Pular para o conteúdo
Farol Bíblico

← Zacarias

Zacarias · 38 de 66 · Antigo Testamento

Zacarias — Resumo do livro

Zacarias — Enquanto Jerusalém e o templo são reconstruídos, o profeta contempla visões de renovação. O candelabro entre as oliveiras e o humilde cavaleiro sobre um jumento representam a esperança anunciada no livro.
Zacarias — Enquanto Jerusalém e o templo são reconstruídos, o profeta contempla visões de renovação. O candelabro entre as oliveiras e o humilde cavaleiro sobre um jumento representam a esperança anunciada no livro.

Zacarias é o livro do Deus que se lembra. O nome do profeta, Zekharyah, significa "o Senhor se lembrou", e toda a sua mensagem proclama isso a um povo pequeno, pobre e desanimado, que acabara de voltar do exílio e reconstruía o templo em meio a ruínas. Deus não esqueceu Jerusalém. Ele está zeloso por ela, voltará a habitar no seu meio e fará dela o centro para onde as nações correrão.

O livro é um dos mais ricos e enigmáticos da Bíblia. Começa com oito visões noturnas cheias de cavalos, chifres, candelabros, rolos voadores e carros; passa por uma discussão sobre jejuns que se transforma num retrato da cidade restaurada, com velhos sentados nas praças e crianças brincando nas ruas; e termina com dois grandes oráculos sobre o futuro, em que aparecem o rei humilde montado num jumentinho, o pastor vendido por trinta moedas de prata, aquele a quem traspassaram, a fonte aberta para purificar o pecado e o dia em que o Senhor será rei sobre toda a terra. O grande eixo de Zacarias é o par retorno e reinado: Deus chama o povo a voltar para ele e promete voltar para o povo, enviando o seu Rei, o Renovo, sacerdote e governante, para purificar Jerusalém e reinar sobre as nações.

1. Contexto e Autor

O livro apresenta Zacarias, filho de Berequias, filho de Ido (Zc 1.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Esdras o chama simplesmente de filho de Ido (Ed 5.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 6.14), o que se explica facilmente, já que na linguagem bíblica "filho" pode significar descendente. Ido era o chefe de uma família sacerdotal que voltou do exílio com Zorobabel, e o livro de Neemias menciona um Zacarias como chefe dessa família na geração seguinte (Ne 12.4, 16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Zacarias era, portanto, sacerdote e profeta, como Jeremias e Ezequiel, e provavelmente jovem quando começou seu ministério, se for ele o "jovem" mencionado em Zc 2.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba).

As três primeiras datas do livro o situam no reinado de Dario I da Pérsia. A primeira mensagem vem no oitavo mês do segundo ano de Dario, por volta de outubro ou novembro de 520 a.C. (Zc 1.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); as visões noturnas, no vigésimo quarto dia do décimo primeiro mês, em fevereiro de 519 a.C. (Zc 1.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); e a pergunta sobre os jejuns, no quarto ano de Dario, em dezembro de 518 a.C. (Zc 7.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Zacarias começou a profetizar poucas semanas depois de Ageu, e os dois trabalharam juntos para animar o povo a concluir o templo, inaugurado em 515 a.C. (Ed 5.1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 6.14-15). O contexto histórico do retorno, da paralisação da obra e das lideranças de Zorobabel, governador descendente de Davi, e de Josué, sumo sacerdote, é o mesmo descrito no estudo de Ageu.

Os capítulos 9 a 14 não trazem datas e têm estilo, tema e vocabulário diferentes dos capítulos 1 a 8. Por isso, desde o século XVII, muitos estudiosos os atribuem a um ou mais autores posteriores, às vezes chamados de "Segundo Zacarias", e alguns os datam no período grego, lembrando a menção aos filhos da Grécia em Zc 9.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e a sequência de cidades conquistadas em Zc 9.1-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), que lembra a campanha de Alexandre, o Grande, em 332 a.C. Outros comentaristas, como Joyce G. Baldwin (Tyndale, 1972) e Eugene H. Merrill (1994), defendem a unidade do livro, explicando as diferenças pela mudança de gênero, de visões para oráculos, e pela possibilidade de a segunda parte ter sido escrita mais tarde na vida do mesmo profeta. Carol e Eric Meyers (Anchor Bible, 1987 e 1993), David L. Petersen (OTL, 1984 e 1995) e Mark J. Boda (NICOT, 2016) discutem essas questões em profundidade. Todos reconhecem, porém, que os dois blocos estão costurados por temas comuns: o zelo de Deus por Jerusalém, a purificação do povo, os pastores, o templo e a vinda do Rei.

A dificuldade do livro é antiga. Jerônimo, que o comentou no século V, o considerava o mais obscuro dos Doze Profetas. Ao mesmo tempo, poucos livros foram tão decisivos para os primeiros cristãos, que viram em Zacarias um roteiro da última semana de Jesus em Jerusalém.

O movimento do livro vai do chamado à conversão ao reino universal de Deus: começa com o convite a voltar para o Senhor (Zc 1.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e termina com a inscrição "Santo ao Senhor" gravada até nos sinos dos cavalos e nas panelas de Jerusalém (Zc 14.20-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

2. Propósito e Mensagem Central

Zacarias foi enviado a um povo desanimado, que olhava para a pequenez do presente e duvidava do futuro. Sua mensagem tem três camadas.

A primeira é um chamado ao arrependimento. O livro começa lembrando que os pais não ouviram os profetas e foram alcançados pelo juízo, e convida a nova geração a não repetir o erro: voltem para mim, e eu voltarei para vocês (Zc 1.3-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os capítulos 7 e 8 retomam esse chamado com ênfase na justiça, na misericórdia e na verdade.

A segunda é uma mensagem de consolo e ânimo. As visões noturnas revelam que Deus está zeloso por Jerusalém, que julgará as nações que a oprimiram, que protegerá a cidade como um muro de fogo, que purificará o sacerdócio, que concluirá o templo pela ação do seu Espírito e que removerá a iniquidade da terra. A obra aparentemente pequena de Zorobabel e Josué faz parte de um plano maior.

