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Sadraque, Mesaque e Abede-Nego

Outros nomes

Hananias, Misael e Azarias, os seus nomes hebraicos, substituídos pelos nomes babilônicos na corte de Nabucodonosor (Dn 1.6-7)

Significado do nome

Os nomes hebraicos significam "o Senhor é gracioso" (Hananias), "quem é como Deus?" (Misael) e "o Senhor ajudou" (Azarias); os nomes babilônicos têm sentido incerto, mas Abede-Nego significa provavelmente "servo de Nebo", um deus babilônico; a Bíblia não explica os nomes

Posição / vínculo com a Bíblia

Três jovens da nobreza de Judá levados para a Babilônia junto com Daniel; recusaram a comida do rei, oraram com Daniel pela revelação do sonho de Nabucodonosor e foram nomeados administradores da província da Babilônia; quando se recusaram a adorar a estátua de ouro do rei, foram lançados numa fornalha ardente e saíram ilesos, e o próprio rei louvou o Deus deles (Dn 1–3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba); Hb 11.34 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

Nascimento

Provavelmente em Jerusalém, em famílias da nobreza de Judá, por volta de 620 a.C. (Dn 1.3-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba))

Testamento

Antigo Testamento

Grupo

Outros

Síntese histórica

Hananias, Misael e Azarias eram jovens da tribo de Judá, provavelmente da família real ou da nobreza, levados para a Babilônia por Nabucodonosor por volta de 605 a.C., junto com Daniel, para serem educados e servirem no palácio; ali receberam os nomes babilônicos de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego (Dn 1.3-7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Com Daniel, recusaram a comida e o vinho do rei e, depois de dez dias de prova, mostraram-se mais saudáveis e, mais tarde, dez vezes mais sábios do que todos os sábios do reino (Dn 1.8-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Quando o rei ameaçou matar todos os sábios, oraram com Daniel pedindo misericórdia ao Deus do céu, e foram depois nomeados para administrar a província da Babilônia (Dn 2.17-18,49 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Mais tarde, Nabucodonosor levantou uma grande estátua de ouro e ordenou que todos se prostrassem diante dela, sob pena de serem lançados numa fornalha ardente (Dn 3.1-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os três se recusaram, declarando ao rei que o seu Deus podia livrá-los, mas que, mesmo que não os livrasse, não adorariam a estátua (Dn 3.16-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Foram lançados amarrados na fornalha aquecida sete vezes mais, mas o rei viu quatro homens soltos andando no meio do fogo, e o quarto era semelhante a um filho dos deuses (Dn 3.19-25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Saíram sem que o fogo os tivesse tocado, e Nabucodonosor louvou o Deus que livrara os seus servos (Dn 3.26-30 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

História

Contexto e origem

No terceiro ano de Jeoaquim, rei de Judá, Nabucodonosor sitiou Jerusalém e mandou escolher, entre os israelitas da família real e da nobreza, jovens sem defeito, de boa aparência, instruídos e inteligentes, para serem educados durante três anos na língua e na literatura dos caldeus e depois servirem no palácio (Dn 1.1-5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Entre eles estavam quatro jovens da tribo de Judá: Daniel, Hananias, Misael e Azarias (Dn 1.6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O chefe dos oficiais lhes deu novos nomes: Daniel passou a se chamar Beltessazar; Hananias, Sadraque; Misael, Mesaque; e Azarias, Abede-Nego (Dn 1.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A mudança de nome fazia parte de um processo de assimilação. Os nomes hebraicos dos quatro jovens faziam referência ao Deus de Israel; os novos nomes os ligavam à cultura e aos deuses da Babilônia. Educação, língua, comida e nomes: tudo apontava para uma nova identidade. A Bíblia não informa nada sobre as suas famílias e, depois do capítulo 3 de Daniel, não volta a mencioná-los.

À mesa do rei

Os jovens deveriam receber todos os dias uma porção das comidas e do vinho da mesa do rei. Daniel decidiu não se contaminar com eles e propôs ao encarregado um teste de dez dias, comendo apenas vegetais e bebendo água, e os três companheiros participaram com ele (Dn 1.8-14 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ao fim dos dez dias, os quatro estavam com melhor aparência e mais saudáveis do que os outros jovens (Dn 1.15-16 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Deus lhes deu conhecimento e entendimento em toda a cultura e sabedoria; quando foram apresentados ao rei, ninguém se igualou a eles, e Nabucodonosor os achou dez vezes mais sábios do que todos os magos e encantadores do seu reino (Dn 1.17-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A oração no perigo

