Romanos · 45 de 66 · Novo Testamento
Romanos — Bloco 9: Missão, Comunhão e Doxologia Final
Capítulos principais
Capítulos e versículos: Romanos 15:14–16:27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba).
Tema central do bloco
A bênção de 15:13 encerra o grande corpo da carta. O que vem a seguir pode parecer, numa leitura apressada, apenas um apêndice de informações práticas: planos de viagem, recomendações e uma longa lista de saudações. Muitos leitores pulam esses parágrafos. Mas a conclusão de Romanos é essencial para entender a carta inteira. Robert Jewett, em seu comentário (Hermeneia, 2007), e outros estudiosos sustentam que é aqui que Paulo revela o motivo concreto pelo qual escreveu. Toda a exposição teológica dos capítulos 1 a 15 prepara uma missão real: levar o evangelho até a Espanha, o extremo ocidental do mundo conhecido, com o apoio da igreja de Roma.
O bloco tem cinco movimentos:
- 15:14-21 — o ministério sacerdotal de Paulo. Paulo explica com que autoridade escreveu e descreve sua missão entre os gentios com linguagem de culto: ele é ministro de Cristo que oferece a Deus os gentios como oferta santificada pelo Espírito.
- 15:22-33 — o plano missionário. Paulo pretende ir primeiro a Jerusalém, entregar a coleta das igrejas gentias aos cristãos pobres da Judeia, depois visitar Roma e de lá seguir para a Espanha. Pede que os romanos lutem com ele em oração.
- 16:1-16 — a rede de cooperadores. A recomendação de Febe, provável portadora da carta, e as saudações a cerca de vinte e seis pessoas da igreja de Roma: homens e mulheres, judeus e gentios, livres e escravos ou libertos.
- 16:17-20 — uma advertência. Paulo alerta contra os que provocam divisões e escândalos com palavras suaves e lisonjas, e promete que o Deus da paz esmagará Satanás em breve.
- 16:21-27 — saudações finais e doxologia. Os companheiros de Paulo em Corinto enviam saudações, inclusive Tércio, que escreveu a carta. Tudo termina num louvor ao Deus que revelou o mistério para conduzir todas as nações à obediência da fé.
A conclusão retoma e fecha a abertura da carta. A obediência da fé entre todas as nações (1:5 e 16:26), o evangelho prometido nas Escrituras proféticas (1:2 e 16:26) e o desejo de fortalecer os romanos (1:11 e 16:25) formam uma moldura deliberada. Além disso, a lista de nomes do capítulo 16 é a demonstração viva da tese da carta. Judeus e gentios, homens e mulheres, pessoas de diferentes classes sociais formam uma só família em Cristo. O que Paulo argumentou teologicamente, a igreja de Roma encarnava historicamente.
Versículos-chave do Livro estudado
- Romanos 15:14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Paulo está convencido de que os romanos são cheios de bondade e de conhecimento, e capazes de aconselhar uns aos outros.
- Romanos 15:15-16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Ele escreveu com ousadia por causa da graça que recebeu: ser ministro de Cristo entre os gentios, servindo ao evangelho como sacerdote, para que os gentios sejam uma oferta aceitável, santificada pelo Espírito Santo.
- Romanos 15:17-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Seu único motivo de orgulho é o que Cristo realizou por meio dele para levar os gentios à obediência.
- Romanos 15:19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Pelo poder de sinais e prodígios e do Espírito, Paulo anunciou plenamente o evangelho de Jerusalém até o Ilírico.
- Romanos 15:20-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Sua ambição é pregar onde Cristo ainda não foi anunciado, para não construir sobre fundamento alheio, como diz Isaías.
- Romanos 15:23-24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Não havendo mais campo nessas regiões, Paulo deseja visitar Roma a caminho da Espanha e ser ajudado pelos romanos nessa viagem.
- Romanos 15:25-27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Antes, ele vai a Jerusalém levar a contribuição das igrejas da Macedônia e da Acaia para os santos pobres, pois os gentios, que participaram dos bens espirituais dos judeus, devem servi-los com bens materiais.
- Romanos 15:30-32 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Paulo pede que os romanos lutem com ele em oração: para ser livre dos incrédulos na Judeia, para que sua ajuda seja bem recebida e para chegar a Roma com alegria.
- Romanos 16:1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — A recomendação de Febe, serva da igreja de Cencreia e protetora de muitos e do próprio Paulo.
- Romanos 16:3-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Saudações a Priscila e Áquila, cooperadores que arriscaram a vida por Paulo, e à igreja que se reúne em sua casa.
