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Lucas · 42 de 66 · Novo Testamento

Lucas — Bloco 10: O Rei em Jerusalém: Entrada, Templo e Discurso sobre o Fim

Capítulos principais: Lucas 19:28–21:38 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba).

Tema central do bloco: a longa viagem iniciada em 9:51 chega ao destino. Jesus entra em Jerusalém como Rei, montado num jumentinho, aclamado pelos discípulos com as palavras do Salmo 118 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba). Ao ver a cidade, porém, ele chora, porque ela não reconheceu o tempo em que Deus a visitou. Na sequência, Jesus toma posse do templo. Expulsa os comerciantes, ensina ali todos os dias e enfrenta, uma após outra, as perguntas das autoridades religiosas.

O bloco se organiza em três movimentos.

  • A chegada do Rei (19:28-48): a entrada régia, as lágrimas sobre Jerusalém e a purificação do templo. Jesus chega como o Rei humilde de Zacarias e como o Senhor que vem ao seu templo, conforme Malaquias.
  • O confronto no templo (20:1–21:4): os líderes questionam sua autoridade, e Jesus responde com a parábola dos vinhateiros, que mata o filho amado. Seguem armadilhas sobre o tributo a César e sobre a ressurreição. Jesus vence todas as controvérsias e faz a pergunta decisiva sobre o Messias, filho e Senhor de Davi. A seção termina com um contraste: os escribas que exploram as viúvas e a viúva pobre que dá tudo o que tem.
  • O discurso sobre o fim (21:5-38): diante da admiração dos discípulos pela beleza do templo, Jesus anuncia sua destruição. Ele fala da queda de Jerusalém, das perseguições aos discípulos e da vinda do Filho do Homem com poder e glória, e conclui com um chamado à vigilância e à oração.

O fio que une o bloco é a visita de Deus a Jerusalém. Deus vem à sua cidade e ao seu templo na pessoa de Jesus, mas a cidade não o reconhece. A rejeição terá consequências históricas, a destruição de Jerusalém em 70 d.C. Mas a última palavra é de esperança: o Filho do Homem virá, e os que o aguardam podem levantar a cabeça, porque a redenção se aproxima.

Versículos-chave do Livro estudado:

Versículos relacionados em outros Livros da Bíblia:

Explicação teológica e bíblica:

A entrada do Rei e o choro sobre Jerusalém (19:28-44)

Depois da parábola das minas, Jesus segue à frente, subindo para Jerusalém (19:28). Ao se aproximar de Betfagé e Betânia, junto ao monte das Oliveiras, envia dois discípulos à aldeia em frente (19:29-30). Eles encontrarão um jumentinho amarrado, no qual ninguém jamais montou, e devem desamarrá-lo e trazê-lo. Se alguém perguntar por que o estão desamarrando, devem responder que o Senhor precisa dele (19:31). Tudo acontece exatamente como Jesus disse (19:32-34).

Os detalhes são significativos.

Os discípulos colocam seus mantos sobre o jumentinho e fazem Jesus montar. Enquanto ele avança, estendem os mantos pelo caminho (19:35-36). Estender mantos diante de alguém era um gesto de aclamação real, como fizeram os oficiais diante de Jeú (2Rs 9:13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Montar um animal na entrada de Jerusalém também tinha significado régio: Salomão foi proclamado rei montado na mula de Davi (1Rs 1:33-40 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Mas o animal escolhido por Jesus remete especialmente a Zacarias 9:9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), em que o rei de Sião chega justo e salvador, humilde e montado num jumentinho. Mateus e João citam explicitamente essa profecia (Mt 21:5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Jo 12:15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Lucas não a cita, mas a alusão é clara para quem conhece as Escrituras. Jesus entra como Rei, mas não como os reis do mundo, que chegavam em cavalos de guerra. Ele chega em humildade e em paz.

Quando Jesus começa a descer o monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos, cheia de alegria, louva a Deus em alta voz por todos os milagres que tinham visto (19:37). Eles aclamam Jesus como o Rei que vem em nome do Senhor e proclamam paz no céu e glória nas alturas (19:38). A aclamação retoma o Salmo 118:26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), um salmo cantado pelos peregrinos ao subir ao templo, mas Lucas acrescenta a palavra "Rei". Jesus havia anunciado que Jerusalém não o veria até que dissesse essas palavras (13:35). Agora elas são ditas, mas pelos discípulos, e não pela cidade.

A segunda parte da aclamação ecoa o cântico dos anjos no nascimento de Jesus (2:14). Os anjos haviam anunciado paz na terra; os discípulos agora proclamam paz no céu. Alguns intérpretes veem nessa mudança um sinal de que a paz oferecida à terra está sendo recusada por Jerusalém e permanece, por enquanto, no céu, à espera. Lucas omite os ramos e o "hosana" presentes nos outros Evangelhos, termos que seriam menos claros para seus leitores gentios.