No segundo ano do seu reinado, Nabucodonosor exigiu que os sábios lhe revelassem um sonho e a sua interpretação, e decretou a morte de todos eles quando disseram que isso era impossível (Dn 2.1-13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Daniel pediu tempo ao rei, voltou para casa e contou o que acontecia aos seus companheiros Hananias, Misael e Azarias, para que pedissem misericórdia ao Deus do céu a respeito daquele mistério, a fim de que não fossem mortos com os outros sábios da Babilônia (Dn 2.16-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Naquela noite, o mistério foi revelado a Daniel. Depois que ele interpretou o sonho e foi honrado pelo rei, pediu que os seus três companheiros fossem nomeados para administrar os negócios da província da Babilônia, e o rei atendeu (Dn 2.49 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A estátua de ouro

Algum tempo depois, Nabucodonosor mandou fazer uma estátua de ouro de cerca de trinta metros de altura e três de largura e a levantou na planície de Dura, na província da Babilônia (Dn 3.1 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Convocou todos os governadores, administradores e autoridades das províncias para a sua dedicação (Dn 3.2-3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Um arauto anunciou a ordem do rei: assim que se ouvisse o som dos instrumentos, todos os povos, nações e línguas deveriam se prostrar e adorar a estátua de ouro; quem não o fizesse seria imediatamente lançado numa fornalha de fogo ardente (Dn 3.4-6 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Ao som da música, todos se prostraram (Dn 3.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Mas alguns caldeus se aproximaram do rei e acusaram os judeus. Lembraram ao rei que havia alguns judeus que ele mesmo nomeara para administrar a província da Babilônia — Sadraque, Mesaque e Abede-Nego — e que esses homens não lhe davam atenção, não serviam aos seus deuses nem adoravam a estátua de ouro que ele levantara (Dn 3.8-12 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A acusação revela, ao mesmo tempo, a fidelidade dos três e a hostilidade de quem invejava a sua posição.

Diante do rei

Furioso, Nabucodonosor mandou chamar os três e lhes deu uma nova oportunidade: se, ao som da música, se prostrassem e adorassem a estátua, tudo ficaria bem; mas, se não adorassem, seriam lançados naquela mesma hora na fornalha ardente. E perguntou: que deus poderá livrá-los das minhas mãos? (Dn 3.13-15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A resposta dos três se tornou uma das mais célebres declarações de fé da Bíblia. Disseram ao rei que não precisavam se defender diante dele naquele assunto. Se fossem lançados na fornalha, o Deus a quem serviam podia livrá-los da fornalha e das mãos do rei, e ele os livraria. Mas, se não os livrasse, o rei deveria saber que eles não serviriam aos seus deuses nem adorariam a estátua de ouro que ele levantara (Dn 3.16-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A sua fé não dependia do livramento: estavam dispostos a morrer, se fosse preciso, mas não a adorar outro deus.

A fornalha

Nabucodonosor ficou cheio de fúria, e a expressão do seu rosto se transformou contra eles. Mandou aquecer a fornalha sete vezes mais do que de costume e ordenou aos homens mais fortes do seu exército que amarrassem os três e os lançassem no fogo (Dn 3.19-20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Eles foram amarrados vestidos com os seus mantos, túnicas, turbantes e outras roupas e lançados na fornalha. Como a ordem do rei era urgente e a fornalha estava extremamente quente, as chamas mataram os homens que os levaram; e os três caíram amarrados no meio do fogo (Dn 3.21-23 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

As versões gregas do livro de Daniel acrescentam, nesse ponto, uma oração de Azarias e um longo cântico de louvor dos três jovens no meio do fogo. Esses acréscimos fazem parte dos livros deuterocanônicos da tradição católica, e o cântico, conhecido como "Benedicite", é usado na liturgia de várias igrejas.

O quarto homem

Então Nabucodonosor se levantou espantado e perguntou aos seus conselheiros se não haviam lançado três homens amarrados no fogo. Eles confirmaram. O rei disse: mas eu vejo quatro homens soltos, andando no meio do fogo, sem nenhum dano; e o aspecto do quarto é semelhante a um filho dos deuses (Dn 3.24-25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Nabucodonosor se aproximou da porta da fornalha e chamou: Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, servos do Deus Altíssimo, saiam e venham aqui! E eles saíram do meio do fogo (Dn 3.26 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os governadores e as autoridades se reuniram e viram que o fogo não tivera nenhum poder sobre os seus corpos: nem um fio de cabelo da cabeça estava chamuscado, as suas roupas não estavam danificadas, e nem sequer havia cheiro de fogo neles (Dn 3.27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Apenas as cordas que os prendiam haviam sido consumidas, já que eles andavam soltos no meio das chamas.

O louvor do rei

Nabucodonosor exclamou: bendito seja o Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, que enviou o seu anjo e livrou os seus servos, que confiaram nele, desobedeceram à ordem do rei e preferiram entregar o próprio corpo a servir e adorar qualquer outro deus além do seu Deus (Dn 3.28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Decretou que qualquer pessoa, de qualquer povo, nação ou língua, que falasse contra o Deus deles seria punida, porque não há outro deus capaz de livrar dessa maneira (Dn 3.29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E promoveu os três na província da Babilônia (Dn 3.30 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Essa é a última vez que eles aparecem na Bíblia.