- Romanos 16:7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Saudação a Andrônico e Júnia, parentes e companheiros de prisão de Paulo, notáveis entre os apóstolos e em Cristo antes dele.
- Romanos 16:13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Saudação a Rufo, escolhido no Senhor, e à sua mãe, que foi também mãe para Paulo.
- Romanos 16:16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — O beijo santo e a saudação de todas as igrejas de Cristo.
- Romanos 16:17-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Advertência contra os que causam divisões e escândalos, servindo aos próprios interesses e enganando os ingênuos com palavras suaves.
- Romanos 16:19-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Ser sábios para o bem e inocentes para o mal; o Deus da paz em breve esmagará Satanás debaixo dos pés dos crentes.
- Romanos 16:22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Tércio, que escreveu a carta, envia a sua própria saudação no Senhor.
- Romanos 16:23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Saudações de Gaio, anfitrião de Paulo e de toda a igreja, e de Erasto, tesoureiro da cidade.
- Romanos 16:25-27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — A doxologia final ao Deus que pode fortalecer os crentes, que revelou o mistério oculto por longos séculos e o tornou conhecido a todas as nações, para a obediência da fé, por meio de Jesus Cristo.
Versículos relacionados em outros capítulos ou Livros da Bíblia
- Isaías 66:19-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Os mensageiros enviados às nações distantes, entre elas Társis, trarão os irmãos como oferta ao Senhor: pano de fundo provável de Rm 15:16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e do projeto da Espanha.
- Isaías 52:15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Os que nunca ouviram falar dele verão e entenderão, citado em Rm 15:21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba).
- Filipenses 2:17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e 4:18 — Paulo descreve o seu ministério e a oferta dos filipenses com linguagem sacrificial.
- 2 Coríntios 12:12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Os sinais de um apóstolo realizados com perseverança, sinais, prodígios e milagres.
- 1 Coríntios 3:10-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Paulo, como sábio construtor, lançou o fundamento, que é Jesus Cristo.
- 2 Coríntios 10:15-16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — O desejo de anunciar o evangelho nas regiões além, sem se gloriar no trabalho alheio.
- 1 Coríntios 16:1-4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 2 Coríntios 8–9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e Gálatas 2:10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — A coleta para os santos de Jerusalém e o compromisso de lembrar dos pobres.
- Atos 20:3 – 21:17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — A viagem de Paulo a Jerusalém com representantes das igrejas gentias.
- Atos 21–28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — A prisão em Jerusalém, o período em Cesareia, o naufrágio e a chegada a Roma como prisioneiro.
- Atos 18:1-3, 18-26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Priscila e Áquila, fabricantes de tendas expulsos de Roma, cooperadores de Paulo em Corinto e Éfeso e mestres de Apolo.
- 1 Coríntios 16:19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — A igreja que se reunia na casa de Áquila e Priscila em Éfeso.
- Marcos 15:21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Simão de Cirene, pai de Alexandre e Rufo, possivelmente o mesmo Rufo de Rm 16:13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba).
- 2 Coríntios 8:23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Os mensageiros, literalmente "apóstolos", das igrejas: o sentido amplo do termo.
- Mateus 10:16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Ser prudentes como as serpentes e simples como as pombas: paralelo de Rm 16:19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba).
- Gênesis 3:15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — A promessa de que a descendência da mulher esmagaria a cabeça da serpente: o eco de Rm 16:20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba).
- Filipenses 3:18-19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Os inimigos da cruz, cujo deus é o ventre: paralelo de Rm 16:18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba).
- 1 Coríntios 1:14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Gaio, batizado por Paulo em Corinto.
- 2 Timóteo 4:20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e Atos 19:22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Erasto, que ficou em Corinto e colaborou com Paulo.
- Efésios 3:3-9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e Colossenses 1:25-27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — O mistério oculto por séculos e agora revelado: Cristo entre as nações.
- Judas 24-25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Outra doxologia ao Deus que pode guardar os crentes, por meio de Jesus Cristo.
Explicação teológica e bíblica
Primeiro subtema — O ministério sacerdotal de Paulo entre os gentios (15:14-21)
Confiança e lembrete (15:14-15). Depois de catorze capítulos de ensino intenso, Paulo faz algo surpreendente: elogia a maturidade dos romanos. Diz estar convencido de que estão cheios de bondade, repletos de conhecimento e capazes de se aconselhar mutuamente (nouthetein, "admoestar", "aconselhar"). Ele não escreveu porque os considerasse ignorantes, mas para lhes recordar o que já sabiam (epanamimnēskōn, "trazer de novo à memória"). Admite, porém, que escreveu com certa ousadia em alguns pontos, e a justifica pela graça recebida de Deus, o seu chamado apostólico. O tom é de respeito por uma igreja que ele não fundou: Paulo ensina sem diminuir.
