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Antigo Testamento · Profetas

Habacuque

Significado do nome

Etimologia incerta; muitos o relacionam ao verbo hebraico "abraçar", com o sentido de "abraço" ou "abraçado", e outros a um nome de planta usado na Mesopotâmia; a Bíblia não explica o nome

Posição / vínculo com a Bíblia

Profeta de Judá que viveu pouco antes da invasão babilônica; em vez de falar ao povo em nome de Deus, dirigiu a Deus as suas perguntas sobre a violência e a injustiça, ouviu que Deus usaria os caldeus como instrumento de juízo e recebeu a resposta de que o justo viverá pela sua fé; terminou o seu livro com um cântico de confiança e alegria em Deus mesmo diante da perda de tudo (Hc 1–3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Rm 1.17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gl 3.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Hb 10.38 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

Testamento

Antigo Testamento

Grupo

Profetas

Síntese histórica

Habacuque é conhecido apenas pelo livro que leva o seu nome, no qual é chamado simplesmente de "o profeta" (Hc 1.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Viveu provavelmente no fim do século VII a.C., quando a Babilônia se tornava a grande potência da região e Judá vivia sob governantes injustos. O seu livro tem a forma de um diálogo com Deus. Habacuque perguntou até quando clamaria por causa da violência e da injustiça sem que Deus ouvisse (Hc 1.2-4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e Deus respondeu que estava levantando os caldeus, uma nação feroz, para executar o seu juízo (Hc 1.5-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Então o profeta fez uma pergunta ainda mais difícil: como um Deus tão santo podia usar um povo mais perverso do que Judá? (Hc 1.12-17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Habacuque se colocou na sua torre de vigia para esperar a resposta, e Deus mandou que escrevesse a visão: ela se cumpriria no tempo determinado; o orgulhoso não permaneceria, mas o justo viveria pela sua fé (Hc 2.1-4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Em seguida, Deus anunciou cinco "ais" contra o opressor babilônio (Hc 2.6-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O livro termina com uma oração em forma de cântico, na qual Habacuque recorda os grandes atos de Deus e declara que, ainda que a figueira não florescesse e faltasse todo o sustento, ele se alegraria no Senhor, o Deus da sua salvação (Hc 3.1-19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A frase "o justo viverá pela sua fé" se tornou central no Novo Testamento (Rm 1.17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

História

Contexto e origem

A Bíblia não informa a família, a origem nem a época exata de Habacuque. O livro o chama apenas de "o profeta" (Hc 1.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Hc 3.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Como o último capítulo traz indicações musicais semelhantes às dos Salmos, inclusive uma dedicatória ao mestre de canto, para instrumentos de corda (Hc 3.1,19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), alguns estudiosos supõem que ele estivesse ligado ao serviço dos cantores do templo; trata-se apenas de uma hipótese.

Deus anunciou que estava levantando os caldeus, isto é, os babilônios, e que faria uma obra nos dias daquela geração (Hc 1.5-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Isso indica que Habacuque profetizou quando a Babilônia estava se tornando a grande potência da região, provavelmente entre a queda de Nínive, em 612 a.C., e as primeiras invasões babilônicas de Judá, a partir de 605 a.C. Muitos estudiosos situam o seu ministério no reinado de Jeoaquim, rei de Judá, conhecido pela opressão e pela injustiça (Jr 22.13-17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Um acréscimo grego ao livro de Daniel, aceito como deuterocanônico por algumas tradições, conta que um anjo levou Habacuque até a cova dos leões para alimentar Daniel, mas essa história é considerada lendária pela maioria dos estudiosos.

A primeira pergunta

O livro começa com uma queixa dirigida a Deus. Até quando, Senhor, eu pedirei socorro, e tu não ouvirás? Até quando clamarei a ti por causa da violência, e tu não salvarás? (Hc 1.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Habacuque perguntou por que Deus o fazia ver a injustiça e tolerava a opressão, enquanto havia destruição, violência, contendas e discórdias. Por isso a lei perdia a força, e a justiça nunca prevalecia; o ímpio cercava o justo, e a justiça saía distorcida (Hc 1.3-4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O profeta não falava ao povo em nome de Deus; falava a Deus em nome da sua própria angústia.

