revestida de betume por dentro e por fora. Mediria trezentos côvados de comprimento, cinquenta de largura e trinta de altura — algo como 135 metros por 22 metros e meio por 13 metros e meio —, teria uma abertura para a luz no alto, uma porta lateral e três andares (Gn 6.14-16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Noé deveria entrar nela com a mulher, os filhos e as noras, e levar consigo um casal de cada espécie de animal, além de alimento para todos (Gn 6.18-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O texto resume a reação de Noé de modo simples: fez tudo conforme Deus lhe havia ordenado (Gn 6.22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gn 7.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A Bíblia não informa quanto tempo levou a construção; alguns relacionam os cento e vinte anos de Gn 6.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) a esse período, mas o texto não faz essa ligação de forma explícita.

O Novo Testamento ilumina esse tempo de espera. Hebreus diz que foi pela fé que Noé, avisado por Deus a respeito de coisas que ainda não se viam, construiu a arca com santo temor para salvar a sua família; por meio dela condenou o mundo e se tornou herdeiro da justiça que vem pela fé (Hb 11.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Pedro o chama de pregador da justiça (2Pe 2.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e lembra que a paciência de Deus aguardava nos dias de Noé, enquanto a arca era preparada (1Pe 3.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A própria obra, erguida em terra seca diante de uma geração incrédula, era um anúncio do juízo e um convite ao arrependimento.

O dilúvio

Quando a arca ficou pronta, o Senhor mandou Noé entrar com toda a sua casa, porque o reconhecera como justo naquela geração. Além dos casais de animais, deveria levar sete pares de cada espécie de animal puro e de aves, e em sete dias começaria a chuva (Gn 7.1-4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Noé tinha seiscentos anos (Gn 7.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

No ano seiscentos da vida de Noé, no décimo sétimo dia do segundo mês, romperam-se todas as fontes do grande abismo, e as comportas do céu se abriram; choveu sobre a terra quarenta dias e quarenta noites (Gn 7.11-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Noé, sua família e os animais entraram na arca, e o próprio Senhor fechou a porta atrás deles (Gn 7.13-16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

As águas cresceram e levantaram a arca, e prevaleceram sobre a terra até cobrir os montes mais altos; pereceu todo ser vivente que se movia sobre a terra, e só restaram Noé e os que estavam com ele na arca (Gn 7.17-23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). As águas dominaram a terra por cento e cinquenta dias (Gn 7.24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Há intérpretes que entendem o dilúvio como universal, cobrindo todo o planeta, e outros que o entendem como uma catástrofe de enorme proporção, mas regional, que atingiu todo o mundo habitado conhecido; o texto, de todo modo, o apresenta como juízo de Deus sobre toda a humanidade de então. Fora da Bíblia, antigas narrativas mesopotâmicas, como a Epopeia de Gilgamesh e o relato de Atrahasis, também falam de um grande dilúvio e de um homem que sobreviveu num barco. As semelhanças existem, mas as diferenças são profundas: em Gênesis, o dilúvio não é capricho de deuses, mas juízo do único Deus sobre o pecado, e a salvação vem da sua graça.

Deus se lembrou de Noé

O relato muda de direção com uma frase: Deus se lembrou de Noé e de todos os animais que estavam com ele na arca (Gn 8.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Fez soprar um vento sobre a terra, as fontes do abismo e as comportas do céu se fecharam, e as águas começaram a baixar. No décimo sétimo dia do sétimo mês, a arca repousou sobre os montes de Ararate, e no décimo mês apareceram os cumes dos montes (Gn 8.1-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Quarenta dias depois, Noé abriu a janela e soltou um corvo, que ia e voltava até as águas secarem. Depois soltou uma pomba, que não encontrou onde pousar e voltou. Sete dias depois, soltou-a de novo, e ela voltou ao entardecer com uma folha nova de oliveira no bico; Noé entendeu que as águas tinham baixado. Mais sete dias, e a pomba solta já não voltou (Gn 8.6-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

No primeiro dia do primeiro mês do ano seiscentos e um, Noé removeu a cobertura da arca e viu que a superfície estava seca; no vigésimo sétimo dia do segundo mês, a terra estava completamente seca (Gn 8.13-14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Noé passara cerca de um ano na arca. Só então Deus lhe ordenou que saísse com toda a família e os animais, para que se espalhassem e se multiplicassem sobre a terra (Gn 8.15-19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Assim como entrara por ordem de Deus, Noé só saiu por ordem de Deus.