A terceira é uma visão messiânica e escatológica. Os capítulos 9 a 14 anunciam a vinda de um rei justo e humilde, a rejeição do pastor enviado por Deus, o traspassamento de alguém que o povo depois lamentará, a abertura de uma fonte para purificação, o ferimento do pastor e a dispersão das ovelhas, e, por fim, a vinda do próprio Senhor ao monte das Oliveiras, o fluxo de águas vivas de Jerusalém e o reinado de Deus sobre toda a terra.

O livro revela, assim, um Deus que se lembra das suas promessas, que age não por força nem por poder humano, mas pelo seu Espírito (Zc 4.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e que conduz a história para o dia em que ele será o único Senhor e o seu nome, o único nome (Zc 14.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O arco do livro pode ser resumido assim: convite ao retorno → Deus se lembra de Jerusalém → as nações opressoras são julgadas → o sacerdote é purificado → o templo será concluído pelo Espírito → a impiedade é removida → o Renovo é anunciado → o jejum se transforma em festa → o rei humilde vem → o pastor é rejeitado e vendido → aquele que foi traspassado é lamentado → a fonte é aberta → o pastor é ferido → o Senhor vem e reina sobre toda a terra.

3. Principais Temas

Voltar para Deus. O verbo shuv, "voltar", abre o livro. O convite é recíproco: se o povo voltar, Deus voltará (Zc 1.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Essa reciprocidade não coloca Deus na dependência do homem, mas mostra que a restauração é, antes de tudo, restauração de uma relação.

O zelo de Deus por Jerusalém. Deus declara estar tomado de grande zelo por Jerusalém e por Sião (Zc 1.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 8.2). O zelo aqui é o amor apaixonado de quem não admite que o objeto do seu amor seja destruído. Quem toca no povo de Deus toca na menina dos seus olhos (Zc 2.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A presença de Deus no meio do povo. A promessa de habitar no meio de Jerusalém se repete (Zc 2.10-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 8.3), e o livro termina com a santidade de Deus alcançando cada objeto da cidade (Zc 14.20-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A purificação. Josué, o sumo sacerdote, tem as vestes sujas trocadas por vestes limpas (Zc 3.3-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); a impiedade é levada para longe numa cesta (Zc 5.5-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); uma fonte será aberta para purificar o pecado e a impureza (Zc 13.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); o povo será refinado como prata e provado como ouro (Zc 13.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Deus santo purifica o povo para poder habitar com ele.

O Renovo, sacerdote e rei. Zacarias retoma o título messiânico de Jeremias, o Tsemaḥ, o Renovo ou Rebento (Jr 23.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 33.15), e o aplica a uma figura que edificará o templo do Senhor, levará a glória real, se assentará no trono e será sacerdote no seu trono, com harmonia perfeita entre as duas funções (Zc 3.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 6.12-13).

Pelo Espírito, não pela força. No meio da visão do candelabro, Deus declara a Zorobabel que a obra não será concluída por exército nem por poder humano, mas pelo seu Espírito (Zc 4.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O dia das pequenas coisas não deve ser desprezado (Zc 4.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Justiça, misericórdia e verdade. A resposta à pergunta sobre os jejuns lembra que Deus sempre pediu juízo verdadeiro, bondade e compaixão entre irmãos, cuidado com a viúva, o órfão, o estrangeiro e o pobre, e ausência de planos maus no coração (Zc 7.9-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 8.16-17).

Os pastores e o Pastor. Os capítulos 10, 11 e 13 tratam de pastores que exploram o rebanho, de um pastor enviado por Deus e rejeitado pelo povo, de um pastor inútil que abandona as ovelhas e, finalmente, do pastor que Deus chama de seu companheiro e que é ferido pela espada.

As nações. As nações que oprimiram Israel serão julgadas, mas muitas nações também se unirão ao Senhor e serão o seu povo (Zc 2.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); gente de todas as línguas agarrará a orla das vestes de um judeu para acompanhá-lo, porque ouviram que Deus está com ele (Zc 8.23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); e os sobreviventes das nações subirão todos os anos a Jerusalém para adorar o Rei (Zc 14.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O Dia do Senhor e o reinado universal. O livro termina com a vinda do Senhor, com os seus santos, ao monte das Oliveiras, com a transformação da terra, com águas vivas saindo de Jerusalém e com a proclamação de que o Senhor será rei sobre toda a terra (Zc 14.3-9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

4. Síntese Narrativa ou Doutrinária

O livro se divide em quatro partes: o chamado ao arrependimento (1.1-6), as oito visões noturnas e a coroação de Josué (1.7–6.15), a pergunta sobre os jejuns e as promessas para Jerusalém (7–8) e os dois oráculos sobre o futuro (9–11 e 12–14).

Zacarias 1.1-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Voltem para mim

A primeira mensagem é breve e direta. O Senhor se irou muito contra os pais do povo. Por isso o profeta deve dizer: voltem para mim, e eu voltarei para vocês (Zc 1.2-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os pais não ouviram os profetas anteriores, que os chamavam a abandonar os maus caminhos. Onde estão agora os pais, e onde estão aqueles profetas? Mas as palavras de Deus alcançaram os pais, que reconheceram que Deus os tratara conforme seus caminhos (Zc 1.4-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A história do exílio serve de advertência para a nova geração.

Zacarias 1.7–6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba).15 — As oito visões noturnas

Numa única noite, Zacarias recebe oito visões, acompanhadas de um anjo que as interpreta. Elas formam uma estrutura concêntrica: a primeira e a última falam de cavalos que percorrem a terra; as do meio, dedicadas a Josué e a Zorobabel, formam o coração da série.