Alguns fariseus da multidão pedem a Jesus que repreenda seus discípulos (19:39). Jesus responde que, se eles se calassem, as próprias pedras clamariam (19:40). A frase lembra Habacuque 2:11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), onde as pedras do muro clamam contra a injustiça. Há algo tão evidente acontecendo que, se os seres humanos não o reconhecerem, a própria criação o fará.

Quando Jesus se aproxima e vê a cidade, ele chora sobre ela (19:41). O verbo klaiō indica um choro audível, um lamento, e não apenas lágrimas silenciosas. É uma cena exclusiva de Lucas. No meio da festa da entrada triunfal, o Rei chora. Ele lamenta que Jerusalém não tenha reconhecido, naquele dia, o que traria sua paz; agora isso estava escondido de seus olhos (19:42). Há um jogo de palavras implícito: o nome "Jerusalém" era popularmente associado a "paz" (shalom), e a cidade da paz não reconhece o caminho da paz.

Jesus anuncia então o que acontecerá (19:43-44). Virão dias em que os inimigos levantarão trincheiras contra a cidade, a cercarão e a apertarão de todos os lados. Destruirão a cidade e os seus filhos e não a deixarão de pé. A razão é que ela não reconheceu o tempo em que foi visitada (episkopē). O vocabulário da "visitação" de Deus atravessa todo o Evangelho. Zacarias cantou que Deus havia visitado seu povo (1:68, 78), e a multidão de Naim reconheceu essa visita (7:16). Deus visitou Jerusalém na pessoa de Jesus, e a cidade não o reconheceu.

A profecia se cumpriu em 70 d.C. Durante o cerco, o general romano Tito mandou construir um muro de circunvalação ao redor de Jerusalém para impedir a fuga e o abastecimento, como narra Flávio Josefo (Guerra Judaica 5.12.2). A cidade foi tomada, o templo incendiado e grande parte da população morta ou escravizada. As imagens de Jesus seguem os profetas que anunciaram cercos anteriores (Jr 6:6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Is 29:3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Ez 4:2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E, como Jeremias, que chorou pela ruína do seu povo (Jr 9:1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), Jesus chora pela cidade que o rejeita.

A purificação do templo (19:45-48)

Jesus entra no templo e começa a expulsar os que vendiam ali (19:45). O relato de Lucas é breve em comparação com os outros Evangelhos. Nos pátios externos do templo, vendiam-se animais para os sacrifícios e trocavam-se moedas, porque o imposto do templo devia ser pago numa moeda específica. O comércio era útil aos peregrinos, mas havia se instalado no espaço destinado à oração e, segundo várias fontes da época, era explorado pelas famílias sacerdotais.

Jesus justifica o gesto com duas passagens das Escrituras (19:46). Segundo Isaías, a casa de Deus seria casa de oração (Is 56:7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); segundo Jeremias, eles a haviam transformado num covil de ladrões (Jr 7:11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A citação de Jeremias é especialmente forte. Ela vem do sermão em que o profeta denunciou o povo que confiava no templo enquanto praticava a injustiça. Ele anunciou que Deus destruiria aquele templo como havia destruído o santuário de Siló (Jr 7:12-14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ao citar Jeremias, Jesus não apenas critica o comércio. Ele anuncia um juízo sobre o templo, como o profeta fez antes da destruição do primeiro templo.

Marcos registra a citação completa de Isaías, que fala de uma casa de oração "para todas as nações" (Mc 11:17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Lucas omite essa parte. Uma explicação provável é que, quando Lucas escrevia, o templo já havia sido destruído ou sua destruição era iminente, e não se tornaria o lugar de oração das nações. Em Lucas e Atos, as nações se reúnem em torno de Jesus e da Igreja, e não do templo.

João narra a purificação do templo no início do ministério de Jesus (Jo 2:13-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os estudiosos discutem se houve duas purificações, uma no início e outra no fim, ou se João colocou a cena no começo por razões teológicas. As duas posições têm defensores sérios.

O gesto também cumpre Malaquias, que anunciou que o Senhor viria de repente ao seu templo para purificar o seu povo (Ml 3:1-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Jesus age como o Senhor do templo. Depois disso, ensina ali todos os dias (19:47). Os chefes dos sacerdotes, os escribas e os líderes do povo procuram um modo de matá-lo, mas não conseguem, porque todo o povo estava atento, literalmente "pendurado" (exekremato) em suas palavras (19:48). O templo, que deveria ser casa de oração, se tornou o lugar do ensino de Jesus e do conflito final.

As controvérsias no templo: autoridade, vinha, tributo e ressurreição (20:1-40)

Num dos dias em que Jesus ensinava no templo, os chefes dos sacerdotes, os escribas e os anciãos o interrogam (20:1-2). Querem saber com que autoridade ele faz essas coisas e quem lhe deu essa autoridade. A pergunta se refere à purificação do templo e ao ensino ali. Eles eram as autoridades oficiais, e Jesus não tinha nenhum cargo reconhecido.

