Salmos · 19 de 66 · Antigo Testamento
Salmos — Bloco 12: O Grande Aleluia: O Destino do Louvor
Capítulos principais
Salmos e versículos: Salmo 146:1-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Salmo 147:1-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Salmo 148:1-14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Salmo 149:1-9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Salmo 150:1-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba).
Tema central do bloco
Chegamos ao fim do Saltério. Depois de percorrer a Palavra que dá vida, o louvor ao Criador, o reinado de Deus e do seu Ungido, o lamento, a culpa, o clamor por justiça, a crise nacional, a confiança, a gratidão e a peregrinação, o livro termina num louvor puro e sem reservas.
Os Salmos 146 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) a 150 formam o chamado Hallel final, ou "Grande Aleluia", do Saltério. Cada um deles começa e termina com a mesma palavra, hallelu-yah, "louvai a Yah". Os cinco juntos funcionam como a doxologia conclusiva de todo o livro. Os Livros I a IV terminavam com uma breve fórmula de bênção (Sl 41:13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 72:18-19; 89:52; 106:48). O Livro V e o Saltério inteiro terminam com cinco salmos inteiros de louvor.
O movimento do bloco é o de um louvor que se amplia em círculos cada vez maiores. O Salmo 146 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) louva o Deus que faz justiça aos oprimidos, em contraste com a fragilidade dos poderosos humanos. O Salmo 147 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) louva o Deus que reconstrói Jerusalém, cura os corações partidos, conta as estrelas e governa a natureza pela sua palavra. O Salmo 148 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) convoca o cosmos inteiro, dos anjos aos monstros marinhos, dos reis às crianças. O Salmo 149 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) chama o povo de Deus ao cântico novo e à participação no juízo divino. O Salmo 150 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) responde às perguntas do louvor (onde, por quê, como e quem) e termina com um convite dirigido a todo ser que respira.
O fio que une o bloco é o destino. O Saltério não termina num argumento, numa súplica ou num lamento, e sim no louvor. Isso revela para onde caminha toda a história, a do indivíduo, a do povo e a da criação. Esse é o sentido do título hebraico Tehillim, "Louvores". O livro que começou com a bem-aventurança do justo que medita na Palavra (Sl 1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) termina com toda a criação louvando a Deus. O Novo Testamento mostra que esse destino se cumpre em Cristo, diante de quem todo joelho se dobrará e em cuja honra o céu canta aleluia.
Versículos-chave do Livro estudado
- Salmo 146:1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — O salmista convoca a própria alma a louvar o Senhor e promete fazê-lo por toda a vida.
- Salmo 146:3-4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Não se deve confiar em príncipes nem em nenhum ser humano, que não pode salvar; quando o fôlego se vai, ele volta à terra e seus planos se desfazem.
- Salmo 146:5-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Feliz quem tem o Deus de Jacó como auxílio e espera no Senhor, Criador do céu, da terra e do mar, que mantém a fidelidade para sempre.
- Salmo 146:7-9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — O Senhor faz justiça aos oprimidos, dá pão aos famintos, liberta os presos, abre os olhos dos cegos, levanta os abatidos, ama os justos, protege os estrangeiros e sustenta o órfão e a viúva.
- Salmo 146:10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — O Senhor reina para sempre, de geração em geração.
- Salmo 147:2-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — O Senhor reconstrói Jerusalém, reúne os dispersos de Israel, cura os de coração quebrantado e trata suas feridas.
- Salmo 147:4-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Ele conta o número das estrelas e chama cada uma pelo nome; é grande, e seu entendimento não tem medida.
- Salmo 147:8-9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Ele cobre os céus de nuvens, prepara a chuva, faz brotar a relva nos montes e dá alimento aos animais e aos filhotes dos corvos que clamam.
- Salmo 147:10-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Deus não se agrada da força do cavalo nem do vigor humano, e sim dos que o temem e esperam em sua misericórdia.