O capítulo não menciona Daniel. O texto não explica por que ele não estava presente; alguns supõem que estivesse ausente da Babilônia ou que a sua alta posição o dispensasse da cerimônia. A narrativa, porém, concentra toda a atenção na fidelidade dos três.

Fé e caráter

Sadraque, Mesaque e Abede-Nego aparecem na Bíblia sempre juntos, como um exemplo de fidelidade compartilhada. Ainda jovens, mantiveram a sua identidade de servos do Senhor num ambiente que procurava transformá-los (Dn 1.8-17 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Recorreram à oração diante do perigo (Dn 2.17-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), serviram com competência como administradores de um império estrangeiro (Dn 2.49 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e, quando a fidelidade a Deus entrou em choque com a ordem do rei, falaram com respeito, mas com firmeza absoluta (Dn 3.16-18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). A sua fé não era uma aposta no milagre: confiavam que Deus podia livrá-los, mas estavam dispostos a morrer se ele não o fizesse. A Bíblia não registra falhas deles.

Legado

A história dos três jovens na fornalha se tornou um dos episódios mais conhecidos da Bíblia e uma fonte de encorajamento para os fiéis perseguidos ao longo da história. A Carta aos Hebreus se refere a eles entre os que, pela fé, apagaram a força do fogo (Hb 11.34 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O primeiro livro dos Macabeus, um livro deuterocanônico, conta que o sacerdote Matatias, no leito de morte, lembrou aos seus filhos que Hananias, Azarias e Misael foram salvos das chamas por terem crido, encorajando-os na resistência contra a perseguição de Antíoco IV. O cântico atribuído a eles nas versões gregas de Daniel continua a ser cantado em muitas igrejas.

Conexão com Cristo

No meio do fogo, Nabucodonosor viu um quarto homem andando com os três, semelhante a um filho dos deuses (Dn 3.25 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O próprio rei disse depois que Deus enviara o seu anjo (Dn 3.28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e muitos intérpretes entendem a figura dessa forma; mas, desde os primeiros séculos, muitos intérpretes cristãos viram nela uma manifestação do Filho de Deus antes da sua encarnação. Em qualquer caso, a cena revela o Deus que não abandona os seus no meio da provação, como prometera: quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti (Is 43.2 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Cristo prometeu estar com os seus discípulos todos os dias (Mt 28.20 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e nunca os deixar (Hb 13.5 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)); e, quando Saulo perseguia a igreja, Jesus lhe perguntou por que o perseguia — porque ele mesmo está com os que sofrem por causa dele (At 9.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Os três jovens se recusaram a adorar a estátua do rei, mesmo diante da morte (Dn 3.18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Quando o diabo mostrou a Jesus todos os reinos do mundo e a sua glória e lhe ofereceu tudo isso se ele se prostrasse e o adorasse, Jesus respondeu com a Escritura: ao Senhor, o teu Deus, adorarás, e só a ele servirás (Mt 4.8-10 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). O Apocalipse retoma a imagem de Daniel 3 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba) ao descrever uma imagem que todos são obrigados a adorar, sob ameaça de morte (Ap 13.15 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e anuncia que os que não adoraram a imagem reinarão com Cristo (Ap 20.4 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os apóstolos, ameaçados pelas autoridades, responderam com o mesmo espírito dos três jovens: importa obedecer a Deus antes que aos homens (At 5.29 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

A resposta dos três — "e, se não" (Dn 3.18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) — ecoa, com moderação, a oração de Jesus no Getsêmani: Pai, se possível, passe de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero, mas como tu queres (Mt 26.39 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Os três foram livrados do fogo; Jesus não foi poupado da cruz, mas passou pela morte e ressuscitou, vencendo-a para sempre. Por isso, Pedro pôde escrever aos cristãos que não estranhassem o fogo da provação, mas se alegrassem por participarem dos sofrimentos de Cristo (1Pe 4.12-13 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)), e que a fé provada pelo fogo resulta em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo (1Pe 1.7 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

Por fim, na fornalha, só as cordas que prendiam os três foram consumidas, e eles andavam livres no meio das chamas (Dn 3.25-27 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). Jesus anunciou que viera proclamar libertação aos cativos (Lc 4.18 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) e declarou que, se o Filho nos libertar, seremos verdadeiramente livres (Jo 8.36 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)). E advertiu os seus discípulos a não temerem os que matam o corpo, mas não podem matar a alma (Mt 10.28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)) — a mesma convicção que levou Sadraque, Mesaque e Abede-Nego a entregar os seus corpos ao fogo em vez de adorar outro deus (Dn 3.28 (abre o texto bíblico na Bible.com, em nova aba)).

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