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Salmos · 19 de 66 · Antigo Testamento

Salmos — Capítulo 75

Infográfico de “Salmos 75 — Capítulo a capítulo”, gerado automaticamente a partir do estudo publicado, com 5 partes: A gratidão do povo e o nome que está perto; Deus fala: o tempo marcado e as colunas da terra; Advertência aos que erguem o chifre; De onde vem a exaltação e o cálice na mão do Senhor; O canto que não termina e os chifres quebrados.

Título do capítulo: O juiz que marca a hora
Gênero literário: Poesia/Salmo (ação de graças comunitária em forma de liturgia, com um oráculo em que o próprio Deus fala, uma advertência profética aos arrogantes, a imagem do cálice do juízo e o voto de louvor do orante)
Número de versículos: 10

Nota de precisão: a numeração segue a tradição das Bíblias em português, em que a inscrição não é contada como versículo. No hebraico impresso, a inscrição ocupa o versículo 1, e por isso todos os números ali ficam uma unidade acima dos usados aqui; na antiga tradução grega, que junta os Salmos 9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e 10, este é o salmo setenta e quatro. O selah aparece uma vez, no fim do v. 3. Há leituras discutidas no v. 1, no v. 5 e no v. 6, e a identidade de quem fala em alguns versos é debatida; tudo isso é tratado no lugar próprio.


🏛️ 1. Contexto Histórico e Cultural

O Salmo 75 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) é curto, mas tem a densidade de uma cena de tribunal. Nele se ouvem várias vozes: a comunidade que agradece, Deus que toma a palavra para anunciar o seu juízo, um porta-voz que adverte os arrogantes, e o orante que promete cantar para sempre. Muitos estudiosos o descrevem como uma liturgia, isto é, um texto composto para ser executado no culto por mais de uma voz, talvez com um levita ou um profeta do templo pronunciando o oráculo divino. A hipótese é razoável, porque explica as trocas de pessoa gramatical, mas o salmo não diz como era usado.

A inscrição é das mais completas do Saltério: lamnatseaḥ, para o regente do coro, ou para o mestre de canto; 'al-tashḥet, sobre "não destruas"; mizmor le'asaf, salmo de Asafe; shir, cântico. A indicação 'al-tashḥet aparece também nos Salmos 57 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), 58 e 59, e seu sentido é incerto. A maioria entende que é o nome de uma melodia conhecida, pela qual o salmo devia ser cantado. Alguns lembraram a oração de Moisés pedindo que Deus não destruísse o seu povo (Dt 9.26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), onde o mesmo verbo aparece; outros lembraram o provérbio citado por Isaías sobre o cacho de uvas que não se deve destruir porque ainda tem suco bom (Is 65.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), sugerindo uma canção de vindima. Esta última possibilidade seria curiosa num salmo que fala de um cálice de vinho, mas não passa de conjectura.

Asafe, segundo as Crônicas, foi um levita cantor do tempo de Davi (1Cr 16.4-7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e a sua família formou uma corporação de músicos do templo que atravessou séculos (Ed 2.41 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). As Crônicas o chamam de vidente (2Cr 29.30 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e dizem que os cantores da sua família profetizavam com instrumentos (1Cr 25.1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Essa ligação entre música e profecia combina bem com o Salmo 75 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), em que um oráculo de juízo é posto dentro de um hino. Não é possível datar o salmo. Alguns o ligaram ao livramento de Jerusalém no tempo de Ezequias, quando o exército assírio foi detido diante da cidade (2Rs 19.32-36 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), sobretudo porque o salmo seguinte celebra uma vitória desse tipo; mas nada no texto obriga a essa ocasião.

O lugar do salmo no Saltério, porém, é eloquente. Ele vem logo depois do Salmo 74 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), que termina sem resposta, com o tumulto dos inimigos subindo diante de Deus e com o pedido de que Deus se levante para defender a sua causa (Sl 74.22-23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Salmo 75 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) começa com ação de graças e logo traz a voz de Deus anunciando que, no tempo que ele marcar, julgará com retidão. A ligação se reforça por uma palavra: no Salmo 74 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), os inimigos rugiram no mo'ed de Deus, o seu lugar de encontro, e queimaram todos os mo'ade-'el, os lugares de reunião (Sl 74.4, 8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); no Salmo 75 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), Deus diz que tomará o mo'ed, o tempo marcado (v. 2). O inimigo destruiu o lugar do encontro; Deus reserva para si a hora do acerto. E o Salmo 76 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), que vem em seguida, celebra o Deus que se ergueu para julgar e salvar os humildes da terra (Sl 76.8-9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Lidos em sequência, os três salmos formam um pequeno drama: o clamor, a promessa e o cumprimento.