Uma missão descrita como culto (15:16). Paulo descreve o seu trabalho com uma série de termos do templo:
| Termo | Sentido original | Aplicação de Paulo |
|---|---|---|
| Leitourgos | Ministro, servidor do culto | Paulo é ministro de Cristo Jesus entre os gentios |
| Hierourgeō | Exercer função sacerdotal | Ele serve ao evangelho como sacerdote |
| Prosphora | Oferta, sacrifício | Os próprios gentios convertidos são a oferta |
| Euprosdektos | Aceitável, agradável | A oferta é aceita por Deus |
| Hēgiasmenē | Santificada | Não por ritos, mas pelo Espírito Santo |
A imagem é extraordinária. Os gentios, antes considerados impuros e excluídos do templo, tornam-se a oferta santa apresentada a Deus. Muitos estudiosos, como Rainer Riesner (Paul's Early Period, 1998) e Robert Jewett, veem aqui um eco de Isaías 66:19-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba). Nesse texto, Deus envia mensageiros às nações distantes, incluindo Társis, frequentemente identificada com a Espanha, e eles trazem os irmãos dentre as nações como oferta ao Senhor. Paulo talvez lesse a própria missão à luz dessa profecia.
O orgulho legítimo (15:17-19). Paulo diz ter motivo de orgulho em Cristo Jesus nas coisas de Deus, e logo esclarece: só ousa falar daquilo que Cristo realizou por meio dele. O verdadeiro agente da missão é Cristo, e Paulo é o instrumento. Essa obra aconteceu por palavra e ação, pelo poder de sinais e prodígios e pelo poder do Espírito (cf. 2Co 12:12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O resultado: de Jerusalém até o Ilírico, região correspondente aproximadamente à atual costa dos Balcãs, na Croácia e na Albânia, Paulo anunciou plenamente o evangelho (peplērōkenai, literalmente "completou"). Ele não quer dizer que cada pessoa da região ouviu, mas que lançou as bases em centros estratégicos, de onde as igrejas locais continuariam o trabalho.
A ambição pioneira (15:20-21). O verbo philotimeomai significa "ter como ponto de honra", "ser ambicioso". Paulo canaliza sua ambição para o Reino: anunciar Cristo onde ele ainda não era conhecido, para não construir sobre o fundamento lançado por outro. Ele fundamenta essa estratégia em Isaías 52:15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba): os que nunca ouviram falar do Servo verão e entenderão. A citação vem do quarto canto do Servo, o mesmo texto que aponta para a paixão de Cristo (Is 52:13–53:12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A missão de Paulo é levar a notícia do Servo sofredor e exaltado aos que nunca a ouviram.
Segundo subtema — O plano missionário: Jerusalém, Roma e Espanha (15:22-33)
Por que Paulo ainda não tinha ido a Roma (15:22-24). O impedimento mencionado em 1:13 é agora explicado: o trabalho pioneiro no Oriente não estava concluído. Agora que já não há campo nessas regiões, Paulo pretende cumprir o antigo desejo. Mas Roma não é o destino final; é ponto de passagem e de apoio para a Espanha. A Espanha era província romana desde o século II a.C., representava o limite ocidental do mundo conhecido e tinha, ao que tudo indica, poucas comunidades judaicas, o que tornaria a missão ali especialmente difícil e inovadora.
Paulo espera ser "encaminhado" pelos romanos (propempō). O verbo era um termo técnico do apoio missionário na igreja primitiva: fornecer provisões, recursos, contatos e, às vezes, companheiros de viagem (cf. 1Co 16:6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Tt 3:13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 3Jo 6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Jewett e outros estudiosos argumentam que um dos propósitos centrais da carta era exatamente esse: apresentar o evangelho de Paulo à igreja de Roma para que ela se tornasse a base da missão ocidental.
A coleta para Jerusalém (15:25-29). Antes de ir para o Ocidente, Paulo precisa voltar ao Oriente. Ele levará a Jerusalém a contribuição (koinōnia, a mesma palavra usada para "comunhão") das igrejas da Macedônia e da Acaia para os pobres entre os santos. Essa coleta ocupou anos do seu ministério (1Co 16:1-4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 2Co 8–9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e cumpria o compromisso firmado com os líderes de Jerusalém de lembrar dos pobres (Gl 2:10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Paulo explica o fundamento:
- os gentios participaram dos bens espirituais dos judeus: as promessas, as Escrituras, o Messias;
- por isso, têm o dever de servi-los com bens materiais. O verbo é leitourgēsai, de novo vocabulário de culto.
