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Farol Bíblico
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Novo Testamento · Apóstolos e discípulos

Paulo

Outros nomes

Saulo, Saulo de Tarso (At 9.11), apóstolo dos gentios (Rm 11.13)

Significado do nome

Saulo é a forma grega do hebraico Saul, "pedido" (1Sm 9.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); Paulo vem do latim Paulus, "pequeno"

Posição / vínculo com a Bíblia

Fariseu e perseguidor da igreja que, depois de ver o Senhor ressuscitado no caminho de Damasco, tornou-se apóstolo de Jesus Cristo aos gentios, o maior missionário da igreja primitiva e autor de treze cartas do Novo Testamento

Nascimento

Tarso, na Cilícia (At 22.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), provavelmente entre os anos 5 e 10 d.C.

Morte

Segundo a tradição, decapitado em Roma durante a perseguição do imperador Nero, por volta de 64 a 67 d.C.

Testamento

Novo Testamento

Grupo

Apóstolos e discípulos

Síntese histórica

Paulo, também chamado Saulo, era um judeu nascido em Tarso, na Cilícia, cidadão romano desde o nascimento, da tribo de Benjamim, educado em Jerusalém aos pés do mestre Gamaliel e membro zeloso do partido dos fariseus (At 22.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); At 22.28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Fp 3.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Convicto de que defendia a Lei de Deus, aprovou a morte de Estêvão e perseguiu violentamente a igreja (At 8.1-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gl 1.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A caminho de Damasco, para prender os discípulos daquela cidade, viu Jesus ressuscitado numa luz vinda do céu e ouviu dele a pergunta sobre por que o perseguia (At 9.1-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Recebido na fé por Ananias, foi batizado e começou imediatamente a anunciar que Jesus é o Filho de Deus (At 9.17-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Chamado para levar o nome de Cristo aos gentios (At 9.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gl 1.15-16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), Paulo percorreu durante cerca de três décadas as estradas e os mares do mundo romano, fundando igrejas na Galácia, na Macedônia, na Acaia e na Ásia, sofrendo prisões, açoites, apedrejamento e naufrágios (2Co 11.23-28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Suas cartas a essas igrejas e a colaboradores formam quase metade dos livros do Novo Testamento e expõem, com profundidade única, a justificação pela fé, a vida em Cristo e a natureza da igreja. Preso em Jerusalém, apelou para César e foi levado a Roma, onde Atos o deixa anunciando o Reino de Deus com toda a liberdade (At 28.30-31 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A tradição afirma que ali morreu como mártir. Poucas pessoas na história influenciaram tão profundamente a fé cristã.

História

Contexto e origem

Paulo nasceu em Tarso, capital da província romana da Cilícia, no sudeste da atual Turquia. Era uma cidade próspera, centro de comércio e de estudos filosóficos, e o próprio Paulo a chamou de cidade não insignificante (At 21.39 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ali conviviam a cultura grega, a administração romana e uma comunidade judaica fiel às tradições dos pais.

Paulo descreve a sua origem com orgulho: circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus e, quanto à Lei, fariseu (Fp 3.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Rm 11.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Era também filho de fariseu (At 23.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Além disso, possuía a cidadania romana por nascimento, privilégio que poucos judeus tinham e que mais de uma vez o protegeu (At 16.37-39 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); At 22.25-29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Sabia falar grego e aramaico (At 21.37 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); At 21.40 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e conhecia bem as Escrituras hebraicas e a cultura grega, a ponto de citar poetas gregos (At 17.28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Ainda jovem, foi para Jerusalém, onde foi educado aos pés de Gamaliel, um dos mestres mais respeitados da Lei (At 22.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); At 5.34 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ele mesmo testemunhou que avançava no judaísmo mais do que muitos da sua idade, sendo extremamente zeloso das tradições dos pais (Gl 1.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Como era costume entre os mestres judeus, aprendeu também um ofício manual: era fabricante de tendas (At 18.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Atos menciona uma irmã e um sobrinho que moravam em Jerusalém (At 23.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Não há indicação de que tenha se casado; em suas cartas, ele se apresenta como alguém que vivia sem esposa (1Co 7.7-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 1Co 9.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Dois nomes, um homem

É comum pensar que Saulo mudou de nome para Paulo ao se converter, mas o texto bíblico não diz isso. Muitos judeus da diáspora usavam dois nomes: um hebraico, para a vida na comunidade judaica, e outro grego ou latino, para a vida no mundo romano. Saulo, nome do primeiro rei de Israel, também da tribo de Benjamim (1Sm 9.1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), era o seu nome judaico; Paulo, o seu nome romano. Lucas usa Saulo nos primeiros relatos e, durante a primeira viagem missionária, na ilha de Chipre, apresenta-o como Saulo, também chamado Paulo (At 13.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A partir daí, quando a missão se volta claramente para o mundo dos gentios, passa a chamá-lo apenas de Paulo. Em todas as suas cartas, ele se apresenta como Paulo.