O salmo também dialoga de perto com o cântico de Ana (1Sm 2.1-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ali, como aqui, aparecem o chifre exaltado, a advertência contra a fala arrogante, as colunas da terra que pertencem ao Senhor, e o Deus que humilha e eleva. Não se sabe qual texto influenciou o outro, mas os dois pertencem à mesma tradição de louvor ao Deus que inverte as posições dos poderosos e dos humildes, tradição que chegará ao Novo Testamento no cântico de Maria (Lc 1.46-55 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).


📜 2. Resumo Narrativo / Conteúdo do Capítulo

O salmo abre com a comunidade agradecendo a Deus duas vezes seguidas, afirmando que o nome dele está perto e que as suas maravilhas são contadas (v. 1).

Em seguida, Deus toma a palavra. Ele mesmo escolherá a ocasião, e quando ela chegar, julgará com retidão (v. 2). Ainda que a terra e todos os que nela vivem estejam a ponto de desmoronar, foi ele quem firmou as colunas que a sustentam (v. 3).

Vem então uma advertência. Aos que se gabam, a ordem é que parem de se gabar; aos ímpios, que não ergam o chifre, isto é, que não ostentem a força (v. 4). Que não levantem o chifre para o alto nem falem com o pescoço empinado (v. 5). Porque a exaltação não chega de nenhum ponto do horizonte, nem do nascente, nem do poente, nem do deserto (v. 6): quem julga é Deus, que rebaixa uns e eleva outros (v. 7). Nas mãos do Senhor há um cálice de vinho fermentado, carregado de mistura; ele o derrama, e os ímpios da terra terão de bebê-lo até a borra (v. 8).

O orante responde prometendo anunciar para sempre e cantar ao Deus de Jacó (v. 9). E a última palavra anuncia que todo o poder dos ímpios será quebrado, enquanto o dos justos será levantado (v. 10).


🔍 3. Análise por Seções (Perícopes)

Versículo 1 — A gratidão do povo e o nome que está perto
O salmo começa com a palavra hodinu, damos graças, repetida duas vezes. A raiz yadah é a do louvor que reconhece publicamente o que Deus fez; a repetição tem força de ênfase litúrgica, como se a assembleia não se contentasse em dizer uma vez só. A voz é plural: é a comunidade inteira que fala.

A segunda linha é discutida. O texto hebraico tradicional diz weqarov shemekha, e perto está o teu nome. A antiga tradução grega leu as mesmas consoantes de outro modo e entendeu que o povo invoca o nome de Deus. A leitura hebraica é bela e faz sentido: o nome de Deus, isto é, a sua presença revelada e atuante, está próximo do povo. Depois do Salmo 74 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), que se queixava de um Deus distante, de mão recolhida e de santuário destruído, a afirmação de que o nome está perto tem um peso especial. E a prova da proximidade vem em seguida: sipperu nifle'otekha, contaram as tuas maravilhas. As nifla'ot são os feitos extraordinários de Deus, sobretudo os do Êxodo (Êx 3.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Sl 78.12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Onde o povo narra o que Deus fez, aí o nome está perto.

É interessante que o salmo comece com gratidão antes de o juízo acontecer. O oráculo dos vv. 2-3 ainda vai falar de um tempo futuro. A comunidade agradece pelo que Deus fez e, ao mesmo tempo, pelo que ele promete fazer. A fé bíblica muitas vezes agradece antecipadamente, porque confia em quem fala.

Versículos 2-3 — Deus fala: o tempo marcado e as colunas da terra
Sem aviso, a voz muda, e quem fala agora é Deus, na primeira pessoa. O v. 2 começa com ki 'eqqaḥ mo'ed, literalmente "quando eu tomar o tempo marcado". O verbo laqaḥ, tomar, apanhar, e o substantivo mo'ed, a ocasião fixada, o encontro marcado, dizem que é Deus quem escolhe a hora. A palavra mo'ed designa as festas fixadas no calendário de Israel (Lv 23.2, 4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), o prazo de um acontecimento (Gn 18.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e, em Daniel, o tempo determinado do fim (Dn 8.19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 11.27, 35). Para um povo que perguntava até quando (Sl 74.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), a resposta de Deus não é uma data, mas uma garantia: a hora existe e está nas mãos dele.

