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Antigo Testamento · Reis

Ciro

Significado do nome

Do persa Kūruš, de sentido incerto; entre as propostas estão "sol", "jovem" e "pastor"; a Bíblia não explica o nome, mas Deus chama Ciro de "meu pastor" (Is 44.28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

Posição / vínculo com a Bíblia

Rei da Pérsia, fundador do Império Persa, que conquistou a Babilônia em 539 a.C.; no seu primeiro ano, publicou um decreto permitindo que os judeus exilados voltassem a Jerusalém e reconstruíssem o templo, e devolveu os utensílios sagrados levados por Nabucodonosor; o profeta Isaías o chamou pelo nome, como pastor e ungido do Senhor, usado por Deus para libertar o seu povo, embora não o conhecesse (2Cr 36.22-23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Ed 1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Is 44.28–45.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

Nascimento

Provavelmente em Anshan, na Pérsia, no sudoeste do atual Irã, por volta de 590 a.C.

Morte

Ásia Central, em 530 a.C., em campanha militar, segundo historiadores antigos; sepultado em Pasárgada, na Pérsia

Testamento

Antigo Testamento

Grupo

Reis

Síntese histórica

Ciro, rei da Pérsia, foi um dos maiores conquistadores da Antiguidade. Uniu os persas e os medos, conquistou a Lídia e, em 539 a.C., tomou a Babilônia, pondo fim ao império que havia destruído Jerusalém e levado o povo de Judá para o exílio. No primeiro ano do seu reinado sobre a Babilônia, o Senhor despertou o seu espírito, e ele publicou um decreto em todo o seu reino: o Senhor, o Deus dos céus, o encarregara de construir um templo em Jerusalém, e todos os do povo de Deus que quisessem poderiam voltar para reconstruí-lo (2Cr 36.22-23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Ed 1.1-4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Devolveu também os utensílios do templo que Nabucodonosor havia levado (Ed 1.7-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Mais de um século antes, o profeta Isaías havia anunciado o seu nome, chamando-o de pastor do Senhor, que cumpriria a vontade de Deus, e de ungido, a quem Deus tomaria pela mão para abrir portas diante dele e libertar os seus cativos, embora Ciro não o conhecesse (Is 44.28–45.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O seu decreto cumpriu também a palavra de Jeremias sobre os setenta anos de exílio (2Cr 36.21-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Ed 1.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Milhares de judeus voltaram a Jerusalém e lançaram os alicerces do templo (Ed 2–3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O profeta Daniel viveu os primeiros anos do seu reinado (Dn 1.21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Dn 10.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ciro morreu em 530 a.C., e o seu túmulo ainda existe em Pasárgada, no Irã.

História

Contexto e origem

Ciro, conhecido na história como Ciro II ou Ciro, o Grande, era filho de Cambises I, rei de Anshan, um pequeno reino persa no sudoeste do atual Irã, que então era vassalo dos medos. Ele mesmo se apresenta, numa inscrição famosa, como filho de Cambises, grande rei de Anshan. O historiador grego Heródoto conta que a sua mãe era filha de Astíages, rei dos medos, e narra uma lenda segundo a qual o avô, alertado por um sonho, mandou matar o menino, que foi salvo e criado por um pastor; a maioria dos historiadores considera essas histórias lendárias. Ciro se tornou rei de Anshan por volta de 559 a.C.

As conquistas

Por volta de 550 a.C., Ciro derrotou Astíages e uniu os medos e os persas sob o seu governo, formando a base do Império Persa. A visão de Daniel sobre o carneiro de dois chifres, um mais alto do que o outro, é explicada no próprio livro como os reis da Média e da Pérsia (Dn 8.3,20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Alguns anos depois, Ciro conquistou a Lídia, na atual Turquia, cujo rei, Creso, era famoso pela riqueza, e estendeu o seu domínio para o leste.

Em 539 a.C., avançou contra a Babilônia. Segundo uma crônica babilônica, o exército de Nabonido foi derrotado, e as tropas de Ciro entraram na Babilônia sem batalha; poucos dias depois, o próprio Ciro entrou na cidade. Heródoto e Xenofonte contam que os persas desviaram o curso do rio Eufrates e entraram pelo leito do rio. Na noite da queda, Belsazar foi morto (Dn 5.30 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Com essa conquista, Ciro passou a governar o maior império que o mundo havia conhecido até então, do mar Egeu até as fronteiras da Índia.

A política de Ciro

Um cilindro de argila encontrado nas ruínas da Babilônia em 1879, conhecido como Cilindro de Ciro e hoje no Museu Britânico, registra a versão do próprio rei sobre a conquista. Nele, Ciro afirma ter sido escolhido pelo deus babilônico Marduk e declara que devolveu aos seus lugares de origem os povos que haviam sido deportados e as imagens dos seus deuses, restaurando os seus santuários. O texto não menciona os judeus, mas mostra que a política de permitir o retorno dos povos exilados e a reconstrução dos seus templos fazia parte do seu modo de governar, o que combina com o decreto registrado na Bíblia.