O perseguidor

Saulo aparece pela primeira vez na Escritura como o jovem aos pés de quem as testemunhas deixaram as vestes enquanto apedrejavam Estêvão, e Lucas registra que ele consentia naquela morte (At 7.58 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); At 8.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Em seguida, assolava a igreja, entrando nas casas e arrastando homens e mulheres para a prisão (At 8.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Mais tarde, Paulo descreveria esse período com dor. Contou ao rei Agripa que, convicto de que devia agir contra o nome de Jesus, prendeu muitos santos com autorização dos principais sacerdotes, votou contra eles quando eram condenados à morte, castigou-os nas sinagogas tentando forçá-los a blasfemar e os perseguiu até em cidades estrangeiras (At 26.9-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Escreveu que perseguia a igreja de Deus sobremaneira e procurava destruí-la (Gl 1.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), que se considerava o menor dos apóstolos, indigno de ser chamado apóstolo, por ter perseguido a igreja (1Co 15.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e que antes fora blasfemo, perseguidor e insolente (1Tm 1.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Não o fazia por maldade consciente, mas por um zelo religioso sem entendimento: quanto à justiça que há na Lei, considerava-se irrepreensível (Fp 3.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

No caminho de Damasco

Ainda respirando ameaças e morte contra os discípulos, Saulo pediu ao sumo sacerdote cartas para as sinagogas de Damasco, a fim de levar presos a Jerusalém todos os que encontrasse seguindo o Caminho (At 9.1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ao aproximar-se da cidade, por volta do meio-dia, uma luz do céu, mais brilhante do que o sol, envolveu a ele e aos que o acompanhavam (At 9.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); At 26.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Caindo por terra, ouviu uma voz que o chamava pelo nome e perguntava por que o perseguia. Quando perguntou quem era, ouviu a resposta: "Eu sou Jesus, a quem tu persegues" (At 9.4-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Segundo o relato feito diante de Agripa, Jesus acrescentou que lhe era duro recalcitrar contra os aguilhões, imagem do boi que fere a si mesmo ao dar coices contra a vara do lavrador (At 26.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Lucas narra esse acontecimento três vezes, o que mostra a sua importância (At 9.1-19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); At 22.6-16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); At 26.12-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Saulo levantou-se cego e foi levado pela mão até Damasco, onde ficou três dias sem ver, sem comer e sem beber (At 9.8-9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Senhor enviou-lhe Ananias, um discípulo da cidade, que lhe impôs as mãos chamando-o de irmão. Saulo voltou a ver, foi cheio do Espírito Santo e foi batizado (At 9.10-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Desde o primeiro momento, o Senhor revelou o propósito daquele chamado: Saulo seria um instrumento escolhido para levar o seu nome aos gentios, aos reis e aos filhos de Israel, e sofreria muito por esse nome (At 9.15-16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Paulo sempre entendeu esse encontro como uma aparição real do Cristo ressuscitado, que o tornava testemunha da ressurreição como os demais apóstolos. Ao listar as aparições de Jesus, colocou-se no fim, como o último a vê-lo, como um nascido fora de tempo (1Co 15.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E perguntou aos coríntios se ele não tinha visto Jesus, nosso Senhor (1Co 9.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A data da conversão é geralmente situada entre os anos 33 e 36 d.C.

Os primeiros anos

Logo depois de batizado, Saulo começou a anunciar nas sinagogas de Damasco que Jesus é o Filho de Deus, deixando perplexos os que o conheciam como perseguidor (At 9.19-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Na carta aos Gálatas, ele acrescenta que, depois do chamado, não consultou ninguém, mas foi para a Arábia e voltou a Damasco (Gl 1.15-17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A Arábia, nesse caso, era provavelmente o reino dos nabateus, a leste e ao sul de Damasco. A Escritura não diz o que ele fez ali; muitos supõem um tempo de reflexão sobre as Escrituras à luz de Cristo, outros, um início de pregação.