E quando a hora chegar, diz Deus, 'ani meisharim 'eshpot, eu julgarei com retidão. O pronome enfático 'ani, eu, sublinha que o juízo não depende de nenhum outro poder. A palavra meisharim, do adjetivo yashar, reto, plano, designa a equidade, o juízo sem distorção. É o que os juízes humanos deviam fazer e muitas vezes não faziam (Sl 58.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Deus fará.

O v. 3 amplia a cena para o mundo inteiro. A terra e todos os seus moradores estão nemogim, derretendo-se, desfazendo-se, como se o chão perdesse a firmeza. É a imagem de um mundo em convulsão, abalado pela violência e pela injustiça, o mesmo mundo cujos lugares escuros o Salmo 74 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) descrevia cheios de antros de violência (Sl 74.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Mas Deus diz, de novo com pronome enfático, 'anokhi tikkanti 'ammudeha: fui eu que firmei, que ajustei, as suas colunas. A cosmologia poética do antigo Israel imaginava a terra sustentada por colunas ou pilares (1Sm 2.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Jó 9.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e a imagem serve para dizer que a estabilidade do mundo é obra de Deus e não se perde, mesmo quando tudo parece ruir. O selah que fecha o versículo marca uma pausa: antes de seguir para os arrogantes, a assembleia é convidada a repousar nessa certeza.

Versículos 4-5 — Advertência aos que erguem o chifre
O v. 4 começa com 'amarti, eu disse. Quem fala? Pode ser ainda Deus, continuando o oráculo; pode ser o porta-voz humano, o profeta ou o levita que transmite a mensagem. As duas leituras são possíveis, e o efeito é o mesmo: a palavra de Deus se volta para os arrogantes.

Os destinatários são os holelim, os jactanciosos, os que se gabam. A palavra é a mesma do Salmo 73 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), onde o orante confessava ter tido inveja dos holelim ao ver a prosperidade dos ímpios (Sl 73.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Agora Deus se dirige diretamente a eles com uma ordem curta: 'al-tahollu, não vos gabeis. E aos resha'im, os ímpios, a ordem é 'al-tarimu qaren, não ergais o chifre.

A imagem do chifre, qeren, domina o salmo e reaparece no último versículo. Para o pastor e o lavrador do antigo Israel, o chifre do touro selvagem ou do carneiro era o símbolo natural da força, da agressividade e do orgulho (Dt 33.17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Erguer o chifre é como o animal que levanta a cabeça para ameaçar ou exibir poder. Na poesia bíblica, o chifre de alguém é a sua força, a sua dignidade, o seu poderio (Sl 89.17, 24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 92.10). O cântico de Ana celebra o chifre exaltado no Senhor (1Sm 2.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O problema dos ímpios é que querem erguer o próprio chifre, por conta própria e contra Deus.

O v. 5 repete a ordem, acrescentando lammarom, para o alto, e outra imagem: tedabberu vetsavvar 'ataq, falar com o pescoço insolente, empinado, arrogante. O pescoço duro é imagem bíblica da teimosia rebelde (Êx 32.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Dt 31.27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A frase hebraica é difícil, e algumas traduções, mudando a vocalização de uma palavra, entenderam que os arrogantes falam com insolência contra a Rocha, isto é, contra Deus. Seja qual for a leitura, a advertência é clara: a arrogância se mostra na postura e na fala.

Versículos 6-8 — De onde vem a exaltação e o cálice na mão do Senhor
O v. 6 explica por que os arrogantes não devem erguer o chifre. A exaltação, harim, não vem mimmotsa', do lugar onde o sol sai, o oriente, nem mimma'arav, do ocidente, nem mimmidbar, do deserto, que fica ao sul de Israel. O norte não é mencionado, o que intrigou os intérpretes. Há quem pense que a palavra harim deve ser lida como "montes", e então o verso falaria do "deserto dos montes"; nesse caso, o verbo da exaltação ficaria subentendido. Há ainda quem veja na ausência do norte uma alusão ao lugar tradicionalmente associado à morada divina na linguagem poética (Sl 48.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), mas essa sugestão é especulativa. O sentido geral não muda: nenhuma direção do horizonte, nenhuma aliança política, nenhum exército de fora pode dar a alguém a verdadeira exaltação.

