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Salmos · 19 de 66 · Antigo Testamento

Salmos — Capítulo 85

Infográfico de “Salmos 85 — Capítulo a capítulo”, gerado automaticamente a partir do estudo publicado, com 5 partes: O favor que Deus já mostrou; A súplica: faz-nos voltar à vida; Escutar a palavra de paz; O encontro do amor fiel e da justiça; A terra dá o seu fruto e a justiça abre o caminho.

Título do capítulo: O encontro do amor fiel e da justiça
Gênero literário: Poesia/Salmo (lamento coletivo e súplica de restauração em forma de liturgia: a memória do perdão passado, o pedido de vida nova, a escuta de uma palavra de paz e a visão do encontro dos atributos de Deus sobre a terra que volta a frutificar; salmo dos filhos de Corá)
Número de versículos: 13

Nota de precisão: a inscrição dedica o salmo ao regente do coro e o atribui aos filhos de Corá; nas Bíblias em português, ela não é contada como versículo, mas no hebraico impresso ocupa o versículo 1, e por isso todos os números ali ficam uma unidade acima dos usados aqui. Na antiga tradução grega, que junta os Salmos 9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e 10, este é o salmo oitenta e quatro. O selah aparece uma vez, no fim do v. 2. A ocasião do salmo e o sentido exato dos verbos no passado dos vv. 1-3 são discutidos; as leituras principais são apresentadas no lugar próprio.


🏛️ 1. Contexto Histórico e Cultural

O Salmo 85 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) é o segundo do pequeno grupo atribuído aos filhos de Corá no terceiro livro do Saltério (Sl 84–85 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Sl 87–88 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os coraítas, segundo as Crônicas, eram levitas que serviam como porteiros e cantores no templo (1Cr 9.19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 1Cr 26.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e os salmos a eles atribuídos têm um amor especial por Sião e pela presença de Deus no meio do povo. Depois do anseio pessoal do Salmo 84 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), o 85 é uma oração da comunidade inteira, que pede a Deus que restaure o seu povo e a sua terra.

A ocasião não é indicada, mas o conteúdo dá pistas. O salmo começa recordando que Deus já foi favorável à sua terra, mudou a sorte de Jacó, perdoou a culpa do povo e afastou a sua ira (vv. 1-3). Em seguida, porém, pede que Deus restaure o povo e deixe de estar irado (vv. 4-7). Há, portanto, uma tensão entre uma restauração já vivida e uma necessidade presente de restauração. Muitos estudiosos entendem que essa tensão combina bem com o período que se seguiu ao retorno do exílio na Babilônia, a partir de 538 a.C. O decreto de Ciro permitiu a volta (Ed 1.1-4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e os primeiros repatriados viveram a alegria de um sonho realizado (Sl 126.1-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Mas logo vieram as dificuldades: colheitas pobres, oposição dos vizinhos, uma cidade em ruínas e um templo que demorava a ser reconstruído. O profeta Ageu descreve um povo que semeava muito e colhia pouco, que comia sem se fartar e cujo ganho escorria das mãos sem nunca bastar (Ag 1.6-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Salmo 85 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), com a sua oração por vida nova e o seu desejo de que a terra dê o seu fruto (v. 12), soa como a oração desse povo.

É preciso, no entanto, ter cautela. A expressão do v. 1, shuv shevut, mudar a sorte, não se refere necessariamente ao exílio: o livro de Jó a usa para a restauração de Jó depois do sofrimento (Jó 42.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O salmo poderia nascer de outras crises, como uma seca prolongada ou uma derrota. O que se pode afirmar é que ele foi escrito por uma comunidade que já tinha experimentado a misericórdia de Deus e precisava experimentá-la de novo.

A forma do salmo é litúrgica. Os vv. 1-7 são a oração do povo; no v. 8, uma voz individual, talvez de um profeta ou levita do templo, diz que vai escutar o que Deus falará, e os vv. 9-13 trazem a resposta, em forma de promessa. Outros salmos têm estrutura semelhante, com uma palavra divina no meio do lamento (Sl 12.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Sl 60.6-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Habacuque, de modo parecido, se põe de vigia para ver o que Deus lhe dirá (Hc 2.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Por fim, o salmo está mergulhado na linguagem do Êxodo. Depois do episódio do bezerro de ouro, Moisés suplicou que Deus se voltasse do ardor da sua ira (Ex 32.12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e Deus se revelou como aquele que é rico em ḥesed e 'emet, amor fiel e fidelidade, e que tira a culpa e o pecado (Ex 34.6-7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Salmo 85 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) usa essas mesmas palavras: o afastamento da ira (v. 3), o perdão da culpa (v. 2), o amor fiel e a fidelidade (vv. 7, 10-11). O povo ora com base no nome que Deus revelou a Moisés.


