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Antigo Testamento · Patriarcas · Mulheres da Bíblia

Tamar, nora de Judá

Significado do nome

"Palmeira", sentido da palavra hebraica *tamar*

Posição / vínculo com a Bíblia

Nora de Judá, viúva de Er e de Onã; mãe dos gêmeos Perez e Zerá, tornou-se antepassada do rei Davi e é a primeira mulher mencionada na genealogia de Jesus no Evangelho de Mateus (Gn 38 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Rt 4.12,18-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Mt 1.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

Nascimento

Provavelmente em Canaã; a Bíblia não informa sua origem (Gn 38.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

Testamento

Antigo Testamento

Grupo

Patriarcas · Mulheres da Bíblia

Síntese histórica

Tamar foi dada por Judá como esposa a seu filho mais velho, Er, que morreu por ser mau aos olhos do Senhor (Gn 38.6-7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Segundo o costume do levirato, foi entregue ao segundo filho, Onã, que se recusou a dar-lhe descendência e também morreu (Gn 38.8-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Judá a mandou de volta para a casa do pai, com a promessa de que se casaria com o terceiro filho, Selá, quando ele crescesse, mas não cumpriu a palavra (Gn 38.11,14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Anos depois, Tamar disfarçou-se e se colocou no caminho de Judá, que, sem reconhecê-la, uniu-se a ela e lhe deixou como penhor o seu selo, o cordão e o cajado (Gn 38.13-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Quando a gravidez foi descoberta e Judá a condenou à morte, ela apresentou os objetos, e Judá reconheceu que ela era mais justa do que ele (Gn 38.24-26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Tamar deu à luz os gêmeos Perez e Zerá; de Perez veio a linhagem de Davi e, depois, a de Jesus (Gn 38.27-30 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Rt 4.18-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Mt 1.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

História

Contexto e origem

A história de Tamar está inserida no meio da narrativa de José, logo depois de os irmãos o venderem como escravo. O texto diz que, naquele tempo, Judá se afastou dos irmãos, foi morar perto de um homem de Adulão e casou-se com a filha de um cananeu, com quem teve três filhos: Er, Onã e Selá (Gn 38.1-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Judá tomou Tamar como esposa para Er (Gn 38.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A Bíblia não diz de onde ela vinha nem quem era sua família; muitos intérpretes supõem que fosse cananeia, por causa da região onde Judá vivia, mas o texto não o afirma. Tradições judaicas posteriores deram a ela diferentes origens, sem apoio no relato bíblico.

Viúva duas vezes

Er era mau aos olhos do Senhor, e o Senhor o fez morrer (Gn 38.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Judá mandou então que Onã, o segundo filho, se unisse a Tamar para dar descendência ao irmão. Era o costume do levirato, depois incorporado à Lei de Moisés: quando um homem morria sem filhos, seu irmão devia casar-se com a viúva, e o primeiro filho dessa união levaria adiante o nome do falecido e herdaria a sua parte (Dt 25.5-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Onã sabia que o filho não seria considerado seu e, por isso, evitava que Tamar engravidasse. O que ele fazia era mau aos olhos do Senhor, que também o fez morrer (Gn 38.8-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Judá ainda tinha um filho, Selá. Disse a Tamar que voltasse para a casa do pai e permanecesse viúva até que Selá crescesse; mas, no íntimo, temia que também esse filho morresse (Gn 38.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Tamar obedeceu e passou a viver como viúva na casa paterna. Sua situação era delicada: ligada à família de Judá pela promessa, não podia casar-se com outro, não tinha filhos e dependia da palavra do sogro.

A espera e o disfarce

Muito tempo se passou. A mulher de Judá morreu, e, depois do luto, Judá subiu a Timna, com seu amigo Hira, para a tosquia das ovelhas (Gn 38.12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Tamar soube disso e percebeu que Selá já havia crescido sem que ela lhe fosse dada como mulher (Gn 38.13-14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Tirou as roupas de viúva, cobriu-se com um véu, envolveu-se e sentou-se à entrada de Enaim, no caminho de Timna (Gn 38.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Judá a viu e, como ela estava com o rosto coberto, julgou que fosse uma prostituta. Sem saber que era sua nora, propôs unir-se a ela e prometeu enviar-lhe um cabrito do rebanho. Tamar pediu um penhor até que o cabrito chegasse, e escolheu o selo de Judá, o cordão em que ele o trazia e o cajado que tinha na mão — objetos que identificavam o seu dono como hoje uma assinatura ou um documento (Gn 38.15-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Judá os entregou, uniu-se a ela, e Tamar engravidou. Ela voltou para casa e vestiu de novo as roupas de viúva (Gn 38.18-19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Judá mandou o cabrito por meio de Hira, para recuperar o penhor, mas o amigo não encontrou a mulher; os moradores disseram que não havia ali nenhuma prostituta. Ao saber disso, Judá preferiu deixar o assunto de lado, para não se tornar motivo de zombaria (Gn 38.20-23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A palavra que Hira usou para descrever a mulher é diferente da usada antes pelo narrador, e seu sentido exato é discutido entre os estudiosos.