A profecia de Isaías

O livro de Isaías chama Ciro pelo nome. Deus se apresenta como aquele que diz de Ciro: ele é o meu pastor e cumprirá tudo o que me agrada; ele dirá a Jerusalém que seja reconstruída e ao templo que seja fundado (Is 44.28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E continua: assim diz o Senhor ao seu ungido, a Ciro, a quem tomo pela mão direita, para subjugar as nações diante dele, para abrir diante dele as portas, de modo que não se fechem (Is 45.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Deus iria adiante dele, quebraria portas de bronze e lhe daria tesouros escondidos, para que soubesse que era o Senhor, o Deus de Israel, quem o chamava pelo nome (Is 45.2-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Deus explicou o motivo: por amor do seu servo Jacó, chamara Ciro pelo nome e lhe dera um título de honra, embora Ciro não o conhecesse. Ele era o Senhor, e não havia outro; fortaleceria Ciro, ainda que Ciro não o conhecesse, para que todos soubessem, do nascente ao poente, que não há outro Deus (Is 45.4-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E concluiu: eu o levantei em justiça; ele reconstruirá a minha cidade e libertará os meus exilados, não por preço nem por recompensa (Is 45.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

É a única vez que a Bíblia chama um rei estrangeiro de "ungido do Senhor". Como os capítulos 40 a 66 de Isaías se dirigem aos exilados na Babilônia, muitos estudiosos modernos entendem que foram escritos por discípulos do profeta no tempo de Ciro, enquanto a tradição judaica e cristã os atribui ao próprio Isaías, que teria anunciado o nome de Ciro mais de um século antes. O historiador Flávio Josefo afirma que Ciro leu essa profecia de Isaías a seu respeito e, impressionado, decidiu cumpri-la; trata-se de uma tradição.

O decreto

No primeiro ano de Ciro como rei da Babilônia, por volta de 538 a.C., para que se cumprisse a palavra do Senhor dita por meio de Jeremias, o Senhor despertou o espírito de Ciro, que mandou proclamar em todo o seu reino, oralmente e por escrito (2Cr 36.22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Ed 1.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Jeremias havia anunciado que o exílio duraria setenta anos e que depois Deus traria o seu povo de volta (Jr 25.11-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Jr 29.10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O decreto dizia: assim diz Ciro, rei da Pérsia: o Senhor, o Deus dos céus, me deu todos os reinos da terra e me encarregou de construir para ele um templo em Jerusalém, que está em Judá. Quem dentre vocês pertence ao seu povo? Que o seu Deus esteja com ele, e que ele suba a Jerusalém e reconstrua o templo do Senhor, o Deus de Israel, o Deus que habita em Jerusalém (Ed 1.2-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os vizinhos dos que voltassem deveriam ajudá-los com prata, ouro, bens, animais e ofertas voluntárias para o templo (Ed 1.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Ciro mandou retirar os utensílios do templo do Senhor que Nabucodonosor havia levado de Jerusalém e colocado no templo dos seus deuses. O tesoureiro Mitredate os contou e os entregou a Sesbazar, o líder de Judá: eram cinco mil e quatrocentos objetos de ouro e de prata, que foram levados de volta a Jerusalém (Ed 1.7-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Anos depois, foi encontrado no arquivo real de Ecbatana um registro em aramaico do decreto de Ciro, com as medidas do templo, a determinação de que as despesas seriam pagas pelo tesouro real e a ordem de devolver os utensílios (Ed 6.1-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

O retorno e o templo

Cerca de cinquenta mil pessoas voltaram a Jerusalém e às cidades de Judá (Ed 2.64-65 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Reconstruíram o altar e, no segundo ano depois da volta, lançaram os alicerces do templo, com madeira de cedro trazida do Líbano, conforme a autorização de Ciro (Ed 3.7-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Quando os alicerces foram lançados, o povo louvou ao Senhor com grande alegria, mas muitos dos mais velhos, que tinham visto o primeiro templo, choraram em alta voz, e não se podia distinguir o som da alegria do som do choro (Ed 3.11-13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Os povos vizinhos se opuseram à obra durante todo o reinado de Ciro e até o reinado de Dario, e a construção foi interrompida (Ed 4.1-5,24 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Quando foi retomada, os líderes judeus apelaram justamente ao decreto de Ciro, e o templo foi concluído em 516 a.C., segundo a ordem do Deus de Israel e o decreto de Ciro, de Dario e de Artaxerxes (Ed 5.13-17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Ed 6.14-15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Daniel e Ciro