A coleta tinha um enorme peso simbólico. Era a demonstração concreta, em dinheiro e em viagem, de que judeus e gentios formavam um só corpo. Era a oliveira do capítulo 11 em forma prática: os ramos enxertados reconhecendo e sustentando a raiz. Depois de "selar" (sphragisamenos) esse fruto, isto é, de entregá-lo oficialmente, Paulo iria para a Espanha passando por Roma, e iria na plenitude da bênção de Cristo.
Um pedido de oração (15:30-33). Paulo pede que os romanos lutem com ele em oração (synagōnisasthai, "combater junto", linguagem atlética e militar). Os pedidos são três:
- ser livre dos incrédulos na Judeia, que o consideravam traidor da lei;
- que o serviço em Jerusalém fosse bem recebido pelos santos, o que não era garantido, pois havia desconfiança de cristãos judeus em relação a Paulo (cf. At 21:20-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba));
- chegar a Roma com alegria e encontrar descanso entre eles.
O parágrafo se fecha com uma bênção: o Deus da paz esteja com todos vocês.
O que aconteceu depois. O livro de Atos registra o desfecho. Paulo chegou a Jerusalém e a coleta foi entregue (At 24:17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), mas, no templo, foi atacado por uma multidão e preso pelos romanos (At 21:27-36 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Passou dois anos detido em Cesareia, apelou a César, sofreu um naufrágio e chegou a Roma por volta do ano 60 como prisioneiro. Ali viveu dois anos em prisão domiciliar, pregando o Reino de Deus com toda a liberdade (At 28:30-31 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). As orações de 15:30-32 foram respondidas, mas por um caminho que ninguém teria escolhido: Paulo chegou a Roma, mas acorrentado.
E a Espanha? O Novo Testamento não diz se Paulo chegou à Espanha. Dois testemunhos antigos sugerem que sim:
- a Primeira Carta de Clemente (c. 96), escrita em Roma, afirma que Paulo chegou ao limite do Ocidente (to terma tēs dyseōs) antes do martírio (1 Clemente 5:7);
- o Fragmento Muratoriano (fim do século II) menciona a viagem de Paulo à Espanha.
A questão continua debatida entre historiadores. O que é certo é que a visão de Paulo superava qualquer fronteira.
Terceiro subtema — Febe e a rede de cooperadores (16:1-16)
Febe, portadora da carta (16:1-2). Paulo recomenda Febe, irmã e serva (diakonos) da igreja de Cencreia, o porto oriental de Corinto. A recomendação segue o modelo das cartas antigas de apresentação. Febe provavelmente foi a portadora de Romanos e, como era costume, poderia ser também quem leria e explicaria a carta à igreja. Dois termos merecem atenção:
- Diakonos. Pode ser traduzido por "serva", "ministra" ou "diaconisa". É o mesmo termo que Paulo usa para si mesmo e para Apolo (1Co 3:5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), para Timóteo (1Tm 4:6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e para o próprio Cristo (15:8). Associado a uma igreja específica, sugere uma função reconhecida na comunidade, embora os contornos exatos desse ministério no século I sejam debatidos.
- Prostatis. Significa "protetora", "benfeitora", "patrona". No mundo romano, o patrono era alguém de recursos e influência que apoiava pessoas e grupos. Febe parece ter sido uma mulher de posses que sustentava a missão, inclusive o próprio Paulo.
Priscila e Áquila (16:3-5). O casal aparece seis vezes no Novo Testamento. Eram judeus fabricantes de tendas, expulsos de Roma pelo edito de Cláudio (At 18:2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Trabalharam com Paulo em Corinto e Éfeso e ensinaram o caminho de Deus com mais exatidão ao eloquente Apolo (At 18:26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Em quatro das seis menções, o nome de Priscila (Prisca) vem primeiro, o que sugere destaque no ministério ou na posição social. Arriscaram a própria vida por Paulo, e todas as igrejas dos gentios lhes eram gratas. De volta a Roma, abriam a casa para uma das igrejas da cidade.
Igrejas nas casas. O capítulo 16 sugere que os cristãos de Roma não se reuniam num único lugar, mas em vários grupos domésticos: a igreja na casa de Priscila e Áquila (16:5), os da casa de Aristóbulo (16:10), os da casa de Narciso (16:11), os irmãos com Asíncrito e outros (16:14) e os santos com Filólogo e Júlia (16:15). O historiador Peter Lampe, em From Paul to Valentinus (2003), estudou a história social do cristianismo em Roma. Concluiu que a igreja estava espalhada por diferentes bairros, especialmente os mais pobres, e era formada por grupos de composição social variada.
