Antigo Testamento · Patriarcas · Mulheres da Bíblia
Raquel
- Significado do nome
"Ovelha", sentido da palavra hebraica *rachel*; um nome apropriado para quem cuidava do rebanho do pai (Gn 29.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))
- Posição / vínculo com a Bíblia
Filha mais nova de Labão e esposa amada de Jacó; estéril por muitos anos, foi mãe de José e de Benjamim e morreu no parto do segundo, perto de Belém; o profeta Jeremias a evoca chorando pelos filhos, palavra que Mateus aplica aos dias do nascimento de Jesus (Gn 29.18-30 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gn 30.22-24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gn 35.16-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Jr 31.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Mt 2.18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))
- Nascimento
Provavelmente em Harã, na Mesopotâmia (Gn 29.4-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))
- Morte
No caminho de Efrata, que é Belém, ao dar à luz Benjamim; sepultada ali mesmo, com uma coluna sobre o túmulo (Gn 35.16-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))
- Testamento
Antigo Testamento
- Grupo
Patriarcas · Mulheres da Bíblia
- Onde aparece
Gn 29.6-30 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gn 30.1-8,14-15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba),22-25; Gn 31.4,14-19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba),32-35; Gn 33.1-2,7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gn 35.16-24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gn 46.19-22,25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gn 48.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Rt 4.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 1Sm 10.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Jr 31.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Mt 2.18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)
Síntese histórica
Raquel era a filha mais nova de Labão, e foi junto a um poço, cuidando das ovelhas do pai, que Jacó a conheceu e se apaixonou por ela (Gn 29.9-11,18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Jacó trabalhou sete anos para se casar com ela, mas Labão lhe entregou primeiro a irmã mais velha, Lia; Raquel só se tornou sua esposa uma semana depois, em troca de mais sete anos de trabalho (Gn 29.20-30 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Embora fosse a mais amada, permaneceu estéril por muitos anos, enquanto Lia tinha filhos, e viveu uma longa rivalidade com a irmã (Gn 29.31 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gn 30.1-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Por fim, Deus se lembrou dela, e Raquel deu à luz José (Gn 30.22-24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Quando a família deixou Harã, levou escondidos os ídolos do pai (Gn 31.19,34 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Já em Canaã, morreu ao dar à luz o segundo filho, Benjamim, e foi sepultada à beira do caminho de Belém (Gn 35.16-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Séculos depois, Jeremias a imaginou chorando pelos filhos levados ao exílio, e Mateus retomou essa imagem ao narrar a matança dos meninos de Belém no tempo do nascimento de Jesus (Jr 31.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Mt 2.17-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
História
O encontro no poço
Quando Jacó chegou a Harã, fugindo de Esaú, perguntou aos pastores reunidos junto a um poço se conheciam Labão; eles responderam que sim, e apontaram Raquel, filha dele, que vinha com as ovelhas, pois era pastora (Gn 29.4-9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ao vê-la, Jacó removeu sozinho a pedra da boca do poço e deu de beber ao rebanho de Labão. Depois beijou Raquel e chorou em voz alta, contando-lhe que era parente de seu pai, filho de Rebeca. Raquel correu para contar tudo ao pai (Gn 29.10-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
A esposa amada
O texto apresenta as duas filhas de Labão lado a lado: Lia, a mais velha, tinha os olhos sem brilho, enquanto Raquel era bonita de porte e de rosto. Jacó amava Raquel e ofereceu sete anos de trabalho para se casar com ela; esses anos lhe pareceram poucos dias, por causa do amor que tinha por ela (Gn 29.16-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Na noite do casamento, porém, Labão entregou Lia no lugar de Raquel, e Jacó só descobriu o engano pela manhã (Gn 29.21-25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Uma semana depois, Raquel também foi dada a Jacó como esposa, com sua serva Bila, e Jacó trabalhou mais sete anos por ela; amou Raquel mais do que Lia (Gn 29.27-30 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O texto não registra o que Raquel sentiu ao ver a irmã ocupar o lugar que lhe fora prometido. Uma tradição rabínica posterior imaginou que ela própria teria ajudado Lia para poupá-la da vergonha, mas essa é uma leitura da tradição, sem base no texto bíblico.