Em Damasco, os judeus tramaram matá-lo, e os portões da cidade eram vigiados. Os discípulos o desceram de noite pela muralha, dentro de um cesto (At 9.23-25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Paulo conta que foi o governador do rei Aretas quem guardava a cidade para prendê-lo (2Co 11.32-33 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Três anos depois da conversão, subiu a Jerusalém para conhecer Pedro e ficou com ele quinze dias, encontrando também Tiago, irmão do Senhor (Gl 1.18-19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os discípulos de Jerusalém tinham medo dele, não acreditando que fosse discípulo, mas Barnabé o recebeu, levou-o aos apóstolos e contou como ele vira o Senhor e pregara com coragem em Damasco (At 9.26-28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Quando os judeus de língua grega tentaram matá-lo, os irmãos o levaram a Cesareia e o enviaram para Tarso (At 9.29-30 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Seguiram-se alguns anos sobre os quais pouco se sabe, nos quais Paulo esteve nas regiões da Síria e da Cilícia (Gl 1.21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Antioquia

Enquanto isso, o evangelho chegara a Antioquia da Síria, a terceira maior cidade do Império, e ali muitos gregos haviam crido (At 11.19-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A igreja de Jerusalém enviou Barnabé, que, vendo a graça de Deus, foi a Tarso procurar Saulo e o levou para Antioquia. Durante um ano inteiro, os dois ensinaram uma grande multidão, e foi em Antioquia que os discípulos foram chamados de cristãos pela primeira vez (At 11.22-26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Quando o profeta Ágabo anunciou uma grande fome, a igreja enviou ajuda aos irmãos da Judeia por meio de Barnabé e Saulo (At 11.27-30 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); At 12.25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A primeira viagem missionária

Enquanto os profetas e mestres da igreja de Antioquia serviam ao Senhor e jejuavam, o Espírito Santo disse que separassem Barnabé e Saulo para a obra a que os havia chamado. Depois de jejuar e orar, impuseram-lhes as mãos e os despediram (At 13.1-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Essa primeira viagem é geralmente datada por volta dos anos 46 a 48 d.C.

Acompanhados por João Marcos, foram primeiro a Chipre, terra de Barnabé. Em Pafos, o procônsul Sérgio Paulo quis ouvir a palavra de Deus, mas um mágico chamado Elimas tentava afastá-lo da fé. Paulo, cheio do Espírito Santo, repreendeu-o, e o mágico ficou cego por algum tempo. Vendo isso, o procônsul creu, maravilhado com a doutrina do Senhor (At 13.4-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A partir desse episódio, Paulo passa a liderar a equipe, e Lucas fala de Paulo e seus companheiros (At 13.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Em Perge, na Panfília, João Marcos os deixou e voltou para Jerusalém (At 13.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Em Antioquia da Pisídia, Paulo pregou na sinagoga, percorrendo a história de Israel até Jesus, descendente de Davi, e anunciando que por meio dele é proclamado o perdão dos pecados e que todo o que crê é justificado (At 13.16-39 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Quando os judeus se opuseram, Paulo e Barnabé declararam que se voltavam para os gentios, porque assim o Senhor ordenara ao fazer do seu Servo luz para os gentios, a fim de levar a salvação até os confins da terra (At 13.46-47 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Is 49.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os gentios se alegraram, e a palavra se espalhou por toda a região (At 13.48-49 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Em Icônio, muitos judeus e gregos creram, mas, diante de uma conspiração para apedrejá-los, fugiram (At 14.1-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Em Listra, Paulo curou um homem coxo de nascença, e a multidão, pensando que os deuses haviam descido, quis oferecer sacrifícios a Barnabé, chamando-o de Zeus, e a Paulo, de Hermes. Os dois rasgaram as vestes e anunciaram o Deus vivo, criador do céu e da terra (At 14.8-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Pouco depois, judeus vindos de Antioquia e de Icônio persuadiram a multidão, que apedrejou Paulo e o arrastou para fora da cidade, julgando-o morto. Mas, quando os discípulos o rodearam, ele se levantou e voltou à cidade (At 14.19-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Seguiram para Derbe e, depois, refizeram o caminho, fortalecendo os discípulos, exortando-os a permanecer na fé e designando presbíteros em cada igreja (At 14.21-23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). De volta a Antioquia, contaram à igreja como Deus havia aberto aos gentios a porta da fé (At 14.26-27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O concílio de Jerusalém