Andrônico e Júnia (16:7). Este versículo é um dos mais debatidos do capítulo. Paulo saúda Andrônico e Júnia, seus parentes (syngeneis, provavelmente "compatriotas judeus") e companheiros de prisão, que eram notáveis entre os apóstolos e estavam em Cristo antes dele. Há duas questões:
| Questão | Leituras | Observações |
|---|---|---|
| Júnia ou Júnias? | Nome feminino (Iounia) ou masculino (Iounias) | Não há registro do nome masculino Junias na Antiguidade, enquanto Júnia era um nome feminino romano comum. João Crisóstomo, no século IV, elogiou a mulher Júnia por ter sido digna de ser chamada apóstola (Homilias sobre Romanos, 31). A leitura masculina se difundiu sobretudo a partir da Idade Média. Eldon Jay Epp (Junia: The First Woman Apostle, 2005) documentou essa história textual. Hoje a grande maioria dos estudiosos aceita que se trata de uma mulher. |
| "Notáveis entre os apóstolos" ou "bem conhecidos dos apóstolos"? | Inclusivo: eles eram apóstolos notáveis. Exclusivo: eram bem considerados pelos apóstolos, sem serem apóstolos | Michael Burer e Daniel Wallace (New Testament Studies, 2001) defenderam a leitura exclusiva; outros estudiosos, como Richard Bauckham e Eldon Epp, contestaram e defenderam a inclusiva, que é a leitura dos pais da igreja gregos. |
Mesmo na leitura inclusiva, a maioria dos estudiosos entende "apóstolos" aqui no sentido amplo de missionários enviados pelas igrejas (cf. 2Co 8:23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); At 14:14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e não como membros dos Doze. O versículo tem peso no debate contemporâneo sobre o ministério feminino, entre as posições complementarista e igualitária, e é lido de modos diferentes por cada uma delas. O que o texto mostra com clareza é que uma mulher e um homem foram reconhecidos por Paulo como missionários de destaque, que sofreram prisão pelo evangelho e que já eram cristãos antes da conversão dele.
Uma igreja diversa. A lista de saudações (16:3-15) menciona cerca de vinte e seis pessoas e alguns grupos, e revela uma comunidade notavelmente diversa:
- Homens e mulheres. Cerca de um terço dos nomes são de mulheres. Das pessoas descritas como tendo "trabalhado arduamente" (kopiaō) no Senhor, quatro são mulheres: Maria, Trifena, Trifosa e Pérside.
- Judeus e gentios. Paulo chama alguns de "parentes" (Andrônico, Júnia, Herodião), provavelmente judeus; a maioria tem nomes gregos ou latinos.
- Diferentes classes sociais. Lampe e outros estudiosos observam que vários nomes, como Ampliato, Hermes, Filólogo e Júlia, eram comuns entre escravos e libertos. Os grupos "da casa de Aristóbulo" e "da casa de Narciso" podem ter sido escravos ou libertos de famílias importantes. J. B. Lightfoot sugeriu, em seu comentário a Filipenses (1868), que Narciso poderia ser o influente liberto do imperador Cláudio com esse nome. A sugestão é possível, mas não comprovada.
Rufo e sua mãe (16:13). Paulo saúda Rufo, escolhido no Senhor, e a mãe dele, que foi também mãe para Paulo. Marcos 15:21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), num Evangelho que a tradição associa a Roma, menciona Simão de Cirene, que carregou a cruz de Jesus, como pai de Alexandre e de Rufo. A menção dos filhos pelo nome sugere que os leitores os conheciam. Se o Rufo de Romanos for o mesmo, como muitos estudiosos consideram possível, o homem que carregou a cruz de Jesus teria tido um filho e uma esposa que se tornaram parte da igreja de Roma, e a esposa teria cuidado de Paulo como mãe.
O beijo santo (16:16). Paulo pede que se saúdem com o beijo santo, gesto de afeto familiar que, na igreja primitiva, expressava a comunhão entre irmãos de origens muito diversas. A carta termina essa seção com uma expressão que só aparece aqui nas cartas de Paulo: todas as igrejas de Cristo os saúdam. A igreja de Roma não está isolada; faz parte de uma rede de comunidades espalhadas pelo império.
Quarto subtema — A advertência contra os que causam divisões (16:17-20)
Um tom diferente. De repente, entre as saudações, Paulo faz uma advertência firme. Alguns estudiosos sugerem que nesse ponto ele teria tomado a pena das mãos de Tércio para escrever de próprio punho, como faz em outras cartas (1Co 16:21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gl 6:11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 2Ts 3:17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Isso não é certo, mas explicaria a mudança de tom.