📜 2. Resumo Narrativo / Conteúdo do Capítulo

O salmo abre lembrando o passado. O Senhor se agradou da sua terra e virou o destino de Jacó (v. 1); deu fim ao peso da culpa do povo e pôs um véu sobre as suas faltas (v. 2), e o selah marca uma pausa. Recolheu a sua indignação e desistiu da ira ardente (v. 3).

Em seguida, a comunidade suplica. Pede ao Deus que a salva que a traga de volta e encerre a sua indignação (v. 4). Pergunta se a ira de Deus não terá fim e atravessará uma geração após a outra (v. 5). Pergunta se ele não lhe devolverá a vida, para que o povo encontre nele a sua alegria (v. 6). E pede que o Senhor deixe ver o seu amor leal e traga a sua salvação (v. 7).

Uma voz se destaca. O orante se dispõe a ouvir a palavra do Senhor, certo de que será uma palavra de paz para o povo e para os seus fiéis, com o alerta de que não recaiam na loucura (v. 8). Os que temem a Deus têm a salvação ao alcance, e a glória dele voltará a morar na terra (v. 9).

Vem então a visão. O amor fiel e a fidelidade vão ao encontro um do outro; a justiça e a paz se abraçam e se beijam (v. 10). Da terra sobe, como broto, a fidelidade; do alto, a justiça se debruça (v. 11). O Senhor concederá o bem, e o chão responderá com colheita (v. 12). A justiça será a precursora do Senhor, traçando a estrada por onde ele passa (v. 13).


🔍 3. Análise por Seções (Perícopes)

Versículos 1-3 — O favor que Deus já mostrou
A primeira estrofe é feita de seis verbos no passado, todos tendo Deus como sujeito. O primeiro é ratsita, foste favorável, da raiz de ratson, o agrado, a aceitação. O objeto é 'artsekha, a tua terra. A terra de Israel não é propriedade do povo, mas de Deus, que a empresta aos que nela vivem (Lv 25.23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); por isso, o favor de Deus para com a terra é a primeira coisa lembrada. O segundo verbo é shavta shevut ya'aqov, mudaste a sorte de Jacó, uma expressão de som repetido que designa a restauração, a virada do destino. Ela aparece nas promessas de volta do exílio (Dt 30.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Jr 29.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e no Salmo 126 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), que celebra e pede essa virada (Sl 126.1, 4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O v. 2 passa da terra ao pecado. Nasa'ta 'awon 'ammekha: levantaste, carregaste a culpa do teu povo. O verbo nasa', levantar, carregar, é o mesmo usado na revelação do nome de Deus a Moisés, quando o Senhor se apresenta como aquele que tira a culpa (Ex 34.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O perdão é descrito como um peso retirado. A segunda linha usa outra imagem: kissita khol-ḥatta'tam, cobriste todos os seus pecados. É a linguagem do Salmo 32 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), que declara feliz aquele cujo pecado foi coberto (Sl 32.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e que Paulo citará para falar da justiça recebida pela fé (Rm 4.7-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O pecado não é negado nem minimizado; é coberto por Deus, que decide não mais olhar para ele como acusação. O selah convida a parar diante dessa memória.

O v. 3 completa a estrofe com a ira. 'Asafta khol-'evratekha: recolheste todo o teu furor, como quem recolhe uma arma. Heshivota meḥaron 'appekha: voltaste atrás do ardor da tua ira. A expressão é quase idêntica à da súplica de Moisés no Sinai, depois do bezerro de ouro (Ex 32.12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O que Moisés pediu, Deus fez, e o povo lembra disso.

Os intérpretes discutem o valor desses verbos no passado. A leitura mais comum entende que eles recordam uma restauração já acontecida, talvez a volta do exílio. Outros sugerem que são uma forma de súplica confiante, ou o chamado perfeito profético, que fala do futuro como se já tivesse acontecido. A primeira leitura parece mais natural, porque explica a tensão com os vv. 4-7: o povo pede que Deus faça de novo o que já fez.