A raiz rum, erguer, exaltar, é a palavra-chave da seção e de todo o salmo. Aparece no v. 4 (não ergais o chifre), no v. 5 (não ergais para o alto), provavelmente no v. 6 (a exaltação), no v. 7 (Deus eleva) e no v. 10 (o chifre do justo será erguido). O salmo é uma meditação sobre quem tem o direito de levantar alguém.

O v. 7 responde: ki-'elohim shofet, porque Deus é o juiz. Zeh yashpil wezeh yarim: a este ele abaixa, àquele ele levanta. A frase é curta como um provérbio. O cântico de Ana diz o mesmo, que o Senhor dá e tira a riqueza, rebaixa e promove (1Sm 2.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e o Novo Testamento a retoma quando Maria canta o Deus que tira os poderosos do lugar alto e dá aos pequenos o lugar de honra (Lc 1.52 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Jesus fará dela um princípio do Reino, repetido em mais de uma parábola: a autopromoção termina em queda, e a humildade, em honra dada por Deus (Lc 14.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 18.14).

O v. 8 traz a imagem mais forte do salmo. Há um kos, um cálice, beyad-YHWH, na mão do Senhor. O vinho é ḥamar, palavra que pode significar espumante, fermentado, ou ainda vermelho; o cálice está male' mesekh, cheio de mistura, provavelmente vinho misturado com especiarias para torná-lo mais forte, entorpecente. Deus o derrama, wayyagger mizzeh, e os ímpios da terra terão de yimtsu yishtu, sorver e beber, até as shemarim, as borras, o sedimento amargo que fica no fundo. A partícula 'akh, de fato, certamente, sublinha a inevitabilidade: não há como fugir.

A imagem do cálice da ira de Deus atravessa os profetas. Jeremias recebe da mão do Senhor o cálice do vinho da ira, para dar de beber a todas as nações a quem Deus o enviar, e elas cambaleiam como bêbados (Jr 25.15-29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Isaías descreve Jerusalém como quem bebeu da mão do Senhor o cálice do seu furor até o fundo, e depois anuncia que Deus tirará esse cálice da mão do seu povo e o porá na mão dos opressores (Is 51.17-23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ezequiel e Habacuque usam a mesma linguagem (Ez 23.31-34 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Hc 2.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O cálice é a imagem do juízo como consequência: o ímpio bebe aquilo que ele mesmo preparou, e o efeito o derruba. O Salmo 11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) já falava de um vento abrasador como a porção do cálice dos ímpios (Sl 11.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E, em contraste, outros salmos conhecem um cálice bom: o Senhor como porção do cálice do justo (Sl 16.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), o cálice que transborda na mesa preparada por Deus (Sl 23.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), o cálice da salvação erguido em ação de graças (Sl 116.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Versículos 9-10 — O canto que não termina e os chifres quebrados
O v. 9 começa com wa'ani, quanto a mim, e a voz agora é de um orante individual, talvez o líder do culto, talvez o rei, talvez o próprio salmista. Diante do juízo anunciado, ele não se gaba; ele 'aggid le'olam, anunciará para sempre, e 'azammerah, cantará com música, ao 'Elohe Ya'aqov, o Deus de Jacó. O título é significativo. Jacó era o patriarca fraco, astuto, que precisou ser quebrado por Deus no vau do Jaboque antes de receber o nome de Israel (Gn 32.24-30 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Deus de Jacó é o Deus que não escolheu os fortes, mas um homem que mancava. Faz sentido que ele seja louvado num salmo sobre a queda dos arrogantes e a exaltação dos humildes.