Quem são e como agem (16:17-18). Paulo pede que os romanos observem e se afastem dos que provocam divisões (dichostasiai) e escândalos (skandala, "armadilhas", "tropeços") contrários ao ensino que aprenderam. O texto não identifica quem são; podiam ser mestres itinerantes que distorciam o evangelho, seja no sentido do legalismo, seja no da libertinagem. Paulo descreve três traços:
- Servem a si mesmos. Não servem ao Senhor Jesus Cristo, mas ao próprio ventre (koilia), expressão para quem é guiado pelos próprios apetites e interesses (cf. Fp 3:19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
- Usam palavras atraentes. Enganam com chrēstologia, conversa suave e agradável, e eulogia, lisonja, belas palavras.
- Exploram os ingênuos. Seduzem o coração dos simples (akakoi, os que não têm malícia e, por isso, não suspeitam dos outros).
Sábios para o bem, inocentes para o mal (16:19). Paulo se alegra com a obediência dos romanos, conhecida por todos, mas quer que sejam sábios para o bem e inocentes (akeraioi, "sem mistura") para o mal. O conselho lembra o ensino de Jesus: prudentes como as serpentes e simples como as pombas (Mt 10:16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O cristão não precisa conhecer a fundo o mal para resistir a ele, mas precisa conhecer bem o bem para reconhecer o que dele se desvia.
Satanás esmagado (16:20). A promessa que encerra a advertência é um dos ecos mais claros de Gênesis 3:15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) no Novo Testamento. Desde o Éden, Deus prometera que a descendência da mulher esmagaria a cabeça da serpente. Paulo afirma que o Deus da paz, título significativo num parágrafo sobre divisões, esmagará Satanás em breve debaixo dos pés dos crentes. A vitória é de Deus, mas os crentes participam dela. O versículo termina com a bênção da graça de nosso Senhor Jesus.
Quinto subtema — Saudações finais e a doxologia do mistério revelado (16:21-27)
Os companheiros em Corinto (16:21-23). Agora são os companheiros de Paulo que saúdam os romanos:
- Timóteo, seu cooperador mais próximo;
- Lúcio, Jasom e Sosípatro, chamados "parentes", isto é, judeus cristãos;
- Tércio, que escreveu a carta e envia a sua própria saudação "no Senhor". É um detalhe humano único: o secretário que passou horas registrando o ditado de Paulo deixa o seu nome no texto;
- Gaio, que hospeda Paulo e toda a igreja (cf. 1Co 1:14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Sua casa era grande o suficiente para reunir a igreja de Corinto;
- Erasto, tesoureiro da cidade (oikonomos tēs poleōs). Em 1929, arqueólogos encontraram em Corinto uma inscrição do século I num pavimento perto do teatro. Ela registra que um certo Erasto mandou fazer o calçamento às próprias custas em agradecimento por ter sido nomeado edil. A identificação com o Erasto de Romanos é possível, mas debatida;
- Quarto, o irmão.
Essas pessoas mostram que o evangelho já alcançava também pessoas com posses e funções públicas, sem deixar de reunir escravos e libertos na mesma mesa.
Uma questão textual. O versículo 16:24, que repete a bênção da graça, não aparece nos manuscritos mais antigos e mais confiáveis, e por isso é omitido ou colocado em nota em muitas traduções modernas. A doxologia de 16:25-27 também aparece em lugares diferentes nos manuscritos: depois de 14:23, depois de 15:33, depois de 16:23 ou em mais de um desses lugares. Orígenes relata que Marcião, no século II, usava uma versão abreviada da carta, sem os capítulos 15 e 16. A hipótese de T. W. Manson (1948), de que o capítulo 16 teria sido originalmente dirigido a Éfeso, é hoje minoritária. Harry Gamble, em The Textual History of the Letter to the Romans (1977), e Peter Lampe defenderam que os dezesseis capítulos formam uma carta unitária, dirigida a Roma. Essa é a posição da maioria dos estudiosos. Quanto à doxologia, alguns a consideram um acréscimo posterior; outros, como Cranfield e Moo, a aceitam como parte original ou, ao menos, como uma conclusão fiel ao pensamento da carta.
A doxologia (16:25-27). O louvor final é uma síntese da carta. Paulo exalta o Deus que:
- pode fortalecer os crentes (stērixai), o mesmo verbo de 1:11;
- age segundo o evangelho de Paulo e a pregação de Jesus Cristo;
- revelou o mistério que esteve oculto durante séculos eternos;
- o manifestou agora por meio das Escrituras proféticas;
- o tornou conhecido, por ordem do Deus eterno, a todas as nações;
- com o objetivo da obediência da fé.