Primeira visão: o homem entre as murtas (Zc 1.7-17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Zacarias vê um homem montado num cavalo vermelho, parado entre as murtas num vale, com outros cavalos atrás dele. Eles percorreram a terra e relatam que toda ela está em paz e tranquila. A tranquilidade das nações, porém, contrasta com a situação de Jerusalém. O anjo do Senhor intercede: até quando Deus deixará de ter compaixão de Jerusalém e das cidades de Judá, contra as quais está irado há setenta anos? (Zc 1.12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Deus responde com palavras boas e consoladoras: está zeloso por Jerusalém, irado com as nações que se aproveitaram da desgraça dela, e voltou para Jerusalém com misericórdia; a sua casa será reconstruída e as suas cidades voltarão a transbordar de prosperidade (Zc 1.13-17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Segunda visão: os quatro chifres e os quatro ferreiros (Zc 1.18-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Quatro chifres representam as potências que dispersaram Judá, Israel e Jerusalém; quatro ferreiros vêm para abatê-los. Nenhum poder que se levanta contra o povo de Deus permanece.

Terceira visão: o homem com o cordel de medir (Zc 2.1-13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Um jovem sai para medir Jerusalém, mas é informado de que a cidade será habitada sem muros, por causa da multidão de pessoas e animais; o próprio Deus será para ela um muro de fogo ao redor e a glória no seu meio (Zc 2.4-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os exilados que ainda estão na Babilônia são chamados a fugir, porque quem toca o povo de Deus toca a menina dos seus olhos (Zc 2.6-9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Sião deve cantar e alegrar-se, porque Deus vem habitar no meio dela, e muitas nações se unirão ao Senhor naquele dia e serão o seu povo (Zc 2.10-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Senhor tomará Judá como sua porção na terra santa, a única ocorrência dessa expressão no Antigo Testamento, e toda carne deve calar-se diante dele (Zc 2.12-13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Quarta visão: Josué e as vestes sujas (Zc 3.1-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Josué, o sumo sacerdote, está de pé diante do anjo do Senhor, e o Satanás, isto é, o acusador (hassatan), está à sua direita para acusá-lo. O próprio Senhor repreende o acusador e lembra que Josué é um tição tirado do fogo, alguém salvo por um triz do incêndio do exílio (Zc 3.1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); cf. Am 4.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Josué está vestido com roupas imundas, imagem da culpa do sacerdócio e do povo. O anjo manda tirar-lhe as vestes sujas e declara que a sua iniquidade foi removida; ele é vestido com roupas de festa e recebe um turbante limpo (Zc 3.3-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Deus promete a Josué acesso ao seu serviço se ele andar nos seus caminhos e anuncia que trará o seu servo, o Renovo (Zc 3.7-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Diante de Josué é posta uma pedra com sete olhos, sobre a qual Deus gravará uma inscrição, e ele removerá a iniquidade daquela terra num só dia (Zc 3.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Naquele dia, cada um convidará o vizinho para debaixo da sua videira e da sua figueira (Zc 3.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); cf. Mq 4.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Quinta visão: o candelabro e as duas oliveiras (Zc 4.1-14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Zacarias vê um candelabro todo de ouro, com um reservatório no alto e sete lâmpadas, e duas oliveiras, uma de cada lado. A explicação é dirigida a Zorobabel: a obra não será feita por força nem por poder, mas pelo Espírito do Senhor (Zc 4.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O grande monte de dificuldades se tornará uma planície diante de Zorobabel, e ele colocará a pedra principal do templo entre aclamações de graça (Zc 4.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). As mãos que lançaram os alicerces também concluirão a obra; e quem desprezou o dia das pequenas coisas se alegrará ao ver o prumo na mão de Zorobabel (Zc 4.9-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). As sete lâmpadas são os olhos do Senhor, que percorrem toda a terra; as duas oliveiras são os dois ungidos, literalmente "filhos do azeite", que estão diante do Senhor de toda a terra (Zc 4.10-14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), geralmente identificados com Zorobabel e Josué.

Sexta visão: o rolo voador (Zc 5.1-4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Um enorme rolo voa sobre a terra, com as mesmas dimensões do pórtico do templo de Salomão (1Rs 6.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). É a maldição que entra na casa do ladrão e na casa de quem jura falsamente em nome de Deus, e a consome. A restauração exige a remoção do pecado social.

Sétima visão: a mulher na cesta (Zc 5.5-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Uma medida de efa, uma espécie de cesto, é trazida; dentro dela está sentada uma mulher, que representa a impiedade. Uma tampa de chumbo a fecha. Duas mulheres com asas de cegonha levantam a cesta e a levam para a terra de Sinar, a Babilônia, onde lhe construirão uma casa. O pecado é retirado da terra de Deus e devolvido ao lugar de onde veio a idolatria, lembrança de Babel (Gn 11.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Oitava visão: os quatro carros (Zc 6.1-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Quatro carros saem de entre dois montes de bronze, puxados por cavalos vermelhos, pretos, brancos e malhados. São os quatro espíritos do céu que saem da presença do Senhor de toda a terra. Os que vão para o norte fazem repousar o Espírito de Deus naquela terra. A série termina como começou, mas agora a paz das nações não é mais indiferença diante de Jerusalém: o juízo foi executado.

A coroação de Josué (Zc 6.9-15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Depois das visões, Zacarias recebe uma ordem concreta: pegar prata e ouro trazidos por exilados recém-chegados da Babilônia, fazer coroas e colocá-las na cabeça de Josué, o sumo sacerdote. Então deve anunciar que ali está o homem cujo nome é Renovo; ele brotará do seu lugar e edificará o templo do Senhor; levará a glória real, se assentará e governará no seu trono, e será sacerdote no seu trono, e haverá conselho de paz entre os dois (Zc 6.12-13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). É uma cena extraordinária: em Israel, as funções de rei e de sacerdote eram separadas e pertenciam a tribos diferentes, Judá e Levi. Aqui, um sacerdote é coroado como sinal de uma figura futura que unirá as duas funções. Alguns estudiosos propõem que o texto original falasse de Zorobabel, mas o livro, tal como o temos, coroa Josué e aponta para o Renovo que viria. Os que estão longe virão e ajudarão a edificar o templo (Zc 6.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Zacarias 7–8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Do jejum à festa