A primeira resposta

Deus respondeu que Habacuque olhasse para as nações e se espantasse, porque ele faria naqueles dias uma obra em que ninguém acreditaria, mesmo que lhe fosse contada (Hc 1.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ele estava levantando os caldeus, uma nação cruel e impetuosa, que atravessaria a terra para se apossar de moradas que não lhe pertenciam (Hc 1.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Eram temíveis; os seus cavalos eram mais velozes do que os leopardos e mais ferozes do que os lobos ao entardecer; vinham para a violência, ajuntavam prisioneiros como areia, zombavam dos reis e riam das fortalezas. Mas seriam culpados, porque faziam da própria força o seu deus (Hc 1.7-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A segunda pergunta

A resposta trouxe uma dificuldade ainda maior. Habacuque reconheceu que Deus é eterno, o seu Santo, e que não deixaria o seu povo morrer; Deus estabelecera os caldeus para executar juízo e correção (Hc 1.12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Mas perguntou: os teus olhos são puros demais para ver o mal, e não podes contemplar a opressão; por que, então, olhas para os traiçoeiros e te calas quando o ímpio devora aquele que é mais justo do que ele? (Hc 1.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Comparou os povos a peixes apanhados pela rede dos caldeus, que depois ofereciam sacrifícios à própria rede, porque por meio dela enriqueciam; e perguntou se continuariam para sempre a matar as nações sem piedade (Hc 1.14-17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Na torre de vigia

Habacuque decidiu esperar a resposta: ficaria no seu posto de vigia, sobre a fortaleza, e observaria para ver o que Deus lhe diria e o que ele responderia à sua queixa (Hc 2.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Senhor respondeu que escrevesse a visão e a gravasse com clareza em tábuas, para que pudesse ser lida até por quem passasse correndo (Hc 2.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A visão se cumpriria no tempo determinado; ela se apressava para o seu fim e não falharia. Ainda que demorasse, Habacuque deveria esperar, porque certamente viria e não tardaria (Hc 2.3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Então veio a palavra central do livro: o orgulhoso, cuja alma não é reta, não permaneceria; mas o justo viveria pela sua fé (Hc 2.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A palavra hebraica traduzida por "fé" inclui a ideia de fidelidade e de confiança perseverante; a antiga tradução grega trouxe "pela minha fidelidade", referindo-se à fidelidade de Deus. Diante de um tempo em que tudo parecia contradizer a justiça de Deus, o justo sobreviveria confiando nele e permanecendo fiel.

Os cinco ais

Deus anunciou, então, cinco "ais" contra o opressor babilônio, mostrando que o seu orgulho seria castigado. Ai daquele que acumula o que não é seu e se enriquece com o que tomou dos outros (Hc 2.6-8 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ai daquele que obtém lucro injusto para a sua casa, para pôr o seu ninho no alto e escapar da desgraça (Hc 2.9-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ai daquele que edifica uma cidade com sangue e funda uma vila com injustiça; porque a terra se encheria do conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar (Hc 2.12-14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ai daquele que embriaga o seu próximo para ver a sua nudez (Hc 2.15-17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E ai daquele que diz à madeira que acorde e à pedra muda que se levante, confiando em ídolos sem vida (Hc 2.18-19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O capítulo termina com uma declaração solene: o Senhor está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra (Hc 2.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A oração de Habacuque

O último capítulo é uma oração em forma de cântico. Habacuque disse que ouvira falar da fama do Senhor e temera; e pediu que Deus avivasse a sua obra no decorrer dos anos, que a tornasse conhecida, e que, na ira, se lembrasse da misericórdia (Hc 3.1-2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Em seguida, descreveu uma grande manifestação de Deus, com imagens que lembram o êxodo e a conquista: Deus vinha de Temã e do monte Parã, a sua glória cobria os céus e a terra se enchia do seu louvor; diante dele os montes estremeciam, os rios se abriam, o sol e a lua paravam no seu lugar (Hc 3.3-11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Deus marchava pela terra para salvar o seu povo, para salvar o seu ungido (Hc 3.12-13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ao ouvir isso, o profeta tremeu por dentro, mas decidiu esperar em silêncio o dia da angústia que viria sobre o povo invasor (Hc 3.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

"Ainda que a figueira não floresça"

O livro termina com uma das mais belas declarações de fé de toda a Bíblia. Ainda que a figueira não florescesse e não houvesse uvas nas videiras; ainda que a colheita da oliveira falhasse e os campos não produzissem alimento; ainda que as ovelhas desaparecessem do aprisco e não houvesse gado nos currais, ele se alegraria no Senhor e exultaria no Deus da sua salvação. O Senhor Deus era a sua força; ele tornaria os seus pés como os das corças e o faria andar pelos lugares altos (Hc 3.17-19 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O profeta que começou o livro perguntando "até quando?" terminou cantando, mesmo sem que as circunstâncias tivessem mudado.