Estéril e invejosa
O Senhor viu que Lia era menos amada e lhe deu filhos, mas Raquel era estéril (Gn 29.31 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Vendo que não dava filhos a Jacó, Raquel teve inveja da irmã e disse ao marido que lhe desse filhos, senão morreria. Jacó irritou-se e respondeu que não estava no lugar de Deus, que lhe havia negado o fruto do ventre (Gn 30.1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A frase de Raquel ganharia, mais tarde, um sentido doloroso: foi justamente ao dar à luz que ela morreu (Gn 35.16-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Seguindo o costume da época, Raquel deu a Jacó a sua serva Bila, para ter filhos por meio dela (Gn 30.3-4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Quando nasceu o primeiro, Raquel o chamou Dã, dizendo que Deus lhe fizera justiça e ouvira a sua voz; ao segundo, chamou Naftali, porque travara grandes lutas com a irmã e vencera (Gn 30.5-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os nomes mostram o quanto a rivalidade entre as irmãs marcava a sua vida.
Mais tarde, Raquel pediu a Lia algumas das mandrágoras que Rúben encontrara no campo — plantas a que se atribuía o poder de favorecer a fertilidade — e, em troca, cedeu à irmã uma noite com Jacó (Gn 30.14-16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Mas foi Lia quem concebeu de novo (Gn 30.17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Deus se lembrou de Raquel
Depois de muitos anos, o texto diz que Deus se lembrou de Raquel, a ouviu e lhe abriu o ventre (Gn 30.22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A expressão indica que ela havia orado. Raquel concebeu e deu à luz um filho, dizendo que Deus tirara a sua vergonha; chamou-o José, que significa "que ele acrescente", pedindo que o Senhor lhe desse ainda outro filho (Gn 30.23-24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Logo depois do nascimento de José, Jacó decidiu voltar para a sua terra (Gn 30.25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Os ídolos de Labão
Quando Deus mandou Jacó voltar para Canaã, Raquel e Lia concordaram em partir, dizendo que não tinham mais herança na casa do pai, que as vendera e consumira o seu dote (Gn 31.4-16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Na partida, enquanto Labão tosquiava as ovelhas, Raquel furtou os ídolos do lar que pertenciam ao pai (Gn 31.19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A Bíblia não explica o motivo. Alguns pensam que ela quisesse garantir algum direito à herança, com base em costumes atestados em documentos antigos da Mesopotâmia; outros, que buscasse proteção na viagem ou ainda estivesse apegada a essas imagens. A questão continua em debate.
Labão os alcançou e acusou Jacó de ter roubado os seus deuses. Jacó, sem saber do furto, declarou que quem estivesse com eles não viveria (Gn 31.30-32 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Labão revistou as tendas. Raquel havia escondido os ídolos na sela do camelo e se sentara sobre ela; pediu desculpas ao pai por não se levantar, alegando estar no período menstrual, e os ídolos não foram encontrados (Gn 31.33-35 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Mais tarde, já em Canaã, Jacó mandou que toda a família lançasse fora os deuses estranhos, e os enterrou debaixo de um carvalho, perto de Siquém (Gn 35.2-4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
A morte no caminho de Belém
No reencontro com Esaú, Jacó colocou Raquel e José por último, no lugar mais protegido da caravana (Gn 33.1-2,7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Depois de algum tempo em Siquém e em Betel, a família seguiu viagem. Ainda faltava certa distância para chegar a Efrata quando Raquel entrou em trabalho de parto, e o parto foi muito difícil (Gn 35.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A parteira tentou animá-la dizendo que não temesse, pois teria mais um filho — o segundo filho que ela pedira ao nascer José se cumpria (Gn 30.24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gn 35.17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Ao morrer, Raquel chamou o menino Benoni, "filho da minha dor"; Jacó, porém, chamou-o Benjamim, "filho da mão direita" (Gn 35.18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Raquel morreu e foi sepultada no caminho de Efrata, que é Belém, e Jacó levantou uma coluna sobre a sua sepultura, que o texto diz existir até aquele dia (Gn 35.19-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). No fim da vida, já no Egito, Jacó ainda se lembrava da sua morte na estrada (Gn 48.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Mais tarde, a Bíblia menciona o túmulo de Raquel em Zelza, na fronteira de Benjamim (1Sm 10.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), o que levanta a questão de sua localização exata. A tradição, porém, situa o túmulo de Raquel na entrada de Belém, onde até hoje existe um edifício venerado por judeus, cristãos e muçulmanos.