A pergunta de Betel (Zc 7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). No quarto ano de Dario, uma delegação da cidade de Betel vem perguntar aos sacerdotes e profetas se ainda devia chorar e jejuar no quinto mês, lembrando a destruição do templo, como vinham fazendo havia tantos anos (Zc 7.2-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A resposta de Deus vem na forma de outra pergunta: quando vocês jejuavam no quinto e no sétimo mês durante setenta anos, era para mim que jejuavam? E quando comiam e bebiam, não era para vocês mesmos? (Zc 7.5-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O jejum do sétimo mês lembrava o assassinato de Gedalias (Jr 41.1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Deus lembra o que os profetas anteriores sempre pediram: julgar com verdade, praticar a bondade e a compaixão entre irmãos, não oprimir a viúva, o órfão, o estrangeiro e o pobre, não tramar o mal no coração (Zc 7.9-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os pais recusaram, endureceram o coração como diamante e foram dispersos entre as nações como por um redemoinho (Zc 7.11-14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

As dez promessas (Zc 8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O capítulo 8 é formado por uma série de pequenos oráculos introduzidos pela fórmula "assim diz o Senhor dos Exércitos". Deus está zeloso por Sião e voltará para habitar em Jerusalém, que será chamada cidade da fidelidade e monte santo (Zc 8.2-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Velhos e velhas voltarão a sentar-se nas praças, apoiados em bengalas por causa da idade avançada, e as ruas se encherão de meninos e meninas brincando (Zc 8.4-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), uma das imagens mais delicadas de paz de toda a Bíblia. Se isso parece impossível para o remanescente, será impossível também para Deus? (Zc 8.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Deus trará o seu povo do oriente e do ocidente, e eles serão o seu povo, e ele será o seu Deus, em fidelidade e justiça (Zc 8.7-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O povo, que havia sido maldição entre as nações, será uma bênção; por isso não deve temer, mas fortalecer as mãos (Zc 8.9-13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Deus pede apenas que falem a verdade uns aos outros, julguem com verdade e paz nas portas das cidades, não planejem o mal contra o próximo e não amem o juramento falso (Zc 8.16-17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Então vem a resposta final à pergunta de Betel: os jejuns do quarto, do quinto, do sétimo e do décimo mês se transformarão em alegria, júbilo e festas felizes; basta que amem a verdade e a paz (Zc 8.19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O capítulo termina com as nações: habitantes de muitas cidades irão buscar o Senhor em Jerusalém (Zc 8.20-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e naquele tempo dez homens de todas as línguas agarrarão a orla das vestes de um judeu, pedindo para ir com ele, porque ouviram que Deus está com o seu povo (Zc 8.23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A palavra hebraica kanaf, "orla", pode indicar as franjas que os judeus usavam nas vestes para lembrar os mandamentos (Nm 15.38-39 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Zacarias 9–11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Primeiro oráculo: o rei humilde e o pastor rejeitado

O juízo sobre os vizinhos e a vinda do rei (Zc 9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O primeiro oráculo começa com o juízo sobre as cidades da Síria, da Fenícia e da Filístia: Hadraque, Damasco, Hamate, Tiro, Sidom, Asquelom, Gaza, Ecrom e Asdode (Zc 9.1-7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Mesmo assim, o que restar dos filisteus será purificado e se tornará como um clã de Judá, e Ecrom será como os jebuseus, que foram incorporados a Jerusalém (Zc 9.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Deus acampará ao redor da sua casa para protegê-la (Zc 9.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Então vem uma das passagens mais conhecidas do Antigo Testamento. A filha de Sião é convidada a alegrar-se muito e a filha de Jerusalém a gritar de júbilo, porque o seu rei vem a ela; ele é justo e traz a salvação, é humilde e vem montado num jumento, num jumentinho, filho de jumenta (Zc 9.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A palavra traduzida por "humilde" ('ani) também significa "pobre" ou "aflito". Este rei eliminará os carros de guerra de Efraim e os cavalos de Jerusalém, quebrará o arco de guerra, anunciará paz às nações, e o seu domínio irá de mar a mar e do rio até os confins da terra (Zc 9.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), linguagem do Salmo 72.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba). Ao contrário dos reis que chegavam em cavalos de guerra, este vem em animal de paz, como os reis de Israel em tempos antigos (1Rs 1.33, 38 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Por causa do sangue da aliança, Deus libertará os prisioneiros da cova sem água; eles são chamados prisioneiros da esperança (Zc 9.11-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Deus fará de Judá o seu arco e de Efraim a sua flecha contra os filhos da Grécia (Zc 9.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); o Senhor aparecerá sobre eles, sua flecha sairá como relâmpago, e ele salvará o seu povo, que brilhará na sua terra como pedras de uma coroa (Zc 9.14-16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O Senhor, pastor do seu povo (Zc 10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O povo é convidado a pedir chuva ao Senhor, e não aos ídolos domésticos e adivinhos, que só dizem coisas vãs; por isso o povo vagueia como ovelhas sem pastor (Zc 10.1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Deus está irado contra os pastores e visitará o seu rebanho, a casa de Judá. Dela sairá a pedra angular, a estaca da tenda, o arco de guerra e todo governante (Zc 10.3-4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Deus fortalecerá Judá, salvará a casa de José, assobiará para reunir o seu povo, trará os exilados do Egito e da Assíria, e eles andarão no seu nome (Zc 10.6-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O pastor rejeitado e as trinta moedas (Zc 11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O capítulo começa com um lamento pela queda dos cedros do Líbano e dos carvalhos de Basã, e com o uivo dos pastores cuja glória foi destruída (Zc 11.1-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Em seguida, o profeta recebe uma ordem: apascentar o rebanho destinado à matança, ovelhas que os compradores matam sem se sentir culpados e que os vendedores negociam dizendo, com hipocrisia, bendito seja o Senhor, porque estou rico (Zc 11.4-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O profeta assume o papel de pastor e toma duas varas: uma chamada Graça (No'am) e outra chamada União (Ḥovelim) (Zc 11.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ele elimina três pastores em um mês, uma das frases mais obscuras da Bíblia, para a qual se propuseram dezenas de identificações (Zc 11.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O rebanho, porém, o detesta, e ele se cansa dele. Quebra a vara Graça, anulando a aliança que fizera com os povos (Zc 11.9-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Então vem a cena que o Novo Testamento aplicará a Judas. O profeta pede o seu pagamento: se lhes parece bem, deem o meu salário; se não, deixem estar. Eles pesam o seu salário: trinta moedas de prata (Zc 11.12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), o preço que a Lei estabelecia como indenização pela morte de um escravo (Êx 21.32). O Senhor manda lançar aquele dinheiro ao oleiro, e comenta com ironia: belo preço em que fui avaliado por eles! O profeta toma as trinta moedas e as lança na casa do Senhor, para o oleiro (Zc 11.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O detalhe decisivo é que Deus considera como pago a ele próprio o valor atribuído ao pastor. Depois, o profeta quebra a segunda vara, União, rompendo a fraternidade entre Judá e Israel (Zc 11.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Por fim, Deus manda o profeta assumir o papel de um pastor insensato, que não cuida das ovelhas perdidas, não procura as jovens, não cura as feridas, não alimenta as sãs, mas come a carne das gordas. Ai do pastor inútil que abandona o rebanho (Zc 11.15-17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O povo que rejeitou o bom pastor recebe o pastor que merece.