- Salmo 147:15-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Deus envia sua palavra à terra, que corre velozmente; ele dá a neve, a geada e o granizo, e com sua palavra os derrete.
- Salmo 147:19-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Deus revelou sua palavra, seus estatutos e juízos a Israel, algo que não fez com nenhuma outra nação.
- Salmo 148:1-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Os céus, os anjos, os exércitos celestes, o sol, a lua e as estrelas são convocados a louvar o Senhor, porque ele ordenou e foram criados.
- Salmo 148:7-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Da terra, os monstros marinhos, os abismos, o fogo, o granizo, a neve, o vento, os montes, as árvores e todos os animais são chamados ao louvor.
- Salmo 148:11-13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Reis, povos, príncipes, juízes, jovens, moças, idosos e crianças louvam o nome do Senhor, o único nome exaltado.
- Salmo 148:14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Deus levantou o poder do seu povo, motivo de louvor para todos os fiéis, Israel, o povo que lhe é próximo.
- Salmo 149:1-4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — O cântico novo na assembleia dos fiéis, com danças, tamborins e harpas, porque o Senhor se agrada do seu povo e coroa os humildes com a salvação.
- Salmo 149:5-9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Os fiéis exultam, com louvores na boca e espada de dois gumes na mão, para executar sobre as nações o juízo já escrito.
- Salmo 150:1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — O louvor a Deus em seu santuário e no firmamento do seu poder, por seus atos poderosos e sua grandeza insuperável.
- Salmo 150:3-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — O louvor com trombeta, harpa, lira, tamborim, dança, instrumentos de cordas, flauta e címbalos.
- Salmo 150:6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — O último versículo do Saltério convoca todo ser que respira a louvar ao Senhor.
Versículos relacionados em outros capítulos ou Livros da Bíblia
- Gênesis 1:1–2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba):3 — A criação dos céus, da terra, do mar e de todos os seres, convocados no Salmo 148 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) ao louvor.
- Gênesis 2:7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Deus soprou nas narinas do ser humano o fôlego (neshamah) de vida, a mesma palavra do último versículo do Saltério.
- Deuteronômio 10:17-19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — O Deus dos deuses faz justiça ao órfão e à viúva e ama o estrangeiro, como no Salmo 146 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba).
- Jó 38:31-41 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Deus fala das constelações e do alimento que dá aos filhotes dos corvos, em paralelo com o Salmo 147 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba).
- Isaías 40:26-29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Deus chama as estrelas pelo nome e dá força ao cansado, em sintonia com Salmo 147:4-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba).
- Isaías 61:1-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — O Ungido é enviado para curar os quebrantados de coração, libertar os cativos e consolar os que choram.
- Neemias 12:27-43 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — A dedicação dos muros de Jerusalém com cânticos, címbalos, harpas e liras, cenário próximo ao do Salmo 147 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba).
- Daniel 3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) (acréscimos gregos) — O Cântico dos Três Jovens, que convoca todas as obras de Deus a bendizê-lo, em paralelo com o Salmo 148 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), preservado nas tradições católica e ortodoxa.
- Lucas 4:18-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Jesus lê Isaías 61 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) na sinagoga de Nazaré e declara que a profecia se cumpriu nele.
- Mateus 11:4-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Lucas 7:22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Jesus aponta as suas obras como resposta a João Batista: cegos veem, coxos andam e os pobres recebem o evangelho.
- Lucas 1:51-53 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — O Magnificat celebra o Deus que exalta os humildes e sacia os famintos.
- Lucas 12:24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Jesus manda considerar os corvos, que Deus alimenta, em eco temático de Salmo 147:9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba).
- Atos 4:24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 14:15 — Os apóstolos invocam o Deus que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há, com as palavras de Salmo 146:6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba).
- Apocalipse 14:7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — O anjo convoca as nações a adorar aquele que fez o céu, a terra, o mar e as fontes das águas.