Versículos 4-7 — A súplica: faz-nos voltar à vida
A segunda estrofe vira a página do passado para o presente. O v. 4 começa com shuvenu, restaura-nos, faz-nos voltar, dirigido ao 'elohe yish'enu, o Deus da nossa salvação. A raiz shuv, voltar, é a palavra-chave do salmo: aparece no v. 1 (a mudança de sorte), no v. 3 (Deus voltando atrás da ira), aqui (o pedido de que Deus faça o povo voltar), no v. 6 (o pedido de que Deus volte a dar vida) e no v. 8 (o alerta para que o povo não volte à insensatez). O salmo inteiro gira em torno do verbo que, na Bíblia, também significa arrependimento e conversão. Há uma bela reciprocidade: Deus voltou atrás da ira, e o povo pede que Deus o faça voltar.

A segunda linha pede que Deus hafer ka'askha 'immanu, quebre, anule a sua indignação contra nós. Os vv. 5-6 trazem três perguntas retóricas. As duas primeiras (v. 5) estão em paralelismo sinônimo: ficarás irado conosco para sempre? Estenderás a tua ira de geração em geração? A pergunta é, ao mesmo tempo, queixa e argumento: a ira de Deus não pode ser eterna, porque ele é o Deus que se revelou lento em irar-se e abundante em amor (Ex 34.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), cuja ira dura um momento e cujo favor dura a vida inteira (Sl 30.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O v. 6 traz a terceira pergunta, a mais bela: halo'-'attah tashuv teḥayyenu, não voltarás tu a nos dar vida? O verbo ḥayah, viver, na forma causativa, significa vivificar, reanimar, dar vida nova. É o que a tradição cristã chamaria de reavivamento: não um esforço humano, mas uma obra de Deus que devolve a vida a um povo cansado. E a finalidade é we'ammekha yismeḥu-vakh, para que o teu povo se alegre em ti. A alegria do povo não é o objetivo em si; é alegria em Deus. Reviver é voltar a se alegrar nele.

O v. 7 resume o pedido em duas linhas paralelas. Har'enu YHWH ḥasdekha: mostra-nos, Senhor, o teu ḥesed, o teu amor leal, a fidelidade de quem se comprometeu numa aliança e não a abandona. Weyesh'akha titten-lanu: e dá-nos a tua salvação, yesha', da mesma raiz do nome Josué, em hebraico, e de Jesus. O amor fiel é a fonte; a salvação é o fruto. O povo não pede que Deus aprenda a amá-lo, mas que mostre o amor que já tem.

Versículos 8-9 — Escutar a palavra de paz
O v. 8 introduz uma voz nova, no singular: 'eshme'ah mah-yedabber ha'el YHWH, vou escutar o que Deus, o Senhor, falará. A oração deu lugar à escuta. Quem fala aqui pode ser um profeta do culto, um sacerdote ou o próprio salmista como representante do povo. Depois de pedir, ele se cala para ouvir, e essa ordem é uma lição: a oração bíblica não é monólogo.

O conteúdo da palavra é antecipado: ki yedabber shalom, porque ele falará paz, 'el-'ammo we'el-ḥasidav, ao seu povo e aos seus fiéis. Shalom é muito mais do que ausência de guerra: é a vida inteira em ordem, a reconciliação com Deus, a harmonia entre as pessoas, a prosperidade da terra. Os ḥasidim são os que vivem do ḥesed de Deus e respondem a ele com lealdade.

A última linha do v. 8 introduz uma advertência: we'al-yashuvu lekislah, e que não voltem à insensatez. A palavra kislah designa a tolice, a confiança vã, a loucura moral que esquece Deus. A paz é dom, mas não é licença. O povo restaurado precisa não voltar ao caminho que o levou à ruína. A raiz shuv aparece aqui pela última vez, agora como alerta: há uma volta que traz vida (v. 6) e uma volta que leva de novo à morte.

O v. 9 começa com 'akh, certamente, de fato: qarov lire'av yish'o, perto dos que o temem está a sua salvação. A salvação não é uma promessa distante, mas algo que já se aproxima. E a finalidade é lishkon kavod be'artsenu, para que a glória habite em nossa terra. O verbo shakan, habitar, é o do tabernáculo, mishkan, e dele a tradição judaica posterior tirou a palavra Shekhinah, a presença de Deus que habita no meio do povo. A kavod, glória, é a presença visível e pesada de Deus. Ezequiel tinha visto a glória deixar o templo antes da destruição de Jerusalém (Ez 10.18-19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Ez 11.22-23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e, numa visão posterior, voltar para ele (Ez 43.1-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ageu prometeu que a glória da casa reconstruída seria maior que a da primeira (Ag 2.7-9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O salmo pede, e promete, que essa glória volte a morar na terra.