O livro de Daniel registra que Daniel permaneceu na corte até o primeiro ano do rei Ciro e que prosperou durante o reinado de Dario e o reinado de Ciro, o persa (Dn 1.21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Dn 6.28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A última visão de Daniel aconteceu no terceiro ano de Ciro, rei da Pérsia; nela, um mensageiro celestial falou de uma resistência espiritual por parte do "príncipe do reino da Pérsia" (Dn 10.1,13,20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A morte

Segundo Heródoto, Ciro morreu em 530 a.C., numa campanha militar contra os masságetas, um povo da Ásia Central; outros historiadores antigos contam a sua morte de modo diferente. Foi sepultado em Pasárgada, a capital que construíra na Pérsia, num túmulo de pedra que ainda hoje existe, no atual Irã. O seu filho Cambises II o sucedeu no trono.

Caráter

Ciro foi um líder militar brilhante e um governante hábil, que preferiu conquistar a lealdade dos povos dominados respeitando os seus costumes e os seus deuses. A Bíblia o apresenta como instrumento de Deus para libertar o seu povo, embora afirme duas vezes que ele não conhecia o Senhor (Is 45.4-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). No seu decreto, ele atribui ao "Senhor, o Deus dos céus" a sua autoridade (Ed 1.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), mas no Cilindro de Ciro atribui o mesmo papel ao deus babilônico Marduk; por isso, muitos estudiosos entendem que ele usava a linguagem religiosa de cada povo com sabedoria política. Para a Bíblia, porém, o que importa não é o que Ciro pensava, mas o que Deus fez por meio dele: o coração do rei estava nas mãos do Senhor (Pv 21.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Legado

Ciro foi lembrado pelo povo judeu como o rei que pôs fim ao exílio e permitiu a reconstrução do templo. Os escritores gregos também o admiraram; Xenofonte escreveu sobre ele uma obra inteira, a Ciropédia, apresentando-o como modelo de governante. Na ordem da Bíblia hebraica, o livro de Crônicas é o último, e assim as Escrituras de Israel terminam com as palavras do decreto de Ciro: quem pertence ao povo de Deus, que o seu Deus esteja com ele, e que ele suba (2Cr 36.23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Conexão com Cristo

Isaías chamou Ciro de pastor e de ungido do Senhor, aquele que libertaria os cativos e mandaria reconstruir o templo (Is 44.28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Is 45.1,13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A palavra "ungido" corresponde, em hebraico, a "Messias", e em grego, a "Cristo". Ciro, um rei estrangeiro que não conhecia a Deus, foi usado como um ungido para libertar o povo do exílio na Babilônia. Mas ele apontava para o verdadeiro Ungido, Jesus, que declarou na sinagoga de Nazaré que o Espírito do Senhor o ungira para proclamar libertação aos cativos (Lc 4.18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ciro foi chamado de pastor; Jesus é o bom pastor, que dá a vida pelas ovelhas (Jo 10.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ciro autorizou a reconstrução do templo de Jerusalém; Jesus falou do seu próprio corpo como o templo que seria levantado em três dias (Jo 2.19-21 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e faz dos que creem um templo santo, edificado sobre ele (Ef 2.20-22 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Deus disse que Ciro libertaria os seus exilados não por preço nem por recompensa (Is 45.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e o mesmo profeta anunciou que o povo, vendido por nada, seria resgatado sem dinheiro (Is 52.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Novo Testamento revela o preço verdadeiro do resgate: não fomos resgatados com prata ou ouro, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem defeito (1Pe 1.18-19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A libertação que Ciro trouxe foi do exílio babilônico; a de Cristo é do pecado e da morte (Jo 8.36 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Rm 8.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

No mesmo capítulo em que fala de Ciro, Deus declara que não há outro Deus além dele e que diante dele todo joelho se dobrará e toda língua jurará (Is 45.21-23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Paulo aplicou essas palavras a Jesus: Deus o exaltou soberanamente e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor (Fp 2.9-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Deus que conduziu a história por meio de Ciro revelou em Cristo o Senhor de todas as nações.

Por fim, a soberania de Deus sobre os governantes, tão visível em Ciro, aparece também no nascimento de Jesus. Assim como o decreto de um rei persa permitiu a volta do povo a Jerusalém (Ed 1.1-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), o decreto de um imperador romano, César Augusto, levou José e Maria a Belém, onde nasceu o Messias, conforme as Escrituras (Lc 2.1-7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Mq 5.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E as Escrituras de Israel, que na ordem hebraica terminam com o convite de Ciro para que o povo de Deus "suba" a Jerusalém (2Cr 36.23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), encontram a sua continuidade no convite do próprio Cristo: venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso (Mt 11.28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

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