Algum tempo depois, chegaram a Antioquia alguns homens da Judeia ensinando que, se os gentios não fossem circuncidados segundo o costume de Moisés, não poderiam ser salvos. Paulo e Barnabé discordaram firmemente, e a igreja os enviou a Jerusalém para tratar da questão com os apóstolos e os presbíteros (At 15.1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Na assembleia, por volta do ano 49 d.C., Pedro lembrou que Deus purificara o coração dos gentios pela fé, sem fazer distinção, e afirmou que todos são salvos pela graça do Senhor Jesus. Paulo e Barnabé relataram os sinais que Deus fizera entre os gentios, e Tiago concluiu que não se devia impor aos gentios convertidos o peso da Lei, mas apenas pedir-lhes que evitassem algumas práticas especialmente ofensivas aos judeus (At 15.6-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A decisão foi enviada às igrejas numa carta e recebida com alegria (At 15.22-31 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Na carta aos Gálatas, Paulo conta que subiu a Jerusalém com Barnabé e Tito e expôs aos líderes o evangelho que pregava entre os gentios, e que Tiago, Pedro e João lhe estenderam a destra de comunhão (Gl 2.1-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Muitos estudiosos identificam esse encontro com o concílio de Atos 15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); outros o relacionam à visita para levar a ajuda contra a fome (At 11.30 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Paulo conta também que, em Antioquia, repreendeu Pedro publicamente, quando este deixou de comer com os gentios por medo dos que vinham de Jerusalém, porque essa atitude contradizia a verdade do evangelho (Gl 2.11-14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A segunda viagem missionária

Quando Paulo propôs a Barnabé visitar as igrejas fundadas na primeira viagem, os dois discordaram sobre levar João Marcos, que os havia abandonado. O desentendimento foi tão forte que se separaram: Barnabé foi com Marcos para Chipre, e Paulo escolheu Silas e partiu pela Síria e pela Cilícia (At 15.36-41 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Essa viagem é geralmente datada por volta dos anos 49 a 52 d.C. Em Listra, juntou-se a eles Timóteo, filho de mãe judia crente e pai grego, que se tornaria o mais próximo colaborador de Paulo (At 16.1-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Fp 2.19-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Impedidos pelo Espírito Santo de pregar na Ásia e na Bitínia, chegaram a Trôade, onde Paulo teve, de noite, a visão de um macedônio que lhe pedia que passasse à Macedônia e os ajudasse (At 16.6-9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Nesse ponto, o relato de Atos passa a usar a primeira pessoa do plural, indicando que o autor, tradicionalmente identificado com Lucas, se juntou ao grupo (At 16.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Assim o evangelho chegou à Europa.

Em Filipos, colônia romana, o Senhor abriu o coração de Lídia, uma vendedora de púrpura, que foi batizada com a sua casa e hospedou os missionários (At 16.13-15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Depois que Paulo expulsou um espírito de adivinhação de uma jovem escrava, os seus donos, vendo perdida a fonte de lucro, levaram Paulo e Silas aos magistrados, que os mandaram açoitar e prender. À meia-noite, os dois oravam e cantavam hinos a Deus, quando um terremoto abriu as portas da prisão. O carcereiro, prestes a se matar, foi impedido por Paulo e perguntou o que devia fazer para ser salvo. Ouviu que cresse no Senhor Jesus, e foi batizado com toda a sua família (At 16.16-34 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). No dia seguinte, Paulo invocou a sua cidadania romana, e os magistrados, assustados, vieram pedir-lhes que saíssem da cidade (At 16.35-40 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Em Tessalônica, Paulo argumentou nas sinagogas, a partir das Escrituras, que era necessário que o Cristo padecesse e ressuscitasse, e que esse Cristo é Jesus. Muitos creram, mas um tumulto o obrigou a partir (At 17.1-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Em Bereia, os judeus receberam a palavra com avidez e examinavam as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram assim (At 17.10-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Em Atenas, o coração de Paulo se revoltava ao ver a cidade cheia de ídolos. Discutia na sinagoga e na praça e foi levado ao Areópago, onde fez um discurso aos filósofos. Partindo de um altar dedicado a um deus desconhecido, anunciou o Deus que criou o mundo, que não habita em templos feitos por mãos humanas e que agora ordena a todos que se arrependam, porque estabeleceu um dia para julgar o mundo por meio de um homem que ressuscitou dos mortos. Citou até um poeta grego para mostrar que somos geração de Deus. Quando falou da ressurreição, alguns zombaram, mas outros creram, entre eles Dionísio, membro do Areópago, e uma mulher chamada Dâmaris (At 17.16-34 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Em Corinto, Paulo encontrou Áquila e Priscila, judeus expulsos de Roma por decreto do imperador Cláudio, que, como ele, eram fabricantes de tendas, e passou a morar e trabalhar com eles (At 18.1-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ficou ali um ano e seis meses, encorajado por uma visão em que o Senhor lhe disse que não temesse, porque tinha muito povo naquela cidade (At 18.9-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Quando os judeus o levaram ao tribunal do procônsul Gálio, este recusou o caso como uma questão religiosa interna (At 18.12-17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Uma inscrição encontrada em Delfos, na Grécia, permite datar o proconsulado de Gálio por volta de 51 ou 52 d.C., e esse é um dos pontos mais seguros da cronologia de Paulo. Foi provavelmente de Corinto que ele escreveu as duas cartas aos Tessalonicenses.