Versículos 10-11 — O encontro do amor fiel e da justiça
O v. 10 é um dos versos mais belos e mais comentados do Saltério. Em vez de descrever a salvação com conceitos, o poeta personifica quatro atributos de Deus e os faz se encontrar como pessoas. Ḥesed, o amor fiel, e 'emet, a fidelidade, a verdade confiável, nifgashu, vão ao encontro um do outro; tsedeq, a justiça, e shalom, a paz, nashaqu, trocam um beijo. O primeiro par vem da revelação do nome de Deus no Sinai (Ex 34.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e aparece muitas vezes junto nos Salmos (Sl 89.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O segundo par é menos óbvio: a justiça, que exige que o mal seja tratado como mal, e a paz, que restaura a harmonia, parecem às vezes forças opostas. Isaías, porém, já anunciara que o fruto da justiça seria a paz (Is 32.17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). No salmo, as quatro não competem; abraçam-se.

A imagem pode ser lida de dois modos complementares. Pode descrever a harmonia restaurada entre Deus e o povo: o amor de Deus e a fidelidade do povo se encontram, a justiça de Deus e a paz da terra se abraçam. Ou pode descrever a harmonia entre os próprios atributos de Deus, que, na obra de restauração, agem juntos, sem que a misericórdia anule a justiça nem a justiça impeça a misericórdia. A segunda leitura foi a que mais alimentou a teologia cristã, como se verá na seção 6.

O v. 11 alarga a cena para o cosmos. 'Emet me'erets titsmaḥ: a fidelidade brota da terra, como uma planta que germina. Tsedeq mishshamayim nishqaf: a justiça se inclina do céu para olhar, como quem se debruça numa janela. O céu e a terra se movem um em direção ao outro: de baixo, a fidelidade cresce; de cima, a justiça se inclina. Isaías usa imagem quase idêntica ao pedir que os céus derramem a justiça e que a terra se abra para que a salvação brote (Is 45.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O verbo tsamaḥ, brotar, é da mesma raiz de tsemaḥ, o "Renovo", título que os profetas usarão para o descendente de Davi que reinará com justiça (Jr 23.5-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Zc 3.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O salmo não faz essa ligação, mas o leitor atento a percebe.

Uma tradição judaica antiga, recolhida num midrash sobre o Gênesis, imaginou os quatro atributos debatendo diante de Deus se o ser humano deveria ser criado, e ligou a solução a este salmo. Na Idade Média, Bernardo de Claraval desenvolveu, num sermão sobre a Anunciação, a imagem das quatro virtudes em disputa reconciliadas pela vinda de Cristo, e o tema das "quatro filhas de Deus" se espalhou pela literatura cristã. Essas leituras não são exegese do texto, mas mostram como o verso foi sentido ao longo dos séculos: como a cena em que o conflito entre a misericórdia e a justiça encontra solução.

Versículos 12-13 — A terra dá o seu fruto e a justiça abre o caminho
O v. 12 desce do cosmos para o campo. Gam-YHWH yitten hattov: também o Senhor dará o bem. We'artsenu titten yevulah: e a nossa terra dará a sua colheita. O mesmo verbo, natan, dar, aparece nas duas linhas: Deus dá, e a terra dá. A bênção espiritual e a bênção material andam juntas. A Lei prometia que, na fidelidade à aliança, a terra daria o seu produto (Lv 26.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); Ezequiel anunciou o mesmo para o tempo da nova aliança de paz (Ez 34.25-27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); outro salmo louva a Deus porque a terra deu a sua colheita (Sl 67.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Para um povo que, como no tempo de Ageu, semeava muito e colhia pouco, essa promessa era concreta. A restauração de Deus não é apenas interior; alcança o pão de cada dia.

O v. 13 fecha o salmo com a imagem de um cortejo. Tsedeq lefanav yehallekh: a justiça andará à frente dele, como um arauto que anuncia a chegada do rei. A segunda linha é discutida: weyasem lederekh pe'amav pode significar que a justiça faz dos passos de Deus um caminho, preparando a estrada por onde ele vem; ou que ela põe os passos do povo no caminho de Deus, para que o sigam. Isaías tem uma imagem parecida, prometendo ao povo que pratica a justiça que ela iria à sua frente e a glória do Senhor viria logo atrás (Is 58.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O salmo que começou com a terra (v. 1) termina com o Senhor caminhando por ela, precedido pela justiça.