O v. 10 fecha o salmo com uma frase em paralelismo antitético. Todos os qarne resha'im, os chifres dos ímpios, 'agadde'a, eu cortarei, quebrarei; mas teromamnah qarnot tsaddiq, os chifres do justo serão erguidos. Quem fala? A primeira pessoa pode ser de Deus, retomando a voz do oráculo, o que fecharia o salmo com uma inclusão perfeita entre os vv. 2-3 e o v. 10. Pode ser do orante do v. 9, talvez um rei que se compromete a abater os ímpios e promover os justos, como o rei ideal do Salmo 101 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) (Sl 101.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Muitos preferem a primeira leitura, porque o poder de quebrar os chifres dos ímpios é, no salmo, prerrogativa do juiz divino (v. 7). Em qualquer caso, a última palavra é tsaddiq, o justo. Os chifres que se erguiam com arrogância no v. 4 são quebrados; os que se erguem no fim são os dos justos, e não por conta própria, mas pela ação de Deus. A forma passiva, serão erguidos, diz tudo: o justo não levanta o próprio chifre; Deus o levanta.

Vista no conjunto, a estrutura do salmo é concêntrica. No começo e no fim, o louvor (vv. 1 e 9); no centro, o juízo anunciado por Deus (vv. 2-3) e executado sobre os arrogantes (vv. 4-8); e, como moldura final, o destino oposto dos chifres (v. 10). A palavra rum, erguer, costura tudo.


✨ 4. Versículos-Chave

Sl 75.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Deus escolhe a hora do juízo e julgará com retidão. O versículo responde à angústia de quem pergunta até quando a injustiça vai durar: a hora existe, e está nas mãos de Deus. Em Atenas, Paulo anuncia que Deus já tem um dia determinado para o julgamento justo do mundo, a cargo de um homem escolhido por ele, e que a ressurreição desse homem é a garantia pública do que virá (At 17.31 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Sl 75.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Deus é o juiz, que abaixa e levanta. É a síntese do salmo e de uma longa tradição bíblica, do cântico de Ana (1Sm 2.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) ao de Maria (Lc 1.52 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Em Cristo, essa verdade se torna o próprio caminho da salvação: o Filho desceu à mais baixa humilhação, a morte na cruz, e o Pai o elevou à mais alta honra (Fp 2.8-9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Sl 75.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — O cálice na mão do Senhor é uma das imagens mais fortes do juízo divino em toda a Escritura. Ele ganha, no Novo Testamento, um significado surpreendente: na noite da agonia, Jesus suplica ao Pai que o poupe daquele cálice, caso haja outro caminho, e se entrega à vontade do Pai acima da sua (Mt 26.39, 42 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O cálice que os ímpios deveriam beber até a borra foi bebido por aquele que não tinha pecado.


⛪ 5. Temas Teológicos Centrais

O tempo pertence a Deus. O salmo responde à impaciência dos que sofrem não com uma data, mas com a garantia de que a hora existe e de que Deus a controla. A fé bíblica vive dessa tensão: o juízo ainda não veio, mas está marcado. Pedro dirá que o que parece atraso no cumprimento da promessa é paciência de Deus, que deseja dar a todos tempo para o arrependimento (2Pe 3.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A demora do juízo é também tempo de graça.

A estabilidade do mundo nas mãos de Deus. Quando a terra parece derreter, Deus sustenta as colunas. A teologia do salmo é ao mesmo tempo cosmológica e moral: a ordem do mundo e a justiça são sustentadas pelo mesmo Deus. O Novo Testamento atribui essa função ao Filho, em quem o universo mantém a sua coesão (Cl 1.17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e que o carrega pela força da sua palavra (Hb 1.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A inversão dos orgulhosos e dos humildes. O salmo é uma meditação sobre o verbo erguer. Os ímpios querem erguer o próprio chifre; Deus os abate e ergue os justos. Essa inversão é um dos fios mais constantes da Escritura, da escolha de Jacó e de Davi, os menores, à cruz de Cristo, onde Deus vence pelo que o mundo considera fraqueza (1Co 1.25-29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Tiago e Pedro repetem o mesmo ensino: Deus se opõe aos orgulhosos e favorece os humildes (Tg 4.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 1Pe 5.5-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O juízo como cálice. A imagem do cálice ensina que o juízo de Deus não é arbitrário: o ímpio bebe o que fermentou com as próprias mãos. Ao mesmo tempo, o cálice está na mão do Senhor, e só ele decide a quem dá. Essa dupla verdade prepara a surpresa do evangelho, em que Deus coloca o cálice nas mãos do seu próprio Filho.


✝️ 6. Visão Cristocêntrica — Cristo neste Capítulo

6.1 — A Grande Narrativa: onde este capítulo se encontra no arco redentor?