Fé e fraquezas
Raquel foi amada intensamente, mas sua história é marcada por dores e falhas. Ela invejou a irmã (Gn 30.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), falou ao marido em desespero (Gn 30.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), viveu a maternidade como competição (Gn 30.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), negociou com mandrágoras (Gn 30.14-15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), furtou os ídolos do pai e mentiu para escondê-los (Gn 31.19,34-35 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Ao mesmo tempo, o texto mostra que ela reconhecia a mão de Deus. Ao nascer Dã, disse que Deus lhe fizera justiça e ouvira a sua voz (Gn 30.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); ao nascer José, que Deus tirara a sua vergonha, e pediu ao Senhor outro filho (Gn 30.23-24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Deus a ouviu (Gn 30.22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e lhe deu os dois filhos que ela desejava, embora o segundo lhe tenha custado a vida.
Legado
Raquel foi mãe de José e de Benjamim, e por meio de José veio a descendência de Efraim e Manassés, duas das tribos mais importantes de Israel (Gn 46.19-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gn 48.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Da tribo de Benjamim vieram o rei Saul e, séculos depois, o apóstolo Paulo (1Sm 9.1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Fp 3.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Quando Rute se casou com Boaz, os anciãos de Belém desejaram que ela fosse como Raquel e como Lia, que juntas edificaram a casa de Israel (Rt 4.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
O profeta Jeremias, ao falar do exílio, imaginou Raquel chorando em Ramá pelos filhos que já não existiam, recusando ser consolada; mas logo acrescentou a palavra de Deus mandando que ela enxugasse as lágrimas, porque havia esperança para o futuro e os filhos voltariam (Jr 31.15-17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Raquel tornou-se, assim, figura da mãe de Israel que chora pelos seus filhos.
Conexão com Cristo
Mateus liga diretamente Raquel à infância de Jesus. Quando Herodes mandou matar os meninos de Belém e arredores, na tentativa de eliminar o recém-nascido Rei dos judeus, o evangelista diz que se cumpriu a palavra de Jeremias sobre Raquel chorando por seus filhos e recusando consolo (Mt 2.16-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Jr 31.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A mãe sepultada no caminho de Belém volta a chorar ali mesmo. Mas o mesmo capítulo de Jeremias que contém o lamento traz a promessa da nova aliança, em que Deus perdoaria a iniquidade do seu povo e escreveria sua lei nos corações (Jr 31.31-34 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Essa aliança foi inaugurada por Jesus, o menino que escapou de Herodes, no seu sangue (Lc 22.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Hb 8.8-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O choro de Raquel não é a última palavra: há esperança para o futuro (Jr 31.17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
O nascimento de Benjamim também pode ser lido, com moderação, como uma imagem do evangelho. O filho que a mãe chamou de "filho da minha dor" foi renomeado pelo pai como "filho da mão direita" (Gn 35.18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Cristo foi o homem de dores, que conheceu o sofrimento (Is 53.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e depois de sua morte foi exaltado à direita de Deus (At 2.33 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Hb 1.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Em Belém, cidade associada à morte de Raquel, nasceu aquele que transformaria a dor em vida.
Raquel foi também mãe de José, cuja história de rejeição pelos irmãos, sofrimento e exaltação para salvar a própria família foi lida pela tradição cristã como uma das grandes figuras de Cristo no Antigo Testamento (Gn 50.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); At 7.9-14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E da linhagem de Benjamim, seu outro filho, veio Paulo, o apóstolo que levou o evangelho de Cristo às nações (Rm 11.1,13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Fp 3.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Por meio dos filhos que tanto desejou, Raquel tornou-se parte da história que conduz ao Salvador e à expansão do seu reino.
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