- 2 Tessalonicenses 3:1 — Paulo pede oração para que a palavra do Senhor corra e seja glorificada, em eco de Salmo 147:15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba).
- Filipenses 2:9-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Diante do nome de Jesus todo joelho se dobrará, no céu, na terra e debaixo da terra.
- Colossenses 1:16-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Por meio de Cristo, Deus reconcilia consigo todas as coisas, na terra e nos céus.
- Efésios 5:19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Colossenses 3:16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — A Igreja é exortada a cantar salmos, hinos e cânticos espirituais.
- Efésios 6:17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Hebreus 4:12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — A espada do Espírito é a Palavra de Deus, viva e mais cortante que espada de dois gumes.
- 2 Coríntios 10:3-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — As armas da luta cristã não são carnais, e sim poderosas em Deus.
- 1 Coríntios 6:2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Os santos julgarão o mundo.
- Hebreus 13:15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Por meio de Cristo, a Igreja oferece continuamente a Deus sacrifício de louvor.
- Apocalipse 5:9-13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — O cântico novo ao Cordeiro e o louvor de toda criatura no céu, na terra, debaixo da terra e no mar.
- Apocalipse 19:1-7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — A grande multidão celestial exclama aleluia, porque o Senhor Deus Todo-Poderoso reina.
Explicação teológica e bíblica
O Hallel final: a moldura do louvor. Os cinco últimos salmos formam uma unidade evidente. Cada um é emoldurado pelo hallelu-yah: ele aparece no primeiro e no último versículo de cada salmo. A tradição judaica reconheceu essa unidade e incorporou esses salmos, junto com o Salmo 145 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), à oração da manhã, na seção chamada Pesukê deZimra ("versos de cântico"). O Talmude (Shabbat 118b) registra o desejo do rabino Yosé de estar entre os que completam o Hallel todos os dias, o que a tradição entendeu como a recitação diária desses salmos. O dia judaico começava, portanto, com o final do Saltério.
A posição desses salmos é teologicamente decisiva. Walter Brueggemann, no ensaio "Bounded by Obedience and Praise" (JSOT 50, 1991), mostrou que o Saltério é emoldurado por dois polos. O Salmo 1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) apresenta a obediência: o justo que se deleita na Torá. O Salmo 150 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) apresenta o louvor: todo ser que respira louvando a Deus. Entre os dois estão todas as experiências humanas: a dor, a dúvida, o protesto, a culpa, a crise, a confiança. O caminho do livro vai da obediência ao louvor, e passa pelo sofrimento. O louvor final não ignora os lamentos. Ele os atravessou. É o louvor de quem conhece a noite e sabe que a última palavra é de Deus.
A confiança no Deus que faz justiça (Sl 146 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Salmo 146 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) começa com o salmista falando à própria alma, como nos Salmos 103 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e 104, e prometendo louvar o Senhor enquanto viver (vv. 1-2). Em seguida vem uma advertência de grande atualidade política e existencial: não se deve confiar em príncipes, nem em nenhum ben 'adam, "filho de homem", ser humano comum, que não tem poder de salvar (v. 3). A razão é a fragilidade humana. Quando o fôlego o deixa, o ser humano volta à terra ('adamah, jogo de palavras com 'adam), e naquele mesmo dia seus projetos desaparecem (v. 4). Governantes, líderes e poderosos são necessários, mas nenhum deles merece a confiança que só pertence a Deus.
O contraste vem no versículo 5, com a última bem-aventurança do Saltério (a primeira estava no Salmo 1:1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Feliz é aquele cujo auxílio é o Deus de Jacó e cuja esperança está no Senhor. Esse Deus é descrito com duas qualidades. Ele é o Criador do céu, da terra, do mar e de tudo o que neles existe, e mantém a fidelidade ('emet) para sempre (v. 6). O poder criador garante que ele pode salvar, e a fidelidade garante que ele quer salvar.