A terceira viagem missionária

A terceira viagem, por volta dos anos 53 a 57 d.C., teve como centro a cidade de Éfeso, capital da província da Ásia, onde Paulo permaneceu cerca de três anos (At 19.1-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); At 20.31 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Durante dois anos, ensinou diariamente na escola de um certo Tirano, de modo que todos os habitantes da Ásia, judeus e gregos, ouviram a palavra do Senhor (At 19.9-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Deus fazia milagres extraordinários por meio dele (At 19.11-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e muitos que praticavam magia queimaram publicamente os seus livros, de valor muito alto (At 19.18-19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A pregação afetou o comércio de imagens da deusa Ártemis, e o ourives Demétrio provocou um grande tumulto no teatro da cidade, que só foi contido pelo escrivão municipal (At 19.23-41 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Desse período vêm várias cartas. De Éfeso, Paulo escreveu a primeira carta aos Coríntios (1Co 16.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); da Macedônia, a segunda (2Co 7.5-7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); e, de Corinto, a carta aos Romanos, por volta de 57 d.C., quando se preparava para levar a Jerusalém uma oferta das igrejas dos gentios para os pobres da Judeia e planejava ir depois a Roma e à Espanha (Rm 15.23-28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 1Co 16.1-4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 2Co 8.1-9.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Na volta, em Trôade, um jovem chamado Êutico adormeceu durante um longo discurso de Paulo, caiu de uma janela e foi levantado morto; Paulo o abraçou, e o rapaz foi restituído vivo (At 20.7-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Em Mileto, Paulo reuniu os presbíteros da igreja de Éfeso e lhes fez uma despedida comovente. Lembrou que os servira com humildade, lágrimas e provações, que não deixara de anunciar todo o conselho de Deus, que trabalhara com as próprias mãos e que não considerava a sua vida preciosa, contanto que completasse a carreira e o ministério recebido do Senhor Jesus. Exortou-os a pastorear a igreja de Deus, que ele comprou com o seu próprio sangue, e lembrou as palavras do Senhor de que mais bem-aventurado é dar do que receber. Todos choraram, abraçando-o, porque não voltariam a ver o seu rosto (At 20.17-38 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A prisão em Jerusalém