O Salmo 75 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) se situa na Redenção em andamento, num ponto de espera. A Queda está visível na terra que se desfaz e nos ímpios que erguem o chifre contra Deus. A promessa é que Deus julgará no tempo marcado. A Redenção consumada traz duas surpresas: o juízo começou na cruz, onde o cálice da ira foi bebido pelo Filho, e o juiz que Deus designou é o próprio Jesus ressuscitado. E a Nova Criação é o cumprimento do v. 10: os chifres dos ímpios quebrados para sempre e os justos, revestidos da justiça de Cristo, erguidos com ele numa terra que já não vacila (Ap 21.1-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

6.2 — Cristo, o juiz no tempo marcado

O v. 2 diz que Deus tomará o tempo marcado e julgará com retidão. Segundo o Evangelho de João, o Pai confiou ao Filho a tarefa inteira do julgamento, para que o Filho receba a mesma honra que o Pai (Jo 5.22-23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e lhe deu essa autoridade por ser ele o Filho do Homem (Jo 5.27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E Paulo, em Atenas, aponta para o dia já determinado e para o homem ressuscitado que o presidirá (At 17.31 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O juízo do salmo tem nome e rosto.

Mas o mo'ed de Deus tem, no Novo Testamento, mais de um momento. Paulo diz que Deus enviou o Filho quando o tempo atingiu a sua medida completa (Gl 4.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e que Cristo morreu em favor dos ímpios no momento oportuno (Rm 5.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Jesus começa o seu ministério anunciando que o prazo chegara ao fim e que o Reino se aproximara (Mc 1.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ao longo do Evangelho de João, ele fala da sua hora, que ainda não chegou (Jo 2.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 7.30) e que, por fim, chega na cruz (Jo 12.23, 31 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 17.1). Ali, diz ele, é a hora em que o mundo passa por juízo e o poder que o dominava é derrubado (Jo 12.31 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O tempo marcado do salmo se cumpre em dois tempos: na cruz, onde o mundo foi julgado, e na volta de Cristo, quando o juízo será consumado.

E as colunas da terra (v. 3)? O Filho é aquele por meio de quem tudo foi criado e em quem tudo se mantém (Cl 1.16-17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O mundo que parece derreter não está sem sustentação; é sustentado pelo mesmo Cristo que foi crucificado.

6.3 — Cristo, que bebeu o cálice

Esta é a conexão mais profunda do salmo com o evangelho, e precisa ser feita com cuidado e reverência. O Salmo 75 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) não é uma profecia direta da paixão. Mas a imagem do cálice na mão do Senhor, que atravessa os profetas, é retomada por Jesus de modo deliberado.

Quando os filhos de Zebedeu pediram lugares de honra no Reino, Jesus perguntou se eles podiam beber o cálice que ele estava para beber (Mc 10.38-39 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). No Getsêmani, prostrado, ele suplicou ao Pai que o poupasse daquele cálice, caso houvesse outro caminho, e em seguida pôs a vontade do Pai acima da sua (Mt 26.39, 42 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Lc 22.42 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Diante da prisão, mandou Pedro recolher a espada, porque estava decidido a beber o cálice recebido do Pai (Jo 18.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). À luz de Jeremias, de Isaías e do Salmo 75 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), é difícil não ver nesse cálice o cálice da ira de Deus contra o pecado. A angústia de Jesus no jardim não era o medo da dor física apenas, mas o horror santo de quem ia receber o juízo que cabia aos ímpios.

Isaías já havia anunciado uma troca: Deus tiraria da mão do seu povo o cálice do furor e o colocaria na mão dos que o afligiam (Is 51.22-23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O evangelho revela uma troca ainda mais radical: Deus tirou o cálice das mãos dos culpados e o colocou nas mãos do Inocente. Paulo dirá que Cristo tomou sobre si a maldição que a Lei pronunciava contra os transgressores, para livrá-los dela (Gl 3.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e que quem foi declarado justo pelo seu sangue está a salvo, por meio dele, da ira vindoura (Rm 5.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Jesus bebeu a borra do cálice para que os que nele creem não precisem bebê-la.

E por isso o cálice muda de sentido na mesa do Senhor. Na última ceia, Jesus tomou o cálice e o chamou de nova aliança no seu sangue (Lc 22.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O cálice da ira, bebido por ele na cruz, torna-se para os seus o cálice da bênção, participação no sangue de Cristo (1Co 10.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os salmos que falavam do cálice da salvação (Sl 116.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e do cálice que transborda (Sl 23.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) encontram aqui a sua realização.