Jesus responde com outra pergunta: o batismo de João vinha do céu ou dos homens (20:3-4)? A pergunta não é uma evasão. A autoridade de Jesus está ligada à de João, que o havia anunciado. Se reconhecessem que João vinha de Deus, teriam de reconhecer também aquele a quem João apontou. Os líderes percebem o dilema (20:5-6). Se disserem que vinha do céu, Jesus perguntará por que não creram em João. Se disserem que vinha dos homens, o povo os apedrejará, porque estava convencido de que João era profeta. Respondem que não sabem, e Jesus se recusa a dizer com que autoridade age (20:7-8). Quem não quer reconhecer a verdade evidente não está em condições de receber uma resposta.

Jesus então conta ao povo a parábola dos vinhateiros (20:9-16). Um homem planta uma vinha, arrenda-a a lavradores e viaja por muito tempo. A imagem retoma o cântico da vinha de Isaías 5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), em que a vinha é Israel. Na época da colheita, o dono envia um servo para receber sua parte dos frutos. Os lavradores o espancam e o mandam embora de mãos vazias. Envia um segundo, que é espancado e insultado, e um terceiro, que é ferido e expulso. Os servos representam os profetas que Israel rejeitou ao longo da história.

Então o dono da vinha pensa no que fazer e decide enviar seu filho amado, esperando que o respeitem (20:13). A expressão "filho amado" é a mesma da voz do Pai no batismo (3:22). Mas os lavradores, ao verem o filho, raciocinam que ele é o herdeiro e decidem matá-lo para que a herança fique para eles. Lançam-no fora da vinha e o matam (20:14-15). O detalhe de que o filho é morto fora da vinha pode aludir à crucificação fora dos muros de Jerusalém (Hb 13:12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Jesus pergunta o que o dono fará e responde: ele virá, destruirá os lavradores e dará a vinha a outros (20:15-16). Os ouvintes reagem com espanto, desejando que isso nunca aconteça. Jesus olha para eles e cita o Salmo 118:22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba): a pedra que os construtores rejeitaram se tornou a pedra principal, a pedra angular (20:17). Quem cair sobre essa pedra será despedaçado, e sobre quem ela cair será esmagado (20:18). A imagem combina Isaías 8:14-15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), em que o Senhor é pedra de tropeço, com Daniel 2:34-35, 44-45 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), em que uma pedra cortada sem mãos humanas despedaça os reinos do mundo e se torna um grande monte. O mesmo Salmo 118 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) que os discípulos usaram na entrada triunfal agora explica a rejeição de Jesus. O rejeitado será exaltado como pedra angular. Pedro aplicará esse texto a Jesus diante do Sinédrio (At 4:11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e a primeira carta de Pedro o desenvolverá (1Pe 2:4-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Os escribas e os chefes dos sacerdotes entendem que a parábola foi contada contra eles e procuram prender Jesus naquele momento, mas têm medo do povo (20:19). Eles reconhecem a acusação, mas em vez de se arrependerem, cumprem a parábola.

Seguem armadilhas mais sutis. Os adversários enviam espiões que fingem ser justos, para apanhar Jesus em alguma palavra e entregá-lo ao governador (20:20). Eles o elogiam por ensinar com retidão e sem fazer distinção de pessoas. Depois perguntam se é permitido pagar tributo a César (20:21-22). O tributo era o imposto pago diretamente a Roma, estabelecido após o recenseamento de 6 d.C. Esse recenseamento provocou a revolta de Judas, o Galileu, que ensinava que pagar tributo a um senhor pagão era trair a Deus (Josefo, Antiguidades Judaicas 18.1.1; At 5:37 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A pergunta é uma armadilha perfeita. Se Jesus disser que sim, perde o apoio do povo, que odiava o domínio romano. Se disser que não, pode ser denunciado a Pilatos como rebelde.

Jesus percebe a astúcia (panourgia) deles e pede que lhe mostrem um denário (20:23-24). O denário era a moeda do tributo. O denário de Tibério trazia a imagem do imperador e uma inscrição que o chamava de "filho do divino Augusto". Para um judeu fiel, era uma moeda carregada de pretensões idolátricas. Jesus pergunta de quem é a imagem (eikōn) e a inscrição, e eles respondem que são de César. Jesus então manda restituir a César aquilo que traz a marca de César, e a Deus aquilo que pertence a Deus (20:25). O verbo apodidōmi significa "devolver", "restituir", e não apenas "dar".