A estrutura do conjunto é clara: memória (vv. 1-3), súplica (vv. 4-7), escuta (vv. 8-9) e promessa (vv. 10-13). A raiz shuv liga as três primeiras partes, e a palavra 'erets, terra, emoldura o salmo, presente no começo (v. 1), no meio (v. 9) e no fim (vv. 11-12).


✨ 4. Versículos-Chave

Sl 85.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — A oração pelo reavivamento. O povo pede que Deus volte a lhe dar vida, para que se alegre nele. O versículo foi muito usado na história da Igreja em tempos de oração por renovação espiritual, e lembra que a vida nova é dom de Deus, e não produto de técnicas humanas. Em Cristo, essa vida é dada a quem jazia morto na culpa (Ef 2.4-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Sl 85.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Escutar a palavra de paz. Depois de orar, o salmista se cala para ouvir. Deus fala paz ao seu povo, mas adverte contra a volta à insensatez. A paz de Deus é dom gratuito e, ao mesmo tempo, chamado a uma vida nova. No Novo Testamento, a palavra de paz ganha nome: Cristo veio anunciá-la a distantes e próximos (Ef 2.17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Sl 85.10-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — O encontro do amor fiel e da fidelidade, da justiça e da paz. É o centro poético e teológico do salmo. A tradição cristã viu neste verso a descrição antecipada da cruz, onde Deus mostrou ao mesmo tempo a sua justiça e a sua misericórdia (Rm 3.25-26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e da encarnação, quando a fidelidade de Deus brotou da terra no nascimento de Jesus. Poucos versos do Antigo Testamento foram tão usados para explicar o coração do evangelho.


⛪ 5. Temas Teológicos Centrais

A memória da graça como base da oração. O salmo começa lembrando o que Deus já fez e só depois pede. Essa ordem é típica da oração bíblica: o passado de Deus é a garantia do seu futuro. O povo não ora com base nos próprios méritos, mas no caráter que Deus revelou no Sinai e nas obras que já realizou. Os cristãos oram da mesma forma, olhando para a cruz e a ressurreição como a prova definitiva de que Deus está do lado deles (Rm 8.31-32 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O "já" e o "ainda não" da restauração. O Salmo 85 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) vive a tensão entre uma restauração já recebida (vv. 1-3) e uma restauração ainda esperada (vv. 4-13). Essa tensão é também a do povo de Deus na nova aliança: em Cristo, os pecados já foram perdoados e a paz com Deus já foi alcançada (Rm 5.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), mas a plenitude da restauração ainda é esperada, quando toda a criação for libertada (Rm 8.19-23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O cristão vive entre a memória do perdão e a esperança da glória.

A harmonia dos atributos de Deus. O v. 10 mostra que, em Deus, o amor e a justiça não se opõem. Muitos imaginam um Deus que é só amor, indiferente ao mal, ou um Deus que é só justiça, sem misericórdia. O salmo apresenta um Deus em quem o amor fiel, a fidelidade, a justiça e a paz se abraçam. A pergunta de como isso é possível, diante de um povo pecador, recebe no Novo Testamento a sua resposta mais profunda na cruz.

A salvação que alcança a terra. O salmo não espiritualiza a restauração. A glória de Deus habita na terra (v. 9), a fidelidade brota da terra (v. 11), a terra dá a sua colheita (v. 12). A salvação bíblica abrange o ser humano inteiro e a criação inteira. Essa visão prepara a esperança cristã de uma nova criação, em que a justiça terá morada definitiva (2Pe 3.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).


✝️ 6. Visão Cristocêntrica — Cristo neste Capítulo

6.1 — A Grande Narrativa: onde este capítulo se encontra no arco redentor?