Os versículos 7-9 trazem uma lista de ações de Deus que funciona como um retrato do seu caráter. O Senhor faz justiça aos oprimidos, dá pão aos famintos, liberta os prisioneiros, abre os olhos dos cegos, levanta os que estão curvados, ama os justos, protege os estrangeiros (gerim, os imigrantes sem terra e sem proteção), sustenta o órfão e a viúva e transtorna o caminho dos ímpios. É o mesmo perfil do rei ideal do Salmo 72 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) (Bloco 5), agora atribuído ao próprio Deus. Os príncipes humanos falham, mas o Rei divino faz o que os reis deveriam fazer. O salmo termina com a proclamação de que o Senhor reina para sempre, o Deus de Sião de geração em geração (v. 10), retomando o tema do Bloco 4.
O Deus das estrelas e dos corações partidos (Sl 147 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Salmo 147 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) é o mais extenso do Hallel final. A Septuaginta e a Vulgata o dividem em dois (vv. 1-11 e 12-20), uma das razões da diferença de numeração explicada no panorama. O contexto provável é o período pós-exílico. O Senhor reconstrói Jerusalém e reúne os dispersos de Israel (v. 2), linguagem que ecoa a época de Neemias, quando os muros foram reerguidos e dedicados com cânticos e instrumentos (Ne 12:27-43 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Os versículos 3-4 contêm uma das justaposições mais comoventes da Bíblia. O mesmo Deus que cura os quebrantados de coração e trata das suas feridas é o que conta as estrelas e dá nome a cada uma delas. O Deus que ordena o cosmos é o mesmo que se inclina sobre a dor humana. O versículo 5 afirma que seu entendimento não tem medida, e o versículo 6 mostra onde esse entendimento se aplica: ele sustenta os humildes e abate os ímpios.
A segunda estrofe (vv. 7-11) contempla a providência. Deus cobre o céu de nuvens, prepara a chuva, faz brotar a relva nos montes e dá alimento aos animais e aos filhotes dos corvos quando clamam (vv. 8-9), imagem que aparece também em Jó 38:41 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba). Os versículos 10-11 retomam uma lição já vista no Salmo 33 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) (Bloco 3). Deus não se impressiona com a força do cavalo, a máquina de guerra da época, nem com as pernas de um guerreiro. Seu prazer está nos que o temem e esperam na sua misericórdia (chesed).
A terceira estrofe (vv. 12-20) destaca a palavra de Deus. Ele fortalece as trancas das portas de Jerusalém, abençoa os filhos, estabelece paz nas fronteiras e sacia com o melhor trigo (vv. 13-14). Então envia sua ordem à terra, e sua palavra corre velozmente (v. 15). Ele espalha a neve como lã, a geada como cinza e o granizo como migalhas, e ninguém resiste ao seu frio. Depois envia de novo a sua palavra, e tudo se derrete, o vento sopra e as águas correm (vv. 16-18). A mesma palavra que congela e descongela o mundo é revelada a Israel como estatutos e juízos, e o salmo observa que Deus não fez isso com nenhuma outra nação (vv. 19-20). A palavra que governa a natureza é a mesma que instrui o povo de Deus, retomando o Salmo 19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) (Bloco 2).
O coral do universo (Sl 148 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Salmo 148 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) é talvez o texto mais amplo de toda a Bíblia em termos de alcance do louvor. Tem duas partes.
A primeira (vv. 1-6) convoca o louvor dos céus: os anjos, os exércitos celestes, o sol, a lua, as estrelas luminosas, os céus mais altos e as águas acima dos céus. O motivo é que Deus ordenou, e eles foram criados. Ele os estabeleceu para sempre por um decreto que não passará (vv. 5-6).
A segunda (vv. 7-14) convoca o louvor da terra, em uma lista que parece percorrer toda a criação. Os monstros marinhos e os abismos. O fogo e o granizo, a neve e a neblina, o vento tempestuoso que cumpre a sua palavra. Os montes e colinas, as árvores frutíferas e os cedros. Os animais selvagens e domésticos, os répteis e as aves. Os reis da terra e todos os povos, os príncipes e todos os juízes. Os jovens e as moças, os idosos e as crianças. Todos louvam o nome do Senhor, o único nome exaltado, cuja majestade está acima da terra e dos céus (vv. 7-13).