O hino termina com glória ao único Deus sábio, por meio de Jesus Cristo, para sempre.
A moldura da carta. A doxologia fecha deliberadamente o que a saudação abriu:
| Abertura (1:1-17) | Conclusão (16:25-27) |
|---|---|
| O evangelho de Deus (1:1) | O evangelho e a pregação de Jesus Cristo |
| Prometido pelos profetas nas Escrituras (1:2) | Manifestado pelas Escrituras proféticas |
| Acerca do Filho, Jesus Cristo (1:3-4) | Glória a Deus por meio de Jesus Cristo |
| Obediência da fé entre todas as nações (1:5) | Obediência da fé em todas as nações |
| O desejo de fortalecer os romanos (1:11) | O Deus que pode fortalecê-los |
Romanos começa e termina no mesmo ponto: o evangelho de Jesus Cristo, prometido nas Escrituras e agora anunciado a todos os povos, para que creiam e obedeçam, para a glória de Deus.
Visão cristocêntrica
Neste bloco, a conexão com Cristo é direta e explícita, e aparece em três dimensões.
Cristo, o agente da missão. Paulo insiste que só pode falar do que Cristo realizou por meio dele (15:18). O missionário é instrumento; quem converte os gentios é o Cristo ressuscitado, pelo poder do Espírito. Paulo é ministro (leitourgos) de Cristo Jesus (15:16), e a sua ambição é anunciar Cristo onde ele não é conhecido (15:20). Toda a missão é cristocêntrica: anunciar Cristo, por meio de Cristo e para Cristo. O texto de Isaías que fundamenta a missão (Is 52:15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) pertence ao canto do Servo sofredor, que o Novo Testamento aplica a Jesus.
Cristo, o espaço da comunhão. A expressão "em Cristo" ou "no Senhor" se repete ao longo das saudações (16:2, 3, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 22). As pessoas são identificadas, antes de tudo, pela sua relação com Cristo: cooperadores em Cristo, amados no Senhor, aprovados em Cristo, escolhidos no Senhor. As igrejas são chamadas "igrejas de Cristo" (16:16). Em Cristo, a mulher de posses e o escravo liberto, o judeu e o gentio, o funcionário público e o artesão formam uma só família. As diferenças sociais continuam existindo, mas já não definem a identidade nem o valor das pessoas (Gl 3:28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Cristo, o descendente que esmaga a serpente. O eco de Gênesis 3:15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) em 16:20 aponta para Cristo como o cumprimento da primeira promessa da Bíblia. Ele é a descendência da mulher que esmaga a cabeça da serpente (cf. Hb 2:14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 1Jo 3:8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Ap 12:9-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A vitória decisiva aconteceu na cruz e na ressurreição; a consumação virá em breve. Os crentes participam dessa vitória porque estão unidos ao Vencedor.
Cristo, o conteúdo do mistério e o mediador do louvor. A doxologia identifica o mistério revelado com a pregação de Jesus Cristo (16:25). Em outras cartas, Paulo define esse mistério como Cristo entre as nações, a esperança da glória (Cl 1:27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e a inclusão dos gentios no mesmo corpo (Ef 3:6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E a glória dada a Deus passa "por meio de Jesus Cristo" (16:27). Assim como toda bênção desce de Deus por meio de Cristo (5:1-2), todo louvor sobe a Deus por meio dele. A carta que começou falando do evangelho acerca do Filho (1:3) termina glorificando a Deus por meio do Filho.
Aplicações espirituais e práticas
1. Confiar na maturidade dos irmãos e aceitar ser lembrado. Paulo reconhece que os romanos são capazes de se aconselhar mutuamente (15:14). A igreja não depende apenas de pastores e líderes; todos os crentes, cheios de bondade e conhecimento, podem edificar uns aos outros. Ao mesmo tempo, Paulo escreve como lembrete, porque até quem já sabe precisa ouvir de novo. Na prática: participar de grupos onde haja encorajamento e correção mútuos, e receber com humildade os lembretes sobre verdades que já conhecemos.
2. Ver o trabalho como oferta a Deus. Paulo descreve a sua missão como serviço sacerdotal (15:16). Todo trabalho feito para Deus pode ser entendido assim: ensinar, aconselhar, administrar, empreender, cuidar da família ou servir na igreja. A pergunta muda de "o que eu conquistei?" para "o que Cristo realizou por meio de mim?" (15:18). Isso protege tanto contra o orgulho do sucesso quanto contra a frustração de quem não vê resultados imediatos.