A resposta não divide a vida em duas áreas independentes, uma política e outra religiosa. Ela reconhece que o governo civil tem um papel legítimo, e Paulo ensinará o mesmo (Rm 13:1-7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Mas coloca esse papel dentro de uma soberania maior: tudo pertence a Deus, inclusive César. Muitos intérpretes, desde Tertuliano (Sobre a Idolatria 15), observam a lógica da imagem. A moeda traz a imagem de César e, por isso, pode ser devolvida a ele. O ser humano traz a imagem de Deus (Gn 1:26-27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e, por isso, deve ser devolvido inteiramente a Deus. Quando as exigências de César entram em conflito com as de Deus, os apóstolos mostrarão que é preciso obedecer a Deus (At 5:29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os espiões não conseguem apanhá-lo e se calam, admirados com a resposta (20:26). Ainda assim, mais tarde acusarão Jesus diante de Pilatos de proibir o pagamento de tributo a César (23:2), uma acusação falsa.

Depois vêm os saduceus, que negavam a ressurreição (20:27). Eram o grupo da aristocracia sacerdotal, aceitavam como Escritura sobretudo os livros de Moisés e, segundo Atos, não criam em anjos nem em espíritos (At 23:8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Eles propõem um caso baseado na lei do levirato (Dt 25:5-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Se um homem morresse sem filhos, seu irmão devia se casar com a viúva para dar descendência ao falecido. Imaginam sete irmãos que se casaram sucessivamente com a mesma mulher e morreram sem deixar filhos (20:28-32). Na ressurreição, de qual deles ela será esposa (20:33)? A pergunta pretende mostrar que a ressurreição é absurda.

Jesus responde em duas partes (20:34-38). Na primeira, corrige a ideia de ressurreição como simples continuação desta vida. Nesta era, as pessoas se casam. Mas os que forem considerados dignos de participar da era futura e da ressurreição dos mortos não se casam, porque não podem mais morrer. Eles são semelhantes aos anjos (isangeloi) e são filhos de Deus, filhos da ressurreição. O casamento existe numa ordem marcada pela morte, em que a descendência garante a continuidade. Na ressurreição, essa função deixa de existir. Jesus não diz que as pessoas se tornam anjos, mas que são como eles por não morrerem.

Na segunda parte, Jesus prova a ressurreição a partir dos livros de Moisés, os únicos que os saduceus aceitavam plenamente. Na passagem da sarça, Moisés chama o Senhor de Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó (Êx 3:6). Deus não é Deus de mortos, mas de vivos, e Lucas acrescenta que, para ele, todos vivem (20:38). O argumento é que Deus se apresenta como o Deus dos patriarcas séculos depois da morte deles. A aliança de Deus com eles não terminou na morte. Se Deus é o Deus deles, eles vivem para ele, e o destino final dessa vida é a ressurreição.

Alguns escribas, que eram em sua maioria fariseus e criam na ressurreição, reconhecem que Jesus respondeu bem (20:39). Depois disso, ninguém mais se atreve a fazer-lhe perguntas (20:40).

O Filho e Senhor de Davi e a advertência contra os escribas (20:41-47)

Depois de responder a todas as perguntas, Jesus faz a sua própria (20:41-44). Como se pode dizer que o Cristo é filho de Davi, se o próprio Davi, no livro dos Salmos, o chama de Senhor? Jesus cita o Salmo 110:1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), em que Davi relata que o Senhor disse ao seu Senhor que se sentasse à sua direita até que pusesse seus inimigos debaixo de seus pés. Se Davi chama o Messias de "meu Senhor", como ele pode ser apenas seu filho?

A pergunta não nega que o Messias seja descendente de Davi; Lucas já afirmou isso desde a anunciação (1:32). Ela mostra que o Messias é mais que um filho de Davi. Na cultura antiga, um pai não chamaria o filho de "senhor". Se Davi o faz, é porque o Messias tem uma dignidade que ultrapassa a de Davi. Ele se assenta à direita de Deus, participando do seu governo. O Salmo 110:1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) é o texto do Antigo Testamento mais citado e aludido no Novo. Pedro o usará no Pentecostes para mostrar que Jesus, ressuscitado e exaltado, é Senhor e Cristo (At 2:34-36 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e Hebreus o aplicará ao Filho assentado à direita da Majestade (Hb 1:3, 13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Diante de todo o povo, Jesus adverte os discípulos contra os escribas (20:45-47). Eles gostam de andar com vestes longas, de receber saudações nas praças, de ocupar os primeiros lugares nas sinagogas e nos banquetes. Ao mesmo tempo, devoram as casas das viúvas e fazem longas orações para disfarçar. Receberão uma condenação mais severa. Não se sabe exatamente como os escribas "devoravam" as casas das viúvas. Pode ser pela administração desonesta de seus bens como tutores legais, pela cobrança por serviços jurídicos ou pela exploração da piedade delas. A advertência mostra a combinação mais perigosa: a busca de honra, a exploração dos vulneráveis e o uso da religião como disfarce.