Dois aspectos merecem destaque. O primeiro é que os elementos que em outros textos representavam o caos, como os monstros marinhos, os abismos e a tempestade, aparecem aqui como participantes do coral. Não há nada na criação que esteja fora do alcance do louvor. O segundo é a dimensão humana, que inclui todas as classes sociais (reis e povos) e todas as gerações (idosos e crianças), homens e mulheres, sem distinção. O louvor não é privilégio de nenhum grupo.
O versículo final (v. 14) volta o foco para Israel. Deus levantou um qeren, "chifre", símbolo de poder e dignidade, para o seu povo, motivo de louvor para todos os seus fiéis, o povo que lhe é próximo. O universo inteiro louva, e no centro desse coral está o povo que Deus aproximou de si. O salmo tem um paralelo notável no Cântico dos Três Jovens, uma das adições gregas a Daniel 3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), preservada nas tradições católica e ortodoxa. Ambos inspiraram Francisco de Assis no seu Cântico das Criaturas (c. 1225), em que o sol, a lua, o vento, a água e o fogo são chamados de irmãos e irmãs no louvor ao Criador.
O cântico novo e a espada (Sl 149 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Salmo 149 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) convida a cantar um cântico novo na assembleia dos fiéis (chasidim). Israel deve se alegrar no seu Criador, e os filhos de Sião devem exultar no seu Rei, com danças, tamborins e harpas (vv. 1-3). A razão é comovente: o Senhor se agrada do seu povo e coroa os humildes com a salvação (v. 4). Os fiéis exultam na glória e cantam de alegria até em seus leitos (v. 5).
Os versículos 6-9 introduzem uma imagem que surpreende no meio do louvor. Os fiéis têm louvores de Deus na boca e uma espada de dois gumes na mão, para executar vingança sobre as nações e castigo sobre os povos, prender os reis com correntes e os nobres com grilhões de ferro, e executar sobre eles o juízo escrito. Essa, diz o salmo, é a honra de todos os fiéis.
Este trecho exige a mesma cautela interpretativa aplicada aos salmos imprecatórios (Bloco 8). Comentaristas como Derek Kidner lembram que ele foi usado ao longo da história para justificar violência religiosa, por exemplo por Thomas Müntzer na Guerra dos Camponeses (1525) e, no século seguinte, por Caspar Schoppe, no contexto da Guerra dos Trinta Anos. Esses usos são advertências sobre o perigo de ler o texto fora do seu contexto e do conjunto das Escrituras.
Três observações ajudam a interpretá-lo corretamente. A primeira é que o juízo executado não é iniciativa humana. É o juízo escrito, já decretado por Deus, e o povo participa dele como instrumento e não como autor. A segunda é que, no contexto do Antigo Testamento, o salmo reflete a esperança de que Deus libertaria o seu povo da opressão das nações e estabeleceria a justiça, na linha da vitória do Filho do Homem e dos santos em Daniel 7:22, 27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba). A terceira, decisiva para a leitura cristã, é que o Novo Testamento transforma essa imagem. A espada de dois gumes do cristão é a Palavra de Deus (Ef 6:17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Hb 4:12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e as armas de sua luta não são carnais (2 Co 10:3-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A espada que executa o juízo final sai da boca do próprio Cristo (Ap 1:16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 19:15), e a participação dos santos no juízo (1 Co 6:2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) é escatológica, e não uma licença para a violência na história.
O grande final (Sl 150 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Salmo 150 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) é a conclusão de todo o Saltério. É construído de forma simples e grandiosa, respondendo a quatro perguntas.
Onde louvar? No santuário de Deus e no firmamento do seu poder (v. 1). O louvor une o templo terrestre e o céu, o culto humano e a adoração celestial.