Na Criação, a terra era boa e frutífera, e o ser humano vivia em paz com Deus. A Queda introduziu a culpa, a ira de Deus contra o pecado e a maldição sobre o solo, que passou a produzir plantas espinhosas (Gn 3.17-19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A história de Israel, na Redenção em andamento, é marcada por ciclos de pecado, juízo e restauração, e o exílio foi o ponto mais baixo, quando a glória deixou o templo e o povo foi arrancado da terra. O Salmo 85 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) nasce depois de uma restauração parcial e pede uma restauração completa, que nenhuma volta do exílio conseguiu trazer plenamente. A Redenção consumada em Cristo é o momento em que o amor fiel e a justiça se encontram de maneira definitiva, na cruz, e em que a glória de Deus habita na terra na pessoa de Jesus. A Nova Criação é o cumprimento final do v. 12: uma terra sem maldição, com uma árvore que não para de frutificar e cujas folhas servem de remédio para os povos (Ap 22.2-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

6.2 — A cruz, onde o amor fiel e a justiça se encontram

O Salmo 85 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) contém uma pergunta que não formula, mas que o Novo Testamento responde. No v. 2, o povo lembra que Deus perdoou a sua culpa e cobriu os seus pecados. Mas como pode um Deus justo perdoar o culpado sem deixar de ser justo? Como o ḥesed e o tsedeq podem se encontrar sem que um anule o outro? O próprio Antigo Testamento afirma que Deus não trata o culpado como se fosse inocente (Ex 34.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), na mesma frase em que diz que ele perdoa a culpa.

Paulo enfrenta exatamente essa questão em Romanos. Ele diz que Deus expôs Jesus publicamente como hilastērion, o lugar e o meio da expiação, pelo seu sangue, para ser recebido com fé. E explica a finalidade: tornar visível a retidão de Deus, que, com longanimidade, tinha passado por cima das faltas do passado sem puni-las. Agora a cruz deixa claro que Deus não abriu mão da sua retidão ao acolher como justo quem confia em Jesus (Rm 3.25-26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os pecados "cobertos" do Salmo 85.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) são precisamente esses pecados do passado que Deus perdoou com paciência. A cruz mostra que esse perdão não foi injustiça: o pecado foi tratado, o castigo foi suportado, e por isso a misericórdia pode ser oferecida sem que a justiça seja negada.

Na cruz, o ḥesed e o tsedeq se encontram, e a justiça e a paz se abraçam. A justiça de Deus é satisfeita, porque o pecado é julgado no Filho que o carregou (2Co 5.21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); e a paz é estabelecida, porque os pecadores são reconciliados com Deus. Isaías tinha dito que a punição que nos devolveu a paz caiu sobre o Servo (Is 53.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Paulo afirma que os declarados justos pela fé estão em paz com Deus graças a Jesus (Rm 5.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); que a paz dos crentes tem nome, Cristo (Ef 2.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); e que, por meio da cruz, Deus trouxe de volta a si o universo inteiro, selando a paz com sangue (Cl 1.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O beijo da justiça e da paz, que o salmista viu em visão, aconteceu num madeiro fora de Jerusalém.

6.3 — A glória que habita na terra e a fidelidade que brota do chão

O v. 9 pede que a glória habite na terra, e o v. 11 vê a fidelidade brotando do chão. Ao ler o prólogo do seu Evangelho, João descreve a encarnação com o verbo de armar a tenda, skēnoō, que corresponde ao shakan do v. 9: o Verbo veio montar a sua morada no meio de nós, e os discípulos viram nele o brilho do próprio Deus (Jo 1.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E João associa a esse Filho as duas palavras que o Êxodo e o Salmo 85 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) uniam, a graça e a verdade, que muitos estudiosos entendem como o eco grego do ḥesed e do 'emet hebraicos. Contrastando o dom da Lei, mediado por Moisés, com o que chegou em Jesus Cristo, João apresenta a graça e a verdade como presente do Filho (Jo 1.14, 17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O amor fiel e a fidelidade que se encontram no v. 10 têm, no Novo Testamento, um rosto.

Agostinho, em sermões de Natal, viu no v. 11 uma profecia do nascimento de Cristo: a verdade brotou da terra quando o Filho de Deus nasceu da Virgem Maria. A leitura vai além do sentido original do salmo, que fala da fidelidade do povo e da fecundidade da terra, mas não é arbitrária. Os profetas usaram a imagem do broto, o tsemaḥ, para o descendente de Davi que receberia o nome de YHWH tsidqenu, o Senhor é a nossa justiça (Jr 23.5-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e Isaías pediu que a terra se abrisse para fazer brotar a salvação e a justiça (Is 45.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Em Jesus, a fidelidade de Deus germinou do chão da história humana, e a justiça do céu se debruçou sobre ela.

Na noite do nascimento, os anjos anunciaram aos pastores que a glória pertence a Deus no mais alto céu e que a paz descia sobre a terra, para os que ele favorece (Lc 2.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). É difícil não ouvir nesse anúncio o eco do Salmo 85 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba): a glória que habita na terra (v. 9) e a paz que Deus fala ao seu povo (v. 8).