3. Ter ambição pelo Reino e planejar com fé. Paulo tinha uma ambição clara e um plano estratégico: Jerusalém, Roma, Espanha. A fé não dispensa o planejamento. Mas os seus planos foram alterados de forma drástica: ele chegou a Roma preso. A lição é dupla. Vale fazer planos ousados para a obra de Deus, inclusive apoiando a evangelização de povos e regiões onde Cristo ainda não é conhecido. E vale submeter esses planos à vontade de Deus, como ensina Tiago 4:13-15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), confiando que Deus pode cumprir os propósitos por caminhos inesperados.
4. Generosidade que atravessa fronteiras. A coleta para Jerusalém mostra que a comunhão cristã inclui a partilha material. Os gentios, que receberam bênçãos espirituais por meio de Israel, contribuíram com bens materiais (15:27). Hoje isso se traduz em igrejas com mais recursos apoiando igrejas mais pobres, cristãos ajudando irmãos em situação de necessidade em outras regiões e países, e generosidade que ultrapassa barreiras culturais, sociais e denominacionais. A oferta é chamada de koinōnia: dar é uma forma de comunhão.
5. Pedir oração com humildade. O maior missionário da igreja primitiva pede que uma igreja que ele nunca visitou lute com ele em oração (15:30). Líderes, pastores e servos de Deus precisam de oração e devem pedi-la abertamente, reconhecendo os seus perigos, limites e necessidades. Na prática: compartilhar pedidos concretos com irmãos de confiança e assumir com seriedade o compromisso de orar pelos que servem, em especial por missionários e líderes sob pressão.
6. Honrar os cooperadores, especialmente os invisíveis. Romanos 16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) é uma lista de pessoas que a história quase esqueceu, mas que Paulo fez questão de nomear: a benfeitora que levou a carta, o casal que abriu a casa, as mulheres que trabalharam arduamente, os escravos e libertos, a mãe que cuidou do apóstolo, o secretário que escreveu a carta. Isso ensina a reconhecer publicamente o trabalho dos outros, a expressar gratidão concreta e a lembrar que o Reino é construído por uma multidão de servos fiéis, muitos deles anônimos. No trabalho, nas empresas, nas equipes e na igreja, honrar quem trabalha nos bastidores é um reflexo do coração de Paulo.
7. Discernir as vozes sedutoras. A advertência de 16:17-18 é muito atual. Há sempre quem promova divisões, sirva aos próprios interesses e use palavras agradáveis e lisonjas para conquistar seguidores, inclusive em ambientes religiosos e nas redes sociais. Alguns sinais de alerta são: ensinos que contrariam o evangelho apostólico, líderes que se enriquecem ou se promovem à custa dos seguidores, discursos que lisonjeiam e prometem muito, e grupos que dividem a igreja. O antídoto é conhecer bem o ensino recebido, ser sábio para o bem e não se deixar impressionar apenas pela eloquência.
8. Viver com esperança na vitória de Deus. A promessa de que o Deus da paz esmagará Satanás em breve (16:20) sustenta a perseverança em meio às lutas. O mal é real, mas não tem a última palavra. Diante de divisões, ataques, tentações e injustiças, o crente pode resistir com serenidade, sabendo que a vitória já foi conquistada por Cristo e será plenamente manifestada.
9. Fazer de tudo uma doxologia. Romanos termina em louvor (16:25-27), como os capítulos 11 e 15 já haviam terminado. A grande lição de método é que todo estudo, toda doutrina, todo planejamento e todo serviço devem desembocar em adoração. Uma prática simples é terminar o dia, um projeto concluído ou um estudo bíblico com uma breve oração de louvor, reconhecendo que tudo vem de Deus e existe para a sua glória.
Mensagem de reflexão
Sabedoria para o Cotidiano
A maior carta teológica de Paulo termina com nomes de pessoas: uma benfeitora, um casal que abriu a casa, mulheres que trabalharam duro, escravos e libertos, a mãe que cuidou do apóstolo e o secretário que escreveu tudo. O evangelho que muda o mundo não fica nas ideias; vira missão, generosidade, oração e comunhão entre gente muito diferente que se chama de irmão em Cristo. Paulo fez planos ousados e Deus os cumpriu por um caminho que ele não escolheu, mas a palavra chegou aonde devia chegar. Hoje, ofereça o seu trabalho a Deus, honre quem serve ao seu lado, desconfie de quem divide com palavras doces e termine o dia como Romanos termina: dando glória ao único Deus sábio, por meio de Jesus Cristo, para sempre.