Por que louvar? Pelos seus atos poderosos e pela sua grandeza insuperável (v. 2). O louvor tem fundamento: aquilo que Deus fez e aquilo que ele é.
Como louvar? Com todos os recursos disponíveis (vv. 3-5): o shofar (trombeta de chifre, usada para anunciar festas e entronizações), a nevel e o kinnor (instrumentos de cordas, harpa e lira), o tof (tamborim) e a machol (dança), os minnim (cordas) e o 'ugav (flauta), e os tseltselim (címbalos), tanto os sonoros quanto os retumbantes. É uma orquestra completa, que inclui instrumentos de sopro, cordas e percussão, os usados pelos sacerdotes e levitas e os tocados pelo povo em festa, além do movimento do corpo.
Quem deve louvar? O versículo 6 responde: kol hanneshamah, todo ser que respira. A palavra neshamah é a mesma usada em Gênesis 2:7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) para o fôlego de vida que Deus soprou no ser humano. O fôlego que Deus deu volta a ele em forma de louvor.
O salmo repete o imperativo "louvai-o" dez vezes nos versículos 1-5. Uma tradição rabínica associou esses dez louvores às dez palavras com que Deus criou o mundo em Gênesis 1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba). O detalhe mais significativo, porém, é outro. Diferentemente de quase todos os hinos do Saltério, o Salmo 150 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) não tem um "porque" desenvolvido, não tem súplica, não tem queixa, não tem argumento. Brueggemann observa que o Saltério termina num louvor que já não precisa de razões, um louvor de entrega total, em que a criatura simplesmente se volta para o Criador. Todo o caminho do livro, com suas lágrimas, perguntas e protestos, desemboca nesse lugar.
A contribuição do bloco para o livro e para a Bíblia. O Hallel final revela o destino de todo o Saltério e, de certa forma, de toda a Bíblia. O louvor é a vocação última da criação. Ele não é fuga da realidade, porque passa pela justiça para os oprimidos (Sl 146 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), pela cura dos quebrantados (Sl 147 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), pela reconciliação de toda a criação (Sl 148 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e pelo juízo que põe as coisas em ordem (Sl 149 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Tudo isso desemboca na adoração (Sl 150 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O livro que começou com um indivíduo meditando na Palavra termina com o universo cantando, e esse movimento antecipa o final das Escrituras, quando toda criatura no céu e na terra louvará aquele que está sentado no trono e o Cordeiro (Ap 5:13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).
Visão cristocêntrica
Conexões diretas. A confissão de Salmo 146:6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), sobre o Deus que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há, é usada pela Igreja em oração quando os apóstolos são ameaçados (At 4:24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), por Paulo e Barnabé ao anunciar o evangelho aos gentios de Listra (At 14:15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e pelo anjo do Apocalipse que convoca as nações a adorar o Criador (Ap 14:7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A mesma expressão aparece em Êxodo 20:11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), o que mostra que se trata de uma fórmula confessional de Israel retomada pela Igreja.
Salmo 146 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e as obras de Jesus. O retrato do Deus que dá pão aos famintos, liberta os presos, abre os olhos dos cegos e levanta os abatidos (Sl 146:7-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) corresponde, quase ponto por ponto, ao ministério de Jesus. Quando João Batista mandou perguntar se Jesus era aquele que havia de vir, Jesus respondeu apontando suas obras: os cegos veem, os coxos andam, os pobres recebem o evangelho (Mt 11:4-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Lc 7:22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ele alimentou multidões famintas (Mc 6:34-44 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), abriu os olhos de cegos (Jo 9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e endireitou uma mulher que andava curvada havia dezoito anos (Lc 13:10-13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). As respostas de Jesus citam Isaías e não o Salmo 146 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), e por isso a conexão é temática. Mas ela é notável: o que o salmo atribui a Deus, os Evangelhos mostram Jesus fazendo. A advertência contra confiar em príncipes, meros "filhos de homem" (Sl 146:3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), ganha um contraste inesperado no Novo Testamento. O verdadeiro Filho do Homem é aquele em quem se pode confiar plenamente, porque ele é também o Filho de Deus que vive para sempre.