Zacarias 12–14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) — Segundo oráculo: o traspassado, a fonte e o reinado do Senhor

Jerusalém protegida e o espírito de graça (Zc 12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O segundo oráculo começa apresentando o Senhor como aquele que estendeu os céus, fundou a terra e formou o espírito do homem dentro dele (Zc 12.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Jerusalém será um cálice de atordoamento e uma pedra pesada para todos os povos que se levantarem contra ela (Zc 12.2-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Deus protegerá os seus habitantes, de modo que o mais fraco será como Davi, e a casa de Davi será como Deus, como o anjo do Senhor à frente deles (Zc 12.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Então vem a passagem mais misteriosa do livro. Deus derramará sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém um espírito de graça e de súplica; eles olharão para mim, diz o Senhor, a quem traspassaram, e o prantearão como quem pranteia um filho único, e chorarão amargamente por ele como se chora pelo primogênito (Zc 12.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O texto alterna entre "mim" e "ele", como se aquele que foi traspassado fosse ao mesmo tempo Deus e alguém distinto dele, e essa alternância intrigou os intérpretes judeus e cristãos. O pranto será tão grande quanto o de Hadade-Rimom, no vale de Megido (Zc 12.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), provavelmente referência ao luto nacional pela morte do rei Josias, ferido em Megido (2Cr 35.22-25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Cada família chorará à parte, os homens separados das mulheres (Zc 12.12-14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A fonte aberta e o pastor ferido (Zc 13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Naquele dia haverá uma fonte aberta para a casa de Davi e os habitantes de Jerusalém, para purificação do pecado e da impureza (Zc 13.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Deus eliminará da terra os nomes dos ídolos e removerá os falsos profetas e o espírito de impureza (Zc 13.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os falsos profetas terão vergonha das suas visões, deixarão o manto de pelos que os identificava e dirão ser apenas lavradores. Se alguém perguntar sobre as feridas no seu corpo, provavelmente marcas de rituais de autoflagelação (1Rs 18.28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), dirá que as recebeu na casa dos seus amigos (Zc 13.3-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Esse versículo, às vezes aplicado a Jesus na devoção popular, fala no contexto de um falso profeta que tenta esconder seu passado, e não deve ser usado como profecia messiânica.

Logo em seguida, porém, vem uma das profecias mais importantes do livro. Deus ordena à espada que desperte contra o seu pastor, contra o homem que é o seu companheiro (gever 'amiti, expressão que indica alguém próximo, um igual); o pastor será ferido, e as ovelhas serão dispersas, e Deus voltará a mão contra os pequenos (Zc 13.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Dois terços da terra perecerão e um terço será deixado; Deus o fará passar pelo fogo, refinando-o como se refina a prata e provando-o como se prova o ouro. Esse remanescente invocará o nome de Deus, e ele responderá; Deus dirá que é o seu povo, e o povo dirá que o Senhor é o seu Deus (Zc 13.8-9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O dia do Senhor e o reinado universal (Zc 14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O último capítulo descreve o Dia do Senhor. As nações se reunirão contra Jerusalém; a cidade será tomada e metade do povo irá para o exílio (Zc 14.1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Então o Senhor sairá e pelejará contra essas nações. Naquele dia, os seus pés estarão sobre o monte das Oliveiras, a leste de Jerusalém, e o monte se partirá ao meio, de leste a oeste, formando um grande vale por onde o povo fugirá, como fugiu do terremoto nos dias de Uzias. O Senhor virá, e todos os santos com ele (Zc 14.3-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Naquele dia não haverá luz fria nem gelo; será um dia único, conhecido do Senhor, nem dia nem noite, e ao entardecer haverá luz (Zc 14.6-7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Águas vivas sairão de Jerusalém, metade para o mar oriental e metade para o mar ocidental, no verão e no inverno (Zc 14.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); cf. Ez 47.1-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Senhor será rei sobre toda a terra; naquele dia ele será o único Senhor, e o seu nome, o único nome (Zc 14.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), eco da confissão fundamental de Israel em Deuteronômio 6.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), que a liturgia judaica repete até hoje na oração conhecida como Aleinu. A terra será aplainada, Jerusalém será elevada e habitada em segurança, e não haverá mais destruição por maldição (Zc 14.10-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Os povos que lutaram contra Jerusalém serão feridos por uma praga terrível (Zc 14.12-15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Mas os sobreviventes das nações subirão ano após ano para adorar o Rei, o Senhor dos Exércitos, e celebrar a Festa dos Tabernáculos; os povos que não subirem não receberão chuva (Zc 14.16-19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O livro termina com uma visão de santidade total. Naquele dia, estará gravado nos sinos dos cavalos "Santo ao Senhor", a mesma inscrição que antes estava apenas na lâmina de ouro do turbante do sumo sacerdote (Êx 28.36-38). As panelas da casa do Senhor serão como as bacias do altar, e toda panela em Jerusalém e em Judá será consagrada. E não haverá mais cananeu, palavra que também significava mercador, na casa do Senhor dos Exércitos (Zc 14.20-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A distinção entre sagrado e comum desaparece, porque tudo pertence a Deus.