Ao longo da viagem, o Espírito advertia Paulo de que prisões e tribulações o esperavam (At 20.22-23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Em Cesareia, na casa de Filipe, o evangelista, o profeta Ágabo amarrou as próprias mãos e os pés com o cinto de Paulo, anunciando que assim os judeus fariam com ele em Jerusalém. Diante dos apelos dos irmãos, Paulo respondeu que estava pronto não só para ser amarrado, mas também para morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus (At 21.8-14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Em Jerusalém, Paulo foi recebido por Tiago e pelos presbíteros e, para mostrar que não desprezava a Lei, aceitou participar de um rito de purificação no templo (At 21.17-26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Alguns judeus da Ásia, porém, acusaram-no de ensinar contra o povo, a Lei e o templo, e de ter levado gregos ao santuário. A multidão o arrastou para fora do templo e tentava matá-lo, quando o comandante da guarnição romana interveio e o prendeu (At 21.27-36 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Com permissão do comandante, Paulo falou ao povo em aramaico, contando a sua conversão, mas, quando mencionou que o Senhor o enviara aos gentios, a multidão voltou a gritar contra ele (At 22.1-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Prestes a ser açoitado, Paulo declarou a sua cidadania romana e foi poupado (At 22.24-29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Diante do Sinédrio, Paulo afirmou que estava sendo julgado por causa da esperança da ressurreição dos mortos, o que dividiu fariseus e saduceus (At 23.6-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Na noite seguinte, o Senhor apareceu-lhe e disse que tivesse coragem, porque, assim como dera testemunho dele em Jerusalém, devia dá-lo também em Roma (At 23.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Mais de quarenta homens fizeram juramento de não comer nem beber enquanto não o matassem, mas o sobrinho de Paulo descobriu a trama, e o comandante enviou Paulo sob forte escolta a Cesareia, ao governador Félix (At 23.12-35 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Cesareia

Em Cesareia, Paulo defendeu-se diante de Félix, que, embora conhecesse bem o Caminho, adiou o julgamento. Em conversas particulares, Paulo falou-lhe da justiça, do domínio próprio e do juízo vindouro, e Félix ficou amedrontado, mas o manteve preso por dois anos, esperando receber dinheiro (At 24.1-27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Quando Festo assumiu o governo e propôs levá-lo a Jerusalém para ser julgado, Paulo, como cidadão romano, apelou para César (At 25.1-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Antes de enviá-lo, Festo apresentou-o ao rei Herodes Agripa II e à sua irmã Berenice. Paulo contou de novo a sua conversão e anunciou que o Cristo devia padecer e ser o primeiro a ressuscitar dos mortos, anunciando luz ao povo e aos gentios. Festo disse que as muitas letras o faziam delirar, e Agripa comentou que, por pouco, Paulo o persuadia a se fazer cristão. Paulo respondeu que desejaria que todos os que o ouviam se tornassem como ele, exceto pelas correntes (At 26.1-29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A viagem a Roma

Paulo foi entregue a um centurião chamado Júlio e embarcou para a Itália, acompanhado por Lucas e por Aristarco (At 27.1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Já no fim da estação favorável à navegação, o navio foi apanhado por uma tempestade violenta e ficou à deriva por catorze dias. Quando todos haviam perdido a esperança, Paulo contou que um anjo de Deus lhe aparecera, garantindo que ele compareceria diante de César e que Deus lhe concedera a vida de todos os que navegavam com ele. O navio encalhou e se despedaçou perto da ilha de Malta, mas as duzentas e setenta e seis pessoas a bordo chegaram salvas a terra (At 27.9-44 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Em Malta, uma víbora prendeu-se à mão de Paulo, mas ele a sacudiu no fogo e não sofreu nenhum mal. Paulo curou o pai do principal da ilha e muitos outros doentes (At 28.1-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Três meses depois, a viagem continuou, e os irmãos de Roma foram ao seu encontro na estrada, o que encheu Paulo de ânimo (At 28.11-15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Em Roma, foi-lhe permitido morar por conta própria, guardado por um soldado. Reuniu os líderes judeus e lhes anunciou o Reino de Deus a partir da Lei e dos profetas. Alguns creram, outros não (At 28.16-28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O livro de Atos termina dizendo que Paulo permaneceu dois anos inteiros na casa que alugara, recebendo todos os que o procuravam, pregando o Reino de Deus e ensinando a respeito do Senhor Jesus Cristo com toda a ousadia e sem impedimento (At 28.30-31 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