A oferta da viúva (21:1-4)

Logo depois de falar das viúvas exploradas, Jesus observa os ricos depositando suas ofertas no tesouro do templo (21:1). Segundo a Mishná (Shekalim 6:5), havia no pátio do templo treze recipientes em forma de trombeta para receber as contribuições. Jesus vê também uma viúva pobre depositar duas pequenas moedas, os lepta, a menor moeda em circulação (21:2). Ele declara que aquela viúva deu mais que todos os outros (21:3-4). Os outros deram do que lhes sobrava; ela, da sua pobreza, deu tudo o que tinha para viver (holon ton bion).

A interpretação mais comum vê na viúva um exemplo de generosidade e de entrega total a Deus. O valor de uma oferta não está no seu tamanho, mas no que ela custa a quem a dá. Paulo ensinará o mesmo ao elogiar as igrejas da Macedônia, que deram além das suas posses mesmo em profunda pobreza (2Co 8:1-5, 12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O estudioso Addison G. Wright ("The Widow's Mites: Praise or Lament?", Catholic Biblical Quarterly, 1982) propôs uma leitura complementar. Pela posição da cena, logo após a denúncia dos escribas que devoram as casas das viúvas (20:47) e logo antes do anúncio da destruição do templo (21:6), Jesus estaria também lamentando um sistema religioso que levava uma viúva pobre a entregar seu último sustento a uma instituição que seria destruída. As duas leituras não se excluem. A viúva é exemplo de entrega e, ao mesmo tempo, sua história denuncia os que exploram a piedade dos pobres.

O discurso sobre o fim: o templo, Jerusalém e a vinda do Filho do Homem (21:5-38)

Alguns comentam a beleza do templo, ornamentado com belas pedras e ofertas votivas (21:5). O templo reconstruído por Herodes, o Grande, era uma das construções mais impressionantes do mundo antigo. Algumas de suas pedras pesavam centenas de toneladas, e Josefo descreve o brilho de seu revestimento de ouro. Jesus anuncia que viriam dias em que tudo aquilo seria completamente demolido (21:6). Em 70 d.C., o templo foi incendiado e destruído pelos soldados de Tito. O Arco de Tito, em Roma, ainda hoje mostra os soldados levando os objetos sagrados do templo, entre eles o candelabro de sete braços. O chamado Muro das Lamentações não é parte do templo, mas um muro de contenção da esplanada sobre a qual ele estava construído.

Os ouvintes perguntam quando isso acontecerá e qual será o sinal (21:7). O discurso que segue responde a essas perguntas e se amplia para a vinda final do Filho do Homem. Lucas distingue mais claramente que Marcos e Mateus dois horizontes: a destruição de Jerusalém, que aconteceria naquela geração, e a vinda do Filho do Homem, que viria depois dos "tempos dos gentios".

Primeiro, as advertências (21:8-11). Jesus manda que tenham cuidado para não serem enganados. Muitos virão em seu nome, dizendo que são o Messias e que o tempo está próximo; os discípulos não devem segui-los. Quando ouvirem falar de guerras e revoluções, não devem se apavorar. É necessário (dei) que essas coisas aconteçam primeiro, mas o fim não virá logo. Haverá conflitos entre nações e reinos, grandes terremotos, fomes e epidemias em vários lugares, acontecimentos terríveis e grandes sinais no céu. O ponto principal é que esses acontecimentos não são sinais de que o fim é imediato. Os discípulos não devem se deixar enganar por quem marca datas ou se apresenta como o Messias.

Segundo, as perseguições (21:12-19). Antes de tudo isso, os discípulos serão perseguidos e presos, levados às sinagogas e às prisões, e conduzidos diante de reis e governadores por causa do nome de Jesus. Isso lhes dará oportunidade de testemunhar (martyrion). Não devem se preocupar com a defesa, porque Jesus lhes dará palavras e sabedoria às quais nenhum adversário poderá resistir. Serão entregues até por pais, irmãos, parentes e amigos, e alguns serão mortos. Serão odiados por todos por causa do nome de Jesus. E, no entanto, nem um fio de cabelo da cabeça deles se perderá. Pela perseverança (hypomonē), ganharão suas vidas.

A promessa parece paradoxal: alguns serão mortos, mas nem um fio de cabelo se perderá. O sentido é que os discípulos estão seguros em Deus. A morte física não pode tirar deles a vida verdadeira. Atos mostra essas palavras se cumprindo. Pedro e João são levados diante do Sinédrio (At 4–5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Estêvão fala com uma sabedoria à qual seus adversários não conseguem resistir, e é morto (At 6:10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 7). Tiago é executado por Herodes Agripa (At 12:2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Paulo testemunha diante de governadores e reis, como Félix, Festo e Agripa (At 24–26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Terceiro, a destruição de Jerusalém (21:20-24). Quando virem Jerusalém cercada por exércitos, saberão que a sua devastação está próxima. Os que estiverem na Judeia devem fugir para os montes, os que estiverem na cidade devem sair, e os que estiverem no campo não devem entrar nela. Serão dias de castigo, em que se cumprirá tudo o que está escrito. Ai das grávidas e das que estiverem amamentando naqueles dias, porque haverá grande angústia na terra e ira contra aquele povo. Cairão ao fio da espada e serão levados como prisioneiros para todas as nações, e Jerusalém será pisada pelos gentios até que se cumpram os tempos dos gentios.