5. Conexão Cristocêntrica

Zacarias é um dos livros do Antigo Testamento mais citados no Novo, especialmente nos relatos da última semana de Jesus. Os evangelistas viram nele não apenas profecias isoladas, mas o desenho do Messias que viria como rei humilde, pastor rejeitado, vendido, traspassado e ferido, e que um dia voltaria para reinar.

O rei humilde montado num jumentinho

Quando Jesus entra em Jerusalém no início da última semana, Mateus e João citam Zacarias 9.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) (Mt 21.4-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Jo 12.14-15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Jesus escolheu deliberadamente a forma dessa entrada: mandou buscar um jumentinho e entrou na cidade montado nele, enquanto a multidão o aclamava como o rei que vinha em nome do Senhor. Ele se apresentou exatamente como o rei de Zacarias: justo, portador da salvação, humilde, pobre, não em cavalo de guerra, mas em animal de paz. João observa que os discípulos só entenderam o significado da cena depois que Jesus foi glorificado (Jo 12.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O rei que anuncia paz às nações e elimina os carros de guerra (Zc 9.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) é aquele que, poucos dias depois, mandaria Pedro guardar a espada (Mt 26.52 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O sangue da aliança

Zacarias promete libertar os prisioneiros por causa do sangue da aliança (Zc 9.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Na última ceia, Jesus toma o cálice e declara que aquele é o seu sangue da aliança, derramado por muitos para remissão dos pecados (Mt 26.28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Mc 14.24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A aliança que libertaria os prisioneiros da esperança é selada no sangue do próprio Rei.

Trinta moedas de prata

O pastor de Zacarias 11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) é avaliado em trinta moedas de prata, o preço de um escravo, e o dinheiro é lançado na casa do Senhor, para o oleiro (Zc 11.12-13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Mateus narra que Judas combinou com os principais sacerdotes entregar Jesus por trinta moedas de prata (Mt 26.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e que, depois, arrependido, lançou as moedas no templo; os sacerdotes, não podendo colocar dinheiro de sangue no tesouro, compraram com ele o campo do oleiro, para sepultar estrangeiros (Mt 27.3-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Mateus atribui a citação a Jeremias, provavelmente porque combina Zacarias 11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) com passagens de Jeremias que falam do oleiro e da compra de um campo (Jr 18–19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 32), destacando o profeta mais conhecido, prática comum na época. O detalhe mais impressionante de Zacarias, porém, é que o Senhor trata o valor pago pelo pastor como o valor pago por ele mesmo: o belo preço em que eu fui avaliado. Quando Jesus foi vendido por trinta moedas, era o próprio Deus sendo avaliado pelo preço de um escravo.

O pastor ferido e as ovelhas dispersas

Na noite em que foi traído, a caminho do monte das Oliveiras, Jesus disse aos discípulos que todos eles se escandalizariam, porque está escrito que Deus feriria o pastor e as ovelhas seriam dispersas (Mt 26.31 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Mc 14.27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), citando Zc 13.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Pouco depois, quando Jesus foi preso, todos os discípulos o abandonaram e fugiram (Mt 26.56 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Em Zacarias, é o próprio Deus quem ordena à espada que se levante contra o pastor, e esse pastor é chamado de "o homem que é meu companheiro", alguém que está ao lado de Deus como um igual. A cruz não foi um acidente: foi o cumprimento do plano de Deus, que entregou o seu Filho, o Bom Pastor que dá a vida pelas ovelhas (Jo 10.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); At 2.23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E, como em Zacarias, o remanescente disperso foi depois reunido e purificado, e pôde dizer que o Senhor é o seu Deus.

Aquele a quem traspassaram

João narra que, depois da morte de Jesus, um soldado traspassou o seu lado com uma lança, e logo saiu sangue e água; e cita Zacarias 12.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba): olharão para aquele a quem traspassaram (Jo 19.34-37 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Apocalipse retoma o mesmo texto para descrever a volta de Cristo: todo olho o verá, até mesmo os que o traspassaram, e todas as tribos da terra se lamentarão por causa dele (Ap 1.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A alternância entre "mim" e "ele" em Zacarias, que deixava os intérpretes perplexos, encontra na cruz uma explicação: aquele que foi traspassado é o Filho, distinto do Pai e ao mesmo tempo um com ele. E o espírito de graça e de súplica derramado sobre Jerusalém começou a agir no dia de Pentecostes, quando os ouvintes de Pedro, ao compreenderem que haviam crucificado o Senhor e Cristo, ficaram com o coração compungido e perguntaram o que deveriam fazer (At 2.36-37 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A fonte aberta para o pecado

Logo depois do traspassado, Zacarias anuncia uma fonte aberta para purificação do pecado e da impureza (Zc 13.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Do lado traspassado de Jesus saiu sangue e água (Jo 19.34 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Novo Testamento afirma que o sangue de Jesus nos purifica de todo pecado (1Jo 1.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), que o sangue de Cristo purifica a consciência (Hb 9.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e que os redimidos lavaram as suas vestes no sangue do Cordeiro (Ap 7.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A fonte de Zacarias foi aberta na cruz.