As cartas da prisão e os últimos anos

Durante a prisão, Paulo escreveu cartas às igrejas e a colaboradores, chamado por isso de prisioneiro de Cristo Jesus (Ef 3.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Fm 1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A maioria dos estudiosos situa em Roma as cartas aos Efésios, aos Filipenses, aos Colossenses e a Filemom, embora alguns proponham Éfeso ou Cesareia para parte delas. Na carta aos Filipenses, escrita com alegria apesar das correntes, Paulo afirmou que para ele o viver é Cristo e o morrer é lucro (Fp 1.21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O Novo Testamento não narra o fim da vida de Paulo. As cartas a Timóteo e a Tito sugerem que ele foi libertado depois da primeira prisão em Roma e voltou a viajar, passando por Creta, Éfeso e a Macedônia (1Tm 1.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Tt 1.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Tt 3.12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Clemente de Roma, no fim do século I, escreveu que Paulo chegou ao limite do Ocidente, o que muitos entendem como uma referência à Espanha, que ele planejava visitar (Rm 15.24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A segunda carta a Timóteo mostra Paulo preso outra vez, sozinho, abandonado por alguns e acompanhado apenas por Lucas, esperando a morte. Ali escreveu que estava sendo oferecido por libação, que o tempo da sua partida havia chegado, que combatera o bom combate, terminara a carreira e guardara a fé, e que lhe estava reservada a coroa da justiça (2Tm 4.6-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 2Tm 4.10-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 2Tm 4.16-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

As cartas de Paulo

Treze cartas do Novo Testamento levam o nome de Paulo: Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Timóteo, Tito e Filemom. São os documentos cristãos mais antigos que conhecemos, alguns escritos menos de vinte anos depois da ressurreição de Jesus. A tradição da igreja sempre as recebeu como escritas por Paulo. Parte dos estudiosos modernos, porém, questiona a autoria de algumas delas, especialmente das cartas pastorais, de Efésios, de Colossenses e de 2 Tessalonicenses, enquanto outros defendem a autoria paulina de todas. A carta aos Hebreus, que alguns antigos atribuíram a Paulo, não traz o nome do autor, e a maioria dos intérpretes hoje não a considera dele.

O apóstolo Pedro já reconhecia o valor dessas cartas, dizendo que Paulo escrevera segundo a sabedoria que lhe foi dada, e que nelas há pontos difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis distorcem, como fazem com as demais Escrituras (2Pe 3.15-16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Por meio delas, Paulo expôs, com profundidade única, a justificação do pecador pela graça, mediante a fé, sem as obras da Lei (Rm 3.21-26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gl 2.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Ef 2.8-9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); a união do crente com Cristo na sua morte e ressurreição (Rm 6.3-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); a obra do Espírito Santo (Rm 8.1-17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gl 5.16-25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); a igreja como corpo de Cristo, onde judeus e gentios formam um só povo (1Co 12.12-27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Ef 2.11-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); a primazia do amor (1Co 13.1-13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); e a esperança da ressurreição dos mortos (1Co 15.1-58 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 1Ts 4.13-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O homem e os seus sofrimentos

As cartas revelam um homem de intensidade rara. Paulo trabalhava com as próprias mãos para não ser pesado às igrejas (At 20.34 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 1Ts 2.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), cuidava delas como uma mãe que acaricia os filhos (1Ts 2.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e carregava diariamente a preocupação com todas elas (2Co 11.28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Era capaz de repreender com firmeza (Gl 3.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e de chorar pelos que se perdiam (Fp 3.18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Teve conflitos, como com Barnabé (At 15.39 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e reconciliações, como com Marcos, a quem mais tarde pediu que viesse ter com ele por lhe ser útil no ministério (Cl 4.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 2Tm 4.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Seus sofrimentos foram imensos. Ele mesmo os enumerou: muitas prisões, açoites sem medida, perigo de morte muitas vezes; cinco vezes recebeu dos judeus quarenta açoites menos um; três vezes foi fustigado com varas; uma vez apedrejado; três vezes naufragou; passou uma noite e um dia no abismo; enfrentou perigos de rios, de salteadores, dos seus compatriotas, dos gentios, na cidade, no deserto e no mar; conheceu trabalho, fadiga, vigílias, fome, sede, frio e nudez (2Co 11.23-27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Além disso, carregava um espinho na carne, que pediu três vezes ao Senhor que o tirasse, e ouviu dele que a sua graça lhe bastava, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza (2Co 12.7-9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A Escritura não diz o que era esse espinho, e as hipóteses dos intérpretes, de uma doença nos olhos a uma oposição persistente, não passam de suposições.