Marcos fala aqui de uma "abominação da desolação" (Mc 13:14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), expressão de Daniel. Lucas a traduz em termos claros para seus leitores: Jerusalém cercada por exércitos. O historiador Eusébio de Cesareia registra que os cristãos de Jerusalém, advertidos por um oráculo, fugiram para a cidade de Pela, na Transjordânia, antes da guerra (História Eclesiástica 3.5.3). Segundo Josefo, mais de um milhão de pessoas morreram durante o cerco, e quase cem mil foram levadas cativas (Guerra Judaica 6.9.3). Esses números provavelmente estão exagerados, mas mostram a dimensão da tragédia.

A expressão "até que se cumpram os tempos dos gentios" indica que haverá um período, de duração indefinida, em que Jerusalém estará sob domínio estrangeiro. Esse é também o tempo da missão aos gentios, que Atos narrará. Paulo usa uma expressão semelhante ao falar da "plenitude dos gentios" e do futuro de Israel (Rm 11:25-27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). As tradições cristãs divergem sobre se a frase sugere uma restauração futura de Israel ou de Jerusalém, e o texto não desenvolve esse ponto.

Quarto, a vinda do Filho do Homem (21:25-28). Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas, e, na terra, as nações ficarão em angústia, perplexas com o bramido do mar e das ondas. Os homens desmaiarão de medo diante do que virá sobre o mundo, porque os poderes dos céus serão abalados. Então verão o Filho do Homem vindo numa nuvem, com poder e grande glória.

A linguagem dos sinais cósmicos vem dos profetas, que usavam essas imagens para falar das grandes intervenções de Deus na história (Is 13:10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 34:4; Jl 2:30-31 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A vinda do Filho do Homem numa nuvem retoma Daniel 7:13-14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba). Jesus encerra com uma palavra de esperança: quando essas coisas começarem a acontecer, os discípulos devem se erguer e levantar a cabeça, porque a sua redenção (apolytrōsis) está próxima (21:28). O que é terror para o mundo é esperança para os que aguardam o Senhor. Paulo falará da redenção do corpo que os crentes aguardam (Rm 8:23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Quinto, a parábola da figueira (21:29-33). Quando a figueira e as outras árvores brotam, sabe-se que o verão está próximo. Do mesmo modo, quando virem acontecer essas coisas, saberão que o reino de Deus está próximo. Jesus afirma que aquela geração não passaria sem que tudo isso acontecesse (21:32). A frase é uma das mais discutidas do Novo Testamento.

  • A geração de Jesus: muitos entendem que "esta geração" se refere aos contemporâneos de Jesus e que "tudo isso" diz respeito principalmente à destruição de Jerusalém, que de fato aconteceu cerca de quarenta anos depois.
  • Um tipo de pessoas: outros entendem "geração" (genea) como uma espécie de pessoas, por exemplo, a humanidade incrédula ou o povo de Deus, que permanecerá até o fim.
  • A geração dos sinais: outros ainda pensam na geração que verá os sinais finais.

Jesus conclui que o céu e a terra deixarão de existir, mas suas palavras permanecerão (21:33). É uma afirmação que, no Antigo Testamento, se aplica à palavra de Deus (Is 40:8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Jesus coloca suas próprias palavras no mesmo nível.

Sexto, a vigilância (21:34-36). Os discípulos devem cuidar para que seus corações não fiquem pesados com excessos, embriaguez e preocupações desta vida, e para que aquele dia não os surpreenda como uma armadilha. Ele virá sobre todos os que vivem na terra. Por isso, devem vigiar e orar em todo tempo, para terem força para escapar de tudo o que vai acontecer e para estarem de pé diante do Filho do Homem. As "preocupações desta vida" (merimnai biōtikai) lembram os espinhos da parábola do semeador (8:14). O perigo maior não é a perseguição, mas um coração entorpecido pelos excessos e pelas preocupações.

As tradições cristãs leem esse discurso de maneiras diferentes.

  • Leitura preterista: entende que a maior parte se cumpriu em 70 d.C. N. T. Wright (Jesus and the Victory of God, 1996) defende que a linguagem da vinda do Filho do Homem nas nuvens, tirada de Daniel 7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), fala sobretudo da vindicação de Jesus na queda de Jerusalém.
  • Leitura futurista: entende que a maior parte se refere a acontecimentos ainda futuros, antes da volta de Cristo.
  • Leitura de duplo horizonte: adotada por comentaristas como Darrell Bock e I. Howard Marshall, reconhece que Lucas distingue duas realidades. A destruição de Jerusalém, já cumprida, funciona como antecipação e modelo da vinda final do Filho do Homem, ainda futura.