O sumo sacerdote com vestes novas

A visão de Josué (Zc 3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) é uma das imagens mais claras da justificação em todo o Antigo Testamento. O sumo sacerdote está diante de Deus com vestes imundas, o acusador está ali para acusá-lo, e Deus mesmo repreende o acusador, tira as vestes sujas e o veste com roupas de festa. O Novo Testamento proclama que ninguém pode acusar os escolhidos de Deus, porque é Deus quem os justifica e Cristo quem intercede por eles (Rm 8.33-34 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e que o acusador dos irmãos foi lançado fora (Ap 12.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Deus fez daquele que não conheceu pecado pecado por nós, para que nele fôssemos feitos justiça de Deus (2Co 5.21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O pai que manda trazer a melhor roupa para o filho que voltou (Lc 15.22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) repete o gesto de Zacarias 3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba). E a promessa de remover a iniquidade da terra num só dia (Zc 3.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) cumpriu-se no dia da cruz, quando Cristo ofereceu um único sacrifício pelos pecados para sempre (Hb 10.10-14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O Renovo, sacerdote no trono

Zacarias apresenta o Renovo como alguém que edificará o templo do Senhor e será ao mesmo tempo rei e sacerdote, assentado no trono (Zc 6.12-13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Nenhum rei de Israel foi sacerdote, e nenhum sacerdote foi rei. Hebreus apresenta Jesus exatamente como o sumo sacerdote que se assentou à direita do trono da Majestade nos céus (Hb 8.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, que era ao mesmo tempo rei (Hb 7.1-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E Jesus é aquele que edifica o verdadeiro templo, a sua Igreja, feita de pedras vivas (Mt 16.18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Ef 2.20-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 1Pe 2.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A pedra com sete olhos diante de Josué (Zc 3.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e as sete lâmpadas que são os olhos do Senhor (Zc 4.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) reaparecem no Cordeiro que tem sete olhos, que são os sete espíritos de Deus enviados por toda a terra (Ap 5.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A pedra angular que sai de Judá (Zc 10.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) é Cristo, a principal pedra angular (Ef 2.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 1Pe 2.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O anjo do Senhor que intercede

Na primeira visão, o anjo do Senhor intercede por Jerusalém diante de Deus (Zc 1.12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e na quarta, é ele quem está diante de Josué e fala com a autoridade do próprio Senhor (Zc 3.1-4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Muitos Pais da Igreja viram nessas aparições do anjo do Senhor, que ao mesmo tempo se distingue de Deus e fala como Deus, manifestações do Filho antes da encarnação. Sem forçar essa leitura, é possível afirmar que ele antecipa a obra de Cristo, que vive sempre para interceder por nós (Hb 7.25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O monte das Oliveiras

Zacarias anuncia que os pés do Senhor estarão sobre o monte das Oliveiras, e que ele virá com todos os seus santos (Zc 14.4-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Foi do monte das Oliveiras que Jesus subiu ao céu, e ali os anjos anunciaram aos discípulos que ele voltaria do mesmo modo como o viram subir (At 1.9-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Paulo fala da vinda do Senhor Jesus com todos os seus santos (1Ts 3.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), com linguagem que ecoa a de Zacarias.

Águas vivas, luz e um mundo sem maldição

As águas vivas que saem de Jerusalém (Zc 14.8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) são retomadas por Jesus na Festa dos Tabernáculos, a mesma festa que Zacarias diz que as nações celebrarão (Zc 14.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), quando ele promete rios de água viva a quem crer nele (Jo 7.37-39 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A luz ao entardecer (Zc 14.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), a ausência de maldição (Zc 14.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e o Senhor reinando sobre toda a terra (Zc 14.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) aparecem na visão final do Apocalipse: a cidade não precisa de sol, porque a glória de Deus a ilumina e o Cordeiro é a sua lâmpada; não haverá mais maldição; e o reino do mundo se tornou do nosso Senhor e do seu Cristo (Ap 21.23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 22.3-5; 11.15). O nome único de Zacarias 14.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) é o nome diante do qual todo joelho se dobrará (Fp 2.9-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Santo ao Senhor e o fim do comércio no templo

Zacarias termina dizendo que não haverá mais mercador na casa do Senhor (Zc 14.21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ao expulsar os vendedores do templo, Jesus ordena que não façam da casa do seu Pai uma casa de comércio (Jo 2.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e muitos comentaristas veem nesse gesto um sinal de que o dia anunciado por Zacarias havia chegado. Em Cristo, a inscrição "Santo ao Senhor", antes restrita ao sumo sacerdote, passa a marcar todo o povo, chamado de sacerdócio real e nação santa (1Pe 2.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e toda a vida, até o comer e o beber, pode ser feita para a glória de Deus (1Co 10.31 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

As nações agarradas à orla das vestes

Zacarias anuncia que homens de todas as línguas agarrariam a orla das vestes de um judeu, pedindo para ir com ele, porque Deus estava com ele (Zc 8.23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Nos Evangelhos, doentes buscam tocar a orla das vestes de Jesus para serem curados (Mt 9.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 14.36), e gregos que vieram a Jerusalém para a festa procuram Filipe dizendo que querem ver Jesus (Jo 12.20-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O judeu em quem Deus está, e a quem as nações se agarram, é o próprio Jesus.

6. Relação entre Antigo e Novo Testamento

Zacarias é um dos livros que mais dialogam com as Escrituras anteriores. O chamado ao retorno retoma os "profetas anteriores", especialmente Jeremias (Jr 25.4-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 35.15). O Renovo vem de Jeremias 23.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e 33.15, e também de Isaías 11.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba). Os setenta anos de ira (Zc 1.12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 7.5) lembram Jeremias 25.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e 29.10, e Daniel 9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba). A videira e a figueira de Zc 3.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) retomam Miqueias 4.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); o tição tirado do fogo, Amós 4.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); a visão do candelabro, o candelabro do tabernáculo em Êxodo 25 e Números 8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba). As exigências de justiça dos capítulos 7 e 8 resumem Deuteronômio 24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), Isaías 1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e Amós 5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba). O rei humilde de Zacarias 9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) dialoga com o Salmo 72 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e com as promessas davídicas de 2 Samuel 7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); os pastores de Zacarias 10–11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e 13 retomam Jeremias 23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e Ezequiel 34 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); a fonte de purificação ecoa Ezequiel 36.25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); as águas vivas, Ezequiel 47 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); o reinado universal e o nome único, Deuteronômio 6.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e os Salmos 96–99 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba). Zacarias é contemporâneo de Ageu e partilha com ele o contexto descrito em Esdras 5–6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), e o seu anúncio do Dia do Senhor prepara Malaquias.