O altar e a aliança

O primeiro ato de Noé na terra renovada foi adorar. Edificou um altar ao Senhor e ofereceu holocaustos de animais e aves puros. O Senhor aspirou o aroma agradável e decidiu não amaldiçoar mais a terra por causa do homem, embora reconhecesse que o coração humano continuava inclinado ao mal desde a juventude; e prometeu que, enquanto a terra durasse, não cessariam a semeadura e a colheita, o frio e o calor, o verão e o inverno, o dia e a noite (Gn 8.20-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Deus então abençoou Noé e seus filhos, repetindo a ordem dada a Adão: sejam fecundos, multipliquem-se e encham a terra (Gn 9.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gn 1.28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Deu-lhes os animais como alimento, assim como as plantas, mas proibiu comer carne com sangue, e declarou que exigiria contas de quem derramasse sangue humano, porque o ser humano foi feito à imagem de Deus (Gn 9.2-7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Em seguida, estabeleceu sua aliança com Noé, com seus descendentes e com todos os seres vivos que saíram da arca: nunca mais toda carne seria destruída pelas águas de um dilúvio (Gn 9.8-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Como sinal, Deus pôs o seu arco nas nuvens: sempre que ele aparecesse, Deus se lembraria da aliança eterna entre ele e toda criatura vivente (Gn 9.12-17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). É uma aliança de mão única, que não depende do comportamento humano, e universal, porque abrange toda a terra.

A embriaguez de Noé

Noé tornou-se lavrador e plantou uma vinha. Bebeu do vinho, embriagou-se e ficou descoberto dentro de sua tenda (Gn 9.20-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Cam, pai de Canaã, viu a nudez do pai e foi contar aos dois irmãos. Sem e Jafé tomaram uma capa, puseram-na sobre os ombros e, andando de costas, cobriram o pai, sem olhar para ele (Gn 9.22-23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Quando Noé despertou e soube o que o filho mais novo lhe fizera, pronunciou palavras proféticas sobre os descendentes: amaldiçoou Canaã, que seria servo dos irmãos; bendisse o Senhor, Deus de Sem; e desejou que Deus engrandecesse Jafé e que ele habitasse nas tendas de Sem (Gn 9.24-27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Essas palavras anunciam a história posterior: dos descendentes de Sem viriam Abraão e Israel (Gn 11.10-26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e Canaã seria a terra que Israel receberia.

É importante notar que a maldição recai sobre Canaã, e não sobre Cam nem sobre todos os seus descendentes. Ao longo da história, esse texto foi distorcido para justificar a escravidão de povos africanos — uma leitura sem apoio no texto e contrária ao ensino bíblico de que Deus fez de um só toda a raça humana (At 17.26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e de que em Cristo não há distinção entre os povos (Gl 3.28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Cl 3.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Os últimos anos

Noé viveu trezentos e cinquenta anos depois do dilúvio. Todos os seus dias foram novecentos e cinquenta anos, e morreu (Gn 9.28-29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A Escritura não registra onde. O capítulo seguinte, conhecido como a Tábua das Nações, apresenta os descendentes de Sem, Cam e Jafé e mostra que deles se espalharam as nações pela terra depois do dilúvio (Gn 10.1,32 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Fé e fraquezas

A Bíblia retrata Noé como homem de fé obediente. Era justo e íntegro e andava com Deus numa geração corrompida (Gn 6.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); fez tudo o que Deus lhe ordenou, sem que o texto registre uma objeção sequer (Gn 6.22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gn 7.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); creu em coisas que ainda não se viam (Hb 11.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); anunciou a justiça (2Pe 2.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); e, ao sair da arca, começou com adoração (Gn 8.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ezequiel o cita, ao lado de Daniel e de Jó, como modelo de justiça (Ez 14.14,20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Curiosamente, a Escritura não registra uma única palavra de Noé até o episódio da vinha; sua fé fala por meio da obediência.