O próprio texto de Lucas, com a menção dos "tempos dos gentios" entre a queda da cidade e a vinda do Filho do Homem, favorece essa distinção.

O bloco termina com um resumo (21:37-38). Durante o dia, Jesus ensinava no templo; à noite, saía e passava a noite no monte das Oliveiras. Todo o povo madrugava para ouvi-lo no templo. A cena prepara a paixão. Será justamente no monte das Oliveiras que Jesus orará e será preso (22:39-53).

A contribuição do bloco para o livro e para a Bíblia

Este bloco mostra a chegada de Jesus ao centro da história de Israel: a cidade de Davi e o templo de Deus. Ele entra como Rei humilde, chora pela cidade que não o reconhece, purifica o templo como seu Senhor e ensina ali com autoridade. Vence todas as armadilhas dos líderes religiosos. A parábola dos vinhateiros resume a história de Israel e anuncia sua própria morte, mas também sua exaltação como pedra angular. O Salmo 110 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) revela que o Messias é mais que filho de Davi: é Senhor. O discurso final mostra que a rejeição de Jesus trará juízo sobre Jerusalém, mas que a história caminha para a vinda do Filho do Homem, que trará a redenção definitiva.

No quadro da Bíblia, o bloco cumpre as profecias sobre o Rei que vem a Sião (Zc 9:9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e sobre o Senhor que vem ao seu templo (Ml 3:1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Retoma a denúncia profética do templo (Jr 7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e a imagem da vinda do Filho do Homem (Dn 7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A destruição do templo em 70 d.C. encerra uma era da história de Israel. A partir dali, a presença de Deus não estará mais ligada a um edifício, mas à pessoa de Jesus e à comunidade que se reúne em seu nome.

Visão cristocêntrica: a conexão com Cristo é direta e explícita em todo o bloco.

Jesus é o Rei que vem em nome do Senhor (19:38). Ele cumpre a profecia do rei humilde de Zacarias 9:9 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) e a aclamação do Salmo 118:26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba). Sua realeza é de paz e humildade.

Jesus é a visita de Deus a Jerusalém (19:44). O tempo da "visitação" anunciado no cântico de Zacarias se realiza na sua chegada. Rejeitá-lo é rejeitar a visita do próprio Deus.

Jesus é o Senhor do templo (19:45-46). Ao purificá-lo e ensinar ali, cumpre Malaquias 3:1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba), que anunciava a vinda do Senhor ao seu templo.

Jesus é o filho amado da parábola dos vinhateiros (20:13), o último e definitivo enviado de Deus, depois dos profetas. Sua morte fora da vinha antecipa a cruz.

Jesus é a pedra rejeitada que se tornou pedra angular (20:17). Os apóstolos aplicarão explicitamente o Salmo 118:22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) a ele (At 4:11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); 1Pe 2:7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Rejeitado pelos líderes, ele será exaltado por Deus como fundamento do novo povo.

Jesus é o filho e Senhor de Davi (20:41-44). O Salmo 110 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) revela que o Messias se assenta à direita de Deus, participando do seu governo. Pedro anunciará no Pentecostes que essa exaltação aconteceu na ressurreição e ascensão de Jesus (At 2:34-36 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Jesus é o Filho do Homem que virá com poder e grande glória (21:27), cumprindo Daniel 7:13-14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba). Suas palavras permanecerão mesmo quando o céu e a terra passarem (21:33). Essa afirmação o coloca no lugar da palavra eterna de Deus.

De modo temático, alguns intérpretes veem na viúva que dá "toda a sua vida" (holon ton bion, 21:4) uma imagem antecipada de Jesus, que, poucos dias depois, entregará sua própria vida por inteiro. Essa leitura é sugestiva e coerente com a posição da cena antes da paixão, mas não é explicitada pelo texto e deve ser apresentada com prudência.

Aplicações espirituais e práticas:

  1. Reconhecer o tempo da visita de Deus. Jerusalém não reconheceu que Deus a visitava na pessoa de Jesus. Também hoje é possível deixar passar os momentos em que Deus se aproxima: um chamado ao arrependimento, uma oportunidade de reconciliação, uma palavra que toca o coração. A pergunta é se estamos atentos ao que Deus está fazendo ao nosso redor, ou se, como Jerusalém, estamos ocupados com outras coisas.

  2. Acolher o Rei humilde. Jesus entrou em Jerusalém montado num jumentinho, e não num cavalo de guerra. Seu poder se manifesta na humildade e na paz. Para quem exerce liderança, em empresas, igrejas ou famílias, o modelo de Jesus desafia a ideia de que autoridade se demonstra com ostentação e força. A verdadeira grandeza se manifesta no serviço.