Mas o Novo Testamento não esconde que o cálice continua existindo para quem rejeita a graça. O Apocalipse diz que os adoradores da besta terão de beber, sem nenhuma diluição, o vinho do furor de Deus (Ap 14.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e que a grande Babilônia recebe, enfim, o cálice da cólera divina (Ap 16.19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O v. 8 do salmo permanece verdadeiro. A diferença é que, em Cristo, ninguém precisa bebê-lo: ele já foi bebido pelo Filho em favor de todos os que se refugiam nele.

6.4 — Cristo, o humilhado exaltado e o chifre da salvação

O v. 7 diz que Deus abaixa um e levanta outro, e o v. 10 promete que o chifre do justo será erguido. Nenhuma vida encarnou essa verdade como a de Jesus. Ele não ergueu o próprio chifre. Embora fosse Deus, não tratou essa igualdade como privilégio a reter: abriu mão de si, assumiu a condição de servo e desceu até a morte mais vergonhosa, a da cruz; e o Pai, por isso, o elevou ao lugar mais alto e lhe deu um nome que está acima de qualquer outro (Fp 2.6-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ele é o justo por excelência cujo chifre Deus levantou.

Há uma ligação textual explícita nos cânticos de Lucas. Zacarias, pai de João Batista, bendiz a Deus porque, na casa de Davi, ergueu um chifre de salvação para o seu povo (Lc 1.69 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A expressão vem dos salmos e do cântico de Ana (Sl 18.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 132.17; 1Sm 2.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e Lucas a aplica ao Messias que estava para nascer. O chifre que o Salmo 75 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) promete erguer é, em última análise, o próprio Cristo, a força salvadora de Deus levantada para o seu povo. E o Apocalipse mostra o Cordeiro que parecia ter sido morto, de pé no meio do trono, com sete chifres, símbolo da plenitude do poder (Ap 5.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O chifre exaltado é o de um Cordeiro ferido.

Maria, no seu cântico, celebra o Deus que inverte o lugar dos poderosos e dos humildes (Lc 1.52 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), retomando a mesma tradição do Salmo 75 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e do cântico de Ana. O Reino de Cristo é o lugar dessa inversão: Jesus avisa que a autopromoção termina em queda e que a humildade termina sendo honrada por Deus (Lc 14.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os justos cujos chifres serão erguidos não são os que se julgam justos, mas os que receberam a justiça de Cristo.

6.5 — O Evangelho no capítulo

O Salmo 75 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) prega o evangelho em três tempos. Primeiro, anuncia que Deus marcou uma hora e julgará com retidão: ninguém escapará, e a arrogância humana será quebrada. Essa é a má notícia para os orgulhosos, e é também boa notícia para os oprimidos. Depois, mostra o cálice do juízo nas mãos de Deus, que os ímpios terão de beber. E aqui o evangelho faz o seu movimento decisivo: o cálice foi bebido por Jesus. O juízo que estava marcado para os culpados caiu sobre o Inocente.

Pregar este salmo cristocentricamente é chamar o ouvinte a abaixar o chifre antes que Deus o quebre: a abandonar a autossuficiência, a fala arrogante, o pescoço duro, e a se refugiar naquele que bebeu o cálice em seu lugar. E é oferecer, em troca, o cálice da bênção, a comunhão com Cristo, e a promessa de ser erguido por Deus no tempo dele, não por esforço próprio. O salmo termina com um canto que não acaba (v. 9), e é esse o destino de quem foi alcançado pela graça: cantar para sempre ao Deus de Jacó, que escolhe os fracos.


🔗 7. Conexões Bíblicas (Teologia Bíblica Canônica)


🌍 8. Aplicação Prática Contemporânea com Fundamento Cristológico

Confie no relógio de Deus. Quem sofre injustiça costuma perguntar quando Deus vai agir. O salmo não dá uma data, mas dá uma certeza: a hora está marcada, e está nas mãos de quem julga com retidão. Em Cristo, o cristão sabe que essa hora já começou na cruz e será completada na sua volta. Isso não elimina a dor da espera, mas a livra do desespero e da tentação de fazer justiça com as próprias mãos (Rm 12.19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Abaixe o chifre. A arrogância nem sempre se parece com a dos tiranos; às vezes ela se mostra na autossuficiência, na incapacidade de pedir perdão, no pescoço duro diante da correção. O salmo adverte que quem ergue o próprio chifre será abatido. O caminho de Cristo é o oposto: ele se humilhou, e Deus o exaltou. Seguir a Cristo é aprender a ser erguido por Deus, e não por si mesmo.