6.4 — Cristo, a palavra de paz e a vida nova

O salmista se pôs a escutar o que Deus diria, certo de que ele falaria paz (v. 8). Hebreus abre contrastando as falas fragmentadas de Deus pelos profetas com a palavra definitiva que ele deu no Filho (Hb 1.1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A palavra de paz que o salmista esperava é o próprio Cristo. Paulo diz que ele veio levar a boa notícia da paz tanto aos gentios distantes quanto aos judeus próximos (Ef 2.17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Na noite da ressurreição, o Senhor entrou onde os discípulos estavam com as portas trancadas e os saudou com a paz, mostrando as mãos e o lado feridos (Jo 20.19-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A paz do Ressuscitado vem marcada pelas feridas da cruz.

O v. 6 pede que Deus volte a dar vida ao seu povo. O Novo Testamento anuncia que Deus, em sua misericórdia transbordante, fez viver com Cristo pessoas que estavam mortas por causa das suas faltas (Ef 2.4-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e que os batizados participaram da sua sepultura para começar uma vida nova (Rm 6.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O reavivamento pelo qual o salmo ora tem a sua fonte na ressurreição de Jesus.

O v. 9 diz que a salvação está perto. Jesus começou o seu ministério anunciando que a hora marcada tinha chegado e que o Reino de Deus estava ao alcance (Mc 1.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O velho Simeão, ao tomar o menino nos braços no templo, agradeceu por ter enxergado, com os próprios olhos, a salvação prometida (Lc 2.30 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O pedido do v. 7, mostra-nos o teu amor e dá-nos a tua salvação, foi respondido quando Deus deu o próprio Filho, cujo nome, Jesus, significa "o Senhor salva".

O v. 13 descreve a justiça indo à frente do Senhor e preparando o caminho. O Novo Testamento não cita esse verso, mas o leitor cristão lembra de João Batista, enviado para preparar o caminho do Senhor, conforme a profecia de Isaías (Lc 3.4-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e anunciando o arrependimento, a volta, o shuv que atravessa este salmo. E lembra que Cristo se apresenta como a via que leva ao Pai (Jo 14.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), aquele cujos passos os discípulos são chamados a seguir (1Pe 2.21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

6.5 — O Evangelho no capítulo

O Salmo 85 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) é a oração de um povo que já conheceu o perdão de Deus e, mesmo assim, precisa dele de novo. É, nesse sentido, a oração de todo cristão. Já fomos perdoados, mas continuamos a pecar; já recebemos a paz, mas continuamos a precisar de vida nova; já vimos a glória, mas esperamos vê-la habitar plenamente na terra.

O evangelho é que Deus não perdoa sem fundamento. O perdão lembrado no v. 2 e o perdão pedido nos vv. 4-7 se apoiam na cruz, onde o amor fiel e a justiça se encontraram. Ali, Deus não fingiu que o pecado não existia: julgou-o no seu Filho. E ali a justiça e a paz se abraçaram de vez, porque o pecador que crê é declarado justo e recebe a paz com Deus.

Pregar este salmo cristocentricamente é levar o ouvinte do lamento à escuta e da escuta à cruz. É mostrar que a palavra de paz que Deus fala ao seu povo é Cristo crucificado e ressuscitado; que a vida nova pela qual oramos brota da sua ressurreição; e que a terra que dará o seu fruto é a nova criação que ele inaugurou. E é lembrar, com o v. 8, que a paz recebida não é licença para voltar à insensatez, mas chamado a andar no caminho que a justiça abriu.


🔗 7. Conexões Bíblicas (Teologia Bíblica Canônica)


🌍 8. Aplicação Prática Contemporânea com Fundamento Cristológico

Ore lembrando o que Deus já fez. Antes de pedir, o salmista lembrou. Muitas orações nascem da ansiedade e esquecem a história da fidelidade de Deus. Começar pela memória do perdão, das respostas e, sobretudo, da cruz muda o tom da oração: pedimos como filhos que já foram amados, e não como estranhos que tentam convencer um Deus relutante.