  3. Chorar pelas cidades. Jesus chorou por Jerusalém, a cidade que o rejeitaria. Suas lágrimas mostram que o juízo não é motivo de satisfação para Deus. Os discípulos de Jesus também podem olhar para suas cidades com compaixão, orar por elas e trabalhar pelo bem delas, em vez de apenas condená-las.

  4. Fé que não é comércio. Jesus purificou o templo que havia se tornado um lugar de comércio e exploração. A religião pode ser transformada em negócio de várias formas: quando se vende a graça, quando se exploram os fiéis em nome de Deus, quando a busca de lucro e de prestígio substitui a oração e o cuidado com as pessoas. O templo de Deus deve ser casa de oração.

  5. Responder com sabedoria às armadilhas. Jesus enfrentou perguntas feitas com má intenção e respondeu com sabedoria, sem cair nas armadilhas nem fugir da verdade. Em debates sobre fé, política ou ética, os cristãos são chamados a responder com sabedoria e serenidade, sem se deixar levar pela polarização.

  6. César e Deus. O ensino de Jesus sobre o tributo orienta a relação entre fé e cidadania. Os cristãos devem cumprir suas obrigações civis com honestidade, inclusive o pagamento de impostos (Rm 13:7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Essa honestidade é especialmente relevante para quem lida com contabilidade, tributos e gestão empresarial. Ao mesmo tempo, a lealdade última pertence a Deus, porque o ser humano traz a imagem de Deus. Quando as exigências do Estado contrariam a vontade de Deus, a fidelidade a Deus deve prevalecer.

  7. A esperança da ressurreição. Jesus mostrou que Deus é Deus de vivos e que para ele todos vivem. Para quem perdeu pessoas queridas, essa é uma palavra de consolo. A morte não interrompe a relação de Deus com os seus. A vida da ressurreição não será uma simples continuação desta, mas uma vida nova, em que a morte não terá mais lugar.

  8. Cuidado com a religiosidade de vitrine. Os escribas buscavam honra, roupas especiais, saudações e lugares de destaque, e ao mesmo tempo exploravam as viúvas. Esse contraste é uma advertência para todos os que exercem liderança religiosa ou têm visibilidade na comunidade. Longas orações não compensam a injustiça contra os vulneráveis.

  9. O valor de uma oferta. A viúva deu menos que todos em valor, mas mais que todos em entrega. Deus não mede a generosidade pelo tamanho da oferta, mas pelo coração e pelo custo. Ao mesmo tempo, a cena adverte as instituições religiosas a não explorar a generosidade dos pobres. Igrejas e organizações devem ser zelosas com o uso dos recursos que recebem, especialmente daqueles que dão de sua pobreza.

  10. Não se deixar enganar. Jesus advertiu contra falsos messias e contra quem anuncia que o fim é imediato. Ao longo da história, muitos marcaram datas e criaram pânico em nome da profecia. O discípulo é chamado a discernir, a não seguir anúncios alarmistas e a manter os olhos em Jesus.

  11. Testemunhar na adversidade. Jesus anunciou que a perseguição seria ocasião de testemunho. Em ambientes hostis à fé, seja no trabalho, na família ou na sociedade, os discípulos podem confiar que Cristo lhes dará palavras e sabedoria. A perseverança é o caminho para preservar a verdadeira vida.

  12. Levantar a cabeça. Diante dos sinais que causam medo no mundo, Jesus pede que os discípulos levantem a cabeça, porque a redenção se aproxima. A fé cristã não alimenta o pânico diante das crises, mas a esperança. A história não caminha para o caos, mas para a vinda do Senhor.

  13. Corações leves para estar de pé. O maior perigo para os discípulos não é a perseguição, mas um coração pesado pelos excessos e pelas preocupações desta vida. Para quem vive sob grande pressão profissional e financeira, a advertência é atual. A vigilância e a oração constantes mantêm o coração desperto e preparado para estar de pé diante do Filho do Homem.

Sabedoria para o Cotidiano
Jesus entrou em Jerusalém como Rei, mas chorou sobre a cidade que não reconheceu a visita de Deus. Enfrentou armadilhas com sabedoria, elogiou a viúva que deu tudo e anunciou que até as pedras mais belas do templo cairiam, enquanto suas palavras permaneceriam para sempre. Esta é a pergunta que ele nos deixa: em que estamos apoiando a vida, em construções que passam ou na palavra que permanece? Quem reconhece hoje a visita de Deus, entrega a ele o que lhe pertence e vive vigilante não precisa temer os tempos difíceis. Pode levantar a cabeça, porque a sua redenção está próxima.

Interpretação e comentários da Bíblia, sob direção editorial de José Carlos Fortes. Conteúdo elaborado com apoio de inteligência artificial, sob curadoria e revisão editorial. Esta página não reproduz texto bíblico protegido: traz referência, interpretação e comentário.