A mesma Escritura não esconde sua queda. O homem que atravessou o juízo do dilúvio caiu na embriaguez e ficou exposto dentro da própria tenda (Gn 9.21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O texto não comenta o episódio com longas condenações, mas mostra suas consequências na família. A história de Noé termina, assim, confirmando o que Deus dissera ao sair da arca: o coração humano continua inclinado ao mal (Gn 8.21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Nem o dilúvio, nem a arca, nem um homem justo resolveram o problema do pecado. A justiça de Noé foi fruto da graça que o alcançou primeiro (Gn 6.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Legado

Noé é lembrado ao longo de toda a Bíblia. Isaías compara a fidelidade de Deus para com Israel ao juramento feito nos dias de Noé, de que as águas não cobririam mais a terra: assim também o seu amor e a sua aliança de paz não seriam removidos (Is 54.9-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ezequiel o cita como exemplo de justo (Ez 14.14,20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e as genealogias de Crônicas e de Lucas o incluem entre os antepassados de Israel e de Jesus (1Cr 1.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Lc 3.36 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Jesus comparou a sua vinda aos dias de Noé: as pessoas comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, despreocupadas, até o dia em que Noé entrou na arca e o dilúvio veio e levou a todos (Mt 24.37-39 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Lc 17.26-27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Hebreus o coloca na galeria da fé (Hb 11.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), Pedro o chama de pregador da justiça e usa o dilúvio como garantia de que Deus sabe livrar os justos e julgar os ímpios (2Pe 2.5,9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e lembra que o mundo de então pereceu pela água, enquanto os céus e a terra de agora estão reservados para o fogo do juízo (2Pe 3.5-7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Na tradição judaica posterior, desenvolveu-se a ideia dos sete preceitos de Noé, normas morais básicas que valeriam para toda a humanidade descendente dele; trata-se de uma elaboração rabínica, e não de um ensino do texto bíblico.

Conexão com Cristo

O Novo Testamento vê na arca uma figura da salvação. Pedro lembra que, nos dias de Noé, poucas pessoas, oito ao todo, foram salvas através da água, e acrescenta que isso corresponde ao batismo que agora salva — não pela remoção da sujeira do corpo, mas como compromisso de uma boa consciência para com Deus — por meio da ressurreição de Jesus Cristo (1Pe 3.20-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Assim como só havia salvação dentro da arca, só há salvação em Cristo (At 4.12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A tradição cristã viu ainda na única porta da arca (Gn 6.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) uma imagem de Jesus, que disse ser a porta pela qual quem entrar será salvo (Jo 10.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e no fato de Deus ter fechado a porta (Gn 7.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) um alerta de que há um tempo para entrar (Mt 25.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) — leituras que se apresentam com moderação.

Jesus mesmo fez dos dias de Noé um retrato da sua volta (Mt 24.37-39 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O dilúvio não é apenas um fato do passado: é um aviso de que haverá um juízo final, e um chamado a estar preparado. A demora desse dia, como a longa espera enquanto a arca era construída, é paciência de Deus, que deseja que todos cheguem ao arrependimento (1Pe 3.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 2Pe 3.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O sacrifício de Noé ao sair da arca, que subiu a Deus como aroma agradável (Gn 8.20-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), encontra eco direto na linguagem de Paulo sobre Cristo, que se entregou por nós como oferta e sacrifício de aroma suave a Deus (Ef 5.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Depois do sacrifício de Noé, Deus prometeu não amaldiçoar mais a terra; depois do sacrifício de Cristo, a maldição é removida dos que creem (Gl 3.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e, no fim, já não haverá maldição alguma (Ap 22.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A aliança universal com Noé prepara o caminho para a nova aliança no sangue de Cristo (Lc 22.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O arco-íris, sinal de que o juízo não destruiria a terra, reaparece ao redor do trono de Deus na visão do Apocalipse (Ap 4.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), como lembrança de que o Deus que reina é o Deus fiel às suas promessas.

O nome de Noé — "descanso" — carregava a esperança de alívio para uma humanidade cansada pela maldição (Gn 5.29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Noé trouxe um recomeço, mas não o descanso pleno. Esse descanso é oferecido por Jesus a todos os cansados e sobrecarregados (Mt 11.28-29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e permanece como promessa para o povo de Deus (Hb 4.9-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A tradição cristã também associou a pomba que trouxe o ramo de oliveira, anunciando o fim do juízo, à pomba que desceu sobre Jesus no batismo, quando o Espírito o ungiu para a sua missão (Mt 3.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) — mais uma leitura tipológica, apresentada com moderação.

Por fim, a bênção sobre Sem (Gn 9.26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) aponta para a linhagem da qual viria Abraão e, dele, Cristo (Lc 3.36 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e o desejo de que Jafé habitasse nas tendas de Sem (Gn 9.27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) foi lido por muitos intérpretes como antecipação da inclusão das nações na família de Deus, cumprida quando, em Cristo, os que estavam longe foram aproximados e se tornaram concidadãos dos santos (Ef 2.13,19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

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