Peça a Deus vida nova. O v. 6 é uma oração para tempos de cansaço espiritual, pessoal ou comunitário. Igrejas, famílias e pessoas passam por estações de secura, em que a fé parece apagada. O salmo ensina a pedir a Deus que restaure a vida e a alegria nele. Em Cristo ressuscitado, essa oração tem fundamento firme: o mesmo poder que o levantou dos mortos age nos que creem (Ef 1.19-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Escute antes de falar e não volte à insensatez. O salmista se cala para ouvir o que Deus dirá. Num mundo de muitas vozes, separar tempo para ouvir a palavra de Deus é uma disciplina indispensável. E a paz recebida pede uma vida coerente: o perdão não é licença para voltar ao pecado, mas convite a andar em novidade de vida.

Não separe a justiça da paz. O v. 10 desafia a tendência de escolher um dos lados: há quem queira paz sem justiça, varrendo o mal para debaixo do tapete, e há quem queira justiça sem paz, sem espaço para o perdão e a reconciliação. Na cruz, Deus uniu as duas. Os cristãos são chamados a ser pacificadores (Mt 5.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) que não fecham os olhos ao mal, e defensores da justiça que não perdem de vista a reconciliação, nas famílias, nas igrejas e na sociedade.

Espere a restauração completa. O salmo termina com a terra dando o seu fruto e o Senhor caminhando por ela. Isso alimenta a esperança cristã de uma criação restaurada e dá sentido ao trabalho de hoje: cuidar da terra, plantar, colher e partilhar são gestos que apontam para o dia em que Cristo fará novas todas as coisas.


🤔 9. Perguntas para Reflexão e Estudo

  1. Por que o salmo começa lembrando o que Deus já fez (vv. 1-3) antes de pedir alguma coisa (vv. 4-7)? Como essa ordem pode transformar a sua maneira de orar?
  2. A raiz shuv, voltar, aparece várias vezes no salmo. Que diferentes "voltas" o texto descreve? Qual delas você mais precisa experimentar agora?
  3. O que significa, na prática, pedir a Deus que devolva a vida ao seu povo (v. 6)? Em que áreas da sua vida ou da sua igreja essa oração é necessária?
  4. Como a cruz de Cristo responde à pergunta de como Deus pode ser ao mesmo tempo justo e misericordioso (v. 10; Rm 3.25-26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))?
  5. De que maneira o nascimento de Jesus, com o anúncio dos anjos (Lc 2.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e a encarnação descrita por João (Jo 1.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) iluminam os vv. 9-11?
  6. Para meditação e oração: leia devagar os vv. 8-13. Peça a Deus que lhe fale paz, que o guarde de voltar à insensatez e que faça a sua justiça ir à sua frente nos caminhos desta semana.

📚 10. Para Aprofundamento

Cristocêntrica / Teologia Bíblica:

  • Sidney Greidanus — Preaching Christ from the Old Testament (Eerdmans, 1999)
  • Christopher J. H. Wright — Conhecendo Jesus através do Antigo Testamento (Ultimato) / Knowing Jesus Through the Old Testament (IVP, 1992)
  • John Stott — A Cruz de Cristo (Vida) / The Cross of Christ (IVP, 1986), sobre a cruz como lugar em que Deus se mostra justo e justificador
  • Bernardo de Claraval — Sermões para o Ano Litúrgico, em especial o primeiro sermão sobre a Anunciação

Comentários dos Salmos:

  • Derek Kidner — Salmos 73–150 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba): introdução e comentário (Vida Nova, série Cultura Bíblica)
  • Marvin E. Tate — Psalms 51–100 (Word Biblical Commentary, 1990)
  • Nancy deClaissé-Walford, Rolf A. Jacobson e Beth LaNeel Tanner — The Book of Psalms (NICOT, Eerdmans, 2014)
  • Frank-Lothar Hossfeld e Erich Zenger — Psalms 2: A Commentary on Psalms 51–100 (Hermeneia, Fortress, 2005)
  • Agostinho — Comentário aos Salmos (Paulus, coleção Patrística)

Sabedoria para o Cotidiano
Quando a vida parecer seca e Deus distante, comece por lembrar o que ele já fez: o perdão que você recebeu, as orações respondidas e, acima de tudo, a cruz, onde o amor de Deus e a sua justiça se encontraram em seu favor. Depois peça, sem medo, que ele volte a lhe dar vida, e cale-se para ouvir a paz que ele fala em Cristo. Essa paz não é licença para voltar ao que o feriu, mas o começo de um caminho em que a justiça vai à frente e a terra, um dia, dará todo o seu fruto.

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Conteúdo criado com os recursos de inteligência artificial da plataforma, com a curadoria do Pastor Mário Levy. Ainda assim, a IA pode cometer erros — na dúvida, confira na própria Bíblia.