O cumprimento

As palavras de Habacuque se cumpriram nas duas direções. Os babilônios invadiram Judá em ondas sucessivas e destruíram Jerusalém em 586 a.C. (2Rs 24–25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), como Deus anunciara. E, menos de cinquenta anos depois, a própria Babilônia caiu diante dos persas, em 539 a.C., mostrando que o opressor também seria julgado. A Bíblia não registra a morte de Habacuque.

Fé e caráter

Habacuque é um exemplo de fé honesta. Ele não escondeu de Deus as suas dúvidas nem a sua perplexidade diante do mal, mas as levou ao próprio Deus (Hc 1.2-4,12-17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Esperou a resposta com paciência (Hc 2.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), aceitou a palavra de que o justo vive pela fé (Hc 2.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), temeu diante da grandeza de Deus (Hc 3.2,16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e aprendeu a se alegrar no Senhor independentemente das circunstâncias (Hc 3.17-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A Bíblia não registra falhas de Habacuque.

Legado

O livro de Habacuque faz parte dos Doze Profetas. A sua frase "o justo viverá pela sua fé" (Hc 2.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) é citada três vezes no Novo Testamento (Rm 1.17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gl 3.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Hb 10.38 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e se tornou, séculos depois, um dos textos centrais da Reforma Protestante, especialmente na experiência de Martinho Lutero. Entre os manuscritos do mar Morto foi encontrado um antigo comentário ao livro de Habacuque, que mostra a importância que ele já tinha antes de Cristo. A sua declaração de que a terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor (Hc 2.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e o seu cântico final continuam a inspirar a oração e o louvor da igreja.

Conexão com Cristo

A palavra central que Deus deu a Habacuque — o justo viverá pela sua fé (Hc 2.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) — tornou-se o coração do evangelho no Novo Testamento. Paulo a citou para mostrar que no evangelho se revela a justiça de Deus, que é pela fé, do começo ao fim (Rm 1.16-17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e que ninguém é justificado diante de Deus pela Lei, porque o justo viverá pela fé (Gl 3.11 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Habacuque aprendeu a confiar em Deus quando tudo parecia contrário; em Cristo, essa confiança encontra o seu fundamento definitivo, porque somos justificados pela fé nele, e não pelas nossas obras (Rm 5.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Gl 2.16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A Carta aos Hebreus cita as palavras de Habacuque sobre a visão que viria sem tardar e as aplica ao próprio Cristo: ainda um pouco de tempo, e aquele que vem virá e não tardará; e o meu justo viverá pela fé (Hb 10.37-38 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Hc 2.3-4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Assim como Habacuque esperou na sua torre de vigia a palavra de Deus, os que creem em Cristo esperam com perseverança a sua volta. E Paulo, pregando em Antioquia, citou a advertência de Habacuque sobre a obra em que ninguém acreditaria (Hc 1.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) para anunciar a obra de Deus na ressurreição de Jesus (At 13.37-41 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Habacuque perguntou por que Deus parecia calado diante do mal e do sofrimento do justo (Hc 1.2,13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Na cruz, o próprio Filho de Deus fez a pergunta mais profunda: meu Deus, meu Deus, por que me desamparaste? (Mt 27.46 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Deus não respondeu ao problema do mal apenas com palavras, mas entrando nele: o Justo sofreu pelos injustos, para nos conduzir a Deus (1Pe 3.18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e foi ressuscitado, mostrando que a injustiça não tem a última palavra. Habacuque pediu que, na ira, Deus se lembrasse da misericórdia (Hc 3.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); na cruz, a justiça e a misericórdia de Deus se encontraram, porque Deus apresentou Cristo como propiciação, sendo justo e justificador daquele que tem fé em Jesus (Rm 3.25-26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Por fim, Habacuque cantou o Deus que saiu para salvar o seu ungido (Hc 3.13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), palavra que em hebraico corresponde a "Messias", e anunciou que a terra se encheria do conhecimento da glória do Senhor (Hc 2.14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Essa glória resplandece agora na face de Jesus Cristo (2Co 4.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E a alegria do profeta, que decidiu se alegrar no Senhor mesmo sem fruto na figueira (Hc 3.17-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), encontra eco no apóstolo Paulo, que, preso, aprendeu a estar contente em toda e qualquer situação e exortou os cristãos a se alegrarem sempre no Senhor (Fp 4.4,11-13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

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