Não procure exaltação nos lugares errados. O v. 6 lembra que nenhuma direção do horizonte dá a verdadeira exaltação. Hoje se busca exaltação no sucesso, na visibilidade, no poder, no aplauso. O salmo diz que só Deus levanta. Isso liberta da corrida por reconhecimento e dá descanso a quem foi esquecido pelos homens.

Receba o cálice certo. Todo ser humano está diante de dois cálices: o do juízo, que o pecado prepara, e o da bênção, que Cristo oferece. Na mesa do Senhor, o crente recebe o cálice da nova aliança e lembra que o outro já foi bebido por Jesus. Participar da Ceia com essa consciência transforma a gratidão.

Cante ao Deus de Jacó. O salmo termina em louvor, e o louvor é dirigido ao Deus que escolheu um homem fraco. O cristão canta porque sabe que não foi escolhido por ser forte. Cristo, a força de Deus, veio para os que reconhecem a própria fraqueza.


🤔 9. Perguntas para Reflexão e Estudo

  1. O salmo começa com ação de graças antes que o juízo anunciado aconteça. O que significa agradecer a Deus por algo que ainda não se vê?
  2. No v. 2, Deus diz que escolherá a hora do juízo. Como essa afirmação ajuda a lidar com a pergunta "até quando" que o Salmo 74 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) deixou sem resposta?
  3. O verbo erguer aparece em todo o salmo. Em que áreas da sua vida você tem tentado "erguer o próprio chifre"? O que significa, na prática, deixar que Deus o levante?
  4. Leia Jr 25.15-29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e Mt 26.39-42 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba). O que a imagem do cálice no Antigo Testamento acrescenta à sua compreensão da agonia de Jesus no Getsêmani?
  5. Compare o Salmo 75 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) com os cânticos de Ana (1Sm 2.1-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e de Maria (Lc 1.46-55 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Que retrato de Deus emerge desses três textos juntos?
  6. Para meditação e oração: antes de participar da Ceia do Senhor, leia o v. 8 e Lc 22.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba). Agradeça a Cristo por ter bebido o cálice que era seu e peça um coração humilde, que espera de Deus a exaltação.

📚 10. Para Aprofundamento

Cristocêntrica / Teologia Bíblica:

  • Sidney Greidanus — Preaching Christ from the Old Testament (Eerdmans, 1999)
  • Christopher J. H. Wright — Conhecendo Jesus através do Antigo Testamento (Ultimato) / Knowing Jesus Through the Old Testament (IVP, 1992)
  • John Stott — A Cruz de Cristo (Vida), sobre o cálice e a ira de Deus na obra da cruz

Comentários dos Salmos:

  • Derek Kidner — Salmos 73–150 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba): introdução e comentário (Vida Nova, série Cultura Bíblica)
  • Marvin E. Tate — Psalms 51–100 (Word Biblical Commentary, 1990)
  • Frank-Lothar Hossfeld e Erich Zenger — Psalms 2: A Commentary on Psalms 51–100 (Hermeneia, Fortress, 2005)
  • Nancy deClaissé-Walford, Rolf A. Jacobson e Beth LaNeel Tanner — The Book of Psalms (NICOT, Eerdmans, 2014)

Sabedoria para o Cotidiano
Deus marcou a hora do juízo, e ela não depende da pressa de quem sofre nem da arrogância de quem oprime; quem sustenta as colunas da terra sabe quando agir. Por isso, abaixe o chifre: não procure exaltação no horizonte dos homens, porque só Deus levanta e só Deus abate. E, quando pensar no cálice que o pecado prepara, lembre-se de que Cristo o bebeu até a borra no lugar dos que nele se refugiam; a você ele oferece outro cálice, o da nova aliança, e um canto que não termina.

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Conteúdo criado com os recursos de inteligência artificial da plataforma, com a curadoria do Pastor Mário Levy. Ainda assim, a IA pode cometer erros — na dúvida, confira na própria Bíblia.