Salmo 147 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e o Deus que cura. A cura dos quebrantados de coração (Sl 147:3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) ecoa a missão do Ungido em Isaías 61:1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), que Jesus declarou cumprida em si mesmo na sinagoga de Nazaré (Lc 4:18-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Deus que alimenta os filhotes dos corvos (Sl 147:9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) é o Pai celestial de quem Jesus fala quando manda considerar os corvos, que Deus alimenta, para ensinar a confiança (Lc 12:24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E a palavra que corre velozmente pela terra (Sl 147:15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) ecoa no pedido de Paulo para que a palavra do Senhor se propague rapidamente e seja glorificada (2 Ts 3:1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Na perspectiva do Novo Testamento, essa Palavra que governa a criação é o próprio Verbo que se fez carne (Jo 1:1-14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Essas conexões são temáticas.
Salmo 148 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e a reconciliação de todas as coisas. O coral universal do Salmo 148 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) encontra seu cumprimento na obra de Cristo. Paulo afirma que tudo foi criado por meio dele e para ele, que nele tudo subsiste e que, por meio dele, Deus reconcilia consigo todas as coisas, tanto as da terra quanto as dos céus (Cl 1:16-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Diante do nome de Jesus, todo joelho se dobrará, no céu, na terra e debaixo da terra (Fp 2:9-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Apocalipse mostra essa visão realizada: toda criatura no céu, na terra, debaixo da terra e no mar louva aquele que está sentado no trono e o Cordeiro (Ap 5:13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Aquilo que o Salmo 148 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) convocava, o Apocalipse contempla cumprido.
Salmo 149 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e o cântico novo. O cântico novo do Salmo 149 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) é o cântico dos redimidos, que no Apocalipse cantam diante do Cordeiro porque ele foi morto e com seu sangue comprou para Deus pessoas de toda tribo, língua, povo e nação (Ap 5:9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 14:3). A espada de dois gumes se torna a Palavra de Deus nas mãos da Igreja (Ef 6:17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Hb 4:12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e a espada que sai da boca de Cristo, o único que executa o juízo definitivo (Ap 19:15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O povo de Deus não conquista as nações pela violência, e sim pelo testemunho do evangelho, e o juízo pertence ao Cordeiro.
Salmo 150 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e o grande Aleluia do céu. A palavra "aleluia" aparece no Novo Testamento apenas no Apocalipse 19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) (vv. 1, 3, 4, 6). Ali, a grande multidão no céu exclama aleluia porque a salvação, a glória e o poder pertencem a Deus, porque a Babilônia opressora foi julgada e porque o Senhor Deus Todo-Poderoso reina. As bodas do Cordeiro chegaram (Ap 19:1-7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). É o grande Hallel final de toda a Bíblia, a realização definitiva do Salmo 150 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba). A Igreja participa desse louvor desde já: por meio de Cristo, oferece continuamente a Deus sacrifício de louvor (Hb 13:15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e canta salmos, hinos e cânticos espirituais (Ef 5:19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Cl 3:16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E o próprio Cristo, segundo Hebreus 2:12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), que cita o Salmo 22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), canta os louvores do Pai no meio da congregação. O louvor da Igreja é, em última análise, a participação no louvor que o Filho oferece ao Pai.
Aplicações espirituais e práticas
1. Viver com o louvor como destino. O Saltério termina no louvor, e isso revela o sentido da vida inteira. Os lamentos, as lutas e as perguntas são parte real do caminho, mas não são o fim. Uma prática inspirada na tradição judaica, que começava cada manhã com o Hallel final, é abrir o dia com louvor antes de apresentar pedidos. Ler um desses cinco salmos pela manhã, um por dia durante a semana, ajuda a orientar o coração para aquilo que é permanente antes de mergulhar no que é urgente.