O reconhecimento

Cerca de três meses depois, contaram a Judá que Tamar, sua nora, se prostituíra e estava grávida. Judá, como chefe da família, ordenou que a trouxessem para ser queimada (Gn 38.24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Enquanto a levavam, Tamar não o acusou em público. Mandou-lhe uma mensagem: estava grávida do homem a quem pertenciam aqueles objetos, e pedia que ele reconhecesse de quem eram o selo, o cordão e o cajado (Gn 38.25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Com essa discrição, ela poupou o sogro de uma exposição pública e lhe deu a chance de reconhecer a verdade por si mesmo.

Judá reconheceu os objetos e declarou que ela era mais justa do que ele, porque não a dera a seu filho Selá; e não voltou a ter relações com ela (Gn 38.26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O texto não aprova o meio que Tamar usou, mas registra o veredito do próprio Judá: ele havia faltado com o dever para com ela e com o filho morto, enquanto ela, arriscando a vida, buscara a descendência que a família lhe devia.

Os gêmeos

Quando chegou a hora do parto, Tamar tinha gêmeos. Durante o nascimento, um deles pôs a mão para fora, e a parteira amarrou nela um fio vermelho, dizendo que aquele saíra primeiro. Mas ele recolheu a mão, e o irmão nasceu antes; a parteira exclamou que brecha ele abrira para si, e ele foi chamado Perez, que significa "brecha". Depois nasceu o irmão com o fio vermelho, chamado Zerá (Gn 38.27-30 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Mais uma vez em Gênesis, o mais novo passava à frente do mais velho.

Perez e Zerá desceram com Judá ao Egito, e os filhos de Perez são mencionados na lista da família de Jacó (Gn 46.12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A Bíblia não registra mais nada sobre a vida de Tamar nem sobre a sua morte.

Fé e fraquezas

A Escritura não descreve a vida interior de Tamar nem registra orações ou palavras suas sobre Deus. O que o texto mostra é uma mulher injustiçada, que esperou longos anos por uma promessa não cumprida, agiu com ousadia para garantir a descendência do marido falecido e, no momento decisivo, preferiu a discrição à acusação pública (Gn 38.11,14,25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O meio que escolheu — o disfarce e a união com o sogro — é narrado sem aprovação, e o próprio relato mostra a complexidade moral de uma família afastada do caminho de Deus. Ainda assim, o veredito de Judá a declara mais justa do que ele (Gn 38.26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Legado

Tamar tornou-se mãe do clã de Perez, de onde viria a família de Boaz e, depois, o rei Davi (Rt 4.18-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 1Cr 2.4-15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Quando Boaz se casou com Rute, outra viúva estrangeira acolhida na família por um parente resgatador, os anciãos de Belém desejaram que a casa dele fosse como a casa de Perez, que Tamar dera à luz a Judá (Rt 4.11-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Séculos depois, Mateus a incluiu na genealogia de Jesus, como a primeira das mulheres mencionadas antes de Maria (Mt 1.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Esta Tamar não deve ser confundida com outras mulheres de mesmo nome na Bíblia, como Tamar, filha do rei Davi (2Sm 13.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e Tamar, filha de Absalão (2Sm 14.27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Conexão com Cristo

Mateus abre a genealogia de Jesus Cristo com uma lista de homens, mas inclui quatro mulheres antes de Maria, e Tamar é a primeira delas (Mt 1.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). As outras são Raabe, Rute e a mulher de Urias (Mt 1.5-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Todas têm histórias marcadas por circunstâncias irregulares, por origem estrangeira ou por pecado alheio ou próprio. Ao lembrá-las, o evangelista mostra desde a primeira página que o Messias veio para alcançar pecadores e excluídos: não vim chamar justos, mas pecadores (Mt 9.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e em Cristo já não há distinção de povo, condição ou gênero (Gl 3.28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O drama de Tamar gira em torno do dever de preservar o nome do morto e garantir sua herança, dever que Er e Onã não cumpriram e que Judá adiou. Esse costume prepara a figura do parente resgatador, que aparece plenamente no livro de Rute, cuja genealogia final começa justamente em Perez (Rt 4.18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Pode-se ver aí, com moderação, uma sombra do que Cristo faz: ele se tornou nosso parente ao nascer de mulher, para nos resgatar e nos dar a adoção de filhos e uma herança (Gl 4.4-7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Ef 1.7,11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O nascimento de Perez, que abriu uma brecha e passou à frente do irmão (Gn 38.29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), deu início à linhagem que conduziria a Davi e a Cristo. A tradição judaica antiga associou ao Messias, descendente de Perez, a figura daquele que abre caminho diante do povo, mencionada pelo profeta Miqueias (Mq 2.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) — uma leitura da tradição, que se apresenta com moderação.

Por fim, alguns intérpretes cristãos antigos notaram que o fio vermelho amarrado na mão de Zerá (Gn 38.28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) encontra eco no cordão de fio vermelho que salvou Raabe (Js 2.18-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), outra mulher da genealogia de Jesus, e viram nas duas cenas uma imagem do sangue de Cristo, pelo qual somos resgatados (1Pe 1.18-19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). É uma leitura tipológica antiga, que se apresenta igualmente com moderação. O que o texto afirma com clareza é que Deus conduziu a linhagem do Salvador mesmo através de uma história de injustiça e vergonha, e que a graça de Cristo é maior do que o pecado que ela encontra pelo caminho (Rm 5.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

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