A tradição posterior

Clemente de Roma, escrevendo por volta do ano 96, afirma que Paulo deu testemunho diante dos governantes e partiu deste mundo depois de sofrer. Escritores posteriores, como Tertuliano e Eusébio de Cesareia, registram que ele foi decapitado em Roma no tempo de Nero, o que corresponde ao modo de execução reservado aos cidadãos romanos. A tradição situa o martírio na estrada para Óstia, num lugar hoje chamado Três Fontes, e o seu túmulo sob a basílica de São Paulo Fora dos Muros. Um texto apócrifo do século II, os Atos de Paulo, descreve-o como homem de baixa estatura, calvo, de pernas arqueadas e sobrancelhas unidas. Nada disso pertence ao texto bíblico, e deve ser recebido apenas como tradição.

Fé e legado

Poucos homens mudaram tanto a história quanto Paulo. O perseguidor tornou-se o maior missionário da igreja, levando o evangelho do mundo judaico ao coração do Império Romano e abrindo definitivamente as portas da fé aos gentios. Suas cartas moldaram a teologia cristã de todos os séculos e estiveram no centro de grandes renovações da igreja, como a de Agostinho, no século IV, e a da Reforma Protestante, no século XVI. Ao mesmo tempo, Paulo nunca se viu como um herói. Chamava-se o principal dos pecadores (1Tm 1.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), o menor dos apóstolos (1Co 15.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e um vaso de barro que carregava um tesouro (2Co 4.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Atribuía tudo à graça: pela graça de Deus, era o que era, e essa graça não fora inútil (1Co 15.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Sua vida ensina que ninguém está fora do alcance de Cristo e que o maior inimigo do evangelho pode se tornar o seu maior servo.

Conexão com Cristo

A vida de Paulo é um testemunho vivo da graça de Cristo. Ele mesmo ensinou que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais ele era o principal, e que alcançou misericórdia para que Jesus mostrasse nele toda a sua longanimidade, como exemplo para os que haveriam de crer (1Tm 1.15-16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Se o Senhor transformou o perseguidor em apóstolo, nenhum pecador está longe demais da sua misericórdia.

O encontro no caminho de Damasco revelou uma verdade que marcaria toda a teologia de Paulo: Cristo e a sua igreja são um. Jesus não perguntou a Saulo por que perseguia os discípulos, mas por que perseguia a ele (At 9.4-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Paulo ensinaria depois que a igreja é o corpo de Cristo, e que ele é a cabeça (1Co 12.27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Ef 1.22-23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Cl 1.18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Pode-se ver também, na própria história de Paulo, um contraste com o seu homônimo. O rei Saul, da tribo de Benjamim, perseguiu Davi, o ungido do Senhor (1Sm 19.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); Saulo, também benjamita, perseguiu o Filho de Davi, o Ungido de Deus, até ser alcançado por ele e passar a servi-lo.

Toda a mensagem de Paulo tinha Cristo como centro. Diante dos coríntios, decidiu nada saber senão a Jesus Cristo, e este crucificado (1Co 2.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Proclamou o Cristo que, sendo em forma de Deus, esvaziou-se, tornou-se obediente até a morte de cruz e foi exaltado acima de todo nome (Fp 2.5-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); o último Adão, que restaura o que o primeiro perdeu (Rm 5.12-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 1Co 15.45 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); a imagem do Deus invisível, por meio de quem todas as coisas foram criadas e em quem todas subsistem (Cl 1.15-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Resumiu o evangelho que recebera e transmitira: Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia (1Co 15.3-4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A missão de Paulo aos gentios cumpriu a antiga promessa feita a Abraão, de que nele seriam benditas todas as famílias da terra. Paulo explicou que a Escritura, prevendo que Deus justificaria os gentios pela fé, anunciou de antemão o evangelho a Abraão, e que em Cristo a bênção de Abraão chegou aos gentios (Gn 12.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gl 3.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gl 3.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Em Cristo, já não há judeu nem grego, porque todos são um nele (Gl 3.28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Por fim, Paulo viveu e morreu unido a Cristo. Escreveu que estava crucificado com Cristo, e que já não era ele quem vivia, mas Cristo vivia nele (Gl 2.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Desejava conhecer o poder da sua ressurreição e a comunhão dos seus sofrimentos, tornando-se semelhante a ele na sua morte (Fp 3.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Nos seus sofrimentos, completava na própria carne o que restava das aflições de Cristo, em favor do seu corpo, que é a igreja (Cl 1.24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E, diante da morte, não temia, porque sabia em quem tinha crido (2Tm 1.12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e esperava a coroa da justiça que o Senhor, justo juiz, daria não somente a ele, mas a todos os que amam a sua vinda (2Tm 4.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

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