2. Não depositar a esperança em príncipes. O Salmo 146 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) é um antídoto contra a idolatria política e contra a dependência excessiva de líderes humanos. Participar da vida pública, votar, apoiar boas lideranças e cobrar os governantes são deveres legítimos. Mas nenhum partido, governante, empresa ou líder merece a confiança que pertence a Deus. Quando o fôlego deles se vai, seus planos desaparecem. Essa perspectiva protege contra o desespero diante das derrotas políticas e contra o triunfalismo diante das vitórias.
3. Refletir o caráter de Deus no cuidado com os vulneráveis. O Salmo 146 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) descreve Deus como aquele que faz justiça aos oprimidos, alimenta os famintos, protege os estrangeiros e sustenta o órfão e a viúva. Quem louva esse Deus é chamado a imitá-lo. Tiago afirma que a religião pura consiste em cuidar dos órfãos e das viúvas em suas aflições (Tg 1:27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Na prática, isso inclui ações concretas de misericórdia na comunidade, apoio a iniciativas sociais, atenção aos imigrantes e aos que estão à margem, e decisões profissionais que protejam e não explorem os mais frágeis.
4. Contemplar a criação como parte do coral. O Salmo 148 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) convida a olhar para a natureza como participante do louvor a Deus. Isso tem duas aplicações. A primeira é a contemplação: parar diante do céu, do mar, das árvores e dos animais e reconhecer neles um testemunho da glória de Deus. A segunda é a responsabilidade: se toda a criação louva a Deus, destruí-la sem necessidade é silenciar parte desse coral. O cuidado com o meio ambiente pode ser vivido como uma expressão de adoração.
5. Usar a música e as artes com liberdade e reverência. O Salmo 150 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) mostra que o louvor bíblico usa uma grande variedade de instrumentos, estilos e expressões corporais. Isso tem uma aplicação importante para as igrejas: as preferências musicais não devem se tornar motivo de divisão. Há espaço para o hino tradicional e para o cântico contemporâneo, para o órgão e para o tamborim, para o silêncio e para a dança. O critério não é o estilo, e sim se o louvor é dirigido a Deus com sinceridade e fundamento. O Salmo 148 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) lembra ainda que o louvor inclui idosos e crianças, e isso convida a cultos em que todas as gerações tenham lugar.
6. Travar a luta espiritual com as armas certas. O Salmo 149 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), lido à luz do Novo Testamento, ensina que o povo de Deus luta contra o mal, mas com a Palavra de Deus e com a oração, e não com a violência nem com a imposição. Isso tem aplicação no modo como os cristãos se posicionam nos debates públicos, nas redes sociais e nos conflitos pessoais. A espada de dois gumes é a verdade anunciada com amor. O juízo final pertence a Cristo.
7. Louvar enquanto houver fôlego. O último versículo do Saltério convida todo ser que respira a louvar a Deus. Enquanto há fôlego, há motivo e oportunidade para o louvor. Isso vale para as fases mais difíceis da vida: a doença, o luto, a velhice, a limitação física. O louvor não depende de força, juventude ou circunstâncias favoráveis. Depende apenas do fôlego que Deus deu, e que, no fim, volta para ele. Muitos cristãos ao longo da história morreram com um salmo nos lábios. O Saltério ensina a fazer do último fôlego um ato de adoração.
Mensagem de reflexão
Sabedoria para o Cotidiano
O livro que atravessou lágrimas, dúvidas, culpas e protestos não termina num argumento nem numa queixa, e sim num aleluia. Esse é o destino da sua história também: não a noite, mas o louvor. Em Cristo, o Deus que cura os corações partidos e conta as estrelas reconciliou consigo todas as coisas, e o céu já canta ao Cordeiro. Enquanto houver fôlego em você, junte a sua voz a esse coral: louve nos dias bons e nos difíceis, cuide dos que Deus ama, e deixe que cada respiração seja devolvida àquele que a deu.