No Novo Testamento, as citações diretas incluem Mateus 21.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e João 12.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) (Zc 9.9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), Mateus 26.31 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e Marcos 14.27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) (Zc 13.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), Mateus 27.9-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) (Zc 11.12-13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), João 19.37 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e Apocalipse 1.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) (Zc 12.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e Efésios 4.25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), que retoma a ordem de falar a verdade ao próximo (Zc 8.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os ecos são numerosos: o sangue da aliança na última ceia (Mt 26.28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), a expulsão dos vendedores do templo (Jo 2.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), as águas vivas (Jo 7.38 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), a ascensão e a volta a partir do monte das Oliveiras (At 1.11-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), a vinda com os santos (1Ts 3.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), a repreensão ao acusador (Jd 9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), os cavalos coloridos (Ap 6.1-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), o Cordeiro de sete olhos (Ap 5.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), as duas oliveiras e os dois candelabros (Ap 11.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e a cidade sem maldição, iluminada pelo Cordeiro (Ap 21–22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

7. Aplicação Espiritual e Teológica

Zacarias começa com um convite que continua aberto: voltem para mim, e eu voltarei para vocês. Deus não exige que o povo resolva sozinho os erros do passado; pede que volte para ele. A história dos pais que não ouviram os profetas serve de advertência, mas também de consolo: a mesma palavra que julgou os pais está disponível para a nova geração. Nunca é tarde para voltar.

O livro fala com força a quem se sente pequeno diante das tarefas que Deus lhe confiou. O templo de Zorobabel parecia insignificante, a comunidade era pobre e as dificuldades pareciam montanhas. A resposta de Deus não foi prometer recursos humanos maiores, mas lembrar que a obra seria concluída pelo seu Espírito. Muitas vezes desprezamos o dia das pequenas coisas: um ministério que começa com poucos, uma empresa que dá os primeiros passos, uma família que tenta se reconstruir. Zacarias ensina que aquilo que começa pequeno nas mãos de Deus pode terminar em aclamações de graça.

A visão de Josué é uma das mais consoladoras para quem vive sob o peso da culpa. O acusador tem razão quanto às vestes sujas, mas não tem a última palavra. Deus mesmo o repreende, tira a roupa imunda e veste o seu servo com roupas limpas. Em Cristo, o crente pode responder a toda acusação, venha ela do diabo, dos outros ou da própria consciência, lembrando que foi Deus quem o justificou.

Os capítulos 7 e 8 corrigem a religiosidade centrada em si mesma. O povo jejuava havia setenta anos, mas Deus pergunta se era por ele ou por eles mesmos. O que Deus sempre pediu foi verdade, justiça, bondade, compaixão, cuidado com os vulneráveis e pureza de intenção. Essas exigências se aplicam aos tribunais, aos negócios, às relações de trabalho e à vida familiar. E a promessa é que, quando a verdade e a paz são amadas, os dias de luto se transformam em festa.

A imagem de Jerusalém restaurada, com velhos nas praças e crianças brincando nas ruas, lembra que o propósito de Deus não é apenas espiritual no sentido abstrato. Ele quer cidades seguras, idosos respeitados, crianças protegidas e comunidades em paz. O Evangelho não despreza essas realidades; aponta para o dia em que serão plenamente restauradas.

A segunda parte do livro nos coloca diante do mistério da cruz. O rei que chega humilde, o pastor avaliado pelo preço de um escravo, o traspassado e o pastor ferido pelo próprio Deus mostram que a salvação veio por um caminho que ninguém esperava. Olhar para aquele a quem traspassaram, com um espírito de graça e de súplica, é o início do verdadeiro arrependimento e da verdadeira purificação. Quem olha para Cristo crucificado encontra ali a fonte aberta para todo pecado.

Por fim, Zacarias termina com a esperança de um mundo inteiramente santo, em que até as panelas da cozinha e os sinos dos cavalos pertencem a Deus. Isso muda a maneira de viver hoje. Não há área da vida que seja apenas comum ou profana para quem pertence a Cristo: o trabalho, o comércio, a mesa, o lazer e a família podem ser vividos como consagrados ao Senhor, à espera do dia em que ele será rei sobre toda a terra.

A mensagem de Zacarias, à luz de Cristo, pode ser resumida assim: o Deus que se lembra das suas promessas chama o seu povo a voltar para ele e cumpre o seu plano não pela força humana, mas pelo seu Espírito; em Jesus, o rei humilde, o pastor vendido, ferido e traspassado, ele abriu a fonte que purifica o pecado e virá outra vez para reinar sobre toda a terra, quando tudo será santo ao Senhor.


Palavra para a caminhada
Zacarias nos lembra que Deus se lembra de nós e continua dizendo: voltem para mim, e eu voltarei para vocês. Não despreze o dia das pequenas coisas nem tente fazer a obra de Deus apenas com as suas forças; confie no Espírito, que transforma montanhas em planícies. Se a culpa pesa sobre você como roupas sujas, olhe para aquele a quem traspassaram: nele foi aberta a fonte que purifica todo pecado, e é ele quem veste os seus com roupas novas. Viva cada dia, no trabalho, em casa e à mesa, como alguém que já traz no coração a inscrição "Santo ao Senhor", à espera do Rei que voltará.

Interpretação e comentários da Bíblia, sob direção editorial de José Carlos Fortes. Conteúdo elaborado com apoio de inteligência artificial, sob curadoria e revisão editorial. Esta página não reproduz texto bíblico protegido: traz referência, interpretação e comentário.